Escarificação ácida, temperatura e luz no processo ... ?· de Senna alata em ácido sulfúrico e…

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<ul><li><p>1</p><p>Rev. Bras. Pl. Med., Botucatu, v.12, n.1, p.1-7, 2010.</p><p>Recebido para publicao em 08/02/2008Aceito para publicao em 01/09/09</p><p>Escarificao cida, temperatura e luz no processo germinativo de sementes deSenna alata (L.) Roxb.</p><p>BRAGA, L.F.1*; SOUSA, M.P.1; BRAGA, J.F.1; DELACHIAVE, M.E.A.21 Universidade do Estado de Mato Grosso, Departamento de Cincias Biolgicas, Rod. MT 208, Km 146, BairroJardim Tropical, CEP: 78580-000, Alta Floresta-Brasil, *luciabraga@unemat.br </p><p> 2 Universidade Estadual Paulista,Departamento de Botnica - Instituto de Biocincias, Caixa Postal 510, CEP: 18618-000, Botucatu-Brasilelena@ibb.unesp.br</p><p>RESUMO: O objetivo deste trabalho foi determinar o tempo timo de escarificao das sementesde Senna alata em cido sulfrico e verificar o efeito da temperatura, em condio de luz eescuro, na germinao de sementes dessa espcie. As sementes foram imersas em cidosulfrico concentrado por perodos de 0, 15, 30 e 60 minutos, e o teste de germinao realizadoem BOD a 25C, utilizando quatro repeties de 50 sementes em cada perodo de tempo, sendoo delineamento estatstico inteiramente casualizado com 4 tratamentos. No segundo experimento,para verificar o efeito da temperatura e da condio de luz mais adequada a germinao, utilizou-se temperaturas de 10 a 45C, com intervalos de 5C, em condio de luz fluorescente branca ouescuro contnuo (gerbox preto). Utilizou-se o delineamento experimental inteiramente casualizado,disposto em esquema fatorial 8x2, com 4 repeties, de 50 sementes cada. Em todos os testesas avaliaes da porcentagem e ndice de velocidade de germinao foram feitas diariamente,durante 10 dias, onde as sementes foram consideradas germinadas quando apresentaram 2 mmde raiz. Os dados foram submetidos anlise de varincia e as mdias comparadas pelo testede Tukey a 5% de probabilidade. A escarificao do tegumento com cido sulfrico durante 60minutos, foi ideal para as sementes de Senna alata, por proporcionar maiores valores naporcentagem e velocidade de germinao. A germinao ocorre entre 15 e 40C, sendoconsideradas fotoblsticas neutras entre 20 e 40C e fotoblsticas negativas preferenciais a15C. O melhor desempenho germinativo foi obtido nas temperaturas de 25, 30 e 35C, ondeocorreram maior porcentagem e velocidade de germinao.</p><p>Palavras-chave: fedegoso-gigante, germinao, dormncia, regime de temperatura, fotoblastismo</p><p>ABSTRACT: Acid scarification, temperature and light on the germination process of Sennaalata (L.) Roxb. seeds. The aim of this study was to establish the optimum scarification time forSenna alata seeds in sulfuric acid, as well as to verify the effect of temperature on seed germinationfor this species under conditions of light and darkness. Seeds were immersed in concentratedsulfuric acid for periods of 0, 15, 30 and 60 minutes, and the germination test was carried out in aBOD chamber at 25C, using four replicates of 50 seeds for each time period. Experimentaldesign was completely randomized with 4 treatments. In the second experiment, temperaturesfrom 10 to 45C, with 5C intervals, were used under conditions of fluorescent white light orcontinuous darkness (black gerbox) in order to verify the temperature effect and the most suitablelight condition for germination. Experimental design was completely randomized, in an 8x2 factorialarrangement, with 4 replicates of 50 seeds each. In all tests, germination percentage and speedindex were daily evaluated for 10 days. Seeds were considered germinated when the radiclelength was 2 mm. Data were subjected to analysis of variance and means were compared byTukeys test at 5% significance. The tegument scarification with sulfuric acid for 60 minutes wasoptimal for Senna alata seeds since it led to higher values of germination percentage and speed.Germination occurs between 15 and 40C, and seeds are considered neutral photoblastic between20 and 40C and negative photoblastic especially at 15C. The best germination performance wasobserved at 25, 30 and 35C, at which germination percentage and speed were higher.</p><p>Key words: fedegoso-gigante, germination, dormancy, regime of temperature, photoblastism</p></li><li><p>2</p><p>Rev. Bras. Pl. Med., Botucatu, v.12, n.1, p.1-7, 2010.</p><p>INTRODUOSenna alata (L.) Roxb., pertencente famlia</p><p>Fabaceae, planta perene arbustiva que atinge entre1-3 m de altura, que se propaga apenas por sementes,sendo conhecida por fedegoso-gigante. plantadaninha freqente em reas de pastagens, beiras deestradas e terrenos baldios (Lorenzi, 2000). Comdistribuio pan tropical, ocorre na Amrica Central,Amrica do Sul, frica, Madagascar e sia (MissouriBotanical Garden, 2008). No Brasil ocorre desde oNorte at o Sudeste. Em alguns estados a espcie considerada planta medicinal e de baixa palatabilidadepara o gado. Em So Paulo considerada praga emcultivos de soja, pois cresce muito rpido, provocandosombreamento das plntulas de soja (Marabesi,2007).</p><p>A espcie considerada medicinal possuindopropriedades antibacterianas, antifngicas eantiinflamatrias (Abatan, 1990; Palarrichamy &amp;Nagarajan, 1990; Bhaskar &amp; Nagarajan, 1991),diurtica e laxante, utilizada como matria prima paraproduo de medicamentos destinados a tratar deanemia, fgado, malria e pano-branco. Apesar daspropriedades teraputicas, deve ser ministrada comcuidado, pois tambm suspeita de ser txica eabortiva (Lorenzi, 2000).</p><p>O cultivo de espcies medicinais dificultadomuitas vezes, por que na grande maioria so espciespouco domesticadas, no havendo conhecimentosobre a fisiologia da germinao, como ocorre comSenna alata (L.) Roxb. A germinao de espciesno domesticadas depende de fatores comosuperao da dormncia, luz, temperatura, dentreoutros.</p><p>A espcie Senna alata (L.) Roxb. apresentategumento impermevel dificultando a absoro degua e/ou oxignio. Este tipo de dormncia ofereceresistncia fsica ao crescimento do embrio, o queretarda a germinao. Em ambiente natural, essadormncia quebrada por processos deescarificao, que pode ocorrer segundo Vazquez-Yanes &amp; Orozco Segovia (1993) pelo aquecimentomido ou seco do solo, por temperaturas alternadas,por microorganismos do solo ou pela ao de cidosquando da ingesto das sementes por animaisdispersores.</p><p>Em laboratrio, foram desenvolvidos diversosmtodos, no entanto, a eficincia desses tratamentosdepende do tipo e grau de dormncia que varia entreas espcies. O uso do cido sulfrico comum nasuperao da dormncia tegumentar e sua eficinciafoi verificada em Senna occidentalis Link. (Delachiave&amp; Pinho, 2003) e Senna macranthera (Colladon) Irwinet Barneby (Santarm &amp; quila, 1995; Lemos Filhoet al., 1997; Eschiapati-Ferreira &amp; Perez, 1997).</p><p>Alm da dormncia, a luz e temperaturapodem interferir positiva ou negativamente na</p><p>germinao das sementes. Em geral, estes fatoresno tm ao independente e o efeito da luz fortemente condicionado temperatura, sendo a faixade temperatura dentro da qual as sementes podemgerminar caracterstica de cada espcie (Bewley &amp;Black, 1994).</p><p>Diante do exposto, foram estudados nestetrabalho, o efeito de diferentes tempos de imersoem cido sulfrico, para superao da dormncia e ainfluncia de temperaturas e condies de luz sobreo comportamento fisiolgico das sementes de Sennaalata (L.) Roxb.</p><p>MATERIAL E MTODOSementes de Senna alata (L.) Roxb.</p><p>(Fabaceae) foram coletadas maduras em Botucatu-SP, sendo o trabalho realizado no Laboratrio deGerminao do Departamento de Botnica - IBB,UNESP, Campus de Botucatu.</p><p>Para superar a dormncia do tegumento dassementes gua foi utilizado o mtodo de imersoem cido sulfrico (98% p.a.) por 0, 15, 30 e 60minutos. Em seguida as sementes foram lavadas emgua corrente por 3 minutos e passaram por assepsiacom hipoclorito de sdio a 2% por 10 minutos, sendolavadas em gua destilada pelo mesmo perodo,quando ento foram tratadas com o fungicida Benlate500 (Benomyl) a 0,5% em relao ao peso dassementes.</p><p>Aps cada perodo as sementes foramcolocadas para germinar em gerbox, sobre uma folhade papel germitest umedecido com 15 mL de guadestilada em cmara incubadora - BOD, natemperatura de 25C, com luz fluorescente brancacontnua. O delineamento experimental utilizado foio inteiramente casualizado, com quatro repeties,contendo 50 sementes cada.</p><p>Para verificar o efeito da temperatura e dacondio de luz mais adequada a germinao,utilizaram-se temperaturas de 10 a 45C, comintervalos de 5C, em condio de luz fluorescentebranca ou escuro contnuo (gerbox preto). Utilizou-se o delineamento experimental inteiramentecasualizado, disposto em esquema fatorial 8x2, comquatro repeties, de 50 sementes cada.</p><p>As avaliaes da porcentagem e ndice develocidade de germinao nos dois experimentosforam feitas diariamente, durante 10 dias, sendocalculadas de acordo com Labouriau &amp; Valadares(1976) e Maguire (1962), respectivamente,considerando-se germinadas as sementes queapresentaram 2 mm de protruso de raiz (Rehman etal., 1996), as quais eram retiradas.</p><p>Os dados foram submetidos anlise devarincia e as mdias comparadas pelo teste deTukey a 5% de probabilidade.</p></li><li><p>3</p><p>Rev. Bras. Pl. Med., Botucatu, v.12, n.1, p.1-7, 2010.</p><p>RESULTADO E DISCUSSODe acordo com os dados da Figura 1,</p><p>observou-se que as sementes no escarificadas noapresentaram germinao, enquanto os tratamentosde imerso em cido sulfrico concentrado porperodos de 15, 30 e 60 minutos foram eficientes nasuperao da dormncia das sementes de Sennaalata, pois conseguiram promover a germinao,ocorrendo maiores mdias de porcentagem e ndicede velocidade de germinao (IVG) com o aumentodo tempo de imerso.</p><p>Resultados significativos na superao dadormncia com uso de cido sulfrico na famliaFabaceae foram obtidos em diversas espcies. Nosestudos conduzidos por Cruz et al. (2007), emsementes de Schizolobium amazonicum Huber exDucke com diferentes tempos de imerso, otratamento mais eficiente foi com 60 minutos. Parasementes de Bowdichia virgiloides Kunth. aporcentagem e velocidade de germinao foibeneficiada por perodos de 4, 8 e 12 minutos(Albuquerque et al., 2007). Resultados positivostambm foram encontrados em sementes deErythrina crista-galli L., com imerso por 30 minutos(Silva et al., 2006).</p><p>A escarificao do tegumento durante 60minutos, foi ideal para as sementes de Senna alatapor proporcionar 100% de germinao e maior IVG(50). Quanto porcentagem final de germinao no</p><p>houve diferena significativa entre os tratamentos de30 e 60 minutos de imerso, porm a velocidade estatisticamente reduzida com 30 minutos. O maiorperodo de imerso em cido sulfrico proporcionoumelhor remoo das partculas do tegumento (Figura1) permitiu a embebio e favoreceu a emisso rpidada raiz primria (24 horas).</p><p>Em espcies j estudadas do gnero Senna,o cido sulfrico foi utilizado com eficincia parasuperao da dormncia tegumentar por Dutra et al.(2007) em sementes de S. siamea (Lam.) H.S. Irwin&amp; Barneby com imerso por 15, 30 e 45 minutos, porAwodoyin &amp; Ogunyemi (2003) em S. obtusifolia (L.)H.S. Irwin &amp; Barneby durante 2 a 15 minutos, porDelachiave &amp; Pinho (2003) em sementes S.occidentalis Link. com imerso por 15 ou 20 minutos,por Lemos Filho et al. (1997) e Santarm &amp; quila(1995) em Senna macranthera (Colladon) Irwin &amp;Barneby, respectivamente por 12 e 15 minutos e porTeketay (1996) em sementes de S. bicapsularis (L.)Roxb., S. didymobotrya (Fresen.) H.S. Irwin &amp;Barneby, S. multiglandulosa (Jacq.) H.S. Irwin &amp;Barneby, S. occidentalis Link. e S. septentrionalis(Viv.) H.S. Irwin &amp; Barneby, durante 60 minutos.</p><p>Quando as sementes foram imersas emcido sulfrico em 15 e 30 minutos a germinaoaos 7 dias aps a semeadura foi de 50 e 93%,respectivamente (Figura 1), mas o nmero desementes germinadas at 24 horas foi baixo (2 e 34%,</p><p>AA</p><p>B</p><p>Cd</p><p>a</p><p>b</p><p>c</p><p>0</p><p>20</p><p>40</p><p>60</p><p>80</p><p>100</p><p>0 15 30 60</p><p>Tempos de imerso em cido Sulfrico</p><p>Ger</p><p>min</p><p>ao</p><p> (%)</p><p>0</p><p>10</p><p>20</p><p>30</p><p>40</p><p>50</p><p>60</p><p>ndice de velocidade de germinao</p><p>% Germinao IVG</p><p>FIGURA 1. Valores mdios de porcentagem e ndice de velocidade de germinao (IVG) de sementes Senna alata(L.) Roxb.aps imerso em cido sulfrico.</p><p>o</p><p>d</p></li><li><p>4</p><p>Rev. Bras. Pl. Med., Botucatu, v.12, n.1, p.1-7, 2010.</p><p>respectivamente), comparando com as sementestratadas por 60 minutos. Este comportamento podeser explicado pela permeabilidade e desuniformidadedo tamanho. Essas variabilidades na intensidade dedormncia foram verificadas em sementes de Xanthiumstrumarium L., devido posio da semente no fruto,em Halogeton glomeratus G. Mey., devido cor(Carvalho &amp; Nakagawa, 2000), podendo contribuir paraa distribuio temporal da germinao, com maioresvantagens na perpetuao da espcie na natureza.</p><p>As sementes de Senna alata germinaramentre 15 e 40C, sendo que a 15C a germinao noescuro foi estatisticamente superior quando comparada verificada na luz, na mesma temperatura. A 10 e45C a germinao foi nula (Tabela 1).</p><p>A faixa de temperatura de germinaoencontrada concorda com a descrio de Okusanya</p><p>TABELA 1. Porcentagem de germinao de sementesde Senna alata (L.) Roxb.sob diferentes temperaturas,na condio de luz e escuro.</p><p>Mdias seguidas de mesma letra, maiscula na coluna eminscula na linha, no diferem significativamente entre si peloteste de Tukey, a 5%.</p><p>(1978), em que sementes de espcies tropicais sotolerantes as altas temperaturas, com limite mximoigual ou superior a 35C e susceptveis a baixastemperaturas, com limite mnimo superior a 5C. Osresultados encontrados para temperatura mnimaentre 10 e 15C, tambm foram observados emsementes de Prosopis juliflora (Sw.) DC. (Perez &amp;Moraes, 1990); Dalbergia nigra Allem. (Ferraz-Grande&amp; Takaki, 2001) e Acacia polyphylla DC. (Arajo Netoet al., 2003). Temperatura mxima entre 40 e 45C,tambm foi observada em sementes de Dalbergianigra Allem. (Ferraz-Grande &amp; Takaki, 2001).</p><p>Assumindo que as sementes correspondema um conjunto organizado de clulas cujometabolismo depende essencialmente da atividade</p><p>Temperaturas (C) </p><p>Germinao (%) </p><p> Luz Escuro 10 0,00 Ca 0,00 Ba 15 89,00 Bb 100,00 Aa 20 100,00 Aa 100,00 Aa 25 100,00 Aa 100,00 Aa 30 100,00 Aa 100,00 Aa 35 100,00 Aa 100,00 Aa 40 98,50 Aa 96,50 Aa 45 0,00 Ca 0,00 Ba </p><p>CV (%) = 2,15 </p><p>acoplada de diversas enzimas, seria esperado que,em determinadas temperaturas, a inativao deprotenas ocasionada por temperaturas extremasresultaria em um descompasso metablico quecomprometeria a germinao (Marcos Filho, 2005),isso pode, possivelmente explicar a ausncia degerminao de sementes de Senna alata submetidasa 10 e 45C.</p><p>Segundo Bewley &amp; Black (1994), atemperatura afeta tanto a capacidade de germinaodas sementes quanto o total de sementesgerminadas, existindo limites mnimo e mximo,assim como uma faixa trmica tima, dentro da qualse obtm a maior porcentagem de germinao. Acimae abaixo desta faixa o processo mais lento e aporcentagem pode ser menor.</p><p>Assim, considerando o que afirmaramBewley &amp; Black (1994) e observando os dados daTabela 2, constata-se que a faixa de temperaturaconsiderada tima para sementes de Senna alataencontra-se entre 25 e 35C na luz ou escurocontnuo, onde a velocidade de germinao eporcentagem (Tabela 1) foi mxima at 24 horas doincio do experimento, comportando-se comofotoblsticas neutras.</p><p>Em espcies do gnero Senna, determinou-se a faixa adequada para germinao de 20 a 25Cpara S. bicapsularis (L.) Roxb., S. didymobotr...</p></li></ul>