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INSTITUTO DE CINCIAS HUMANAS

PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM EDUCAO

COMPUTADOR

ESCOLA

A tecno-ausncia na formao inicial do professor contemporneo: motivos e

estratgias para a sua superao. O que pensam os docentes das

licenciaturas?

SIMO PEDRO P. MARINHO

WOLNEY LOBATO

PATRCIA MARIA CAETANO DE ARAJO [colaboradora]

A tecno-ausncia na formao

inicial do professor contemporneo:

motivos e estratgias para a sua

superao. O que pensam os

docentes das licenciaturas?

Relatrio final de pesquisa apresentado ao Conselho Nacional do Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico, CNPq.

Nmero do processo:

478462/2001-8

Linha de chamada:

Apoio a Projetos de Pesquisa / Edital Universal CNPq 01/2001

Equipe de pesquisa:

Prof. Dr. Simo Pedro P. Marinho / coordenador Programa de Ps-graduao em Educao PUC Minas

Prof. Dr. Wolney Lobato / pesquisador snior Programa de Ps-graduao em Educao PUC Minas

Patrcia Maria Caetano de Arajo

Aluna do Mestrado em Educao - PUC Minas

Cludia Tavares do Amaral

Bolsista de Iniciao Cientfica/Aluna do Curso de Pedagogia - PUC Minas

Apoio:

Valria das Dores Ermelindo

PUC MINAS 2004

A tecno-ausncia na formao inicial do professor contemporneo: motivos e estratgias para a sua superao. O que pensam os docentes das licenciaturas?

1

Introduo

O desenvolvimento da cincia da informao, principalmente a partir da dcada de 70

e mais aceleradamente a partir dos anos 80, permitiu o uso cada vez mais intensivo de suas

tecnologias. Essas que foram chamadas novas tecnologias da informao1 e da comunicao, de

modo resumido conhecidas pelos acrnimos TIC e NTIC2, tanto a nvel nacional brasileiro, como

no plano internacional, vem levando a sociedade humana a profundas alteraes estruturais.

Passo a passo, vai se dando corpo a um novo modelo social, que tem sido chamado de

Sociedade da Informao ou Sociedade do Conhecimento.

Esse novo tempo tem uma marca fundamental - trata-se de um processo permanente

de mudanas com uma espantosa velocidade das transformaes, provocadas exatamente pelo

acelerado desenvolvimento das tecnologias digitais.

As mudanas so rpidas, profundas e silenciosas. Elas assinalam

descontinuidades e o aparecimento de novos paradigmas. A educao no

fica imune s novas condies sociais. O processo de globalizao aponta

para novas possibilidades de estar no mundo e para novas formas de

ensinar e aprender. (TOLEDO, 2003:1)

Um dos resultados esperados da ampla e eficaz aplicao das tecnologias da

informao e de outras tecnologias seria um aumento significativo na produtividade e uma

reduo nos custos corporativos. Mas se existem vantagens, existe o lado negativo. Segundo

Alan Greenspan, presidente do Federal Reserve [FED], o banco central estadunidense, a

inovao tecnolgica acaba por trazer um alto sentimento de insegurana de emprego, o que

acaba por ensejar ganhos modestos em termos de remunerao pelo trabalho. H um risco do

sentimento de segurana individual, tendo em vista o ritmo acelerado que vem caracterizando a

1 Tecnologia da informao significa informtica, telemtica, robtica e todas as tcnicas de processamento

e distribuio digital de informao. 2 O fato de tais tecnologias serem chamadas de novas tecnologias da informao e da comunicao nos

parece hoje pouco conveniente. Afinal de contas, os microcomputadores pessoais se aproximam dos 30 anos de existncia, os computadores j esto nas escolas, inclusive as brasileiras, h 20 anos e a prpria Internet comercial, aberta a todos, completa 20 anos. Ultimamente estamos preferindo usar a expresso tecnologias digitais quando falamos de computadores e Internet, inclusive a educao.

A tecno-ausncia na formao inicial do professor contemporneo: motivos e estratgias para a sua superao. O que pensam os docentes das licenciaturas?

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reestruturao corporativa e um sentimento de medo, cada vez maior, de uma obsolescncia

pessoal quanto s habilidades exigidas aos profissionais.

O computador, de alguma forma, menos ou mais evidente, est presente no

cotidiano de qualquer cidado, principalmente como instrumento acelerador operacional. Com

sua linguagem prpria, binria, numa simples reduo a 1 e 0, trazendo impactos maiores ou

menores ao nvel da sociedade, utilizado em diferentes escalas, com uma capacidade cada vez

maior de interao com o usurio, o computador passa a ser, sem dvida, determinante de uma

nova era na histria da civilizao humana. Hoje, nas sociedades mais desenvolvidas, a maior

parte das pessoas trabalha na manipulao de informaes. Nos Estados Unidos, por exemplo,

prev-se que, ao final do sculo, algo apenas entre 5 e 10% da fora de trabalho estaria

atuando nas fbricas, num percentual que equivalia aos que, nos anos 90, se dedicavam

agricultura naquele pas. No sculo XXI, a maioria das pessoas estar, de alguma forma, em

atividades em que devero manipular informaes (DRUCKER, 1989).

A tecno-ausncia na formao inicial do professor contemporneo: motivos e estratgias para a sua superao. O que pensam os docentes das licenciaturas?

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Computadores e educao

A escola vem sendo, historicamente, o lugar onde diversas tecnologias de

comunicao so utilizadas, bem ou mal, no processo ensino-aprendizagem. Incorporando os

recursos da tecnologia disponveis para o uso mais amplo na sociedade (tais como televiso,

cinema, etc) a escola busca atender a algumas das solicitaes dessa sociedade que a institui

e a mantm. O computador , neste palco, a mais nova tecnologia. O computador simboliza a

revoluo tecnolgica, que est caracterizada, sobretudo, por uma ampliao das capacidades

intelectuais do homem. (MATA, 1992:19)

Seria, pois, razovel esperar que a tecnologia da informao, pelo seu instrumento

que o computador, chegasse escola e ali provocasse alguns impactos.

Cabe escola o papel de colaborar - a funo no sua competncia exclusiva - na

preparao de cidados para a vida e notadamente para o que cada aprendiz ser quando adulto.

Assim, para cumprir sua funo, a escola dever estar hoje preparando o cidado que dever se

inserir de forma ativa na sociedade ps-industrial. Essa preparao de um novo cidado desafia

hoje a escola, onde est aquela que ser fora de trabalho do sculo XXI, a tratar a questo da

educao no mais como um mero transmitir de uma certa quantidade de conhecimentos. A

escola no mais a principal depositria do conhecimento mais sistematizado, principalmente

atravs do professor. A escola deve reconhecer que, como as fontes de informaes tornam-se

mais e mais ampliadas e o acesso a elas est cada vez mais facilitado, no precisa manter seu

papel de agncia informadora. Seu papel agora de estimular os alunos a buscar um uso mais

diversificado de fontes de informao [no mais se restringindo ao professor e ao livro-texto] e a

lidar de forma crtica com essa informao, separando o joio do trigo. E, como instrumento de

acesso a fontes diversificadas [base de dados, enciclopdias e outras publicaes em CD-ROM,

bibliotecas virtuais e outras], o computador , reconhecidamente, imbatvel .

A informtica3, da mesma forma que ocorreu com a televiso, vem influenciando a

educao mais pelo modo como utilizada fora da sala de aula, em casa por exemplo. Restaria

escola optar entre acabar permitindo que as crianas sejam mais influenciadas pelo que

vivenciam fora do seu espao fsico ou trazer essa nova tecnologia, de maneira mais efetiva, para

3 A informtica, um campo do saber que opera sobre o processo de armazenamento, manipulao e

transferncia de informao, freqentemente confundida com computao. O computador um instrumental na execuo da informtica (Fundao Joo Pinheiro, 1995).

A tecno-ausncia na formao inicial do professor contemporneo: motivos e estratgias para a sua superao. O que pensam os docentes das licenciaturas?

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o ambiente da educao formal. Nessa ltima hiptese, a preparao daquele que conviver com

o computador deve ser um objetivo explcito buscado por uma nova escola, numa nova realidade

que se concretiza.

A reviso permanente do sistema escolar hoje indispensvel e a informtica deve

ser, especialmente neste momento e na escola brasileira, um motivo e um desafio a mais para

essa reviso. A ampliao do uso de meios de comunicao, com as novas tecnologias da

informao e da comunicao, traz desafios adicionais para a escola, que dever assumir novas

funes num contexto social cujas bases tradicionais se encontram debilitadas (TEDESCO, 2004).

Algumas tendncias no desenvolvimento da tecnologia da informao so

identificadas como relevantes para ambientes de ensino e aprendizagem (TWEEDLE, 1993):

A portabilidade e a acessibilidade a laptops e computadores de mo (handhelds ou PDA4);

A natureza interativa das aplicaes multimdias;

O poder da difuso por cabo (cable broadcasting);

O aumento na variedade de estmulos providos por satlites

A possibilidade das comunicaes eletrnicas para a reduo do isolamento.

O computador seria potencialmente capaz de trazer a melhoria na educao ao

fornecer uma aprendizagem mais ativa, com menos desgaste mental; uma aprendizagem mais

prxima velocidade do pensamento e mais independente; uma aprendizagem mais ajustada a

cada indivduo e um melhor auxlio abstrao (BRATHWAITE, 1987). E, como bem destaca

Valente (2002:34), as tecnologias da informao e comunicao esto criando circunstncias

para que as pessoas possam se expressar com um todo, por inteiro, no s no aspecto cognitivo,

mas no emocional e social. Essas so, com certeza, algumas fortes razes pelas quais a

informtica um recurso do qual a educao no dever abdicar.

Em um workshop realizado pelo Critical Technologies Institute (CTI), vinculado

RAND, nos Estados Unidos da Amrica, um consenso emergiu entre todos os participantes: com

o computador e os demais recursos a ele associados existe uma oportunidade tecnolgica de

4 Portable Digital Assistant. So conhecidos tambm por palmtops, embora Palm seja apenas uma das

marcas comerciais de PDA ou handheld.

A tecno-ausncia na formao inicial do professor contemporneo: motivos e estratgias para a sua superao. O que pensam os docentes das licenciaturas?

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melhorar a aprendizagem dos alunos e a eficcia da escola e a um preo significante mas

aceitvel (MELMED, 1995).

Nunca muito lembrar que essa tecnologia por si s no poder modificar o processo

da aprendizagem (EDUCATIONAL TESTING SERVICE, 1997). J est claro que

[...] o computador no por si mesmo portador de inovao nem fonte de

uma nova dinmica do sistema educativo. Poder servir e perpetuar com

eficcia sistemas de ensino obsoletos. Poder ser um instrumento vazio

em termos pedaggicos que valoriza a forma, obscurece o contedo e

ignora processos. (CABRAL, 1990:14).

Os computadores, como qualquer outro recurso tecnolgico que possa ser utilizado na

escola,

no fazem mgica, no fazem milagres [...] so apenas ferramentas a

serem usadas de acordo com a tarefa em vista e de acordo com as

circunstncias. assim que devem ser tratados, como ferramentas.

(CASTRO, 1994:220).

O papel do computador na escola brasileira foi, desde seu incio nos anos 80, motivo

para acaloradas discusses, que, no raro, vinham desprovidas de um mnimo de embasamento

tcnico e pedaggico. O fascnio que essa mquina provoca - e disso nem mesmo seus

adversrios podero discordar - se fez sempre presente na discusso sobre seu possvel uso na

educao (CHAVES; SETZER, 1988). As crticas, vindas dos dois lados, seja daqueles que esto

francamente a favor, seja daqueles que se posicionam contra, aconteceram principalmente num

clima de passionalidade, muitas vezes na forma da manifestao de um simples no gostar em

contraposio ao gostar, o antagonismo dos no fascinados" e dos fascinados. O que acontecia

de fato e em parte ainda acontece que faltam bases principalmente pedaggicas para uma

discusso mais substancial sobre o uso do computador enquanto instrumento de aprendizagem,

na nossa realidade escolar. Eram - e ainda so - poucas as pesquisas autctones sobre o tema e

no era menos rara a plena e efetiva utilizao desse recurso, como instrumento auxiliar de

aprendizagem, nas salas de aula do Brasil.

Como est reconhecido no documento no qual se estabelecem os Parmetros

Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998: 154)

A tecno-ausncia na formao inicial do professor contemporneo: motivos e estratgias para a sua superao. O que pensam os docentes das licenciaturas?

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natural, portanto, que na escola tambm existam muitas dvidas,

indagaes receios por parte dos professores, coordenadores, diretores e

pais. Porm, considerando que a tendncia irreversvel uma sociedade

em crescente informatizao, necessrio pensar, refletir e superar esses

mitos, assim como assumir algumas verdades em relao utilizao das

tecnologias na educao.

Mas se no h consenso sobre a adequao do uso educacional do computador,

talvez haja concordncia em um ponto: muito da carncia do embasamento crtico para uma

discusso sobre essa questo decorre da falta de conhecimento, por parte principalmente dos

educadores, das possveis implicaes do uso dessa tecnologia. Em resumo, em que pesem

todos os esforos de produo principalmente em programas de ps-graduao stricto sensu,

ainda falta no Brasil um corpo mais robusto de conhecimentos produzidos a partir da pesquisa

sobre a utilizao da microinformtica na educao, especialmente na nossa realidade, no

contexto de nossa educao, bem como sua ampla divulgao entre interessados. Alm disso, a

prtica em nossas escolas ainda escassa, no permitindo maiores inferncias sobre a validade

ou no dessa utilizao.

Os educadores e as escolas, sem uma clara noo do papel desse recurso e de seus

limites, no podem discutir de maneira efetiva e lcida as implicaes do uso do computador uma

ferramenta cognitiva, instrumento para a aprendizagem.

Como sugere Papert (1985), ao invs de permanecer lamentando os possveis efeitos

funestos do computador, deveramos procurar explorar as maneiras de orientar essa influncia,

que muitas vezes tida como funesta e prejudicial aprendizagem e forma de pensar das

crianas e adolescentes (SETZER, 1998a, 1998b), para as posies julgadas positivas e

desejveis.

Uma retrospectiva histrica da relao computador-escola vai mostrar que, nos

primrdios, a prtica do uso dessa ferramenta se baseou em softwares que nada mais

representavam do que a simples transposio do modelo conservador de educao, que poderia

ser carac...

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