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EXCLUSÃO SOCIO

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  • Superior Tribunal de Justia

    RECURSO ESPECIAL N 683.126 - DF (2004/0115048-3) RELATOR : MINISTRO ALDIR PASSARINHO JUNIORRECORRENTE : LUZIA LIBNIO DINIZ E OUTROSADVOGADO : SIMO GUIMARES DE SOUSA E OUTRO(S)RECORRIDO : IRINEU BELLUCO E OUTROSADVOGADO : FERNANDO FRANCISCO DA SILVA JNIOR E OUTRO(S)

    EMENTA

    COMERCIAL E PROCESSUAL CIVIL. AO ANULATRIA DE DELIBERAO SOCIAL E ALTERAO CONTRATUAL, CUMULADA COM PERDAS E DANOS. CLNICA MDICA. EXCLUSO IRREGULAR DE SCIOS. ALEGADA PERDA DA AFFECTIO SOCIETATIS. DEVIDO PROCESSO LEGAL INOBSERVADO. CD. COMERCIAL, ART. 334. SMULA N. 7-STJ.

    I. Configura-se irregular e, portanto, anulvel, a excluso de scios promovida pelos remanescentes majoritrios, que, sob alegao de perda da affectio societatis, serviram-se de instrumento de mandato a eles outorgado pelos autores minoritrios para alterar o contrato social, alienando suas cotas a terceiros, desviando-se da deliberao acordada entre todos, que era a de finalizar a empresa.

    II. Caso em que a instncia ordinria, soberana no exame do quadro probatrio, concluiu pela inexistncia de previso contratual para assim proceder, nem, to pouco, identificou comportamento dos minoritrios hostil com os gestores, firmando a indispensabilidade, na hiptese, do respeito ao devido processo legal, que se impe.

    III. "A pretenso de simples reexame de prova no enseja recurso especial" (Smula n. 7-STJ).

    IV. Recurso especial no conhecido, prejudicado o REsp n. 683.128/DF (Ao Cautelar).

    ACRDO

    Vistos e relatados estes autos, em que so partes as acima indicadas, decide a Quarta Turma, prosseguindo no julgamento, aps o voto-vista do Sr. Ministro Luis Felipe Salomo, no conhecendo do recurso especial, por maioria, no conhecer do Recurso Especial 683.126/DF e julgar prejudicado o Recurso Especial 683.128/DF, nos termos do voto do Sr. Ministro Aldir Passarinho Junior, que lavrar o acrdo, vencido o Sr. Ministro Fernando Gonalves.

    Braslia (DF), 05 de maio de 2009 (Data do Julgamento)

    MINISTRO ALDIR PASSARINHO JUNIOR, Relator

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  • Superior Tribunal de JustiaRECURSO ESPECIAL N 683.126 - DF (2004/0115048-3)

    RELATRIO

    EXMO. SR. MINISTRO FERNANDO GONALVES:

    Trata-se de recurso especial interposto por LUZIA LIBNIO DINIZ e

    outros com fundamento no art. 105, inciso III, letras "a" e "c", da Constituio

    Federal, contra acrdo do Tribunal de Justia do Distrito Federal e Territrios,

    em grau de embargos infringentes, assim ementado:

    "EMBARGOS INFRINGENTES. SOCIEDADE COMERCIAL. ALTERAO DE CONTRATO SOCIAL. EXCLUSO DE SCIOS. INEXISTNCIA DE CLUSULA CONTRATUAL EXPRESSA. AUSNCIA DE JUSTA CAUSA. VIOLAO DE GARANTIA CONSTITUCIONAL. NULIDADE. OCORRNCIA.I - Os scios majoritrios no poderiam excluir os embargantes do quadro social sob pretexto de perda da affectio societatis e nem se apoderar de suas cotas manu militari , sem utilizar o devido processo legal, uma vez que o contrato social no contm clusula expressa em tal sentido. Ademais, no h ensejo para afirmar que os scios minoritrios se tornaram hostis, dissidentes da vontade da maioria detentora do capital social, para com isso justificar a sua excluso do quadro social.II - Inexistindo justa causa para a excluso dos scios da sociedade empresarial, e no havendo previso estatutria a respeito do tema, a demisso dos embargantes s poderia ser validamente efetivada por deciso judicial, observados os seus direitos e garantias fundamentais assegurados na Carta Magna.III - A subsistncia da alterao contratual chancelar indevido locupletamento da primeira embargada em detrimento do empobrecimento dos embargantes, na medida em que a scia majoritria, nica com poderes para gerir a empresa, deixa entrever no ter interesse em honrar o contrato preliminar de alienao dos imveis pertencentes sociedade, cujos bens experimentaram monumental valorizao.IV - Recurso provido. Maioria." (fls.666)

    Afirmam os recorrentes violado o art. 334 do Cdigo Comercial,

    bem como dissdio com julgados deste Superior Tribunal de Justia, onde

    firmada tese no sentido de que, havendo divergncia entre os scios acerca da Documento: 810371 - Inteiro Teor do Acrdo - Site certificado - DJe: 01/02/2011 Pgina 2 de 25

  • Superior Tribunal de Justia

    continuidade da empresa, possvel, pela maioria do capital social, a excluso

    daqueles que desejam o fim do empreendimento, independentemente de

    previso no contrato social ou de ordem judicial.

    Contra-razes (fls.710/721).

    Recurso admitido (fls.723/725).

    o relatrio.

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  • Superior Tribunal de JustiaRECURSO ESPECIAL N 683.126 - DF (2004/0115048-3)

    VOTO (VENCIDO)

    EXMO. SR. MINISTRO FERNANDO GONALVES (RELATOR):

    Por IRINEU BELLUCO, RITA BRASIL BENDER, ANITA ESSINGER

    TOLEDO e MARIA TERESA VTTI VIEIRA foi ajuizada ao anulatria de

    deliberao social e alterao contratual, cumulada com perdas e danos, contra LUZIA LIBNIO DINIZ, RAIMUNDO AIRTON BRAGA, GETLIO BERNARDO

    MORATO, DRIO LUIZ DA COSTA, JAIR LUIZ DA COSTA, ANTNIO CARLOS

    SANTOS DINIZ, CARLOS MAURCIO LIBNIO DINIZ e PAI - PRONTO

    ATENDIMENTO INFANTIL LTDA.

    Segundo narra a exordial, os autores e os cinco primeiros rus,

    todos mdicos, eram scios da empresa PAI - PRONTO ATENDIMENTO INFANTIL

    LTDA e, de comum acordo, teriam deliberado, em 15/10/1998, o fim das

    atividades da empresa em face de problemas financeiros e dvidas,

    determinando, inclusive, a venda dos dois imveis pertencentes pessoa

    jurdica, onde tinha sua sede (fls. 58/67).

    No obstante, a primeira r, LUZIA LIBNIO, mediante procurao

    outorgada pelos outros quatro primeiros rus e sob o fundamento de perda da

    affectio societatis , fez realizar alterao contratual, em 22/02/2000, excluindo

    os ora autores da sociedade e transferindo as cotas dos outorgantes das

    procuraes a dois novos scios, de sorte a formar novo quadro social (fls.

    39/47).

    Os autores, Irineu Belluco e outros pretendem seja anulada essa

    alterao contratual, afirmando no existir, de fato, qualquer perda da affectio

    societatis, visto ter havido concordncia anterior, da totalidade dos scios,

    inclusive de LUZIA LIBNIO, em encerrar as atividades da empresa e, por isso

    mesmo, no poderiam ter promovido a mencionada alterao contratual,

    notadamente depois de ter anudo com a venda dos imveis onde funciona a

    pessoa jurdica.Documento: 810371 - Inteiro Teor do Acrdo - Site certificado - DJe: 01/02/2011 Pgina 4 de 25

  • Superior Tribunal de Justia

    Em primeiro grau de jurisdio o pedido foi julgado procedente em

    parte, apenas para anular a alterao contratual (fls. 494/500).

    Manejada apelao pelos rus, a Terceira Turma Cvel do Tribunal

    de Justia do Distrito Federal e Territrios, por maioria, d-lhe provimento em

    acrdo que guarda a seguinte ementa:"DIREITO COMERCIAL. SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. EXCLUSO DE SCIOS POR DELIBERAO DA MAIORIA. ALTERAO DO CONTRATO SOCIAL. ARQUIVAMENTO VLIDO.1 - A desinteligncia entre os scios, incluindo aes judiciais e o declarado intuito de dissoluo da sociedade, suficiente para ensejar a excluso de alguns deles por deliberao da maioria, sem necessidade de previso contratual ou de deciso judicial.2. A assinatura do instrumento de alterao contratual por mandatrio que detinha amplos poderes outorgados por outros quatro scios, compondo a maioria do capital social, no padece de qualquer nulidade.3 - O arquivamento dessa alterao contratual, sem que dela constem as assinaturas dos scios dissidentes, no viola o art. 15 do Dec-lei 3.708/1919 ou o artigo 35, inciso VI, da Lei 8.934/94.4 - Apelao provida. Maioria." (fls. 566)

    Apresentados embargos infringentes, foram providos,

    restabelecendo-se o voto ento vencido na apelao, dando pela anulao da

    alterao contratual, mvel da presente demanda (fls. 666/690).

    Inconformados, apresentam os rus, Luzia Libnio Diniz e outros,

    recurso especial onde entendem violado o art. 334 do Cdigo Comercial, pois,

    excludos os scios minoritrios do quadro da pessoa jurdica, no h motivo

    para impedir a cesso de cotas a terceiros sem o consentimento daqueles que

    no ostentam mais a condio de scio.

    Suscitam divergncia com julgados desta Corte que admitem a

    excluso, pela maioria do capital social, daqueles scios minoritrios que

    desejam a extino da empresa.

    Os fundamentos que norteiam o acrdo recorrido esto alinhados

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  • Superior Tribunal de Justia

    com base nas afirmaes de que, no caso concreto, no h previso no contrato

    social para a excluso de scios minoritrios e tambm no fato de que no

    haveria justa causa para essa eliminao, sendo certo que, em razo disso,

    deveria ter sido precedida de contraditrio e mediante deciso judicial.

    Acrescenta que a subsistir a alterao contratual como alinhavada, estar-se-

    chancelando indevido locupletamento da scia LUZIA LIBNIO, que deixara

    entrever no ter inteno de honrar a venda dos imveis pertencentes

    sociedade, que experimentam monumental valorizao.

    Ao assim decidir, coloca-se em contraposio com o entendimento

    majoritrio desta Corte e da doutrina especializada, no sentido de que, havendo

    divergncias entre os scios, os majoritrios podem promover a excluso dos

    minoritrios, ainda que no haja previso no contrato social. Baseia-se, pois,

    esse posicionamento, na premissa de que, se existem scios que desejam a

    co