espaÇos de saber - ?· o suporte de registo por excelência. pela materialidade, condicionante...

Download ESPAÇOS DE SABER - ?· o suporte de registo por excelência. Pela materialidade, condicionante geográfica…

Post on 07-Nov-2018

212 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • 1

    Jos Pedro Figueiredo Santos Vieira LimaDissertao de Mestrado Integrado em ArquitecturaSob orientao do Professor Doutor Jos Antnio Bandeirinha e co-orientao da Arquitecta Carolina Coelho

    Departamento de Arquitectura, Julho de 2016

    ESPAOS DE SABERA BIBLIOTECA E O SEU PROCESSO EVOLUTIVO

  • 3

    ESPAOS DE SABERA BIBLIOTECA E O SEU PROCESSO EVOLUTIVO

    Escrito segundo o antigo acordo ortogrfico e de acordo com as normas APA

  • 5

    Por aqui no consigo expressar os agradecimentos minha famlia e

    amigos. No podia pedir mais de ningum.

    Agradeo tambm aos Professores Jos Antnio Bandeirinha e

    Carolina Coelho, pelo apoio incondicional e sabedoria categrica.

  • RESUMO

    Esta dissertao tem como objectivo a anlise crtica da evoluo dos espaos de saber, desde que existe memria da linguagem, e da necessidade do homem gravar o pensamento, at contemporaneidade.

    Prope-se, pela anlise crtica de exemplos, compreender a biblioteca de forma contextualizada e a sua relao com a sociedade, tecnologia, existentes na poca. Procurou-se centrar a investigao sempre nas premissas do espao, suporte, e actividades para o saber. Em primeiro lugar, dar-se- importncia a momentos em que a biblioteca representou uma mudana ou resultou na expresso de um motivo social, poltico ou cientfico na Histria. Num segundo momento, procurar-se- apontar pela anlise de exemplos, distintas possibilidades e significados que o espao de biblioteca tem na sociedade contempornea.

    Com estes dois momentos procura-se interpretar o papel do espao de biblioteca, dos suportes e das actividades para o conhecimento na aquisio do saber contemporneo.

    De modo a clarificar estas relaes entre biblioteca, tempo e sociedade, a anlise de casos de estudo refora uma ideia de continuidade da arquitectura, e questiona o espao e o significado da biblioteca contempornea.

    i

    Palavras-chave: biblioteca , arquivo, interpretao, saber, tecnologia

  • This essay aims to critically analyze the evolution of the spaces for knowledge, since there was memory of language, and the mans need to imprint his thought, from early times to contemporaneity.

    It is therefore proposed, by the critical analysis of examples, to perceive the library in a contextualized way, and its relations with society, and existing technology. The research underwent through the assumptions of space, supports, and knowledge activities. In the first place, it will be emphasized moments in History where the library represented a shift or was itself the expression of a social, political or cientifical motif. Equally important, it will be pinpointed through contemporary examples the distinct possibilities and meanings that library spaces have in nowadays society.

    With these two moments, the role of the library spaces, supports, and activities for the current knowledge acquisition will be thoroughly clarified. Moreover, in order to portray the relation between library, time and society, the reasoning of examples enhances an idea of persistency in architecture, at the same time questioning meanings and space in contemporary library.

    ABSTRACT

    ii

    Keywords: library, archive, interpretation, knowledge, technology

  • 11

    Sumrio

    Resumo

    Abstract

    0. Introduo

    1. A biblioteca em Tempo Longo

    1.1 Arquivo e Biblioteca | Antiguidade Clssica | Biblioteca de Prgamo

    1.2 Imprensa | Renascimento | Biblioteca Laurenciana

    1.3 Especializao do Espao | Revoluo Industrial | Biblioteca St. Genevive

    1.4 Consignao do Pblico | Pr-moderno | Biblioteca Pblica de Estocolmo

    2. A biblioteca na Contemporaneidade

    2.1 Espao Multifuncional | Biblioteca Universitria de Delft

    2.2 Continuidade na Biblioteca | Biblioteca Universitria de Aveiro 2.3 Expoente Tecnolgico | Biblioteca Central de Seattle

    3. Consideraes finais

    4. Bibliografia

    5. Fontes das imagens

    pg.

    i

    ii

    1

    7

    9

    19

    33

    49

    63

    67

    75

    85

    99

    105

    117

  • 0. INTRODUO

  • 1

    0. INTRODUO

    Esta dissertao tem como objectivo a anlise crtica da biblioteca como espao de saber. A compreenso da biblioteca contempornea como modelo isolado apresenta-se como uma operao difcil, e revelou-se assim motivante para a realizao deste trabalho. A escolha destes exemplos no momento do tempo longo justifica-se na sua representatividade de um arco temporal, e da sua relao com momentos-chave que tiveram particular incidncia na histria da arquitectura. Num outro momento da contemporaneidade, os exemplos procuraram explicar, por anttese, analogia e/ou comparao, a relao da biblioteca contempornea com os outros espaos de saber, com as actividades e suportes actuais para o conhecimento. Guiou-se assim o decurso do trabalho sobretudo, sempre na tentativa de responder aos seguintes temas:

    - Compreender a evoluo da biblioteca at contemporaneidade.- Relacionar estes espaos de saber com o seu contexto e a aplicao de pressupostos do tempo em questo na concepo da biblioteca.- Reforar a anlise crtica da contemporaneidade, que por sua vez procura apontar no um modelo para a biblioteca, mas sim possibilidades de espaos, fruto da sua relao com os suportes e actividades para o saber.

    Considerou-se fundamental como metodologia de estudo a visita aos espaos a analisar, neste caso a Biblioteca Laurenciana de Miguel ngelo, de 1571, a Biblioteca Municipal de Estocolmo, de Gunnar Asplund, de 1928 e a Biblioteca Universitria de Aveiro, de 2004, de lvaro Siza. Este conhecimento experienciado do lugar permitiu no s ter a experincia do lugar que se conhece apenas por imagens ou elementos grficos, mas tambm a construo de um processo de referncias, assim como a experincia pedaggica que valoriza a compreenso destes exemplos em concreto, e a dissertao no geral. Mais ainda, complementa tambm a pesquisa e anlise dos elementos grficos constituintes de cada projecto.

  • 3

    Tambm como metodologia de anlise, o nosso redesenho de cada exemplo proposto tambm por si uma interpretao, permitindo no s uma abordagem mais directa actividade projectual de quem desenhou ou construiu estes equipamentos, mas tambm um carcter pedaggico, pela aproximao que o redesenho nos permite tomada de decises, opes e condicionantes inerentes a cada projecto e arquitecto. A depurao grfica dos desenhos permitiu salientar os factores essenciais a expor na dissertao, analisando assim os componentes de cada biblioteca. Por outro lado, ajuda a cimentar a pertinncia deste trabalho como pertencente ao campo da arquitectura, pelo desenho como ferramenta de trabalho e de interpretao do projecto.

  • 1. A BIBLIOTECA EM TEMPO LONGO

  • 7

    O primeiro ponto desta dissertao pretende clarificar a evoluo dos espaos de saber, desde a Antiguidade Clssica at introduo de computadores e internet como ferramentas para a aquisio do saber. Esta relao do espaos de saber centrar-se- no acto da leitura, e de como que os suportes e espaos para esta actividade se foram moldando consoante a introduo de factores externos, de cariz social, poltico, entre outros.

    O conjunto de exemplos a analisar neste ponto elencando pela sua representatividade, e pelas questes a que se pretendem relacionar. A Biblioteca de Prgamo, do sc. II a.C., permitir clarificar a autonomizao dos suportes de escrita, as consequncias na concepo de espaos para estes documentos, a relao que o leitor tem com o uso dos espaos de leitura na Antiguidade Clssica.

    Por outro lado, na Biblioteca Laurenciana, Miguel ngelo, 1571, dar-se- enfse questo da velocidade de reproduo de documentos para o saber, potenciado pela imprensa mecnica, e tambm a questes de fundo latentes na valorizao do Homem no Renascimento, na passagem de um ensino pelo clero para a leitura laica da populao.

    J na Biblioteca Sainte-Genevive, de Henri Labrouste, de 1850, levantar-se- o tema da especializao do espao, pela criao de zonas distintas na biblioteca e a influncia das tcnicas de concepo observveis data nesta biblioteca.

    Por ltimo, com a Biblioteca Municipal de Estocolmo, de Gunnar Asplund, de 1928, valorizar-se- a questo da leitura pblica e as consequncias da criao de espaos distintos de consulta e leitura, mas tambm a reflexo sobre a centralidade da biblioteca na sua afirmao urbana.

    Assim, alm de se comprometer estes exemplos propostos com as suas relaes temporais, eles reforaram a anlise de outros modelos contemporneos nesta dissertao, valorizando o seu papel actual na aquisio do saber.

    1. A BIBLIOTECA EM TEMPO LONGO

  • Figura 1 - Gravura por raspagem, vale do Ca, c. 20.000 - 10.000 a.C. Segundo A. M. Baptista

    Figura 2 - Templo Branco de Anu, Uruk, c 3500 - 3000 a.C.

  • 9

    At Antiguidade Clssica, o registo da memria fazia-se sobretudo na prpria construo, no havendo distino entre suporte e espao destinado ao arquivo destes registos. Como nos mostram as gravuras de Foz Ca, ou Altamira, ambas de entre 20.000 a 10.000 a.C, entre outros exemplos, o prprio espao habitado era o suporte de registo por excelncia. Pela materialidade, condicionante geogrfica e tecnologia, foi mantida esta estreita relao entre a escrita, utilidade e espaos destinados para este fim durante o perodo proto-literrio1, terminando no primeiro milnio a.C. (Pereira, 2011, p25).

    Entretanto, neste perodo proto-literrio, a escrita para Potts, remetia-se a uma utilidade bastante restrita: Parece ainda possvel constatar que a escrita foi inventada, no amplamente generalizando na Mesopotmia, mas mais especificamente na cidade de Uruk [...] A escrita foi inventada pura e simplesmente como uma resposta prctica a um problema tcnico.2 (Potts, 2000, p.20). Esta afirmao baseia-se na descoberta de tabuletas d