Espécies arbóreas nativas com potencial para recuperação ...ainfo. ?· A origem da ocupação territorial…

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  • Espcies arbreas nativas com potencial para recuperao de paisagens alteradas

    em Rondnia

    128 ISSN 0103-9865 Outubro, 2008

  • Documentos128

    Espcies arbreas nativas com potencial para recuperao de paisagens alteradas em Rondnia

    Porto Velho, RO 2008

    ISSN 0103-9865Outubro, 2008

    Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuriaCentro de Pesquisa Agroflorestal de RondniaMinistrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento

    Michelliny de Matos Bentes-Gama Neilton Santos Pereira Poliana Helosa da Silva Capelasso Ana Karina Dias Salman Abadio Hermes Vieira

  • Exemplares desta publicao podem ser adquiridos na: Embrapa Rondnia BR 364 km 5,5, Caixa Postal 406, CEP 78900-970, Porto Velho, RO Telefones: (69) 3901-2510, 3225-9387, Fax: (69) 3222-0409 www.cpafro.embrapa.br Comit de Publicaes Presidente: Clberson de Freitas Fernandes Secretria: Marly de Souza Medeiros Membros: Abadio Hermes Vieira Andr Rostand Ramalho Luciana Gatto Brito Michelliny de Matos Bentes-Gama Vnia Beatriz Vasconcelos de Oliveira Normalizao: Daniela Maciel Editorao eletrnica: Marly de Souza Medeiros Reviso gramatical: Wilma Ins de Frana Arajo 1 edio 1 impresso (2008) 100 exemplares Todos os direitos reservados. A reproduo no autorizada desta publicao, no todo ou em parte, constitui violao dos direitos autorais (Lei n 9.610).

    CIP-Brasil. Catalogao-na-publicao. Embrapa Rondnia

    Espcies arbreas nativas com potencial para recuperao de paisagens alteradas em Rondnia / Michelliny de Matos Bentes-Gama, Neilton Santos Pereira, Poliana Helosa da Silva Capelasso, Ana Karina Dias Salman, Abadio Hermes Vieira. -- Porto Velho, RO: Embrapa Rondnia, 2008.

    29 p. (Documentos / Embrapa Rondnia, ISSN 0103-9865; 128).

    1. Sistema silvicultural. 2. Espcies arbreas nativas. 3. Recuperao de rea. I. Bentes-Gama, Michelliny de Matos. II. Pereira, Neilton Santos. III. Capelasso, Poliana Helosa da Silva. IV. Salman, Ana Karina Dias. V. Vieira, Abadio Hermes. VI. Ttulo. VII. Srie.

    CDD(21.ed.) 634.956

    Embrapa - 2008

  • Autores Michelliny de Matos Bentes-Gama Engenheira Florestal, D.Sc. em Cincia Florestal, pesquisadora da Embrapa Rondnia, Porto Velho, RO, mbgama@cpafro.embrapa.br Neilton Santos Pereira Engenheiro Florestal, Tcnico Agrcola do Instituto Nacional de Colonizao e Reforma Agrria INCRA, Porto Velho, RO, neiltonspereira@yahoo.com.br Poliana Heloisa da Silva Capelasso Acadmica do curso de Engenharia Florestal do Instituto Joo Nercio - Faculdade de Rondnia FARO, Porto Velho, RO, poli.capelasso@hotmail.com Ana Karina Dias Salman Zootecnista, D.Sc em Zootecnia, pesquisadora da Embrapa Rondnia, Porto Velho, RO, aksalman@cpafro.embrapa.br Abadio Hermes Vieira Engenheiro Florestal, M.Sc. em Cincia Florestal, pesquisador da Embrapa Rondnia, Porto Velho, RO, abadio@cpafro.embrapa.br

  • Apresentao Ainda que se leve em considerao as menores taxas de emisso de gs carbnico para a atmosfera, quando comparado aos maiores pases poluidores do mundo, o Brasil ainda precisa conjugar melhor aes que primem pela melhoria da qualidade do ambiente, e isso inclui alm da busca por alternativas de recuperao de paisagens alteradas, a preocupao pela gerao sustentvel de matrias-primas renovveis, entre outras que sejam benficas ao homem e ao meio em que ele vive. Em Rondnia, assim como em outros estados da Amaznia, o desmatamento para o preparo de reas um processo causador de grande impacto na paisagem natural. Embora definidas em lei, somente em anos recentes que as orientaes que tm por objetivo a reposio florestal e a compensao ambiental nos cenrios constantemente alterados pelas atividades econmicas de impacto, passaram a ser mais exigidas, sendo o aumento das iniciativas governamentais para a melhoria da gesto e fiscalizao ambiental e o aprimoramento de tecnologias para o monitoramento contnuo do uso dos solos da regio, alguns dos fatores que vm contribuindo para essas mudanas. So apresentados na forma de coletnea alguns parmetros considerados fundamentais sobre seis espcies arbreas nativas com potencial para a recuperao de reas alteradas. Essencialmente so apresentadas as caractersticas ecolgicas e silviculturais das espcies; as recomendaes bsicas para realizar o preparo de mudas e os tratos silviculturais necessrios. Pretende-se com o trabalho consolidar informao tcnica para apoio a iniciativas que tenham por objetivo a reconstituio da paisagem alterada ou o plantio econmico de espcies arbreas na poro ocidental da Amaznia.

  • Sumrio Introduo ............................................................................................................ 9 Reviso de literatura ......................................................................................... 10 Descrio das espcies ..................................................................................... 11

    Ip-amarelo (Tabebuia alba) Bignoniaceae ........................................................ 11 Bandarra (Schilozobium parahyba var. amazonicum) Leguminosa (Caesalpiniaceae)......... 13 Copaba (Copaifera sp.) Leguminosa (Caesalpinicaceae) ..................................... 16 Sobrasil (Colubrina glandulosa Perkins) Rhamnaceae ......................................... 19 Jatob (Hymenaea courbaril var. stilbocarpa) - Leguminosa (Caesalpiniaceae) .......... 21 Aa (Euterpe precatoria L.) Arecaceae ............................................................ 23

    Recomendaes gerais para plantio de essncias florestais ......................... 26

    Locais para plantio ........................................................................................... 26 Escolha de rea, preparo do terreno e cova ......................................................... 26 Plantio ............................................................................................................ 27

    Consideraes finais ......................................................................................... 27 Referncias ........................................................................................................ 28 Anexo

  • Introduo

    Grande parte das informaes tcnicas disponveis sobre a revegetao de reas normalmente faz referncia ao uso de espcies de rpido crescimento, quase sempre exticas ou oriundas da regio Centro-Sul do Pas, e, embora o plantio de rvores seja reconhecidamente favorvel por suas funes ecolgicas e econmicas, as tentativas de se utilizar as espcies nativas amaznicas na recuperao de paisagens chega a ser um entrave devido as poucas informaes e orientaes tcnicas disponveis sobre seu cultivo ou manejo. A recuperao de reas alteradas na regio Amaznica devido dinmica de uso dos solos tornou-se um desafio permanente, tendo em vista que um programa de formao de novos povoamentos florestais, sejam para fins comerciais ou no, deve incluir espcies que potencializem as funes do ecossistema para restaurar o volume de gua dos rios e nascentes e a conservao da biodiversidade local (MARIOT, 2003). Do mesmo modo, para a formao de florestas de produo essencial a escolha de material gentico de qualidade, a fim de garantir o sucesso da atividade como proposta atrativa de investimento de mdio e longo prazo para produtores individuais ou empresas. Mesmo com todos estes benefcios, incentivar a recuperao de reas via reflorestamento requer a informao adequada sobre a seleo das espcies apropriadas e os cuidados bsicos para a obteno do material gentico a ser utilizado. Conforme os objetivos da recuperao ambiental a ser feita, a escolha de espcies deve ter por base levantamentos florsticos e fitossociolgicos feitos na regio, prximos e em condies similares ao futuro local de implantao, com o objetivo de deixar a nova paisagem o mais prximo possvel da original. essencial para tal, conhecer a auto-ecologia das espcies e sua relao com as caractersticas do meio, como clima, solo, e tambm realizar testes de procedncia para a seleo do melhor material gentico. O uso de espcies nativas tem a vantagem de obter maior probabilidade de xito quanto mais prximo das condies naturais for o plantio (KAGEYAMA; CASTRO, 1989). A introduo de espcies inadequadas pode levar a uma srie de conseqncias (GOLFARI, 1978), que podem acarretar em prejuzos econmicos e ambientais. Com base na literatura sobre a ocorrncia de espcies nativas da regio Amaznica e em listas de inventrios realizados na poro ocidental da Amaznia, so apresentadas informaes sobre a ecologia, silvicultura e plantio, sobre seis espcies arbreas nativas com potencial para a recuperao de paisagens alteradas em Rondnia.

    Michelliny de Matos Bentes-Gama Neilton Santos Pereira Poliana Helosa da Silva Capelasso Ana Karina Dias Salman Abadio Hermes Vieira

    Espcies arbreas nativas com potencial para recuperao de paisagens alteradas em Rondnia

  • Espcies arbreas nativas com potencial para recuperao de paisagens alteradas em Rondnia

    10

    Reviso de literatura

    A origem da ocupao territorial na poro mais ocidental da Amaznia, dividida inicialmente entre os estados do Amazonas e Mato Grosso, se deu a partir do sculo 18, em funo dos esgotamentos das minas de Cuiab e das descobertas de ouro na Serra dos Parecis e nas cabeceiras do Rio Guapor, alm das disputas com os espanhis pela definio da fronteira do Brasil. Aps a segunda metade do sculo 19, os produtos extrativistas da Amaznia passaram a ocupar um espao no cenrio da industrializao dos pases de primeiro mundo, dando incio a um perodo de amplo processo de expanso da regio, com a explorao da borracha, caucho, castanha e poia, tambm conhecida como ipeca, tendo seu pice entre os anos 1922 e 1925 (BARROS et al., 1997). Com a ocupao instaurou-se o processo do extrativismo da madeira, ouro e cassiterita em Rondnia, principalmente entre os anos de 1960 a 1980, e embora tambm sejam reconhecidos os aspectos positivos dessa expanso de fronteira, o legado conseguido com o desmatamento, a perda de solos, a poluio hdrica em decorrncia da atividade mineral e a explorao no sustentvel da madeira foi, e tem sido, a gerao de diversos problemas scio-ambientais, que se refletem na mudana drstica da paisagem, na degradao ambiental e nos altos ndices de abandono de terras por agricultores de pequena escala. Algumas tentativas governamentais para reverter o cenrio scioeconmico e ambiental originado naquela poca no foram suficientes, tais como os programas POLONOROESTE e PLANAFLORO que tinham como objetivos, respectivamente, promover o crescimento da produo em harmonia com a preservao do sistema ecolgico e a proteo s comunidades indgenas (RONDONIA, 1990), e conservar a biodiversidade de Rondnia, criando, ao mesmo tempo, uma base para a utilizao sustentvel de seus recursos naturais renovveis, visando os benefcios econmicos diretos para a populao local (PLANAFLORO, 2006). Em decorrncia, o setor florestal do estado herdou uma atividade econmica desenvolvida nos moldes da falta de ordenamento e respeito s leis ambientais. As perdas de extensas reas de florestas naturais pela explorao seletiva de madeiras ou pelo desmatamento so causadoras da insero do estado entre os que mais desmatam na Regio Norte. O Cdigo Florestal Brasileiro determina em seu Artigo 44 que o proprietrio ou possuidor de imvel rural com rea de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetao nativa em extenso inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do Artigo 16, ressalvado o disposto nos seus 5o e 6o, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente, em caso de ter havido o desmatamento:

    I. Recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada trs anos, de no mnimo 1/10 da rea total necessria sua complementao, com espcies nativas, de acordo com critrios estabelecidos pelo rgo ambiental estadual competente; II. Conduzir a regenerao natural da reserva legal; e III. Compensar a reserva legal por outra rea equivalente em importncia ecolgica e extenso, desde que pertena ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critrios estabelecidos em regulamento.

    No obstante as discusses sobre as restries de uso da reserva legal da propriedade na Amaznia, a falta de informaes silviculturais consolidadas sobre alternativas de recuperao de reas alteradas que tenham por base o uso de espcies nativas uma realidade, o que justifica estudos dessa natureza.

  • Espcies arbreas nativas com potencial para recuperao de paisagens alteradas em Rondnia 11

    Descrio das espcies

    Ip-amarelo (Tabebuia alba) Bignoniaceae Ecologia Planta decdua, helifita, comum das submatas de pinhais e floresta semidecduas de altitude, com ampla e descontnua disperso desde a latitude 11101S na Bahia a 31 S no Rio Grande do Sul, e em Rondnia; com variao altitudinal de 80 m no Rio Grande do Sul a 1.600 m no Estado de So Paulo. Est presente em floresta ombrfila mista, floresta com araucria, floresta estacional semidecidual, participando do estrato emergente, floresta estacional decidual, formao submontana, na floresta ombrfila densa, na forma mais rara, e ocasionalmente no Cerrado. Ocorre tanto no interior da floresta primria densa, como em formaes abertas e secundrias (GALVO et al., 1989). Nomes vulgares Ip-amarelo, ip-da-serra, ip-amarelo-da-serra, ip-mandioca, ip-branco, ip-tabaco, ip-mamona, aip, ip-ouro e ip-vacariano. Caractersticas silviculturais Por ser uma espcie helifila, tolera sombreamento leve a moderado na fase juvenil; tolerante ao frio e sofre com geadas tardias. Apresenta brotao aps o corte. No h desrama natural, necessitando de poda freqente para conduo de galhos (CARVALHO, 1994). Recomenda-se plantio misto (Anexo 1), associado com espcies pioneiras ou em vegetao matricial, em faixas abertas na vegetao secundria e plantadas em linhas ou grupos. Utilidade Arborizao urbana: seu florescimento atrativo e folhagem prateada quando recm brotada

    favorece o uso para esta finalidade

    Recuperao de matas ciliares: deve-se ter o cuidado de no plant-la em locais sujeitos inundao permanente.

    Marcenaria e carpintaria: madeira pesada, dura e de longa durabilidade mesmo sob condies favorveis ao apodrecimento. O alburno claro e o cerne levemente rosado. A superfcie lisa ao tato, irregularmente lustrosa, com aspecto fibroso atenuado, de textura mdia, gr irregular ou reversa, e gosto e cheiro indistintos. Adequada para a construo civil, marcenaria e carpintaria.

    Descrio ou morfologia rvore caduciflia de altura varivel, entre 3 m e 30 m e 80 cm de dimetro. Tronco reto a levemente tortuoso, cilndrico, medindo at 10 m de comprimento. Copa alta, densa, arredondada a umbeliforme; com ramificao grossa, irregular e simpodial (o eixo principal formado pelo desenvolvimento sucessivo de gemas). Casca externa de...

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