Ética socioambiental

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  • tica socioambiental

  • Pe. Josaf Carlos de Siqueira SJ

    Siqueira, Josaf Carlos de tica socioambiental / Josaf Carlos de Siqueira. Rio de Janeiro : PUC-Rio, 2009. 78 p. ; 21 cm ISBN: 978-85-87926-53-1 Inclui bibliografia 1. Ambientalismo. 2. Desenvolvimento sustentvel. 3. Educao ambiental. 4. tica. 5. Diversidade biolgica. I Ttulo.

    CDD: 363.7

  • Josaf Carlos de Siqueira SJ

    tica socioambiental

  • Dedicatria

    A todas as pessoas que tm contribudo com a tica socioambiental, atravs de livros, artigos e aes con-cretas, tendo como meta a construo de um mundo socialmente mais justo e ecologicamente mais susten-tvel. Dedico tambm ao jornalista Andr Trigueiro, profes-sor do Departamento de Comunicao da PUC-Rio, que nos ltimos anos vem exercendo no Brasil uma militn-cia importante de divulgao e defesa dos valores socio-ambientais em prol de um mundo mais sustentvel.

  • Agradecimento

    Meus sinceros agradecimentos Dra. Mrcia do Amaral Peixoto Martins, professora do Departamento de Letras da PUC-Rio, pela reviso do texto e das valiosas suges-tes que contriburam para enriquecer o presente livro.

  • Sumrio

    Apresentao .......................................................................11

    Resgate de valores ticos em tempo de crises mundiais .............................................13

    Avanos e recuos na aporia tica entre o local e o global .........................................................21

    A importncia do senso dos limites e da capacidade do saber cuidar .........................................................................25

    Resgate da viso integradora da realidade socioambiental ...................................................29

    Novos caminhos de sustentabilidade socioambiental em territorialidades locais ........................................................39

    tica e sustentabilidade ambiental ....................................49

    tica e biodiversidade .........................................................57

    A viso socioambiental e integradora de um missionrio ...............................................................67

    A Igreja e seu compromisso com a sustentabilidade........71

    Referncias bibliogrficas ...................................................75

  • 11

    Apresentao

    Diante do agravamento da crise ambiental em que vive-mos e das srias consequncias na vida das pessoas e da sociedade, faz-se necessrio uma mudana de valores em prol de um mundo mais sustentvel para as geraes pre-sentes e futuras. Tudo indica que s sairemos da crise em que estamos mergulhados se optarmos pelos caminhos da tica. necessria uma mudana nos hbitos injustos e in-corretos, para que possamos construir novos costumes que sejam socialmente mais adequados s mudanas ambien-tais, que certamente ocorrero em um futuro prximo.

    A tica ambiental, alm de constituir um saber acad-mico, voltado para a formao de uma conscincia crtica, para a busca de solues em prol de um mundo sustent-vel, tambm uma atividade prtica que mexe com as mu-danas de posturas das pessoas, transformando o modo de ser e agir da relao do ser humano com a natureza. Nesse sentido, a tica pode ser denominada de socioambiental, pois existe uma profunda ligao das questes sociais com a problemtica ambiental e vice-versa.

    Como professor universitrio, militante na rea do meio ambiente e preocupado com a problemtica da crise am-biental e seus desdobramentos, no poderia deixar de ex-pressar as minhas idias sobre a tica socioambiental atra-vs dessas reflexes que, reunidas, deram origem ao pre-sente livro.

    Partindo do resgate de valores em tempo de crises, nos deparamos com os avanos e recuos da aporia tica entre o mundo local e global, percebendo sempre a necessida-de cada vez maior de buscar um senso de limites que nos ajude a encontrar a sabedoria do saber cuidar do mundo e

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    dos ambientes que nos circundam. Para tanto necessrio resgatar a viso integradora da realidade, pois, assim, en-contraremos novos caminhos de sustentabilidade socio-ambiental. Pela riqueza ambiental e ecolgica da realidade brasileira, no podemos deixar de lado uma reflexo tica sobre a biodiversidade e os possveis impactos diante das mudanas climticas. Como o testemunho que convence, inspirando as pessoas nos processos de mudanas de h-bitos e posturas, faz-se necessrio mostrar exemplos con-cretos, pessoais e institucionais, de aes voltadas para a sustentabilidade. So esses os contedos dos captulos que integram esse livro de tica socioambiental.

    Nosso desejo que estas reflexes possam servir de sub-sdios para todos aqueles que esto preocupados com a cri-se de valores e a busca de solues ticas para os problemas sociais e ambientais em escala local e global.

    O autor

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    Resgate de valores ticos em tempo de crises mundiais

    Estamos mergulhados, nos dias atuais, em duas grandes crises mundiais, a saber, a crise ecolgica e a crise financei-ra, embora ambas possuam caractersticas distintas no que se refere ao contedo, ao contexto e durao temporal. A crise financeira tem seu contedo relacionado com a alta especulao irresponsvel e inescrupulosa de pequenos grupos privilegiados, que se enriqueceram pela facilidade ao acesso manipulador de grandes bolsas que controlam a economia mundial. Ela aparece num contexto de conso-lidao do bloco econmico europeu que procura afirmar sua potencialidade interna e, ao mesmo tempo, quebrar um pouco da hegemonia da fora econmica dos Estados Uni-dos. Nesse contexto se vislumbra o potencial futuro de na-es emergentes como a China, a ndia e o Brasil, dando si-nais de que podem ocupar um lugar entre aqueles que hoje so protagonistas da economia mundial. Como em outras crises econmicas ocorridas no passado, a crise financeira atual tem um tempo histrico mediano, podendo ser curta, porm no longa demais.

    No entanto, a segunda crise, denominada de ecolgica, que aparentemente mais suave pelos seus efeitos mais lentos, pouco percebida pela grande massa da populao mundial, apesar dos constantes sinais de alerta dados pelas pesquisas cientficas e os meios de comunicao televisi-vos e eletrnicos. No entanto, ela nos preocupa muito mais do que a crise financeira, pelos seguintes motivos: primeiro pelo contedo to amplo que envolve muitos campos dos saberes cientficos, alm das escalas complexas de mensu-rao, uma vez que atingem tanto as dimenses pequenas e

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    locais, como tambm as dimenses grandes e globais. Esta crise advm de contextos marcados com opes polticas e econmicas que foram feitas por regimes capitalistas e so-cialistas, preocupados com o desenvolvimento e expanso de suas fronteiras, sem contar com as fortalezas e as fra-gilidades das chamadas estruturas bsicas de sobrevivn-cia planetria, como o clima, a gua, a biodiversidade, os recursos no renovveis e a capacidade de suporte da na-tureza. Ignorando essas estruturas bsicas fomos criando mecanismos de expanso industrial, agrcola e tecnolgi-co, que dificilmente teremos condies de retrocedermos historicamente.

    O segundo ponto, no menos grave, o contexto da crise ambiental, pois o mesmo se encontra refm do fascnio pela racionalidade tcnica e operacional que, apesar de trazer enormes benefcios para a qualidade de vida e a comunica-o planetria entre as pessoas, tem gerado um passivo am-biental que no consegue ser assimilado pela natureza em curto espao de tempo. Basta ver as diferentes formas de lixo que nos ltimos anos so jogados nos lixes ou aterros sanitrios das grandes e mdias cidades. Apesar de algu-mas tecnologias de reciclagem, a natureza no pode absor-ver toda a sucata produzida pela sociedade de consumo, a no ser dentro de uma escala temporal longeva. O contexto consumista da sociedade moderna tem optado pela criao tcnica de carter provisrio, colocando em segundo plano as criaes tcnicas mais duradouras. As escalas de subs-tituies dos produtos so feitas de maneiras aceleradas e rpidas, marcadas pelo preo, a praticidade, a agilidade e a ampliao dos leques de possibilidades, ignorando a ori-gem e o destino final desses produtos. O domnio dessa ra-

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    cionalidade ofuscou outras racionalidades de cunho mais humanstico e naturalista, cujas preocupaes esto mais voltadas para a justia social, a relao com a natureza, os valores ticos etc.

    O terceiro aspecto da crise ecolgica se refere ao tempo, pois, ao contrrio da crise financeira, seus efeitos so perce-bidos a longo prazo. O efeito estufa que hoje presenciamos teve sua origem no passado, cujos reflexos so percebidos no presente e, certamente, se prolongar no futuro, caso no haja uma mudana radical e progressiva dos mecanismos insustentveis das opes polticas e econmicas. As mu-danas climticas, compreendidas em escalas de eras geo-lgicas, dificilmente podem ser mensuradas com preciso, pois seus avanos e recuos esto condicionados por inme-ros fatores. Tal tarefa impossvel para um nico campo da cincia, pois vrios saberes cientficos esto implicados no processo. Se esse grau de incerteza da durao do tempo da crise ecolgica , por um lado, angustiante, pela impossi-bilidade do ser humano de ter acesso clarividente ao futu-ro, por outro, eticamente instigante, pois possibilita uma mudana mais imediata nos hbitos insustentveis e uma lenta e profunda transformao dos costumes, na medida em que esses novos hbitos sustentveis vo se consolidan-do culturalmente.

    Diante desse cenrio mundial marcado por essas duas grandes crises, fica sempre a pergunta pela lio tica que podemos tirar nesse estado permanente de aporia em que vivemos. A crise f

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