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ELABORAO DE O CONTRATO ESCRIT NA PRESTAO DE SERVIOS

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A srie SAIBA MAIS esclarece as dvidas mais frequentes dos empresrios atendidos pelo SEBRAE nas mais diversas reas: organizao empresarial, finanas, marketing, produo, informtica, jurdica, comrcio exterior.

DVIDAS OU SUGESTES, CONSULTE O SEBRAE 0800

570 0800

Conselho Deliberativo Presidente: Abram Szajman (FECOMERCIO) ACSP Associao Comercial de So Paulo ANPEI Associao Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras Banco Nossa Caixa S. A. FAESP Federao da Agricultura do Estado de So Paulo FIESP Federao das Indstrias do Estado de So Paulo FECOMERCIO Federao do Comrcio do Estado de So Paulo ParqTec Fundao Parque Alta Tecnologia de So Carlos IPT Instituto de Pesquisas Tecnolgicas Secretaria de Estado de Desenvolvimento SEBRAE Servio Brasileiro de Apoio s Micro e Pequenas Empresas SINDIBANCOS Sindicato dos Bancos do Estado de So Paulo CEF Superintendncia Estadual da Caixa Econmica Federal BB Superintendncia Estadual do Banco do Brasil Diretor - Superintendente Ricardo Luiz Tortorella Diretores Operacionais Jos Milton Dallari Soares Paulo Eduardo Stabile de Arruda Projeto e desenvolvimento Autor Bris Hermanson Diagramao e ilustraes Ceolin e Lima Servios Ltda. / Antonio Eder Impresso -

- SEBRAE-SPEste material foi produzido em julho de 2009. Para utilizao posterior aconselhvel verificar possveis alteraes na legislao e em aspectos tributrios relacionados.

GE/37.20051 EDI. - 1 IMP. 18 M

A IMPORTNCIA DO CONTRATO ESCRITO NA PRESTAO DE SERVIOSPra que serve o contrato de prestao de servios?O contrato de prestao de servios um acordo elaborado entre um prestador de servios (empresa ou autnomo que oferece ao mercado um tipo especco de servios) e um tomador dos servios (pode ser um consumidor nal ou ainda uma outra empresa que ir utilizar estes servios como suporte nas suas atividade econmica) onde prestador e tomador dos servios (neste caso chamadas de partes) estabelece as condies gerais relativas ao servio a ser prestado (direitos e obrigaes de cada uma das partes).

Deve ser escrito ou verbal?Este contrato poder ser escrito ou verbal. Para que haja maior segurana entre as partes (prestador e tomador dos servios), aconselhamos sempre que ele seja escrito, pois no contrato verbal no h como se provar de maneira ecaz o que foi combinado. Em relao aos contratos escritos, estes podem ser particulares (aquele convencionado apenas entre as parte, apesar de ser assinado na presena de testemunhas) ou com registro pblico (Cartrio de Registro de Ttulos e Documentos).

Preciso registrar meu contrato em cartrio?O registro em cartrio de um contrato normalmente utilizado quando o valor e/ou a complexidade das operaes contratadas justiquem sua neces-

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sidade (o contrato registrado em cartrio tem o pressuposto da publicidade, ou seja, a lei presume que todos tm conhecimento de sua existncia, estando sua cpia disponvel para que qualquer pessoa possa consulta-lo no respectivo Cartrio de Registro).

Posso combinar o que bem entender no contrato?Os contratos particulares por sua vez so todos aqueles que a lei no dena forma especial, possibilitando s partes ter uma relativa liberdade no ajuste e na sua elaborao. Esta liberdade estar sempre condicionada ao respeito s leis existentes, entre elas o Novo Cdigo Civil (Lei n. 10406/02), onde se estabelece a obrigatoriedade do respeito que os contratantes devem manter em funo social do contrato e, em relao sua concluso e execuo, os princpios da probidade e da boa-f.(artigos 421 e 422). Por funo social deve-se entender que o contrato e sua execuo no afetam apenas as partes contratantes (no caso prestador e tomador de servios), no tambm toda a sociedade, sendo vital, neste caso, evitar que este traga prejuzos coletividade ou sociedade, como por exemplo, um contrato que colocasse em perigo ou violasse os interesses da coletividade. J a obrigao das partes em respeitarem, na concluso e na execuo do contrato, os princpios da probidade e da boa f, signica que as partes devem agir com lealdade em relao outra, agindo com cuidado, zelo, cooperao, respeitando os interesses da outra parte em tudo que se rera ao contrato. Alm desses princpios deve haver sempre o equilbrio entre as partes, de forma que os direitos e obrigaes estabelecidas no contrato no favorecem ou penalizem apenas uma das partes em detrimento outra, de modo a inviabilizar seu cumprimento. Esta uma preocupao ainda maior quando o contrato for de adeso, ou seja, quando uma das partes estabelece todas as clusulas contratuais cabendo outra parte apenas aderir, aceitar o contrato apresentado. No caso de contratos de adeso, as condies estabelecidas sero interpretadas sempre de forma mais favorvel a quem aderiu ao contrato (ou seja, a favor da parte que no elaborou o contrato), conforme os termos do artigo 423 do Novo Cdigo Civil.

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No bastasse tais ressalvas estabelecidas no Novo Cdigo Civil, temos ainda que respeitar a regulamentao sobre o assunto estabelecida pelo Cdigo de Defesa do Consumidor (Lei n. 8078/90).

O que diz o Cdigo de Defesa do Consumidor sobre o assunto?Quando o contratante ou tomador dos servios for utiliza-los como destinatrio nal, no fazendo uso daqueles servios para suporte a uma atividade econmica, estaremos diante de uma relao de consumo, ou seja, uma relao que estar sujeita s regras estabelecidas no Cdigo de Defesa do Consumidor.

Neste caso, o tomador dos servios ser o Consumidor e o prestador dos servios ser o fornecedor, dentro da terminologia adotada na referida lei. Diante disso, quando se tratar de relao de consumo, alguns outros cuidados alm dos acima mencionados sero necessrios. O principal cuidado a ser adotado pelo prestador de servios ser o da elaborao do oramento prvio (artigo 39, inciso VI, e artigo 40, ambos do Cdigo de Defesa do Consumidor).

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Oramento prvio?No oramento prvio, ele, prestador de servios, dever discriminar, de forma clara e objetiva, os servios a serem prestados, o material (peas, matria prima, insumos...) que sero aplicados nos servios, seus respectivos valores, o tempo previsto para durao da prestao dos servios, o prazo de validade do oramento apresentado (na falta deste prazo, a lei prev que sua validade ser de 10 dias a contar da data em que o consumidor receber tal oramento). Lembramos ainda que este oramento dever ser impresso em papel preferencialmente timbrado com todos os dados do prestador de servios (nome ou razo social completa, n. da inscrio no CNPJ ou CPF, inscrio estadual ou de autnomo, e endereo completo). Este oramento, uma vez aprovado expressamente pelo consumidor, resultar na elaborao do contrato nal (em muitos casos o oramento j , por si mesmo, um pr-contrato).

Posso cobrar pelo oramento?Lembramos ainda que, em virtude da atividade exercida pelo prestador de servios, muitas vezes ser necessrio a cobrana pela elaborao do oramento. Isto permitido desde que o consumidor saiba antecipadamente dessa cobrana.

Alm disso, o que mais preciso saber?Alm dos requisitos acima, existem outros de ordem prtica/comercial na contratao de servios. Entre estes est a legalidade da prestadora de servios e sua idoneidade. Na questo da legalidade deveremos saber se o prestador de servios est devidamente legalizado para a realizao de tais servios, possuindo as inscries devidas (CNPJ, CPF, inscrio estadual, inscrio de autnomo), ou, no caso de servios especializados, se ele tm a autorizao dos rgos de controle e scalizao prossionais (CREA, CRECI, OAB, CRM), entre outros. No que se refere idoneidade do prestador de servios, ser necessrio uma pesquisa junto aos fornecedores e clientes do mesmo para saber se este prestador de servios tem honrado seus compromissos em dia, qual a qualidade

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dos servios prestados, se ele cumpre os prazos combinados, enm, tudo aquilo que possa afetar de alguma forma os servios contratados.

Existe algum risco na contratao de servios prestados por autnomos?Quando o prestador de servios no for uma pessoa jurdica (ou seja, no possuir inscrio no CNPJ Cadastro Nacional de Pessoas Jurdicas, mantido pela Secretaria da Receita Federal), ser necessria uma prvia anlise sobre a questo trabalhista envolvida neste relacionamento. De acordo com o artigo 3 da Consolidao das Leis do Trabalho, mais conhecida como CLT (DecretoLei 5452/43), onde se estabelecem quatro requisitos para que exista o vnculo empregatcio (relao de emprego) numa prestao de servios. Estes requisitos so os seguintes: a) pessoalidade, ou seja, existe uma relao pessoal entre o prestador de servios (pessoa fsica ou natural, e no pessoa jurdica) e o tomador de servios; b) regularidade na prestao dos servios, ou seja, os servios so prestados com constncia e de forma regular; c) onerosidade, ou seja, os servios so prestados mediante remunerao, e no a ttulo gratuito; d) subordinao, ou seja, o tomador dos servios estabelece as diretrizes, regras, condies para a prestao dos servios contratados. Desta forma, na presena das quatro condies acima, estaremos diante de uma relao de emprego, e no apenas de um contrato de prestao de servios, independente do que estiver convencionado no contrato escrito. Esta umas das principais razes pelas quais grandes e mdias empresas evitam a contratao de prestadores de servios que no sejam pessoas jurdicas, ou seja, tenham CNPJ prprio. Por m, sugerimos abaixo um roteiro contendo os principais itens de um contrato de prestao de servios. Lembramos sempre que isto apenas uma sugesto. Caso voc precise de maiores esclareci-

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mentos sobre este ou outros assuntos de interesse para seus negcios, sugerimos a consulta ao portal do Sebrae-SP www.sebraesp.com.br, onde podero ser encontrados vrios materiais de pesquisa.

Roteiro de Contrato de Prestao de Servios1 - Qualificao das PartesO contrato d