Eu Sei, Mas Não Devia Marina Colasanti Eu Sei, Mas Não Devia Marina Colasanti

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<ul><li> Slide 1 </li> <li> Slide 2 </li> <li> Eu Sei, Mas No Devia Marina Colasanti Eu Sei, Mas No Devia Marina Colasanti </li> <li> Slide 3 </li> <li> Eu sei que a gente se acostuma. Mas no devia. A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a no ter outra vista que no as janelas ao redor. E porque no tem vista, logo se acostuma a no olhar para fora. E porque no olha para fora, logo se acostuma a no abrir de todo as cortinas. Eu sei que a gente se acostuma. Mas no devia. A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a no ter outra vista que no as janelas ao redor. E porque no tem vista, logo se acostuma a no olhar para fora. E porque no olha para fora, logo se acostuma a no abrir de todo as cortinas. </li> <li> Slide 4 </li> <li> E porque no abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque... medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplido. A gente se acostuma a acordar de manh, sobressaltado... porque est na hora. A tomar caf correndo porque est atrasado. A ler jornal no nibus porque no pode perder o tempo da viagem. E porque no abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque... medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplido. A gente se acostuma a acordar de manh, sobressaltado... porque est na hora. A tomar caf correndo porque est atrasado. A ler jornal no nibus porque no pode perder o tempo da viagem. </li> <li> Slide 5 </li> <li> A comer sanduches porque j noite. A cochilar no nibus porque est cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja nmeros para os mortos. A comer sanduches porque j noite. A cochilar no nibus porque est cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja nmeros para os mortos. </li> <li> Slide 6 </li> <li> E aceitando os nmeros, aceita no acreditar nas negociaes de paz. E aceitando as negociaes de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos nmeros da longa durao. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: - Hoje no posso ir. E aceitando os nmeros, aceita no acreditar nas negociaes de paz. E aceitando as negociaes de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos nmeros da longa durao. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: - Hoje no posso ir. </li> <li> Slide 7 </li> <li> A gente se acostuma a sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. A gente se acostuma a sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. </li> <li> Slide 8 </li> <li> E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra. </li> <li> Slide 9 </li> <li> A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anncios. A ligar a televiso e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lanado na infindvel catarata dos produtos. A gente se acostuma poluio. luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anncios. A ligar a televiso e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lanado na infindvel catarata dos produtos. A gente se acostuma poluio. luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. </li> <li> Slide 10 </li> <li> A gente se acostuma s besteiras das msicas, s bactrias da gua potvel. contaminao da gua do mar. luta. lenta morte dos rios. E se acostuma a no ouvir passarinhos, a no colher frutas do p, a no ter sequer uma planta. A gente se acostuma a coisas demais, para no sofrer. A gente se acostuma s besteiras das msicas, s bactrias da gua potvel. contaminao da gua do mar. luta. lenta morte dos rios. E se acostuma a no ouvir passarinhos, a no colher frutas do p, a no ter sequer uma planta. A gente se acostuma a coisas demais, para no sofrer. </li> <li> Slide 11 </li> <li> Em doses pequenas, tentando no perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acol. Se o cinema est cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoo. Se a praia est contaminada, a gente s molha os ps e sua no resto do corpo. Se o trabalho est duro, a gente se consola pensando no fim de semana. Em doses pequenas, tentando no perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acol. Se o cinema est cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoo. Se a praia est contaminada, a gente s molha os ps e sua no resto do corpo. Se o trabalho est duro, a gente se consola pensando no fim de semana. </li> <li> Slide 12 </li> <li> E se no fim de semana no h muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para no se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. E se no fim de semana no h muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para no se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. </li> <li> Slide 13 </li> <li> A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma. </li> <li> Slide 14 </li> <li> MUSICA do CD 3B - JUST FOR YOU Ernesto Cortazar - What Happened Between Us CLIQUE AQUI para adquirir CDs Gotas de Crystal CLIQUE AQUI Receba novos PPS Gotas de Crystal Este PPS no tem Senha de segurana, para que voc possa estudar as animaes e formataes. Mas no significa que voc possa adulter-lo, e repassar como se fosse formatao sua. Este PPS no tem Senha de segurana, para que voc possa estudar as animaes e formataes. Mas no significa que voc possa adulter-lo, e repassar como se fosse formatao sua. </li> </ul>