edição nº 6 / 2014 - outubro

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  • edio N 8, 2014OUT2014

    MARIN ALSOP REgE A Sinfonia n 3, dE MAhLER, cOM PARtIcIPAO dA cONtRALtO NAthALIE StUtZMANN, dO cORO INFANtIL dA OSESP, dO cORO AcAdMIcO dA OSESP E dO cORO dA OSESP MSIcA NA cAbEA:ENcONtRO cOM JAMES MAcMILLAN, cOMPOSItOR vISItANtE MAKOtO OZONE INtERPREtA O ConCerto Para Piano em f maior, dE gERShwIN, SOb REgNcIA dE EIJI OUE cORO dA OSESP:JAMES MAcMILLAN REgE PEAS SUAS, dE FRANcIS POULENc E dE tOMS LUIS dE vIctORIA PEAS dE LISZt, hAydN E bRAhMS, cOM O PIANIStA FRANcEScO PIEMONtESI E REgNcIA dE ANdREw MANZE A Sinfonia n1, dE bRAhMS, SOb REgNcIA dE MARIN ALSOP StANISLAw SKROwAcZEwSKI REgE O ConCerto Para Violino, dE ALbAN bERg, cOM A SOLIStA AKIKO SUwANAI

  • PROGRAMAO SUJEITA A ALTERAES

    Desde 2012, a Revista Osesp tem ISSN, um selo de reconhecimento intelectual e acadmico. Isso signica que os textos aqui publicados so dignos de referncia na rea e podem ser indexados nos sistemas nacionais e internacionais de pesquisa.

    FUNDAO OSESP 61

    ORQUESTRA SINFNICA DO ESTADO DE SO PAULO 56

    CORO DA OSESP 58

    PROGRAMA SUA ORQUESTRA 65

    MARIN ALSOP REGENTENATHALIE STUTZMANN CONTRALTOCORO INFANTIL DA OSESP TERUO YOSHIDA REGENTECORO ACADMICO DA OSESP MARCOS THADEU REGENTECORO DA OSESP NAOMI MUNAKATA REGENTE HONORRIA

    GUSTAV MAHLER

    EM ESTREO AO VIVO: POR QUE TEMOS DOIS OUVIDOS

    OLIVER SACKS 4

    OUT 2.3.4 13

    JAMES MACMILLAN REGENTE CORO DA OSESP NAOMI MUNAKATA REGENTE HONORRIA

    TOMS LUIS DE VICTORIA JAMES MACMILLANFRANCIS POULENC

    EIJI OUE REGENTEMAKOTO OZONE PIANO

    LEONARD BERNSTEIN GEORGE GERSHWINSERGEI RACHMANINOV

    MARIN ALSOP REGENTE

    JAMES MACMILLANJOHANNES BRAHMS

    OUT 9.10.11 23

    OUT 12 29

    OUT 16.17.18 37

    ANDREW MANZE REGENTEFRANCESCO PIEMONTESI PIANO

    JOHANNES BRAHMSJOSEPH HAYDNFRANZ LISZT

    OUT 23.24.25 43

    STANISLAW SKROWACZEWSKI REGENTEAKIKO SUWANAI VIOLINO

    ALBAN BERGANTON BRUCKNER

    OUT NOV 30.31 1 49

  • 2

    APOIO

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    PARA PATROCINAR E APOIAR A OSESPmarketing@osesp.art.br

    ASCAELQualidade, Confiana e Tradio que fazem a diferena

  • 3

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    De maro a dezembro, a Osesp percorre cidades do estado realizando concertos de cmara e coro,

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    EM ESTREO AO VIVO: POR QUE TEMOS DOIS OUVIDOS

    POR OLIVER SACKS

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    GRAVURA DE CHELPA FERRO

    EM ESTREO AO VIVO: POR QUE TEMOS DOIS OUVIDOS

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    Em 1996 comecei a corresponder-me com um mdico noruegus, dr. Jorgen Jorgensen. Ele me escrevera dizendo que sua apreciao da msica sofrera uma alterao sbita e radical quando ele perdeu totalmente a audio no ouvido di-reito aps a remoo de um neuroma acstico no nervo sensitivo. A percepo das qualidades especficas da msica o tom, o timbre no mudou, ele es-creveu. Mas a minha recepo emocional da msica ficou prejudicada. Tornou-se curiosamente montona e unidimensional. A msica de Mahler, em especial, tinha antes um efeito demolidor sobre ele. Porm, quando ele foi a um concerto pouco depois da cirur-gia e ouviu a Stima Sinfonia de Mahler, ela lhe soou irremediavelmente montona e sem vida.

    Depois de seis meses ou mais, ele comeou a adaptar-se:

    Ganhei um efeito pseudoestreo que, embora no me permitisse voltar a ser como antes, foi bem compensador. A msica no era estreo, mas ainda assim era abrangente e rica. Por exemplo, na marcha fnebre que abre a Quinta Sinfonia de Mahler, depois que o trompete anuncia a so-turna profundidade de um squito funerrio, o fortssimo de toda a orquestra quase me arrancou da poltrona.

    Isso talvez seja meu ajuste psicolgico perda, acrescentou o dr. Jorgensen, [mas] nosso crebro um instrumento prodigioso. Talvez fibras auditivas tenham atravessado o corpo caloso para receber input do meu ouvido esquerdo funcional. [...] Alm disso, acho que meu ouvido esquerdo est melhor do que se deveria esperar de um setuagenrio.

    Quando ouvimos msica, como escreveu Daniel Levitin, estamos efetivamente percebendo mltiplos atributos ou dimenses.1 Entre eles Levitin inclui as notas musicais, o tom, o timbre, a altura, o tempo, o ritmo e o contorno (a forma geral, o sobe e desce das melodias). Fala-se em amusia quando a percepo de algumas ou de todas essas qualidades est prejudicada.

    Mas o dr. Jorgensen no era amsico nesse sentido. Sua percepo no ouvido no afetado era normal.

    Levitin fala ainda sobre duas dimenses. A lo-calizao espacial, ele escreveu, a percepo da distncia em que a fonte se encontra em relao a ns, em combinao com o tamanho da sala ou salo em que a msica est sendo tocada; [...] ela distin-gue a qualidade espacial de cantar em uma vasta sala de concerto da de cantar no chuveiro. E a reverbe-rao, continuou, tem um papel no devidamente apreciado na comunicao da emoo e na criao de um som que agrade em todos os aspectos.2

    Foram precisamente essas qualidades que o dr. Jorgensen perdeu junto com sua capacidade de ouvir em estreo. Ele descobriu que, quando ia a um con-certo, faltava a sensao de espao, volume, riqueza, ressonncia, e por isso a msica parecia-lhe comple-tamente montona e sem vida.

    Ocorreu-me, ento, uma analogia com o que sentem as pessoas que perdem a viso de um olho e, com isso, a faculdade de ver em profundidade estereoscopicamente.3 As repercusses da perda da estereoscopia podem ser inesperadamente abran-gentes; incluem no s a dificuldade de avaliar a profundidade e a distncia, mas tambm um aplai-namento de todo o mundo visual, tanto na esfera perceptual como na emocional. As pessoas que tm esse problema dizem que se sentem desconecta-das e que tm dificuldade para relacionar-se no s espacialmente, mas tambm emocionalmen-te com o que veem. Por isso, quando porventura ocorre o retorno da viso binocular, elas sentem um prazer e um alvio imensos, como se o mundo voltasse a parecer visual e emocionalmente rico. Mas ainda que no ocorra a restaurao da viso binocular, pode haver uma lenta mudana, uma adaptao anloga descrita pelo dr. Jorgensen: o desenvolvimento de um efeito pseudoestreo.

    1. Levitin, Daniel J. This is Your Brain on Music. Nova York: Dutton, 2006.2. Ibidem.3. Descrevi um caso desse tipo em meu ensaio Stereo Sue, publicado na edio de 19 de junho de 2006 da

    revista The New Yorker.

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    importante enfatizar o termo pseudoestreo. A genuna percepo em estreo, seja ela visual ou auditiva, depende da capacidade do crebro para in-ferir a profundidade e a distncia (alm de qualidades como rotundidade, amplitude e volume) com base nas disparidades entre o que est sendo transmitido pelos dois olhos ou ouvidos individualmente uma disparidade espacial no caso dos olhos, e temporal no dos ouvidos. So minsculas as diferenas envol-vidas: disparidades espaciais de alguns arcossegun-dos para a viso, ou de microssegundos para a au-dio. Isso permite a alguns animais, especialmente predadores noturnos como as corujas, construir um verdadeiro mapa sonoro do ambiente. Ns, huma-nos, no estamos altura desse padro, mas ainda assim usamos disparidades binaurais, tanto quanto indicaes visuais, para nos orientar, para julgar ou formar impresses sobre o que nos rodeia. a estereofonia que permite aos espectadores de um concerto deleitar-se com toda a complexidade e o esplendor acstico de uma orquestra ou de um coro que se apresenta em uma sala de espetculo projeta-da para que a audio seja a mais rica, refinada e tri-dimensional possvel uma experincia que ten-tamos recriar, da melhor forma possvel, com dois fones de ouvido, alto-falantes estreo ou som sur-round. Em geral no damos o devido valor ao nosso mundo estereofnico, e preciso um infortnio como o do dr. Jorgensen para que uma pessoa se d conta, de maneira chocante e sbita, da imensa mas quase sempre subestimada importncia de possuir-mos dois ouvidos.

    A genuna percepo em estreo impossvel para quem perdeu um olho ou um ouvido. Mas, como observou o dr. Jorgensen, pode ocorrer um notvel grau de ajuste ou adaptao, dependendo de vrios fatores. Um deles o aumento da habilidade de fazer avaliaes usando um nico olho ou ouvido, um uso

    intensificado das pistas monoculares ou monoaurais. Entre as pistas monoculares esto a perspectiva, a ocluso e a paralaxe de movimento (as mudanas da aparncia do mundo visual conforme nos deslocamos por ele). As pistas monaurais talvez sejam anlogas s monoculares, embora tambm existam mecanismos especiais s para a audio. A difuso do som com a distncia pode ser percebida de modo monaural e binaural, e o formato do ouvido externo, o pavilho da orelha, fornece valiosas indicaes sobre a direo e as assimetrias do som que chega at ele.

    A pessoa que perdeu a estereoscopia ou a este-reofonia precisa, efetivamente, recalibrar seu am-biente, seu mundo espacial e nesse caso o mo-vimento especialmente importante, at mesmo os movimentos da cabea relativamente pequenos, mas muito informativos. Edward O. Wilson conta em sua autobiografia, Naturalista, que perdeu um olho quando criana, mas apesar disso capaz de avaliar distncias e profundidades com grande preciso.4 Quando o conheci, surpreendeu-me um curioso meneio que ele faz