execuções - caderno gravado p2

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Raphael Augusto Pereira Direito Processual Civil- Execues Professor Boeira Princpios Informativos do Processo de Execuo 1-Patrimonialidade: A execuo, direta ou indiretamente, dirige-se ao patrimnio do devedor, tendo por finalidade a expropriao de seus bens penhorveis. Implica em alguns casos nulidade da execuo. Quando a obrigao de entregar coisa se torna impossvel, converte-se em perdas e danos (pecnia). A garantia da execuo o patrimnio, e no a pessoa do devedor. A execuo real, s atinge o patrimnio do devedor. Art. 591. O devedor responde, para o cumprimento de suas obrigaes, com todos os seus bens presentes e futuros, salvo as restries estabelecidas em lei. 2- Livre Disponibilidade da Execuo pelo Credor: A execuo realiza-se para atender ao interesse do credor/exequente e, assim, cabe a ele o direito de dispor da execuo. O credor pode, a qualquer tempo, desistir de toda a execuo ou de algum ato executivo independentemente do consentimento do executado, mesmo que este tenha apresentado impugnao ou embargos execuo (defesa do executado), exceto quando essa defesa versar sobre questes relacionadas relao material (mrito da execuo), pois nesse caso a concordncia do executado/embargante se impe. Nessa hiptese, se o executado no concordar com a desistncia, a execuo se extingue, mas a defesa ainda ter de ser examinad a. Se no for apresentada a defesa, ou quando esta restringir-se a questes processuais, no h necessidade de consentimento. Nesse caso, manifestada a desistncia haver extino da execuo e, igualmente, dos embargos execuo ou da impugnao. O consentimento do executado impe-se apenas se se tratar de desistncia do procedimento executivo. Se a desistncia for de um ato executivo e no de todo o procedimento, no h necessidade de o executado dar a sua anuncia. Art. 569. O credor tem a faculdade de, a qualquer tempo, desistir de toda a execuo ou de apenas algumas medidas executivas. Pargrafo nico. Na desistncia da execuo, observar-se- o seguinte: a) sero extintos os embargos que versarem apenas sobre questes processuais, pagando o credor as custas e os honorrios advocatcios; b) nos demais casos, a extino depender da concordncia do embargante. Vale lembrar a diferena entre desistncia e renncia: Desistncia: Diz respeito ao plano processual, onde a execuo poder ser interposta novamente, com base no mesmo ttulo. Extingue o processo, mas no extingue o crdito. Renncia: Se efetiva no plano material (Art.269,V CPC). Extingue o processo, bem como o direito de crdito, no podendo o credor intentar nova execuo, tendo como causa de pedir o mesmo ttulo executivo (Art.704,III CPC). -Questes Processuais(Art.267 e Art.301 CPC): ilegitimidade da parte, incompetncia, cumulao indevida, irregularidade do ttulo. -Questes de Mrito: quitao, nulidade do ttulo por assinatura falsa. 3-Responsabilidade Objetiva do Exeqente: Art. 574. O credor ressarcir ao devedor os danos que este sofreu, quando a sentena, passada em julgado, declarar inexistente, no todo ou em parte, a obrigao, que deu lugar execuo. Art. 940. Aquele que demandar por dvida j paga, no todo ou em parte, sem ressalvar as quantias recebidas ou pedir mais do que for devido, ficar obrigado a pagar ao

devedor, no primeiro caso, o dobro do que houver cobrado e, no segundo, o equivalente do que dele exigir, salvo se houver prescrio. 4- Adequao- Especificidade: A execuo deve realizar-se pelo meio processual adequado. Para cada espcie de execuo h um procedimento diferente (Art.475-J). Est ligado ao princpio da especificidade, pois a execuo deve recair sobre o objeto executado adequado. A obrigao deve ser especfica, porm permite-se a substituio da prestao pelo equivalente em dinheiro (perdas e danos) no caso de impossibilidade de obter-se a entrega da coisa devida (Art.627 CPC), ou de recusa da prestao de fato (Art. 633 CPC). Execuo para entrega da coisa que no existe: -A execuo deve recair sobre a prestao tpica do ttulo executivo extrajudicial. -Deve-se requerer a converso em perdas e danos + lucros cessantes + danos (Art.621). -No processo de conhecimento: ocorre a resoluo do contrato (era ttulo) para no se ter a execuo para entrega da coisa. -No processo de execuo: valor da mquina + prejuzos, assim, h um novo ttulo executivo e agora posso pedir o valor em dinheiro. OBS= Posso executar a ao direta de execuo sabendo que a coisa no existe? No No posso executar por quantia. preciso primeiro fazer uma converso da coisa em pecnia (quando isso ocorrer eu vou poder pleitear a execuo da coisa em quantia). Busca-se a resciso do contrato (o ttulo executivo desconstitudo no processo de conhecimento), e teremos como resultado: sentena que por fora da execuo vai resultarem indenizao (vai executar na sentena). Art.585 CPC-Ttulos Extrajudiciais Art.475-N CPC- Ttulos Judiciais 5- Menor Gravame: A execuo deve realizar-se pelo meio menos gravoso para o executado (Art. 620 CPC). Art. 620.Quando por vrios meios o credor puder promover a execuo, o juiz mandar que se faa pelo modo menos gravoso para o devedor.

6- Da Utilidade e da Satisfao Tpica Devida: A execuo deve ser til, suficiente, deve realizar-se para o cumprimento da satisfao executiva. A execuo corre s custas do devedor. A execuo s se justifica para atingir a satisfao do crdito do credor, nada alm disso. No admitida a execuo que traga apenas prejuzo ao credor. A execuo corre por conta e risco, s expensas do devedor. Juros, correo monetria, honorrios, tudo isso por conta do devedor. Art. 692 CPC= No pode vender a coisa com preo vil. Art. 574 CPC=Responsabilidade objetiva do exeqente. Art. 574. O credor ressarcir ao devedor os danos que este sofreu, quando a sentena, passada em julgado, declarar inexistente, no todo ou em parte, a obrigao, que deu lugar execuo. Art. 940 CPC=Penalidade 7- Da Autonomia e da Instrumentalidade

Como a execuo est fundada em ttulo executivo ela tem autonomia, ainda que esta seja relativa. da natureza intrnseca da execuo a sua fora de autonomia. Toda execuo tem de estar instrumentalizada em um ttulo executivo. 8- Oficialidade: Aqui a oficialidade maior do que no processo de conhecimento. A execuo caminha para a satisfao daquela prestao cuja sentena se presume num ttulo.

SUJEITOS DA EXECUO Direito Material= CREDOR X DEVEDOR Direito Processual= exequente executado Legitimidade Ativa: Art.566 CPC= legitimidade ativa originria Art. 566. Podem promover a execuo forada: I - o credor a quem a lei confere ttulo executivo; No basta ser credor. preciso ser credor titular de prestao tpica materializada em um ttulo executivo. Eu posso ser credor e no dispor de legitimidade ativa para o exerccio de pretenso executiva. Exemplos: a parte beneficiada pela condenao contida na sentena civil, o qualificado como locador no contrato de locao, o beneficirio da ordem de pagamento no cheque etc. II - o Ministrio Pblico, nos casos prescritos em lei Embora o Ministrio Pblico no conste como credor do ttulo executivo, ele pode propor a execuo, em virtude de expressa previso legal. Exemplos: a execuo da sentena condenatria proferida em ao popular se em sessenta dias outro cidado no o fizer. Art.567 CPC= legitimidade ativa superveniente Art. 567. Podem tambm promover a execuo, ou nela prosseguir: I - o esplio, os herdeiros ou os sucessores do credor, sempre que, por morte deste, Ihes for transmitido o direito resultante do ttulo executivo; As pessoas elencadas neste preceito podem tento propor a ao executiva na hiptese em que o credor morra antes de pleitear a execuo, quanto suceder o credor que falea durante o curso do processo (nesse caso, mediante prvia habilitao Art.1055). Em qualquer dos casos indispensvel que o crdito seja transmissvel e que se apresente em juzo a documentao da sucesso causa mortis. Esplio= uma universalidade de bens. Enquanto o inventrio no encerrou, o esplio que tem legitimidade para buscar e exercer pretenso executiva de qualquer crdito do inventariado. Depois da partilha a legitimidade no mais do esplio, e sim do herdeiro superveniente dentro do que ele efetivamente recebeu. A legitimidade do esplio (representado pelo inventariante Art.12,V) vai at a partilha, quando passa a ser exclusivamente detida pelos sucessores a quem tenha cabido o crdito. Mas, antes da partilha, tambm os herdeiros detm legitimidade para pedir a execuo, individualmente ou em litisconsrcio, quando no o faa o inventariante. Alm disso, tambm antes da partilha, quando o inventariante for dativo, todos os herdeiros e sucessores do falecido devero figurar como exeqentes (Art.12,1). O inventariante do esplio, quando ainda no houve a partilha, poder outorgar processo para voc: esplio de Antnio representado pelo inventariante tal, conforme certido de inventariante que foi extrada dos autos do processo de inventrio que eu vou levar para o processo de execuo que vai dar origem.

II - o cessionrio, quando o direito resultante do ttulo executivo Ihe foi transferido por ato entre vivos; O crdito tem de ser passvel de cesso e esta deve estar documentalmente comprovada. J estando a execuo em curso, o cessionrio substituir o cedente na posio de exeqente, independentemente de concordncia do devedor. Comunica o devedor que o novo credor tal pessoa. O credor tem livre disponibilidade da execuo. (notificacao premonitoria) III - o sub-rogado, nos casos de sub-rogao legal ou convencional. Pela sub-rogao o terceiro que paga a dvida ao credor assume o direito de cobr-la junto ao devedor. Se a dvida paga estava representada em ttulo executivo, tal cobrana farse- diretamente mediante execuo. (sub-rogacao legal) Dois casos prticos de sub-rogao legal: -o avalista que paga a conta tem posio de credor contra o seu avalizado. -o fiador no responsvel principal, e sim subsidirio, ou seja, ele s tem os bens expropriados depois que o seu afianado teve os bens expropriados ou foi cientificado que ele no tem bens. Qual a vantagem? Poder fazer a penhora direta. Exemplo: Nota Promissria= emitente e avalista. O emitente no tem bens. Nesse