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História da Instrução em Sorocaba (1660 - 1956)

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  • INSTrrUTO HISTRICO E GEOGRFICO DE PIRACICABA

    Estudos Regionais Paulistas Histria da Instruo em Sorocaba (1660 - 1956)

    Alusio de Almeida

    Alma de um Povo

    Jahyra Boucault Arruda

    Tragdia no Srtio da Serra

    Jair T oledo Veiga

    O Chimango Melchior de Mello Castanho

    Nl io Ferraz de Arruda

    A Presena Alem no Brasil

    Oswaldo Cambiaghi

    PIRACICABA 1989

  • COPYRIGHT

    todos os direitos I'pservados ao alltor

    Dados de Catalogao na Publicao (CIP) Internacional (Cmara Brasileira do livro. SP. Brasil)

    Almeida, Alusio de, 1904-1981. Histria de instruo em Sorocaba Alusio de Almeida. - Piracicaba, SP : Shekinah, 1989. Acima do ttulo: Instituto Geogrfico e Histrico

    de Piracicaba.

    1. Educao - Brasil - Sorocaba (SP) - Histria

    1. Ttulo

    !:9-2459 ClJD-370.981612

    'ndices para catlogo sistemtico:

    1. Sorocaba Educao: Histria 370.981612 2. Sorocaba Instruo: Histria 370.981.612

  • Apresentao

    Pela segunda vez. em seus 22 anos de existncia. o Instituto Histrico e Geogrfico de Piracicaba oferece ao leitor especializado. aos estudantes de Histria e aos interessados nas coisas do viver paulista. uma antologia de trabalhos dos seus scios. Em 1972. publicou a Revista de Estudos Piracicabanos de grande significado para a Histria de Piracicaba. Agora. com os "Estudos Regionais Paulistas". o nosso sodalcio transcende ore gionalismo piracicabano e busca uma participao mais plena e objetiva na Cultura de So Paulo.

    No estamos preocupados com definies tericas ou implicaes conceituais. Apenas oferecemos o que existe de bom em nossos arquivos, respeitando as premissas dos seus autores, a sua metodologia de trabalho e o estilo individual, seja do mdico, da poetisa, do serventurio cartorial. do professor ou do pesquisador sorocabano. Todos oferecem a sua tica particular das coisas do mundo. a sua viso de Histria. construindo os fatos histricos numa vasta e bela trama da Cultura Paulista.

    H dois anos. inicivamos o nosso mandato na Presidncia do Instituto Histrico e Geogrfico de Piracicaba. Durante o primeiro ano (1988). lutamos por conseguir.um espao condigno e organizado, prprio para a comunicao da nossa produo cultural. Mesmo assim, colaboramos com a publicao do livro do Prof. Uno Vittl, "Alma Desnuda". oferecendo-lhe papel para a impresso. No presente ano (1989), j organizados numa nova sistemtica de trabalho. instalados condignamente no edifcio do antigo Forum (rua do Rosrio, 781. 2.0 piso). podemos oferecer maior contribuio Cultura Piracicabana, nas mais diversas frentes de trabalho intelectual.

    Ao concluir o nosso segundo mandato presidencial entregamos ao pblico leitor trs obras editadas pelo Instituto Histrico e Geogrfico de Piracicaba: -"Piracicaba: 2 Estudos"; -"A Sntese Urbana"; -"Estudos Regionais Paulistas". Com a execuo deste projeto editorialista julgamos encerradas as nossas responsabilidades no presente exercicio. Levamos a

  • conscincia do dever cumprido e a convico de que a produo cultural de um Instituto Histrico e Geogrfico deve manifestar-se em trs nveis: pesquisa. promoo de cursos e publicao de obras.

    Piracicaba. 16 de dezembro de 1989

    Marly Therezinha Germano Perecn Presidente do Instituto Histrico e Geogrfico de Piracicaba

  • Alusio de Almeida - Histria da Instruo em Sorocaba (1660 - 1956)

    Poucas vezes. ao longo dos seus vinte e dois anos de existncia. o Instituto Histrico e Geogrfico de Piracicaba teve a satisfao de oferecer Cultura Paulista o trabalho de um escritor consagrado pela inteli~nela brasileira e respeitado no estrangeiro. Pensar. que a "Histria da Instruo em Sorocaba" (1660 - 1956). permaneceu 33 anos guardada no arquivo das obras Inditas de Alursio de Almeida! Finalmente veio luz. contando com a autorizao da herdeira. da. Maria Aparecida Castanho Albertl. Irm do Monsenhor Luiz Castanho de Almeida. e pelas mos do piracicabano Waidemar Iglsias Fernandes, que no mede esforos nem sacrifcios para editar as obras daquele que foi o maior escritor caipira de S. Paulo.

    Se um marciano me perguntasse: - Afinal. quem Alusio de Almeida? - Eu diria sinceramente: - o grande escritor do Vale Mdio do Tiet; o maior de todos os representantes da cultura caipira. Aquele que em sua vida terrena era um frgil. enfermio e humilde sacerdote denominado Monsenhor Luiz Castanho de Almeida. Verdadeiramente amigo. sincero e devotado a duas cidades irms. Sorocaba e Piracicaba. Aquele que nasceu na pequenina Guare (SP) em 1904 e faleceu em Sorocaba em 28/02/1981. Em sntese: um Mestre da Cultura Paulista!

    O grande caipira. Mons. Luiz Castanho de Almeida o mesmo Alusio de Almeida, nome citado em todas as bibliografias de Cincias Humanas da atualidade. o autor de obras-primas como Vida e Morte do Tropeiro (S. Paulo, Llv. Martins Editora. 1971) e Vida Quotidiana da Capitania de S. Paulo (S. Paulo. Ed. Pannartz, 1975), alm de outras 22 obras de grande valor. Agora o I.H.G.P. tem a satisfao e o orgulho de publicar um trabalho daquele que foi durante muitos anos o seu ilustre scio correspondente.

    Com esta publicao. ns, os piracicabanos. aqui ao p do Salto. homenageamos o Instituto Histrico, Geogrfico e Genealgico de Sorocaba, bem como todos os sorocabanos e fazemos do Grande Caipira o penhor de uma slida aliana em proveito de futuras realizaes culturais.

    Marlv Therezinha Germano Pereci"

  • CAPTULO I

    Primrdios de Sorocaba

    1: NDIOS A palavra Sorocaba, que o resumo de bossorocaba, quer dizer lugar

    de bossorocas, rasgo da terra, terra que esbora. Sendo assim, foi a terra que deu nome ao rio e no vice-versa. Tribus do grupo tupi-guarani transitavam por estes campos ao tempo

    da descoberta do Brasil, comunicando-se, reciprocamente. o litoral atlntico e o centro da Amrica do Sul. por um caminho chamado Peabiru.

    Propriamente na regio houve tabas esparsas que duravam pouco, tendo-se descoberto ultimamente as igaabas de um cemitrio indgena no Ipanema. Aqui os carijs do Sul, tupiniquins do litoral e tupis do Tiet com os guaranis do oeste, todos do grupo da lngua geral talvez com intruso dos goians limitavam-se mutuamente e movimentadamente.

    Da lngua geral que eles falavam chegaram at nossos dias alm do topnimo Sorocaba, os seguintes principais: Araoiaba, lugar onde o sol se pe; Ipanema. gua ruim; Sarapu ou Sarapu, rio que tem peixe sarapu; Boituva, abundncia de cobras; Itinga, gua branca; Ipatinga, lagoa branca; Itavuvu, pedra chata grande; Itapeva, pedra chata; Acangera, lugar da caveira; Itupararanga, cachoeira; Votorantim, cachoeira branca; Cuiab, lugar de cuias: Caguassu, mato grosso; Nhon-Nhon, campo largo; Nhumirim, campo pequeno; Cajuru, boca do mato; Inhoaba. campo ruim; Itabaca. ribeiro que salta nas pedras: Taquarivai, rio de taquaral; Pirapora, peixe pula; Itangu, gua da terra vermelha; Supiriri, rio dos couros; Jurupar. rio estreito; Indaiatuba, muito indai. Possivelmente alguns desses topnimos j foram postos pelos bilnges bandeirantes que, todavia, denominaram portugusmente: Mato Dentro, Campo Largo, Terra Vermelha, Campina, Boa Vista, Cerrado, Lageado, Cachoeira, Rio Baixo, Rio Acima, Morros.

    E estes mesmos, em parte, so a pura traduo do tupi. Uma vez denominado Sorocaba em meio do seu curso, as nascentes

    no Paranapiacaba e a foz no Tiet teriam a mesma designao.

    11

  • 2: POVOAMENTO PELOS BRANCOS

    Tudo comeou no Morro de Araoiaba, a trs quilmetros do ribeiro Ipanema. no seu tributrio. riacho das Furnas, donde at o fim do sculo passado se retirava o minrio de ferro flor da terra. Cerca de dez anos antes de terminar o sculo 16, a fundou Afonso Sardinha, natural de Santos, e filho de um homnimo portugus. um primitivo engenho e forja para a fundio do ferro. Provavelmente em 1589 descobriu tambm ouro. a e nas imediaes, em pequena quantidade.

    Em 1599-1600 Dom Francisco de Souza, Governador Geral do Brasil, foi pessoalmente ao Araoiaba. sonhando com minas de ouro, e fundou uma vila sob a proteo de Nossa Senhora do Monte Serrat. Certamente havia rancho de sap para alguns brancos e os muitos ndios cristos para o trabalho.

    O pelourinho, coluna de alvenaria ou madeira tendo ao cimo obrigatoriamente a espada (transformada em cutelo ou faca) da Justia. era o smbolo da vila. E vila era como as atuais cidades que s6 tm Cmara Municipal e no so sedes de Comarca.

    Na realidade, esse pelourinho com tudo o que ele significava serviu para Sorocaba, como veremos e. se no foi o mesmo concretamente que se transferiu, o simbolismo vinha dele. Isto , a fico jurdica.

    Na realidade, Dom Francisco de Souza no lavrou decreto criando a vila, nomeando os primeiros vereadores e determinando-lhe os limites.

    Tambm no foi criada parquia. Era um arraial de mineradores. que logo se transportaram para o

    Itavuvu, no campo, pois que as matas do Araoiaba no se apropriavam economicamente e, quanto sade, a uma pequena comunidade isolada. No encontrando ou ro, o ferro no sustentaria os moradores. Espalharamse. J desde 1601 Francisco Rodrigues recebeu de Dom Francisco de Souza uma sesmaria de uma lgua em quadra, rio Sarapui abaixo. alm do morro do Arl.oiaba, desde a tapera de Ibapoara, topnimo hoje desconhecido mas que corresponde a terras da confluncia do Sorocaba e do Sarapu.

    Seguindo a sua vocao. digamos horizontal, os bandeirantes haviam ultrapassado a passagem de Sorocaba.

    Creio que o caminho seguido por eles desde Afonso Sardinha descia da serra do Piragibu seguindo o vale do afluente do Sorocaba, passando o rio no Itavuvu. O primitivo caminho de So Paulo para o porto do Araritaguaba (Porto Feliz) deixava o Tiet em Parnaba e subia a serra at o

    ___o 12

  • Apotribu. Da procurava os campos do Pirapitingu. onde se bifurcava para Itu e Ipanema1.

    Des

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