ESTUDOS DE USUÁRIOS NA PERSPECTIVA FENOMENOLÓGICA ...

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13Inf. & Soc.:Est., Joo Pessoa, v.22, n.3, p. 13-23, set./dez. 20121 INTRODUO A Cincia da Informao - CI, como recente campo do conhecimento cientfico, vem se modificando ao longo do tempo em busca do estabelecimento de suas bases tericas. Muito se discute sobre o campo, desde qual o seu objeto de estudo e qual a abrangncia da rea. Atualmente, destaca-se o movimento de alargamento das fronteiras da CI, que prope uma nova forma de olhar os fenmenos informacionais, dotados de dimenses histricas, econmicas, polticas e socioculturais. Na subrea estudos de usurios da informao comeam a surgir pesquisas que contribuem para este movimento, aproximando-se do chamado paradigma social da CI.Este artigo objetiva mostrar as possveis contribuies da fenomenologia, especialmente a fenomenologia social de Alfred Schutz (1979), para os estudos de usurios da informao, reforando o movimento de alargamento das fronteiras da CI, enquanto abordagem compreensiva que busca o desvelamento dos fenmenos, inclusive os informacionais, na mente dos sujeitos. A seguir tm-se uma breve explanao sobre o movimento de alargamento das fronteiras da CI, a subrea usurios da informao e a fenomenologia para subsidiar a discusso proposta. 2 MOVIMENTO DE ALARGAMENTO DAS FRONTEIRAS DA CIEm perodos distintos a CI recebe diferentes enfoques, sendo que alguns se sobressaem mais que outros em determinados ESTUDOS DE USURIOS NA PERSPECTIVA FENOMENOLGICA: reviso de literatura e proposta de metodologia de pesquisaTatiane Krempser Gandra*Adriana Bogliolo Sirihal Duarte** RESUMO Apresenta possveis contribuies da fenomenologia para a Cincia da Informao, especialmente os estudos de usurios da informao, reforando o movimento de alargamento das fronteiras do campo, enquanto abordagem compreensiva que busca o desvelamento dos fenmenos na mente dos indivduos. Aponta as contribuies que a fenomenologia pode oferecer aos estudos de comportamento informacional, com destaque para o modelo de distribuio social do conhecimento, de Alfred Schutz, que favorece a compreenso de interaes sociais complexas, como as ocorridas nos processos de busca e uso da informao. Apresenta a metodologia de um estudo de usurios em andamento para mostrar como a adoo da fenomenologia enquanto postura metodolgica pode contribuir para tais estudos. Conclui-se que h uma aproximao entre o chamado paradigma social da Cincia da Informao e a perspectiva fenomenolgica, pois ambas partilham a viso de que a realidade uma construo intersubjetiva. Palavras-chave: Usurios da informao. Fenomenologia. Comportamento informacional. * Mestre em Cincia da Informao pela Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil. Doutoranda no Programa de Ps-Graduao em Cincia da Informao da Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil. Bolsista Capes. E-mail: tatikrempser@gmail.com** Doutora em Cincia da Informao pela Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil. Professor Adjunto da Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil. E-mail: bogliolo@eci.ufmg.brartigo de reviso14 Inf. & Soc.:Est., Joo Pessoa, v.22, n.3, p. 13-23, set./dez. 2012Tatiane Krempser Gandra; Adriana Bogliolo Sirihal Duartemomentos. No incio, a CI constituiu-se a partir do modelo das cincias modernas, utilizando-se da mxima objetividade e buscando formular leis universais de comportamento da informao. Percebe-se, assim, que na CI sempre predominou um olhar funcionalista, claramente presente nos estudos desenvolvidos, inclusive na subrea usurios da informao que, ao longo de seu desenvolvimento, consolidou um modelo que privilegiava pesquisas com determinados sujeitos, como os usurios de bibliotecas, cientistas, empresrios e engenheiros, dentre outros. E pesquisas com grupos que no se enquadravam nesse modelo consolidado sofreram crticas quanto sua legitimidade e relevncia para a rea. Ainda predomina o pensamento de que os estudos de usurios precisam de uma utilidade imediata, no sentido de melhorar um sistema de informao, por exemplo (ARAJO, 2008). Em contrapartida, ganha fora atualmente na rea uma corrente de pensamento que discute a questo do alargamento das fronteiras da CI. Comeam a surgir mais trabalhos que fogem desta viso funcionalista e se preocupam com o aspecto social relativo ao campo. Abre-se uma nova agenda de pesquisas na subrea: ao invs de se buscar taxas de uso de determinadas fontes de informao, busca-se entender por que se usa tal fonte e o significado dela para o sujeito. Ou seja, modifica-se a forma de olhar para o objeto de estudo: esta nova agenda busca enxergar as aes dos usurios dotadas de significados para eles mesmos. Da a compreenso da informao no como um dado ou como uma coisa com significado fixo (BUCKLAND, 1991), mas como um processo, algo que ser percebido de acordo com os sujeitos, de variadas formas (ARAJO, 2003; ARAJO, 2007). Esta caracterstica est fortemente ligada perspectiva fenomenolgica, como vermos nas sees 4, 5 e 6 deste artigo.Nesta nova agenda de pesquisa estudar o usurio no consiste apenas em uma questo tcnica, tambm uma questo poltica. Democratizao, incluso, informao como condio de cidadania, se tornam temticas recorrentes nos estudos. (ARAJO, 2007, p. 93). Passa-se a problematizar no mais a satisfao dos usurios com determinado servio de informao, mas as contradies no acesso informao.3 EVOLUO DA SUBREA USURIOS DA INFORMAOA subrea originou-se aproximadamente em 1930 com estudos que se preocupavam com os hbitos de leitura dos usurios de bibliotecas. Com o passar do tempo outras questes tornaram-se foco dos estudos. Formaram-se, inicialmente, dois tipos de estudos: os de uso (de fontes, servios, sistemas e centros de informao), voltados para os sistemas; os estudos orientados ao usurio, que investigavam como um determinado grupo obtm a informao necessria para realizar seu trabalho. Posteriormente, percebeu-se a possibilidade de avaliar as colees das bibliotecas a partir dos estudos de usurios (FIGUEIREDO, 1994).Os estudos desenvolvidos at este momento podem ser designados como os estudos da abordagem tradicional. Em geral, so estudos quantitativos que buscam estatsticas para medir o comportamento dos usurios, seja no sentido de verificar qual a fonte mais utilizada em um sistema de informao ou saber qual o grau de satisfao com determinado servio. Preocupam-se em traar um comportamento desejvel para os usurios e eliminar o comportamento no desejvel, com o objetivo de ajustar o usurio ao sistema de informao (LIMA, 1994, p. 53), adotando uma postura positivista. Conforme Martucci (1997), a partir do final da dcada de 1970 e incio da dcada de 1980 comea a se desenvolver uma nova abordagem dos estudos de usurios: a abordagem alternativa. Ao contrrio da abordagem tradicional, esta abordagem qualitativa se volta para os processos cognitivos dos usurios, buscando compreender a necessidade de informao do sujeito a partir de suas perspectivas individuais, contextualizando a situao real que desencadeou tal necessidade e vendo a informao sendo construda na mente do usurio. Dentre os modelos tericos mais utilizados desta abordagem esto: o Sense Making de Brenda Dervin (1998), que foca as necessidades cognitivas na busca e no uso da informao; o modelo das reaes emocionais na busca e no uso da informao, desenvolvido por Kuhlthau (1991); e o modelo de Taylor (1986), que considera as dimenses situacionais na busca e no uso da informao (CHOO, 2003; BAPTISTA; CUNHA, 2007). 15Inf. & Soc.:Est., Joo Pessoa, v.22, n.3, p. 13-23, set./dez. 2012Estudos de usurios na perspectiva fenomenolgicaA partir da dcada de 1990 comeam a surgir estudos de usurios que adotam uma nova postura, um novo olhar sobre os sujeitos, buscando compreend-los, bem como suas aes, indissociveis de seu contexto histrico e sociocultural. Estes estudos ajudam a reforar o movimento de ampliao na agenda de pesquisas da CI (ARAJO, 2007; REIS, 2007). Faz-se necessrio ressaltar o valor e a importncia dos estudos desenvolvidos conforme cada uma destas abordagens, que se complementam. Cada uma se prope a analisar os fenmenos informacionais enfocando diferentes aspectos e, muitas vezes, se voltam para distintos problemas do campo. Assim, cada pesquisa e sua respectiva abordagem contribuem ao seu modo para o enriquecimento da subrea e da CI em geral.Fazendo um paralelo entre a evoluo da subrea com a discusso delineada por Capurro (2003) sobre o desenvolvimento da prpria CI, em que ele apresenta os trs paradigmas da rea o fsico, o cognitivo e o social so facilmente identificadas as fases dos estudos de usurios da informao. Os estudos da chamada abordagem tradicional, predominantemente quantitativos e realizados a partir de uma viso funcionalista, correspondem ao paradigma fsico, que privilegia a dimenso material da informao. A chamada abordagem alternativa, que passa a considerar os aspectos cognitivos dos usurios nos estudos, corresponde ao paradigma cognitivo, que enxerga a informao construda na mente dos sujeitos, sem interferncia exterior. A ampliao na agenda de pesquisa dos estudos de usurios, com pesquisas que contemplam o contexto sociocultural dos usurios de informao, se aproxima do paradigma social, compreendendo a informao enquanto construo intersubjetiva. O quadro abaixo aponta as principais caractersticas de cada abordagem.Quadro 1 - Abordagens da Cincia da InformaoParadigma Foco Processos envolvidos Olhar [perspectiva]Fsico Sistema TecnolgicosTratamento da informao como algo fsico, privilegiando sua dimenso material.Cognitivo SujeitoC o g n i t i v o s , psicolgicosInformao como construo subjetiva na mente dos sujeitos.Social Coletividade Sociais, culturais Informao como uma construo intersubjetiva.Fonte: Desenvolvido pelas autoras, baseado em Capurro (2003) e Nascimento (2006).Historicamente os estudos de usurios sempre privilegiaram determinados grupos sociais, como engenheiros e cientistas, mas a ampliao da agenda de pesquisas da CI possibilita que outros grupos, antes deixados de lado, faam parte das investigaes. A partir da ampliao, alm de inclurem novos objetos de pesquisa, os estudos lanam um novo olhar sobre seu objeto. Admite-se que diferentes sujeitos e comunidades, em parte determinados pelo processo scio-histrico, digam o que tem e o que no tem sentido para eles a respeito da informao, em seus diferentes contextos (ARAJO, 2003). neste sentido que a fenomenologia tem muito a contribuir para com os estudos de usurios, pois visa compreender a essncia dos fenmenos estudados a partir dos significados que as experincias vividas tm para os sujeitos. Ou seja, entende que eles possuem sua individualidade sem, contudo, estarem isolados na sociedade, pois esto inseridos em determinados contextos e partilham relaes sociais com outros sujeitos, o que exerce influncia sobre suas as aes e escolhas.4 FENOMENOLOGIAA fenomenologia surge como um importante movimento filosfico do sculo XX, como uma forma de ruptura com o positivismo e iniciando uma relao de grande intimidade com a psicologia. O objetivo bsico deste tipo de investigao a descrio de fenmenos como estes so vivenciados na conscincia dos sujeitos. Edmund Husserl, tido em consenso como fundador da fenomenologia, a divulgava como uma cincia das estruturas essenciais da 16 Inf. & Soc.:Est., Joo Pessoa, v.22, n.3, p. 13-23, set./dez. 2012Tatiane Krempser Gandra; Adriana Bogliolo Sirihal Duarteconscincia pura. A meta final para Husserl seria a fundao de uma filosofia sem pressuposies, uma cincia rigorosa a partir das experincias do ser humano consciente que vive e age num mundo que ele percebe, interpreta e que faz sentido para ele (WAGNER, 1979; MOREIRA, 2004). A tarefa da fenomenologia estudar a significao das vivncias na conscincia. Husserl prope a volta s coisas mesmas, interessando-se pelo puro fenmeno, da forma como ele se apresenta conscincia, dando destaque experincia vivida no mundo da vida. A preocupao est em descrever o fenmeno e compreend-lo, sem buscar explicaes causais. A investigao fenomenolgica se caracteriza especialmente pela reduo fenomenolgica e a reduo eidtica. Na reduo fenomenolgica, tambm chamada de epoqu (palavra que significa suspenso do julgamento, na filosofia grega), o pesquisador no duvida da existncia do mundo, mas essa existncia deve ser colocada entre parnteses, em suspenso, pois o mundo existente no o tema central de interesse da fenomenologia. Nesta reduo todas as nossas crenas e juzos ficam suspensos para se examinar os contedos da conscincia, fornecidos pela percepo, intuio, recordao e imaginao do sujeito da pesquisa. Esta primeira etapa de apreender a conscincia no suficiente para a investigao fenomenolgica, pois preciso chegar s essncias do fenmeno. Para tal, recorre-se reduo eidtica, que se volta para o domnio das essncias puras. As essncias so unidades de sentido vistas por diferentes sujeitos nos mesmos atos, so unidades bsicas de entendimento comum de um fenmeno (MOREIRA, 2004). Isto , a ideia de essncia aquilo que tido com certo pelas pessoas.A partir da fenomenologia de Husserl surgiram outras variantes do movimento fenomenolgico, que tambm contriburam para seu desenvolvimento. Dentre elas est a fenomenologia social, discutida a seguir. Alfred Schutz (1979) um importante representante da fenomenologia sociolgica, ou fenomenologia social, considerada a sociologia da vida cotidiana. Recebendo grande influncia de Husserl e Max Weber, Schutz (1979) estabeleceu as bases que fundamentam a fenomenologia social, assumindo como ponto de partida a experincia no mundo da vida cotidiana. Prope o uso da abordagem compreensiva, que busca aproximar-se da natureza do mundo social pela experincia subjetiva do sujeito, para compreender os fenmenos sociais a partir de conceitos como o de significado e intencionalidade. Conforme Wagner (1979). Schutz discorre sobre a conduta humana estabelecendo uma relao entre a sociologia e a fenomenologia. A conduta humana s considerada ao quando e na medida em que a pessoa que age atribui ao um significado e lhe d uma direo que, por sua vez, pode ser compreendida como significante. Essa conduta intencionada e intencional torna-se social quando dirigida conduta de outros. Isso, em resumo, a concepo de Weber do significado subjetivo como critrio de importncia fundamental para a compreenso da ao humana (WAGNER, 1979, p. 9). As pessoas organizam suas experincias relativas ao mundo social na vida cotidiana e o que o autor prope que se utilize o mtodo da compreenso, dentro da abordagem sociolgica subjetiva, para entender os significados e motivaes que os fenmenos tm para os atores sociais. Alguns aspectos devem ser esclarecidos para facilitar a assimilao desta fenomenologia social. Para chegar ao seu objetivo de compreender os significados e motivaes que os fenmenos tm para os atores sociais, Schutz (1979) estuda as relaes sociais que se desenvolvem na vida cotidiana e influenciam nos fatores que determinam a conduta dos sujeitos. Ao longo da vida as pessoas vivenciam inmeras experincias, mas o contedo e a sequncia dessas experincias variam de pessoa para pessoa, ou seja, cada sujeito se encontra em uma situao biogrfica determinada. As pessoas armazenam as experincias passadas na conscincia e atravs delas, juntamente com seu estoque de conhecimentos, que as pessoas se orientam nas situaes do dia-a-dia. O registro das aes na conscincia do sujeito se d por meio de tipificaes, nomeaes atribudas a objetos, animais e pessoas, dentre outros. A interpretao do mundo em termos de tipos no apenas uma conceituao cientifica, mas acontece desde o incio das sociedades. 17Inf. & Soc.:Est., Joo Pessoa, v.22, n.3, p. 13-23, set./dez. 2012Estudos de usurios na perspectiva fenomenolgicaOs fatores determinantes de conduta e os significados atribudos pelo sujeito aos fenmenos tambm so influenciados pelo significado subjetivo da participao do sujeito em sua comunidade, isto , este significado produto dos esforos do sujeito para definir seu lugar e papel na comunidade, das relaes que constitui com os demais sujeitos e de sua participao em vrios subgrupos aos quais pertence. Assim, cada sujeito tem sua interpretao particular do mundo que, em conjunto com as demais, converge para uma viso comum de mundo de determinada comunidade (WAGNER, 1979). A linguagem um elemento fundamental, pois atravs dela que se torna possvel apreender a realidade, o mundo. A vida cotidiana expressa e representada por sinais, pela linguagem e atravs dessa objetivao que os sujeitos podem interagir e transmitir conhecimento (BERGER; LUCKMANN, 1985). Viver no mundo da vida cotidiana significa interagir com muitas outras pessoas, gerando redes de relacionamentos sociais. Assim, o conceito de intersubjetividade ganha destaque. No cotidiano uma pessoa assume a existncia de outras como um pressuposto, e por isso raciocina e age pensando que o outro como ela, com sentimentos, convices e emoes. Quer dizer, uma pessoa ao se dirigir outra espera provocar-lhe uma reao. A interao entre os sujeitos ocorre em um ambiente de comunicao comum, e percebida de maneiras diferentes pelos sujeitos, pois cada um tem a sua perspectiva subjetiva. Assim, cada pessoa envolvida em uma interao a vivencia por dois enfoques subjetivos: de acordo com a sua experincia da situao e pelo vivenciar da situao da outra pessoa. Esta a experincia do Ns, que tem esta compreenso mtua como fator relevante. Schutz (1979) cita a compreenso subjetiva genuna, que pode ser alcanada quando uma pessoa se imagina no lugar da outra e, assim, o Tu torna-se o Outro Eu. A partir da, Schutz (1979) chega ao conceito de compreenso subjetiva, que a compreenso das motivaes do outro, ou seja, compreenso motivacional. Esta pode variar entre dois extremos: a quase total tipificao das motivaes e o mais alto grau de intimidade entre os sujeitos. No primeiro caso, ao lidar puramente com fatos, procura-se encontrar motivos tpicos de atores sociais tpicos; e o segundo caso se d quando os envolvidos tm uma relao pessoal mais ntima, com alto grau de conhecimento um do outro (WAGNER, 1979).A questo da motivao sempre destacada por Schutz (1979). O autor define aes como comportamentos motivados, isto , em funo do qu a ao foi motivada. Esta classe de motivos, denominada motivos a fim de ou motivos para, se refere ao futuro do sujeito, no sentido de que seu ato foi projetado para determinado fim. Outra classe a de motivos por que, que remete experincias passadas do sujeito que explicam porque ele agiu de determinada forma. Ou seja, a biografia do sujeito, a sua historicidade, o contexto em que ele esteve inserido durante sua vida influenciam nos motivos.A seguir so discutidas as contribuies que o referencial terico e metodolgico da fenomenologia pode oferecer aos estudos de usurios da informao. 5 CONTRIBUIES DA FENOMENOLOGIA PARA OS ESTUDOS DE USURIOS Tentamos estabelecer algumas interlocues entre a CI e a fenomenologia, traando possveis contribuies que tal abordagem compreensiva pode oferecer aos estudos informacionais, em especial aos estudos de comportamento informacional. Na literatura estrangeira encontramos alguns autores que j se debruaram sobre esta questo, como Wilson (2003) e Budd (2005). No Brasil, Marciano (2006) tambm oferece importantes contribuies neste sentido. Wilson (2003) discorre sobre alguns aspectos da fenomenologia que podem ser apropriados pela subrea estudos de usurios da informao e que, de certa forma, j influenciaram alguns modelos de busca e uso da informao, mesmo que indiretamente. O aspecto mais discutido a ideia de tipificaes para ser utilizada nos estudos de comportamento informacional. Os modelos da ao humana so criados atravs de um processo de tipificao. Os tipos ideais proporcionam uma forma de identificar, classificar e comparar modos de ao e interao social, sendo um processo fundamental no nosso sentido de decises sobre o mundo. 18 Inf. & Soc.:Est., Joo Pessoa, v.22, n.3, p. 13-23, set./dez. 2012Tatiane Krempser Gandra; Adriana Bogliolo Sirihal DuarteO autor explora um exemplo de tipificao de Schutz (1979), para quem o conhecimento socialmente distribudo em trs tipos ideais (WILSON, 2003, traduo nossa): a) O expert: seu conhecimento est restrito a um campo limitado, mas claro e distinto. Suas opinies se baseiam em opinies garantidas, seus julgamentos no so meras adivinhaes ou suposies soltas;b) O homem da rua: seu conhecimento funcional abrange muitos campos e so como receitas, que indicam como provocar, em situaes tpicas, resultados tpicos, atravs de meios tpicos. A receita indica procedimentos nos quais se pode confiar, mesmo que no sejam claramente compreendidos. Seguindo a receita como um ritual, o resultado desejado pode ser obtido sem se indagar por que se deve seguir os passos do procedimento naquela sequncia. Este conhecimento, com toda a sua vagueza, suficientemente preciso no que diz respeito ao proposito pratico em questo. Para assuntos que no esto ligados a propsitos prticos, o homem da rua guiado por seus sentimentos e paixes. c) O cidado (que pretende ser) bem informado: situa-se entre o expert e o homem da rua. De um lado, ele no tem e nem procura ter o conhecimento do expert; de outro, no aceita a vagueza inerente ao conhecimento de meras receitas ou a irracionalidade de seus sentimentos e paixes. Para ele, estar bem informado significa chegar a opinies razoavelmente fundamentadas em reas que merecem, segundo ele, pelo menos a sua preocupao mediata, embora no afetem seu proposito imediato. Este ensaio sobre o cidado bem informado demonstra, penso eu, o poder do tipo ideal e, neste caso, aponta diretamente para o valor que pode ser obtido quando se pensa em pesquisa do comportamento informacional (WILSON, 2003, traduo nossa). necessrio compreender o significado atribudo pelas pessoas s atividades que exercem a fim de compreender seu comportamento, inclusive o informacional, e neste sentido, a fenomenologia tem muito a contribuir. Shutz (1979) destaca que muitos fenmenos da vida social podem ser inteiramente compreendidos se remetidos estrutura geral da distribuio social do conhecimento, apresentada acima, podendo levar compreenso de interaes sociais complexas, como as ocorridas nos processos de busca e uso da informao. A fenomenologia pode, ento, contribuir para o entendimento de questes como: (1) a relao entre usurio e profissional a informao, a partir da compreenso do fenmeno vivenciado por eles num momento de interao; (2) o entendimento do julgamento de relevncia do usurio, pois a fenomenologia enxerga o nosso sistema de relevncias sendo determinado pelo nosso sistema de interesses, o que direciona as nossas aes; (3) a recepo do texto pelo usurios, assumindo que a obra mais do que apenas o texto, mas o produto da nossa percepo e experincia (BUDD, 2005, traduo nossa). Marciano (2006) aponta um primeiro aspecto que aproxima a fenomenologia e a CI. [...] a primeira conceitua a linguagem como origem e expresso do conhecimento, ao passo que a ltima situa o documento, sua principal fonte de estudo, como veculo do conhecimento codificado e formalizado por meio da linguagem. Dessa forma, por meio da linguagem, ambas se contextualizam, uma quanto gnese do conhecimento e a outra quanto sua formalizao (MARCIANO, 2006, p. 186).Em relao ao comportamento informacional, Marciano (2006) tambm identifica uma aproximao com a fenomenologia, em especial a fenomenologia social de Schutz, e vislumbra a soluo de alguns problemas informacionais a partir de estudos sob tal abordagem, como a possibilidade de flexibilizao dos sistemas de informao, que devem ser planejados de modo a respeitar as particularidades de cada domnio, favorecendo a troca de experincias, ao invs de impor um modelo esttico, como normalmente acontece. Questes como o porqu da escolha de determinadas fontes de informao, sobre julgamento de relevncia de fontes e o valor da informao para os sujeitos, dentre outros, podem ser melhor analisadas e compreendidas a partir da perspectiva fenomenolgica, uma vez que as caractersticas essenciais desta perspectiva 19Inf. & Soc.:Est., Joo Pessoa, v.22, n.3, p. 13-23, set./dez. 2012Estudos de usurios na perspectiva fenomenolgicaconvergem para diferentes questes-problema sobre comportamento informacional.Outro aspecto da fenomenologia que contribui para a CI se d por seu referencial terico e metodolgico propor um novo olhar para os fenmenos informacionais, diferente dos estudos tradicionais do campo, orientados por perspectivas funcionalistas e que privilegiam determinados grupos sociais. Estudos de usurios que se desenvolverem conforme a perspectiva fenomenolgica no sero mais do mesmo (LIMA, 1994), pois proporo um novo olhar sobre os fenmenos informacionais, adotando uma postura compreensiva. Especificamente sobre a subrea, mais do que buscar nmeros e taxas de uso de fontes de informao, preciso compreender como os sujeitos percebem, descrevem e atribuem significado s experincias vividas em relao aos recursos informacionais. E a fenomenologia possui os aportes necessrios para tal, recorrendo, por exemplo, a ideia de sistema de relevncias, que pode ser til para os estudos de usurios na medida em que buscarem desvelar o processo de atribuio de sentido dos usurios s suas aes, para entender o comportamento informacional. Wilson (2003) e Marciano (2006) destacam que o sense making de Brenda Dervin (1998) muito ligado fenomenologia. Observa-se, ento, que outros autores j perceberam o potencial da fenomenologia em contribuir com a rea. Porm, muitos estudos se voltam para a compreenso do comportamento informacional se apropriando de modelos como os de Dervin, mas utilizam mtodos e uma metodologia que no correspondem perspectiva fenomenolgica. Na maioria dos casos so estudos positivistas que ficam no mais do mesmo, como j criticou Lima (1994). Em relao a esta questo, Wilson (2003) e Scheler (1973) tambm demostram inquietao. Pode-se dizer que posio metodolgica a nossa viso da realidade, correspondendo mais a uma atitude a ser adotada do que meramente prever etapas de uma investigao. A fenomenologia pode ser considerada um modo de se preparar para a investigao, para enxergar a realidade como uma construo intersubjetiva de significados. Adotando esta atitude, o fenomenlogo deve buscar os mtodos que melhor casem com os objetivos de sua pesquisa. Portanto, compreendendo os fenmenos informacionais enquanto produtos sociais que carregam dimenses histricas, econmicas, polticas e culturais e assumindo que a compreenso da realidade social se d por meio dos significados atribudos aos fenmenos pelos sujeitos e pelas motivaes para e por que, que desencadeiam suas aes intencionais, o referencial terico e metodolgico da fenomenologia pode contribuir muito para desvelar a essncia desses fenmenos. 6 ADOO DA FENOMENOLOGIA COMO ABORDAGEM METODOLGICA EM ESTUDOS DE USURIOSA apropriao dos conceitos bsicos da fenomenologia, identificando suas possveis contribuies para os estudos de usurios da informao se deu no intuito de desenvolver uma metodologia que adota tal postura. Atualmente, as autoras esto na fase final de uma pesquisa sobre incluso digital na terceira idade que recorreu aos aportes tericos da fenomenologia para desenvolver um modelo metodolgico capaz de contribuir para os estudos de usurios da informao. A seguir apresentada a metodologia utilizada na pesquisa em andamento, detalhando os passos seguidos para o delineamento da mesma e a explanao sobre cada etapa do modelo. No momento de definio da metodologia a ser adotada, o pesquisador deve ter sempre em mente o tipo de estudo que pretende realizar (por exemplo, se explicativo ou compreensivo), bem como os objetivos de sua pesquisa. Isto , a perspectiva terica que serve de embasamento, bem como os instrumentos metodolgicos utilizados devem ser escolhidos cuidadosamente, pois eles devem ser capazes de permitir alcanar os objetivos propostos na pesquisa. Esta sintonia fundamental para que o pesquisador tenha sucesso no desenvolvimento de sua investigao. Assim, a definio da metodologia da referida pesquisa comeou a se delinear ao assumi-la como pertencente categoria de investigaes que, indo alm do paradigma alternativo dos estudos de usurios, considera a historicidade do sujeito e sua insero no contexto social, compreendendo o fenmeno em estudo (a incluso digital dos idosos) enquanto produto social e considerando as dimenses histricas, 20 Inf. & Soc.:Est., Joo Pessoa, v.22, n.3, p. 13-23, set./dez. 2012Tatiane Krempser Gandra; Adriana Bogliolo Sirihal Duarteeconmicas, polticas e culturais presentes nas interaes entre os sujeitos. A partir do objetivo da pesquisa (de compreender como os idosos percebem, descrevem e atribuem significado experincia da incluso digital e seus efeitos na vida diria) buscou-se um mtodo qualitativo que conseguisse desvelar a essncia do fenmeno estudado e compreendesse os significados atribudos pelos sujeitos aos seus prprios atos. Encontramos essa aproximao com o referencial terico e metodolgico da fenomenologia, especialmente a fenomenologia social de Alfred Schutz (1979). Como o autor no esquematizou um mtodo de pesquisa em seus ensaios, foram feitas adaptaes dos mtodos fenomenolgicos existentes baseados em sua teoria, naquilo que eles tm em comum. Propomos, para estudos de usurios que adotem perspectiva de anlise semelhante, os seguintes passos metodolgicos:1. Reduo fenomenolgica ou epoch;2. Coleta de dados a partir de entrevistas semi-estruturadas gravadas;3. Transcrio completa das gravaes de todas as entrevistas;4. Leitura e releitura do material transcrito;5. Escuta do udio das entrevistas;6. Organizao dos relatos das experincias dos entrevistados;7. Categorizao preliminar, em que as unidades de significado so separadas e guardadas;8. Reduo e eliminao daquilo que no essencial ao fenmeno; 9. Categorizao definitiva das unidades de significado;10. Estruturao da essncia do fenmeno;11. Retorno literatura para fundamentao dos resultados obtidos com a coleta de dados. O primeiro passo consiste na suspenso do fenmeno, de forma a analis-lo sem interferncia de hipteses, pressuposies ou juzo de valor. Esta reduo, muito mais do que uma etapa da metodologia, uma postura que o pesquisador deve adotar desde o incio de sua pesquisa, permeando todas as etapas posteriores at o fim do estudo. A etapa 2 consiste na coleta de dados por entrevistas em profundidade, semi-estruturadas. Esta ferramenta muito utilizada em pesquisas qualitativas em geral, inclusive nas investigaes fenomenolgicas e nos estudos de usurios. Segundo Cunha (1982), este mtodo consiste em estabelecer um roteiro prvio, permitindo aprofundamento em tpicos que o entrevistador julgar mais relevantes, bem como o acrscimo de questes que podem surgir durante a entrevista e que no haviam sido cogitadas anteriormente. A principal vantagem deste mtodo propiciar o contato direto com o entrevistado, o que transmite maior confiana e permite a captao das reaes e sentimentos do sujeito; alm de possibilitar ao entrevistador esclarecer questes ou termos no compreendidos pelo entrevistado, o que no possvel pela aplicao de questionrios, por exemplo. Nesse sentido, Laville e Dionne (1999, p. 189) afirmam que a flexibilidade deste mtodo possibilita um contato mais ntimo entre o entrevistador e o entrevistado, favorecendo assim a explorao em profundidade de seus saberes, bem como de suas representaes, de suas crenas e valores. Visando ajustar o mtodo de coleta de dados escolhido perspectiva fenomenolgica, na elaborao do roteiro de entrevista recorre-se tcnica do incidente crtico, muito utilizada em estudos de uso e usurios da informao. De acordo com Figueiredo (1994), uma tcnica que envolve perguntas e consiste em indagar do sujeito a lembrana de algum acontecimento relevante recente (por exemplo, a respeito de um processo de busca de informao) e faz-lo relatar o mais detalhadamente possvel a experincia vivida. Segundo Dias e Pires (2004, p. 17), para ser crtico, um incidente deve ocorrer em situao onde o propsito ou inteno do ato parea razoavelmente claro e observvel e onde suas consequncias sejam suficientemente definidas para deixar poucas dvidas no que se refere a seus efeitos. Esta tcnica, portanto, se mostra bastante apropriada pesquisa fenomenolgica visto que ambas recorrem s lembranas e percepes de acontecimentos passados, os quais so experienciados na conscincia do sujeito. As etapas 3,4 e 5 constituem a fase preparatria para a anlise dos dados, e devem ser realizadas com ateno. Boemer (1994) ressalta a importncia de ler e reler a transcrio completa das entrevistas para que o pesquisador apreenda o sentido do todo e se familiarize com a experincia descrita por cada entrevistado. 21Inf. & Soc.:Est., Joo Pessoa, v.22, n.3, p. 13-23, set./dez. 2012Estudos de usurios na perspectiva fenomenolgicaimportante no somente ler, mas tambm escutar as gravaes para perceber aspectos como a entonao da voz e silncios, que podem carregar um significado importante da fala do sujeito.As etapas 6 at a 9 correspondem cha-mada reduo eidtica, momento em que o pes-quisador busca atingir essncia do fenmeno, eliminando tudo aquilo que no indispensvel sua existncia, e agrupando o que essencial. Assim, o pesquisador comea identificando uni-dades de sentido representativas no discurso de cada entrevistado. Aps a realizao deste passo nos discursos de todos os sujeitos da amostra, o pesquisador deve identificar as unidades de sen-tido comuns apresentadas pelos entrevistados. Ou seja, a definio das unidades bsicas de en-tendimento comum do fenmeno, a essncia do fenmeno estudado.Na etapa 10, de estruturao da essncia do fenmeno, o pesquisador deve retornar s unidades de significado definitivas e expressar o sentido contido nelas, estabelecendo as relaes fundamentais existentes entre as unidades de modo a interpretar e compreender o fenmeno analisado (BOEMER, 1994; MOREIRA, 2004). Por fim, a etapa 11 de retorno literatura sobre a temtica da pesquisa, de modo a analisar em conjunto os dados obtidos atravs desta fonte e das entrevistas. Ressaltamos que este modelo est sendo utilizado em um estudo de usurios em fase final de desenvolvimento, e se mostra bastante apropriado e eficaz para os estudos de usurios da informao. Assim como qualquer modelo, pode ser adaptado de modo a se ajustar aos diferentes contextos e objetos de pesquisa dos estudos informacionais. 7 CONSIDERAES FINAISEste artigo teve o propsito de mostrar como a perspectiva fenomenolgica pode contribuir para a evoluo da subrea estudos de usurios da informao e a CI como um todo. Como destacado por Arajo (2007), outros modelos tericos no positivistas, como as perspectivas crticas, marxistas e hermenuticas, tambm podem muito contribuir para a evoluo do campo. Estudos que explorem a relao da CI com estas abordagens sero de grande importncia. Outros autores vo no mesmo sentido, como Gonzlez de Gmez (2000) que destaca o carter poli-epistmico da CI, e Rendn Rojas (2008), que qualifica a pluralidade de temas e metodologias das cincias sociais e humanas, incorporadas pela CI, como uma caracterstica da riqueza do campo.Assim, percebe-se a aproximao entre o chamado paradigma social da CI e a perspectiva fenomenolgica, pois ambas partilham a viso de que a realidade uma construo intersubjetiva. Assumindo este olhar, a CI enxerga a informao enquanto um fenmeno social, tambm construdo intersubjetivamente, e dotado de uma dimenso dialtica presente na sociedade e nas relaes que os atores sociais desenvolvem. USER STUDIES UNDER THE PHENOMENOLOGICAL PERSPECTIVE: a literature review and proposed methodological approach to research.ABSTRACT The article aims present possible contributions of phenomenology for Information Science, especially the studies of information users, enhancing the motion to expand the boundaries of the field, as a comprehensive approach that seeks the unveiling of the phenomena in the mind of the individuals. It points out the contributions that the phenomenology can offer to studies of information behavior, specially the model of social distribution of knowledge, of Alfred Schultz, which promotes the understanding of complex social interactions, which occurred in the process of seeking and using information. Presents the methodology of an ongoing study of users to show the adoption of phenomenology as a methodological approach can contribute to such studies. It is concluded that there is a connection between the so-called social paradigm of Information Science and phenomenological perspective, since both share the view that reality is an intersubjective construction. Keywords: Information users. Phenomenology. Information behavior.Artigo recebido em 18/10/2011 e aceito para publicao em 17/08/201222 Inf. & Soc.:Est., Joo Pessoa, v.22, n.3, p. 13-23, set./dez. 2012Tatiane Krempser Gandra; Adriana Bogliolo Sirihal DuarteREFERNCIASARAJO, C. A. A. A cincia da informao como cincia social. Cincia da lnformao, Braslia, v. 32, n. 3, p. 21-27, set./dez. 2003.______. Estudos de usurios: uma abordagem na linha ICS. In: REIS, A. S.; CABRAL, A. M. R. (Org.). Informao, cultura e sociedade: interlocues e perspectivas. Belo Horizonte: Novatus, 2007. ______. Estudos de usurios: pluralidade terica, diversidade de objetos. In: ENANCIB: MEDIAO, CIRCULAO E USO DA INFORMAO, 9., 2008, [S.l.]. Anais... [S.l;s.n.], 2008. BAPTISTA, S.G.; CUNHA, M. B. 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