Ecossistema Open Design // Open Design Ecossystem

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No presente trabalho ser feita uma abordagem do Open Design e uma descrio do Ecossistema Open Design. Para isso, ser feita uma breve histria da capacidade do homem para adaptar-se ao entorno natural e sua capacidade de fabricao, capacidade que se foi perdendo na revoluo industrial, deixando o homem merc dos produtos industriais. Alguns indivduos e comunidades mantiveram o esprito de fazer eles mesmos seus artefatos s pelo gosto, ao mesmo tempo que compartilhavam esse conhecimento. Essa cultura foi denominada como cultura hacker e DIY (Do It Yourself faa voc mesmo), que permitiu o nascimento de tecnologias emergentes como a Internet, os computadores pessoais e conceitos como o software livre (cdigos abertos design open source).Com o avano das tecnologias da informao, da comunicao e as tecnologias de fabricao digital, o conhecimento e a informao se converteram na principal fora produtiva, como umas das caratersticas especiais nunca antes vistas nas duas revolues industriais anteriores, permitindo a essas comunidades, recuperar a capacidade projetual do homem comum e transformando os modelos lineares de produo baseadas na satisfao do mercado, em novas formas de produo baseada nos comuns sem necessariamente envolver capital ou dinheiro. Assim, os papis de designers, usurios e fabricantes evoluram para outro tipo de relaes, muito diferente dos sistemas lineares. A partir deste contexto que ser descrito o Ecossistema Open Design e em cada uma de suas partes principais: seus indivduos, as comunidades, o fabbing, sites, hardware, economia e marco legal. Foi elaborada uma reviso bibliogrfica acerca dos aspectos relacionados ao Open Design assim como uma reviso da informao no espao natural do Open Design: A rede (internet), com a inteno de encontrar elementos associados ao Ecossistema Open Design. Estes elementos nos permitiram elaborar um mapa mental com possveis conexes para a representao do ecossistema em questo.

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<ul><li><p>1 Fourth International Conference on Integration of Design, Engineering and Management for innovation. </p><p>Florianpolis, SC, Brazil, October 07-10, 2015. </p><p>ECOSSISTEMA OPEN DESIGN </p><p>OPEN DESIGN ECOSYSTEM </p><p> Edison Uriel Rodrguez Cabeza </p><p>SAGUI LAB Bauru, So Paulo, Brasil carranguero@gmail.com </p><p>Dorival Campos Rossi UNESP </p><p>Bauru, So Paulo, Brasil bauruhaus@yahoo.com.br </p><p>Mnica Moura UNESP </p><p>Bauru, So Paulo, Brasil monicamoura.design@gmail.com </p><p>RESUMO No presente trabalho ser feita uma </p><p>abordagem do Open Design e uma descrio do </p><p>Ecossistema Open Design. Para isso, ser feita uma breve histria da capacidade do homem para adaptar-se ao entorno natural e sua capacidade de fabricao, capacidade que se foi perdendo na revoluo industrial, deixando o homem merc dos produtos industriais. </p><p>Alguns indivduos e comunidades mantiveram o esprito de fazer eles mesmos seus artefatos s pelo gosto, ao mesmo tempo que compartilhavam esse conhecimento. Essa cultura foi denominada como cultura hacker e DIY (Do It Yourself faa voc mesmo), que permitiu o nascimento de tecnologias emergentes como a Internet, os computadores pessoais e conceitos como o </p><p>software livre (cdigos abertos design open source). </p><p>Com o avano das tecnologias da informao, da comunicao e as tecnologias de fabricao digital, o conhecimento e a informao se converteram na principal fora produtiva, como umas das caratersticas especiais nunca antes vistas nas duas revolues industriais anteriores, permitindo a essas comunidades, recuperar a capacidade projetual do homem comum e transformando os modelos lineares de produo baseadas na satisfao do mercado, em novas formas de produo baseada nos comuns sem necessariamente envolver capital ou dinheiro. </p><p>Assim, os papis de designers, usurios e fabricantes evoluram para outro tipo de relaes, muito diferente dos sistemas lineares. A partir </p><p>deste contexto que ser descrito o Ecossistema Open Design e em cada uma de suas partes principais: seus indivduos, as comunidades, o fabbing, sites, hardware, economia e marco legal. </p><p>Foi elaborada uma reviso bibliogrfica acerca dos aspectos relacionados ao Open Design assim como uma reviso da informao no espao natural do Open Design: A rede (internet), com a inteno de encontrar elementos associados ao Ecossistema Open Design. Estes elementos nos permitiram elaborar um mapa mental com possveis conexes para a representao do ecossistema em questo. </p><p>PALAVRAS CHAVES: Ecossistema Digital, Open Design, DIY, Tecnologias Emergentes, Cultura Maker. </p><p>ABSTRACT In this work will be an approach of Open Design </p><p>and a description of the Ecosystem Open Design. For this, a brief history of man's ability to adapt in his natural environment and his manufacturing capacity will be made. Capacity that was lost in the industrial revolution, leaving the man at the mercy of industrial products. </p></li><li><p>2 Fourth International Conference on Integration of Design, Engineering and Management for innovation. </p><p>Florianpolis, SC, Brazil, October 07-10, 2015. </p><p>Some individuals and communities have kept </p><p>the spirit of making themselves their artifacts only by pleasure, while they shared that knowledge. This culture was known as "hacker culture" and DIY (Do It Yourself), which allowed the birth of emerging technologies such as the Internet, personal computers and concepts as free software (open source - open source design). </p><p>With the advancement of information technology, communication and digital manufacturing technologies, knowledge and information have become the principal productive force, as one of the special features never before seen in the two previous industrial revolutions, allowing these communities, recover projetual </p><p>capacity of the common man, and transforming the linear models of production based on market satisfaction, new forms of production based on common without necessarily involving capital or money. Thus, the roles of designers, manufacturers and users have evolved to other relationship, very different from linear systems. From this context, it is to be described the "Open Design Ecosystem" and each of its main parts: its individuals, communities, the fabbing, websites, hardware, economics and legal framework. </p><p>We created a literature review about the aspects related to the Open Design as well as a review of information in the natural space of the </p><p>Open Design: A network (internet), with the intention of finding elements associated with the "Open Design Ecosystem". These elements have allowed us to develop a mental map with possible connections to the representation of the ecosystem in question. </p><p>KEYWORDS: Digital Ecosystem, Open Design, DIY, Emerging Technologies, Maker Culture. </p><p>INTRODUO O Open Design uma prtica to antiga como </p><p>a capacidade do ser humano para transformar seu </p><p>entorno natural e adapt-lo a suas necessidades, mas foi perdendo-se na industrializao, na economia linear e na especializao tcnica, limitando ao homem comum ao papel de um consumidor dependente dos artefatos industriais. No cenrio contemporneo O DIY (faa voc mesmo) e a cultura hacker, vm resgatando a </p><p>capacidade produtiva do homem, devido aos </p><p>avanos das tecnologias de fabricao digital e a diluio da fronteira entre os tomos e o bits, dando origem a novos tipos de comunidades que propem novas formas de produo compartilhada. Podemos indicar a possibilidade de estarmos s portas de um modo de produo livre, baseado na cultura livre ou aberta e no modo de produo commom based peer production. A cultura hacker foi a base do que hoje conhecemos como a Internet e a computao pessoal, em sua defesa do conhecimento, iniciou o movimento de hardware livre e aberto, que motivaram a outras atividades humanas como o Design que transmite a cultura do hardware livre e aberto ao mundo dos </p><p>artefatos, sistemas e servios, trocando uma viso linear e mercantilista por uma viso complexa e peer production. Nesse novo modelo produtivo de novos paradigmas do Design no encontro com as tecnologias emergentes, se forma o Ecossistema Open Design. </p><p>Para entender esse novo modo de produo, novas atuaes do design, novas atividades e papeis do entorno do design, necessrio fazer uma anlise desse ecossistema e entender seu funcionamento. </p><p>O objetivo deste artigo indagar sobre o Ecossistema Open Design, desde seus primeiros vestgios, passando pelas culturas DIY e hacker, </p><p>at fazer uma descrio do seu funcionamento. Para cumprir com essa meta, foi feita uma </p><p>reviso bibliogrfica sobre os aspectos relacionados ao Open Design e uma reviso de informao no espao natural do Open Design: a internet, com o intuito de encontrar os elementos associados ao Ecossistema Open Design, e usar estes elementos encontrados para a construo de um mapa mental que nos permitiu desenhar uma descrio, uma possvel representao deste Ecossistema. </p><p>Estamos assistindo ao incio de um modo livre de produo que recupera as formas societrias de produo e criao commons-based peer </p><p>production. O Ecossistema Open Design resgata de certa </p><p>forma e em certa medida a capacidade da condio humana de fabricar, das comunidades, para adaptar e transformar seu ambiente natural, controlado pelo modo de produo linear. Estamos no momento de fortalecer uma cultura livre que </p></li><li><p>3 Fourth International Conference on Integration of Design, Engineering and Management for innovation. </p><p>Florianpolis, SC, Brazil, October 07-10, 2015. </p><p>promova a colaborao, a cooperao, o </p><p>compartilhamento, a sustentabilidade e a harmonia social. Surgindo assim todo um desenvolvimento de cultura maker (fazedores) e design compartilhado. </p><p>PROJETANDO O ENTORNO NATURAL Ao contrrio da maioria das espcies naturais, </p><p>os humanos se caracterizam por fabricar artefatos para seu benefcio ou para adaptar o entorno natural s suas necessidades. Essa caracterstica gerou uma conexo entre mo e o crebro, entre o fazer e o pensar, inseparveis da condio humana, que tem permitido ao homem no decorrer de sua existncia: transformar, recriar, projetar, reflexionar, explicar e transformar constantemente sua realidade, desafiando a sua prpria inteligncia. </p><p>O trabalho intelectual para alterar o entorno natural ou para satisfazer as necessidades humanas tanto fsicas como simblicas, ou seja, a conexo mo-crebro, pode ser entendida como </p><p>design. Papanek [1], afirma que todos os homens so designers, tudo o que eles fazem projetar, pois o design o fundamento de toda atividade humana. Cross [2], prope que projetar coisas inerente aos seres humanos, por isso, no sempre tinha-se considerado requerer de habilidades especiais, o fazer e o projetar no estavam separados, at que nas sociedades industriais modernas as atividades de design e fabricao de artefatos ficaram muito separadas. </p><p>No transcurso da histria do homem, o conhecimento inerente aos artefatos era compartilhado e melhorado, o que lhes permitia aos humanos adaptar-se melhor ao seu ambiente. </p><p>Durante a primeira Revoluo Industrial, o intercmbio de informao e conhecimento foi importante para o desenvolvimento e melhoramento de tecnologias, como a mquina de fiao de algodo, a mquina a vapor, a refinao dos processos metalrgicos, a criao da aviao, entre outras. Bessen e Nuvalori [3] chamam esse fenmeno de inveno coletiva. O intercmbio de conhecimentos entre os inovadores do passado no era estranho nem uma atividade marginal. Para esses autores, claro que as tecnologias-chave da industrializao, como as mquinas de vapor de alta presso, as tcnicas de produo de ferro e ao, barcos a vapor, maquinaria txtil, </p><p>avies, entre outras, eram em momentos e </p><p>lugares, desenvolvidas por meio de processos de inveno coletiva. Poder-se-ia dizer que so os primrdios do design aberto no contexto moderno, s que no era necessrio antepor uma palavra para designar o carter aberto ou livre, porque no era preciso, ningum era dono dessa informao e conhecimento, seu acesso era livre para estudar, modificar, estudar e mesclar. </p><p>Com a evoluo do sistema produtivo industrial o homem comum foi perdendo gradualmente o controle da elaborao de seus artefatos, desconectando o crebro da mo, por tanto, desconectando o crebro da capacidade de projetar o seu entorno natural. Isto deve-se, em </p><p>parte, ao monoplio das grandes indstrias da produo, s tecnologias de fabricao que decidem o que e como produzido, aos limites dos custos da produo em larga escala, hiperespecializao do conhecimento e complexidade da economia, como descrito por Van Abel [4]: </p><p>[...] a fabricao e confeco de produtos </p><p>tem se afastado dos nossos ambientes locais para a periferia das nossas cidades, ou mesmo para outros </p><p>continentes. A complexidade das nossas economias e a complexidade dos nossos produtos distanciou-</p><p>nos da fisicalidade dos produtos ao nosso redor, a matria visvel que uma parte essencial do </p><p>ambiente em que vivemos. O mundo moderno e industrializado apropriou-</p><p>se do mundo objetual, deixando ao homem merc dos produtos industriais, assim, segundo Illich [5], os humanos foram degradados condio de meros consumidores. </p><p>Para manter a superproduo e o hiperconsumo que implica o crescimento </p><p>econmico linear, so usadas estratgias como o engano publicitrio, a obsolescncia programada, a impossibilidade de reparar, modificar ou adaptar os produtos por causa de patentes, copyright ou perda da garantia. Como consequncia disso, ocorre o desperdcio de energia e de materiais, fato que est gerando uma grave crise ambiental, que ameaa a sustentabilidade do planeta e a sobrevivncia da espcie humana. </p><p>Alm da crise ambiental, acontece uma grave crise social causada pela dependncia do homem tecnologia, ao conhecimento hiperespecializado e produo energtica. Para Illich [5], as mquinas escravizaram o homem, que no tem </p><p>sido capaz de escapar do domnio da constante </p></li><li><p>4 Fourth International Conference on Integration of Design, Engineering and Management for innovation. </p><p>Florianpolis, SC, Brazil, October 07-10, 2015. </p><p>expanso das ferramentas industriais. Por sua vez, </p><p>Illich prope que o homem tem que aprender a inverter a atual estrutura das ferramentas, pois elas tm que trabalhar para o homem e garantir seu direito ao trabalho com eficincia, aumentar sua independncia e liberdade, eliminar a necessidade de escravos e peritos, aproveitar ao mximo a energia e a imaginao que cada um tem. Alm disso as pessoas no precisam s obter coisas, precisam sobretudo da liberdade de fazer coisas, lhes dar forma de acordo com seus gostos, us-las, cuid-las entre outras coisas. </p><p>Para Aicher [6], perante os tempos atuais de crise, j no possvel s conhecer o mundo, para ele chegou a hora de projetar o mundo, por isso o </p><p>design j no h muito tempo um conceito somente projetual; aponta agora ao mbito da filosofia, da explicao do mundo e a compreenso da poca. </p><p>BITS E TOMOS A industrializao no foi capaz de acabar </p><p>completamente com a conexo mo-crebro. Alguns grupos de amadores e entusiastas continuaram fazendo e desenvolvendo artefatos e compartilhando seus conhecimentos. Mais tarde a cultura Hacker deu seu aporte entusiasta e contracultural no desenvolvimento de tecnologias, que deram origem internet, a computao pessoal. </p><p>Com a revoluo das tecnologias da informao, da comunicao e a fabricao digital, os pensamentos de independncia tecnolgica, de recuperao da capacidade transformadora do seu entorno natural por parte do homem comum - perdida na industrializao - e que at faz pouco </p><p>tempo eram utpicos, comeam a ser uma realidade. O profissional designer do sculo XXI aquele que sabe transitar por este dois universos, o do mundo dos Bits e o mundo dos tomos para projetar em meio da complexidade do mundo contemporneo. </p><p> Conhecimento e informao A caraterstica fundamental da revoluo da </p><p>informao e da comunicao que a informao e o conhecimento so a principal fora produtiva, assim como o petrleo, o vapor e a eletricidade foram as principais foras produtivas para as duas revolues industriais. Nesse sentido a economia </p><p>comea a estar baseada num bem que </p><p>inesgotvel - ao contrrio do carvo e o petrleo - e cujo custo de produo tende a ZERO por ser um bem no rival, ou seja, um bem cujo consumo por parte de uma pessoa, no diminui sua disponibilidade para outras. Uma vez que este bem produzido, no precisa investir mais recursos sociais na criao de mais para satisfazer a um novo consumidor, como acontece com os bens rivais como uma ma por exemplo. </p><p>Outra caracterstica peculiar do conhecimento que ele segundo Benkler [7], uma entrada e sada de seu prprio processo de produo, caracterstica conhecida pelos economistas como sobre os ombros dos gigantes lembrando, segundo ele, a declarao de Isaac Newton: Se vi mais longe porque eu estive sobre ombros de gigantes. Isso significa que qualquer nova informao ou inovao feita hoje se constri com a informao e o conhecimento existente at o momento, criando um efeito de bola de neve, onde o conhecimento acumulado e transformado em mais conhecimento. </p><p>Assim a informao e o conhecimento ao ser propagados geram maior benefcio e utilidade para a humanidade, ao mesmo tempo que seu custo tende a zero; da o interesse das grandes...</p></li></ul>