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    499Arq Bras Endocrinol Metab. 2011;55/8

    editorial

    Endocrinologia peditrica 2011Pediatric Endocrinology 2011

    Angela Maria Spinola-Castro1, Carlos Alberto Longui2, Gil Guerra-Jnior3

    Este nmero dos Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia que tivemos a oportunidade de coordenar um suplemento especial, em Endocrinologia Peditrica (Pediatric Endocrinology), que contou com a colaborao de vrios autores nacionais e internacionais. Esses autores compartilharam conosco seus amplos conhe-cimentos e sua experincia, quer seja revisando alguns assuntos muito importantes na rea ou produzindo trabalhos de pesquisa ainda inditos.

    Hipogonadismo, um assunto complexo especialmente em funo das dificuldades para o diagnstico, foi discutido em dois artigos, que abordaram respectivamente os aspectos clnicos e moleculares, e a experincia diagnstica com a utilizao do hor-mnio antiMlleriano, um importante marcador da funo das clulas de Sertoli (1).

    A cascata da diferenciao sexual se torna a cada ano mais complexa, especialmente medida que novos genes so descritos (1). O fator esteroidognico 1 (SF1) ganhou um destaque especial no artigo que discute sua importncia na diferenciao sexual. Ainda nessa rea, a padronizao do mtodo que possibilita avaliarmos o receptor andrognico por protena C-reativa (PCR), em tempo real, em tecidos e sangue peri-frico, pode contribuir para o diagnstico mais rpido dos casos suspeitos de insensi-bilidade andrognica. Confira!

    A triagem neonatal, considerada ainda um assunto muito atual, especialmente pelo que representa em pediatria o diagnstico precoce de diversas patologias (2), redis-cutida com enfoques bem diferentes, em dois artigos. O hipotireoidismo congnito revisto depois da experincia de muitos anos, e so discutidos os ganhos, as limitaes e os caminhos a serem trilhados. A hiperplasia adrenal congnita (3), que em breve dever ser oficialmente includa nos testes de triagem neonatal obrigatrios, tambm ganha um espao com o artigo que apresenta os valores crticos de 17 hidroxiproges-terona a serem utilizados na triagem dos pacientes possivelmente afetados. Ser esse um novo desafio?

    Mereceu nossa ateno um fato j bem presente nos congressos peditricos e clara-mente comprovamos neste nmero da revista que a sndrome metablica, considerada na dcada anterior uma condio exclusivamente do universo adulto (4), ocupa atual-mente um espao muito importante na pediatria, especialmente porque sua preveno hoje responsabilidade do pediatra e deve ocorrer na infncia e na adolescncia. Cinco artigos discutem essa condio de diversas formas. Foram revistos os diversos critrios para diagnstico, discutidas as questes de terminologia que trazem dificuldades al-gumas vezes no entendimento da patologia, mas tambm foram apresentados novos valores de corte para o ndice de HOMA em crianas e adolescentes, com avaliao da

    1 Departamento de Pediatria, Setor de Endocrinologia Peditrica, Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de So Paulo (Unifesp/EPM), So Paulo, SP, Brasil2 Departamento de Pediatria e Puericultura, Unidade de Endocrinologia Peditrica, Irmandade da Santa Casa de Misericrdia de So Paulo (ISCMSP), So Paulo, SP, Brasil3 Departamento de Pediatria, Unidade de Endocrinologia Peditrica, Faculdade de Cincias Mdicas, Universidade Estadual de Campinas (FCM/Unicamp), Campinas, SP, Brasil

    Correspondncia para: Angela Maria Spinola-CastroRua Diogo de Faria, 30704037-000 So Paulo, SP, Brasilaspinola.dped@epm.br

    Carlos Alberto LonguiRua Cesrio Mota Junior, 61, 2 andar, 01221-020 So Paulo, SP, Brasilcarloslongui@msn.com

    Gil Guerra-JniorDepartamento de Pediatria FCM- Unicamp, Cidade Universitria "Zeferino Vaz", 13083-970 Campinas, SP, Brasilgilguer@fcm.unicamp.br

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    correlao desses com os fatores de risco para doena cardiovascular. As condies que predispem sndro-me metablica complementam de forma muito ade-quada a abordagem desse tema, por meio dos artigos que discutem as crianas nascidas pequenas para idade gestacional, adultos jovens com hiperplasia adrenal e os pacientes tratados por cncer na infncia, todos consi-derados de risco para desenvolver distrbio metablico e com risco elevado para doena cardiovascular (5,6).

    Ovrio policstico, patologia tradicionalmente diag-nosticada na mulher adulta, mas que apresenta uma interface com o retardo de crescimento intrauterino e com obesidade, j pode ser diagnosticado clnica e la-boratorialmente na adolescncia, permitindo, dessa for-ma, minimizar as alteraes ovarianas pela introduo precoce do tratamento. Confira esse artigo!

    Em relao ao tema crescimento, os artigos foram bem diversificados e originais. Foi revisto o crescimento das crianas nascidas prematuras, que tambm podem ter restrio significativa de estatura (7), sob o aspecto clnico e tambm molecular, por intermdio do artigo que discute as mutaes de fator de crescimento insu-lina-smile (IGF) como causa de retardo de crescimen-to pr e ps-natal. O hipopituitarismo foi abordado de uma forma diferente, mediante avaliao diagnstica de crianas com colestase neonatal.

    A estatura final dos pacientes tratados por hiperpla-sia adrenal, aps tratamento com hormnio de cresci-mento e anlogos para bloqueio puberal, foi objeto de um estudo retrospectivo e provavelmente ser objeto de futuras discusses. Qual a sua avaliao?

    O artigo que discute a disfuno neurossecretria do TSH em pacientes com sndrome de Down, tra-dicionalmente avaliados pelo risco de desenvolverem tireoidite de Hashimoto, merece ateno. Da mesma forma, tambm vale conferir o artigo que nos atualiza em relao ao diagnstico e monitorizao de diabe-tes melito nos pacientes com fibrose cstica.

    O perodo de transio est muito bem representa-do na reviso dos problemas endcrinos e o seguimen-to das pacientes com sndrome de Turner (1). Confira!

    A oncologia tambm tem seu espao por meio da atualizao das questes de diagnstico e tratamento do craniofaringioma e do tumor adrenal. Ambos ainda representam um desafio sob diferentes aspectos. O cra-niofaringioma, tumor com importante prevalncia em

    crianas, embora benigno, difcil de tratar, apresenta grande frequncia de recidivas e tem uma morbidade significativa. J o tumor adrenal, apesar da grande evo-luo no diagnstico laboratorial, especialmente mole-cular, ainda continua sendo diagnosticado tardiamente, o que compromete a sobrevida.

    Acompanhando a polmica recente quanto segu-rana do uso de hormnio de crescimento (GH) (8,9), achamos importante rediscutir esse assunto. Novos da-dos apresentados durante o ltimo Congresso Europeu de Endocrinologia Peditrica em Glasgow (2011) fo-ram acrescentados reviso, que temos certeza traro uma importante contribuio nesse assunto.

    Como no poderia faltar entre os temas atuais, a vi-tamina D tambm est presente e foi amplamente dis-cutida em relao ao seu metabolismo e sua importn-cia na faixa etria peditrica (10)

    Com tantos temas diversos e muito bem abordados, desejamos que todos tenham uma leitura agradvel e instigante.

    REFERNCIAS1. Maciel-Guerra AT, Guerra-Junior G. Menino ou menina? Os dis-

    trbios da diferenciao do sexo. 2.ed. Rio de Janeiro: Rubio; 2010. p. 577.

    2. Brosco JP, Seider MI, Dunn AC. Universal newborn screening and adverse medical outcomes: a historical note. Ment Retard Dev Disabil Res Rev. 2006;12(4):262-9.

    3. New MI. Ancient history of congenital adrenal hyperplasia. Endo-cr Dev. 2011;20:202-11.

    4. Reaven GM. Banting lecture 1988. Role of insulin resistance in human disease. Diabetes. 1988;37(12):1595-607.

    5. Clayton PE, Cianfarani S, Czernichow P, Johannsson G, Rapaport R, Rogol A. Management of the child born small for gestational age through to adulthood: a consensus statement of the International Societies of Pediatric Endocrinology and the Growth Hormone Re-search Society. J Clin Endocrinol Metab. 2007;92(3):804-10.

    6. Siviero-Miachon AA, Spinola-Castro AM, Guerra-Junior G. De-tection of metabolic syndrome features among childhood cancer survivors: a target to prevent disease. Vasc Health Risk Manag. 2008;4(4):825-36.

    7. Wit JM, Finken MJ, Rijken M, de Zegher F. Preterm growth res-traint: a paradigm that unifies intrauterine growth retardation and preterm extrauterine growth retardation and has implications for the small-for-gestational-age indication in growth hormone the-rapy. Pediatrics. 2006;117(4):e793-5.

    8. Laron Z. Growth hormone therapy: emerging dilemmas. Pediatr Endocrinol Rev. 2011;8(4):364-73.

    9. Meadows AT, Friedman DL, Neglia JP, Mertens AC, Donaldson SS, Stovall M, et al. Second neoplasms in survivors of childhood can-cer: findings from the Childhood Cancer Survivor Study cohort. J Clin Oncol. 2009;27(14):2356-62.

    10. van Schoor NM, Lips P. Worldwide vitamin D status. Best Pract Res Clin Endocrinol Metab. 2011;25(4):671-80.

    Endocrinologia peditrica 2011