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B. Indstr. anim., Nova Odessa,SP, 47 (1 }:110, jan.ljun. 1990

ESTUDO DA FLORA FNGICA DO TEGUMENTO EXTERNO DE BOVI-NOS E PARTE AREA DE PLANTAS FORRAGEIRAS EM SO JOS DO

RIO PRETO(1)

PAULO ALVES DE SIQUElRA(2.6),ROBERTO MOLINARI PERES(2),JOS LUIZ VIANA COUTINHO FI-LHO(2),OLGA FISCHMAN GOMPERTZ(4,6),OLGA MARIA RIPINSKAS RUSSOMANO(3),MRIo CARWS

MElRELES(4) e BENEDICTO DO EspRITO SANTO DE CAMPOS(S)(6)

RESUMO: pesquisa da a flora fngica do tegumento externo de bovinos e de quatroplantas forrageiras, correlacionando-as entre si e com as variaes bioclimticas. Os 3gneros mais freqentes nos bovinos foram Fusarium, Penicillium e Aspergillus, enquantoque nos vegetais foram Fusarium, Trichothecium e Nigrospora. Destaca-se a presena deespcies patognicas aos bovinos e s forrageiras.

'Termos para indexao: fungos, flora fngica, micose.

Survey of fungi on extemal integument of bovine and forage plants in So Jos do Rio Preto city .

SUMMARY: A survey of fungi on external integument of healthy bovine and four forageplants, was made with correlation between both of them and with the climatic variations. Thepresence of pathogenic fungos for animais and plants is detached.

Index terms: fungos, fungic flora, micosis, ringworm.

INTRODUO fngicos.

Desde muitos anos o homem preocupa-se com oestudo dos fungos, sendo MIGUEL (1885), um dos pri-meiros a observar a periodicidade de microorganismos.

Alm dos animais, os vegetais representam igual-mente fonte ou reservatrio de fungos, podendo causaralteraes importantes nos seres vivos.

No estudo da epidemiologia e da profilaxia dasmicoses, assume especial importncia o conhecimentodo habitat ou do reservatrio dos diferentes agentes

Os propgulos encontrados no ar, a todo o ins-tante so inalados pelos animais e pelo homem, sendosua penetrao e implantao nas vias respiratrias

(1) Projeto IZ 14-008184. Recebido para publicao em setembro de 1989.(2) Estao Experimental de Zootecnia de So Jos do Rio Preto.(3) Diviso de Patologia Vegetal, Instituto Biolgico.(4) Setor de Micologia da Escola Paulista de Medicina.(5) Seo de Estatstica e Tcnica Experimental, Diviso de Tcnica Bsica e Auxiliar.(6) Bolsista do CNPq.

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B. Indstr. anim., Nova Odessa,SP,47 (1):1-10, jan./jun. 1990

condicionadas carga infectante e s defesas naturaisdo hospedeiro. Normalmente esses fungos no deter-minam infeces micticas, entretanto, alguns con-dios, ou mesmo formas vegetativas, encontrandocondies favorveis, podem germinar, crescer e pro-vocar perturbaes diversas tanto no tegumento exter-no como na rvore respiratria de seres humanos eanimais, infeces estas muitas vezes graves e fatais.(CAMPI & LACAZ, 1955; CHARPIN et al., 1968;VANBREUSEGHEN, 1980; CORREA et al., 1981).

Em trabalhos recentes, SIQUEIRA et alo (1985 e1986), determinaram a flora mictica do.tegumento debovinos no Estado de So Paulo, sem entretanto corre-lacion-la com a dos vegetais.

Nas plantas forrageiras os levantamentos da floramictica realizados em nosso meio tambm 'so restri-tos (RUSSOMANO et al., 1985, 1987 e 1988) e dentroda literatura consultada, no foi encontrado nenhumtrabalho correlacionando a flora fngica dos animaiscom a dos vegetais.

Considerando-se esses fatos, planejou-se o pre-sente trabalho com o intuito de pesquisar a flora mic-tica normal do tegumento externo de bovinos e dasplantas forrageiras, correlacionando-as entre si e comas variaes sazonais segundo as diferentes condiesbioclimticas.

MATERIAL E MTODOS

o experimento realizou-se nos anos de 1984 a1986 na Estao Experimental de Zootecnia de SoJos do Rio Preto, a noroeste do Estado de So Paulo,a 468 metros de altitude, com as coordenadas 20"48' delatitude sul e 4923' de longitude W de Greenwhich.

De um rebanho composto de 400 cabeas de bovi-nos pertencentes raa Santa Gertrudis, durante 3anos, pelo mtodo do quadrado de tapete, segundoMARIAT & ADAN-CAMPOS (1967), coletaram-semensalmente amostras do tegumento externo de 10 bo-vinos, sendo 5 com menos de um ano de idade e 5adultos, sorteados mensalmente sem distino de sexoou grau de sangue. O material coletado, colocado emsacos plsticos estreis, era enviado ao Setor de Mico-logia da Escola Paulista de Medicina. No laboratrio,os materiais eram examinados e em seguida semeadospara posterior identificao. A classificao de fre-qncia dos gneros foi feita de 1 a 5, tanto para osadultos Como para os bezerros, dependendo do nme-ro de vezes que o gnero era identificado nas amostrascoleta das dos 5 animais sorteados.

Com relao parte vegetal, coletaram-se men-salmente 4 amostras constitudas pelas partes areasdas seguintes plantas forrageiras: capim elefante (Pen-nissetum purpureum Schum), green-panic (Panicummaximum Jacq. var.trichoglume CV. Petrie), guand(Cajanus cajan (L.) Mills) e Siratro (Macroptilium atro-

ESTUDO DA FlDRA FNGlCA ..

purpureum DC cv. Siratro). A escolha dessas quatroforrageiras deveu-se ao fato de serem duas de alto por-te e duas de baixo porte, todas com boas condies deadaptao regio.

As amostras de vegetais eram enviadas Seo deMicologia Fitopatolgica do Instituto Biolgico, ondeeram submetidas aos exames direto e de papel de filtro.O mtodo direto consiste em comprimir uma fita adesi-va transparente sobre vrios pontos da parte da plantaa ser examinada, que a seguir colocada sobre umalmina de vidro contendo algumas gotas do coranteAzul de Aman. Essas lminas so examinadas ao mi-croscpio ptico para constatao dos fungos natural-mente ocorrentes sob a forma de esporos.

O mtodo do papel de filtro foi empregado para acomplementao de identificao dos gneros de fun-gos ocorrentes nas forrageiras em estudo, colocando-sepedaos de folhas com cerca de 1 cm2 em placas dePetri de plstico contendo 3 discos de papel de filtropreviamente embebidos em gua destilada; em seguidaesse material era incubado a 20C durante 7 dias comalternncia de 12 horas de escuro e 12 horas de luznegra (comprimento de onda de 360 nm). Aps esseperodo, o material incubado era examinado sob o mi-croscpio estereoscpico, tendo sido tambm prepara-das lminas que examinadas ao microscpio pticoauxiliaram na identificao dos fungos.

A classificao da freqncia foi tambm avaliadasegundo uma escala de pontos que variava ,le 1 a 5,sendo 1 para a apresentao de condios esparsos ou,poucas colnias e frutificaes, e 5 para muitas col-nias e muitas frutificaes com predominncia do g-nero, respectivamente para o exame direto e de papelde filtro.

A comparao entre mdias das freqncias dosfungos foi feita atravs do teste de Tukey (P

B. Indstr. anim., Nova Odessa,SP, 47 (1 ):1-10, jan./jun. 1990 SIQUEIRA,P.A. et aI.Quadro L Distribuio sazonal de fungos identificados em bovinos adultos (A), bezerros (B) e total (T)

Primavera Vero Outono Inverno Total GeralFungos 8 A T 8 A T 8 A T 8 A T 8 AFusarium sp 26 24 50 19 23 42 28 19 47 29 21 50 102 87Cladosporium sp 11 11 22 8 3 11 4 4 8 18 23 41 41 41Nigrospora sp 9 10 19 2 10 12 7 8 15 10 3 13 28 31Trichothecium sp 1 1 1Helminthosporium sp 6 10 16 8 6 14 8 12 20 6 6 12 28 34Alternaria sp 12 19 31 7 4 l1 5 8 13 8 9 17 32 40Curvularia sp 17 21 38 15 19 34 10 15 25 16 18 34 58 73

~ Penicillium sp 22 22 44 13 12 25 20 12 32 28 34 62 83 80vAspergillus sp 15 15 30 21 17 38 14 16 30 27 19 46 77 67Pithomyces chartarum 1 1 1 1 2 1 1 2 2Epicoccum sp 1 1 1 1 2 1 3 2 1 3 5 3Rhizopus sp l1 7 18 7 10 17 22 12 34 17 19 36 57 48Monilia sp 5 5 10 9 12 21 6 8 14 10 14 24 30 39Paecilomyces sp 11 11 22 3 6 9 2 11 13 18 19 37 34 47Tetraploa sp 4 4 1 1 1 3 4 1 2 3 3 9Scopulariopsis sp 5 4 9 1 1 2 2 2 8 14 22 14 21Mucorsp 2 2 4 7 7 14 5 5 10 14 14Chrysosporium sp 8 8 3 6 9 1 3 4 5 1 6 17 10Trichoderma sp 9 5 14 3 1 4 3 1 4 4 4 19 7Rhodotorula sp 4 4 8 2 5 7 4 4 8 1 1 11 13Chaetomium sp 1 1 1 1 1 1 2 1 3Geotrichum sp 5 2 7 1 1 1 1 6 3Cephalosporium sp 2 2 1 1 1 1 1 2 3Syncephalastrum sp 1 1 2 2 2 3 1Candida sp 1 2 3 1 2Graphiumsp 1 1 1Microsporum gypseum 1 1 1Total 182 181 363 131 144 275 146 147 293 209 2~ 418 668 681

se a mesma frequncia em adultos ou bezerros, confor- comprimento da pelagem dos bovinos que no invernome o exposto no quadro 1. torna-se mais longa, criando um microclima favorvel

proliferao fngica. Este fato bastante interessante,Este mesmo quadro demonstra que no inverno sobretudo se levarmosem conta que os casos mais fre-

ocorreu maior infestao de fungos na pelagem dos bo- qentes de micose em bovinos tem sido observados novinos, no havendo entretanto diferena estatstica em inverno.relao primavera, porm com diferena significativa

Pelo quadro 3 evidenciamos a distribuio mensalao nvel de 1% para as verificadas nas demais estaesdo ano, conforme evidenciamos no quadro 2. A fre- dos gneros fngicos, notando-se que os meses de julhoqncia dos fungos observada na primavera no diferiu a agosto, que se encontram entre os mais frios (quadroestatisticamente da ocorrida no vero, nem no outono. 4 ), so os meses em que foi encontrada maior quanti-A freqncia observada no vero, ainda que menor do dade de fungos.que no outono, tambm no foi significativa.

Por outro lado, considerando os 3 anos de experi-mento, ocorreram as seguintes mdias de temperatu-

Quadro 2. Nmero total de fungos, identificados nas quatro esta- ra(l) e precipitao pluvial, mostradas no quadro 4.es do ano'

Estaes Nmero total de fungosNotamos pelo quadro 4 que dentro do trinio con-

Inverno 418 asiderado, O ms de mdia mais fria foi julho, com tem-

Primavera 363 abperatura de 20,1C; o mais quente foi fevereiro com

Vero 275 b27,2C e que julho foi o ms mais seco com apenas 1,3

Outono 293 bmm e o de maro foi o mais chuvoso com 175,4 mmdirias .

Letras distintas diferem entre si ao nvel de significncia de 1%.

Os 10 gneros de fungo mais freqentes, estuda