EPISTEMOLGICA E METODOLGICA FRENTE AO CURSO ? desenvolvimento final, que tem como objetivo averiguar

Download EPISTEMOLGICA E METODOLGICA FRENTE AO CURSO ? desenvolvimento final, que tem como objetivo averiguar

Post on 09-Nov-2018

212 views

Category:

Documents

0 download

TRANSCRIPT

FORMAO DO EDUCADOR AMBIENTAL NA UNIVERSIDADE: UMA REFLEXO EPISTEMOLGICA E METODOLGICA FRENTE AO CURSO DE ESPECIALIZAO EM EDUCAO, MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO- UFPR. MORALES, Anglica Gis Morales - angelicagoismorales@ig.com.br KNECHTEL, Maria do Rosrio Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento-UFPR - rgo financiador: CAPES RESUMO A Educao Ambiental vem ao encontro de um paradigma emergente, nas instncias da interdisciplinaridade e da complexidade ambiental, que busca formar sujeitos polticos, capazes de agir criticamente na sociedade e fazer a interveno, baseado nas vias de emancipao e transformao social. Desta forma, a Universidade tem o desafio de incorporar a complexidade ambiental no ensino superior e de fomentar conhecimentos, habilidades e valores para colaborar na compreenso e soluo dos problemas scio-ambientais da sociedade, baseado em uma nova racionalidade (LEFF, 2001). Este presente trabalho tem o propsito de tecer reflexes sobre a formao de profissionais educadores ambientais em uma perspectiva scio-ambiental, a partir de um pensar complexo e interdisciplinar. Tais reflexes so partes de uma pesquisa de doutorado que est em desenvolvimento final, que tem como objetivo averiguar a contribuio no processo de reflexo na formao do Educador Ambiental, tomando como objeto de estudo o Curso de Especializao em Educao, Meio Ambiente e Desenvolvimento da UFPR, no municpio de Curitiba. Entendemos que a educao ambiental deva ser entendida como um processo formativo scio-ambiental, enquanto prtica educativa marcada por conflitantes interesses ticos, polticos, econmicos, sociais e culturais, que demanda um constante processo de reflexo epistemolgica acerca de sua prxis. Para tanto, esta pesquisa qualitativa e exploratria, delimitou 12 profissionais educadores ambientais formados no referido curso de especializao entre o perodo de 2003 a 2005, sendo adotados como procedimentos tcnico-metodolgicos a pesquisa bibliogrfica e documental e entrevistas semi-estruturadas. Diante das anlises dos documentos do curso, como projeto poltico pedaggico, que inclui os princpios filosficos, as ementas e os contedos trabalhados no ensino e na pesquisa, percebemos a relevncia dada a necessidade de identificao e estudos dos problemas scio-ambientais nas aes, que tm como referncia a relao ser humano, natureza, sociedade e educao, a lgica interdisciplinar e a atitude reflexiva que vem permeando este curso. A partir de uma anlise ainda preliminar das entrevistas realizadas com os alunos egressos (profissionais educadores ambientais), podemos constatar, a partir de narrativas biogrficas, que os mesmos apresentam ligaes estreitas com a questo scio-ambiental conseqentes de uma formao profissional e pessoal, facilitando essa aproximao com o embate ambiental. Diante dessa prtica, este artigo destaca alguns princpios de formao, que conformam significados, valores e saberes indispensveis formao de educadores ambientais. Nesse caminhar, preciso articular os diferentes olhares da realidade, no sentido da reconstruo de um novo conhecimento acerca do real, em que se faz emergente uma ao-reflexo-ao. 1 INTRODUO A sociedade vem buscando intensamente novos caminhos para olhar o mundo com uma nova lente, estudando alternativas de soluo e rastros deixados para trs de uma degradao scio-ambiental marcada por valores e paradigmas frgeis, provenientes de uma racionalidade hegemnica, que vem orientando a relao ser humano e natureza ao longo da nossa histria. Frente a esta crise paradigmtica, uma crise de fundamentos tericos que validam a lgica social hegemnica, se faz emergente o repensar da racionalidade capitalista e a construo de uma nova racionalidade que busque compreender e responder aos problemas scio-ambientais. nessa construo e compreenso que a educao ambiental irrompe, como mediadora e resposta problemtica ambiental, dentro das perspectivas de uma mudana scio-ambiental e da complexidade ambiental. Dessa forma, a complexidade ambiental abre uma nova compreenso do mundo, incorporando o limite do conhecimento e da incompletude do ser (LEFF, 2002, p.195). Essa nova compreenso deve acompanhar uma reorganizao do saber, articulado e inseparvel de um esforo fundamental de reflexo. Como Morin identifica, todo conhecimento hoje diante do desafio da complexidade do real necessita reflexo sobre si mesmo, reconhecer-se, situar-se, problematizar-se (idem, 1999, p.34). Nesse contexto, a Educao Ambiental vem ao encontro de um paradigma emergente, nas instncias da reflexo, da interdisciplinaridade e da complexidade ambiental, que busca formar educadores, sujeitos polticos, capazes de refletir e agir criticamente na sociedade e fazer a interveno, baseado nas vias de emancipao, interdisciplinaridade e transformao social. Em face dessas exigncias, a formao de profissionais de Educao Ambiental1 comea a ganhar espao nas discusses frente s necessidades de recursos humanos para o enfrentamento dos problemas ambientais. A necessidade de formar profissionais na rea ambiental que, por sua atividade, incidam de algum modo na qualidade do meio ambiente fundamental, e dessa forma concordo com Santos e Sato (2001) quando dizem que a formao de diversos profissionais um "fator-chave" para vencer a crise planetria, portanto tambm em educao ambiental. Porm, diante dessa complexidade, como vem sendo pensada a formao em EA? Em tal contexto, nos propomos a repensar a formao dos profissionais em uma perspectiva scio-ambiental a partir de um a reflexo sobre os pressupostos tericos e metodolgicos que podem contribuir formao interdisciplinar em EA. Nessa direo, buscamos por meio de um estudo, analisar os princpios filosficos, 1 Esta terminologia, incorporada neste trabalho, refere-se a todos os profissionais, procedentes de diversas reas e que passaram por cursos de formao em educao ambiental, como os cursos de ps graduao lato-sensu; privilegiando suas filiaes em campos diversos que buscam uma ao scio-ambiental educativa. Isabel Carvalho, em uma de suas publicaes, tambm utiliza a terminologia profissional da educao ambiental para os educadores ambientais (CARVALHO, 2001). as ementas e os contedos trabalhados no ensino e na pesquisa do Curso de Especializao em Educao, Meio Ambiente e Desenvolvimento da Universidade Federal do Paran, no municpio de Curitiba no qual vem contribuir na discusso dos pressupostos tericos da formao scio-ambiental. Esse trabalho traz reflexes iniciais, parte do desenvolvimento da tese de doutorado, que esto em constante (re)construo, fruto de um exerccio de uma prtica em prxis no percurso das pesquisadoras. Embora, reconhecemos nossas limitaes diante das reflexes iniciais e resultados parciais, acreditamos que necessrio um movimento dialgico, reflexivo, dinmico e constante entre pensamentos, aes, sonhos e emoes. 2 FORMAO EM EDUCAO AMBIENTAL A Educao Ambiental, em sua trajetria, marcada pela busca da inter-relao entre a tica, a poltica, a economia, a cincia, a tecnologia, a cultura, e mais precisamente, pela relao ser humano e natureza. Neste trilhar, a Educao Ambiental busca uma reflexo permanentemente sobre a complexidade do pensar e do agir humano no espao scio-ambiental. Nesta relao entre ao-reflexo-ao, no qual no podem ser vistas como partes estanques, separadas de um crculo reflexivo de produo, de transformaes, como cita Freire (1996) uma atividade transformadora, no qual os seres humanos criam, recriam e intervem na realidade. Dessa forma, somos os nicos seres que, social e historicamente, nos tornamos capazes de aprender. Por isso, somos os nicos em que aprender uma aventura criadora. (...) Aprender para ns construir, reconstruir, constatar para mudar, o que no se faz sem abertura de risco e aventura do esprito (FREIRE, 1996, p. 69) nessa perspectiva de que todos so aprendizes e mestres, que a Educao Ambiental, como uma cincia permanente, contnua e em construo, se apia. Uma educao que deve preparar novas geraes, com novas atitudes e mentalidades, capazes de compreender as complexas inter-relaes entre os processos objetivos e subjetivos do mundo concreto, e capazes de construir uma nova racionalidade como substrato das relaes humanas. Referimo-nos, portanto, a uma Educao Ambiental que, orientada por novos pressupostos scio-ambientais e terico-metodolgicos, viabilize a superao da racionalidade instrumental e economicista e a construo de uma nova interao criadora que redefina o tipo de sujeito que queremos formar e os cenrios futuros que desejamos construir para a humanidade, em funo do desenvolvimento de uma nova racionalidade ambiental (LEFF, 2002). Para tanto, a Educao Ambiental deve construir novas formas de pensar e agir medida que se compreenda a complexidade ambiental da sociedade atual a qual, por ser construo histrica do ser humano, deve ser repensada enquanto provisria e inacabada. Enquanto sujeitos histricos, a educao vem se configurando como um desafio humanizador e historicizador da prpria existncia humana frente a um momento em que buscamos formar para autonomia e para exerccio democrtico da cidadania. Assim, torna-se evidente, que o aprofundamento de processos educativos ambientais apresenta-se como uma condio para construir uma nova racionalidade e complexidade ambiental que possibilite modalidades de relaes entre a sociedade e a natureza, entre o conhecimento cientfico e as intervenes tcnicas no mundo, nas relaes entre os grupos sociais diversos e entre os diferentes pases em um novo modelo tico, centrado no respeito e no direito vida em todos os aspectos. Deste modo, faz-se necessria, conforme Morin (1980), uma outra abordagem para que seja possvel enxergar a complexidade da questo ambiental. Uma abordagem que leve em conta o sujeito na construo do objeto, uma vez que, nos marcos do pensamento ocidental sujeito e objeto, natureza e sociedade so termos que se excluem. Nesse sentido, o trabalho do educador ambiental deve ser histrico, humanizador, poltico, e cognosctivel no sentido do desenvolvimento de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores que possibilitem um processo permanente de construo de saberes e de fazeres a partir das necessidades e dos desafios que a prtica social nos coloca cotidianamente. Sob este olhar, a formao ambiental torna-se essencial na construo desse apreender uma nova racionalidade e complexidade ambiental, bem como no fomentar um dilogo interdisciplinar entre os vrios saberes, as culturas e as subjetividades enquanto dimenses historicamente construdas na interseo natureza e sociedade. No que tange a formao em educao ambiental, a valorizao dos diversos saberes que se desdobram do senso prtico do ser humano no seu cotidiano perpassa por reinventar os saberes pedaggicos a partir de prticas sociais materializadas em contextos diferentes e partir de saberes diversos. Aqui, referimo-nos aos ciclos de aprendizagem interdisciplinares e aos currculos onde a articulao teoria-prtica condio indispensvel ao processo educativo. Por outro lado, considerar a prtica social como ponto de partida e de chegada possibilita uma resignificao dos saberes que norteiam a formao de educadores e de educandos em um processo de educao para e com o ambiente. Dessa feita, h que se dizer que o educador ambiental no pode constituir seu saber fazer seno a partir do seu prprio fazer. A especificidade da formao pedaggica continuada para a educao ambiental no refletir sobre o que se vai fazer, nem sobre o que se deve fazer, mas sobre o que se faz enquanto prxis humana, enquanto que fazer humano concreto (MORALES e REIS, 2005). Portanto, refletir na ao e sobre a ao, apresenta-se como alternativa metodolgica para a construo da prxis pedaggica em educao ambiental. Isso porque a atitude reflexiva na formao de educadores, no representa apenas uma forma de pensar o fazer humano em educao, mas compreende um projeto emancipatrio de existncia que pressupe o ser humano se fazendo e se pensado historicamente. Essa formao implica em reforar a capacidade crtica, como ponto de partida da curiosidade epistmica dos educandos, que partindo de processos ingnuos (senso comum) ascende a processos mais rigorosos (bom senso); e em valorizar a articulao interdisciplinar dos saberes terico-prticos, numa perspectiva dialtica entre o pensar e o agir, entre a teoria e a prtica. Diante dessas implicaes, pontuamos alguns princpios essenciais na formao do educador ambiental, compartilhados por Gonzalez-Gaudiano (1997) e Knechtel (2003), como o principio da formao terica-epistemolgica. Tal formao envolve a sustentao e a consistncia de estudos e pesquisas, sobres questes concernentes Educao Ambiental, que capacitem os educadores para o entendimento interdisciplinar dos problemas scio-ambientais. Tais princpios, alm de articulados entre si, esto intrinsecamente ligados a uma perspectiva da formao crtico-social do educador que constitui a capacidade de problematizao das questes ambientais, em seus contextos globais e regionais, a partir de uma perspectiva scio-cultural e poltico-econmica. Outro princpio a formao ecolgico-ambiental, que deve viabilizar a contextualizao dos fenmenos e das dinmicas do meio ecolgico e natural. O desenvolvimento dessas competncias implica, por fim, em uma formao axiolgica-tica-pedaggica e interdisciplinar do educador como base valorativa norteadora da interveno pedaggica. Vale evidenciarmos que no entendemos esses princpios, formadores de novas competncias e saberes, como estanques e dissociados. Trata-se de princpios que s conformam significados, se entendidos na interseo que os implica, que os faz um conjunto dialtico de valores e saberes indispensveis formao de profissionais educadores ambientais. Formar profissionais abertos reflexo ao questionamento e ao desprendimento dos conhecimentos disciplinares uma atitude que no se dissocia de uma postura tica e politicamente comprometida com a educao de sujeitos crticos e autogestionrios e com a transformao da realidade desigual que a est. Por isso, pensar a formao em educao ambiental pressupe situa-la no mbito da discusso sobre o saber ambiental e, mais concretamente, no contexto scio-ambiental. Em face desses pressupostos tericos, a formao em Educao Ambiental comea a ganhar espao nas discusses frente s necessidades de recursos humanos para o enfrentamento dos problemas scio-ambientais, e conseqentemente, muitos cursos vm sendo pensados e implantados nos espaos institucionais formais de ensino. Dentre eles, a Universidade vem exercendo um papel essencial nessa reconfigurao de mundo, bem como na formao de sujeitos que atuam ou pretendem atuar em educao ambiental. 3 UNIVERSIDADE E EDUCAO AMBIENTAL A Universidade, como instituio de investigao e centro de educao tcnica e superior, tem um papel essencial na reconfigurao de mundo e, portanto, deve assumir a responsabilidade maior no processo de produo e incorporao da dimenso ambiental nos sistemas de educao e formao profissional, bem como propiciar aos profissionais educadores ambientais fundamentos terico-prticos indispensveis para compreender, analisar, refletir e reorientar seu fazer profissional numa perspectiva ambiental. A universidade moderna, enquanto parte do paradigma da modernidade, encontra-se em constante crise, sustentada mediante as racionalidades da modernidade, que cartesiana, instrumental e reducionista (SANTOS, 1997). A esta crise de paradigmas, encontra-se a crise ambiental associada a uma crise de conhecimento. Esta, por sua vez, problematiza a cincia moderna que no est mais dando conta de compreender a complexidade do real e dos fenmenos scio-ambientais complexos, levando a universidade a retratar forte tenso entre as incertezas e os conflitos gerados por estes questionamentos e a buscar a superao do paradigma mecanicista dominante na cincia moderna, no qual traz a necessidade de refletir a relao e articulao entre os sistemas de pensamento e os desafios sociais. A crise do conhecimento cientfico facilita e exige um novo papel da universidade, o qual convocada a construir uma nova racionalidade que induza a uma transformao de paradigmas cientficos tradicionais e que esta, promova novos conhecimentos e a integrao de diferentes saberes, com a participao da sociedade. Para tal exigncia, necessita-se de problematizar a prpria organizao do pensamento e da instituio universitria da necessidade de sua constante modificao. Neste contexto, a formao ambiental vem convocando a Universidade para uma (re)organizao e dilogo de saberes, tendo que se aproximar dos problemas scio-ambientais da sociedade. Como Riojas (2003, p.222) sustenta, o debate sobre o apreender a apreender a complexidade ambiental no espao universitrio sucede em analisar o paradigma subjacente forma em que se propem os temas de pesquisa e aos programas de docncia e de servio que so oferecidos . Nesta conjuntura, o ensino superior, considerado um espao de luta, de criao, de resistncia, de encontros e desencontros, necessita lanar-se aos desafios da complexidade ambiental, na busca e no aprimoramento da incorporao da dimenso ambiental. Para tal, necessita-se de um arranjo interdisciplinar das atividades de ensino nas universidades, o que de certa maneira, exige a superao da estrutura departamental obsoleta, estabelecida por polticas educacionais autoritrias j historicamente superadas (TOZONI-REIS e PIRES, 1999), para que possam em vias de acesso prtico, promover a interdisciplinaridade e buscar um compromisso sustentvel. Diante deste cenrio, acreditamos que os cursos de ps-graduao, como centros de formao acadmica, apresentam um papel indispensvel formao de educadores ambientais no processo de aprender a aprender a complexidade ambiental dentro de uma perspectiva interdisciplinar. Portanto, esses programas de formao necessitam construir novos paradigmas que privilegiem o ato de pensar, refletir e produzir conhecimento num contexto coletivo, por meio dos processos interativos, de modo que o atuar no mundo se configure em prxis; em ao-reflexo-ao. Assim, emerge o desafio aos programas de ps-graduao, de fomentar o estabelecimento de um programa institucional de pesquisa interdisciplinar em meio ambiente que funcione como espao central e aglutinador de atividades e incorporao da complexidade ambiental na universidade (RIOJAS, 2003, p.237). Nesta perspectiva, a pesquisa interdisciplinar em espaos acadmicos, pode ser convertida em espaos de crtica, de reflexo e de ao, contribuindo na formao dos profissionais em educao ambiental, diante de um carter emancipador. A ps-graduao como um espao de maior abertura na incorporao interdisciplinar da dimenso ambiental, parece ser mais conveniente ao pensar na oferta de um programa ambiental especfico. Corroborando com Riojas (2003, p.236), h algumas razes que faz da ps-graduao uma alternativa para trabalhar com a questo ambiental com base na complexidade e interdisciplinaridade, como: os sujeitos que tm acesso a estes programas de ps-graduao alm de conhecerem um campo de saber, possuem uma experincia de trabalho que lhe permite ter vivncia direcionada a alguns problemas ambientais, o que possibilitar um possvel enfoque interdisciplinar, e tambm podem estar mais conscientes da necessidade de uma viso mais complexa sobre os problemas e mais abertos mudanas e inovaes. No Brasil, as experincias relacionadas formao de especialistas em educao ambiental, se do principalmente por meio de programas de ps-graduao lato-sensu e stricto-sensu em educao ambiental propriamente dita, e/ou por meio de uma temtica afim e/ou ainda por uma rea de concentrao que esteja vinculada a Educao Ambiental. Como Carvalho (2001, p.165) afirma, esse reconhecimento passa pela conjugao da aquisio de um saber, da titulao formal e da rede de relaes que geralmente se constri nessas esferas . Como observamos, a temtica ambiental na educao superior tem encontrado a ps-graduao como uma via de acesso, sendo crescente a oferta de cursos2 que vem se consolidando na formao e na qualificao de profissionais educadores ambientais. No obstante, a incorporao da educao ambiental em programas de cursos de ps-graduao vem ganhando legitimidade, embora lentamente, mas que aos poucos vem buscando introduzir novas percepes, atitudes e fundamentos terico-metodolgicos, direcionados a uma articulao de saberes diversos orientados para uma possvel racionalidade ambiental. 3.1 Especializao em Educao, Meio Ambiente e Desenvolvimento: uma anlise reflexiva do arranjo estrutural do curso da UFPR. A necessidade de formar profissionais que superem o quadro conceitual de sua rea disciplinar de conhecimento e que problematizem de maneira mais complexa as questes de meio ambiente e desenvolvimento, dentro de uma perceptiva interdisciplinar, abre um dilogo de saberes nos processos de ensino-aprendizagem, tendo o ensino superior, a tarefa desafiadora de incorporar a totalidade e a complexidade no trabalho universitrio e de fomentar conhecimentos, habilidades e valores para colaborar na compreenso de possveis solues dos problemas scio-ambientais da sociedade. Dessa forma, pensar a formao em educao ambiental, pressupes pensar de que forma esto sendo estruturados os cursos de formao, como os cursos de ps-graduao lato-sensu que vem se multiplicando e que est influenciando as mais variadas reas de atuao dos profissionais. Assim, foi delimitado o curso de ps-graduao lato-sensu em Educao, Meio Ambiente e Desenvolvimento, no qual encontra-se vinculado ao Doutorado de Meio Ambiente e Desenvolvimento (MADE) da Universidade Federal do Paran (UFPR, Paran) com aproximadamente cinco anos de implantao e uma atuao forte e reconhecida 2 Em 2001, Carvalho identificou 45 cursos (desde ps-graduao aos cursos de extenso) de formao de especialistas em Meio Ambiente e Educao Ambiental no cenrio brasileiro. Contudo, como a oferta de cursos s vem aumentando, fica muito difcil de quantifica-los com preciso, mas de acordo com um levantamento prvio e agregando os dados da RUPEA , pode-se estimar que h em torno de 70 cursos que vem sendo direcionado a formao ambiental de profissionais na rea da ps-graduao. academicamente na comunidade local, no Municpio, no Estado, no Pas e tambm pelo Ministrio de Educao e Cultura (MEC). Esse curso tem como objetivo, qualificar profissionais de diversas reas de conhecimento, considerando a necessidade de salientar os problemas scio-ambientais nas aes que tem como referncia a relao ser humano-natureza; sociedade-educao, posicionando a EA e o desenvolvimento como espao de reflexo epistemolgica com enfoque e prticas interdisciplinares (UFPR, 2001). Enfatizam ainda, como os professores do curso Floriani e Knechtel (2003, p.99) que um profissional de educao ambiental, crtico e reflexivo, ter que incorporar em seus conhecimentos, as questes ambientais e a prtica interdisciplinar , induzindo a uma transformao dos conhecimentos e dos contedos educacionais, na perspectiva de construir um saber ambiental. Entendemos ento, que o saber ambiental pode ser visto na educao ambiental como uma nova perspectiva de anlise das relaes entre produo e conhecimento e este saber cclico e est em constante construo. Para Leff (2001), o saber ambiental busca novas apreenses tericas e novas formas prticas de apropriao do mundo, fomentando a realizao de suas potencialidades para transformar as relaes natureza e sociedade. nesta perspectiva de aprender esse saber ambiental, que a Educao Ambiental, como uma cincia permanente, contnua e em construo, se apia. Uma educao que deva buscar novas atitudes e mentalidades, capazes de compreender as complexas inter-relaes entre os processos objetivos e subjetivos do mundo concreto, e capaz de construir uma racionalidade ambiental como substrato das relaes humanas, por meio da reflexividade e da interdisciplinaridade. Sendo assim, se fez necessrio uma pesquisa qualitativa, utilizando-se da tcnica de entrevistas (12 alunos egressos do curso e tambm os professores do curso), os quais esto em anlise inicial neste momento, no sendo o nosso foco neste artigo. Contudo, com o objetivo de buscar compreender e analisar o curso em si, o foco central da investigao apoiou-se na pesquisa bibliogrfica, na anlise documental e na legislao especfica do referido curso de especializao. Como parte das anlises realizadas, vale considerar que esse curso apresenta uma lgica interdisciplinar porque na ao docente e de pesquisa do curso, h participao de professores e pesquisadores do Programa Interdisciplinar do Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento, o que contribui e muito para que acontea a abordagem scio-ambiental de modo interdisciplinar, trazendo reflexes, idias e a prpria produo de conhecimento. Esta envolve os domnios do campo natural, social, histrico e pedaggico, num dilogo constante de saberes que permite a EA, exercitar uma prtica interdisciplinar, perpassando por essas vrias reas do saber. Frente a estas implicaes, as reflexes iniciadas na Universidade Federal do Paran diante da criao do curso de Especializao como conseqncia da dinmica interativa do prprio curso de doutorado em torno da necessidade de novos conceitos e do desenvolvimento de novas abordagens interdisciplinares que superem as abordagens disciplinares limitadas pesquisa linear, ressaltamos alguns princpios tericos e necessidades que configuraram os contornos da perspectiva interdisciplinar do curso, como: - a noo de meio ambiente multicntrica3 e constitui parte integrante dos processos de desenvolvimento, devendo ser tratada de forma articulada e complexa por estar em constante movimento face s escalas de tempo e espao que promove diferentes organizaes4; - a interdisciplinaridade no significa desprezar ou acabar com as disciplinas, que constituem a fundamentao da nossa capacidade de conhecer o mundo; porm, h a necessidade do enfoque interdisciplinar em responder as necessidades especficas, como as prprias questes de meio ambiente e desenvolvimento, que fornecem um espao privilegiado para a construo de uma pesquisa interdisciplinar; - a necessidade de produzir novos perfis profissionais que dotados de uma bagagem terico-metodolgica possam ser capazes de uma abordagem global dos problemas ambientais e de desenvolvimento e de uma reflexo epistemolgica da relao sociedade e natureza; - a resoluo dos problemas referentes ao meio ambiente e desenvolvimento deve estar apoiada na realidade local e regional, sendo considerada as dimenses culturais, sociais, econmicas, polticas e naturais. Desta forma, necessrio que o desenvolvimento sustentvel tenha como centro epistemolgico, a tentativa de integrar as dinmicas dos sistemas naturais com os sistemas sociais (ZANONI et al. 2002; ZANONI, RAYNAUT e LANA, 2000; ZANONI e RAYNAUT, 1994). Assim, partes da anlise realizadas na estrutura do curso, at o presente momento, percebeu-se a relevncia dada a necessidade de identificao e estudos dos problemas scio-ambientais nas aes, que tm como referncia a relao ser humano, natureza, sociedade e educao, bem como uma abordagem terica-metodolgica muito presente nessa formao. 3 Segundo Zanoni (1994), isto significa que a noo de meio ambiente muda de contedo de acordo com o objeto central por meio do qual ela pensada. 4 Aqui reafirmamos que para descrever e analisar essa realidade complexa implica a interveno de vrias disciplinas, atuando em vrios nveis de apreenso e utilizando diversos instrumentos tericos e conceituais (ZANONI et al., 2002,p.13). Parte dos estudos monogrficos realmente apresentam temticas direcionadas ao contexto local e regional e princpios e valores que salientam a relao ser humano-natureza na construo dos referenciais tericos apoiados na epistemologia da EA. O curso busca enfocar a Educao Ambiental considerando suas diferenas contextuais, no intuito de elaborar projetos em EA a partir da realidade e formulados com base em referencial cientifico atual e consistente. A este propsito, o curso distribudo em 12 mdulos, sendo subdividido em dois ncleos. O primeiro que agrega as disciplinas especficas, em que o conhecimento a ser trabalhado est situado na relao sociedade-natureza, sendo apresentados e discutidos os modelos de desenvolvimento e suas conseqncias; a dimenso espacial dos problemas ambientais, os processos ecolgicos e os nveis de organizao da vida; e o processo interdisciplinar. E o segundo ncleo com as disciplinas didtico-pedaggicas, em que a relao teoria e prtica est presente em todos os assuntos a serem abordados, apoiados s metodologias e prticas interdisciplinares e dinmicas interativas para a construo coletiva do conhecimento. De acordo com a anlise documental, as disciplinas apresentam cruzamentos entre si, sendo o fundamento interdisciplinar uma das preocupaes e exigncias do curso, como ressaltada nas ementas de cada disciplina, nas quais buscam um espao de reflexo epistemolgica com enfoque e prticas interdisciplinares (UFPR, 2001). Porm, ressaltamos que esta anlise ser complementada com a anlise futura das entrevistas5 de alunos egressos do curso, na qual poder ser complementar ou no essa articulao entre as disciplinas. E nesse exerccio que o curso vai desafiando a (re)construo de conhecimentos e novas prticas educativas scioambientais frente a um processo reflexivo, dialgico, mas principalmente interdisciplinar. 4 CONCLUSES INICIAIS Percebemos, que cada vez mais, a dimenso ambiental est adentrando e envolvendo um conjunto variado de atores do universo educativo, que busca uma qualificao no processo de formao desses profissionais, numa perspectiva interdisciplinar. Assim, o profissional educador ambiental, est sendo chamado a trabalhar com os diferentes sentidos do ambiental em nossa sociedade, sendo coordenador de aes, pesquisas e reflexes e mediador de relaes scio-educativas como enuncia Carvalho 5 As entrevistas esto sendo realizadas neste momento. (2004). Formar educadores ambientais abertos reflexo, ao questionamento e ao desprendimento dos conhecimentos disciplinares uma atitude que no se dissocia de uma postura tica e politicamente comprometida com a educao de sujeitos crticos e autogestionrios e com a transformao da realidade desigual que a est. Por isso, pensar a formao de educadores ambientais pressupe situ-la no mbito da discusso sobre o saber ambiental e, mais concretamente, no contexto scio-ambiental e complexo. A Universidade torna-se um espao importantssimo nessa articulao de saberes que orienta a produo de conhecimento, a inovao tecnolgica, bem como a formao de profissionais. Como Riojas (2003, p.222) sustenta, o debate sobre o apreender a apreender a complexidade ambiental no espao universitrio sucede em analisar o paradigma subjacente forma em que se propem os temas de pesquisa e aos programas de docncia e de servio que so oferecidos . Diante esse cenrio, a ps-graduao como um centro de cincia, considera a responsabilidade social e acadmica como caminhos relevantes na construo de um conhecimento que contemple a complexidade do real e a dimenso ambiental, ampliando a viso de mundo do profissional especialista. Assim, torna-se emergente que os programas de ps-graduao, devam fomentar o estabelecimento de um programa institucional de pesquisa interdisciplinar em meio ambiente que funcione como espao central e aglutinador de atividades e incorporao da complexidade ambiental na universidade, como prope Riojas (2003, p.237), como o caso do curso de especializao em questo, no qual apresenta em seu arranjo estrutural a interdisciplinaridade, como sua espinha dorsal. A esta apreciao, a educao ambiental em cursos de formao, se faz emergente pensar, refletir e produzir conhecimento num contexto coletivo, por meio de um processo dinmico e interativo; e tem o desafio de se expressar de forma tal, que fundamente seu fazer educativo em bases epistemolgicas juntamente com sua ao-reflexo-ao. 4 REFERNCIAS CARVALHO, Isabel. Moura. A Inveno ecolgica: narrativas e trajetrias da Educao Ambiental no Brasil. Porto Alegre: UFRGS, 2001. FLORIANI, Dimas; KNECHTEL, Maria do Rosrio. Educao ambiental: epistemologia e metodologias. Curitiba: Vicentina, 2003. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessrios pratica educativa.So Paulo: Paz e Terra, 1996. GONZALES-GAUDIANO, Edgar. Centro y periferia de la educacin ambiental: un enfoque antiesencialista. Mxico: Mundi Prensa, 1997. KNECHTEL, Maria do Rosrio. Das dinmicas interativas em Educao Ambiental formao de educadores ambientais. Curitiba, 2003. Apostila. LAYRARGUES, Philippe Pomier. Muito prazer, sou a Educao Ambiental, seu novo objeto de estudos sociolgicos. Artigo produzido para I Reunio da ANPPAS, 6 a 9 nov. 2002. LEFF, Enrique. Epistemologia Ambiental. So Paulo: Cortez, 2002. ______. Saber Ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. Rio de Janeiro: Vozes, 2001. MORALES, Anglica Gis, REIS, Ana Tereza. Reconstruindo uma reflexo epistemolgica sobre a formao de educadores ambientais. In: III Encontro de Pesquisa de Educao Ambiental. Anais... Ribeiro Preto, 2005. MORIN, Edgar. O mtodo III: o conhecimento do conhecimento. Porto Alegre: sulinas, 1999. ______. O mtodo II: a vida da vida. 2.ed. Portugal: Publicaes Europa- Amrica, 1980 RIOJAS, J. A complexidade ambiental na universidade. In: LEFF, E. et al.. A complexidade ambiental. So Paulo: Cortez, 2003. SANTOS, B. S. Pela mo de Alice: social e o poltico na ps-modernidade. So Paulo: Cortez, 1997. SATO, Michele; SANTOS, Jos Eduardo A contribuio da educao ambiental esperana de Pandora. So Carlos: Rima, 2001. TOZONI- REIS, PIRES, M. F. C.; Globalizacin, neoliberalismo y universidad: algunas consideraciones. Interface: Comunicao, Sade, Educao, v.3, n.4, 1999. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARAN. Projeto poltico pedaggico do Curso de Especializao em Educao, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Programa Interdisciplinar do Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento, Curitiba, 2001. ZANONI, Magda. Meio Ambiente e Desenvolvimento: imperativos para a pesquisa e a formao: reflexes em torno do Doutorado da UFPR. In: ZANONI, Magda; RAYNAUT, Claude. Sociedades, desenvolvimento e meio ambiente. Cadernos de Desenvolvimento e Meio Ambiente. Curitiba: UFPR, vol. 1, 1994. p.143-165. ________ et al. A construo de um curso de Ps-Graduao Interdisciplinar em meio ambiente e desenvolvimento: princpios tericos e metodolgicos. In: RAYNAUT, Claude et al. Desenvolvimento e Meio Ambiente: em busca da interdisciplinaridade. Curitiba: UFPR, 2002. This document was created with Win2PDF available at http://www.daneprairie.com.The unregistered version of Win2PDF is for evaluation or non-commercial use only.http://www.daneprairie.com

Recommended

View more >