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  • Ps Graduando em traumato ortopediacom nfase em terapia manuais Faculdade vila

    Efeito do ultrassom teraputico: Uma abordagem geral no aparelho e

    nas principais contra indicaes

    Indiara de Alencar

    indiara.alencar@yahoo.com.br/ alencar.indiara21@hotmail.com

    Ps-graduao em traumato ortopedia com nfase em terapias manuais Faculdade vila

    Resumo

    O ultrassom teraputico (UST) um recurso amplamente utilizado na fisioterapia, sendo

    empregado na reabilitao das mais variadas patologias, tanto nos processos agudos como

    crnicos. Sua popularizao graas aos seus efeitos benficos que foram e continuam sendo

    comprovados. Porm sua aplicao em regies que apresentam implantes metlicos, tero

    gravdico e epfises de crescimento continuam sendo contra indicadas, resultando em

    controvrsias entre os profissionais que dele utilizam. Diante da situao em que muitos

    pacientes deixam de ser tratados, fica a dvida quanto o uso do UST em tais pacientes.

    Visando esclarecer imprecises quanto seu uso ou no nessas reas, muitos trabalhos foram

    desenvolvidos. Por acreditar na necessidade de revisar estudos que abordam as principais

    contra indicaes, este artigo teve por objetivo avaliar os efeitos do tratamento com

    ultrassom em implantes metlicos, tero gravdico e epfises de crescimento. No entanto ao

    analisar tais estudos, torna-se conclusivo que, em sua maioria os trabalhos apresentaram

    resultados controversos, pois foram realizados com metodologias nem sempre compatveis

    com a clnica, com mtodos e tcnicas diferentes.

    Palavras-chave: ultrassom teraputico, efeitos teraputicos, implantes metlicos, tero

    gravdico e epfises de crescimento.

    Introduo

    Ultrassom definido como uma forma de onda acstica, cujas frequncias so

    superiores a 20 KHz (ECRI,1999).

    A primeira aplicao do ultrassom foi na dcada de 50, desde ento vem evoluindo

    rapidamente. Atualmente, a energia ultrassnica uma das mais utilizadas pelos profissionais

    fisioterapeutas, atuando no tratamento das mais diversas patologias (DIONSIO, 1999;

    FUIRINI & LONGO; GUIRRO et al., 1996).

    As ondas ultrassnicas podem ser aplicadas por dois mtodos conhecidos como

    contnuo e pulsado (BASSOLI, 2001; GUIRRO & GUIRRO, 2002). A diferena nos dois

    modos est na continuidade da emisso da onda ultrassnica que resulta principalmente na

    gerao de calor nos tecidos biolgicos (BASSOLI, 2001). Os efeitos trmicos produzidos

    pelo ultrassom contnuo ocorrem pela vibrao mecnica constante dos tecidos incididos. Fato

    que no ocorre no modo pulsado, pois a emisso interrompida intercalando pausas,

    proporcionando assim que o calor seja dissipado (AGNE, 2004). As agitaes mecnicas que

    ocorrem durante a aplicao do ultrassom, acaba produzido efeitos denominados trmicos e

    mecnicos. No entanto, BAKER et al., 2001, afirma que durante a terapia improvvel que

    ocorra apenas um efeito, e sim que os dois efeitos no podem ser separados, admitindo que

    efeitos mecnicos sempre apresentaram algum aquecimento.

    Quanto s frequncias, variam de 0,5 a 5 MHz, sendo que as mais utilizadas so as de

    1 MHz e 3 MHz (ABNT, 1998). Quanto maior a frequncia, maior a absoro e menor a

  • Ps Graduando em traumato ortopediacom nfase em terapia manuais Faculdade vila

    profundidade de penetrao (HAAR, 1999). Entre as intensidades, o ultrassom apresenta

    doses entre 0,125 W/cm 5 W/cm (LEUNG, 2004). Porm, para a aplicao do ultrassom teraputico, importante que se respeite e tenha

    conhecimento das contra-indicaes: tero na gravidez, reas de tromboflebite, reas pr-

    operatrias, sistema nervoso central, corao e portadores de marcapasso, crebro e globo

    ocular, gnadas, infeces agudas, reas tratadas por radioterapia, tumores malignos, epfises

    de crescimento, estados febris, perda da sensibilidade (reas anestsicas), embora muitas

    destas contra-indicaes tenham sido includas nesta lista sem que houvesse embasamento

    sem qualquer evidncia cientfica significativa (YOUNG, 1998).

    Diante de tantas incertezas, vrios estudos foram desenvolvidos, para tentar esclarecer

    realmente se a utilizao de ultrassom prejudicial em casos de algumas contra indicaes.

    Entre as contra indicaes as mais investigadas so: reas com implantes metlicos, tero

    gravdico e epfises de crescimento (LACERDA, CASAROTTO, BALSAN, 2004;

    OLIVEIRA, 2007; SOUSA et al.,2005), entre vrios outros.

    Dessa maneira o presente estudo teve por objetivo avaliar os efeitos do tratamento

    com ultrassom em reas ditas como contra indicadas pela maioria dos autores, e mostrar se

    dentro dos parmetros utilizados nas diversas pesquisas, pode-se ou no causar alteraes ou

    prejudicar o tratamento e principalmente causar leses em pacientes.

    1. Consideraes gerais sobre o ultrassom teraputico O termo ultrassom (US) surgiu por volta do sculo XX, quando foram produzidas e

    detectadas ondas sonoras com frequncia superior aos nveis audveis pelo homem (OKUNO;

    CALDAS; CHOW, 1986).

    De acordo com Agne ( 2009, p. 303), no campo da fisioterapia, denomina-se ultrassom as oscilaes cinticas ou mecnicas produzidas por um transdutor vibratrio, que

    se aplica sobre a pele com fins teraputicos, penetrando e atravessando no organismo. O ultrassom na fisioterapia foi introduzido inicialmente como uma tcnica alternativa

    de diatermia, competindo com bolsas quentes, microondas e aquecimento por

    radiofrequncia. Seu principal uso, foi inicialmente no tratamento de leses do tecido mole,

    mais tambm foi usado em leses sseas para acelerar a consolidao de fraturas. Com o

    passar dos anos para utilizar-se mais dos efeitos no trmicos do ultrassom ocorreu uma

    diminuio nas intensidades usadas at ento, na potncia dos transdutores, ou ainda a escolha

    pelo uso no modo pulsado (HAAR, 1999).

    A partir da dcada de 40 e incio da dcada de 50 a evoluo do Ultrassom teraputico

    (UST) ocorreu rapidamente. Desde ento, seus efeitos vm sendo investigados e descritos de

    maneira emprica, atravs dos tempos e da prtica clnica de cada terapeuta (DIONSIO,

    1999; LONGO & FUIRINI 1996; THOMSON, 1994).

    As ondas ultrassnicas podem ser aplicadas por dois mtodos conhecidos como

    contnuo e pulsado, a diferena entre estes est na interrupo da propagao de energia. No

    modo contnuo no ocorre esta interrupo, havendo, portanto um depsito ininterrupto de

    energia sobre os tecidos irradiados (BASSOLI, 2001), a voltagem atravs do transdutor do US

    aplicada continuamente durante todo o perodo de tratamento (TER HAAR, 1999). Neste

    modo as ondas snicas so contnuas, sem modulao, com efeitos trmicos, alterao da

    presso e micromassagem (FUIRINI & LONGO, 1996).

    O efeito mecnico do ultrassom contnuo (USC) consiste na vibrao sobre os tecidos

    incididos. Se estes tecidos opem resistncia s ondas de 1 ou 3 MHZ, se gerar uma energia

    trmica por forte atrito intermolecular ou por agitao do meio eletrolticos dos lquidos

    intersticiais, tanto da gua como dos solutos nela contidos. Sua dosificao se controla melhor

    que a modalidade pulsada j que produz dor se houver uma sobrecarga trmica local. Sendo

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    contra indicada nos processos inflamatrios agudos e traumatismos recentes, reas

    isqumicas, ou com alterao de sensibilidade (AGNER, 2004).

    No modo pulsado, a voltagem aplicada em rajadas (TER HAAR, 1999), apresenta

    caractersticas como ondas snicas pulsadas, efeitos trmicos minimizados e alterao da

    presso (FUIRINI & LONGO 1996), breves interrupes na propagao da energia que

    resultam em uma reduo do aquecimento tecidual. (ROMANO 2001). Estas interrupes so

    regulares e regulveis na liberao da energia nos tecidos irradiados. (McDIARMID &

    BURNS, 1987).

    No ultrassom pulsado (USP), a emisso interrompida intercalando pausas com o fim

    de dissipar o mnimo calor gerado durante o pulso (AGNER, 2004). O efeito trmico menos

    pronunciado e o efeito mecnico superior, possibilitando a abertura de campos de

    tratamentos onde no desejvel o efeito predominantemente trmico (KITCHEN &

    PARTRIDGE, 1990). Com essa reduo do aquecimento tecidual permite-se potencializar os

    efeitos no trmicos do ultrassom sobre os tecidos (DOCKER, 1987), permitindo-se seu uso

    na fase aguda de uma leso, prevenindo leses teciduais provocadas pelo calor excessivo

    (GAM & JOHANNEN, 1995). Esta modalidade utilizada por seus efeitos positivos sobre a

    inflamao, dor e edema, sendo utilizado em processos agudos ou inflamatrios que caream

    de efeito trmico (AGNER, 2004).

    Quando se refere de ultrassom teraputico existem valores de freqncias que se

    situam entre 0,5 a 5 MHz, sendo que as mais utilizadas so as de 1 e 3 MHz (ABNT, 1998).

    Na Fisioterapia o controle da frequncia de sada do ultrassom possibilita ao terapeuta o

    controle da profundidade a ser atingida pela energia ultrassnica. Assim, quanto maior for

    frequncia, maior ser a sua absoro, sendo mais efetiva para o tratamento de tecidos

    superficiais, uma vez que seu poder de penetrao diminui (GUIRRO et al., 1996; YOUNG,

    1998; AGNE, J. E 2004). Frequncias mais altas (3MHz) so absorvidas mais intensamente,

    tornando-as mais especficas para o tratamento de tecidos superficiais, enquanto que as

    frequncias mais baixas (1MHz) penetram mais profundamente, devendo ser usadas para os

    tecidos mais profundos (DOCKER, 1987). Assi