educação física escolar na Ditadura Militar 1964-1985 - Iniciação cientifica

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<p>UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA FACULDADE DE CINCIAS DEPARTAMENTO DE EDUCAO FSICA CMPUS UNIVERSITRIO DE BAURU</p> <p>A EDUCAO FSICA NO REGIME MILITAR</p> <p>PEDRO LUCAS DOS SANTOS PGO RELATRIO FINAL</p> <p>BAURU 2011</p> <p>UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA FACULDADE DE CINCIAS DEPARTAMENTO DE EDUCAO FSICA CMPUS UNIVERSITRIO DE BAURU</p> <p>A EDUCAO FSICA NO REGIME MILITAR</p> <p>PEDRO LUCAS DOS SANTOS PGO</p> <p>Orientadora: Prof. Dr. DAGMAR A. CYNTHIA FRANA HUNGER</p> <p>Relatrio Final apresentado Comisso Permanente de Pesquisa da Faculdade de Cincias, da Universidade Estadual Paulista Jlio de Mesquita Filho, Campus de Bauru (UNESP/CNPq/PIBIC/2010-2011).</p> <p>BAURU SUMRIO</p> <p>INTRODUO ............................................................................................................................... 4 OBJETIVO ............................................................................................................................... 7 METODOLOGIA ............................................................................................................................... 8 1. O Contexto Histrico da Ditadura Militar no Brasil (1964-1985) ............................................................................................................................... 14 1.1 Joo Goulart e o Golpe de 1964 ............................................................................................................................... 14 1.2 O Regime Militar ............................................................................................................................... 15 1.3 O Governo Costa e Silva e o Golpe dentro do Golpe ............................................................................................................................... 16 1.4 Os Anos de Chumbo e o Milagre Econmico ............................................................................................................................... 16 1.5 Abertura Gradual, Lenta e Segura ............................................................................................................................... 18 1.6 Redemocratizao e as Diretas J ............................................................................................................................... 19</p> <p>1.7 Reencontro com a Democracia ............................................................................................................................... 20 2. Breve Histrico da Educao Fsica nos anos do Regime Militar (19641985) no Brasil ............................................................................................................................... 20 2.1 Educao Fsica Escolar ............................................................................................................................... 20 2.2 Esportes para Todos ............................................................................................................................... 25 2.3 O Esporte sob a gide da Ditadura Militar ............................................................................................................................... 28 2.4 A Formao do Professor de Educao Fsica ............................................................................................................................... 31 RESULTADOS E DISCUSSO ............................................................................................................................... 35 CONSIDERAES FINAIS ............................................................................................................................... 72 REFERNCIAS ....................................................................................................................... 75 APNDICE A - Roteiro base de questes para entrevista ............................................................................................................................... 78 APNDICE B Entrevistas ............................................................................................................................... 80</p> <p>I</p> <p>NTRODUO_____________________________________________________</p> <p>Como estudante do ensino fundamental, especialmente, a partir dos estudos da disciplina de Histria Contempornea, na parte dedicada Histria do Brasil, em que estudamos a Ditadura Militar, despertou-me as primeiras indagaes com referncia a esse perodo, to marcante na sociedade brasileira. Os depoimentos de pessoas torturadas e censuradas, que lamos nas apostilas e livros didticos, reforaram ainda mais nosso choque ao saber que h pouco mais de trinta anos o nosso pas abrigava um regime manipulador, controlador e que afetou vidas, os costumes, a cultura e o cotidiano de uma parcela significativa da populao. Foi quando ouvimos a msica Apesar de Voc e Clice, de Chico Buarque de Hollanda, que tivemos uma compreenso melhor de at onde chegou o totalitarismo do governo naqueles anos. No primeiro semestre do curso de Licenciatura em Educao Fsica, na disciplina de Histria da Educao Fsica, Esporte, Lazer e Dana, novamente foram retomadas questes pertinentes a esse perodo, especificamente, no que diz respeito Educao Fsica. As aulas proporcionaram estudos mais aprofundados. Realizamos leituras da literatura especfica do assunto, no entanto, a indagao de como a ditadura teria influenciado no cotidiano do ensino da educao fsica escolar no ficou devidamente esclarecida. Assim, justifica-se a pesquisa ora apresentada sobre a Educao Fsica Escolar, especialmente, nos anos da ditadura militar, buscando por intermdio de depoimentos orais de professores que atuaram no perodo, ampliar o entendimento que temos presente na bibliografia estudada, a qual pontua que tal governo influenciou na prtica esportiva das aulas de educao fsica e que isso se reflete at os dias atuais, bem como o desenvolvimento daquelas aulas. A literatura estudada relata que o governo nos anos do regime de exceo usou a Educao Fsica Escolar aliada ao esporte como fonte de alienao da populao, a fim de obter-se um controle do povo e dos alunos por intermdio da prtica esportiva. Ou seja, a</p> <p>Educao Fsica neste perodo representou uma estratgia para o governo, que calcado no militarismo, fazia da sua gesto um governo com poder centralizado pelas Foras Armadas, que tinham o controle da economia, da poltica, dos meios de comunicao, da educao e da cultura. O esporte foi usado como uma razo, neste caso alienador do povo brasileiro, em que as pessoas ao praticarem esportes, no teriam tempo ou motivo para se envolver em questes de natureza subversiva como a contestao da forma de gesto do pas pelos seus governadores, especialmente no mbito poltico, dentro das universidades. A Educao Fsica era obrigatria nos trs ramos de ensino no pas, primeiro e segundo graus e ensino superior, tal era o desejo do governo de atravs do esporte escolar controlar os estudantes segundo a literatura onde mais a frente dialogarei, fazendo umas das caractersticas da educao fsica como sendo tecnicista pautada no rendimento. Tambm o esporte escolar foi visto como um meio para se chegar ao esporte de alto rendimento, pois as conquistas que o pas conseguisse a nvel internacional com o esporte seriam usadas como propaganda do governo. Assim, foram feitos investimentos na infraestrutura escolar para a prtica esportiva e nos recursos humanos formadores em educao fsica a fim de conter a alta demanda por professores. As empresas tambm utilizavam a educao fsica, por influncia do governo, para cuidar da fora de trabalho, onde se mantinham espaos para a prtica desportiva que se praticadas, melhorariam as qualidades fsicas de funcionrios e por consequncia a melhoria da produo dentro das indstrias. O Programa Esporte para Todos foi outro meio de incentivar a prtica de esportes pela massa. Esta estratgia visava convencer o povo de que o milagre econmico tinha seu lado social, e que este como forma de lazer traria a sensao de melhoria na qualidade de vida da populao, juntamente com o desenvolvimento econmico em alta no incio da dcada de 1970. Dentro das escolas pblicas, no estado de So Paulo, foram criadas as turmas de treinamento para o primeiro e segundo graus e o Clube Escolar a fim de priorizar as competies com nfase nas modalidades olmpicas em que os alunos eram matriculados para participarem destas. Dentre as doutrinas para a conduo poltica da Educao Fsica Escolar que iriam nortear as aulas, a doutrina do pragmatismo foi escolhida, sendo que o individuo era formado para a competio esportiva. Neste sentido, objetivou-se por meio de relatos orais, ampliar a compreenso da Educao Fsica enquanto disciplina escolar no perodo citado, da esportivizao nas aulas, do que</p> <p>pensam hoje os professores a respeito da relao entre a Educao Fsica e o Governo Militar e at que ponto a ideologia do Estado atingiu e influenciou os processos de ensino desta disciplina escolar.</p> <p>OGeral:</p> <p>BJETIVO__________________________________________________________</p> <p>Preservar a memria histrica, sociocultural e pedaggica do processo educacional da Educao Fsica Escolar nos anos da Ditadura Militar no Brasil. Especfico: Analisar os contedos e o processo de ensino-aprendizagem da Educao Fsica Escolar no perodo de 1964-1985, sob a ptica de professores que atuaram neste perodo na rede pblica de ensino da cidade de Bauru/SP, ou ainda, os mtodos e estratgias de ensino, os contedos abordados, as condies materiais e fsicas disponveis e, especialmente, a influncia do governo militar no mbito do ensino da educao fsica escolar.</p> <p>M</p> <p>etodologia_________________________________________________________</p> <p>NATUREZA DA PESQUISA Na presente investigao1 objetivou-se analisar no perodo do Regime Militar Brasileiro, que perdurou de 1964 a 1985, bem como os mtodos, processos e tcnicas de ensinoaprendizagem desta disciplina, as instalaes fsicas, as condies materiais, a percepo dos professores que, atuaram naquele perodo sobre o modo de governo daquela gesto e especialmente, a influncia ou no do governo militar no cotidiano e no desenvolvimento desta disciplina no interior da escola. Para tanto, discutiu-se os depoimentos coletados a luz da reviso da literatura, caracterizando-se como uma pesquisa de cunho qualitativo, que segundo Haguette (1985), fornece uma compreenso profunda de certos fenmenos sociais apoiados no pressuposto da maior relevncia do aspecto subjetivo da ao social face a configurao das estruturas societais, seja a incapacidade da estatstica de dar conta dos fenmenos complexos e dos fenmenos nicos. (...) Os mtodos qualitativos enfatizam as especificidades de um fenmeno em termos de suas origens e de sua razo de ser. (p. 51). Ainda sobre a pesquisa qualitativa podemos afirmar de acordo com Andr (1995, p. 17), baseia-se em princpios como a valorizao da maneira prpria de entendimento da realidade pelo indivduo, no aceitando que a realidade seja algo externo ao sujeito. No estudo de carter qualitativo, enfatiza a autora, essencial a viso holstica dos fenmenos considerando as interaes e as influncias existentes1</p> <p>Projeto aprovado pelo Comit de tica em Pesquisa da Faculdade de Cincias UNESP/Bauru, processo n. 6201/46/01/11.</p> <p>entre todos os componentes de uma situao. Sampieri (2006, et al) ainda enfatiza que os dados da pesquisa qualitativa consistem: (...) na descrio profunda e completa de eventos, situaes, imagens mentais, interaes, percepes, experincias, atitudes, crenas, emoes, pensamentos e comportamentos particulares das pessoas, seja de forma individual ou coletiva. Coleta-se com a finalidade de analis-los para compreend-los e assim responder a questes de pesquisa ou gerar conhecimento. Essa categoria de dados muito til para compreender os motivos subjacentes, os significados e as razes internas do comportamento humano. Assim, no so reduzidas a nmero para serem analisadas estatisticamente (mesmo que em alguns casos, sim, h interesse da parte do pesquisador em faz-lo (p. 377). Ou seja, esses dados so coletados com o intuito de desmistificar a hiptese histrica, no caso em especifico a educao fsica escolar num passado recente, e ento gerar um conhecimento sobre o tema, alm do que j foi produzido.Cabe salientar ainda que no decorrer das falas dos entrevistados, pode-se constatar, descobrir e averiguar outras questes alm das enunciadas no objetivo deste pesquisa, o que enriqueceu ainda mais o trabalho, fazendo com que os limites da investigao fossem alm do esperado pelo pesquisador.</p> <p>MTODO DE ABORDAGEM Utilizou-se do mtodo histria do tempo presente, que em sua unidade ir analisar o cotidiano e sua memria por meio de temas que vinculam sua situao quanto durao, sua insero no tempo, sua proximidade em relao a ns, pois um grave erro corrente o de que todos imaginam capazes de fazer a histria [...] porque a histria que vivemos: faz parte de nossas lembranas e de nossa experincia. Contudo tem-se a necessidade de rever os conceitos quanto a sua durao, ou seja, delimitar o campo que constitui o seu prprio objeto do tempo presente e atentar-se as mudanas, acolhendo novos temas e dar provas de imaginao. Para tanto o historiador do tempo presente dever ento representar a histria atravs da memria de que as fizeram parte e assim contribuir para sua construo. O historiador por confrontar seu estudo com a atualidade, possui uma sensibilidade mais aguada quanto aos detalhes, distingue as importantes tendncias entre os sculos e ainda concentra seus interesses nos fenmenos estveis e constantes, visto que o contedo da histria visa a contingncia e o fato, assim sendo contribui para resguardar do passado relatos de uma racionalidade que no podia estar l. Os autores ainda enfatizam a fidedignidade que o historiador deve ter ao se trabalhar com depoimentos, utilizando-se de alguns critrios bem rigorosos tais como:</p> <p>enfatizar a disciplina; a higiene intelectual; as exigncias de probidade; resolver os debates; utilizar da arbitrariedade nas controvrsias que dividem a conscincia pblica e confundem as opinies; que faam a verdade; se preocupar com a conseqncia dos nossos atos (FERREIRA e AMADO, 2001, p. 206-9). Todas essas precaues so importantes para que o historiador ao trabalhar com a expresso das memrias contemporneas dos determinados perodos histricos, identifique no somente meros discursos, mas sim formas mltiplas e possivelmente conflitantes de rememorao e utilizao do passado. Por conseguinte a histria do tempo presente preserva a articulao entre a parte voluntria e consciente da ao dos homens e os fatores ignorados que a circunscrevem e a limitam (...) a histria do tempo presente em seus momentos culminantes, propicia uma reflexo essencial sobre as modalidades e os mecanismos de incorporao do social pelos indivduos que tem uma mesma formao ou configurao social (...) e ainda manifesta com peculiar pertinncia a aspirao verdade que inerente a todo trabalho histrico (FERREIRA e AMADO, 2001, p. 216-7). Para tanto consideramos os apontamentos de Ferreira e Amado (2001), como pressup...</p>