ESTUDOS SOBRE MATO GROSSO DO SUL - Universidade do Desenvolvimento Regional... · senvolvimento para…

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  • ESTUDOS SOBRE DESENVOLVIMENTO REGIONAL

    EM EXPERINCIAS DE SANTA CATARINA, PARAN E

    MATO GROSSO DO SUL

  • APOIO: Este livro teve o apoio financeiro para publicao da

    Os recursos referem-se ao Edital Pr-Eventos, Chamada Pblica N. 06/2015 -

    Pr-Eventos 2016/Fase 2 - Termo de Outorga N. 2016TR2035. O presente livro compe o Volume 2 dos Anais do IV Seminrio Internacional de

    Integrao e Desenvolvimento Regional e IV Workshop sobre Desenvolvimento Regio-nal no Territrio do Contestado, coordenado pelo Prof. Dr. Alexandre Assis Tomporos-ki e Prof. Dr.Valdir Roque Dallabrida, cujo evento ocorreu nos dias 26 a 28 de outu-bro/2016. O evento est vinculado ao Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional.

  • Alexandre Assis Tomporoski Valdir Roque Dallabrida

    (Organizadores)

    ESTUDOS SOBRE

    DESENVOLVIMENTO REGIONAL EM EXPERINCIAS DE

    SANTA CATARINA, PARAN E MATO GROSSO DO SUL

    1 edio

    LiberArs So Paulo - 2016

  • Estudos sobre desenvolvimento regional em experincias de Santa Catarina, Paran e Mato Grosso do Sul. 2016, Editora LiberArs Ltda.

    Direitos de edio reservados Editora LiberArs Ltda. ISBN 978-85-9459-027-5 Editores Fransmar Costa Lima Lauro Fabiano de Souza Carvalho Reviso Ortogrfica Os organizadores Editora LiberArs Reviso tcnica Cesar Lima Editorao e capa Simone Alauk

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao CIP

    Todos os direitos reservados. A reproduo, ainda que parcial, por qualquer meio, das pginas que compem este livro, para uso no individual, mesmo para fins didticos, sem autorizao escrita do editor, ilcita e constitui uma contrafao danosa cultura.

    Foi feito o depsito legal.

    Editora LiberArs Ltda. www.liberars.com.br

    contato@liberars.com.br

    Tomporoski, Alexandre Assis

    Estudos sobre desenvolvimento regional em experincias de Santa

    Catarina, Paran e Mato Grosso do Sul / Alexandre Assis Tompo-

    roski, Valdir Roque Dallabrida (orgs.) So Paulo: LiberArs, 2016.

    ISBN 978-85-9459-027-5

    1. Desenvolvimento Regional Santa Catarina 2. Desenvolvimento

    Regional Paran 3. Desenvolvimento Regional Mato Grosso do

    Sul 4. Desenvolvimento Territorial atividade econmica I. Ttulo

    CDD 338.9

    CDU 338

    http://www.liberars.com.br/mailto:contato@liberars.com.br

  • SUMRIO

    PRIMEIRA PARTE DESAFIOS, POSSIBILIDADES E PROSPECES SOBRE

    DESENVOLVIMENTO NO TERRITRIO DO CONTESTADO

    TERRITRIO DO CONTESTADO: ASPECTOS HISTRICOS DO

    PROCESSO DE MARGINALIZAO

    Sandro Luiz Bazzanella ........................................................................................................ 15 CICATRIZES DO CONTESTADO: A ESTATIZAO DA

    SOUTHERN BRAZIL LUMBER AND COLONIZATION COMPANY

    E O ADVENTO DO CAMPO DE INSTRUO MARECHAL HERMES

    Alexandre Assis Tomporoski Ana Claudia de Lemos Flenik ............................................................................................ 23

    SERTO TERRA ONDE PERU D COICE, CANDEEIRO

    D CHOQUE E O CISCO FAZ A CURVA: BREVE ANLISE

    SOBRE O SERTO NA HISTORIOGRAFIA CLSSICA BRASILEIRA E DO

    CONTESTADO

    Eloi Giovane Muchalovski................................................................................................... 39 A POBREZA NO PLANALTO NORTE CATARINENSE: REPRESENTAES

    SOCIAIS E IMPLICAES NO DESENVOLVIMENTO REGIONAL

    Maria Luiza Milani Pollyana Weber da Maia Pawlowytsch ........................................................................ 57

    O TURISMO NO TERRITRIO DO CONTESTADO: POTENCIALIDADES

    PAUTADAS EM ASPECTOS

    HISTRICOS E POLTICAS PBLICAS

    Alexandre Assis Tomporoski Sandro Luiz Bazzanella Ivone Mazutti de Geroni ...................................................................................................... 85

    SIGNOS DISTINTIVOS TERRITORIAIS: INDICAO GEOGRFICA,

    MARCAS COLETIVAS E SUA RELAO

    COM O DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL

    Karine Rohrbacher Cilmara Corra de Lima Fante Valdir Roque Dallabrida ................................................................................................... 103

  • QUESTES AMBIENTAIS ATUAIS: COMPREEND-LAS, PRECISO. UMA

    VISO HISTRICA DA FORMAO DOS PROBLEMAS AMBIENTAIS

    ATUAIS

    Danielle de Ouro Mamed Jairo Marchesan Sandro Luiz Bazzanella ..................................................................................................... 115

    PROGRAMA ENSINO MDIO INOVADOR: EXPECTATIVAS

    DOS ESTUDANTES E ARTICULAES COM O DESENVOLVIMENTO

    REGIONAL

    Janete Paiter de Souza Argos Gumbowsky Maria Luiza Milani ............................................................................................................... 119

    IDEB: IMPORTANTE MECANISMO PARA PERCEBER A EDUCAO EM

    DIFERENTES CONTEXTOS

    Rosimari de Ftima Cubas Blaka .................................................................................. 123 SEGUNDA PARTE DESAFIOS, POSSIBILIDADES E PROSPECES SOBRE

    DESENVOLVIMENTO EM OUTROS ESTADOS DO BRASI

    PERCEPO DA SOCIEDADE SOBRE A IMPORTNCIA DO TURISMO NO

    DESENVOLVIMENTO LOCAL:

    UMA ANLISE DO MUNICPIO DE PIRAQUARA/PR

    Jorge Amaro Bastos Alves ................................................................................................ 129 VALORIZAO DA TERRA NA REGIO OESTE DO PARAN: AINDA

    VALE A PENA INVESTIR EM TERRAS NA REGIO?

    Guilherme Asai Moacir Piffer ........................................................................................................................... 153

    ECONOMIA CRIATIVA E MERCADO DE TRABALHO:

    UMA ABORDAGEM INTRODUTRIA TENDO O

    MATO GROSSO DO SUL COMO REFERNCIA

    Fabrcio A. Deffacci Leoncio E. dos Santos Junior Weronica D. Adamowski Rafael Moreno ....................................................................................................................... 161

    QUEREMOS INVESTIR EM ARMAZENAGEM DE GROS?

    ESTUDO COM PRODUTORES RURAIS DE PONTA POR/MS

    Igor Lopes Pereira / Francis Regis G.M. Barbosa Thiago Quinhones Carlos Otvio Zamberlan ................................................................................................. 167

  • A SUCESSO RURAL COMO FONTE DE REPRODUO SOCIAL: ESTUDO

    NO ASSENTAMENTO DORCELINA FOLADOR

    Gianete Paola Butarelli Paulo Roberto da Silva Raquel EberhardBuss Carlos Otvio Zamberlan ................................................................................................. 171

    ANLISE DO DESAMPARO DIGITAL NOS ASSENTAMENTOS RURAIS E

    SEU DESSERVIO AO DESENVOLVIMENTO REGIONAL

    Aline Robles Brito Carlos Otvio Zamberlan Edson Pereira de Souza Romildo Camargo Martins .............................................................................................. 175

    ARANDUASSU DIGITAL: UNA PROPUESTA DE INCLUSIN DIGITAL EN

    REAS REMOTAS

    Carlos Busn Buesa Carlos Octavio Zamberlan ............................................................................................... 179

    ANLISE DOS RESULTADOS E METAS DO IDEB DA REDE PBLICA DO

    MUNICPIO DE PONTA POR/MS

    Juliana Faoro Gomes Brissov Carlos Otvio Zamberlan ................................................................................................. 183

    DINMICA ECONMICA E ESPACIAL DAS EXPORTAES

    DE PRODUTOS DE BASE FLORESTAL EM SANTA CATARINA. UMA

    ANLISE PARA O PERODO DE 2005 2014.

    Ivo Raulino .............................................................................................................................. 187

  • 11

    APRESENTAO

    Apresentamos aos leitores o Volume 2 dos Anais do IV Seminrio Inter-

    nacional de Integrao e Desenvolvimento Regional e IV Workshop sobre Desenvolvimento Regional no Territrio do Contestado, como uma coletnea

    de artigos, na forma de E-book. Os eventos em questo foram realizados du-

    rante os dias 26, 27 e 28 de outubro de 2016, no Campus de Canoinhas da

    Universidade do Contestado (UnC), como promoo do Programa de Mestrado

    em Desenvolvimento Regional.

    A coletnea composta por dezessete artigos, os quais foram apresenta-

    dos nos eventos referidos, ou fizeram parte de mesas de debate. Trata-se de

    textos que reproduzem estudos, na sua maioria j com resultados finais, ou-

    tros ainda em andamento, como inovaes em termos de alternativas de de-

    senvolvimento para regies ou municpios dos estados do Mato Grosso do Sul,

    Paran e Santa Catarina (Brasil).

    Assim, o livro est estruturado em duas partes. Na primeira parte, os

    primeiros nove textos, apresentam desafios, possibilidades e prospeces

    sobre desenvolvimento no Territrio do Contestado, recorte territorial inseri-

    do nos estados de Santa Catarina e do Paran. Na segunda parte, os outros oito

    textos esto centrados em estudos que focam desafios, possibilidades e pros-

    peces sobre desenvolvimento em outros estados do Brasil, em especial,

    Mato Grosso do Sul e Paran.

    Com esta publicao, o Programa de Mestrado da UnC, d mais uma con-

    tribuio para o debate do tema desenvolvimento regional, nos municpios de

    sua regio de Santa Catarina e outros estados.

    Desejamos a todos uma boa leitura!

    Prof. Dr. Valdir Roque Dallabrida

    Prof. Dr. Alexandre Assis Tomporoski

    ORGANIZADORES

  • 13

    PRIMEIRA PARTE

    DESAFIOS, POSSIBILIDADES E PROSPECES SOBRE DESENVOLVIMENTO NO TERRITRIO DO CONTESTADO

  • 15

    TERRITRIO DO CONTESTADO: ASPECTOS HISTRICOS DO PROCESSO DE

    MARGINALIZAO

    Sandro Luiz Bazzanella1

    1. INTRODUO

    Para colocarmos em debate aspectos histricos do processo de margina-

    lizao do Territrio do Contestado, trazemos ao centro da cena reflexiva o

    filsofo alemo Walter Benjamin, tomando como referncia e pressuposto

    reflexivo algumas das teses apresentadas pelo pensador em seu famoso texto:

    Sobre o conceito de histria. Este texto foi redigido na aurora de 1940, nos

    anos iniciais da II Guerra Mundial e, pouco antes de Benjamin empreender

    uma tentativa de escapar da Frana, sob o regime colaboracionista de Vichy,

    em que refugiados alemes judeus e marxistas eram entregues s autoridades

    da Gestapo. A tentativa de fuga foi frustrada. Capturado pela polcia franquista

    na fronteira espanhola Walter Benjamin opta pelo suicdio em setembro de

    1940.

    Evidentemente, no se trata aqui de uma explanao do pensamento de

    Benjamin, muito menos de uma abordagem das teses de sua filosofia da hist-

    ria lida a contrapelo no referido texto: Sobre o conceito de histria, ou mes-

    mo dos pressupostos teolgicos e filosficos que compe a concepo de his-

    tria de Benjamin, mas a partir de algumas concepes presente nas teses

    apresentadas no documento supracitado pensar refletir e, sobretudo, reme-

    morar as condies que implicam no processo de marginalizao do Territrio

    do Contestado.

    2. A QUESTO DOS CONCEITOS

    Preliminarmente, ressalte-se que a temtica proposta parte do pressu-

    posto de que o Territrio do Contestado encontra-se em condio de margina-

    lizao. Portanto, tal proposio sugere que a situao de marginalizao

    algo questionvel, no desejvel, ou que necessita ser superado e, de que tal

    condio pode, ou deve ser compreendida a luz do processo histrico que o

    1 Doutor em Cincias Sociais, com atuao no Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional da

    Universidade do Contestado. E-mail: sandroluizbazzanella@gmail.com

  • 16

    conformou e o conformam em suas dimenses sociais, polticas, econmicas e

    culturais contemporneas.

    Neste contexto, a preciso conceitual em torno do termo marginalizao

    assume importncia decisiva, o que nos remete a uma consulta aos dicionrios

    da lngua portuguesa, que remetem o termo marginalizao ao verbo margina-

    lizar: 1. Impedir que participe de; por a margem de uma sociedade, de um

    grupo, da vida pblica. Assim, a definio de marginalizao sugere uma ao

    marcada pela violncia perpetrada por indivduos, que impedem que outros

    indivduos participem de determinado mbito de relaes individuais, ou

    sociais. Sugere por extenso, ao violenta de grupos, ou de instituies que

    cerceiam a participao de outros grupos, de setores da sociedade da vida

    social de uma comunidade, de um territrio, ou mesmo de um pas.

    3. A CONCEPO DE HISTRIA DE WALTER BENJAMIN E A COMPREENSO DO PROCESSO HISTRICO DE MARGINALIZAO DO CONTESTADO

    a partir destes pressupostos que as variveis da concepo de histria

    de Walter Benjamin podem contribuir com nosso esforo de compreenso dos

    processos histricos de marginalizao do Territrio do Contestado. Assim,

    inerente a concepo benjaminiana de histria a crtica ao historicismo e sua

    viso de tempo derivado da historiografia iluminista marcado pela aposta no

    continuum de um tempo rumo ao progresso, ou de seu homnimo contempo-

    rneo de um tempo marcado pela ansiedade pelo desenvolvimento.

    Benjamin visa a mesma concepo de tempo homogneo e vazio, esse tempo indiferente e infinito que corre sempre igual a si mesmo, que passa engolfan-do o sofrimento, o horror, mas tambm o xtase e a felicidade. A historiografia que se baseia nesta concepo trivial do tempo como cronologia linear opera a partir de princpios cujo fundamento se assenta num conceito totalmente em-botado de causalidade histrica, como se a sucesso cronolgica fosse sinni-mo de uma relao substancial de necessidade histrica: O historicismo con-tenta-se em estabelecer um nexo causal entre os diversos momentos da hist-ria. Mas nenhum fato, por ser causa, j , s por isso, um fato histrico. A isso Benjamin ope um conceito pleno de tempo de agora, ao mesmo tempo sur-gimento do passado no presente e evento do instante daquilo que comea a ser... que deve, pelo seu comeo, nascer a si, advir a si, sem partir de lugar ne-nhum. O instante imobiliza esse desenvolvimento temporal infinito que se esvazia e se esgota e que chamamos rapidamente demais de histria. Ben-jamin ope a exigncia do presente, que ela seja o exerccio rduo da pacin-cia ou risco da deciso (GAGNEBIN, 2009, p. 96/97).

    Ou seja, para Benjamin a histria que se lembra do passado tambm

    sempre escrita no presente e para o presente. A intensidade dessa valorizao

    e renovao quebra a continuidade da cronologia tranquila, imobiliza seu

    fluxo infinito, instaura o instante e a instncia da salvao (GAGNEBIN, 2009,

    p.97). Assim, o pensador nos prope um tempo presente que no se apresenta

  • 17

    como o resultado necessrio de um passado que se atualiza no presente, nem

    mesmo como transio para outro tempo futuro, mas como um tempo que se

    mantm imanente na absolutidade de seu presente vital. Ainda nesta perspec-

    tiva, para Benjamin argumenta:

    O passado no se entrega a ns; ele s nos envia sinais cifrados, que do conta, misteriosamente, de seus anseios de redeno. Cada gerao recebe uma es-cassa fora messinica para perceber esses anseios do passado. a partir de nossa luta no presente que podemos entrever a verdade das lutas que ocorre-ram antes. A recuperao do passado se d na forma de recordaes que cinti-lam num momento atual de perigo (KONDER, 1999, p. 105).

    Ou seja, se compreende se age suficientemente diante das estruturas so-

    ciais, polticas e econmicas e de seus processos de marginalizao que con-

    formam no presente limites e ameaas a vida humana e ao mundo na medida

    em que capta os sinais, os acontecimentos passados que circunscrevem o pre-

    sente. A afinidade que temos com os que nos precederam passa pelo perigo,

    em que nos encontramos, de ceder diante da opresso" (KONDER, 1999, p.

    105). Nas palavras de Benjamin presentes na Tese VI: Articular o passado

    historicamente no significa conhec-lo tal como ele propriamente foi. Signifi-

    ca apoderar-se de uma lembrana tal como ela lampeja num instante de perigo.

    (...) Em cada poca preciso tentar arrancar a transmisso da tradio ao con-

    formismo que est na iminncia de subjug-la (LWY, 2005, p.65).

    Sob tais pressupostos preciso ateno para o fato de que O passado

    acena para ns, de longe, mas s poderemos aproveitar a riqueza das energias

    humanas encerradas nele se formos capazes de agir, no presente, com genuna

    paixo libertadora (KONDER, 1999, p. 105), com vontade crtica e, compro-

    metida com as experincias vividas pelos seres humanos que conformam o

    mundo em que nos circunscrevemos. Assim, questionar a condio de margi-

    nalizao do Territrio do Contestado a luz dos processos histricos significa

    a partir de perspectivas da filosofia da histria de Benjamin assumir uma tare-

    fa tica inadivel.

    Tarefa tica implcita no simples fato do nascimento de um cidado do

    Territrio do Contestado e o necessrio reconhecimento social de uma dvida.

    Dvida com sua subsistncia, com a possibilidade de reconhecer-se herdeiro

    de uma tradio comunitria e territorial e, por decorrncia de ter assegurado

    uma condio vital de pertencimento a terra, a cultura em que se circunscreve

    e se circunscrever sua viso de mundo e sua existncia.

    Na extenso da tarefa tica, apresenta-se necessariamente a tarefa polti-

    ca de comprometer-se com a afirmao da liberdade como ponto de partida, a

    partir do qual todo ser humano tem direito vida, e a realizao de sua potn-

    cia vital individual e, em mbito social. O reconhecimento no tempo presente

    da tarefa tico-poltica revela-se no compromisso de afirmar uma sensibilida-

    de esttica adequada ao territrio, seres humanos marginalizados, de quem

  • 18

    lhes foi retirado e negado o acesso terra, as condies dignas de vida e de

    exerccio de sua liberdade de pensamento e ao e, por extenso a possibili-

    dade de rememorar suas lutas, suas derrotas, suas vitrias, seu modo de ver e

    se situar no mundo.

    4. AUTORITARISMO E A NEGAO DA PALAVRA

    Sob tais pressupostos, advindos da perspectiva benjaminiana de tempo e

    de histria, apresenta-se oportuno rememorar aspectos histricos constituti-

    vos do processo de marginalizao do Territrio do Contestado, cujas marcas

    se apresentam em nosso modo de entendimento vivas e atuantes no presente.

    O autoritarismo e sua varivel extrativista.

    O autoritarismo marca registrada da conformao social e poltica bra-

    sileira. Donos de Capitanias hereditrias, Senhores de engenho, Capites do

    mato, Generais, Coronis, Doutores, Juzes, entre outras denominaes so

    alguns dos personagens que moldaram nossa sociedade de castas, reverbe-

    rando tal condio em linguagem popular, ou em ditos populares, tais como:

    Manda quem pode, obedece que tem juzo; Aqui cada um sabe seu lugar.

    Assim, se pode partir do pressuposto de que o autoritarismo como um

    dos aspectos determinantes do processo histrico de marginalizao do Terri-

    trio do Contestado se manifesta em dois momentos constitutivos de um con-

    tinuum de prticas autoritrias. Primeiro na Questo do Contestado, em que

    o Estado de Santa Catarina e o Estado do Paran entraram em litgio, ou con-

    testaram a pos