EDUCAO DO CAMPO PRTICA Neli Pereira; REIS, Rosini Mendes. Educao do Campo Pratica Pedaggica. Faculdades Integradas do Vale do Iva Univale / Instituto de Estudos

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  • 1

    NELI PEREIRA SOUZA ROSINI MENDES REIS

    EDUCAO DO CAMPO PRTICA PEDAGGICA

    Monografia apresentada ao curso de Educao Ensino de Geografia e Histria do Esap como requisito parcial para obteno do ttulo de Especialista. Orientador: Prof. Ms. Paulo Emilio de Assis Santana.

    UMUARAMA

    2009

    2

  • Neli Pereira Souza Rosini Mendes Reis

    EDUCAO DO CAMPO PRTICA PEDAGGICA

    Monografia apresentada ao curso de Ensino de Geografia e Histria, do Instituto de Estudos Avanados e Ps-graduao Esap / Faculdades Integradas do Vale do Iva Univale, como requisito parcial obteno do titulo de Especialista.

    COMISSO EXAMINADORA

    _____________________________

    Umuarama, _____ de __________de 2009.

    2

  • DEDICATRIA

    Dedicamos este trabalho aos professores do Ensino de Geografia e Histria, pelos conhecimentos compartilhados.

    3

  • AGRADECIMENTOS

    Agradeo a meus familiares que se privou de minha companhia, mas que sabem e respeitam os meus objetivos pessoais. A equipe de estudiosos que por fim tornaram-se amigos, que no mediram esforos para realizar o presente trabalho. Neli Pereira de Souza.

    Agradecemos a Deus, que nos ensinou Amai ao vosso prximo como a ti mesmo. Em especial para minha me. O meu Orientador Prof.Paulo Emilio de Assis Santana pela oportunidade do aprendizado. Rosini Mendes Reis.

    4

  • Na verdade a questo agrria engole a todos e a tudo, quem sabe e quem no sabe quem v e quem no v quem quer e quem no quer (Jos de Souza Martins, O poder do Atraso, 1994).

    5

  • SOUZA, Neli Pereira; REIS, Rosini Mendes. Educao do Campo Pratica Pedaggica. Faculdades Integradas do Vale do Iva Univale / Instituto de Estudos Avanadas e Ps-Graduao Esap. Monografia de curso de ps-graduao Lato Sensu em Ensino de Geografia e Histria. Umuarama - PR. 2009.

    RESUMO

    O objetivo do trabalho foi analisar o comportamento de homens e mulheres e as diversas vises sobre a manuteno da prtica pedaggica para a educao do campo no Brasil, como forma de contribuir para a histria inclusiva brasileira. Mas, ainda hoje, vrias pessoas se mostram, ou no conseguem enxergar ou fingem no ver a necessidade da integrao social discutida pelos Parmetros Curriculares Nacionais contidos na Nova LDB texto da lei n. 9.394/96. A pesquisa caminhou-se na tentativa de disseminar as informaes colhidas, buscando provocar, na sociedade brasileira e rgos pblicos, a adeso ao movimento inclusivista, para implantar e aumentar no quadro de ensino regular a educao do Campo. A consulta bibliogrfica sobre a temtica, onde se percebeu a falta de preparao e qualificao profissional, dos professores sendo essas fundamentais para incluso da metodologia voltada para as questes pedaggicas do campo no sistema educacional. Constatou-se que a incluso da Educao do Campo, no Brasil, caminha lentamente. Aos poucos os professores esto comeando a acreditar na aprendizagem do reconhecimento da diversidade do campo. Acredita-se que questes pertinentes s pessoas do setor rural so difceis de serem tratadas, por envolverem vrios aspectos sociais: o governo, a sociedade, a profissionalizao dos professores e o preconceito.

    Palavras-chave: Educao, Campo e Conscientizao

    6

  • SUMRIO

    RESUMO..................................................................................................................06

    INTRODUO..........................................................................08

    1. ANTECEDENTES DAS TRAJETRIAS DA EDUCAAO DO CAMPO NA SOCIEDADE BRASILEIRA......................................................................................11

    1.2 O CAMPO: ASPECTOS GERAIS E CONCEITOS..............................................19

    1.3 CULTURA E IDENTIDADE CAMPESINA...........................................................22

    1.4 ORGANIZAES POLTICA, MOVIMENTOS SOCIAS E CIDADANIA DO HOMEM DO CAMPO.................................................................................................25

    2. REFORMA AGRRIA: REALIDADE OU FICO?............................................30

    2.1 LEI DE TERRAS DE 1850...................................................................................30

    2.2 A QUESTO DA TERRA DO HOMEM RURAL..................................................34

    3. A INTREGAO DA EDUCAO DO CAMPO PARA O NOVO MILNIO....................................................................................................................................37

    CONSIDERAES FINAIS.......................................................................................41

    REFERNCIAS..........................................................................................................43

    ANEXOS....................................................................................................................45

    7

  • INTRODUO

    Este trabalho consiste em analisar as diversas formas da educao do

    campo. Busca-se tecer algumas consideraes sobre as expectativas da vida social

    do homem do campo, assim desmistificando o conceito de Jeca Tatu, de uma

    pessoa de educao empobrecida, sem cultura sem identidade.

    O fato que sempre tivemos uma tendncia de dar aos homens do campo

    conotaes erradas, o que muito perigoso. A vida dos camponeses relatada um

    estgio que inclui uma srie de requisitos. O que no quer dizer, necessariamente,

    que seja melhor ou pior na atualidade ou em outro momento da histria do ser

    humano na terra. Evoluir no quer dizer progresso, mas trata-se de uma

    transformao.

    Acredita-se tambm, que uma fonte de desinformao e outros

    preconceitos perante o homem do campo, so subjacentes na mente de nossa

    populao, a educao do campo deveria ser trazida tona e discutida claramente

    para haver superao. Isso s se dar atravs de pesquisas e debates em torno da

    questo do campesino e da incluso da Educao do Campo no ensino regular no

    Brasil. Partindo-se do princpio que a histria , por definio absolutamente

    inclusiva busca-se uma histria do ser humano e de seu grupo social, para

    demonstrar-nos que a histria da sociedade est sempre em movimento.

    A princpio, as grandes civilizaes da Antiguidade se fundamentaram nesse

    conceito que o homem caipira, foi repleta de fantasias e erros explicada por

    diversos mitos. inquestionvel a importncia da integrao Social na Educao do

    Campo na realidade atual.

    A inteno de analisar o comportamento de homens e mulheres e as vises

    sobre a manuteno da prtica pedaggica no ensino da Educao do Campo no

    Brasil relacionar as vrias formas pelas quais os estudiosos, o governo e a

    sociedade interagem com a Relao Dialgica na construo do conhecimento

    educacional.

    Os paradigmas sobre a incluso da Educao do Campo no Brasil devem

    ser conquistados, de forma a tornar a sociedade inclusiva mais dinmica.

    8

  • Favorecendo o desenvolvimento integral e global dos homens do campo a

    conseguirem lidar com as cobranas que o sculo XXI exigir das pessoas.

    A pesquisa de abordagem qualitativa, pois se utilizaram de um estudo

    bibliogrfico atravs de anlise e fichamento de livros, revistas, sites da internet

    relacionados ao tema abordado. Acredita-se que as fontes bibliogrficas reunidas

    possibilitaram aos pesquisadores desenvolver analogicamente os mais variados

    assuntos que foram abordados da Educao do Campo. A metodologia adotada foi

    o levantamento de fontes bibliogrficas em livros. Procuramos entender tanto o

    papel da educao do campo na sociedade, mais especificamente na prtica

    pedaggica.

    Segundo Tozoni-Reis (2006), a pesquisa de campo, como prprio nome

    indica, tem a fonte de dados no campo em que ocorrem os fenmenos.

    A investigao foi realizada junto s estatsticas dos dados expressos nos

    grficos apresentado pelo IBGE sobre a populao Brasileira com sua distribuio e

    estrutura. De acordo Almeida e Rigolin (2002, p.440)o censo 2000 revela um novo

    Brasil. Por isso, precisamos conhecer seus resultados para entender melhor quantos

    somos, onde e como vivemos(campo, cidade e tipos de moradia).

    Os instrumentos realizados para as pesquisas foram o IBGE em conjuno

    com a Secretaria de Estado da Educao do Paran SEEED/PR, que desde 2003

    coordena a proposta de uma Educao do Campo em vrias regies do Estado

    formado o Grupo de Estudos da Educao do Campo com os professores da Rede

    Estadual de Ensino do Paran em nossos encontros estudamos as trajetrias e as

    concepes da Educao rural, tivemos a oportunidades de refletir e debater a partir

    dos textos, com os eixos temticos das Diretrizes Curriculares da Educao do

    Campo para o Estado do Paran.

    Segundo a Secretaria de Estado da Educao do Paran SEEED/PR,em

    maio de 2001,a Articulao Paranaense definiu uma pauta de reivindicaes para

    participar da semana de lutas pela agricultura, promovida por diversos movimentos e

    entidades. Nessas discusses, as propostas foram atendidas em 2002, com a

    criao da Coordenao da Educao do Campo.

    A entrevista uma tcnica muito presente na etapa da coleta de dados da

    pesquisa qualitativa, em especial no trabalho de campo, tendo como objetivo buscar

    informaes atravs da fala dos sujeitos a serem ouvidos, os entrevistados. Os

    captulos tm o objetivo de evidenciar uma metodologia sobre a Educao do

    9

  • Campo do Estado do Paran visando identificar a sistemtica da coleta de dados

    com os eixos temticos das Diretrizes Curriculares da Educao do Campo para o

    Estado do Paran e como esta acontece no dia-a-dia observando e acompanhado

    desde o incio, essa pratica pedaggica que preparar os jovens para viver no

    campo, empregar seus conhecimentos pautados na realidade que esto inseridos.

    Segundo o IBGE, com uma populao estimada do ano de 2000 de

    aproximadamente 169.799.170 hab. O Brasil tem uma extenso territorial em

    quilometro quadrados, alm de ser um dos maiores do mundo. Em contrapartida,

    apresenta uma demografia completamente desequilibrada pela ocorrncia da

    migrao desordenada. A atual configurao do territrio brasileiro compreende

    8.547.403 Km, colocam o Brasil como o mais extenso pas da America do Sul, o

    terceiro maior pas da America e a quinta rea do mundo (ALMEIDA; RIGOLIN,

    2002).

    Tem-se o propsito em demonstrar as relaes existentes entre a prtica

    pedaggica perante a Educao do campo, na tentativa de compreender o processo

    das transmisses dos valores culturais e tentar quebrar essa perpetuao para

    promover e impor uma nova relao da excluso da conscientizao da preservao

    do meio ambiente para a socializao da humanidade como um todo. Todas estas

    informaes grficas e visuais esto vide anexo.

    A partir desta reflexo e analisando o contexto atual no que tange a

    Educao do Campo em nossas escolas alguns aspectos se fazem relevantes nesta

    modalidade como, por exemplo: por que no aceitamos mais falar em uma

    educao para o meio rural e afirmamos nossa identidade vinculada a uma

    Educao do Campo? O que une e identifica os diferentes sujeitos da Educao do

    Campo? Quando o Estado do Paran intensifica essa propagao na rede

    educacional para os professores trabalharem nos ambientes escolares?

    Assim sendo, a pesquisa encontra-se dividida em trs partes constitudas:

    Na primeira parte do trabalho apresenta a introduo com destaque no

    problema de pesquisa e objetivo das trajetrias da Educao do Campo na

    sociedade Brasileira.

    A segunda parte dedicada a um breve relato sobre a reforma agrria no

    Brasil, procurando entender a infra-estrutura rural, a Educao do Campo para o

    povo Brasileiro. A terceira parte consolida a integrao da Educao do Campo e

    procura entender de que forma ele se prepara para o Novo Milnio.

    10

  • 1. ANTECEDENTES DAS TRAJETRIAS DA EDUCAAO DO CAMPO NA

    SOCIEDADE BRASILEIRA

    Esse captulo tem com objetivo discutir os principais problemas causados

    pelas faltas de informaes sobre a populao do campo, compreendendo aspectos

    relevantes da questo da educao do campo com destaque nos aspectos gerais da

    prtica pedaggica, na zona rural, do Estado do Paran.

    Visa tambm analisar o comportamento de homens e mulheres e as

    diversas vises sobre a manuteno da prtica pedaggica sobre a Educao do

    Campo no Brasil. Em especial, preocupam-se em relacionar as vrias formas pelas

    quais os estudiosos, os governos e a sociedade buscam uma Relao Dialgica na

    construo do conhecimento educacional para os homens do campo.

    A Educao do Campo tem sido historicamente marginalizada na construo

    de polticas pblicas. Tratada como poltica compensatria, suas demandas e sua

    especificidade raramente tm sido objeto de pesquisa no espao da academia e na

    formulao de currculos nos diferentes nveis e modalidades de ensino. A educao

    para os povos do campo trabalhada a partir de um currculo essencialmente

    urbano e, geralmente, deslocado das necessidades e da realidade do campo.

    Mesmo as escolas localizadas nas cidades tm um currculo e trabalho pedaggico,

    na maioria das vezes, alienante, que difunde uma cultura burguesa e enciclopdica.

    urgente discutir a educao do campo, mas especialmente a educao pblica no

    Brasil. Ser que a educao tem servido para o desenvolvimento da cultura

    entendida como prxis, ou tem contribudo para fazer avanar a cultura como

    conceito afirmativo, burgus? O presente captulo tem suma importncia em

    destacar a Educao do Campo partindo do princpio de que a histria por

    definio inclusiva e busca resgatar o desenvolvimento do ser humano, do seu

    grupo social para demonstrar que a histria da sociedade est sempre em

    movimento.

    Historicamente a educao esteve presente em todas as Constituies

    brasileiras, entretanto, mesmo o pas sendo essencialmente agrria, desde a sua

    origem, a educao rural no foi mencionado nos textos constitucionais de 1824 e

    1891.

    Como afirma LEITE (1999, p. 28) em seu estudo sobre a educao rural.

    11

  • a sociedade brasileira somente despertou para a educao rural por ocasio do forte movimento migratrio interno dos anos 1910/20, quando um grande nmero de rurcolas deixou o campo em busca das reas onde se iniciava um processo de industrializao mais amplo.

    Os povos do campo demonstram sua organizao por meio da reivindicao

    de condies de trabalho, diviso da terra, de forma a garantir a produo de

    subsistncia, a reforma agrria e a delimitao territorial das terras dos povos

    indgenas.

    Desta forma, surgiu o Ruralismo Pedaggico que objetivava fixar o homem

    ao campo, que teve sua durao at a dcada de 1930. Em 1937 foi criada a

    Sociedade Brasileira de Educao Rural, com o intuito de expandir o ensino e

    preservar a cultura do homem do campo. O elevado nmero de analfabetos na rea

    rural foi destacado no VIII Congresso Brasileiro de Educao, reforando assim a

    preocupao com a educao rural. (LEITE, 1999).

    O que marca este perodo da histria uma gradativa substituio de poder

    de uma elite agrria para as emergentes elites industriais. A grande preocupao do

    perodo com o movimento migratrio campo-cidade e com a elevao da

    produtividade do campo, numa conjuntura em que a industrializao e a urbanizao

    do seus primeiros e concretos passos.

    o momento em que a cidade se consolida como a referncia da

    modernizao e do progresso, enquanto o campo representa o antigo e o rstico. O

    prprio termo rural tem a mesma raiz de rstico e rude, enquanto o termo cidade d

    origem a cidado e cidadania.

    Observamos que as negaes da cultura campesina nas escolas foram construdas

    sistematicamente, vista de maneira preconceituosa, no reconhecendo sua riqueza

    e sua importncia.

    Aps a II Guerra Mundial foi criada a Comisso Brasileiro-Americana de

    Educao das Populaes Rurais, no mbito da interferncia da poltica norte-

    americana no pas. Foram instaladas as Misses Rurais e, ao final dos anos de

    1940, foi criada a Empresa de Assistncia Tcnica e Extenso Rural.

    As aes governamentais eram marcadas pelo entendimento do campons

    como carente, subnutrido, pobre e ignorante. A educao desenvolvia-se com o

    intuito de proteo e assistncia ao campons. Na dcada de 1950 foi criada a

    12

  • Campanha Nacional de Educao Rural e o Servio Social Rural, com

    preocupaes voltadas formao de tcnicos responsveis pelo desenvolvimento

    de projetos de educao de base e programas de melhoria de vida, porm no

    discutia efetivamente a origem dos problemas vividos no campo. (Vide a obra de

    LEITE, 1999).

    Na dcada de 1960, a Lei de Diretrizes e Bases da Educao (LDB 4024/61)

    deixa a educao rural a cargo dos municpios. Na mesma dcada, Paulo Freire

    oferece contribuies significativas educao popular, com os movimentos de

    alfabetizao de adultos e com o desenvolvimento de uma concepo de educao

    dialgica, crtica e emancipatria valorizando a prtica social dos sujeitos, portanto,

    uma proposta oposta prtica educativa bancria predominante na educao

    brasileira. Com a Lei 5692/71 no houve avanos para a educao rural, uma vez

    que nem se discutia o ensino de 2 grau (atual Ensino Mdio) para as escolas rurais.

    Com a aprovao da Constituio de 1988, a educao destaca-se como

    um direito de todos. E, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional

    9394/96, h o reconhecimento da diversidade do campo, uma vez que vrios artigos

    estabelecem orientaes para atender esta realidade adequando as suas

    peculiaridades, como os artigos 23, 26 e 28, que tratam tanto das questes de

    organizao escolar como de questes pedaggicas. Entretanto, mesmo com estes

    avanos na legislao educacional, a realidade das escolas para a populao rural

    continuava precria.

    A LDB em seu artigo 28 estabelece as seguintes normas para a educao

    do campo:

    Na oferta da educao bsica para a populao rural, os sistemas de ensino provero as adaptaes necessrias sua adequao, s peculiaridades da vida rural e de cada regio, especialmente: I- contedos curriculares e metodologia apropriada s reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural; II- organizao escolar prpria, incluindo a adequao do calendrio escolar s fases do ciclo agrcola e s condies climticas; III- adequao natureza do trabalho na zona rural (BRASIL, 1996).

    Ao reconhecer a especificidade do campo, com respeito diversidade

    sociocultural, o artigo 28 traz uma inovao no sentido de acolher as diferenas sem

    transform-las em desigualdades, o que implica que os sistemas de ensino devero

    13

  • fazer adaptaes na sua forma de organizao, funcionamento e atendimento para

    se adequar ao que peculiar realidade do campo, sem perder de vista a dimenso

    universal do conhecimento e da educao.

    No final dos anos de 1990 espaos pblicos de debate sobre a educao do

    campo foram efetivados, a exemplo do I Encontro de Educadores e Educadoras da

    Reforma Agrrio (I ENERA), em 1997,organizado pelo Movimento dos

    Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), com apoio da Universidade de Braslia

    (UnB) e do Fundo das Naes Unidas para a Infncia (UNICEF), especialmente,

    dentre outras entidades. Neste evento foi lanado um desafio: pensar a educao

    pblica a partir do mundo do campo, levando em conta o seu contexto em termos de

    sua cultura especfica, quanto maneira de conceber o tempo, o espao, o meio

    ambiente e quanto ao modo de viver, de organizar famlia e trabalho. Uma nova

    agenda educacional contemplando a educao do campo foi lanada. Ainda, em

    1998 foi realizada a I Conferncia Nacional Por uma Educao Bsica do Campo,

    uma parceria entre o MST, a UnB, UNICEF, Organizao das Naes Unidas para o

    Desenvolvimento da Educao, Cincia e Cultura (UNESCO) e Confederao

    Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Cabe, portanto a ns educadores,

    caracterizar as prticas scio-culturais vividas na comunidade onde a escola est

    inserida, fazendo insero de contedos devidamente selecionados que possam

    auxiliar os alunos no exerccio e na reflexo. Este procedimento leva o educando a

    reconhecer as particularidades culturais do pas, e especificamente a sua prpria,

    para ento, obter uma viso de superao e libertao frente ao modelo de

    subordinao a que o homem do campo foi submetido ao longo do processo de

    colonizao.

    Desde 2003 a SEED/PR1 coordena a proposta de uma Educao do Campo

    devido s grandes reivindicaes dos movimentos sociais do campo e das polticas

    governamentais que visam educao para todos e a democratizao do

    conhecimento a respeito da diversidade scio-cultural nos seus muitos aspectos.

    A Educao do Campo um projeto educacional compreendido a partir dos sujeitos que tem o campo como seu espao de vida. Nesse sentido, ela uma educao que deve ser no e do campo No, porque o povo tem o direito a ser educado no lugar onde vive; Do, pois, o povo tem direito a uma educao pensada desde o seu lugar e com a sua participao

    1 SEED-PR. Secretaria Estadual de Educao do Estado do Paran. Curitiba - Pr. vinculada sua cultura e s suas necessidades humanas e sociais (Caldart, 2002, p.26)s

    14

  • Nesse sentido, chega de se ter a idia que os camponeses so pessoas que

    vivem no campo sem nenhuma informao, que vestem roupas rasgadas,

    remendadas, com dentes estragados, com maquiagens fortes, com falas "erradas".

    Hoje essas caractersticas j foram desmistificadas, principalmente quando se

    conhece a realidade da vida no campo. Afirmou Ana Maria Sotero, em novembro de

    2004 na II Semana Nacional de Cultura e Reforma Agrria do MST Campons no

    um Jeca Tatu, mas est na verdade mergulhada numa diversidade cultural

    riqussima".

    Aqui se demonstra a nova verso do caipira, pois Ana Maria Sotero quis

    dizer com sua fala que hoje o caipira aquele que se instrui e volta a aplicar seus

    conhecimentos na terra. Que leva as outras famlias a procurarem educao e

    informao para melhoria do seu trabalho na terra. Tambm vem ressaltar sua

    importncia na interdependncia da cidade e campo, pois ambos vivem em

    harmonia quando se fala em produo e comrcio. O trabalho do campo se torna

    indispensvel na produo de alimentos que consumido nas cidades e os

    trabalhadores urbanos precisam das fbricas e indstrias para tirar seu sustento.

    O objetivo desta exposio refletir sobre a identidade que vem sendo

    construda pelos sujeitos que se juntam para lutar por uma educao do campo. A

    partir desta reflexo e analisando o contexto atual no que tange a Educao do

    Campo em nossas escolas alguns aspectos se fazem relevantes nesta modalidade

    como, por exemplo: por que no aceitamos mais falar em uma educao para o

    meio rural e afirmamos nossa identidade vinculada a uma Educao do Campo? O

    que une e identifica os diferentes sujeitos da Educao do Campo? Quando o

    Estado do Paran intensifica essa propagao na rede educacional para os

    professores trabalharem nos ambientes escolares?

    A realidade que deu origem a este movimento por uma educao do campo de violenta desumanizao das condies de vida no campo. Uma realidade de injustia, desigualdade, opresso, que exige transformaes sociais estruturais e urgentes. Os sujeitos da educao do campo so aquelas pessoas que sentem na prpria pele os efeitos desta realidade perversa, mas que no se conformam com ela. So os sujeitos da resistncia no e do campo: sujeitos que lutam para continuar sendo agricultores apesar de um modelo de agricultura cada vez mais excludente, sujeitos da luta pela terra e pela Reforma Agrria, sujeitos da luta por melhores condies de trabalho e pela identidade prpria desta herana, sujeitos da luta pelo direito de continuar a ser indgena e brasileiro, em terras demarcadas e em identidades de direitos sociais respeitados, e

    15

  • sujeitos de tantas outras resistncias culturais, polticas, pedaggicas... (Caldart, 2002, p.152)

    Em 2006 a SEED/PR passou a coordenar uma proposta de Educao do

    Campo que esteja presente na Rede Pblica de Educao Bsica do Estado do

    Paran. A fome, a misria, a excluso, a explorao so condies que exigem

    projetos polticos nacionais e internacionais de enfrentamento para superao.

    No Brasil a questo da terra para o homem do campo tm como

    conseqncias de seu passado fatores principais como a falta de metas

    governamentais para agricultura e o xodo rural. O objeto de estudo visa apontar as

    relaes existentes entre a prtica pedaggica perante a Educao do Campo e a

    preocupao em encontrar o processo das transmisses dos valores culturais

    procurando quebrar essa perpetuao e promover e impor uma nova relao no que

    diz respeito excluso do homem do campo e a socializao da humanidade como

    um todo. O Brasil um exemplo de pas contraditrio, com imenso potencial

    humano e de biodiversidade, mas com excessiva concentrao de renda e altos

    nveis de pobreza (DCE,2006, p. 15).

    Diante das questes contraditrias presente no processo histrico da

    sociedade brasileira tem presena questo agrria, que, como diz Martins (2000,

    p.98-99 in DCE, 2006 p. 15)

    [...] tem a sua prpria temporalidade, que no o tempo de um governo. Ela no uma questo monoltica e invariante: em diferentes sociedades, e na nossa tambm, surge em circunstancias histricas determinadas e passa a integrar o elenco de contradies, dilemas, tenses que midiatizam a dinmica social, e, nela, a dinmica poltica.

    Como se pode observar a viso do autor sobre a questo agrria uma

    trata-se de conjunturas polticas e econmicas. A questo agrria esta no centro do

    processo constitutivo do Estado republicano e oligrquico no Brasil, assim como a

    questo da escravido estava nas prprias razes do Estado monrquico no Brasil

    imperial (MARTINS, 2000, p. 101).

    A semelhana e diferena educacional entre o presente, o passado e o

    espao local, regional, nacional o desafio que est colocado para a Excluso do

    homem do campo. Mas, ainda hoje, vrias regies se mostram muitos no

    16

  • conseguem enxergar ou finge no ver a necessidade da Integrao Social discutida

    pela LDB planejamento educacional que visa o setor rural brasileiro.

    Este objeto de pesquisa ingressa no cenrio acadmico um espao de

    estudo e espera colaborar com estas impresses empricas utilizando a concepo

    do ser humano da realidade histrica, como teoria de base para a discusso das

    negociaes dos projetos de valorizao patrimonial da humanidade para um bom

    convvio da sociedade inclusiva para todos os setores urbano e rural. Um

    panormico sobre a caminhada poltica que comearam desde o principio desse tal

    Descobrimento do Brasil tivemos uma ocupao desordenada das terras uma

    invaso propriamente dita nesse poder dos latifundirios, e dali foram criadas as

    Capitanias Hereditrias e as Sesmarias que criaram no Brasil uma estrutura agrria

    extremamente concentrada e a conjuno do processo de redemocratizao no dia

    de hoje, as transformaes no cenrio poltico e scio-econmico provocaram fortes

    reflexos no Brasil sobre o estudo do campo.

    As origens dessa distribuio desigual de terras em nosso pas esto em seu passado colonial. As capitanias hereditrias, que inseriram o Brasil no sistema colonial mercantilista, foram os primeiros latifndios brasileiros: a colnia foi dividida em quinze grandes lotes entre doze donatrios. A expanso da lavoura aucareira no litoral manteve o latifndio como uma de suas caractersticas, ao lado da monocultura e da escravido da mo de obra africana no sistema de plantation voltados a exportao. Portanto,a ocupao das terras brasileiras aponta para um acentuada concentrao de terras. Foi a Lei de Terras, promulgada em 18 de agosto de 1850, que praticamente instituiu a propriedade privada da terra no Brasil. (ALMEIDA; RIGOLIN, 2002, p.406).

    A pesquisa de campo pode ainda ser til para mostra para as pessoas as

    tcnicas de metamorfose por que passou a poltica brasileira conhecida durante

    muito tempo como a reforma agrria. Percebemos de um modo geral, tornou

    possvel a discusso sobre a situao do povo brasileiro na atualidade, que

    continua a mesma predominncia das elites fundirias ns chegamos mais de

    Quinhentos anos de Histria, as bases estruturais das concentraes das terras so

    praticamente as mesmas ao longo da Histria Brasileira.

    As discusses e estudos realizados, em torno da questo da reforma agrria

    brasileira. O fato que sempre tivemos uma tendncia de dar aos homens do

    campo conotaes erradas, o que muito perigoso. As vidas dos camponeses como

    vo relatar neste presente trabalho, um estgio que inclui uma srie de requisitos.

    O que no quer dizer, necessariamente, que seja melhor ou pior na atualidade ou

    17

  • em outro momento da histria do ser humano na terra. Evoluir no quer dizer

    progresso, mas trata-se de uma transformao.

    A Reforma Agrria aparece atravs das necessidades dos prprios trabalhadores. Aparece como condio para que outras necessidades sejam atendidas: necessidade de sobrevivncia, necessidade de emprego, necessidade de sade, de educao, de justia, de futuro, de paz para as novas geraes, de respeito por sua prpria lgica (camponesa) anticapitalista (isto , por seu modo de pensar e de interpretar a vida), necessidade de integrao poltica, de emancipao (isto , de libertao de todos os vnculos de submisso), de reconhecimento como sujeitos de seu prprio destino e de um destino prprio, diferente, se necessrio (MARTINS, 1994, p.159).

    Desde muito tempo o homem vem reivindicando seu espao no campo, at

    mesmo a.C, conforme alguns versculos no Antigo Testamento,... Porque h

    esperana para a rvore,... Ao cheiro das guas brotar e dar ramos com a planta

    nova (J 14: 7, 9).

    Com o aumento da populao assumiu-se uma funo de produo em

    massa, agravando o problema ambiental, no s no Brasil, mas tambm em pases

    em desenvolvimento. Resultando nos desmatamentos de grandes extenses de

    florestas para o crescimento urbano e com isso o crescimento industrial. Dessa

    forma deixou-se de pensar no campo e os chamados camponeses foram sendo

    esquecidos, deixados para trs sem nenhuma importncia na sociedade capitalista.

    Com a chegada dos grandes latifundirios a economia do pas teve

    segmento para a agroindstria, com o alvo nos abastecimentos internos e externos.

    Esse crescimento foi tomando o trabalho do campo escravo, pois, quem tinha suas

    pequenas propriedades eram expulsos ou obrigados a vender suas terras para os

    grandes fazendeiros, que por sua vez, usavam a mo de obra dos camponeses,

    tornando-os, respectivamente, senhores e servos.

    No processo, como se encontrava, alguns camponeses deram incio s

    revolues, impulsionando a questo da reforma agrria, at ento no conhecida

    como tal. Nesse incio surgiram, no lugar do trabalho servil, os arrendatrios, apenas

    atenuando os problemas agrrios da poca at que no incio de sculo XIX,

    eclodiram as foras burguesas juntamente com os camponeses, derrubando o

    regime monrquico.

    Foram, ento, surgindo os movimentos sociais voltados aos problemas

    urgncias da poca e somente aps a II Guerra Mundial, ouviu-se falar no termo

    18

  • Reforma Agrria. Apesar de no ser ainda to fortalecida, pois crescia o

    agronegcio, o tal modelo de desenvolvimento econmico da agropecuria

    capitalista, onde ocorrem plantaes em grande escala em suas mais diferentes

    fases intensificando a explorao do homem com o trabalho braal. Convencendo a

    todos que ela que a responsvel pela totalidade da produo do pas,

    envolvendo a mdia e os meios de comunicao para divulgar as safras e os preos

    pagos pela mesma, tornando-se a supremacia da situao com suas estratgias.

    Com isso se deixa de lado a agricultura camponesa que ainda responsvel

    por mais da metade da produo do campo, apesar de ser a menos favorecida e

    com isso leva-se muito prejuzo, tem uma fatia no crdito bem menor que os

    grandes latifundirios, so forados a integrar-se nas relaes sociais e tambm do

    territrio organizados pelos grandes fazendeiros.

    A agricultura camponesa tem a viso de produzir diversidades, respeitando

    os recursos naturais. Ento os conflitos aumentam e se tornam mais acentuados,

    pois o Agronegcio ainda tem o controle do poder poltico e do espao. O que se

    percebe que a ocupao das terras fere a lgica do agronegcio, por isso

    chamado de movimento social e com bastante discriminao. Mas a cada ocupao

    de terras, ampliam-se os objetivos propostos pelo homem do campo de estar

    voltando para o campo e fortalecendo-se cada vez mais contra as ideologias do

    agronegcio. Os MSTs, hoje esto conseguindo espao para colocarem em prtica

    o que chamamos de Agroecologia, que de acordo com CAPORAL significa agricultura de bases ecolgicas. O que isso? a utilizao da cincia e suas

    tecnologias interagindo nas atividades agrrias sob as perspectivas da ecologia.

    1.1 O CAMPO: ASPECTOS GERAIS E CONCEITOS

    A educao do campo tem sido historicamente marginalizada na construo

    de polticas pblicas. Tratada como poltica compensatria, suas demandas e sua

    especificidade raramente tm sido objeto de pesquisa no espao da academia e na

    formulao de currculos nos diferentes nveis e modalidades de ensino. A educao

    para os povos do campo trabalhada a partir de um currculo essencialmente

    urbano e, geralmente, deslocado das necessidades e da realidade do campo.

    Mesmo as escolas localizadas nas cidades tm um currculo e trabalho pedaggico,

    na maioria das vezes, alienante, que difunde uma cultura burguesa e enciclopdica.

    19

  • urgente discutir a educao do campo, mas especialmente a educao pblica no

    Brasil. Ser que a educao tem servido para o desenvolvimento da cultura

    entendida como prxis, ou tem contribudo para fazer avanar a cultura como

    conceito afirmativo, burgus?

    importante fazer uma distino dos termos rurais e campo. A concepo

    de rural representa uma perspectiva poltica presente nos documentos oficiais, que

    historicamente fizeram referncia aos povos do campo como pessoas que

    necessitam de assistncia e proteo, na defesa de que o rural o lugar do atraso.

    Trata-se do rural pensado a partir de uma lgica economicista, e no como um lugar

    de vida, de trabalho, de construo de significados, saberes e culturas. Como

    conseqncia das contradies desse modelo de desenvolvimento, temos por um

    lado, a crise do emprego e a migrao campo/cidade e, por outro a reao da

    populao do campo que diante do processo de excluso se organiza e luta por

    polticas pblicas construindo alternativas de resistncia econmica, poltica e

    cultural que tambm inclui iniciativas no campo da educao.

    J, a concepo de campo, tem o seu sentido cunhado pelos movimentos

    sociais no final do sculo XX, em referncia identidade e cultura dos povos do

    campo, valorizando-os como sujeitos que possuem laos culturais e valores

    relacionados vida na terra. Trata-se do campo como lugar dos povos que o tem

    como lugar de vida, de trabalho, de cultura, da produo de conhecimento na sua

    relao de existncia e sobrevivncia. Sendo assim, esta compreenso de campo

    vai alm de uma definio jurdica, configurando-se como um conceito poltico, ao

    considerar as particularidades dos sujeitos e no apenas sua localizao espacial e

    geogrfica. A perspectiva da educao do campo articula-se a um projeto poltico e

    econmico de desenvolvimento local e sustentvel, desde a perspectiva dos

    interesses dos povos que nele vivem.

    O que caracteriza os povos do campo o jeito peculiar deles se

    relacionarem com a natureza, o trabalho na terra, a organizao das atividades

    produtivas mediante a utilizao da mo-de-obra dos membros da famlia, cultura e

    valores que enfatizam as relaes familiares e de vizinhana, que valorizam as

    festas comunitrias e de celebrao da colheita, o vnculo com uma rotina de

    trabalho que nem sempre segue o relgio mecnico. A identidade dos povos do

    campo comporta categorias sociais como posseiros bias-frias, ribeirinhos, atingidos

    por barragens, assentados, acampados, arrendatrios, pequenos proprietrios ou

    20

  • colonos ou sitiantes (dependendo da regio do Brasil em que estejam), caboclos dos

    Faxinais, comunidades negras rurais, quilombolas e, tambm, as etnias indgenas.

    A identidade poltica coletiva gerada a partir da organizao das categorias

    em movimentos sociais, a exemplo do MST, das etnias Indgenas, dos Quilombolas,

    dos Atingidos por Barragens e daqueles articulados ao sindicalismo rural combativo.

    J a identidade sociocultural dada pelo conceito de cultura. Schelling

    (1991) traz uma definio de cultura como prxis que pode ser til educao do

    campo. Para a autora, a capacidade do homem de se transformar e ser

    transformado so uma caracterstica humana genrica (estruturar e ser estruturado)

    e essa capacidade encontra-se na base do conceito de cultura como prxis. por

    meio da prxis:(...) que o homem no s se adapta ao mundo, como tambm o transforma. Essa transformao ocorre em dois nveis: em primeiro lugar no nvel da interao do homem com a natureza e como ser da natureza, modificando o ambiente natural com o uso de ferramentas. Ocorre tambm no nvel da conscincia, da interao comunicativa entre os indivduos e sua organizao social (p.32).

    Sendo assim, o conceito de cultura como prxis guarda relao com a

    compreenso da histria como processo coletivo de autocriao do homem,

    colocando a possibilidade de criar uma ordem social de maior liberdade e justia

    (SCHELLING, 1991, p. 37-38).

    O entendimento do campo como um modo de vida social contribui para a

    auto-afirmao da identidade dos povos do campo, no sentido da valorizao do seu

    trabalho, da sua histria, do seu jeito de ser, dos seus conhecimentos, da sua

    relao com a natureza e como ser da natureza; valorizao esta que deve se dar

    pelos prprios povos do campo, numa atitude de recriao da histria. Em sntese, o

    campo retrata uma diversidade sociocultural, que se d a partir dos povos que nele

    habitam: assalariados rurais temporrios, posseiros, meeiros, arrendatrios,

    acampados, assentados, reassentados atingidos por barragens, pequenos

    proprietrios, vileiros rurais, povos das florestas, etnias indgenas, comunidades

    negras rurais, quilombos, pescadores, ribeirinhos, e outros mais. Entre estes, h os

    que esto vinculados a alguma forma de organizao popular, outros no. So

    diferentes geraes, etnias, gneros, crenas e diferentes modos de trabalhar, de

    viver, de se organizar, de resolver os problemas, de lutar, de ver o mundo e de

    resistir no campo.

    21

  • Toda esta diversidade encontrada nas populaes do campo paranaense

    sinaliza um fato que no pode ser deixado de lado: as escolas do campo tero

    presente no seu interior este processo conflituoso, por isto rica, diversidade

    sociocultural e poltica.

    A educao do campo no pode estar desvinculada de um projeto de

    desenvolvimento do campo que se pretende construir. Ao considerar estes povos,

    que ao longo da histria foram explorados e expulsos do campo, devido a um

    modelo de agricultura capitalista, que tem como eixo a monocultura e a produo em

    larga escala para a exportao; o agronegcio; a utilizao de insumos industriais,

    agrotxicos, sementes transgnicas; o desmatamento irresponsvel; a pesca

    predatria; as queimadas de grandes extenses de florestas; a utilizao de mo-

    de-obra escrava, entre outros, necessrio que se assuma na educao do campo

    a construo de um modelo de desenvolvimento que tenha como elemento

    fundamental o Ser Humano; que seja como Fernandes (2005) afirma um debate da

    questo agrria mediante o princpio da superao, portanto, da luta contra o capital

    e da perspectiva de construo de experincias para a transformao da sociedade.

    na educao do campo que devem emergir os contedos e debates sobre

    a diversificao de produtos, a utilizao de recursos naturais, a Agroecologia, as

    sementes crioulas, a questo agrria e demandas histricas por reforma agrria, os

    trabalhadores assalariados rurais e suas demandas por melhores condies de

    trabalho, a pesca ecologicamente sustentvel, o preparo do solo etc., possibilitando

    o estudo de um modelo de desenvolvimento do campo que se contraponha ao

    modelo hegemnico.

    1.2 CULTURA E IDENTIDADE CAMPESINA

    A concepo de educao do campo que se pretende construir caracteriza-

    se por:

    1) concepo de mundo em que o Ser Humano sujeito da histria, ele no

    est colocado no mundo, mas ele o mundo, faz o mundo, faz cultura. O homem

    do campo no atrasado e submisso, possui um jeito de ser peculiar; pode

    desenvolver as suas atividades mediante o controle do relgio mecnico ou do

    relgio observado no movimento da Terra, manifesto no posicionamento do Sol.

    Ele pode estar organizado em movimentos sociais, em associaes ou estar

    22

  • atuando de forma isolada, mas o seu vnculo com a terra fecundo. Ele cria

    alternativas de sobrevivncia econmica num mundo de relaes capitalistas

    selvagens.

    2) concepo de escola como local de apropriao de conhecimentos

    cientficos, construdos historicamente pela humanidade e como local de produo

    de conhecimentos mediante o estabelecimento de relao entre o conhecimento

    cientfico e o conhecimento do mundo da vida. Os povos do campo querem que a

    escola seja o local que possibilite a ampliao dos conhecimentos, portanto, os

    aspectos da realidade podem ser pontos de partida do processo pedaggico, mas

    nunca o ponto de estacionamento. O desafio lanado ao professor, a quem

    compete definir quais so os conhecimentos locais e aqueles historicamente

    acumulados que devem ser trabalhados nos diferentes momentos pedaggicos. Os

    povos do campo esto inseridos nas relaes sociais do mundo capitalista e elas

    precisam ser desveladas na escola.

    3) concepo de contedos e metodologias de ensino: contedos escolares

    so selecionados a partir do significado que tm para determinada comunidade

    escolar. Esta seleo requer procedimentos de investigao por parte do professor,

    de forma que ele possa determinar quais contedos histricos contribuem-nos

    diversos momentos pedaggicos para a ampliao dos conhecimentos dos

    educados. Estratgias metodolgicas dialgicas nas quais a indagao seja

    freqente exigem do professor muito estudo, preparo das aulas e possibilitam o

    estabelecimento de relao entre os contedos cientficos e aqueles do mundo da

    vida que os educando trazem para a sala de aula.

    4) concepo de avaliao: processo contnuo e realizado em funo dos

    objetivos propostos para cada momento pedaggico seja bimestral, semestral ou

    anual. Pode ser realizada de diversas maneiras: trabalhos individuais, atividades em

    grupos, trabalhos de campo, elaborao de textos, criao de diversas atividades

    que possam ser um diagnstico do processo pedaggico em desenvolvimento.

    Muito mais do que uma verificao para fins de notas, a avaliao um diagnstico

    do processo pedaggico, do ponto de vista dos contedos trabalhados, dos

    objetivos, e da apropriao e produo de conhecimentos. um diagnstico que faz

    emergir os aspectos que precisam ser modificados na prtica pedaggica.

    O ato da escuta essencial para a educao que se quer construir:

    escutar os povos do campo, a sua sabedoria, as suas crticas; escutar os educados

    23

  • e as suas observaes, reclamaes ou satisfaes com relao escola e sala

    de aula; escutar as carncias expostas pelos professores das escolas do campo,

    enfim, um ato de escuta de cada um dos sujeitos que fazem o processo educativo:

    comunidade escolar, professores e os governos, nas esferas municipal, estadual e

    federal. Por meio da escuta ser gerado o dilogo e dele sero explcitas as

    propostas polticas e pedaggicas necessrias escola pblica.

    Os conhecimentos desses povos precisam ser levados em considerao,

    melhor, o ponto de partida das prticas pedaggicas na escola do campo.

    Quais so os conhecimentos dos povos do campo segundo Damasceno

    (1993, p. 57) entende que a prtica produtiva e poltica dos camponeses so as

    fontes bsicas do conhecimento social. Para ela, os saberes sociais dos

    camponeses podem ser: 1) engendrados na prtica produtiva do campesinato. 2)

    elaborado na prtica poltica envolvendo a construo da identidade de classe e a

    organizao poltica do campesinato.

    Portanto, so os conhecimentos do mundo do trabalho no campo, das

    negociaes em torno da produo, das necessidades bsicas para a produo de

    determinados produtos, a organizao dos trabalhadores em cooperativas;

    iniciativas na rea da Agroecologia; organizao das comunidades de pescadores.

    Enfim, so grupos de resistncia, que se recusam a inserir-se no modelo capitalista

    competitivo de produo e criam alternativas outras para manter o vnculo com o

    trabalho e vida no campo. E, os conhecimentos do mundo da poltica, da

    participao ou da observao de como se d a tomada de deciso por parte do

    poder pblico local ou nacional, e da organizao que se faz necessria aos povos

    do campo, para que sobrevivam na lgica perversa que o mercado impe queles

    que constituem fora de trabalho e/ou vivem da produo em pequenas parcelas de

    terras.

    Compreender a educao a partir da diversidade presente no campo, do

    modo de vida, implica em construir polticas pblicas que assegurem o direito

    igualdade com respeito s diferenas; implica a construo de uma poltica pblica

    de educao na qual a formao de professores possa contemplar estes

    fundamentos.

    Esta forma prpria de existncia produz saberes, que foram acumulados ao

    longo das experincias vividas pelos sujeitos do campo.

    24

  • Destaca-se a importncia da escola estar localizada no campo, para que

    seja reforado o debate da educao do campo. Mesmo havendo necessidade de

    nuclearizao, importante que esta seja efetivada no prprio campo.

    A escola vai alm de um local de produo e socializao do conhecimento,

    sendo tambm espao de convvio social, onde acontecem reunies, festas,

    celebraes religiosas, atividades comunitrias - como bazar, vacinao, etc.,

    possibilitando articulao da comunidade, potencializando a permanente (re)

    construo de uma identidade cultural, possibilitando especialmente a elaborao de

    novos conhecimentos. Sem deixar de falar, que evita o desgaste provocado pelas

    grandes distncias e pelo transporte de baixa qualidade.

    Enfim, trazer a educao do campo para o debate no mbito das polticas

    educacionais, da formao de professores, da prtica pedaggica nas escolas

    reconhecer a existncia de um modo de vida que tem sido freqentemente

    desvalorizado na sociedade brasileira e do quais muitos de ns fazemos parte.

    1.3 ORGANIZAES POLTICA, MOVIMENTOS SOCIAS E CIDADANIA DO HOMEM DO CAMPO

    Para TOMAZI (1993, p.247) que informa, nos anos 80, a importncia dos

    movimentos sociais foi notvel na campanha por eleies diretas para presidente da

    Repblica - as Diretas j (1984-1985) e na Constituinte de 1988, na qual se

    verificaram avanos importantes com relao aos direitos de cidadania por influncia

    dos movimentos sociais.

    E neste nicho de assistncia social que a sociedade inclusiva pode agir

    como catalisadora de uma transio da formao scio-antropolgico da arte do

    conhecimento da integrao da cidadania do homem do campo na Rede de Ensino.

    O primeiro sentimento, o mais simples, que compartilhar da vivncia familiar que

    miscelnea de uma bagagem de aprendizagens, vai se aprendendo sobre esse

    misterioso ofcio de comunicao entre pessoas.

    E, j nos anos 90, a deposio do ento presidente da Repblica, Fernando Collor de Mello, resultou de intensas mobilizaes da sociedade civil, num amplo movimento em que se destacaram os estudantes os caras-pintadas -, cujo objetivo, via destituio do presidente, era o estabelecimento da tica na poltica. No entanto, a maioria dos problemas

    25

  • sociais permanece, alguns at agravados. Mas suas solues dependem, certamente, da capacidade de a sociedade civil organizar-se em movimentos sociais, de forma a consolidar e ampliara os direitos sociais e polticos conquistados (TOMAZI, 1993, 247).

    A cidadania do homem do campo tem que fazer parte integral no cotidiano

    de uma expresso cultural do povo, sendo seu principal sustentculo a fora de

    grandes manifestaes que atiam a imaginao popular brasileira a mensagem

    representada pela sociedade inclusiva.

    Tal ruptura, certamente, envolveria modificaes conceituais profundas nas

    prticas pedaggicas, para a preveno da educao do campo como uma

    transformao de sua ttica produzida por algum que ensina em algum que

    aprende e inscreve-se no mbito do convnio tcnico cientfico. Uma das questes

    fundamentais para a formulao de diretrizes para a gerao de programas de

    preveno a caracterizao do pblico alvo os homens e as mulheres so os

    agentes potenciais do processo de conservao adequada dos recursos para evitar

    desinformao da sociedade inclusiva.

    O Brasil destaque como foco das atenes ambientais do mundo inteiro

    por abrigar a Floresta Amaznica, a maior reserva da biodiversidade no Planeta. As

    preocupaes da agenda ambiental brasileira apresentam-se amplas e

    diversificadas, agravadas que so pelas limitaes de um pas em desenvolvimento

    (SEBRAE, 1998).

    A LDB tem como objetivo levar as pessoas a repensar a educao para a

    populao rural, tal como tem sido praticado nas redes pblicas, trata-se de

    questionar a prtica pedaggica e traar metas para a educao das pessoas do

    campo, que se prope pelos Parmetros Curriculares Nacionais contidos na Nova

    LDB. Levar cada um a refletir os fundamentos da modernidade na educao no

    Brasil. Pretende-se, portanto, que a pessoa compreenda mais os homens do campo,

    no s como algum oprimido e desesperanado, mas, acima de tudo, que os veja

    como um ser humano que luta e resiste das mais diversas formas, como qualquer

    um de ns considerado como uma Pessoa no setor urbano. Agradou o fato de que,

    pelo menos existe uma lei que digna de registro para educao rural, isto significa

    um grande avano para educao no Brasil texto da lei n 9.394/96, artigo 28,

    segundo LDB: na oferta de educao bsica para a populao rural, os sistemas de

    26

  • ensino promovero a adaptaes necessrias a sua adequao as peculiaridades

    da vida rural e de cada regio, especialmente ( LDB, 1996, p.17).

    O trabalho parte das reflexes em torno da questo contraditria em que se

    encontra o meio ambiente ao do homem que rompe o equilbrio ecolgico do

    planeta terra vo interferir do meio que esto inseridos.

    verdade que a prpria natureza, com as erupes vulcnicas, os terremotos, os furaes e os maremotos, tambm provocam grandes estragos no meio ambiente. preciso lembrar, porm, que muitas vezes ela responde s agresses a que submetida pelo ser humano. Tempestades avassaladoras ou secas rigorosas ocorrem em virtude de mudanas climticas decorrentes dos desmatamentos. O uso inadequado dos solos para a agricultura tem aumentado o processo de desertificao em quase todos os continentes (ALMEIDA; RIGOLIN, 2002, p.159).

    No Brasil, a questo no campo, antes de tudo, conseqncia de seu

    passado, como fatores principais de sua existncia, destacaram as faltas de metas

    governamentais para agricultura e o xodo rural. Apontaremos as relaes

    existentes entre a prtica pedaggica perante a Educao do campo e

    preocuparemos em encontrar o processo das transmisses dos valores culturais e

    tentar quebrar essa perpetuao para promover e impor uma nova relao da

    excluso do homem do campo para a socializao da humanidade como um todo.Os principais artigos sublinhados pela historiografia brasileira foram: o pau Brasil e as especiarias, nas primeiras dcadas do sculo XVI; o acar, a partir da segunda metade do sculo XVI; tabaco, em meado do sculo XVII: o ouro, no sculo XVIII; e o caf, no incio do sculo XIX. Desses produtos, o que ultrapassou todo o perodo foi o acar, em momento algum desbancado (ao menos at meados do sculo XIX) de sua primazia em relao ao total das exportaes brasileira (FRAGOSO, FLORENTINO E FARIA. 1998 p.52).

    Percebe-se a interao no mbito do convnio tcnico cientfico que o

    progresso alcana nos ltimos anos do instituto de cincias humanas. O

    desenvolvimento tecnolgico das ltimas dcadas repercutiu de maneira intensa em

    todos aos aspectos da vida social e individual, criando em um novo tipo de

    sociedade.

    Com uma reflexo aprofundada FREIRE e SHOR (1986, p.67) declaram, os

    professores que temem a transformao tambm podem ser atrados para a

    pedagogia libertadora.

    Tornando ainda mais grave a postura conservadora dos professores, na

    realidade no se prope aqui falar inverdade, os docentes ainda vive momentos de

    27

  • incerteza epistemolgica tem que procurar o seu ser libertador da prtica

    pedaggica dentro de si prprio para se tornar um profissional qualificado para lidar

    com as diversidades e a resistncia de muitos professores hipoteticamente

    justificados pelo fato que o processo educativo no Brasil vem de longa data e as

    mudanas geram medo e falta de conhecimento para uma sociedade inclusiva

    inovadora, que repercute no sentido da liberdade. importante alertar o professor

    para no deixar escravizar-se pelo sistema vigente educacional.

    Com uma reflexo aprofundada sobre estudo da identidade na histria da

    economia colnia brasileira Fragoso, Florentino e Faria(1998, p.58), o predomnio,

    ento tido como evidente, da plantation, entendida como latifndio monocultor e

    escravista para exportao, reduziria qualquer outra atividade a uma posio

    dependente deste setor, e s lavouras de alimentos seriam tambm desajustadas e

    absolutamente oscilantes.

    A avaliao dialgica e mediada uma das formas de favorecer a

    democratizao para a sociedade Inclusiva para a Educao do campo e a parceria

    com a agricultura Brasileira.

    Segundo o site na Ecol News Lester Brown (2.003), No incio de um novo

    sculo, a competio pela terra entre o automvel e a agricultura se intensifica. At

    agora, a pavimentao de terras cultivveis vem ocorrendo principalmente nos

    pases industrializados, onde circulam quatro quintos dos 520 milhes de

    automveis mundiais.

    O trabalho parte das reflexes em torno da questo contraditria em que se

    encontra a sociedade inclusiva que tem conquistado dia-a-dia seu espao na histria

    social dos brasileiros. Partindo-se do princpio de tecer algumas consideraes

    sobre as expectativas ao modelo educacional do transmitir verificar registrar da

    prtica pedaggica no Brasil no sentido de uma ao avaliativa, reflexiva e

    desejadora do docente de levar ao conhecimento profundo da ideologia educacional

    se houve valorizao do registro da prtica pedaggica como instrumento de auto-

    capacitao, para professores e alunos.

    As teorias de avaliao institucional recomendam o envolvimento e a

    participao de todos em terem por objetivo provocar determinadas mudanas na

    prtica pedaggica global, nas convivncias diversidade para uma qualidade de

    integrao social para todos os que tm interesse direto na virtude educacional, isto

    28

  • , alunos, pais, corpo docente e parte da sociedade que est inserida de alguma

    maneira e luta para uma sociedade Inclusiva.

    Um primeiro desafio que temos perceber qual educao est sendo oferecida ao meio rural e que concepo de educao est presente nesta oferta. Ter isto claro ajuda na forma de expresso e implementao de nossa proposta. A educao do campo precisa ser uma educao especfica e diferenciada, isto , alternativa. Mas sobretudo deve ser educao, no sentido amplo de processo de formao humana, que constri referncias culturais e polticas para interveno das pessoas e dos sujeitos sociais na realidade, visando a uma humanidade mais plena e feliz (ARROYO, 2004, p.23).

    Refletem FREIRE e SHOR (1986, p.220), isto imaginao. Esta a

    possibilidade de ir alm do amanh sem ser ingenuamente idealista. Isto o

    utopismo, como relao dialtica entre denunciar o presente e anunciar o futuro.

    Antecipar o amanh pelo sonho de hoje.

    Percebemos que o escopo primordial da educao o professor, e o

    revisionismo na rea de educao do campo ser inevitvel, dentro de pouco tempo,

    porque a discusso j esta tomando corpo na nova gerao de professores, mas o

    ensino oficial tem a sua utilidade na medida em que podemos fazer a comparao

    com a educao do campo entre o que nos foi imposto e omitido, j sabemos o que

    ocorreu, na verdade, a imposio de uma cultura completamente distanciada da

    verdade brasileira. Tanto o professor como a escola que est transformando o

    ambiente em que vivem os alunos.

    Acreditamos tambm, que uma fonte de desinformao em conjuno com

    outros preconceitos, perante a educao do campo, subjacente na mente de

    nossa populao, a educao do campo deveria ser trazida tona e discutida

    claramente para haver superao. Isso s se dar atravs de pesquisas e debates

    em torno da questo da reforma agrria e da incluso da educao do campo no

    ensino regular no Brasil.

    29

  • 2. REFORMA AGRRIA: REALIDADE OU FICO?

    As transformaes no cenrio poltico e scio-econmico provocaram fortes

    reflexos no Brasil sobre o estudo do campo. Percebemos que os paradigmas sobre

    a incluso da educao do campo no Brasil devem ser conquistados, de forma a

    tornar a sociedade inclusiva mais dinmica. Favorecendo o desenvolvimento integral

    e global dos homens do campo a conseguirem lidar com as cobranas que o sculo

    XXI exigir das pessoas.

    2.1 LEI DE TERRAS DE 1850

    A ineficcia no que se refere aos diversos e diferentes discursos que cercam

    o tema de reforma agrria e que no encontram respaldo frente s constantes

    mudanas nas conjunturas governamentais, poltica e econmicas, faz com que

    debrucemos nossos estudos sobre o tema em questo.

    Aps o fim do trfico de escravos, ou melhor, com o surgimento da Lei que proibia, e que coincidia com a Lei de Terras (Lei n. 601, de 18-09-1850), pela qual ficavam proibidas as aquisies de terras devolutas por outro ttulo que no seja a compra, iniciaram-se algumas experincias para se desenvolver a produo Agrria, com mo-de-oba livre. A primeira experincia de utilizao da fora de trabalho livre e estrangeira foi realizada pelo senador Vergueiro, grande fazendeiro da regio oeste de So Paulo, que,em 1846,trouxe 364 familias de Alemanha e da Sua. Em 1852, importou mais 1500 colonos e, posteriormente, se props a trazer mais 1000 colonos. (TOMAZI, 1993, p.67).

    O estudo deste tema perfaz assunto de grande cunho cientifico jurdico e

    social, sobre dois aspectos: Primeiramente, por levar os objetivos desse peculiar

    movimento social ao contexto educacional superior e logo aps, num segundo

    momento, pelo puro e simples fato de demonstrar que a verdadeira Reforma agraria

    est longe de acontecer. De acordo com Tomazi (1993, p.63) a partir dessa

    constatao pode-se afirmar que, sem sombra de dvida, o que ocorreu nesse

    imenso territrio a partir de 1500 foi uma verdadeira invaso de estrangeiros, que

    desembarcaram em seu litoral e, pouco a pouco, foram conquistando e dominando

    todos os povos que aqui viviam.

    30

  • Para o fazendeiro, o que mais importava era que os imigrantes fossem pobres e com famlia numerosa, pois, assim, no poderia pagar suas dvidas de transporte facilmente, o que tambm significavam mais braos para trabalhar na fazenda. Alm disso, o estado de pobreza desses imigrantes os impossibilitava de ter acesso a terra, que, conforme a Lei de Terras de 1850, s era possvel por meio de compra.(TOMAZI, 1993, p.69).

    Pensamos ser fundamental voltamos ateno a estes movimentos para

    podermos compreender o avano poltico que o campesinato teve por volta da

    dcada de1950. Pensamos se importantes ressaltar a lutas dos trabalhadores do

    campo durante a Repblica, excluindo durante muito tempo na historia, o campons,

    como se fosse incapaz de participar politicamente dos acordos polticos.

    As crescentes mobilizaes do meio urbano e rural proporcionaram conquistas importantes para os trabalhadores, como relao aos direitos de cidadania, como por exemplo, a promulgao,em 1963,do Estatuto do Trabalhador Rural, que significou a extenso da legislao trabalhista ao meio rural. (TOMAZI, 1993, p.244).

    Na realidade tiveram todos eles em sua base a luta desesperada pela

    sobrevivncia daqueles que necessitavam da terra para produzir e eram includos de

    possu-la.

    Um ponto altos do processo de mobilizao e organizao dos trabalhadores foi criao,em 1962,do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), que aglutinou diversas confederaes, federaes, entidades intersindicais e de pactos de unidades, passando a comandar o movimento operrio em nvel nacional. Nesse processo, h que se destacar o movimento das Ligas Camponesas. Surgidas em 1954, em Pernambuco, as Ligas se espalharam para outros Estados, vindo a ser denominadas, em1963, Ligas Camponesas do Brasil, cuja bandeira de luta era: Reforma agrria e na marra (TOMAZI, 1993,p.245).

    Segundo os estudos do socilogo Nelson Dacio Tomazi,o campesinato

    brasileiro a nica classe social desde a Proclamaao da Repblica, tem uma

    reiterada experincia direta com esses movimentos, rebelies e revoltas dos

    trabalhadores rurais mostravam as formas de situao de explorao das oligarquias

    rurais, criando um estado de classe dominante dos latifundirios sobre os

    camponeses. Para mudar essa viso, necessrio encontrar o caminho da incluso,

    do respeito ao homem do campo. Muitas arbitrariedades ocorrem no dia-a-dia pela

    falta da democratizao do conhecimento, que deveria ter um compromisso explcito

    de transformao social, na qual se inclui a universalizao do direito da cidadania.

    Esse processo de intensa participao ,no entanto,foi interrompido com o golpe militar de 1964, que, a pretexto de livrar o pas do perigo comunista

    31

  • e respaldando-se no binmio ideolgico segurana e desenvolvimento, restringiu a participao popular atravs da criao do bipartidarismo (Arena e MDB) e proibiu toda manifestao popular que visse atentar contra a ordem publica (TOMAZI, 1993, p.245).

    O trabalho utiliza-se da histria inclusiva. De acordo com CARDOSO (1983,

    p.350), no podemos conformar, j, apenas com o fato do vocbulo social ser

    conveniente porque o bastante amplo para convocar discusso interdisciplinaria

    admitindo afinal, que toda a histria social.

    Para mudar essa viso, precisamos encontrar o caminho da incluso, do

    respeito s diferenas individuais. A classificao de seres humanos como

    incapazes por residirem no setor rural tem sido apenas mais uma forma de

    discriminao renegando a essas pessoas a possibilidades de superar suas

    limitaes.

    Haja vista, os exemplos da Guerra de Canudos e Contestado no inicio da

    Republica, muitas vezes descritos como resultados apenas do fanatismo religioso,

    ou como reao de monarquistas contra a Republica, na realidade tivemos todos

    eles que acendeu no homem sertanejo o desejo e a coragem de lutar por seus

    direitos, por sua reivindicaes de uma vida melhor e suas terras.

    No inicio da Repblica, ainda no final do sculo XIX, a violenta represso ao movimento de canudo (1893 1897), na Bahia, marcaria o tom com que os governos tratariam os movimentos sociais nos anos seguintes. Canudos tem sua importncia destacada no apenas pelas derrotas sucessivas que imps as expedies militares, mas tambm pelo exemplo de um povo rude, criado na misria do serto nordestino e oprimido pelos senhores e pela natureza, que, sob a liderana de Antonio Conselheiro, construiu uma comunidade sem polcia e sem impostos, onde todos trabalhavam e a produo era distribuda conforme as necessidades de cada um. Movimento semelhante foi o do Contestado (1912 1916), na divisa do Paran com Santa Catarina. Expulsos das terras que foi cedido ao grupo americano Percival Farguhar para a construo de uma estrada de ferro, os caboclos resistiram essa medida construindo vilas onde se vivia em igualdade e onde se lutava pela terra. Uma carta encontrada no bolso de um caboclo morto dizia: Nois no tem direito de terra, tudo para as gentes da Oropa (TOMAZI, 1993, p.242).

    A luta pela terra no Brasil, j que ns tivemos vrios movimentos pela

    reforma agrria como os exemplos da Guerra de Canudos na Bahia de 1893 a 1897

    e a Guerra do Contestado que ocorreu na fronteira entre o Paran e Santa Catarina

    1912 a 1916, a luta pela terra no Brasil um processo histrico de longa durao

    32

  • que marca as vrias concepes sobre o uso da terra iniciada com a Colonizao e

    Internacionalizao econmica.

    Segundo Tomazi (1993, p.242) a luta pela terra no decorre apenas da

    necessidade de se conquista um pedao de cho para trabalhar, mas tambm da

    necessidade de se conquistarem direitos e de fazer com que as leis expressem

    esses diretos e sejam respeitadas.

    A superao dos obstculos sociais, segundo BOFF (2001, p.37), eles no

    so coisas do passado arcaico, produtos aleatrios do pensamento primitivo ou

    fantasias incontrolada. So atuais, porquanto ns, modernos, tambm criamos

    mitos.

    Partindo-se do princpio que a histria de mitos, que so uma fonte de

    desinformao e outros preconceitos, perante a realidade do homem rural,

    subjacente na mente de nossa populao, as prticas da educao do campo

    deveriam ser trazidas tona e discutidas claramente para haver superao. Isso s

    se dar atravs de pesquisas e debates em torno na questo do campo e da

    incluso no ensino regular no Brasil.

    Expor sobre o conhecimento dos mitos BOFF (2001, p.37), no seguro

    que ns modernos, com nossa inteligncia instrumental, com toda nossa tradio de

    pesquisa emprica, de crtica e de acumulao de saberes sobre praticamente tudo,

    conheamos mais o ser humano que os antigos de mitos.

    inquestionvel a importncia da integrao social das prticas polticas na

    realidade atual. Os preconceitos, nos dias de hoje com toda nossa tcnica,

    tecnologia e conhecimento, j deveria ter sido superado.

    Com ateno para o ensino inclusivo relataram STAINBACK, S, W, (1999,

    p.248), embora nem todos possam aprender a mesma quantidade de coisas ou ter

    o mesmo nvel de conhecimento nessas reas acadmicas, qualquer coisa que seja

    adquirida vlida e digna.

    A incluso estaria mais relacionada a uma proposta de ordem social, cuja

    meta incluir, desde o princpio do ensino regular, aquela parcela da populao que

    tem sido excluda. Pressupe uma mudana radical na escola.

    O grande desafio para educao do homem rural na atualidade de refutar

    as teses conservadoras do sistema educacional vigente no Brasil, os ps e contras

    que so entraves burocrticos para autonomia de uma sociedade inclusiva para os

    brasileiros. Se no devemos fazer uma legenda totalmente negra, igualmente no

    33

  • devemos fazer uma cor-de-rosa sobre a educao do campo e a socializao do

    Novo Milnio.

    Na verdade, o envolvimento dos alunos em suas prprias experincias de aprendizagem e no planejamento e na implementao de experincias de aprendizagem intencionais e significativas para seus colegas considerado fundamental para as turmas inclusivas. Os alunos podem propor atividades, reunir materiais e organizar e implementar qualquer ajuda de que algum deles necessite (STAINBACK, S, W, 1999, p.246)..

    O princpio de tudo o dilogo, entendido a partir dessa relao entre

    docente e discente. De forma alguma uma relao puramente o somente afetiva

    ou emotiva; significa uma reflexo sobre as possibilidades de abertura do educando

    a novas condutas, desenvolver uma ao avaliativa e mediadora para a incluso da

    educao do campo no sistema educacional como uma forma de integrao social

    para todos do ensino regular no Brasil.

    Verificando como esta incluso acontece, como se processa sua interao

    social e seu desenvolvimento na aprendizagem, com a crena de que as escolas

    possam se abrir para receber pessoas educativas ruralistas, pois a incluso

    beneficia a todos.

    2.2 A QUESTO DA TERRA DO HOMEM RURAL

    Refletir sobre as transformaes do xodo rural para xodo urbano e as

    modificaes que elas geram no modo de vida das populaes e nas relaes de

    trabalho. Segundo Prado (1995, p. 15) a poltica de educao para o mundo rural no

    Estado Novo (1937-1945) objetivava aproximar a escola de tarefas prticas s

    necessidades imediatas da populao do campo. Acrescia-se a concepo de que

    educar era fixar e adaptar o homem a terra O autor entendem que o princpio de

    tudo o dilogo, entendido a partir da relao entre a populao e vrios segmentos

    social que gera a questo da terra com o respeito ao homem rural.

    Uma tendncia de pensamento articulada por alguns intelectuais que formularam idias que j vinham sendo discutidas desde a dcada de 1920 e que resumidamente consistiam na defesa de uma escola adaptada e sempre referida aos interesses e necessidades hegemnicas no setor rural. Esse pensamento privilegiava o papel da escola na construo de um "homem novo", adaptado nova realidade brasileira e de uma relao "homem rural escola" pretensamente nova (Prado, 2000, p. 50).

    34

  • A importncia ao se escrever a verdadeira histria brasileira que no deve

    ser somente a dos vencedores, mas tambm a dos vencidos, as cenas de fatos da

    vida real. Resgatam fazem com que os alunos vejam que os homens do campo

    ficavam abandonados pelo governo que no tem um plano governamental voltados

    para a agricultura e o processo de reforma agrria do Brasil sempre est legado ao

    prximo governo um jogando a responsabilidade para outro em quanto ns o povo

    pagamos cada vez mais caro para obteno dos gneros alimentcios em nossa

    mesa em um pas to rico pela sua extenso territorial a falta de poltica

    socioeconmico tem que se a bandeira na mo de nossos alunos para revertem a

    crise da condio econmica e social do povo na vida rural e tambm na urbana.

    No Estado Novo as idias de ruralismo pedaggico vinculavam-se a uma orientao pragmtica, ou seja, o valor da escola rural se traduzia para alm da ao educativa, em um trabalho cvico, patritico e com finalidades econmicas. Se o objetivo da escola rural era valorizar, fixar o homem do campo ao seu meio cabia ao professor primrio rural divulgar a ideologia oficial: "ser um agente construtor e difusor da nova 'cultura poltica (PRADO, 2000, p. 53).

    Sendo assim, pretendemos, com o presente trabalho, analisar e demonstrar

    o valor erro no desenvolvimento cognitivo, dada importncia dessa compreenso

    para uma viso mais construtiva do erro, enfatizando a importncia da avaliao

    dialgica e mediada como uma das formas de favorecer a democratizao para a

    sociedade Inclusiva da Educao do campo embasamos o nosso trabalho, atravs

    de uma reviso na conscientizao que nos remeter ao cerne da questo que a

    avaliao das pessoas do campo no processo de ensino-aprendizagem dentro da

    sociedade brasileira.

    Geralmente encontramos entre os trabalhadores rurais brasileiros baixos indicadores socioeconmicos, como elevada natalidade, elevado analfabetismo, pequena qualificao profissional e baixa remunerao. Alm disso, eles sofrem com a falta de cumprimento da Legislao trabalhista por parte de alguns patres e o elevado nmero de acidente com ferramentas, como faces. Quanto mais distantes das principais cidades e capitais, mais tensas so as relaes sociais no campo (ALMEIDA; RIGOLIN, 2002, p.410).

    Na Sociedade contempornea as memrias tm perdido dia-a-dia seu

    espao. Os seres humanos, independente de sua origem ou grau de cultura, sempre

    procuraram conquistar a sabedoria das coisas. E as explicaes que o homem

    35

  • primitivo dava aos fatos foram repletas de fantasias e erros, por isso, a historia do

    homem rural era considerado e tinha base na experincia particular de cada

    comunidade.

    36

  • 3. A INTREGAO DA EDUCAO DO CAMPO PARA O NOVO MILNIO

    Nesta parte do trabalho o foco se torna de forma exploratria quanto a

    avaliao de desempenho de uma sociedade Inclusiva. Muitas vezes, por falta de

    objetividade dos critrios utilizados ou pela m fluncia na comunicao, so

    cometidos equvocos subestimando ou superestimando dos homens do campo para

    o processo de ensino regular com suas expectativas de aperfeioamento e de

    desenvolvimento e a reabilitao, enfatizando-se a importncia da democratizao

    da Educao do campo para o Brasil.

    Partindo deste cenrio, a educao do campo para a virada de milnio

    tambm prope a ilao dos paradigmas educacionais e governamentais, cujo

    desdobramento resultar em sntese, e, sobretudo tendo como saldo qualitativo o

    encaminhamento que se dar no sentido de aprender as concepes mais

    modernas da inter-relao para a sociedade sem excluso dos homens do campo,

    bem como se colocando em posio de vanguarda, frente aceitao do novo.

    As teorias de avaliao institucional recomendam o envolvimento e a

    participao de todos em terem por objetivo provocar determinadas mudanas na

    prtica pedaggica global, nas convivncias diversidade para uma qualidade de

    integrao social para todos os que tm interesse direto na virtude educacional, isto

    , alunos, pais, corpo docente e parte da sociedade que est inserida de alguma

    maneira e luta para uma sociedade Inclusiva.

    De acordo com a Constituio de 1988, no artigo 6, trs o documento da

    Declarao Universal dos Diretos Humanos, que diz So direitos sociais a

    educao, a sade, o trabalho, o lazer, a segurana, a previdncia social, a proteo

    maternidade e infncia, a assistncia aos desamparados, no forma desta

    Constituio.

    Em busca de melhoria da qualidade de vida com o velho ditado popular que

    prevenir melhor que remediar. E a passagem de uma experincia calada em

    prticas construda e modificada atravs de conhecimentos e buscas de parcerias,

    tendo sempre o mesmo heri da histria: a Preveno junto com a Integrao da

    educao do campo.

    37

  • Para WERNECK (1997, p.224) que informa, a incerteza no apenas a

    me do medo e a me da humanidade. A incerteza move o homem. Deparamo-nos,

    a cada dia, com o que no entendemos e nem temos tempo mesmo que haja

    interesse de tentar entender.

    Verificando como esta incluso acontece, como se processa sua interao

    social e seu desenvolvimento na aprendizagem, com a crena de que as escolas

    possam se abrir para receber pessoas com vrias diversidades culturais e

    educativas, pois a incluso beneficia a todos.

    A aquisio de um novo saber segundo WERNECK (1997, p.225),

    subinformao informao errada, pela metade, manipulada pela mdia, distorcida

    de boca em boca, antiga, paternalista, no colaboradora da incluso.

    So essas situaes que interessam que permitir pessoa a igualdade de

    oportunidades e tratamento e ao exerccio da Cidadania. O presente trabalho teve

    objetivo sensibilizar os professores, sociedade, governo e todo o corpo diretivo das

    escolas, fundamentalmente para o ensino regular e a realidade do campo no Brasil

    que viabilize a implementao de polticas educacionais, privilegiando a questo da

    sociedade inclusiva na exposio do projeto Oportunidades Iguais para Todos,

    priorizando a rea da Educao do campo.

    E uma possvel tentativa de soluo para TOMAZI (1993, p.15)todos os

    homens possuem conhecimentos prticos de como agir, como participar de

    instituies, de grupos, etc. Assim, todos possuem um certo senso comum acerca

    da sociedade ou seja,uma srie de conhecimento adquiridos na prtica de como

    agir em situaes coletivas.

    Visando preparar os seres humanos a conseguirem lidar com as cobranas

    que o sculo XXI exigir frente educao do campo, com as tendncias

    apresentadas pela sociedade moderna, as bases educacionais Brasileira esto

    sofrendo modificaes.

    Conforme TOMAZI (1993, p.17) no o homem enquanto ser isolado da

    histria que interessa para o estudo da sociedade, mas os homens enquanto seres

    que vivem e fazem a histria.

    Os docentes sentem a necessidade de estar constantemente em

    capacitao, o que facilitaria ou contribuiria para o desenvolvimento interno das

    capacidades cognitivas sobre a educao do campo para os discentes e a

    sociedade Brasileira, mas as intenes do presente trabalho so de mostra que o

    38

  • passado mltiplo, dando subsdio para uma nova abordagem a respeito do papel

    das elites no panorama poltico brasileiro para se saber o que est acontecendo na

    atualidade permite aos discentes uma anlise mais profunda nos temas

    desenvolvidos em sala de aula. Levando-o um aprofundamento das informaes dos

    processos histricos na questo na terra do Brasil.

    neste contexto que se faz necessrio pensar a educao do campo, que

    esteve margem nas polticas educacionais, uma vez que da tica oficial a

    educao no era necessria aos povos trabalhadores da terra. A questo agrria

    esteve visvel em diferentes conjunturas polticas, em funo da atuao dos

    movimentos que reivindicam reforma agrria, muito embora ela tenha sido tratada

    como problema social, como diz Martins (2000), e no como questo estrutural. J,

    a educao do campo tem conquistado espao poltico na conjuntura atual, em

    funo da atuao dos movimentos sociais e das iniciativas governamentais que,

    por sua vez, foram impulsionadas pela sociedade civil organizada. A Coordenao

    da Educao do Campo do estado do Paran h mais de trs anos vem discutindo e

    participando, com os movimentos e organizaes sociais, da elaborao de

    propostas de polticas pblicas para a educao do campo.

    Num momento poltico, final dos anos de 1990, em que os movimentos

    sociais conquistaram espao na agenda poltica e que as questes tnicas,

    ecolgicas e socioculturais tm sido discutidas, faz-se necessrio apontar algumas

    diretrizes, com o carter de contribuies, educao do campo. Cabe destacar que

    a existncia deste texto tem estreita relao com o debate empreendido nos

    diversos espaos pblicos de encontro entre Sociedade Civil organizada e Estado,

    a exemplo dos Seminrios Estaduais de Educao do Campo promovidos no estado

    do Paran desde o ano de 2004, pela Coordenao da Educao do Campo/SEED

    com apoio do Ministrio da Educao(MEC) e com a participao dos movimentos e

    organizaes sociais, secretarias municipais de educao, universidades pblicas e

    dos encontros pedaggicos com os professores da rede pblica de ensino.

    preciso esclarecer que a definio de escola do campo s tem sentido

    quando pensada a partir das particularidades dos povos do campo. Essa definio

    est referendada, no pargrafo nico do art.2 das Diretrizes Operacionais para a

    Educao Bsica nas Escolas do Campo:

    39

  • A identidade da escola do campo definida pela sua vinculao s questes inerentes a sua realidade, ancorando-se na sua temporalidade e saberes prprios dos estudantes, na memria coletiva que sinaliza futuros, na rede de Cincia e Tecnologia disponvel na Sociedade e nos Movimentos Sociais em defesa de projetos que associem as solues por essas questes qualidade social da vida coletiva no pas (MEC, 2002, p.37)

    A escola do campo deve corresponder a necessidade da formao integral

    dos povos do campo. Para tal, precisa garantir o acesso a todos os nveis e

    modalidades de ensino (Educao Infantil, Ensino Fundamental, Mdio e

    Profissionalizante, Educao de Jovens e Adultos e Educao Especial), de acordo

    com o artigo 6 das Diretrizes Operacionais para a Educao Bsica nas Escolas do

    Campo, e no apenas se restringir, como usualmente, aos Anos Iniciais do Ensino

    Fundamental.

    Dentre as contradies da sociedade brasileira tem presena a questo

    agrria, que como diz Martins (2000) ... tem a sua prpria temporalidade, que no

    o tempo de um governo. Ela no uma questo monoltica e invariante: em

    diferentes sociedades, e na nossa tambm, surge em circunstncias histricas

    determinadas e passa a integrar o elenco de contradies, dilemas, tenses que

    mediatizam a dinmica social e, nela, a dinmica poltica(p.98-99). Para o autor, a

    questo agrria eminentemente histrica, trata-se do tempo da conjuntura histrica

    e no simplesmente das diversas conjunturas polticas e econmicas. A questo

    agrria est no centro do processo constitutivo do Estado republicano e oligrquico

    no Brasil, assim como a questo da escravido estava nas prprias razes do Estado

    monrquico no Brasil imperial. (MARTINS, 2000, p. 101).

    40

  • CONSIDERAES FINAIS

    A predominncia da Educao do Campo mundialmente precisa ser

    encarada num quadro mais amplo que meramente regional. Outras variveis devem

    ser consideradas para uma reflexo analtica mais profunda da existncia e papel da

    sociedade atualmente.

    Em tempo dominado pela transformao inclusiva, na qual se inclui a

    universalizao do direito da cidadania para todos, um espao fundamental para

    compreendermos as variadas prticas pedaggicas para Educao do Campo.

    Nesta pesquisa, buscamos uma histria do ser humano, inserido em seu grupo

    social, como forma de dar subsdios a novas pesquisas cientficas.

    Acreditamos que tambm as fontes bibliogrficas reunidas neste trabalho

    possibilitaram aos pesquisadores desenvolver analogicamente os mais variados

    assuntos que foram abordados a cerca da Educao do Campo no Brasil.

    Entendemos que questes pertinentes s pessoas do setor rural so difceis

    de serem tratadas por envolverem vrios aspectos sociais: o governo, a sociedade,

    a profissionalizao dos professores e o preconceito.

    O projeto de pesquisa ingressa no cenrio poltico um espao de estudo.

    Espera-se dar conta destas impresses empricas utilizando-se da concepo do ser

    humano da realidade histrica de seu pas, de um modo geral, torna-se possvel a

    discusso sobre a situao do povo brasileiro na atualidade, que continua a

    mesma predominncia das elites fundirias ns chegamos mais de Quinhentos anos

    de Histria, as bases estruturais das concentraes das terras so praticamente as

    mesmas ao longo da Histria Brasileira.

    O trabalho teve como objetivo analisar o comportamento de docentes e a

    poltica pblica e as diversas vises sobre a manuteno da prtica pedaggica e a

    questo da educao do campo no Brasil. Em especial, preocupam-se em relacionar

    as vrias formas pelos quais os professores, rgos pblicos e a sociedade buscam

    uma relao dialgica na construo dos conhecimentos educacional para as

    diversas disciplinas dentro da realidade da educao do campo.

    41

  • O estudo insere-se no campo da pesquisa qualitativa, configurada em um

    estudo de excluso, onde a preocupao central retratar as possibilidades de

    incluso; a pesquisa est dentro de uma abordagem etnogrfica, por possibilitar

    tambm a combinao de vrios instrumentos de coleta, observao que possam

    oferecer um quadro vivo com toda riqueza de informaes faz parte integrante uma

    reviso terica na excluso do estudo de campo.

    Historicamente, a discriminao um fenmeno que pe em jogo a prpria

    sobrevivncia, que uma grande parcela da populao da luta pela terra foi excluda

    do convvio social, e muitas arbitrariedades ocorrem no dia-a-dia pela falta da

    democratizao do conhecimento, que deveria ter um compromisso explcito de

    transformao social, na qual se inclui a universalizao do direito da cidadania para

    todos.

    inquestionvel a importncia da integrao social das prticas polticas na

    realidade atual. Os preconceitos, nos dias de hoje com toda nossa tcnica,

    tecnologia e conhecimento, j deveria ter superado. Mas, ainda hoje, vrias pessoas

    se mostram muitos no conseguem enxergar ou fingem no ver a necessidade da

    integrao Poltica que os seres humanos, independentes de sua origem ou grau de

    cultura, sempre procuraram a sabedoria das coisas.

    Conclumos que na sociedade contempornea a memria tem perdido dia a

    dia seu espao, nada melhor que trabalhar pesquisa de memrias que seja verdico,

    pois representa aquele que impede que a histria se perca, organizando as fontes

    histricas de memrias, materializao do distanciamento do ser humano de suas

    razes e sua verdadeira histria de seu pas. Passado, presente e futuro entrelaam

    no lembrar e esquecer.

    Percebe-se ento que memria resistncia, na medida em que extrapola o

    tempo da sociedade contempornea, que ainda hoje existem caractersticas da luta

    pela terra no Brasil como uma postura crtica diante da reedio dos seus princpios

    e mtodos, os quais de maneira alguma condizem os ditames da verdadeira

    democracia para todos.

    42

  • REFERNCIAS

    ALMEIDA, Lcia Marina Alves; Rigolin, Trcio Barbosa. Geografia. So Paulo: tica, 2.002.

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    http://veja.abril.com.br/260308/p.%20106.%20Acessado%20em%2017/07/2009http://veja.abril.com.br/260308/p.%20106.%20Acessado%20em%2017/07/2009file:///home/portal/Desktop/Revista. Edi??o 2053 26 de mar?o de 2008http://www.ibge.org.br/

  • ANEXOS

    45

  • A FIGURA I - A ILUSTRAO DA PRODUO BRASILEIRA.

    FONTE: IBGE (2009).

    Percebe-se a necessidade de preparar a criana e adulto para a vida, com

    informaes cada vez mais atualizadas. Historicamente, as desinformaes um

    fenmeno que pe em jogo a prpria sobrevivncia. O elevado crescimento

    demogrfico, que sofrem com a falta de metas para a educao do campo mais

    adequado para cada cidade Brasileira.

    Observa-se a necessidade de promoo de igualdade de oportunidades e

    tratamento para o exerccio da Cidadania. importante sensibilizar a populao

    geral, para o respeito com o homem do campo, particularmente, viabilizando a

    implementao de polticas educacionais para a agricultura. A nova e complexa

    realidade brasileira exige a busca de caminhos e solues para uma sociedade

    inclusiva que lute para a preservao do meio ambiente sustentvel para o homem

    do campo.

    A partir da pesquisa tem como objetivo compreender a estrutura de

    funcionamento, desde o incio do processo, da coleta de ocupao da populao

    Brasileira.

    A ocupao do territrio brasileiro extremamente desigual: ao mesmo tempo em que temos municpios com menos de 1 hab./Km, como Atalaia do Norte (Amazonas) h outros, como So Joo do Meriti(Rio de Janeiro), com 12.897,8hab./Km. Mas j possvel notar uma pequena modificao quanto s reas de grande concentrao populacional. A regio Sudeste possui hoje 41,98% dos habitantes do pas. Em 1991, representava quase 44% desse total (ALMEIDA; RIGOLIN, 2002, p.441).

    46

  • Para mudar essa viso, necessrio encontrar o caminho da incluso, do

    respeito ao setor rural brasileiro. Muitas arbitrariedades ocorrem no dia-a-dia pela

    falta da democratizao do conhecimento, que deveria ter um compromisso explcito

    de transformao social, na qual se inclui a universalizao do direito da cidadania

    para todos.

    TABELA 01 - ESTIMATIVA DA POPULAO PELO IBGE.

    Populao Total - 1980-2000

    FONTE: IBGE, Censo Demogrfico1980- 2000

    A FIGURA II A ILUSTRAO DA POPULAO DENSIDADE DE POVOAMENTO

    47

  • FONTE: IBGE, Censo demogrfico 2000.

    FIGURA III - BRASIL: DENSIDADE DEMOGRFICA.

    48

  • FONTE: Adaptado de Altas Geogrfico escolar. Rio de Janeiro IBGE 2002.

    Partindo-se de dados estatsticos do IBGE, Censo Demogrfico (2.000) que

    foi o levantamento a nvel Nacional sobre esta nova e complexa realidade brasileira

    para a busca de caminhos e solues na sociedade inclusiva para a educao do

    campo.

    49

  • A FIGURA IV A ILUSTRAO DA POPULAO DO BRASIL PELO IBGE

    POPULAO TOTAL E PROPORO DA POPULAO

    POR SEXO, GRANDES GRUPOS DE IDADEE SITUAO DE DOMICLIO

    1980 1990 1996 2000Populao total (1)

    119.002.706 146.825.475 157.070.163 169.799.170

    Por sexo (%) Homens 49,68 49,36 49,30 49,22Mulheres 50,31 50,63 50,69 50,78 Por grandes grupos de idade (%)

    0-14 anos 38,20 34,72 31,54 29,6015-64 anos 57,68 60,45 62,85 64,5565 e mais 4,01 4,83 5,35 5,85Urbana 67,59 75,59 78,36 81,25

    Rural 32,41 24,41 21,64 18,75

    POPULAO RESIDENTE TOTAL, POR SEXO E GRUPOS DE IDADE - 2000

    GRUPOS DE IDADE POPULAO TOTAL

    TOTAL HOMENS MULHERESTOTAL 169 799 170 83 576 015 86 223 1550 a 4 anos 16 375 728 8 326 926 8 048 8025 a 9 anos 16 542 327 8 402 353 8 139 97410 a 14 anos 17 348 067 8 777 639 8 570 42815 a 19 anos 17 939 815 9 019 130 8 920 68520 a 24 anos 16 141 515 8 048 218 8 093 29725 a 29 anos 13 849 665 6 814 328 7 035 33730 a 34 anos 13 028 944 6 363 983 6 664 96135 a 39 anos 12 261 529 5 955 875 6 305 65440 a 44 anos 10 546 694 5 116 439 5 430 25545 a 49 anos 8 721 541 4 216 418 4 505 12350 a 54 anos 7 062 601 3 415 678 3 646 92355 a 59 anos 5 444 715 2 585 244 2 859 47160 a 64 anos 4 600 929 2 153 209 2 447 72065 a 69 anos 3 581 106 1 639 325 1 941 78170 a 74 anos 2 742 302 1 229 329 1 512 97375 a 79 anos 1 779 587 780 571 999 01680 anos e mais 1 832 105 731 350 1 100 755FONTE: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Departamento de Populao Indicadores Sociais, Censo Demogrfico 2000.

    A FIGURA V A ILUSTRAO DA IMIGRAO INTERNA.

    50

  • FONTE: PESQUISA A adaptado de Veja na Sala de Aula, guia do professor, ano 2, n 24,4

    agosto.1999.

    A FIGURA VI - PLANILHA UTILIZADA PARA CONTROLE DE ENTRADA DO

    HOMEM DO CAMPO PELA REFORMA AGRARIA.

    51

  • FONTE: IBGE E INCRA (2009).

    A FIGURA VII - DEMONSTRAO DA TERRA NO BRASIL.

    FONTE: PESQUISA DE CAMPO (2009).

    A FIGURA VIII - DEMONSTRAO DA HISTRIA RURAL E URBANA NO BRASIL.

    52

  • FONTE: IBGE/PNDS1981. 1991.

    A FIGURA IX DEMONSTRAO DO CAMPO NA PRODUAO DE

    SUBSISTNCIA PARA O POVO BRASILEIRO.

    FONTE: PESQUISA DE CAMPO DO CAF (2009).

    A FIGURA X DEMONSTRAO DO CAMPO NA PRODUAO DE

    SUBSISTNCIA PARA O POVO BRASILEIRO.

    53

  • FONTE: FOTO DE ARROZ (2009).

    A FIGURA XI DEMONSTRAO DO CAMPO NA PRODUAO DE

    SUBSISTNCIA PARA O POVO BRASILEIRO.

    FONTE: FOTO DE FEIJO (2009).

    A FIGURA XII DEMONSTRAO DO TRATAMENTO SETOR RURAL

    BRASILEIRO.

    54

    http://www.to.gov.br/central/imagem.php?id=7262&s=16&d=2

  • FONTE: REVISTA VEJA/EDIO 2053 26 DE MARO DE 2008. FOTO: ALBERTO CEZAR ARAUJO.

    A FIGURA XIII DEMONSTRAO DO TRATAMENTO SETOR RURAL.

    BRASILEIRO.

    55

  • FONTE: REVISTA VEJA/EDIO 2053 26 DE MARO DE 2008 FOTO: MARLENE BERGAMO.

    A FIGURA XIV DEMONSTRAO DO TRATAMENTO SETOR URBANO

    BRASILEIRO.

    FONTE: PESQUISA DE CAMPO DA CIDADE DE CURITIBA (2009).

    56

  • 57

    Na verdade a questo agrria engole a todos e a tudo, quem sabe e quem no sabe quem v e quem no v quem quer e quem no quer (Jos de Souza Martins, O poder do Atraso, 1994).RESUMO..................................................................................................................061. ANTECEDENTES DAS TRAJETRIAS DA EDUCAAO DO CAMPO NA SOCIEDADE BRASILEIRA......................................................................................111.2 O CAMPO: ASPECTOS GERAIS E CONCEITOS..............................................191.3 CULTURA E IDENTIDADE CAMPESINA...........................................................221.4 ORGANIZAES POLTICA, MOVIMENTOS SOCIAS E CIDADANIA DO HOMEM DO CAMPO.................................................................................................25

    2. REFORMA AGRRIA: REALIDADE OU FICO?............................................302.1 LEI DE TERRAS DE 1850...................................................................................302.2 A QUESTO DA TERRA DO HOMEM RURAL..................................................34

    3. A INTREGAO DA EDUCAO DO CAMPO PARA O NOVO MILNIO....................................................................................................................................37CONSIDERAES FINAIS.......................................................................................41REFERNCIAS..........................................................................................................43ANEXOS....................................................................................................................45 CONSIDERAES FINAIS

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