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Edição nº 255 do Jornal Universitário de Coimbra - A Cabra

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  • JorNAL UNiVersiTrio de CoimbrA

    EntREVIStA: JuAn luIS CEbRInAquando da sua vinda a Coimbra, para o Seminrio Jornalismo e Comunicao, o administrador do grupo PRISA e fundador do El Pasfalou sobre o futuro dos jornalistas e as suas problemticas hoje inclusive o despedimento de 129 trabalhadores do seu prprio jornalPg. 10 E 11

    acabra18 de dezembro de 2012 ANo XXii N. 255 QUiNzeNAL GrATUiTo

    direTorA ANA dUArTe ediTorA-eXeCUTiVA ANA morAis

    rafaela Carvalho

    daniel alves da silva

    Eslovnia

    A Eslovnia parece estar a tor-

    nar-se um epicentro europeu de

    protestos. A grande fora que

    move os manifestantes prende-

    se com a forte corrupo exis-

    tente um pouco por todo o pas.

    O contgio grego parece ganhar

    forma na linha de ao seguida

    pelos manifestantes.

    Vontade de mudar Governo e elites polticas dominantes

    Pg.13

    Mais informao em

    acabra.net@

    Gerao mais qualificada de sempre:

    so assim que so vistos os jovens for-

    mados portugueses. Mas tanta for-

    mao parece afastar os

    empregadores, que parecem assim

    tentam pagar o menos possvel. A ge-

    rao v-se obrigada a sair do pas,

    em busca de condies dignas de tra-

    balho e que recompensem o investi-

    mento feito em anos de formao.

    Pedem-se mais apoios e a alterao

    de diretrizes de austeridade. Para

    fixar e atrair os crebros preciso

    abanar mentalidades.

    Fuga dE crEbros

    Reverter polticas para manter crebros

    Pg. 2 E 3

    Faa a seguinte questo e reflita sobre

    a mesma: o que so alteraes clim-

    ticas? Sempre que se fala em altera-

    es climticas, o dixido de carbono

    (CO2) e a subida dos nveis do mar

    so os assuntos favoritos. No foi ex-

    ceo na ltima conferncia das Na-

    es Unidas sobre as Mudanas

    Climticas, realizada no Qatar.

    Porm, ser que a populao se en-

    contra bem informada acerca dos

    motivos (reais) que geram o aumento

    dos nveis ocenicos ou, de um modo

    geral, as alteraes climticas?

    alTEraEs climTicas

    CO2: vtima ou verdadeiro culpado?

    Pg.9

    Contando com mais de trinta anos

    de carreira, o encenador brasileiro

    trouxe ao palco do Teatro da

    Cerca de So Bernardo, as peas

    12 Homens e uma Sentena e

    Retratos Falantes, com a ajuda

    do seu TAPA. Um grupo que co-

    meou sem pretenses maiores,

    mas que foi crescendo, procu-

    rando sempre uma qualidade ab-

    soluta.

    Eduardo TolEnTino

    Entrevista: o papel do Teatro

    Pg. 6Seco de Basebol e Softbol da AAC:

    uma casa em crescimentoPg.7

    ukasz Bartkowiak

  • 2 | a cabra | 18 de dezembro de 2012 | tera-feira

    DestAqUe

    s investigadores noesto a abandonar opas, mas sim a serabandonados pelas

    atuais polticas. do Reino Unidoque Pedro Gonalves, a frequentar odoutoramento em Arqueologia naUniversidade de Cambridge, cons-tata a situao atual do pas ondenasceu. Com licenciatura em Arqui-tetura pela Universidade Lusada deLisboa (1997) e um mestrado emGeocincias, na rea de especializa-o em Ambiente e Ordenamento doTerritrio pela Faculdade de Cinciase Tecnologia da Universidade deCoimbra (UC), em 2008, Pedro Gon-alves representa parte da geraoque, sem apoio estatal, se viu obri-gada a sair de Portugal para garantiruma formao de qualidade e, con-sequentemente, um emprego narea.

    Faamos uma retrospetiva: 40anos volvidos, depois de uma vaga de

    emigrao que se queria libertar daopresso do regime e da pobreza(rumo aos maiores pases da Eu-ropa), este paradigma repete-se. Mash uma diferena notria: a exceln-cia da formao de quem abandonao pas. Nos anos 60 e 70, foram osportugueses de classe mdia e semformao acadmica a sair. A partirde 2000 so os mais e melhor for-mados de sempre. Estes no o fazemde nimo leve veem-se obrigados ase instalar no estrangeiro e a adiar,para j, o regresso.

    Em pleno sculo XXI, a emigraopor necessidade ainda se verifica.Hoje, e cada vez mais, existem pes-soas a sair em busca de condiesdignificantes tanto na rea da in-vestigao como simplesmente narea do trabalho puro e duro. E oconvite emigrao , por vezes,feito pelos prprios governantes.Como se viu h um ano atrs, pelasdeclaraes do primeiro-ministro,

    Pedro Passos Coelho e do ministro-adjunto dos Assuntos Parlamentares,Miguel Relvas. As palavras proferi-das por Passos Coelho so criticadaspor trs jovens que se encontram noestrangeiro a trabalhar: Ana RelvasFrana (Londres), Andreia Silva(Macau) e Pedro Gonalves (Cam-bridge) so perentrios quando afir-mam que dos comentrios maisinfelizes e que foi durssimo deouvir e muito injusto porque no seresolvem os problemas de um pais ti-rando daqui gente para ver se sobratrabalho para os que restam. J San-dro Alves (Paris) mostra um discursomais comedido, no deixando, no en-tanto, de ser algo crtico: para quinvestir na educao e na formaopara depois ser passada aos jovens amensagem de emigrao?.

    Viver l fora com Portugal na memriaCom licenciatura em Jornalismo pelaFaculdade de Letras da UC, tiradaem 2009, Ana Relvas Frana fez asmalas e rumou a Londres, para con-tinuar a estudar. Vim para Londresonde completei uma ps-graduaoem Jornalismo, na vertente Im-prensa (London School of Jorna-lism). Ainda regressou a Portugalpara mais duas formaes no Cenjor,mas Londres continuava na mira,porque sempre foi um dos seus des-tinos de eleio. C nunca me sintoestranha e fora de rbita, assegura.A trabalhar em regime freelancer nasua rea, tem ainda de recorrer aoexerccio de superviso de um res-taurante chique, como a prpria iro-niza, para pagar as suas contas.Estagiou na conceituada revista Mo-nocle e acabou por continuar a cola-borar, a par de outros trabalhos empublicaes mais pequenas. Ana Rel-vas Frana tem ainda tempo para umpart-time na cadeia televisiva BBC,como tradutora no Departamento deLnguas Latinas. Quando confron-tada com um possvel regresso aopas de origem, Ana encara essa hi-ptese como distante, preferindoantes viajar pelo mundo. Deixa oconselho: para os portugueses seriabom pensar em deixar as saudadesna gaveta e tentar Macau, Brasil ouAngola.

    Do mesmo ano e do mesmo curso

    Andreia Silva, hoje jornalista emMacau. A minha vinda para Macauprendeu-se unicamente pela aven-tura pura e dura, pelo desafio de virtrabalhar para um dirio, objetivoque sempre quis atingir. Apesar dacrise ser um fator crucial que motivamuitas sadas, Andreia brinca com asituao: sa de Portugal poucotempo depois de Passos Coelho ven-cer as legislativas, e dizia s regressoa Portugal quando o PSD sair dopoder. Ao contrrio dos restantes,Andreia no seguiu para a Europa.Sendo este um continente que tam-bm se encontra em crise, a jorna-lista afirma: neste momento a siaest, de facto, a tornar-se no centrodas atenes de todo o mundo, nodescredibilizando totalmente o con-tinente europeu. H pases na Eu-ropa de Leste, como a Polnia, queainda conhecem crescimento econ-mico, o Reino Unido, ou at a Ale-manha, acrescenta.

    Para alm de Ana Relvas Frana,Pedro Gonalves tambm est noReino Unido. Reconhece que a emi-grao jovem pode traduzir-se numabandono do pas mas, ainda assim,diz que , sobretudo, uma reao aofacto de o pas estar a abandonar aspessoas. Neste sentido, SandroAlves vai mais longe e, num tom in-dignado, apresenta uma srie dequestes retricas: onde est o re-torno financeiro do investimentoavultado feito pelo pas, desde a pri-mria at universidade? Ser quese perdeu uma gerao inteira?Como ser na prxima gerao? Ca-minhar Portugal para um pas develhos?. Em Paris desde finais de2008, a desenvolver trabalhos deps-doutoramento no Institut duCerveau et de la Moelle pinire (Ins-tituto do Crebro e da Espinal Me-dula), Sandro explica a deciso dasua sada: o objetivo era adquirirnovas tecnologias de ponta e impor-

    O

    Mudem-se as cabeas para manter os crebrosO fenmeno comummente chamado de brain drain fuga de crebros, em portugus tem-se

    agravado cada vez mais ao longo dos tempos. Hoje, a aposta na qualificao acadmica j no

    serve aos empregadores. H que sair do pas para trabalhar, para ver o esforo de anos ser

    recompensado. Urge reverter as polticas. Por Ana Duarte e Ana Morais

    Hoje, e cada vez

    mais, existem

    pessoas a sair em

    busca de condies

    dignificante

    Elsio Estanque

    encontra na poltica

    de austeridade a

    verdadeira causa da

    emigrao jovem

  • 18 de dezembro de 2012 | tera-feira | a cabra | 3

    DestAqUe

    tar as mesmas, de forma a imple-ment-las no laboratrio aquando doregresso a Portugal.

    As valncias da emigraoO investigador do Centro de EstudosSociais (CES) da UC, Elsio Estanque,encontra na poltica de austeridade averdadeira causa da emigraojovem resultado da presso danossa economia e da falta de oportu-nidades, associadas a esta tendnciade crise e austeridade em que esta-mos. Mas o socilogo v tambmeste fenmeno por outro prisma:esse fluxo migratrio pode ser inte-ressante do ponto de vista das expe-rincias pessoais de cada um.

    Excetuando Ana Relvas Frana,todos mostram vontade de voltar aoseu pas. Nada me faria mais feliz,

    confidencia Pedro Gonalves, apesarde reconhecer que ser difcil re-gressar tendo em conta a atual con-juntura. Tambm Andreia Silvaconta que no h um dia em que notenha saudades de Lisboa e dos seuspormenores maravilhosos. Porm,tem um discurso mais positivoquando mostra a facilidade de viajarpelos pases asiticos: quero viajarmuito; e com duas horas de avio,estou na Tailndia. Apesar de adiaresse regresso aquando de uma rea-lidade mais prspera, Sandro Alvesdiz que o seu grande objetivo re-tornar.

    Na opinio do investigador doCES, a soluo para inverter esteciclo de sada dos mais qualificadosdo pas passa por: uma reorientaodas polticas a nvel europeu e ao

    nvel do pas. Elsio Estanque am-plifica este possv