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  • 1. ECONOMIA CRIATIVA como estratgia de desenvolvimento: uma viso dos pases em desenvolvimento

2. Ana Carla Fonseca Reis organizao ECONOMIA CRIATIVAcomo estratgia de desenvolvimento:uma viso dos pases em desenvolvimentoSo Paulo 2008 3. Economia criativa : como estratgia de desenvolvimento : uma viso dos pases em desenvolvimento / organizao Ana Carla Fonseca Reis. So Paulo : Ita Cultural, 2008. 267 p. ISBN 978-85-85291-87-71. Economia criativa. 2. Economia da cultura. 3. Pases emdesenvolvimento. 4. Indstria criativa. 5. Produo de bensculturais. 6. Patrimnio cultural. I. Ttulo. CDD 306.4 4. SUMRIO 5. Apresentao8Prlogo10Ana Carla Fonseca ReisIntroduo 14Ana Carla Fonseca ReisVISES GLOBAIS 50A Economia Criativa: Uma Opo de Desenvolvimento Vivel?52Edna dos Santos-DuisenbergViso Global: Das Inquietaes Conceituais a uma Agenda de Pesquisas 74Yudhishthir Raj IsarFRICA 92A Economia Criativa e a Erradicao da Pobreza na frica: Princpios e Realidades94Mt KovcsAMRICAS124Transformando a Criatividade Brasileira em Recurso Econmico126Ana Carla Fonseca ReisMxico: Tecnologia e Cultura para um Desenvolvimento Integral 144Ernesto Piedras FeriaEconomia Criativa e as Possibilidades de Desenvolvimento na Argentina 156Facundo SolanasA Economia Criativa como Estratgia para o Crescimento e Regenerao de 176Riquezas na Jamaica e no CaribeAndrea M. DavisSIA194A Economia Criativa como uma Estratgia de Desenvolvimento: A Viso dos Pases196em Desenvolvimento: A Perspectiva IndianaSharada RamanathanTendncias Atuais da Indstria Cultural Chinesa: Introduo e Reflexo218Xiong ChengyuAs Indstrias Criativas: Perspectivas da Regio da sia-Pacfico234Pernille Askerudndice258Crditos266 6. APRESENTAO 7. 9Uma produo que valoriza a singularidade, o simblico e aquilo que intangvel:a criatividade. Esses so os trs pilares da economia criativa. Embora esse concei-to venha sendo amplamente discutido, defini-lo um processo em elaborao,pois envolve contextos culturais, econmicos e sociais diferentes.Esta publicao busca oferecer uma diversidade de pontos de vista acerca dotema. A inteno no , necessariamente, apontar respostas, mas discutir o con-ceito de economia criativa e suas prticas luz do saber de pensadores queconhecem sua realidade local e participam do processo de transformao de co-munidades, levando-as ao desenvolvimento.A coletnea de textos vem ao encontro das aes do Ita Cultural, que con-tribui para a democratizao do acesso aos bens culturais. Com a criao doObservatrio, em 2006, o instituto materializa um ncleo de reflexo sobre ocampo cultural contemporneo, reforando o estudo de questes locais e glo-bais, como a interseo da cultura com a economia; e, sobretudo, reconhece aimportncia de divulgar e tornar compreensveis as informaes sobre o setorcomo ferramenta para o desenvolvimento de polticas culturais.Ao considerar a natureza desse debate, as culturas distintas, optou-se pelomeio digital, fazendo deste um contedo que pode ser acessado a qualquerhora, nos recantos mais longnquos do mundo. Onde, quem sabe, uma peque-na mostra das economias criativas pode estar, neste momento, acontecendoou prestes a florescer.Instituto Ita Cultural 8. 10 PRLOGO Ana Carla Fonseca Reis 9. 11Este livro surgiu de uma confluncia de inquietaes advindas de minhas nave-gaes entre as esferas do marketing, da economia e da cultura. Inquieta-me pro-fundamente mergulhar no universo cultural dos povos mais distintos e constatarque, quo mais singelos e vulnerveis so, menos percebem a diferena abissalentre o valor do que produzem e o preo que praticam, entre as esferas simblicae econmica da cultura. Preocupa-me saber que aprendizes de ofcios culturaismilenares e jovens talentos da nova mdia tm de abdicar de sua produo cul-tural para se dedicar a outra profisso, diante das dificuldades de circulao efinanciamento de suas obras. Estarrece-me comprovar que insistimos em para-digmas socioeconmicos incapazes de promover o propalado bem-estar social,no eterno conflito entre justia distributiva e eficincia alocativa, agora agravadopor questes ambientais galopantes.Ao longo dessa trilha de desassossegos tive o privilgio de conhecer um nmerocrescente de outras mentes inquietas neste mundo que, paradoxalmente, valo-riza a singularidade, o simblico e o intangvel, trs pilares da economia criativa.Dez entre os maiores questionadores dos dilemas que ora enfrentamos aceitaramcompartilhar sua viso acerca da economia criativa como estratgia de desenvol-vimento. So pensadores que se recusam a aceitar a perenidade dos paradigmase se contrapem, nas palavras de Facundo Solanas, estigmatizao que parece sentenciar, como uma condenao perptua,a predestinada e insupervel permanncia nesse caminho intermedirioentre o no-desenvolvimento e o desenvolvimento primeiro-mundista.E por que a nfase em economia criativa? Porque, na ltima dcada, poucosconceitos foram mais debatidos, menos definidos e to pouco considerados demodo filtrado, traduzido e reinterpretado para pases com contextos culturais,sociais e econmicos distintos, em uma mirade de vertentes: cidades criativas, 10. 12 indstrias criativas, economia criativa, clusters criativos, classe criativa, ativos cria- tivos. Entre modismo, ingenuidade e desespero, no foram poucas as tentativas de transportar um conceito adequadamente desenvolvido para um contexto a realidades distintas, sem a devida reflexo. A proposta deste livro oferecer pon- tos de vista alternativos ao que hoje se entende por indstrias criativas. Para explorar a solidez dos pilares que sustentam a chamada economia criativa como estratgia de desenvolvimento, cada autor deparou-se com trs perguntas: o que economia criativa? Poderia ser, de fato, uma estratgia de desenvolvi- mento? Entendendo que sim, o que necessrio para que esse potencial se con- cretize? A essas questes deram no apenas uma abordagem de seu contexto geogrfico, mas adicionaram sua anlise aspectos que lhes pareceram particu- larmente relevantes. As respostas no poderiam ter sido mais ricas, diversas em forma e consonantes em contedo. O chins Chengyu Xiong traa um instigante histrico das indstrias culturais no pas, recheado de estatsticas dificilmente localizveis por pesquisado- res estrangeiros. Ernesto Piedras oferece uma inspiradora abordagem econmica da cultura, em seu trnsito entre o pblico, o privado e a academia mexicana. Andrea Davis, estrategista jamaicana, analisa com pertinncia a criao de marcas culturais e a desigualdade na repartio dos benefcios gerados. Sharada Rama- nathan desvenda um panorama crtico da economia criativa na ndia, fundindo com razo e poesia as esferas cultural, social, econmica e poltica. O argentino Facundo Solanas apresenta uma viso crtica do uso do conceito. A Pernille Askerud e Mt Kovcs coube uma misso continental, desempenhada com brilhantismo: destrinchar a situao e o potencial da economia criativa no rico caleidoscpio de culturas e quadros econmicos da sia e da frica, respec- tivamente. Edna dos Santos Duisenberg e Yudhishthir Isar trouxeram uma viso global do tema, desfraldando um prisma privilegiado das urdiduras culturais, eco- 11. 13nmicas e sociais dos acordos multilaterais e das foras da globalizao. Por fim,dediquei o captulo com razes brasileiras a uma vertente de singular importnciado tema: a criatividade no contexto urbano, desmistificando a viso de cidadescriativas como cidades globais.A opinio dos autores no representa a postura oficial de seus pases a respeitoda economia criativa, nem lhes foi pedido que tivessem esse mandato. So livres-pensadores, engajados em processos de transformao, profundamente envolvi-dos e conhecedores da realidade que expressam e cujas almas e mentes anseiamencontrar para seus pases e conterrneos um novo caminho de desenvolvimen-to, inclusivo e sustentvel. Do mesmo modo, o Instituto Ita Cultural, patrocina-dor e co-editor da obra, teve enorme sensibilidade em abraar o projeto desde oincio, sem jamais ter esboado qualquer ingerncia em seu contedo.Cabe aqui fazer duas ressalvas, inerentes a anlises abrangentes. Em nvel macro,sob o leque de pases classificados como em desenvolvimento encontram-sedesde potncias como a China at pequenos pases africanos regulados por rela-es tribais ou comunitrias. Embora de economia singela, vrios dos fenmenoscriativos paradigmticos em termos mundiais advm de regies pouco observa-das, como o audiovisual da Nigria ou a msica na Amaznia brasileira. Porm,mesmo em termos individuais, os pases no podem ser considerados de manei-ra homognea. Vrias ndias e Mxicos culturais, econmicos e sociais coexistemem um s pas, exigindo um detalhamento que foge ao escopo deste livro.Esta no uma obra acadmica, embora vrios de seus autores provenham da aca-demia. Sua proposta construir uma reflexo a cada pgina, em um dilogo com oleitor. Foi justamente por isso que escolhi o modo mais democrtico possvel de nu-trir esse debate: um livro digital, editado em trs das lnguas mais faladas no mundo,disponibilizado para download gratuito em todos os sites do mundo interessadosno tema. Que muitas outras obras surjam e venam fronteiras, fazendo esse e outrosdebates avanarem com a profundidade e a riqueza que nossas culturas merecem. 12. 14 Ana Carla Fonseca Reis INTRODUO Ana Carla Fonseca Reis 13. INTRODUO15Criatividade. Palavra de definies mltiplas, que remete intuitivamente capa-cidade no s de criar o novo, mas de reinventar, diluir paradigmas tradicionais,unir pontos aparentemente desconexos e, com isso, equacionar solues paranovos e velhos problemas. Em termos econmicos, a criatividade um combus-tvel renovvel e cujo estoque aumenta com o uso. Alm disso, a concorrnciaentre agentes criativos, em vez de saturar o mercado, atrai e estimula a atuaode novos produtores.Essas e outras caractersticas fazem da economia criativa uma oportunidade deresgatar o cidado (inserindo-o socialmente) e o consumidor (incluindo-o eco-nomicamente), atravs de um ativo que emana de sua prpria formao, culturae razes. Esse quadro de