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Ariovaldo Ramos e Ricardo Bitn

TEMPO DE REFLETIRAriovaldo Ramos e Ricardo Bitn

Edio especial para distribuio gratuita pela Internet, atravs do Letras Santas, com autorizao do Autor. Todos os direitos reservados. A reproduo no todo ou em parte deste livro, por qualquer meio, sem autorizao do autor. O Autor gostaria de receber um e-mail de voc com seus comentrios e crticas sobre o livro: Ariovaldo@evangelicos.com O Letras Santas gostaria tambm de receber suas crticas e sugestes. Sua opinio muito importante para o aprimoramento de nossas edies: letrassantas@hotmail.com ou naasom@bol.com.br . Estamos espera do seu e-mail. Se algum suspeitar que algum material do acervo no obedea Lei de Direitos Autorais, pedimos: por favor, avise-nos pelo e-mail: letrassantas@hotmail.com para que possamos providenciar a regularizao ou a retirada imediata do material do site.

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Tempo de Refletir

ndiceApresentao Como (e por que) este livro nasceu Prembulo I A Insero da F Protestante no Brasil Tentativas e fracassos Imigrantes e missionrios O choque petencostal Manoel de Mello e as igrejas autctones Paraeclesiticas, o regime militar e a reao jovem II F em Expanso: Os Anos de Crescimento Trs ondas A quarta onda: os neopentecostais A seduo da mdia e a paixo pelo crescimento F e sincretismo Liderana e personalismo III Por Uma Nova Eclesiologia F e auto-ajuda Eplogo Bibliografia

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Apresentao(Texto do prefaciador)

Como (e por que) este livro nasceu(Texto do Ari)

PrembuloA Bblia registra em 1 Timteo 6:9: Ora, os que querem ficar ricos caem em tentaes, e cilada, e em muitas concupiscncias insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na runa e na perdio. As palavras do apstolo Paulo ganham um tom ainda mais proftico quando aplicadas ao momento atual da Igreja Evanglica Brasileira. Ele adverte contra a seduo da riqueza e a insensatez de se perseguir o sucesso material. Esse caminho, diz o apstolo, est pavimentado de ciladas e s pode terminar em runa e perdio. Nas ltimas duas dcadas, uma corrente teolgica vinda dos Estados Unidos invadiu o Brasil. Travestida de verdade revelada, ela subverte o Evangelho e pe em xeque nossa herana protestante. A Teologia da Prosperidade, nome pelo qual essa corrente conhecida, encontrou ampla acolhida no mundo editorial. Com raras excees, as editoras evanglicas inundaram o mercado com obras que propagandeavam os ensinamentos do Movimento da F, como tambm chamada a escola doutrinria iniciada pelo americano Kenneth Hagin, autor dos best-sellers A autoridade do Crente e Compreendendo a Uno. Restrita no comeo a uma ala do protestantismo brasileiro, a Teologia da Prosperidade se espalhou rapidamente entre ns e pode ser ouvida dos4

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mais insuspeitos plpitos. Entra-se numa igreja e l est um sujeito pregando mensagens mais prximas da auto-ajuda do que da teologia dos reformadores. O povo no quer ouvir falar de renncia e sofrimento pela causa do Reino, rendem-se os pastores. A Cruz tournou-se outra vez uma vergonha, mas ironicamente para aqueles que dela deveriam fazer sua profisso de f. O pastor sobe ao plpito acreditando combater foras ocultas, que talvez no sejam l to ocultas, mas assim mesmo cridas como sendo. O crente vai ao templo para ouvir uma palavra positiva, para cima; anela por uma mensagem de refrigrio, de bno. Falar de arrependimento e converso seria trair sua confiana, frustrar sua expectativa. Ento, sob esse aspecto, a Teologia da Prosperidade venceu. O mundo editorial no foi, porm, o nico a contribuir para a ascenso da Teologia da Prosperidade. Da noite para o dia, os canais de televiso passaram a abrigar em suas grades programas apresentados por estrelas do Movimento da F como Valnice Milhomens e R. R. Soares. O poder do meio amplificou o efeito, e no demorou para que a Teologia da Prosperidade ganhasse o status de pensamento oficial da Igreja Evanglica Brasileira, tamanha sua influncia e de seus lderes. Um dos seus mais destacados representantes, R. R. Soares declarou, em entrevista recente revista Eclsia, preferir mil vezes pregar a teologia chamada da prosperidade do que a teologia do pecado, da mentira, da derrota, do sofrimento. O triunfalismo esnobe dos arautos da Prosperidade emerge na afirmao: No creio (sic) na misria. Essa histria conversa de derrotados. So todos um bando de fracassados, cujas igrejas so um verdadeiro fracasso. E desafia: Todo mundo que est na derrota tem que5

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aprender correndo a tomar posse da beno, seno vai continuar na derrota e dando pssimo testemunho. Esse negcio de falar que Deus bom mas no cura, no liberta, no prospera (sic), que bondade essa?.1 Retrucaramos: Que teologia essa? Que evangelho esse? As pginas que se seguem no so uma refutao da Teologia da Prosperidade. Pelo menos trs volumes j foram dedicados a esse tema com relativo sucesso. Dois so de autoria do pastor e pesquisador Paulo Romeiro e um do pastor Ricardo Gondim.2 Nosso objetivo mais modesto. Temos em mente o leitor que, bombardeado pelas mensagens dos mensageiros da Prosperidade, foi tomado de dvidas sobre sua f e, sem respostas, sente o cho fugir-lhe. Sofre com a falta de conhecimento e de argumentos para rebater aos que o acusam de ser ele um crente fraco, sem poder. Pensamos tambm no pastor que se angustia por no ter encontrado a chave do crescimento e do sucesso para o seu ministrio e se impacienta com a prpria falta de criatividade. Ele ouve relatos de igrejas onde as pessoas se espremem porque o lugar ficou pequeno para tanta gente; onde o pastor tem um programa de televiso e o nome do seu ministrio est na boca de todo mundo. A ele para e se pergunta: Onde est o segredo? Ao fazer um excurso atravs da histria da Igreja Evanglica Brasileira, tive a inteno de mostrar duas coisas: primeiro, que no temos1

Evangelho de Resultados, entrevista publicada na edio de Junho de 2001 da revista Eclsia., pp. 24 e ss. O missionrio R. R. Soares, fundador e presidente da Igreja Internacional da Graa. 2 As obras so: SuperCrentes O Evangelho Segundo Kenneth Hagin, Valnice Milhomens e os Profetas da Prosperidade. Mundo Cristo. So Paulo, 1993 e Evanglicos em Crise: Decadncia Doutrinria na Igreja Brasileira. Mundo Cristo. So Paulo, 1995 (de autoria do Pr. Paulo Romeiro); O Evangelho da Nova Era: Uma Anlise e Refutao Bblica da Chamada Teologia da Prosperidade. Abba Press. So Paulo, 1993 (do Pr. Ricardo Gondim).

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por que nos envergonhar da nossa herana protestante; segundo, que possvel crescer e manter a identidade com essa mesma herana. Se logrei sucesso, somente leitor poder dizer. No precisamos fazer concesses para nos tornar mais respeitveis ou ganhar a aprovao da sociedade. Paradoxalmente, depois de anos como minoria religiosa, os evanglicos podem vir a se tornar uma maioria que no faz diferena.

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I A INSERO DA F PROTESTANTE NO BRASIL

Tentativas e fracassosA Igreja Evanglica Brasileira nova. Comeou a fixar-se a partir da segunda metade do sculo XIX, quando o Brasil j havia conquistado sua independncia de Portugal e era governado por um imperador (D. Pedro II). Houve, no perodo Colonial, tentativas de implantar por aqui a f protestante, mas ela s viria a vingar entre ns muito tempo depois de o catolicismo tornar-se a religio oficial do Brasil. De fato, a Constituio Imperial de 1824 apenas ratificou um domnio j existente na prtica. Villegaignon, comandante da expedio francesa que aportou na Guanabara em 1555 e teve o apoio do huguenote Gaspard de Coligny, escreveu a Calvino e Igreja de Genebra pedindo que para c fossem enviados crentes reformados. Dois anos depois era celebrado o primeiro culto evanglico em terras brasileiras. Mais tarde, o francs expulsaria os calvinistas da recm-fundada Frana Antrtica, por discordar deles acerca da administrao dos sacramentos. No sculo XVII, durante a dominao holandesa do Nordeste (1630 a 1654), o Evangelho teve nova chance. Instalada sob a proteo de Maurcio de Nassau, a Igreja Reformada chegou a ter duas dezenas de igrejas e8

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congregaes, atendidas por mais 50 pastores e predicantes, alm de dois presbitrios e um snodo. Os holands deixaram o pas em 1654, depois que a Companhia das ndias Ocidentais negociou com Portugal sua sada do Nordeste. Um fato curioso na histria da Igreja no Brasil foi o movimento iniciado por Frei Caneca, ento regente do Imprio, para separar a Igreja brasileira do Vaticano. O religioso chegou mesmo a convidar telogos de Westminster para virem ao Brasil, com o intuito de criar aqui uma nova teologia, de traos protestantes e anglicanos. O religioso foi destitudo da sua regncia e condenado por traio. Fracassou, desse modo, mais uma tentativa de implantar a Igreja Evanglica em nosso pas, o que s viria a acontecer com a chegada dos imigrantes europeus (principalmente alemes, que abriram igrejas luteranas no sul do pas) e das primeiras misses estrangeiras na segunda metade do sculo XIX.

Imigrantes e missionriosOs imigrantes tiveram um papel decisivo na insero da f protestante no Brasil. Em 1810, Portugal e Inglaterra haviam firmado o Tratado de Comrcio e Navegao que, entre outras coisas, protegia os imigrantes protestantes de perseguio religiosa. Isso incentivou a chegada deles em grande nmero, vindos principalmente dos Estados Unidos, Esccia e outras naes europias. Foram os imigrantes alemes, entre eles muitos luteranos e reformados, porm, que criaram comunidades de colonos, instalando-se principalmente nos estados do Sul do pas. No comeo, seus pastores foram escolhidos entre os prprios leigos, e ficaram conhecidos como colonos-pregadores. S bem mais tarde, missionrios e ministros9

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foram enviados da Sua