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    Excelentssima Senhora Desembargadora Vice-Presidente do Tribunal

    Regional Federal da 4 Regio

    Processo n 5046512-94.2016.4.04.7000/PR

    Luiz Incio Lula da Silva, apelante nos autos do processo em

    referncia, por seus advogados, com fundamento nos artigos 994, inciso VIII, e

    1.042, ambos do Cdigo de Processo Civil, bem como no artigo 303, pargrafo

    nico do Regimento Interno do Tribunal Regional Federal da 4 Regio, vem

    interpor o presente agravo contra a deciso denegatria de recurso

    extraordinrio proferida por Vossa Excelncia (Evento 260), pelas razes a seguir

    expostas.

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    O recurso tempestivo, pois a r. deciso monocrtica que

    inadmitiu o recurso extraordinrio foi disponibilizada em 22.06.2018 e no foi

    publicada at a presente data. O agravante toma cincia da deciso agravada nesta

    oportunidade.

    Aps regular processamento do agravo, requer-se sejam os

    autos encaminhados ao Excelso Supremo Tribunal Federal, onde o Recurso

    Extraordinrio dever ser conhecido, julgado e integralmente provido.

    P. deferimento.

    Porto Alegre, 25 de junho de 2018.

    Jos Paulo Seplveda Pertence Cristiano Zanin Martins OAB/DF 578 OAB/SP 172.730

    Jos Roberto Batochio Valeska Teixeira Z. Martins

    OAB/SP 20.685

    OAB/SP 153.720

    Luiz Carlos Sigmaringa Seixas OAB/DF 814

    Evandro Pertence OAB/DF 11.841

    Manoel Caetano Ferreira Filho Luiz Carlos da Rocha

    OAB/PR 8.749 OAB/DF 52.051

  • 3

    Razes do agravante, Luiz Incio Lula da Silva

    Eminente Relator,

    Egrgio Supremo Tribunal Federal,

    A deciso que inadmitiu o Recurso Extraordinrio

    01. Em 23.04.0218 o ora agravante interps recurso extraordinrio (e tambm

    recurso especial) contra os acrdos que julgaram as apelaes e os embargos de

    declarao opostos sucessivamente. As razes recursais demonstraram que tais

    arestos contrariaram, de forma direta, os seguintes dispositivos constitucionais:

    art. 5, incisos XXXVII, XXXIX, XLV, XLVI, LIII, LIV, LV, LVII, XLV,

    XLVI, LXVII; art. 37; art. 93, IX; art. 109, art. 127; e art. 129, I e II.

    02. Em outras palavras, demonstrou-se nas razes recursais, com hialina clareza,

    que os acrdos recorridos contrariaram:

    i. A garantia do juiz natural competente, pois permitiram a fixao da

    competncia do Juzo da 13. Vara Federal Criminal de Curitiba por

    preveno no mbito da Operao Lava Jato sem a identificao de

    qualquer valor proveniente de desvios de contratos firmados pela

    Petrobras;

    ii. A garantia do juiz natural imparcial, em seus aspectos subjetivo e

    objetivo;

    iii. A garantia da presuno de inocncia, pois o agravante foi tratado

    como culpado desde a fase pr-processual;

    iv. A garantia da iseno e da impessoalidade dos membros do

    Ministrio Pblico, tendo o agravante sido tratado como inimigo da

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    acusao pelos membros do Parquet que compem a Fora-Tarefa

    Lava Jato;

    v. As garantias do contraditrio, da ampla defesa e do devido processo

    legal, pelo sistemtico cerceamento de defesa;

    vi. A garantia da legalidade estrita na seara criminal (nullum crimen

    nulla poena sine lege);

    vii. A garantia da fundamentao idnea para a condenao criminal;

    viii. A garantia da individualizao da pena;

    ix. A vedao constitucional priso por dvida cvel.

    03. Entretanto, em 22.06.2018, s vsperas do julgamento de medida cautelar

    ofertada perante o Supremo Tribunal Federal para atribuir efeito suspensivo a esse

    recurso extraordinrio (PET 7670), designado para a data de 26.06.2018, sobreveio

    deciso proferida pela eminente Desembargadora Vice-Presidente do Tribunal

    Regional Federal da 4 Regio, para inadmiti-lo.

    04. Segundo essa deciso, o recurso extraordinrio no mereceria trnsito porque

    (a) encontraria bice na Smula 279/STF1, (b) objetivaria apreciao de ofensa

    reflexa Constituio Federal, e (c) tambm esbarraria na Smula 284/STF2.

    05. Com todas as vnias, a deciso de inadmisso no merece prosperar,

    porquanto o recurso extraordinrio preenche todos os pressupostos de

    admissibilidade, no havendo incidncia, no caso concreto, dos obstculos

    indicados pela Vice-Presidncia do TRF4.

    1 Para simples reexame de prova no cabe recurso extraordinrio. 2 " inadmissvel o recurso extraordinrio, quando a deficincia na sua fundamentao no permitir a exata compreenso da controvrsia.

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    06. As razes recursais demonstraram que os acrdos recorridos contrariaram o

    Texto Constitucional e que essa anlise prescinde do reexame de provas, tratando-

    se de controvrsias de direito e no de fato. Outrossim, as ofensas incidem

    diretamente sobre a Lei Maior, violando frontalmente seus dispositivos. Por

    ltimo, as transgresses foram fundamentadas de forma clara, indicando

    saciedade e adequadamente a forma como os acrdos recorridos contrariaram a

    Lei Maior, no havendo qualquer prejuzo compreenso das teses suscitadas.

    07. Adiante, sero infirmados todos os fundamentos da deciso agravada,

    demonstrando-se, minuciosamente, que o recurso extraordinrio merece ser

    admitido, processado e, ao final, provido para que sejam reconhecidas as inmeras

    ofensas diretas promovidas pelo acrdo do Tribunal de Apelao Constituio

    da Repblica.

    No incidncia da Smula 279/STF

    08. De acordo com a r. deciso agravada, no seria possvel analisar a

    contrariedade aos arts. 5, incisos XXXIV, XXXVIII, XLVI, LIII e LVII; 37,

    caput; 129, incisos I e II; 93, inciso IX, da Constituio Federal, tal como invocada

    no bojo das razes do recurso extraordinrio, porque incidiria segundo a vice-

    presidncia do Tribunal Regional o bice previsto no verbete da Smula

    279/STF.

    09. Segundo tal decisum, o recurso no merece prosseguir porque o

    acolhimento das teses levantadas pela defesa demandaria o revolvimento do

    conjunto ftico-probatrio, o que vedado no mbito do recurso extraordinrio,

    nos termos da Smula n 279 do STF.

    10. Data venia, esse entendimento no poder prevalecer.

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    11. Com efeito, conforme demonstrado nas razes recursais, os acrdos

    proferidos pelo Tribunal de Apelao contrariaram os supramencionados

    dispositivos constitucionais.

    12. No se busca no recurso extraordinrio o revolvimento ao conjunto

    ftico-probatrio, mas apenas a adequada valorao dos fatos e provas

    reconhecidas de forma soberana pela base emprica dos arestos recorridos luz dos

    arts. 5, incisos XXXIV, XXXVIII, XLVI, LIII e LVII; 37, caput; 129, incisos I e

    II; 93, inciso IX da Constituio Federal.

    13. Afinal, a vedao ao reexame de prova, tal como assentado na Smula

    279/STF, no significa que os tribunais superiores devero ignorar os fatos da

    causa. Os fatos incontroversos sobre os quais se manifestaram as instncias

    ordinrias so passveis de conhecimento por esse Supremo Tribunal Federal,

    sendo possvel a atribuio a esses de uma nova consequncia jurdica.

    14. Como cedio, o recurso extraordinrio pode envolver duas anlises diversas.

    O primeiro juzo de cassao refere-se admisso do recurso, por meio do qual

    se declara a ocorrncia de violao Lei Maior, de modo a desconstituir a deciso

    recorrida. J pelo segundo juzo de reviso , devolve-se toda a matria discutida

    ao Tribunal Superior para apreciao do mrito e rejulgamento da questo,

    possibilitando, portanto, nesta etapa, at mesmo o reexame de provas.

    15. Nesse sentido, ensinam NELSON NERY JR. e ROSA MARIA DE ANDRADE

    NERY3:

    O sistema brasileiro dos recursos excepcionais (RE, REsp e RR) confere dupla competncia recursal ao tribunal ad quem (STF, STJ e TST), que

    3 Nery Junior, Nelson. Nery, Rosa Maria de Andrade. Cdigo de Processo Civil Comentado e Legislao

    Extravagante. 10. ed. Ed RT, 2008

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    tem, simultaneamente, competncia para proferir os juzos de cassao e de reviso. Isso significa que o tribunal superior analisar, num primeiro momento, a regularidade da deciso judicial recorrida, proferindo juzo de cassao. Caso a deciso recorrida esteja incorreta, o tribunal superior dar provimento ao recurso e cassar a referida deciso porque, v. g., ofendeu a CF (RE e RR) ou negou vigncia lei federal (REsp e RR). Somente depois de haver dado provimento ao recurso excepcional, cassando a deciso judicial recorrida, que o tribunal superior analisar, num segundo momento, o direito posto em causa, proferindo juzo de reviso, rejulgando a causa. (destacou-se).

    16. Esse entendimento encontra respaldo no apenas na legislao e na doutrina,

    como tambm na prpria jurisprudncia desse STF, como se verifica,

    exemplificativamente, no julgado abaixo:

    Por fim, no procede a crtica tcnica de julgamento empregada na deciso agravada. O inc. III do art. 102 da Constituio impe que o Supremo julgue a causa por completo quando presentes as hipteses de conhecimento do recurso extraordinrio. Nessa linha, a Smula 456/STF: o Supremo Tribunal Federal, conhecendo do recurso extraordinrio, julgar a causa, aplicando o direito espcie. Portanto, descabida a pretenso do Estado de que se acolhesse seu recurso extraordinrio unicamente porque o entendimento desta Corte difere do aplicado pela Corte de origem. A aplicao do direito fixado por esta Corte conduz improcedncia da demanda, o que pode e deve desde logo ser declarado por esta Corte (...)

    Agravo regimental a que se nega provimento" (de