ementÁrio oficial (matéria criminal) 9 - carlos biasotti

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Ementrio de votos que, em matria criminal, proferiu o Desembargador Carlos Biasotti, do Tribunal de Justia do Estado de So Paulo.

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1

Voto n 9006

agravo em execuo N 1.090.764-3/200

Arts. 6 e 112, da Lei de Execuo Penal; art. 93, n IX, da Const. Fed.

A despeito da nova redao que a Lei n 10.792/03 deu ao art. 112 da Lei de Execuo Penal, subsiste a possibilidade de realizao do exame criminolgico, quando o entender indispensvel o juiz da execuo para a deciso sobre progresso de regime (Julio Fabbrini Mirabete, 11a. ed., p. 59). No padece do vcio de nulidade a deciso que, suposto sucinta, d as razes do convencimento de seu prolator, fundadas na prova e em bom direito (art. 93, n IX, da Const. Fed.). A Lei n 10.729/03 que deu nova redao ao art. 112 da Lei de Execuo Penal no aboliu o exame criminolgico para a progresso de regime, o qual pode ser realizado se as circunstncias pessoais do sentenciado e a natureza do crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrar sempre o Magistrado com a prudncia e o arbtrio do bom varo. Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execuo Penal, isto , tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom comportamento carcerrio, faz jus progresso ao regime semi-aberto. Somente fato grave, indicativo de personalidade anmala e refratria aos estmulos da recuperao, poder obstar-lhe a mudana para regime prisional mais brando.

Voto n 9007 Recurso em

Sentido Estrito N 1.094.533-3/800

Art. 121, 2, ns. I, IV e V, do Cd. Penal; art. 408 do Cd. Proc. Penal.

Para a pronncia do acusado, segundo a generalidade dos autores de boa nota, a jurisprudncia dominante em nossos Tribunais e o teor mesmo da lei, basta que se convena o Juiz da existncia do crime e de indcios de que o ru seja o seu autor. Muito de notar o magistral esclio de Bento de Faria: A freqentes naufrgios se arriscaria a Justia, se a lei fizesse depender de convico, quer dizer, de prova plena, o ato provisrio da pronncia (Cdigo de Processo Penal, 1960, vol. II, pp. 124-125).

Voto n 9008

Arts. 33, 2a. parte, 107, n IV, 109, n V e 110, 1, do Cd. Penal; arts. 61, 202, 563 e 566, do Cd. Proc. Penal; art. 12 da Lei n 6.368/76; art. 10 da Lei n 9.437/97.

aPELAO cRIMINAL

N 437.728-3/5-00

Nulidade de ato processual somente se declara em face de prova plena e incontroversa de prejuzo s partes, ou se houver infludo na apurao da verdade substancial ou na deciso da causa (arts. 563 e 566 do Cd. Proc. Penal). A apreenso de grande quantidade de txico em poder do acusado argi para logo a idia de trfico (art. 12 da Lei n 6.368/76). A crtica irrogada ao testemunho policial com o intuito de desmerec-lo constitui solene despropsito, pois toda a pessoa pode ser testemunha (art. 202 do Cd. Proc. Penal) e aquela que, depondo sob juramento, falta verdade incorre nas penas da lei, donde a inpcia do raciocnio apriorstico de que o policial vem a Juzo para mentir. A Lei n 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei

2n 8.072/90) no que respeita progresso no regime prisional de cumprimento de pena. Se o sentenciado primrio tiver dela descontado j 2/5 ou 3/5, se reincidente e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefcio (art. 2, 2).

Voto n 9009

Art. 798, 4, do Cd. Proc. Penal; art. 2 da Lei n 8.072/90; art. 33 da Lei n 11.343/06; art. 44 da Lei n 11.343/2007.

HABEAS cORPUS

N 1.100.671-3/3-00

HABEAS CORPUS Instruo criminal Demora provocada pela necessidade de expedio de carta precatria Alegao de constrangimento ilegtimo Improcedncia Ordem denegada. Improcede a argio de constrangimento ilegal por excesso de prazo na formao da culpa, se a demora foi provocada pela necessidade de expedio de carta precatria para inquirir testemunhas, pois se trata de razo superior, que obsta ao curso regular dos prazos processuais; donde o haver disposto a lei que, em caso de fora maior,no correro os prazos (art. 798, 4, do Cd. Proc. Penal).

Voto n 9010

Arts. 33, 2, 83, parg. nico, 121, 2, ns. I, III e IV, 159, do Cd. Penal; art. 112 da Lei de Execuo Penal; art. 5, n LXVIII, da Const. Fed.

HABEAS cORPUS

N 1.093.934-3/0-00

Contra o parecer de notveis juristas, que sustentam no ser o habeas corpus meio apropriado a impugnar deciso de que caiba recurso ordinrio, mostra-se de bom exemplo conhecer da impetrao, porque, em tese, passa pelo remdio jurdico-processual mais clere e eficaz para conjurar abusos e ilegalidades contra o direito liberdade de locomoo do indivduo (art. 5, n LXVIII, da Const. Fed.). A Lei n 10.792/2003 (que deu nova redao ao art. 112 da Lei de Execuo Penal) no revogou o Cdigo Penal; destarte, nos casos de pedido de benefcio em que seja mister aferir mrito, poder o Juiz determinar a realizao de exame criminolgico no sentenciado, se autor de crime doloso cometido mediante violncia ou grave ameaa, pela presuno de periculosidade (art. 83, parg. nico, do Cd. Penal).

Voto n 9011

Arts. 71, 214 e 224, do Cd. Penal; arts. 393, n I e 594, do Cd. Proc. Penal; art. 2 da Lei n 8.072/90.

HABEAS cORPUS

N 1.090.839-3/5-00

Se o acusado respondeu preso ao processo pela prtica de atentado violento ao pudor, ser verdadeira abuso lgica deferir-lhe o benefcio da liberdade provisria aps sua condenao, pois entre os efeitos da sentena condenatria recorrvel inclui-se precisamente o de ser o ru conservado na priso (art. 393, n I, do Cd. Proc. Penal). Se a Justia o no reputou digno do benefcio da liberdade, quando ainda contava ser absolvido, com mais forte razo carecer o acusado de requisito subjetivo depois de condenado, quando a presuno de inocncia ter cedido de sua culpabilidade. Segundo entendimento pacfico do STF, a disposio do art. 594 do Cd. Proc. Penal no se aplica a ru preso em razo de flagrante ou preventiva (cf. Damsio E. de Jesus, Cdigo de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 474).

3 A exigncia de priso provisria para apelar no ofende a garantia constitucional da presuno de inocncia (Smula n 9 do STJ).

Voto n 9012

Arts. 393, n I e 594, do Cd. Proc. Penal; art. 12, caput, da Lei n 6.368/76.

HABEAS cORPUS

N 1.095.841-3/0-00

Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, prprio a tutelar a liberdade do indivduo, no pode o habeas corpus substituir o recurso ordinrio, mxime quando a causa petendi respeita a questes de alta indagao. O habeas corpus no meio idneo para corrigir possvel injustia da sentena condenatria (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nlson Hungria). regra de direito positivo que o ru no pode apelar sem recolher-se priso (art. 594 do Cd. Proc. Penal), por fora do que estatui o art. 393, n I, do mencionado diploma legal, convm a saber: entre os efeitos da sentena condenatria inscreve-se o de ser o ru preso ou conservado na priso. Se o ru carece dos requisitos subjetivos, no h dispensar-lhe o benefcio do apelo em liberdade, sem grave afronta ao Direito e boa razo, sendo legtima a sentena que o denega. A Lei n 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes hediondos (Lei n 8.072/90), no que respeita progresso no regime prisional de cumprimento de pena. Se o sentenciado primrio tiver dela descontado j 2/5 ou 3/5, se reincidente e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefcio (art. 2, 2).

Voto n 9013

Arts. 70, 159, 1 e 288, parg. nico, do Cd. Penal; arts. 226, II e 288, do Cd. Proc. Penal.

aPELAO cRIMINAL

N 913.438-3/1-00

Conforme iterativa jurisprudncia dos Tribunais, a palavra da vtima, se ajustada aos mais elementos do processo, justifica decreto condenatrio. A palavra da vtima a viga mestra da estrutura probatria, e a sua acusao, firme e segura, em consonncia com as demais provas, autoriza a condenao (Rev. Tribs., vol. 750, p. 682). superior a toda crtica a deciso que, firme em prova oral idnea, decreta a condenao do ru. Associar-se quer dizer reunir-se, aliar-se ou congregar-se estvel ou permanentemente, para a consecuo de um fim comum. quadrilha ou bando art. 288 do Cd. Penal pode ser dada a seguinte definio: reunio estvel ou permanente (que no significa perptua), para o fim de perpetrao de uma indeterminada srie de crimes. A nota de estabilidade ou permanncia da aliana essencial (Nlson Hungria, Comentrios ao Cdigo Penal, 1958, vol. IV, pp. 177-178). Uma pena, para ser justa escreveu o profundo Marqus de Beccaria , deve ter somente o grau de rigor que baste a afastar os homens da senda do crime. Perch una pena sia giusta, non deve avere che quei soli gradi dintensione che bastano a rimuovere gli uomini dai delitti (Dei Delitti e delle Pene, XVI). questo fria nos pretrios da Justia que as regras do art. 226 do Cd. Proc. Penal, de carter suasrio ou de recomendao, podem ser postergadas, se impossveis de executar ou se o dispensar o caso concreto. No acarreta,

4portanto, a nulidade do processo o reconhecimento do ru pela vtima, sem as formalidades legais, se esta lhe no ps em dvida a identidade fsica. O fim a que deve atender o ato do reconhecimento no importando as circunstncias de sua realizao se o sujeito passivo, ao indicar o autor do roubo, f-lo, ou no, com certeza e espontaneidade.

Voto n 9014 Recurso em

Sentido Estrito N 974.560-3/400

Arts. 38, 41, 43, n III, 44, 568 e 569, do Cd. Proc. Penal.

Ao investir o particular do direito de processar o autor de crime contra a honra, transferiu-lhe tambm o Estado o encargo de elaborar a pea tcnica, segundo o rigor do estilo judicirio. A queixa-crime, por isso, conter a exposio do fato criminoso com todas as suas circunstncias, em ordem a possibilitar a verificao da existncia de justa causa para a persecutio criminis e a plena defesa do acusado (art. 41 do Cd. Proc. Penal). A inobservncia do referido cnon (art. 41 do Cd. Proc. Penal) importa vcio formal grave, cuja sano a rejeio mesma da queixa-crime. As omisse