estatuto da carreira dos educadores de infância e dos ...· recrutamento e selecção artigo 17º

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  • Estatuto da Carreira dos Educadores de Infncia e dos Professores dos Ensinos Bsico e Secundrio

    Captulo I

    Princpios gerais

    Artigo 1 mbito de aplicao

    1. O Estatuto da Carreira dos Educadores de Infncia e dos Professores dos Ensinos Bsico e Secundrio, adiante designado Estatuto, aplica-se aos docentes em exerccio efectivo de funes nos estabelecimentos de educao ou de ensino pblicos. 2. O disposto neste Estatuto ainda aplicvel aos docentes que exeram funes no mbito da educao extra-escolar, bem como aos que se encontrem em situaes legalmente equiparadas ao exerccio de funes docentes. 3. O presente Estatuto ser aplicado, com as necessrias adaptaes, aos docentes em exerccio efectivo de funes em estabelecimentos ou instituies de ensino dependentes ou sob tutela de outros ministrios, bem como aos educadores de infncia integrados no quadro nico dos servios centrais e regionais do Ministrio da Educao. 4. Os professores de Portugus no estrangeiro, bem como os docentes que se encontrem a prestar servio no territrio de Macau ou em regime de cooperao nos pases africanos de lngua oficial portuguesa ou em outros, regem-se por normas prprias.

    Artigo 2 Pessoal docente

    1. Para efeitos de aplicao do presente Estatuto considera-se pessoal docente aquele que portador de qualificao profissional, certificada pelo Ministrio da Educao, para o desempenho de funes de educao ou de ensino com carcter permanente, sequencial e sistemtico. 2. Consideram-se ainda pessoal docente, nos termos do disposto no nmero 3 do artigo 31 da Lei de Bases do Sistema Educativo, os docentes do 3 ciclo do ensino bsico e do ensino secundrio portadores dos requisitos exigidos para o acesso profissionalizao em exerccio ou que dela tenham sido dispensados nos termos legais. 3. O disposto no nmero anterior extensivo aos docentes do 2 ciclo do ensino bsico nas condies naquele previstas, enquanto a satisfao das necessidades do sistema educativo o exigir.

    Artigo 3 Princpios fundamentais

    A actividade do pessoal docente desenvolve-se de acordo com os princpios fundamentais consagrados na Constituio da Repblica Portuguesa e no quadro dos princpios gerais e especficos constantes dos artigos 2 e 3 da Lei de Bases do Sistema Educativo

    Captulo II Direitos e deveres

    Artigo 4

    Direitos profissionais 1. So garantidos ao pessoal docente os direitos estabelecidos para os funcionrios e agentes do Estado em geral, bem como os direitos profissionais decorrentes do presente Estatuto. 2. So direitos profissionais especficos do pessoal docente: a) Direito de participao no processo educativo; b) Direito formao e informao para o exerccio da funo educativa; c) Direito ao apoio tcnico, material e documental;

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    d) Direito segurana na actividade profissional; e) Direito negociao colectiva.

    Artigo 5 Direito de participao no processo educativo

    1. O direito de participao exerce-se nas reas do sistema de ensino, da escola, da aula e da relao escola-meio. 2. O direito de participao que, consoante os casos, exercido individualmente, em grupo ou atravs das organizaes profissionais ou sindicais do pessoal docente, compreende: a) O direito de responder a consultas sobre opes fundamentais para o sector educativo; b) O direito de emitir recomendaes no mbito da anlise crtica do sistema educativo; c) O direito de intervir na orientao pedaggica atravs da liberdade de iniciativa, a exercer no quadro dos planos de estudo aprovados e dos projectos educativos das escolas, na escolha dos mtodos de ensino, das tecnologias e tcnicas de educao e dos tipos de meios auxiliares de ensino mais adequados; d) O direito de participar em experincias pedaggicas, bem como nos respectivos processos de avaliao; e) O direito de eleger e ser eleito para rgos colegiais ou singulares dos estabelecimentos de educao ou de ensino. 3. O direito de participao pode ainda ser exercido, atravs das organizaes profissionais e sindicais do pessoal docente, em rgos que, no mbito nacional, regional autnomo ou regional, assegurem a interligao do sistema educativo comunidade.

    Artigo 6 Direito formao e informao para o exerccio da funo educativa

    1. O direito formao e informao para o exerccio da funo educativa garantido: a) Pelo acesso a aces de formao contnua regulares, destinadas a actualizar e aprofundar os conhecimentos e as competncias profissionais dos docentes; b) Pelo apoio autoformao dos docentes, de acordo com os respectivos planos individuais de formao. 2. Para efeitos do disposto no nmero anterior, o direito formao e informao para o exerccio da funo educativa pode tambm visar objectivos de reconverso profissional, bem como de mobilidade e progresso na carreira.

    Artigo 7 Direito ao apoio tcnico, material e documental

    O direito ao apoio tcnico, material e documental exerce-se sobre os recursos necessrios formao e informao do pessoal docente, bem como ao exerccio da actividade educativa.

    Artigo 8 Direito segurana na actividade profissional

    1. O direito segurana na actividade profissional compreende: a) A proteco por acidente em servio, nos termos da legislao aplicvel; b) A preveno e tratamento das doenas que venham a ser definidas por portaria conjunta dos Ministros da Educao e da Sade, como resultando necessria e directamente do exerccio continuado da funo docente. 2. O direito segurana na actividade profissional compreende ainda a penalizao da prtica de ofensa corporal ou outra violncia sobre o docente no exerccio das suas funes ou por causa destas.

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    Artigo 9 Direito negociao colectiva

    reconhecido ao pessoal docente o direito negociao colectiva, nos termos legalmente previstos.

    Artigo 10 Deveres profissionais

    1. O pessoal docente est obrigado ao cumprimento dos deveres estabelecidos para os funcionrios e agentes do Estado em geral e dos deveres profissionais decorrentes do presente Estatuto. 2. Decorrendo da natureza da funo exercida, cujo desempenho deve orientar-se para nveis de excelncia, so deveres profissionais especficos do pessoal docente: a) Contribuir para a formao e realizao integral dos alunos, promovendo o desenvolvimento das suas capacidades, estimulando a sua autonomia e criatividade, incentivando a formao de cidados civicamente responsveis e democraticamente intervenientes na vida da comunidade; b) Reconhecer e respeitar as diferenas culturais e pessoais dos alunos e demais membros da comunidade educativa, valorizando os diferentes saberes e culturas e combatendo processos de excluso e discriminao; c) Colaborar com todos os intervenientes no processo educativo, favorecendo a criao e o desenvolvimento de relaes de respeito mtuo, em especial entre docentes, alunos, encarregados de educao e pessoal no docente; d) Participar na organizao e assegurar a realizao das actividades educativas; e) Gerir o processo de ensino-aprendizagem, no mbito dos programas definidos, procurando adoptar mecanismos de diferenciao pedaggica susceptveis de responder s necessidades individuais dos alunos; f) Respeitar a natureza confidencial da informao relativa aos alunos e respectivas famlias; g) Contribuir para a reflexo sobre o trabalho realizado individual e colectivamente; h) Enriquecer e partilhar os recursos educativos, bem como utilizar novos meios de ensino que lhe sejam propostos, numa perspectiva de abertura inovao e de reforo da qualidade da educao e ensino; i) Corresponsabilizar-se pela preservao e uso adequado das instalaes e equipamentos e propor medidas de melhoramento e renovao; j) Actualizar e aperfeioar os seus conhecimentos, capacidades e competncias, numa perspectiva de desenvolvimento pessoal e profissional; l) Empenhar-se nas e concluir as aces de formao em que participar; m) Assegurar a realizao, na educao pr-escolar e no ensino bsico, de actividades educativas de acompanhamento de alunos, destinadas a suprir a ausncia imprevista e de curta durao do respectivo docente; n) Cooperar com os restantes intervenientes no processo educativo na deteco da existncia de casos de crianas ou jovens com necessidades educativas especiais. 3. Para os efeitos do disposto na alnea m) do nmero anterior, considera-se ausncia de curta durao a que no for superior a cinco dias lectivos na educao pr-escolar e no 1 ciclo do ensino bsico ou a 10 dias lectivos nos 2 e 3 ciclos do ensino bsico. 4. O docente incumbido de realizar as actividades referidas na alnea m) do n 2 do presente artigo deve ser avisado, pelo menos, no dia anterior ao incio das mesmas.

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    Captulo III Formao

    Artigo 11

    Formao do pessoal docente 1. A formao do pessoal docente desenvolve-se de acordo com os princpios gerais constantes do nmero 1 do artigo 30 da Lei de Bases do Sistema Educativo, competindo ao Ministro da Educao o respectivo planeamento, coordenao e avaliao global. 2. A formao de pessoal docente regulamentada em diploma prprio, sem prejuzo do disposto nos artigos seguintes.

    Artigo 12 Modalidades da formao

    A formao do pessoal docente compreende a formao inicial, a formao especializada e a formao contnua, previstas, respectivamente, nos artigos 31, 33 e 35 da Lei de Bases do Sistema Educativo.

    Artigo 13 Formao inicial

    1. A formao inicial dos educadores de infncia e dos professores dos ensino bsico e secundrio a que confere qualificao profissional para a docncia. 2. A formao pedaggica de licenciados titulares de habilitao cientfica para a docncia no 3 ciclo do ensino bsico e no ensino secundrio, bem como de titulares de cursos profissionais adequados docncia de disciplinas de natureza vocacional, profissional ou artstica dos ensinos bsico e secundrio, constitui uma modalidade da formao inicial, nos termos previstos no artigo 31 da Lei de Bases do Sistema Educativ