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  • ___________________________EEG de baixa voltagem em doentes com SAOS

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    1. INTRODUO

    O Electroencefalograma (EEG) normal no existe.1 Pelo contrrio,

    existe uma variao inter-individual enorme, em que o EEG de base de um adulto

    saudvel tende a manter-se constante mesmo por longos perodos.1 Pelo critrio

    estatstico, normal seria o mais frequente, numericamente definido, aquilo que

    compatvel com a maioria.

    Evidncia de estudos em gmeos indica que uma proporo significativa

    da varincia individual dos padres de EEG geneticamente determinada e que o

    padro de EEG de cada indivduo se mantm altamente estvel pela maior parte

    da vida adulta.2

    Num EEG normal as seguintes ondas so convencionalmente distinguidas:

    ondas alfa com frequncias entre 8 a 13 Hz e amplitude entre 30 a 100 microvolts

    (V) ; beta com frequncia de 13/15 Hz e amplitude de cerca de 30 V; teta com

    frequncias entre os 3 a 8 Hz e amplitude inferior a 75 V e delta com frequncias

    de 0,5 a 3/4 Hz e amplitude superior a 75 V.3

    As ondas alfa normalmente desaparecem e podem ser substitudas por

    actividade rpida quando os olhos abrem, e reaparecem imediatamente aps o

    fecho dos olhos. Este bloqueio do alfa tambm observado aps estmulo

    sensorial inesperado. Muito frequentemente a actividade alfa mostra o seu

    mximo em zonas occipitais.1

    Devemos examinar, a propsito do sono e

    da viglia, aquilo que eles so de facto; se

    so prprios alma e ao corpo ou, ainda, se

    so comuns a um e outro ().

    Aristteles

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    Dentro das possibilidades de traados de EEG que podem ser encontradas, os

    registos de baixa voltagem encontram-se dentro dos limites normais de varincia e

    no representam uma anormalidade a no ser que o espectro de frequncias

    mostre uma lentificao local ou difusa, assimetrias ou eventos paroxsticos, ou

    que surja aps registo prvio de um EEG com amplitudes mais elevadas. Esta

    definio de normalidade tambm no se aplica a traados de crianas, j que na

    infncia quase todos os traados de baixa voltagem esto no limite da

    anormalidade.3

    Estudos iniciais sobre o traado de baixa voltagem foram realizados por Davis

    e Davis (1936), Jasper e tal. (1939), e Finley (1944).3

    Esta variante caracterizada pela quase total ausncia de ondas alfa e por uma

    de amplitude inferior a 10/20 V.1 Em alguns casos verifica-se uma excepo,

    como alguns segundos aps o fechar dos olhos e aps a Hiperpneia.4, 5, 6

    O desenvolvimento e aperfeioamento das tcnicas de registo das diferentes

    variveis fisiolgicas, ocorridos nas ltimas dcadas, permitiram o alargamento

    das investigaes na area das patologias associadas ao sono, sendo a Sndrome

    de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) uma das patologias mais investigadas

    pelas suas caractersticas e consequncias para o dia-a-dia dos indivduos

    afectados.

    A SAOS a causa mais frequente de sonolncia diurna excessiva,

    caracterizando-se pela ocorrncia de episdios repetitivos de obstruo parcial ou

    completa das vias areas superiores durante o sono, sendo acompanhadas de

    dessaturaes de O2 e alteraes cclicas de frequncia cardaca durante o sono.7, 8

    As queixas mais comuns so, ressono alto, disruptivo e interrompido, associado a

    um sono pouco recuperador e sonolncia diurna excessiva ou fadiga.

    Trata-se de uma patologia que pode manter-se por muito tempo sem ser

    detectada dado que os distrbios respiratrios ocorrem durante a noite. Porm as

    consequncias reflectem-se nas aces e funes do dia-a-dia.8

    Os mecanismos que contribuem para a etiologia da SAOS incluem alteraes

    gentica e ambientalmente induzidas nas dimenses craniofaciais, deposio

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    diferencial no tecido adiposo, anormalidades no controlo das vias areas

    superiores e susceptibilidade diferencial para a sonolncia.9

    A mortalidade e morbilidade podem ser elevadas e resultam de complicaes

    cardiovasculares secundrias s arritmias cardacas e hipertenso arterial

    Um estudo de Young et al. (1997) revela que 93 % das mulheres e 82 % dos

    homens com SAOS grave no so diagnosticados, apesar de tais indivduos

    procurarem assistncia mdica em mdia seis vezes mais que a populao em

    geral.10

    A perturbao cognitiva que estes doentes frequentemente apresentam pode

    estar relacionada com a hipoxmia e resultar da desfragmentao do sono.

    A polissonografia (PSG) um teste usado no estudo do sono e de patologias

    associadas, tais como o Sndrome de Apneia do Sono. um estudo compreensivo

    das alteraes biofisiolgicas que ocorrem no sono. O nome derivado de razes

    gregas e do latim: Polys (muitas), somnus (sono), e graphein (escrever), e

    significa mltiplos registos durante o sono. Atravs deste exame avaliam-se

    padres electroencefalogrficos especficos e ritmos cerebrais.

    As variveis a serem estudadas podem alternar de acordo com a patologia a

    ser pesquisada. No entanto, habitualmente fazem parte do estudo o

    Electroencefalograma, o Electroculograma, o Electromiograma do mento, o

    Electrocardiograma, o Electromiograma das pernas, o fluxo oro-nasal, o esforo

    respiratrio, o sensor de ronco e o sensor de posio.

    Com o desenvolvimento da electroencefalografia e da Polissonografia,

    comeam a ser descritas vrias situaes patolgicas que ocorrem durante o sono,

    sendo os movimentos peridicos do sono (MPS) outra das patologias que levam

    muitas vezes os doentes a procurem apoio.

    Em 1979, a Association of Sleep Disorders Centers (ASDC) designou os

    parmetros para a presena de MPS. O diagnstico formal de mioclonus nocturnal

    requeria 3 perodos durante a noite, com uma durao que podia variar de minutos

    a horas, cada um desses perodos contendo pelo menos 30 movimentos, seguidos

    por um microdespertar ou despertar. Actualmente, esses parmetros j foram

    alterados e habitualmente incluem movimentos repetitivos e involuntrios durante

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    a noite. Ocorrem mais frequentemente na primeira metade da noite, provocando

    microdespertares que consequentemente levam fragmentao do sono.11

    A natureza exacta dos movimentos peridicos do sono no conhecida, no

    entanto, tm sido relacionados com anormalidades na regulao dos nervos entre

    o crebro e os membros. A incidncia destes movimentos aumenta com a idade,

    sendo estimado que ocorre em 5 % das pessoas com idade entre os 30 e os 50

    anos e em 44 % das pessoas com idade superior a 65 anos.11

    Alguns estudos referem que aparentemente no existem diferenas na

    prevalncia entre os sexos, apesar de a American Academy of Sleep Medicine

    referir que os movimentos peridicos do sono so aparentemente mais comuns

    nas mulheres.12

    Estudos demonstram que 80 % dos doentes com sndrome das pernas

    inquietas tm movimentos peridicos durante o sono.13

    Apesar da disrupo do sono e da hipoxmia nocturna alterarem o normal

    processo reparador do sono e de estarem relacionadas com a disfuno cognitiva e

    neurocomportamental, a sua contribuio relativa para estes sintomas mantm-se

    pouco clara. Um estudo de Tyler, Goodman & Rothman de 1947 referia que o

    EEG de um individuo privado sono mostrava uma diminuio do ritmo alfa na

    viglia.14

    Com o presente estudo pretende-se avaliar a existncia de um padro de EEG

    de baixa voltagem ou baixa amplitude nos doentes com sndrome de apneia do

    sono e relacionar este resultado com o ndice de Apneia/Hipopneia (IAH), ou com

    a dessaturao de O2.

    Efectivamente, no caso desta prevalncia ser mais elevada que na

    populao geral, pr-se-o dois tipos de questes: 1) O EEG de baixa voltagem

    tem nestes doentes uma gnese semelhante encontrada no envelhecimento e

    quadros demenciais, e que neste caso seria explicvel pelas hipoxmias; e 2) o

    EEG de baixa voltagem tem maior prevalncia por eventual associao gentica

    com a SAOS.

    Tendo como hiptese de estudo Os doentes com SAOS tem

    frequentemente um EEG de baixa voltagem, pretende-se estabelecer se o EEG de

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    baixa voltagem dos doentes com SAOS est relacionado com a dessaturao de

    O2, e/ou com o IAH.

    Numa primeira fase far-se- a avaliao dos estudos poligrficos do sono

    em indivduos do sexo feminino ou masculino com idade igual ou superior a 30

    anos e igual ou inferior a 60 anos, com IAH igual ou superior a 15 por hora, que

    efectuaram PSG domicilirio entre 2005 e 2007. Para grupo de controlo teremos

    indivduos do sexo feminino ou masculino com idade igual ou superior a 30 anos

    e igual ou inferior a 60 anos, com ndice de Movimentos Peridicos do Sono

    (IMPS) igual ou superior a 5 por hora, que efectuaram PSG domicilirio entre

    2005 e 2007.

    Os doentes sero seleccionados da casustica da Professora Doutora Teresa

    Paiva. A consulta e o estudo poligrfico do sono sero realizados no Centro de

    Electroencefalografia e Neurofisiologia Clnica (CENCO) e os dados recolhidos

    sero sujeitos a inspeco visual e a anlise espectral. O tipo de estudo a efectuar

    ser transversal prospectivo.

    Em registos de baixa voltagem na viglia poder ser observada a

    persistncia da