excelentssimo(a) senhor(a) doutor(a) juiz(a) federal

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  • EXMO(A). SENHOR(A) JUIZ(ZA) FEDERAL DA ___ VARADA SEO JUDICIRIA DO ESTADO DE GOIS

    O MINISTRIO PBLICO FEDERAL , pelo Procurador da Repblica que esta subscreve, em exerccio na

    Procuradoria da Repblica em Gois, no uso das suas atribuies

    constitucionais e legais, vem, presena de V. Exa., promover:

    AO CIVIL PBLICA

    COM PEDIDO DE ANTECIPAO DE TUTELA LIMINAR

    em face do:

    CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA CFM , pessoa jurdica de direito pblico interno constituda sob a forma de

    autarquia federal, que deve ser citada na pessoa do seu Presidente,

    com endereo em SGAS, Lote 72, CEP n 70390-150, Brasl ia-DF .

    Pgina 1/29

    Av. Ol inda, Quadra G, Lote 2, Setor Park Lozandes, CEP 74884-120, Goinia - GO.

    Fone: (62) 3243-5400 homepage: h t tp : / /www.prgo.mpf .gov.br

  • 1 INTROITO

    Esta ao civi l pblica tem suporte nos

    elementos acostados ao inqurito civi l pblico n

    1.18.000.001881/2012-38, instaurado nesta Procuradoria da Repblica,

    visando apurar eventuais aes e omisses il citas do Conselho

    Federal de Medicina CFM, relativamente ao contedo da Resoluo

    CFM n 1.995/2012, que dispe sobre as diretivas antecipadas de

    vontade dos pacientes.

    Com efeito, esta demanda tem por objetivo lograr

    provimento judicial que, em carter incidental, declare a inconstitucionalidade e ilegalidade da Resoluo CFM n 1.995 , de 9 de agosto de 2012 , a qual, a pretexto de normatizar a atuao de profissionais da medicina frente terminalidade da vida de seus pacientes, extravasa os limites do poder regulamentar , impe riscos segurana jurdica , alija a famlia de decises que lhe so de direito e estabelece instrumento inidneo para o registro de diretivas antecipadas de pacientes . Ademais, busca-se tutela jurisdicional que imponha ao ru conduta de no fazer , a fim de inibir a reiterao de atividades ilcitas fundadas na aludida resoluo; e conduta de fazer , consistente em ordem para que o ru d ampla publicidade deciso que suspender a aplicabil idade da normativa aqui impugnada.

    2 COMPETNCIA DA JUSTIA FEDERAL

    A fixao da competncia da Justia Federal no

    caso em tela decorre da natureza jurdica do ocupante do polo passivo

    da presente demanda. Com efeito, a Constituio Federal adotou, ao

    lado de outros, o critrio intuitu personae para a fixao dessa

    competncia.

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    Autos n : 1 .18 .000.001881 /2012- 38T ipo de a to : i n i c ia l de ao c i v i l pb l i ca

  • Logo, tratando-se de ao movida em desfavor

    de entidade autrquica criada pela Unio, exsurge a competncia da Justia Federal para o processo e o julgamento do pleito, com base na Constituio Federal, artigo 109, inciso I.

    Alm do mais, a s presena do MINISTRIO

    PBLICO FEDERAL no polo ativo causa bastante da competncia

    deste Juzo 1.

    3 LEGITIMIDADE PASSIVA

    A legitimidade passiva do Conselho Federal de Medicina CFM decorre do fato de ter ele expedido a Resoluo CFM

    n 1.995/2012, destinada a regulamentar a atuao de profissionais de

    medicina frente as diretivas antecipadas de vontade de seus

    pacientes.

    Dessarte, sendo o aludido Conselho

    responsvel pela edio do ato regulamentar impugnado e nico sujeito de direito capaz de suportar a conduta de no fazer adiante requerida, somente em seu desfavor possvel mover a presente ao

    civi l pblica.

    4 LEGITIMIDADE AD CAUSAM DO MINISTRIO PBLICO FEDERAL

    Mirando a efetiva proteo dos direitos

    assegurados ao cidado, a Constituio Federal, artigo 127, estabelece

    que o Ministrio Pblico instituio permanente, essencial funo

    jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurdica, do

    regime democrtico e dos interesses sociais e individuais

    1 CONFLITO POSITIVO DE COMPETNCIA. AES CIVIS PBLICAS PROPOSTAS PELO MINISTRIO PBLICO FEDERAL E ESTADUAL. CONSUMIDOR. CONTINNCIA ENTRE AS AES. POSSIBILIDADE DE PROVIMENTOS JURISDICIONAIS CONFLITANTES. COMPETNCIA DA JUSTIA FEDERAL. 1. A presena do Ministrio Pblico federal, rgo da Unio, na relao jurdica processual como autor faz competente a Justia Federal para o processo e julgamento da ao (competncia 'ratione personae') consoante o art. 109, inciso I, da CF/88.(...) (CC 112.137/SP, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, SEGUNDA SEO, julgado em 24/11/2010, DJe 01/12/2010)

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  • indisponveis , entre quais se classifica o direito vida e sade , ao teor da Carta Magna, artigos 5, caput , 6 e 196 a 200.

    Dispe, ainda, a Carta Magna, artigo 129, incisos

    II e III, que so funes institucionais do Ministrio Pblico: a) zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Pblicos e dos servios de relevncia pblica aos direitos assegurados na Constituio, promovendo as medidas necessrias a sua garantia ; e b) promover o inqurito civi l pblico e a ao civi l pblica, para a proteo do

    patrimnio pblico e social, do meio ambiente e de outros direitos difusos e coletivos .

    Por sua vez, prescreve a Lei Complementar

    federal n 75/93, artigo 6, incisos VII, alneas a e d, que dispe

    sobre a organizao, as atribuies e o estatuto do Ministrio Pblico

    da Unio, que compete a essa instituio promover o inqurito civil pblico e a ao civil pblica para a defesa : a) dos direitos constitucionais ; b) e de outros interesses individuais indisponveis , homogneos, sociais, difusos e coletivos.

    Portanto, insofismvel a legitimidade ad causam do MINISTRIO PBLICO FEDERAL para manejar esta ao civi l pblica, voltada para a concretizao do direito fundamental sade, dignidade da pessoa humana e proteo constitucional famlia .

    5 MRITO

    5.1 FUNDAMENTOS DE FATO

    O MINISTRIO PBLICO FEDERAL instaurou, de

    ofcio, o inqurito civi l pblico n 1.18.000.001881/2012-38, visando a

    apurar eventuais aes e omisses il citas do Conselho Federal de

    Medicina, relativamente ao contedo da Resoluo CFM n 1.995/2012,

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  • que dispe sobre as diretivas antecipadas de vontade dos pacientes

    (anexo 1).

    Consequentemente, oficiou-se Presidncia do

    CFM, requisitando-lhe que informasse os fundamentos fticos e

    jurdicos que embasaram a edio da Resoluo CFM n 1.995/2012 .

    Em resposta, o CFM defendeu, em sntese, que o

    ato normativo serve concretizao da dignidade da pessoa humana,

    autodeterminao individual e l iberdade. Na mesma oportunidade,

    aduziu que a citada resoluo guarda pertinncia com a Resoluo n

    1.805/2006, cuja validade teria sido reconhecida, por deciso judicial j

    transitada em julgado, nos autos da ao civi l pblica n

    2007.34.00.014809-3 (anexo 2).

    Entretanto, malgrado os argumentos de que se

    valeu o ru, observam-se notrios vcios caractersticos de

    inconstitucionalidade e i legalidade na Resoluo CFM n 1.995/2012,

    concernentes ao extravasamento dos limites do poder regulamentar , afronta segurana jurdica , alijamento da famlia de decises que lhe so de direito e estabelecimento de instrumento inidneo para o registro de diretivas antecipadas de vontade dos pacientes . Face gravidade dessa situao , no subsiste outra providncia eficaz inserta nas atribuies deste rgo ministerial a no ser ajuizar

    esta ao civi l pblica, a fim de lograr a tutela jurisdicional pertinente.

    5.2 FUNDAMENTOS DE DIREITO MATERIAL

    5.2.1 Resoluo CFM n 1 .995/2012 e as diretivas antecipadas de vontade dos pacientes

    O Conselho Federal de Medicina CFM,

    autarquia federal criada e regida pela Lei federal n 3.268/1957,

    expediu a Resoluo CFM n 1.805/2006, que estabelece, em seu

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  • artigo 1, ser permitido ao mdico l imitar ou suspender procedimentos

    e tratamentos que prolonguem a vida do doente em fase terminal, de

    enfermidade grave e incurvel, respeitada a vontade da pessoa ou de

    seu representante legal (anexo 4).

    A normativa em questo pretende introduzir no

    ordenamento jurdico a expressa possibi l idade de se facultar a

    pacientes valerem-se da ortotansia , atividade consistente em abdicar-se do emprego de medidas mdicas paliativas, que tenham como nico

    resultado o de retardar, arti f icialmente, a inevitvel e iminente morte do

    paciente terminal.

    Ladeadas as fecundas discusses ticas,

    religiosas e jurdicas que o tema possa suscitar, exsurge que a

    supracitada normativa guarda pertinncia temtica com a superveniente Resoluo CFM n 1 .995 /2012 . A novel regulamentao, a pretexto de suprir o vazio normativo atinente s formas de expresso

    de vontade do paciente terminal, e, assim, conferir segurana jurdica

    atividade mdica, disps, i l icitamente, sobre as diretivas antecipadas de von

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