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  • P g i n a | 1874

    EIXO 10:

    ESTUDOS DE LEITURA E ENSINO

  • P g i n a | 1875

    A LEITURA COMO PARTE DO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM:

    TEORIA E PRTICA

    Jos Marcos Rosendo de SOUZA- UERN/UEPB1

    Clara Dulce Pereira MARQUES - UERN2

    Emias Oliveira da COSTA - UERN3

    RESUMO: Condensando-se em todo processo de ensino e aprendizagem, a leitura capaz de

    desenvolver o indivduo criticamente, tendo em vista que atravs dela ele pode mediar o

    mundo. Ainda vale salientar, que isso no feito somente em contexto escolar, mas, est

    presente em outros contextos, como o cotidiano extraescolar. Assim, diante dessa perspectiva,

    o processo de leitura torna-se um objeto vivel a investigao, pois, diante de todas as teorias

    criadas para se efetivar um ensino que torne o aluno crtico, apresenta-se um arcabouo.

    Sendo assim, necessrio investigar como realmente apresentada a leitura, especificamente

    no 9 ano de uma escola pblica. Desse modo, esse se torna o objetivo principal dessa

    pesquisa. E, para alcan-lo, foi necessrio estabelecer parmetros de desenvolvimento, ou

    seja, partindo desde a escolha do referencial terico que trazem discusses acerca da temtica.

    Assim autores como: Antunes (2003), Bagno(2002), Geraldi(1997) e dentre outros, foram

    utilizados como embasamento, e sustentao para constituir a pesquisa. E ainda, vale salientar

    que para confrontar as teorias em relao ao desenvolvimento da leitura foi realizada uma

    pesquisa de campo, com a finalidade de observar a realidade desse processo, e, a partir da

    observao e coleta de dados foi possvel consolidar a pesquisa.

    PALAVRAS-CHAVE: Leitura. Teoria. Prtica.

    1. Introduo

    O presente trabalho parte da ideia de que a leitura como parte do processo de ensino

    aprendizagem torna-se capaz de desenvolver criticamente os indivduos no que diz respeito

    produo de textos orais e escritos, j que a leitura uma prtica que se faz necessria no s

    no contexto escolar, mas tambm em uma sociedade dotada de um sistema lingustico em que

    prevalece a escrita. E, partindo desse pressuposto busca-se entender o que gera no ambiente

    escolar as dificuldades relacionadas s atividades de leitura e produo de textos (orais e

    1 Mestrando do Programa de Ps-Graduao em Letras PPGL/CAMEAM Universidade do Estado do Rio

    Grande do Norte, Pau dos Ferros-RN. Especialista em LIBRAS (UNIASSELVI) e Psicopedagogia (FECR)

    Professor Substituto do Departamento de Letras e Humanidades (DLH) da Universidade Estadual da Paraba

    UEPB, Campus IV, Catol do Rocha - PB. Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas em Planejamento do

    Processo Ensino-aprendizagem - GEPPE. 2 Possui Graduao em Letras, com habilitao em Lngua Portuguesa e suas Respectivas Literaturas, pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte UERN, Campus Central, Mossor-RN. Mestranda do

    Programa de Ps-Graduao em Letras PPGL/CAMEAM - UERN, Campus Avanado Profa. Maria Elisa

    Albuquerque Maia, Pau dos Ferros-RN. Membro, como estudante, pesquisadora e secretria, do Grupo de

    Estudos do Discurso da UERN GEDUERN. 3 Possui Graduao em Letras Licenciatura em Lngua Portuguesa (2010) e Ps-graduao Lato Sensu em

    Estudos Literrios (2012), ambos os cursos pela Universidade Estadual do Cear. Mestrando do Programa de

    Ps-graduao em Letras PPGL/CAMEAM Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Professor

    Efetivo da rede pblica do Cear. Atua tambm no cenrio arttico-cultural da macrorregio do Vale do

    Jaguaribe, interior do Cear.

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    escritos), em relao ao desenvolvimento do posicionamento crtico do aluno, que pode ser

    compreendido como a base para a comunicao e a aquisio de conhecimento. Sendo assim,

    para o desenvolvimento do trabalho adotou-se, alm da micro pesquisa de campo, a

    bibliogrfica, que possibilita acessar informaes de pesquisadores que desenvolveram

    trabalhos nesta rea.

    2. Concepes de leitura

    Atualmente, as atividades de leitura, interpretao e produo de textos (orais e

    escritos) so tarefas difceis de serem desenvolvidas em sala de aula, pelo fato dos alunos

    apresentarem-se como sujeitos desmotivados, passivos e indiferentes diante das prticas

    desenvolvidas em sala de aula, o que torna difcil a interao entre o indivduo e o texto e,

    consequentemente, o aperfeioamento daquele nas capacidades crticas textuais.

    Esses fatos so consequncias da maneira como o professor trabalha com as

    atividades de leitura e escrita, na qual muitas atividades no fazem sentido e acabam sendo

    desapontadoras pelos maiores interessados, os alunos. Isso porque, como afirma Kleiman

    (2008, p.16) As prticas desmotivadoras, perversas at, pelas consequncias nefastas que

    trazem, provem basicamente, de concepes erradas sobre a natureza do texto e da leitura, e,

    portanto da linguagem..

    Sendo que, essas prticas no so sustentadas apenas no ambiente escolar como

    tambm fora da escola, j que em alguns casos os pais dos alunos cobram do professor o

    ensino de Portugus. Ou seja, comete-se um equvoco nessa linha de raciocnio pelo fato de

    se desconsiderar o uso da linguagem e ter como foco a regra gramatical tradicional. Assim,

    evidencia-se que h por ambas as partes um falso entendimento a respeito do ensino de

    portugus e uma desvalorizao do uso da linguagem.

    Desse modo, faz-se necessrio conhecer as concepes de leitura, como tambm

    entender como feita a compreenso do texto de acordo com cada modelo. A primeira

    concepo a ser abordada a que tem como prtica de leitura o Modelo Ascendente que tem

    como foco da leitura o texto -, em seguida ser abordado o Modelo Descendente o qual

    centra a significao do texto no leitor -, e para finalizar, o Modelo Interacionista que

    como o prprio nome indica, a interao entre o leitor e o texto -, vale salientar que ser

    apresentado as particularidades de cada modelo.

    2.1 Modelo Ascendente

    Aborda o texto levando em considerao apenas a decodificao das palavras, e a

    partir deste ato cabe ao leitor a funo de extrair as informaes contidas no texto para a

    construo do sentido. Sendo assim, pode-se afirmar que esta concepo:

    [...] a crena de que o texto apenas um conjunto de palavras cujos significados devem ser extrados um por um, para assim, cumulativamente,

    chegar mensagem do texto. Baseia-se essa hiptese, por um lado na crena

    j mencionada de que o texto um depsito de informaes e, por outro, na

    crena de que o papel do leitor consiste em apenas extrair essas informaes, atravs do domnio das palavras que, nessa viso, so o veculo das

    informaes. (KLEIMAN, 2008, p.18).

    Ao desenvolver essa concepo, o professor se utiliza de perguntas em que o aluno

    para respond-las, muitas vezes, no necessrio reler o texto em consequncia de sua

    obviedade. Essa atitude no permite que o aluno reflita, construa sua opinio, tenha um

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    posicionamento crtico, ou seja, atua como sujeito passivo, um mero receptor de informaes

    e opinies alheias.

    Para esse modelo, Consequentemente, a leitura uma atividade que exige do leitor

    o foco no texto, em sua linearidade, uma vez que tudo est dito no dito. (KOCH & ELIAS,

    2010, p.10), isto , a leitura permite a compreenso do texto por se tratar de uma construo

    de significado baseada unicamente na mensagem contida nas palavras.

    Sendo assim, esse modelo no permite o desenvolvimento da capacidade crtica

    comunicativa do aluno, j que [...] a construo do significado no envolve negociao entre

    o leitor e o texto e muito menos atribuio de significado por parte do leitor [...] (LEFFA,

    1999, p.18), o que contribui para o seu desinteresse e desmotivao. Pode-se afirmar, tambm,

    que o texto segundo essa perspectiva, por mais que seja lido por diversos leitores, apresentar

    uma nica interpretao pelo fato de que o processo de entendimento no leva em

    considerao o conhecimento e o meio em que se encontra inserido cada indivduo que se

    apropria do objeto de leitura.

    2.2. Modelo Descendente

    Se o modelo anterior tinha como foco a decodificao de palavras, isto , a atividade

    de decifrao baseada na leitura, o modelo descendente ope-se, tendo em vista que a

    interpretao dada estar centrada no leitor. Assim, essa concepo afirma que o leitor

    constri o sentido do texto a partir de seu conhecimento, e para isso utiliza estratgias, como a

    utilizao de adivinhaes baseadas em seu conhecimento prvio, que propiciam a

    formulao de hipteses.

    Assim, ratificando esta concepo, Kato (1999, p.67) afirma que:

    O leitor idealizado pelo modelo descendente aquele que se apia[sic] principalmente em seus conhecimentos prvios e sua capacidade inferencial

    para fazer predies sobre o que o texto dir, utilizando os dados visuais

    apenas para reduzir incertezas.

    Ao tomar essa atitude, o leitor se caracteriza como sujeito ativo, pois utiliza seu

    conhecimento para criar dedues, a respeito do que est sendo lido para assim construir o

    sentido do texto. Vale ressaltar que o modelo no considera o contexto e que a postura que o

    professor toma prejudica a construo do sentido, j que o professor, segundo Kleiman

    (2008), desconsidera a maneira como o assunto realmente tratado pelo autor e se utiliza de

    perguntas como: Na sua opinio o que o autor quer dizer?, O que voc acha disso?

    Assim, pode-se inf

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