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EXMO (A) SR (A) DR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DA ___ VARA CVEL DA COMARCA DE BELM

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EXMO. (A) SR. (A) DR. (A) JUIZ (A) DE DIREITO DA ___ VARA CVEL DA COMARCA DE BELM.

O MINISTRIO PBLICO DO ESTADO DO PAR, por intermdio desta 3 Promotoria de Justia de Defesa dos Direitos do Consumidor, no uso de suas atribuies legais, com fundamento no artigo 129, inciso III, artigos 5 inciso XXXII, 170 inciso V, 196, 197, 127, II, da Constituio Federal, artigos 927, 949 e 461 do Cdigo Civil, artigos 4, 6, incisos I, VI, VII e VIII, 14, 81, inciso III da Lei n 8.078 de 11 de setembro de 1990 - Cdigo de Defesa do Consumidor, artigo 5 Lei 7.347/85, vm perante o Douto Juzo de Direito da Vara Cvel da Comarca de Belm, a qual esta couber por distribuio, propor a presente:

AO CIVIL PBLICA COM PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA

Contra:

1. HOSPITAL PORTO DIAS S/C LTDA (HOSPITAL PORTO DIAS) CNPJ 84.154.608/001-6. Sito Almirante Barroso, n 1451, bairro do Marco;

2. DIAGNOSIS CENTRO DE DIAGNSTICOS LTDA, INSTITUTO SADE DA MULHER, CNPJ N 63.979.381/001-40, situado na Tv. Humait, n 1598, bairro do Marco;

3. UNIMED COOPERATIVA TRABALHO MDICO (HOSPITAL GERAL DA UNIMED) CNPJ n. 04.201.372/0001-37, estabelecida nesta cidade na Tv. Curuzu, n. 2192, Marco.

4. - BENEMETRIA SOCIEDADE PORTUGUESA BENEFICENTE DO PAR HOSPITAL D. LUIZ I - CNPJ 04.928.479/0001-81. Sito Av. Generalssimo Deodoro, n 868, bairro do Umarizal;

5. CLNICA ZOGHBI LTDA HOSPITAL SRIO LIBANS CNPJ 04. 965.583/0003-30. Sito Av. Duque de Caxias, n 1020, bairro do Marco;

6. VENERVEL ORDEM TERCEIRA DE SO FRANCISCO HOSPITAL ORDEM TERCEIRA - CNPJ 04.935.409/0001-50. Sito Tv. Frei Gil de Vila Nova, n 59, bairro Centro;

7. CLNICA INFANTIL DO PAR - SADE DA CRIANA CNPJ N. 63.846.455/0001-42 , situado na Tv. 03 de maio, n 1787, bairro de So Braz, todos nesta cidade.

1 RESUMO DOS FATOS A ORIGEM COMUM

Uma quantidade indeterminada de pessoas foi submetida cirurgia em 07(sete) hospitais particulares de Belm, e durante o procedimento cirrgico foram contaminados por infeco hospitalar, sendo que aps alguns dias, os locais das incises cirrgicas abriram, formando-se um processo infeccioso.

As vtimas foram obrigadas a se submeterem a uma limpeza cirrgica (debridamento) e a recorrerem a medicamentos antibiticos durante vrios meses, e somente receberam o tratamento adequado quando foi constatado pelo Instituto Evandro Chagas a ocorrncia de um surto de contaminao pela mycobacterium abscessus, transmitida durante o procedimento cirrgico nos hospitais.

Todas as vtimas sofreram transtornos decorrentes da infeco hospitalar, tiveram ou esto tendo um longo processo de cicatrizao das incises cirrgicas, alguns levando mais de seis meses, e ainda sofrendo desagradveis efeitos colaterais da forte medicao que so obrigados a ingerir, notadamente o antibitico Claritromicina 500, que deve ser tomado por um perodo mnimo de seis meses.

2 - A ANLISE FTICA.

Na data de 08 de janeiro de 2005, foi publicado no jornal O Liberal, na coluna Voz do Leitor, do caderno atualidades, pgina n 05, um artigo intitulado NO MATA, MAS MALTRATA, assinado por SALOMO ELIAS BENMUYAL, onde relatava o drama pessoal que estava vivendo, pois foi acometido de uma doena que no tinha informao exata do que se tratava, e que teria sido contaminado por uma micobactria, adquirido aps cirurgia da vescula realizada pelo mtodo vdeo-laparoscpio (fls. 32 dos autos do procedimento), informando ainda que outras pessoas estariam na mesma situao.

Aps este Promotor de Justia ler referido artigo, determinamos que uma serventuria do Ministrio Pblico entrasse em contato com Sr. Salomo e perguntasse se o mesmo gostaria de formalizar uma reclamao perante o parquet, colocando-nos a sua disposio para um possvel atendimento, o que foi feito alguns dias aps.

No dia 12 de janeiro de 2005, foi formalizada a primeira reclamao referente infeco hospitalar causada pela mycobacterium abcessus, de autoria da Sra. Ivani Pinto Nascimento (fls. 04), onde relatava tudo que vinha sofrendo desde que foi submetida cirurgia no Hospital Sade da Mulher, fato ocorrido no dia 08 de junho de 2004.

Em que pese tenha a Sra. Ivani informado na reclamao que outras pessoas teriam sido contaminadas da mesma forma, at ento tratava-se apenas de uma reclamao individual, entretanto, ficamos a partir de ento na expectativa de recebemos outras reclamaes no mesmo sentido.

Aps alguns contatos telefnicos, no dia 31 de janeiro de 2005, fomos procurados pelo Sr. SALOMO ELIAS BENMUYAL, o mesmo que escrevera para o jornal O Liberal, que formalizou uma reclamao nesta Promotoria de Justia, acompanhado de vrias pessoas, ocasio em que tomamos conscincia que se tratava de assunto de mbito coletivo e difuso, pois se tratava de uma epidemia que teria atingido um nmero indeterminado de pessoas, de gravssimas repercusses na sade pblica de nosso Estado.

Nesse mesmo dia, em torno de 10(dez) pessoas resolveram apresentar reclamao perante o Ministrio Pblico com idntico teor, fazendo com que este Promotor de Justia juntasse todos essas reclamaes em um s procedimento, baixando portaria para apurar conveniente os fatos, bem como tomar todas as providncias que se fizessem necessrias.

Aos poucos o nmero de reclamaes foi aumentando, sendo que at a presente data foram formuladas mais de 60 reclamaes na Promotoria de Defesa do Consumidor.

O que vem sendo relatado nas dezenas de reclamaes formuladas perante esta Promotoria de Justia, que essas pessoas foram inicialmente ao consultrio mdico com um determinado problema de sade, ocasio em que receberam indicao mdica para submeterem-se a cirurgia.

Ao receberem autorizao do plano de sade, depois da realizao de todos os exames pr-operatrios necessrios, combinam com o mdico o dia, hora e o hospital em que seria realizada a interveno cirrgica.

Apesar do sucesso da cirurgia no que se refere ao mal que estavam acometidas, como clculo na vescula, dentre outras doenas, todas as pessoas aps alguns dias da cirurgia apresentavam sintomas de infeco no local das incises cirrgicas.

Consoante o teor das reclamaes constante dos autos, melhor explicitados em depoimentos colhidos perante este Promotor de Justia, quase a totalidade das vtimas procurou o consultrio mdico no ano de 2004, havendo recomendao expressa do mdico para que o paciente se submetesse ao procedimento cirrgico pelo mtodo vdeo-laparoscpico.

As cirurgias transcorreram normalmente, absolutamente dentro da rotina dos centros cirrgicos, e os pacientes receberam alta do dia seguinte, devido ao sucesso do procedimento cirrgico, sendo ministrada a medicao tambm de rotina, normalmente um antibitico para preveno de infeco.

Os pacientes voltaram ao consultrio mdico entre sete a doze dias aps a cirurgia para a retirada dos pontos e em seguida retornaram a suas residncias, ocorrendo aparentemente cicatrizao das incises cirrgicas como acontece normalmente.

Ocorre que, poucos dias aps a retirada dos pontos, o local das incises comeou a abrir, apresentando vermelhido, crescimento de ndulos e ainda saindo uma secreo. A partir da comea o drama das pessoas que na maioria dos casos se arrasta at os dias de hoje, com a agravante perspectiva de durao do problema por um perodo incerto de tempo.

Os pacientes acabaram voltando por inmeras vezes ao consultrio mdico e o problema persistia, ou seja, de maneira absolutamente estranha, os dias e at meses iam passando e o local das incises insistia em no cicatrizar, percebendo os mdicos sempre um processo infeccioso nesses locais.

Inicialmente a recomendao dos mdicos era de lavar o local com gua e sabo e passar uma pomada cicatrizante, chegando a informar aos pacientes que aquilo poderia se tratar de uma reao alrgica aos pontos, mas logo o problema seria solucionado.

Posteriormente com o agravamento do quadro, alguns mdicos decidiram realizar um novo procedimento cirrgico, chamado debridamento ou curetagem, uma espcie de limpeza cirrgica, executando a retirada de ndulos e de toda a secreo, e posteriormente encaminhando o material coletado para exame laboratorial.

Ocorre que nos laboratrios onde os mdicos encaminharam o material coletados dos pacientes, instituies particulares, como o laboratrio Paulo Azevedo, o resultado da cultura era sempre negativo, ou seja, no havia comprovao da presena de bactria ou micobactria no material enviado anlise, ficando mdicos e pacientes sem entender o que estava acontecendo.

A situao tornou-se preocupante, pois casa vez mais crescia o nmero de pessoas que apresentavam o mesmo quadro aps a cirurgia, sendo que mdicos tomaram conhecimento da proporo que o caso estava tomando inicialmente de maneira informal, atravs de conversas com outros colegas, at que decidiram se reunir para discutir o problema, em busca da soluo adequada para o caso que j se transformava num surto ou epidemia.

No dia 17 de fevereiro do ano de dois mil e cinco, no auditrio "Ernesto Pinho" do prdio anexo I do Ministrio Pblico, foi realizada neunio promovida por este Promotor de Justia, com a finalidade de melhor se informar sobre a epidemia de infeco hospitalar e ainda sobre as providncias que a autoridades de sade estavam tomando.

Participaram da Reunio: Dra. Carlene Almeida e a Dra. Nazar Motta, representantes do SESMA, o Dr. Gilfrei Mcola, representante da SESPA, a Dra. Maria Luiza Lopes, representante do Instituto Evandro Chagas.

Aberto os trabalhos, a representante da SESMA, Dra. Carlene Almeida, frisou que ainda no sabia a origem da infeco, mas que o Departamento de Vigilncia Sanitria, a SESMA e SESPA estavam atuando de forma integrada a fim de descobrir a origem da infeco.

Foi cientificado que tomaram conhecimento aproximadamente no dia 18 de novembro de 2004, atravs de um telefonema de um infectologista, o qual informou que a infeco tinha sido constatada nas cirurgias vdeo- laparoscpicas e por mesoterapia.

A representante do Instituto Evandro Chagas informou que o Instituto tomou conhecimento da infeco no dia 21 de outubro de 2004, quando foi procurada por um cirurgio que coletou o material de uma paciente e o enviou a So Paulo, para ser realizado exame hystopatolgico, onde se obteve o resultado de que o material era suspeito de micobactria.

A Dra. Maria Luiza declarou ainda que o Dr. Lourival Marsola, infectologista, encaminhou o caso ANVISA, esclarecendo que o material colhido dos pacientes est sendo encaminhado ao Instituto Evandro Chagas para o cultivo, a fim de que se chegue a espcie, uma vez que o resultado de presena de mycobacterium apenas o gnero e atravs do isolamento que realizado no Instituto se chega a espcie.

A representante do Instituto Evandro Chagas afirmou que at aquele momento foram colhidos o material de 68 pacientes, dentre os quais 43 foram isolados, com a presena da mycobacterium abcessus, e esto em So Paulo para que seja feito o estudo gentico.

O representante da SESPA informou na oportunidade que at novembro de 2004 no recebeu nenhuma reclamao, entretanto, em 19 de novembro de 2004, a Dra. DLIA da ANVISA deu um telefonema, avisando da infeco, esclareceu que essa doena no de notificao obrigatria, razo pela qual tomaram conhecimento do problema pelo telefonema.

Informou ainda que no dia 26 de novembro de 2004 receberam os tcnicos da ANVISA para tomar conhecimento dos casos, sendo realizada uma reunio com o Dr. Lourival Marsola para discutir acerca do problema da infeco.

Vrias vtimas de infeco hospitalar tambm participaram dessa reunio no MP, fazendo questionamento e buscando explicao principalmente para o tratamento da doena, devido tratar-se de um caso raro.

Foi reivindicado na ocasio que a SESMA fornecesse os medicamentos aos pacientes, devido a negativa dos hospitais em custear o tratamento, alm de se disponibilizar atendimento de mdico infectologista e psiclogo para os pacientes, o que ficou de ser atendido pela SESMA.

No dia 08 de ms de abril de 2005, na Sala de Reunio do prdio anexo I do Ministrio Pblico, este Promotor de Justia reuniu-se com o o Sr. Antnio Marcos Freire Gomes, Presidente do Conselho Regional de Enfermagem (COREN), para colher informaes sobre o controle a infeco hospital em Belm, e assim buscar sudsbsdios para melhor entender as causas da epidemia que abalou a sade de nossa cidade.

Aberto os trabalhos, o Promotor de Justia fez uma breve sntese acerca do assunto a ser tratado na reunio, fazendo um resumo do que foi apurado pelo Ministrio Pblico no Procedimento Administrativo e as providncias tomadas pelo rgo.

Ao ser dada a palavra ao Presidente do COREN, este relatou uma srie de irregularidades que estariam ocorrendo nos hospitais particulares de Belm, de uma forma genrica, no apontando especificamente para nenhum hospital envolvido na presente ao.

O COREN tem observado problemas nas Comisses de Controle de Infeco Hospitalar (CCIH), nas Centrais de Esterilizao e nos Centros Cirrgicos desta cidade, nos hospitais particulares, primeiramente, como ponto fundamental, tem a apontar a falta de um profissional qualificado para comandar esses setores, no caso um enfermeiro.

Afirmou que o trabalho tem sido realizado apenas por pessoal de nvel mdio de educao, sendo que a Lei que regulamenta o exerccio da Enfermagem a Lei Federal n 7498/86, essa lei determina que a superviso das atividades de auxiliares e tcnicos de enfermagem deve ser realizada pelo profissional de enfermagem, o que no est sendo observado pelos hospitais particulares de Belm.

As atividades nas Centrais de Esterilizao de material realizadas por tcnicos de enfermagem sem a superviso direta e orientao do enfermeiro provocam falhas nas etapas de esterilizao o que pode culminar ao final em um material cuja esterilizao total esteja sob suspeita.

Outro ponto marcante no processo de esterilizao a falta de testes peridicos para verificar a eficcia de equipamento que esteriliza material, alguns, inclusive, colocados em espao fsico inapropriado. Algumas salas de esterilizao apresentam ligao com outras reas do hospital, uma espcie de meia parede ou divisria, o que terminantemente proibido. Outros apresentam uma nica entrada e sada para materiais que so levados esterilizao e utilizados em procedimentos no hospital, quando o correto segundo a legislao vigente que o material entre por uma porta e saia por outra diferente.

Outra irregularidade constatada a falta de roupa necessria, pois o uso desses equipamentos necessrio para evitar que profissionais que atuam nessas reas saiam e retornem de ambientes possivelmente contaminados.

O espao fsico na Central de Esterilizao no permite o desenvolvimento confortvel de todas as etapas que exigem a esterilizao, considerando que na mesma mesa em que se procede a desinfeco prvia se realiza o empacotamento do material.

A Comisso de Infeco Hospitalar no existe em muitos hospitais, em outros esto apenas no papel, o que impossibilita aes para controlar a ocorrncia de infeco hospita...

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