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Romance em quadrinhos de Mário César, indicado ao Troféu HQ-Mix nas categorias Novo Talento - Roteirista e Novo Talento - Desenhista. E se não fosse possível esquecer um grande relacionamento? E se a memória desse amor interrompido impedisse você de seguir adiante? São estas questões que permeiam a narrativa de EntreQuadros – Círculo Completo. Mário César é autor e editor de histórias em quadrinhos e chargista do Jornalistas & Cia da Mega Brasil Comunicação. Também atua como ilustrador e designer gráfico. Coeditou, ao lado de Estevão Ribeiro, o álbum Pequenos Heróis, vencedor do Troféu HQ Mix de Publicação Infanto-Juvenil de 2010. O livro impresso pode ser adquirido, com frete grátis, no site da editora Balão Editorial: http://www.balaoeditorial.com.br/entrequadros-circulo-completo.html

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  • CrCulo Comp

    leto

    EntrE

    Quadros

    mrio Csar

  • Projeto grfico e editoraoMrio Csar

    RevisoFlvia Yacubian

    EquipeFlvia YacubianGuilherme KrollNatlia Tudrey

    Contatowww.balaoeditorial.com.br

    balaoeditorial@balaoeditorial.com.br

    CIP-BrasIl CaTaloGao Na FoNTesINdICaTo NaCIoNal dos edITores de lIvros, rJ

    e TM 2011 Mrio Csar.

    Todos os direitos reservados. proibida a reproduo total ou parcial desta obra sem a autorizao prvia do autor, exceto para fins de divulgao.

    Composto na cidade de so Paulo, impresso pela Prol Grfica e editora Miolo em papel off-set 90g/m2, capa em papel supremo 300g/m2.Crdito da Imagem do ouroboros: Wikimedia commons, Creative Commons attribution-share alike 2.5 Generic license J. rebek, Jr., angew. Chem. Int. ed. ; doI: 10.1002/anie.200906753

    C414e Cesar, Mrio, 1982- entreQuadros : crculos completos / Mrio Cesar. - so Jos do rio Preto, sP : Balo, 2011. principalmente il. Textos em quadrinhos IsBN 978-85-63223-09-8 1. Histrias em quadrinhos. I. Ttulo. 11-5821. Cdd: 741.5 CdU: 741.5

    15.09.11 23.09.11 029813

    PrEfcio

    OurObOrOs

    Creio que a fico tenha a mesma natureza dos sonhos. Quando a lemos pode

    ser que seja o mais absurdo das narrativas, ideias e acontecimentos que ns, se

    arrebatados, acreditamos, torcemos e at repudiamos com toda a veemncia que

    na prpria vida real no somos capazes de sentir ou se manifestar. To envolvidos,

    enquanto transcorre a leitura, acreditamos piamente que h ali um mundo ao qual

    pertencemos, vivemos e respiramos. magia? identificao? ou uma espcie

    de transe ou , a minha temerosa suspeita de muito tempo, a revelao da nossa

    verdadeira natureza? se no real, como sentimos e por que sentimos? se no

    nossa vida porque nos preocupamos com as relaes que se estabelecem no plano

    da imaginao? uma metfora, um simulacro, uma reproduo, uma mimese?

    afinal, o que so essas histrias inventadas que aceitamos como vivas memrias

    e criamos com a maestria de um deus? Na simplificao da nossa existncia, entre

    a vida e a morte, com o que preenchemos as linhas e os espaos dos nossos livros

    da vida real? a natureza vida-sonho-livro lhe parece familiar e as suas fronteiras

    difusas? Como o comear e o terminar de um livro, ao dormir e acordar, entre a vida

    e a morte, o que realmente parece convenientemente importante, ou melhor, ao

    reducionismo primeiro, o que realmente importante? sonhos terminam no outro

    sonho, livros terminam no outro livro e a vida termina na outra vida, completando

    o ciclo eterno de continuidade. Concedamos um pouco de complacncia diante

    do insondvel, impondervel e imperscrutvel mistrio. Que possamos recorrer

    sabedoria ancestral em reverncia ao nosso no-saber de que o comeo contm o

    nosso fim e de que o fim guarda um novo comeo, assim se repetindo infinitamente

    at o fim de cada histria.

    so Paulo, 10 de setembro de 2011

    Nick Farewell

  • arco

    o boto de reset

    1

  • 6 7

    impossvelser pontual com otrnsito maluco desta cidade.

    Ol.Foi mal pelo

    atraso.

    Imagina.Eu tambm acabei de

    chegar.

    Tantas pessoas entram e saem da vida da gente! Centenas de milhares de pessoas! voc precisa manter a porta aberta para que elas entrem! Mas isso tambm significa que voc precisa deix-las sair!

    Extremamente Alto & Incrivelmente Perto (Extremely Loud & Incredebly Close)Jonathan Safran Foer

    7

  • 8 9

    Voc no parecia to tmido pela internet...

    Isso, sua anta! Deixa o cara

    ainda mais sem graa!

    Que silncio constrangedor!

    O que eufalo?

    O queum mulhero desse viu em

    mim?

    Eu eminha queda por homens mais velhos,

    viu...

    Ser que ele me achou feia

    ao vivo?

    Caramba!Ela ainda mais bonita

    ao vivo!

    Para onde vamos?

    Desculpe,eu estou meio enferrujado

    pra essas coisas... faz muito tempo que no tenho um

    encontro.

    Pronto!Alm de sem

    assunto, agora vai achar

    que sou um man... Relaxa,

    gato! Ga-gato?!

    Eu faleigato?! O que deu em mim hoje?

    Que fofo!To vulnervel

    e sensvel...

    Tive uma ideia!

    Vou televar a um lugar

    incrvel. Quem sabe voc no relaxa

    um pouco?

    Deixa seu pagar meu

    caf.

    J deixei pago. Vamos!

    pertodaqui. Tem

    uma vista de tirar o flego da

    cidade. Vocvai ver.

  • 10 11

    Uau!

    Minha melhor amiga nasceu e cresceu em

    So Paulo e tambm nunca tinha vindo aqui antes de

    me conhecer.

    Precisavade algo assim

    mesmo. Obrigado por

    me trazeraqui.

    umadas coisas que

    mais gosto desta cidade: sempre tem algo novo e surpreendente

    nestaimensido

    toda.

    Desde queencontrei este lugar,

    venho aqui limpar minha cabea etentar enxergar

    melhor as coisas.

    mesmo incrvel. Adorei.

    Por nada.

    J tinhaouvido falar deste mirante, mas no

    sabia onde ficava.

  • 12 13

    ...Pensando

    nela?

    ?!

    Desculpe...

    Eu souum imbecil

    mesmo.

    Estou aquicom um mulhero

    incrvel como voc e no tiro a ex da

    cabea.

    Voc no nenhum imbecil, no.S amou demais. No

    h nada de erradonisso.

    E obrigadapelo mulhero

    incrvel.

    Pornada, voc

    mesmo.

    Todo dia meus pacientes

    me falam de suas desiluses amorosas e eu consigo analisar

    tudo com tanta clareza.

    Ficamos semperspectiva. Perdemos

    completamenteo rumo.

    aquele velho ditado: pimenta

    no olho dos outros refresco.

    Deveriater um boto de reset aqui

    dentro.

    Com certeza.Mas o mundo

    estaria livre dos coraes partidos e de um monte de cano

    brega.

    Se isso existisse,

    voc perderia boa parte

    de sua clientela.

    Mas quando oproblema est em

    nossas prprias mos, as coisas se complicam

    de uma formaabsurda.

  • 14

    arco

    where my heart used to be

    2

    Bem, mas vou lheconhecer melhor se voc me contar

    o que houve. Eu, como todo ser humano, adoro conversar sobre a vida alheia,

    principalmente quando envolveromances conturbados.

    E que tal se eu bancar a sua

    analista hoje?

    Noquero te amolarcom isso. Ns

    deveramos estar nos divertindo

    e nos conhecendomelhor.

    Sem falarque eu posso cobrarpelas minhas sesses

    em beijos.

  • 16 17

    Lay your head where my heart used to beHold the earth above meLay down in the green grassRemember when you loved me

    Green Grass, Tom Waits

    Eu e Martha nos conhecemos na universidade.

    EU PASSEI!!

    Putz!Olha o nome

    desse cara aqui! Seu futuro colega

    no curso de psicologia:

    FreudericoGustav Burrhus da

    Silva e Costa!

    EU PASSEI!!

    17

  • 18 19

    Como temme doida nesse

    mundo! Esse j deve ter sofrido horrores na escola, vai sofrer

    ainda mais agora, coitado.

    Piorque j pensei

    numa baitabesteira.

    Sabe qual era o nome

    da mulher do Freud?

    Qual?MARTHA!Com 'h'.

    C t zuando?

    Imagina se eu comeo a namorar

    esse cara!

    Vai ser a piada-mor do

    curso!

    Freud e Martha juntos novamente.

    Hahaha

    Comesse eu caso!

    Hahahaha

    E-eu passei?

    Olha que destino, hein?

    Hahaha

    Err.. com licena...

    Nunca vou me esquecer de nosso primeiro dia de aula.

    Eu era muito tmido e fechado. Sempre ficava muito nervoso aoconhecer novas pessoas.

    Parecia uma louca psicopata sorrindo, mas aquilo me acalmou de um jeito estranho.

    Ento a avistei, linda e com um sorriso enorme na cara.

    E foi s dar um ol para ela comeara taga-relar.

    Me fez sentir como se eu no fosse o nico anormal da sala.

    Nunca havia me entrosado com algum assim, to de imediato.

    Era como se j nos conhece-cemos h anos.

  • 20 21

    Nos embriagamos tanto com a conversa que nem percebemos quando o professor entrou na sala de aula...

    AHEM!

    Os doisquerem compartilhar

    o que to engraado ou eu posso comear

    a aula?

    Engraado que ficamos um tempo conversando e ela nem chegou a perguntar o meu nome. A, quando o professor pediu para cada um se apresentar j viu, n...

    Err...Isso algum

    tipo de piada?

    Quem FreudericoGustav Burrhus da Silva

    e Costa?

    Sou eu.

    E antes quealgum pergunte: me

    freudiana fervorosa, pai neocomportamentalista e

    os dois tambm sosuperfs do

    Jung.

    Fiquei to abismado dea terapia ter conseguido

    fazer eu lidar bem com issotudo que resolvi estudar

    psicologia.

    Voc o tal do Freud??!

    E quem sabe eu no

    encontro uma

    Martha pra se casar comigo,

    n?

    Oprprio.

  • 22 23

    Nem preciso dizer que viramos a piada da turma, mas nem ligvamos.

    Simplesmente no nos desgrudvamos. Estudvamos e fazamos todos os trabalhos juntos.

    Um punhado de piadinhas no era nada perto do que estava rolando entre ns.

    Sentamos uma apavorante... apavorante no a palavra exata, eu devia dizer estranha, monstruosa, desmesurada e indescritvel necessidade um do outro.

    22

    Eu sempre fui um deslocado no mundo, mas ao lado dela me sentia completamente em casa.

    Vai uma lustrada a,

    moo? No, obrigado.

    Este meutipo de sandlia pode

    ser engraxado? Podesim,

    moa.

    Lustra pra mim

    ento, por favor.

    pra j!

    E ela sempre me surpreendia com alguma coisa.