elaboração de uma dieta artificial protéica para melipona ...· a criação de abelhas sem...

Download Elaboração de uma Dieta Artificial Protéica para Melipona ...· A criação de abelhas sem ferrão

Post on 30-Nov-2018

213 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • ISSN 1983-0513Dezembro, 2009 363

    Elaborao de uma Dieta Artificial Protica paraMelipona fasciculata

  • Documentos 363

    Nercy Virginia Campos Rabelo PiresGiorgio Cristino VenturieriFelipe Andrs Leon Contrera

    Elaborao de uma Dieta Artificial Protica para Melipona fasciculata

    Embrapa Amaznia OrientalBelm, PA2009

    ISSN 1983-0513Dezembro, 2009

    Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuriaEmbrapa Amaznia OrientalMinistrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento

  • Exemplares desta publicao podem ser adquiridos na:

    Embrapa Amaznia OrientalTv. Dr. Enas Pinheiro, s/n.Caixa Postal 48. CEP 66095-100 - Belm, PA.Fone: (91) 3204-1000Fax: (91) 3276-9845www.cpatu.embrapa.brsac@cpatu.embrapa.br

    Comit Local de EditoraoPresidente: Moacyr Bernardino Dias-FilhoSecretrio-Executivo: Walkymrio de Paulo LemosMembros: Ana Carolina Martins de Queiroz Clia Regina Tremacoldi Luciane Chedid Melo Borges Reviso Tcnica: Fbia de Mello Pereira Embrapa Meio-Norte

    Superviso editorial e reviso de texto: Luciane Chedid Melo BorgesNormalizao bibliogrfica: Andra Liliane Pereira da SilvaEditorao eletrnica: Euclides Pereira dos Santos FilhoFoto da capa: Giorgio Cristino Venturieri

    1a edio Verso Eletrnica (2009)

    Todos os direitos reservados.A reproduo no autorizada desta publicao, no todo ou em parte,

    constitui violao dos direitos autorais (Lei no 9.610).

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) Embrapa Amaznia Oriental

    Pires, Nercy Virginia Campos Rabelo.Elaborao de uma dieta artificial protica para Melipona fasciculata / Nercy

    Virginia Campos Rabelo Pires, Giorgio Cristino Venturieri, Felipe Andrs Leon Contrera. Belm, PA : Embrapa Amaznia Oriental, 2009.

    23 p. : 21 cm. (Documentos / Embrapa Amaznia Oriental, ISSN 1983-0513 ; 363).

    1. Meliponicultura. 2. Apicultura. 3. Nutrio animal. 4. Dieta. 5. Soja. I. Venturieri, Giorgio Cristino. II. Lon, Felipe Andrs. III. Ttulo. IV. Srie..

    CDD 638.1

    Embrapa 2009

  • Autores

    Nercy Virginia Campos Rabelo Pires Biloga, Mestre em Cincia Animal, Pesquisadora bolsista da Embrapa Amaznia Oriental, convnio Fapespa, Belm, PA.nercypires@yahoo.com.br

    Giorgio Cristino VenturieriEngenheiro Agrnomo, Doutor em Ecologia, Pesqui-sador da Embrapa Amaznia Oriental, Belm, PA.giorgio@cpatu.embrapa.br

    Felipe Andrs Leon ContreraBilogo, Ph.D. em Ecologia, Professor da Universi-dade Federal do Par (UFPA), Belm, PA.felipe@ufpa.br

  • Ao CNPq, pela bolsa de mestrado concedida; Fapespa, pelo financia-mento do projeto (Edital Universal TO: 063/2008); Embrapa Ama-znia Oriental, por permitir a realizao do trabalho; ao Dr. Marcos ne Oliveira, pela ajuda na elaborao do alimento, e Dra. Clia Tremacoldi, pela identificao dos fungos.

    Agradecimentos

  • Apresentao

    A criao de abelhas sem ferro tem despertado o interesse de insti-tuies pblicas e de produtores e consumidores preocupados com o uso correto dos recursos naturais. Nesse sentido, a Embrapa Amaznia Oriental, com o apoio do Ministrio do Desenvolvimento Agrrio, tem realizado pesquisas com nfase no desenvolvimento de tecnologias que visem ao uso sustentado dos recursos naturais, de modo a fornecer solu-es inovadoras s populaes de agricultores de base familiar da regio e contribuir tambm para a conservao biolgica de biota amaznica.

    No presente trabalho, apresentada a elaborao de uma dieta artificial base de soja para substituir o plen nos perodos de pouca florada e formao de novas colnias. Alm disso, estabelecida aqui uma me-todologia de rastreamento desse alimento dentro do ninho de Melipona fasciculata, espcie conhecida como urucu-cinzenta (ou tiba, no Mara-nho), muito utilizada por agricultores familiares do Par e Maranho.

    A utilizao de uma alimentao artificial para a manuteno de colnias nos perodos de escassez de recursos uma prtica constante entre os meliponicultores e o aprimoramento dessas tcnicas de grande ajuda para esses criadores.

    Claudio Jos Reis de CarvalhoChefe-Geral da Embrapa Amaznia Oriental

  • Sumrio

    Elaborao de uma Dieta Artificial Protica para Melipona fasciculata ......................................................................11

    Introduo ........................................................................................11

    Materiais e mtodos ......................................................................13

    Resultados .......................................................................................14

    Discusso .........................................................................................17

    Referncias ......................................................................................19

    Anexos .............................................................................................21Anexo 1 Elaborao de uma dieta semi-artificial para Melipona flavolineata (COSTA; VENTURIERI, 2009) ......................................21

    Anexo 2 Xarope de acar invertido (60 %) utilizado na Embrapa Amaznia Oriental ..........................................................................23

  • Introduo

    Os materiais bsicos para a alimentao dos meliponneos so o plen e o nctar provenientes das flores, exceto para a Trigona hypogea, que se alimenta de protena animal (ROUBIK, 1989; NOLL, 1997; MATEUS; NOLL, 2004). Esses recursos so necessrios para todo o desenvolvimento desses insetos, desde a fase de larva at a fase adulta. O nctar a fonte de energia na forma de acares, enquanto o plen fornece protenas, lipdios, vitaminas e minerais (WINSTON, 2003).

    O alimento transportado para as colnias por abelhas campeiras (forrageiras), sendo armazenado em potes. Para obteno do mel, o nctar sofre dois tipos de modificaes: uma fsica, a evaporao, e outra qumica, quando enzimas so acrescentadas pelas operrias, transformando boa parte da sacarose existente no nctar em glicose e frutose (BUTLER, 1954 apud ZUCOLOTO, 1975; NOGUEIRA-NETO, 1997; VENTURIERI et al., 2007).

    J o plen manipulado pelas abelhas por meio das mandbulas. Durante esse processo, so acrescentados nctar e secrees das glndulas mandibulares e das glndulas hipofaringeanas, ocorrendo, tambm, o crescimento de leveduras e bactrias, principalmente do gnero Bacillus, que produzem enzimas extracelulares, auxiliando na pr-digesto desse alimento (NOGUEIRA-NETO, 1997). Aps esse processamento, o plen estocado recebe o nome de sabur (NOGUEIRA-NETO, 1970, 1997).

    Elaborao de uma Dieta Artificial Protica para Melipona fasciculataNercy Virginia Campos Rabelo PiresGiorgio Cristino VenturieriFelipe Andrs Leon Contrera

  • 12 Elaborao de uma dieta artificial protica para Melipona fasciculata

    Vrios estudos vm sendo desenvolvidos com o objetivo de se encontrar substitutos para o mel e o plen, mantendo as colnias em boas condies, mesmo quando h pouca disponibilidade de flores no ambiente. Um bom substituto para o plen deve ter caractersticas semelhantes s do estocado no ninho (FERNANDES-DA-SILVA; ZUCOLOTO, 1990).

    Zucoloto (1975) avaliou o valor nutritivo de plens j fermentados de diferentes espcies de abelhas para Scaptotrigona postica, e o melhor resultado encontrado foi obtido com o plen de Melipona quadrifasciata. O referido autor sugeriu, ainda, que a fermentao fosse uma condio que facilitaria o uso do alimento pelas abelhas, j que o plen de menor valor nutritivo foi o de Friseomelitta varia que, segundo este autor, armazenado praticamente como coletado.

    O primeiro estudo sobre uma dieta semiartificial que substitusse o plen foi realizado por Camargo (1976). Nesse estudo, foi usado o plen de Typha dominguensis acrescentado de mel e sabur da espcie que receberia a dieta. Segundo essa autora, a mistura pastosa de mel e plen deveria ser colocada em vidro coberto com gaze temperatura de 28 C a 32 C pelo perodo de 10 a 15 dias. Nesse tempo, a mistura sofreria fermentao, aumentando e diminuindo seu volume, quando, ao final, poderia, ento, ser oferecida s abelhas.

    A mistura de 25 % de levedo de cerveja e 75 % de plen tambm apresentou resultado satisfatrio para o desenvolvimento das glndulas hipofaringeanas e dos ovcitos, mostrando-se um bom substituto para Scaptotrigona (Scaptotrigona) postica (PENEDO et al., 1976).

    Baseado em Camargo (1976), Costa e Venturieri (2009) desenvolveram uma alimentao semiartificial base de sabur, extrato de soja, acar e gua para Melipona flavolineata. A dieta que obteve os melhores resultados quanto ao desenvolvimento das glndulas hipofaringeanas e dos ovcitos foi a constituda de 43 g de extrato de soja, 14 g de sacarose e 43 ml de gua.

    O objetivo deste trabalho foi elaborar uma dieta artificial base extrato de soja substitutiva do plen para colnias de M. fasciculata.

  • 13Elaborao de uma dieta artificial protica para Melipona fasciculata

    Materiais e mtodos

    A dieta inicialmente avaliada foi a desenvolvida por Costa e Venturieri (2009), trocando-se o sabur de M. flavolineata pelo de M. fasciculata (Figura 1). Testaram-se vrias concentraes de extrato de soja, combinadas com sabur (33 g: 5 g; 30 g: 10 g; 28 g: 15 g, respectivamente). A soja foi escolhida por ter alto valor protico, semelhante ao plen, e valor comercial mais baixo que o do plen de Apis mellifera, que normalmente usado como substituto na alimentao de meliponneos.

    Figura 1. Operria de Melipona fasciculata Smith, 1854.

    Uma segunda dieta foi avaliada, elaborada com os mesmos ingredientes da dieta utilizada por Costa e Venturieri (2009) (Anexo 1), mas com mtodo de preparo diferente, que ser descrito no item resultados.

    Foto

    : G

    iorg

    io C

    ristin

    o V

    entu

    rieri

  • 14 Elaborao de uma dieta artificial pr