experiências de campo: fotografando e filmando Índios em alagoas

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Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas Sílvia A. C. Martins/UFAL ([email protected] ) Nesse trabalho, descrevo dados sobre experiências de registro visual em duas pesquisas desenvolvidas entre índios em Alagoas. São informações baseadas no projeto de pesquisa realizado entre os xamãs indígenas em Alagoas durante os anos de 2004 e 2005 e outro, sobre situação territorial dos grupos indígenas, desenvolvido durante os anos de 2005 a 2007. Pretendo, portanto, destacar dados etnográficos coletados nessas pesquisas, principalmente focalizando experiências do registro de dados imagísticos fotográficos e fílmicos. Framing people, objects, and events with a camera is always ‟about‟ something... It domesticates and organizes vision (MACDOUGALL 2006:3) O laboratório e grupo de pesquisa Antropologia Visual em Alagoas AVAL, (http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhegrupo.jsp?grupo=0331703KNW4DPZ ) é vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia do Instituto de Ciências Sociais. Criado em 2004, o AVAL conta hoje com 31 pesquisadores que pertencem a diversas instituições nacionais. 1 Acervos vêm sendo formados a partir de pesquisas etnológicas desenvolvidas. O objetivo de desse grupo de pesquisa continua sendo voltado para montagem de uma diversidade de banco de dados imagísticos, particularmente visando organizar banco de dados etnográficos, documentais, bibliográficos, etc. sobre índios em Alagoas, bem como acervos montados a partir de pesquisas etnográficas desenvolvidas por cientistas sociais que se vinculem ao AVAL. Sobre isso, já temos acervo sobre rituais de cultos afro-brasileiros que reuniu dados de investigação coordenada pela antropóloga Rachel Rocha, inclusive já produzindo um filme (Eruyá, dirigido por Thiago Bianchetti e Juliana Barretto, 18‟, 2008) utilizando esse acervo. Atualmente, registro fílmico e fotográfico sobre usos ritualísticos de ayahuasca em Alagoas vêm sendo arquivados, ampliando, dessa forma, dados 1 Em 2005 aconteceu o I Festival Alagoano de Fotografia e Filme Etnográficos. O I e o II Encontro de Antropologia Visual em Alagoas foram realizados respectivamente em 2005 e 2007 em Maceió, contando com a participação de inúmeros antropólogos que trabalham no campo da Antropologia Visual brasileira.

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Trata-se de trabalho apresentado no II Seminário do LEME, na mesa-redonda intitulada Imagem e Etnicidade: Experiências Etnográficas de Registros Visuais. Nesse texto, descrevo dados sobre experiências de registro visual em duas pesquisas desenvolvidas entre índios em Alagoas. São informações baseadas no projeto de pesquisa realizado entre os xamãs indígenas em Alagoas durante os anos de 2004 e 2005 e outro, sobre situação territorial dos grupos indígenas, desenvolvido durante os anos de 2005 a 2007. Pretendo, portanto, destacar dados etnográficos coletados nessas pesquisas, principalmente focalizando experiências do registro de dados imagísticos fotográficos e fílmicos.

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Page 1: Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas

Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas

Sílvia A. C. Martins/UFAL ([email protected])

Nesse trabalho, descrevo dados sobre experiências de registro visual

em duas pesquisas desenvolvidas entre índios em Alagoas. São

informações baseadas no projeto de pesquisa realizado entre os

xamãs indígenas em Alagoas durante os anos de 2004 e 2005 e

outro, sobre situação territorial dos grupos indígenas, desenvolvido

durante os anos de 2005 a 2007. Pretendo, portanto, destacar dados

etnográficos coletados nessas pesquisas, principalmente focalizando

experiências do registro de dados imagísticos fotográficos e fílmicos.

Framing people, objects, and events with a camera is always ‟about‟

something... It domesticates and organizes vision (MACDOUGALL

2006:3)

O laboratório e grupo de pesquisa Antropologia Visual em Alagoas – AVAL,

(http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhegrupo.jsp?grupo=0331703KNW4DPZ) é

vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia do Instituto de Ciências

Sociais. Criado em 2004, o AVAL conta hoje com 31 pesquisadores que pertencem a

diversas instituições nacionais.1 Acervos vêm sendo formados a partir de pesquisas

etnológicas desenvolvidas. O objetivo de desse grupo de pesquisa continua sendo

voltado para montagem de uma diversidade de banco de dados imagísticos,

particularmente visando organizar banco de dados etnográficos, documentais,

bibliográficos, etc. sobre índios em Alagoas, bem como acervos montados a partir de

pesquisas etnográficas desenvolvidas por cientistas sociais que se vinculem ao AVAL.

Sobre isso, já temos acervo sobre rituais de cultos afro-brasileiros que reuniu dados de

investigação coordenada pela antropóloga Rachel Rocha, inclusive já produzindo um

filme (Eruyá, dirigido por Thiago Bianchetti e Juliana Barretto, 18‟, 2008) utilizando

esse acervo. Atualmente, registro fílmico e fotográfico sobre usos ritualísticos de

ayahuasca em Alagoas vêm sendo arquivados, ampliando, dessa forma, dados

1 Em 2005 aconteceu o I Festival Alagoano de Fotografia e Filme Etnográficos. O I e o II Encontro de

Antropologia Visual em Alagoas foram realizados respectivamente em 2005 e 2007 em Maceió, contando

com a participação de inúmeros antropólogos que trabalham no campo da Antropologia Visual brasileira.

Page 2: Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas

imagísticos dentro da linha de pesquisa Rituais e Performance do AVAL, focalizando o

fenômeno contemporâneo de neoxamanismo2.

Mas, foi através da pesquisa Especialistas Indígenas em Alagoas: Registros

Fílmicos, que contou com financiamento da Fundação de Amparo a Pesquisa no Estado

de Alagoas/FAPEAL entre 2004 e 2005, quando pesquisas de campo desenvolvidas

entre os grupos indígenas em Alagoas deram início à instalação e montagem do

laboratório AVAL. Essa pesquisa contou com apoio do programa PIBIC-UFAL através

de bolsa de iniciação científica para Juliana Barretto, bem como bolsa FAPEAL de

iniciação científica para Ana Laura Loureiro Ferreira. A foto abaixo ilustra um

momento durante entrevista que realizava com Sr. Cícero França, cacique entre os

Xucuru-Kariri da aldeia Cafurna de Baixo, quando Juliana Barretto filmava utilizando

câmera Mini-DV, e Ana Laura Loureiro Feereira, fazia esse registro com câmera

fotográfica digital.

Foto 1: Entrevistando Sr. Cícero França, Xucuru-Kariri Cafurna de Baixo, Palmeira dos

Índios, 2005 (autoria: Ana Laura Loureiro Ferreira,).

Essa pesquisa, desenvolvida entre os xamãs, foi muito rica por termos mapeado

xamãs (rezador, rezadeira, curandeiro, curandeira, pajé) que são aqueles que nas áreas

indígenas trabalham com a saúde, utilizando conhecimentos tradicionais. Nessa

pesquisa, constatamos que xamanismo praticado nesses grupos indígenas é um

2 São as seguintes linhas de pesquisa que hoje compõem o AVAL: -Antropologia Visual, -Antropologia

do Corpo e da Medicina, -Etnologia Indígena, -Grafismos Rupestres e -Rituais e Performance.

Page 3: Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas

instrumento de comunicação entre indivíduos e seres espirituais que envolvem

conhecimento religioso e médico, ao mesmo tempo em que é uma matriz de relações

interétnicas estabelecidas entre esses grupos, bem como entre índios e não-índios.

Incluído ao acervo do AVAL encontra-se também toda a pesquisa que realizei

entre os Kariri-Xocó durante o doutorado em Antropologia através da University of

Manitoba, Canadá. A pesquisa de campo foi realizada durante nove meses em 2001,

quando focalizei a diferença entre xamãs masculinos e femininos, bem como investiguei

sobre incorporalidade feminina (female embodiment), mais particularmente, reprodução

e gênero entre os Kariri-Xocó.

Abaixo, organizei séries de digitais stills (fotos digitais obtidas através do

congelamento de imagens fílmicas em Mini-DV), retiradas desse acervo de pesquisa

realizada entre os Kariri-Xocó:

Foto 2: D. Marieta no Ouricuri (onde faleceu em 2002).

Page 4: Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas

Foto 3: Tibiriçá, curandeiro Kariri-Xocó explicando sobre xamanismo.

Foto 4: Baiôca, olhando para foto de sua mãe. Ela é a “Mãe” dos Kariri-Xocó.

Foto 5: D. Chiquinha mostrando seu quintal com ervas medicinais.

Page 5: Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas

Nessa série, Kenedy está fazendo um remédio utilizando entrecasca de árvore.

Foto 6a: Kenedy fazendo remédio Foto 6b

Foto 6c Foto 6d

Nessa série, D. Maria Velha esta realizando um ritual de Reza para Arcas Abertas em Sr. Adalberto

(fotos 7a, 7b, 7c e 7c: D. Ma. Velha Rezando para “Arcas Abertas”):

Page 6: Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas

A pesquisa Atlas das Terras Indígenas em Alagoas foi realizada entre os anos de

2005 e 2007, contando com financiamento do CNPq, bolsistas PIBIC e em torno de 10

estudantes de graduação. Os seguintes profissionais trabalharam nessa pesquisa,

realizando pesquisas de campo e reunindo dados etnográficos imagísticos: a equipe, sob

minha coordenação, foi composta por Siloé Amorim (Doutorando em

Antropologia/UFRGS), Christiano Marinho (Mestre em Antropologia), Aldemir Barros

da Silva Jr. (Mestre em História Social), Scott J. Allen, (Ph.D. Antropologia) Celso

Brandão (Especialista em Uso de Imagem em Ciências Sociais, Cineasta e

Fotógrafo/UFAL), e estudantes de graduação – Ciências Sociais, História, Comunicação

Social . Como consultores participaram João Pacheco de Oliveira, LACED/MN/UFRJ e

Marcondes Secundino, FUNDAJ.

Apresento abaixo, um pouco do material ilustrativo registrado nessa pesquisa.

Sobre os Aconã:

Foto 8: Posando para foto (autoria: Ana L. Loureiro)

Foto 9: Igrejinha na aldeia Aconã (autoria Ana L. Loureiro)

Page 7: Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas

Foto 10: Conversando entre os meninos (autoria: Ana

L. Loureiro)

Foto 11: Casa na aldeia Aconã (autoria Christiano Marinho)

Imagens registradas entre os Katokkin:

Foto 12: Pajé Avelino cantando toré em sua residência, em agosto de 2005 (autoria: Celso

Brandão)

Page 8: Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas

Foto 14: Toré coletivo durante a festa de aniversário a data de ressurgimento em novembro de

2005. ( autoria: Ana Laura Loureiro)

Foto 15: Cacica Nina em entrevista ao AVAL em março de 2006. (autoria Siloé Amorim)

Page 9: Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas

Imagens entre os Geripancó:

Foto 16: Varal nos fundos de uma casa no núcleo Poço de Areia com coberturas de praiás.

(autoria: Aldemir Barros)

Foto 17: Brincadeira dos Praias na festa de fundação do terreiro no núcleo Figueiredo.

(autoria: Aldemir Barros)

Page 10: Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas

Entre os Kalancó:

Foto 18: Pajé Kalancó Seu Antônio com sua esposa na fotografia exposta na parede de sua

residência ( autoria: Juliana Barretto)

Foto 19: Família Kalancó, Dona Joana, Seu Pedro e netos paramentados. (autoria: Siloé

Amorim).

Page 11: Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas

Entre os Karapotó:

Foto 20: D. Marciana mostrando a vassourinha, erva usada na realização de curas para mau-

olhado, 2005 ( autoria: Ana Laura Loureiro)

Entre os Kariri-Xocó:

Foto 21: Pajé Júlio Suíra Kariri-Xocó (autoria Sílvia Martins)

Page 12: Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas

Foto 22: Candará fumando meu cachimbo (autoria: Sílvia Martins)

Entre os Karuazu:

Foto 23: Casa dos Homens, local sagrado onde ficam guardados os praiás. ( autoria: Juliana

Barretto)

Page 13: Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas

Foto 24: Pajé Karuazú Seu Antônio pintado para a Queima do Cansanção,momento da festa do

Imbu em que os índios dançam toré com ramos de cansanção nas costas em março de 2006. (

autoria: Juliana Barretto).

Entre os Koiupanká:

Foto 25: Altar da casa de Dona Iracema, índia Koiupanká, mãe do cacique. ( Autoria:

Siloé Amorim)

Page 14: Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas

Foto 26: Altar localizado no topo do cruzeiro Koiupancá. ( autoria: Juliana Barretto)

Entre os Tingui-Botó|:

Foto 27: Seu Tibi, curandeiro da área Tingui-Botó. ( autoria: Christiano Barros)

Page 15: Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas

Foto 28: Artesanato Tingui exposto no Museu da Aldeia (autoria Ana Laura Loureiro)

Entre os Wassu:

Foto 29: Gerações entre os Wassu (autoria Aldemir Barros)

Page 16: Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas

Foto 30: A Pedra do Lajedo (autoria: Aldemir Barros)

Entre os Xucuru-Kariri:

Foto 31: Maracás Xucuru-Kariri (autoria: Celso Brandão)

Page 17: Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas

Foto 32: Aldeias Xucuru-Kariri (autoria: Júlio Silva)

O acervo fotográfico do AVAL, formado através dessas duas pesquisas reúne um

total de 2.265 fotografias registradas com autorias diversas. O banco de dados fílmicos

consiste em aproximadamente 42 horas de gravações em fitas mini-DV e 3 horas em

fitas VHS, entre cenas sobre as terras indígenas, entrevistas e conversas informais.

Essas imagens foram registradas com o objetivo de identificarmos e selecionarmos

cenas para compor o filme sobre as terras indígenas em Alagoas, material este que

acompanharia a publicação Atlas das Terras Indígenas de Alagoas.3 Na medida em que

esse material foi sendo gravado e trabalhado, também eram elaboradas análises sobre o

contexto das terras indígena em Alagoas. O seguinte quadro foi elaborado sobre a

situação das terras indígenas em Alagoas. Incluímos também dados sobre os Xocó,

localizados em Sergipe. Trata-se de um único grupo em Sergipe e que mantem relação

com os Kariri-Xocó (em Porto Real do Colégio) e outros.

3 Essa publicação não foi concluída devido às dificuldades de mapeamento das áreas e atualizações

necessárias.

Page 18: Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas

Quadro sobre as Etnias Indígenas em Alagoas e Sergipe de acordo com Índice Populacional,

Situação Jurídico-Administrativa das Terras Indígenas (em 2005):

Etnia Terra Indígena Localização-

Município-Estado

População Situação Jurídico-Administrativa

Aconã - Aconã (281,18 ha) Traipú-AL 70 Dominial indígena, Faz. Bom Jardim

(281,18 ha) adquirida em 2003, após

cisão faccional entre os Tingüi-Botó

Geripancó - Geripancó (1110 ha) Pariconha-AL 223 famílias Dominial indígena: Ouricuri 15 ha

(ocupação por título de posse),

Figueiredo: 200 ha e Piancó: 4 ha

O total de 891 ha estão ocupados por

posseiros e quatro núcleos indígenas

estão localizados fora dos 1.110 ha

Kalancó Kalancó Pariconha-AL 305 A ser identificada, dominial

indígena?

Karapotó - Taboado (273 ha)

- Terra Nova (1.810

ha)

São Sebastião-AL -122 famílias

-400 famílias

Total:

811 índios

Dominal indígena: ambas áreas

foram adquiridas pela FUNAI:

Taboado em 2003 e Terra Nova em

1988

Kariri-Xocó Kariri-Xocó (4.419 ha) Porto Real do Colégio e

São Brás-AL

1.763 Tradicional, Identificada em 4.419

ha, processo se encontra com

Ministro da Justiça para sua

aprovação desde 2005.

Katokinn Katokinn Pariconha-AL 670 A ser identificada, tradiciona e

dominial indígena por ocupação

efetiva de parcela de terra

Karuazu Karuazu Pariconha-AL 408 A ser identificada, dominial

indígena?

Koiupanká Koiupanká Inhapí-AL 585 A ser identificada, dominial

indígena?

Tingüi-Botó Tingüi-Botó (331,75

ha)

Feira Grande-AL

Campo Grande-AL

308 Dominial Indígena, parcelas de terras

vem sendo adquiridas pela FUNAI:

Total hoje de 331,75 ha. adquiridos

das seguintes áreas: Faz. Boa Cica

(30 ha), Faz. Olho D‟Água do Meio

(31.5 ha) e Faz. Ypioca (59.6 ha) e

Ypioca 1 (210,65 ha)

Wassu Wassu-Cocal (2.758 ha) Joaquim Gomes-AL 2.251 Tradicional, Homologada em 1992

Xocó Ilha de São Pedro e

Caiçara (4.316,77 ha)

Porto da Folha-SE 320 Tradicional, homologada em 1991

(Decreto n. 401 de 24/12/91)

Xucuru-Kariri -Fazenda Canto:

276,54 ha (pop.498)

-Mata da Cafurna:

Total de 309,8 ha:

117,8 ha doados pela

prefeitura municipal; 22

ha adquiridos pela

FUNAI em 1987, 170

ha ganho em disputa

jurídica em 1995.

-Cafurna de Baixo:

11,88 ha (pop. 193)

-Coité: 4,62 ha

(pop.197)

-Serra do Amaro:

-Boqueirão: 484 ha

(pop. 20)

-Capela: 520 ha,(p. 30)

Palmeira dos Índios-AL 1.221 Tradicional, apesar do território ter

sido identificado em 15.135 ha, o

Relatório de Identificação e

Delimitação não foi conluído.

As diferentes terras que os Xucuru-

Kariri ocupam hoje são, na sua

maioria, áreas de ocupação

tradicional, mas adquiridas seja

através da compra (Fazenda

Canto/SPI, Boqueirão, Capela e Serra

do Amaro/FUNAI); doação (terra de

117,8 ha na Mata da Cafurna), ou

tratam-se de terras dominiais

indígena, quando há uma ocupação

efetiva de índios (Cafurna de Baixo,

Coité, Serra do Amaro) em áreas de

ocupação imemorial.

Page 19: Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas

Atualmente, a pesquisa “Monitoramento sócio-ambiental das áreas indígenas no

estado de Alagoas,” coordenada pelo professor Evaldo Mendes da Silva/UFAL vem

sendo desenvolvida nas áreas indígenas em Alagoas, contando com a minha

participação e do professor Pedro Nascimento/UFAL, bem como envolvendo 10 alunos

de Ciências Sociais. Alem de focalizar questões sócio-ambientais, esse projeto de

extensão tem como objetivo fazer um levantamento histórico desses grupos, bem como

organizar e ampliar todo acervo existente sobre índios em Alagoas (documental,

bibliográfico, etc.).

Nesse projeto consta que:

A idéia é constituir e alimentar continuamente um banco de dados

quantitativo e qualitativo que incluirá a pesquisa em fontes histórico-

documentais, o registro visual, o levantamento de dados sobre a situação

das escolas, alunos e professores indígenas, as condições de acesso à

saúde, ao atendimento médico e hospitalar e as condições sanitárias e

ambientais (uso do solo e dos recursos naturais). A intenção é que esses

dados possam servir de subsídios para fundamentar a reivindicação da

população indígena por melhoria na sua qualidade de vida (SILVA

2009:4).

MacDougall (1998) observa que dentre os diversos usos da Antropologia Visual,

hoje se pode destacar a utilização enquanto técnica de pesquisa, campo de estudo

teórico, ferramenta de ensino, meio de publicação, bem como uma nova

abordagem do conhecimento antropológico. Esses usos não são necessariamente

aspectos divergentes dentro do processo de realização de investigações etnográficas.

Pesquisas desenvolvidas no AVAL, exemplificam vários desses usos da imagem no

campo da Antropologia Visual. Seja através do próprio recurso metodológico de

registro de dados etnográficos durante a realização de pesquisa de campo, como

também na produção acadêmica que envolve reflexões teóricas (FERREIRA,

BARRETTO e MARTINS, 2009; FERREIRA 2007; BARRETTO 2007a). Já temos

uma considerável produção em termos de exibições de material fotográfico e

videográfico do nosso acervo em participações de encontros científicos (por exemplo,

www.26rba.blogspot.com, www.26rbafilmes.blogspot.com , www.1leme.blogspot.com,

etc.) e a própria produção de filmes etnográficos vem sendo significativa (BARRETTO,

2006; BARRETTO, 2007b; BIANCHETTI e BARRETTO 2009; MARTINS 2009).

Vários autores chamam atenção para questões éticas relacionadas ao fazer-

imagem durante a pesquisa de campo, particularmente sobre a característica que as

imagens fotográficas e fílmicas são muito freqüentemente percebidas como „a verdade‟

Page 20: Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas

e como „uma realidade objetiva‟ (BARBASH E TAYLOR 1997; DAVIES 1999). É

fundamental orientações teóricas de uso de registro de imagens que considerem a

pesquisa etnográfica como um "processo de criação e representação de conhecimento"

(PINK 2001:18). As produções que utilizam dados resultantes de pesquisas etnográficas

visuais contêm um potencial bastante significativo para „organizar‟ e „domesticar‟ a

visão dos que visualizam essas produções.

Seguindo MacDougall (1998:61), consideramos que:

Representação visual pode ser vista como oferecendo uma alternativa

apropriada para escrita etnográfica... para novas disposições de sujeitos

envolvendo o corpo, sentidos, emoções, na vida social.

As pesquisas desenvolvidas no AVAL vêm sendo realizadas a partir de

experiências compartilhadas entre os próprios pesquisadores e entre pesquisadores e

pesquisados. A produção do conhecimento antropológico vem se dando através de uma

nova forma de interação, abordagem e representação junto aos pesquisados, ao se

utilizar o registro imagístico.

Referências Bibliográficas e Videográficas:

BARBASH, I., e L. TAYLOR. Cross-Cultural Filmmaking. A Handbook for

Making Documentary and Ethnographic Films and Videos. Berkeley, Los Angeles,

London: University of California Press, 1997.

BARRETTO, Juliana N. Rebelo. “Também Sou Ponta-de-Rama” (Uma Abordagem

Identitária dos Ìndios no Sertão Alagoano). Trabalho de Conclusão de Curso

apresentado no Bacharelado em Ciências Sociais, ICS, Universidade Federal de

Alagoas. 2007a

BARRETTO, Juliana N. R. (direção) “Ponta-de-Rama”. Vídeo, AVAL, 18‟, 2007b.

BIANCHETTI, T. A. e BARRETTO, J. N. R. (direção) Eruyá. Vídeo. AVAL, LACC,

18‟17‟‟.

DAVIES, C. A. Reflexive Ethnography. A Guide to Researching Selves and Others.

London e New York: Routledge.1999.

FERREIRA, Ana Laura Loureiro. “Índio Tem que Ter Ciência”: Imagens, Xamanismos

e Identidades Indígenas. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a no

Bacharelado em Ciências Sociais, ICS, Universidade e Federal de Alagoas. 2007.

FERREIRA, A. L. L., BARRETTO, J. N. R. e MARTINS, S. A. .C. Realizando

Etnografia Visual entre Grupos Indígenas em Alagoas. Revista Anthropologicas (no

prelo). 2009.

Page 21: Experiências de Campo: Fotografando e Filmando Índios em Alagoas

MACDOUGALLl, D. Film, Ethnography, and the Senses. The Corporeal Image.

Princeton, Oxford: Princeton University Press, 2006

________ , Transcultural Cinema. Princeton, Oxford: Princeton University Press.

1998

MARTINS, S. A. C. Relatório Técnico: Atlas das Terras Indígenas em Alagoas.

AVAL/ICS/UFAL/CNPq, 2007.

MARTINS, S. A. C.(direção) Kambô... a vacina do sapo. Vídeo, AVAL, 22‟, 2009.

PINK, S. Doing Visual Ethnography. Images, Media and Representation in

Research. London, Thousand Oaks, New Delhi: Sage Publications, 2001

SILVA, Evaldo Mendes da. Projeto de Extensão Monitoramento Sócio-Ambiental

das Áreas Indígenas em Alagoas, ICS/UFAL, 2009.