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  • ESCALA GEOGRFICA E ESCALA CARTOGRFICA: DISTINO NECESSRIA

    Geographical scale and cartographical scale: necessary distinction

    Amrico Jos Marques1Maria de Lourdes Bueno Trindade Galo2

    1Universidade Estadual de MaringDepartamento de Geografia

    Av. Colombo, 5790 Bloco J-12 - Vila Sete87020-900 MARING PR - BRASIL

    ajmarques@uem.br

    2Universidade Estadual Paulista/FCTDepartamento de Cartografia

    Rua Roberto Simonsen, 305 CP 46819060-900 PRESIDENTE PRUDENTE SP - BRASILmlourdes@fct.unesp.br ; lourdes.trindadegalo@gmail.com

    RESUMO

    O propsito do presente artigo esclarecer e trazer tona noes relacionadas distino entre escala geogrfica e a escala cartogrfica. Embora complementares e com estreita integrao, necessrio ter clareza quanto delimitao de uma e de outra. No que diz respeito a estudos da Ecologia da Paisagem, fica bastante clara essa complementaridade e afinidade. Procurou-se transmitir neste trabalho vrias abordagens relacionadas a esta temtica, pois o conceito de escala usado em muitos contextos, denotando frequentemente diferentes aspectos no espao e no tempo. O seu entendimento e uso correto so fundamentais em pesquisas geogrficas, cartogrficas e ambientais, ou em todas aquelas em que se realizem sobre o espao geogrfico no qual ocorrem os fenmenos.

    Palavras chave: Ecologia da Paisagem; Escala geogrfica; Escala cartogrfica.

    ABSTRACT

    The purpose of the present paper is to explain and to bring notions related to the distinction between geographical scale and the cartographical scale. Although they are complement and it narrows integration is necessary to have a clear sense on delimitation about other. What concerns studies of Landscape Ecology its plenty clear this complementarities and proximity. In this work it tried to transmit several related approaches on this theme, because the scale concept is used in many contexts, frequently denoting different aspects in the space and time. The correct understanding and use are fundamental in geographical researches, cartographical and environmental, or in all those that take place on the geographical space where the phenomenon happen.

    Keywords: Landscape Ecology, Geographical Scale; Cartographical Scale.

    1. INTRODUO

    A Ecologia da Paisagem, subcategoria da Ecologia, reala as grandes reas e os

    efeitos ecolgicos do padro dos ecossistemas. Para tanto, necessrio se conhecer escalas adequadas de trabalho para que sejam executados os estudos de maneira eficaz para o

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  • planejamento ambiental.Para os gegrafos e cartgrafos, a

    escala como medio/clculo ou como recortes do territrio um conceito muito importante. No h leitura em um mapa sem determinao da escala, assim como no h anlise de fenmenos sem que seja esclarecida a escala geogrfica adotada.

    Para tanto, o presente artigo tem como objetivo esclarecer conceitos relacionados escala, pois esse assunto de suma importncia para as pesquisas geogrficas.

    2. ECOLOGIA DA PAISAGEM

    A Ecologia geralmente definida como o estudo das interaes entre organismos e seus ambientes (FORMAN, 1995). A Ecologia da Paisagem subcategoria da Ecologia que focaliza as relaes espaciais e as interaes entre padres e processos, tendo sido desenvolvida na Europa pelo gegrafo alemo Carl Troll em 1939, em que existe uma rica tradio no planejamento da paisagem e tomada de decises (TURNER, 1989).

    Na Amrica do Norte, a Ecologia da Paisagem se desenvolveu mais tarde que na Europa, sendo derivada da Ecologia de Ecossistemas e fazendo grande uso de mtodos computacionais e tecnologias, tais como: Sensoriamento Remoto, Sistemas de Informaes Geogrficas e modelos de simulao. Em decorrncia disso, surgiram, recentemente, modelos quantitativos para examinar as interaes entre os padres e processos (MLADENOFF, 2002).

    Forman (1995) divide o desenvolvimento da Ecologia da Paisagem em trs fases:a) a primeira fase se estendeu at 1950, sendo esta a fase da Histria Natural e a do ambiente fsico. Ela se estabeleceu a partir do entendimento da natureza por extensas reas. Seus principais contribuidores foram Herodotus, A. Von Humboldt, C. Darwin, F. E. Clements, A. W. F. Schimper, A. P. de Candolle, G. White, H. D. Thoreau, A. Losch, W. Christaller, entre outros;b) a segunda fase, denominada por Forman de weaving phase (fase da tecelagem), deu-se

    entre aproximadamente 1950 e 1980, quando diversas linhas foram entrelaadas para chegar ao estgio atual em que se encontra a Ecologia da Paisagem, atravs do enriquecimento dos conceitos de Carl Troll por autores de vrias disciplinas;c) a ltima fase se deu aproximadamente a partir de 1980. Esta fase denominada por Forman de land mosaic ou coalescence phase, ou seja, fases dos mosaicos da terra ou da aglutinao de peas de quebra-cabea, emergindo da o conceito geral de paisagem e ecologia regional. neste perodo que surge uma vasta quantidade de trabalhos relacionados s bases conceituais da Ecologia da Paisagem, tais como fragmentao e conservao dos habitats, corredores e conectividade, metodologia quantitativa, heterogeneidade, bordas e restaurao.

    Segundo Turner (1989), a Ecologia da Paisagem enfatiza as grandes reas e os efeitos ecolgicos do padro dos ecossistemas, considerando o desenvolvimento e dinmica da diversidade espacial, interaes e mudanas atravs de paisagens heterogneas, alm das influncias da heterogeneidade espacial sobre os processos biticos e abiticos, e manejo da diferena espacial. Fica claro neste caso a necessidade de se abordar os devidos fenmenos dentro de uma determinada escala geogrfica cuja representao exige uma escala matemtica adequada.

    A seguir so apresentados conceitos de fundamental importncia para o entendimento dos aspectos relacionados com a Ecologia da Paisagem, sendo muitos deles j consagrados na Cartografia, mesmo que com outra terminologia.

    3 CONSIDERAOES SOBRE A ESCALA

    Para os gegrafos e cartgrafos, a escala como medio/clculo ou como recortes do territrio um conceito muito importante. No h leitura em um mapa sem determinao da escala, assim como no h anlise de fenmenos sem que seja esclarecida a escala geogrfica adotada.

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  • Segundo Turner (1989), a palavra escala usada em muitos contextos, denotando frequentemente diferentes aspectos no espao e no tempo. O entendimento e uso correto da escala so fundamentais em pesquisas geogrficas, cartogrficas e ambientais, ou em todas aquelas que se realizem sobre o espao geogrfico no qual ocorrem os fenmenos (MENEZES E COELHO NETO, 2002). Embora seja um tema de relevncia para gegrafos, cartgrafos e todos que leem o espao em suas representaes, Menezes e Coelho Neto (2002) afirmam que h muitas controvrsias. A experincia como docente tem mostrado equvocos no trabalho com escalas tanto geogrfica quanto cartogrfica.

    3.1 Escala Geogrfica e Escala Temporal

    Devido inexistncia de clareza e falta de consenso sobre o que seria o conceito de escala geogrfica, ou ainda, um conceito de escala til, que permitisse a anlise geogrfica dos fenmenos, esta se confunde com a escala cartogrfica1 (CASTRO, 1996). Segundo a autora, a escala geogrfica a escolha de uma forma de dividir o espao, definindo uma realidade percebida/concebida, uma forma de dar-lhe uma figurao, uma representao, um ponto de vista que modifica a percepo da natureza deste espao e, finalmente, um conjunto de representaes coerentes e lgicas que substituem o espao observado. A autora enfatiza ainda a inverso do conceito de escala frao (escala cartogrfica) e a escala geogrfica, argumentando que seria no mnimo estranho dizer que a evoluo de uma vooroca um fenmeno de grande escala, enquanto que a deriva continental um fenmeno de pequena escala, colocando em voga o entendimento disto ao cartgrafo, que pensaria nas escalas adequadas para a representao no mapa.

    Para deixar mais clara esta questo referente s escalas cartogrfica e geogrfica, necessrio considerar a rea de ocorrncia de determinado fenmeno. Se este fenmeno

    1 a razo entre as dimenses grficas (mapa) e dimenses naturais (objeto real) (DUARTE, 1989).

    abranger uma grande rea, como o caso da aridez do Nordeste que atinge aproximadamente 1.000.000 km2 (escala geogrfica), seria necessrio um mapa com uma escala de aproximadamente 1:2.500.000 (escala cartogrfica), que uma escala pequena2. Em contrapartida, se um fenmeno abarcar uma rea pequena, como o caso de um deslizamento de terras, sua rea de abrangncia pode chegar aproximadamente a 4.000 m2 e deve ser representado em um mapa com escala de aproximadamente 1:1.000.

    Atravs desta analogia, mostrada na Figura 1, pode-se verificar que a relao das escalas cartogrfica e geogrfica inversamente proporcional, ou seja, quanto maior for a rea compreendida por um fenmeno, menor dever ser a escala cartogrfica adequada para a sua representao e quanto menor for a rea de ocorrncia de um fenmeno, maior dever ser a escala cartogrfica necessria para a sua representao. Como o mapa uma representao reduzida da superfcie terrestre, a figura auxilia a compreender a questo da escala cartogrfica com a quantidade de informao representada no mapa bem como sua simbolizao. Em outras palavras, quanto maior for a escala cartogrfica, mais informaes o mapa apresenta e a sua simboli