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  • Espaço Agroecológico Interdisciplinar na Escola do Campo em Itahum, Dourados, MS.

    Agroecology space Interdisciplinary School field in Itahum, Dourados, MS.

    LIMA, Mauro Sérgio Almeida de.1 1Secretaria de Estado de Educação, Campo Grande MS, Coordenadoria Regional de Educação de Dourados, MS, maurosergio-@hotmail.com. Resumo: A Educação do Campo é uma conquista recente dos povos e movimentos do campo, e sua construção deve observar o contexto regional buscando sempre relacionar o local de moradia e de vida com o conteúdo aplicado nas escolas. Também existe a necessidade de interdisciplinaridade e foco na agroecologia que são requisitos da disciplina TVT (Terra, Vida e Trabalho), específica da Educação do Campo. Sendo assim, o presente artigo propõe se em demonstrar a criação de um espaço agroecológico em construção na escola do campo Antônio Vicente Azambuja no distrito de Itahum, município de Dourados, Mato Grosso do Sul para a discussão e praticas agroecológicas. A escola atende os alunos oriundos, em sua maioria, dos assentamentos rurais Amparo e Lagoa Grande e a intenção é a troca de experiências nos projetos desenvolvidos a partir de práticas agroecológicas, para que sejam reproduzidos em seus locais de moradia. Os alunos trazem consigo conhecimentos e os professores direcionam e aprimoram para construção da horta agroecológica, pomar doméstico, horto de plantas medicinais, compostagem e SAF (Sistema Agro Florestal) com orientação de instituições parceiras. Palavras-chave: Educação do Campo, Agroecologia, Meio Ambiente, Educação. Abstract: The field of education is a recent conquest of peoples and movements of the field, and its construction should note the regional context always trying to relate the location of housing and living with the content used in schools. There is also the need for interdisciplinarity and focus on agroecology that are requirements of the TVT discipline (Earth, Life and Work), specific field of education. Therefore, this article proposes is to demonstrate the creation of an agro-ecological space under construction in Antonio Vicente Azambuja Field School in Itahum district in the city of Dourados, Mato Grosso do Sul for discussion and agroecological practices. The school serves students from the, mostly rural settlements Amparo and Great Pond and the intention is to exchange experiences in projects developed from agroecological practices, to be played in their neighborhoods. Students bring with them knowledge and teachers direct and improve construction of agroecological garden, home orchard, garden of medicinal plants, composting and SAF (Agro Forestry System) with guidance from partner institutions.do resumo para o inglês. Máximo de 250 palavras, em fonte Arial, corpo 11pt, com alinhamento justificado e espaçamento simples entre linhas. Keywords: Rural Education, Agroecology, Environment, Education.

  • Introdução A educação do campo foi uma conquista ao longo de décadas de lutas dos povos e movimentos do campo, para que os camponeses obtivessem uma educação do e no campo que pudesse contemplar a realidade de vida dos seus locais de moradia. A partir do entendimento dos camponeses não existem possibilidades de uma educação urbana ser ministrada em espaço rural sendo que a realidade educacional urbana não corresponde aos anseios da comunidade, tampouco com as práticas utilizadas em seus locais de moradia. A Educação do Campo nasceu como mobilização/pressão de movimentos sociais por uma política educacional para comunidades camponesas articuladas às lutas por reforma agrária partindo-se de uma compreensão de campo carente de terra e condições de trabalho, de escolas apropriadas para as pessoas que ali residem visando maior desenvolvimento de seu território. (CALDART, 2008).

    O campo sempre foi considerado local de atraso e subalternidade, uma visão construída pela sociedade ocidental, como aponta Marschner (2011) afirmando que “o imaginário como uma dinâmica que assumem conteúdos simbólicos numa dada sociedade, é capaz forjar juízos de valor, classificações, bem como dar vida a instituições.” (p.43), e isso reflete em vários setores como a educação, saúde, lazer, entre outros, suscitando muitos debates e reflexões. A respeito da educação no campo, a discussão é no sentido de que se torne uma educação emancipatória para que rompa o caráter subalterno, onde as políticas são de cima para baixo, sendo assim Fernandes (2012) indica que “as políticas emancipatórias, quase sempre, são elaboradas de baixo para cima com o objetivo de construir autonomias relativas e formas de enfrentamento e resistência na perspectiva de superação da subalternidade” (p.3). A busca pela autonomia na educação do campo em construir seu próprio currículo, voltado à sua realidade, é uma das reivindicações mais importantes no sentido das políticas emancipatórias citadas por Fernandes (2012). Fernandes & Molina, (2005) defendem o campo como espaço de particularidades e matrizes culturais. Esse campo é repleto de possibilidades políticas, formação crítica, resistência, mística, identidades, histórias e produção das condições de existência social. Cabe, portanto, à educação do campo, o papel de fomentar reflexões que acumulem forças e produção de saberes, no sentido de contribuir para a negação e/ou desconstrução do imaginário coletivo acerca da visão hierárquica que há entre o campo e a cidade. Essas são ações que podem ajudar na superação da visão tradicional do imaginário social do jeca-tatu e do campo como espaço atrasado e pouco desenvolvido. Algumas grandes discussões e encontros entre intelectuais, educadores, ONGs, Sindicatos, representantes dos movimentos sociais do campo e das comunidades camponesas podem ser citadas como essenciais para a construção do modelo de

  • educação do campo e das políticas públicas que atendessem as necessidades e a realidade do campo, como: O I ENERA (Encontro Nacional de Educadores da Reforma Agrária) em 1997; posteriormente o II ENERA (2004) que culminaram com grandes conquistas como o PRONERA (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária); as resoluções de 2002 que regulamentam a educação do campo no Brasil, bem como o PRONACAMPO (Programa Nacional de Educação do Campo) em 2012 com políticas específicas para a educação do campo, entre outras.

    A partir de 2012, com a resolução SED/MS nº 2.501, de 20 de dezembro de 2011, aproximadamente 60 escolas entre extensões e escolas polos iniciaram a atuação como Escolas do Campo, valorizando a comunidade camponesa atuando a partir das realidades regionais. A Escola Estadual Antônio Vicente Azambuja está inserida no contexto das escolas do campo e atende alunos oriundos dos P. As. (Projetos de Assentamentos) Lagoa Grande e Amparo, do distrito de Itahum, das fazendas do entorno, alunos indígenas, acampados, entre outros, num total de aproximadamente 320 alunos.

    A escola Antônio Vicente Azambuja possui um espaço privilegiado em uma área aproximada de 100x100 metros que correspondem a 01 hectare de terra, em que a estrutura física da escola ocupa metade do espaço total. Sendo assim, a outra metade do espaço está sendo o foco do projeto “Espaço Agroecológico Interdisciplinar na Escola do Campo” que será orientado pela Coordenadoria Regional de Dourados com parcerias de entidades e instituições, que assim como a Coordenadoria procura cumprir seu papel de gestão dando respostas à sociedade camponesa para que a escola represente um polo de pesquisa e execução de projetos que atentem para a realidade das comunidades locais, no caso os camponeses. A Coordenadoria Regional de Educação de Dourados foi instalada a partir da resolução SED/MS nº 3.020 de 05 de fevereiro de 2016, a Assessoria de Políticas Específicas para a Educação da coordenadoria regional atualmente representa as escolas do campo da região da Grande Dourados no total de 10 escolas, sendo 02 indígenas em um total de mais de três mil alunos.

    No Estado de Mato Grosso do Sul, observando a resolução que rege a Educação do Campo, o item III do artigo 2º diz que se deve possibilitar o acesso aos conhecimentos universais e específicos relacionados à realidade social dos estudantes, por meio de organização curricular, de carga horária e calendário escolar que atendam às características gerais de Educação Básica e às especificidades da realidade camponesa sul-mato-grossense. (RESOLUÇÃO/SED N. 3.016, DE 04 DE FEVEREIRO DE 2016.)

    As escolas do campo possuem em seu currículo a disciplina TVT (Terra Vida e Trabalho) com duas aulas semanais em todos os anos da Educação Básica, e sua principal característica é a ação interdisciplinar fundamentadas em práticas agroecológicas que são comuns em comunidades da Agricultura familiar. A

  • disciplina TVT funciona como uma ferramenta que fomenta projetos para a ação interdisciplinar na escola e seus professores devem ter a especificidade para atuação, ou seja, devem possuir características de educadores do campo com conhecimentos sobre a realidade camponesa.

    A educação do campo como conquista dos povos do campo, a principal exigência é que seja construída em conjunto com a comunidade para atender as demandas de cada região e isso implica que não seja uma educação imposta por especialistas, mesmo sabendo que existem regras e leis a serem seguidas. Uma das alternativas mais concretas está na construção do referencial curricular da disciplina TVT

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