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CMARA DE EDUCAO BSICA Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educao Infantil

PARECER CEB 22/98, aprovado em 17/12/98 (Processo 23001.000196/98-32)I RELATRIO Introduo A Cmara de Educao Bsica do Conselho Nacional de Educao, no exerccio de suas atribuies definidas pela Lei 9131/95, tem como uma de suas grandes responsabilidades a elaborao de Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educao Bsica. O direito Educao Bsica consagrado pela Constituio Federal de 1988, representa uma demanda essencial das sociedades democrticas e, vem sendo exigido, vigorosamente por todo o pas, como garantia inalienvel do exerccio da cidadania plena. A conquista da cidadania plena, da qual todos os brasileiros so titulares, supe, portanto, entre outros aspectos, o acesso Educao Bsica, constituda pela Educao Infantil, Fundamental e Mdia. A integrao da Educao Infantil no mbito da Educao Bsica, como direito das crianas de 0 a 6 anos e suas famlias, dever do estado e da sociedade civil, fruto de muitas lutas desenvolvidas especialmente por educadores e alguns segmentos organizados, que ao longo dos anos vm buscando definir polticas pblicas para as crianas mais novas. No entanto uma poltica nacional, que se remeta indispensvel integrao do estado e da sociedade civil, como co-participantes das famlias no cuidado e educao de seus filhos entre 0 e 6 anos, ainda no est definida no Brasil. Uma poltica nacional para a infncia um investimento social que considera as crianas como sujeitos de direitos, cidados em processo e alvo preferencial de polticas pblicas. A partir desta definio, alem das prprias crianas de 0 a 6 anos e suas famlias, so tambm alvo de uma poltica nacional para a infncia, os cuidados e a educao pr-natal voltados aos futuros pais. S muito recentemente, a legislao vem se referindo a este segmento da educao, e na prpria Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional ( Lei 9394/96), o tratamento dedicado Educao Infantil bastante sucinto e genrico. Desta forma, confere-se a estas Diretrizes Curriculares Nacionais para os programas que cuidem de crianas, educando-as de 0 a 6 anos, em esforo conjunto com suas famlias, especial importncia, pelo ineditismo de seus propsitos e pela relevncia de suas conseqncias para a Educao Infantil no mbito pblico e privado. Ao elaborar estas Diretrizes, a Cmara de Educao Bsica, alm de acolher as contribuies prestadas pelo Ministrio da Educao e Cultura, atravs de sua Secretaria de Educao Fundamental e respectiva Coordenadoria de Educao Infantil, vem mantendo amplo dilogo com mltiplos segmentos responsveis por crianas de 0 a 6 anos, na busca de compreenso dos anseios, dilemas, desafios, vises, expectativas, possibilidades e necessidades das crianas, suas famlias e comunidades. O aprofundamento da anlise sobre o papel do estado e da sociedade civil em relao s famlias brasileiras e seus filhos de 0 a 6 anos, tem evidenciado um fenmeno tambm visvel em outras naes, que o da ciso entre cuidar e educar. E este dilema, leva-nos a discutir "a importncia da famlia versus estado"; "poder centralizado versus descentralizado"; "desenvolvimento infantil versus preparao para a escola"; "controle profissional versus parental sobre os objetivos e contedos dos programas".

Desta forma, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educao Infantil contemplando o trabalho nas creches para as crianas de 0 a 3 anos e nas chamadas pr-escolas ou centros e classes de educao infantil para as de 4 a 6 anos, alm de nortear as propostas curriculares e os projetos pedaggicos, estabelecero paradigmas para a prpria concepo destes programas de cuidado e educao, com qualidade. A partir desta perspectiva, muito importante que os Conselhos Municipais e Estaduais de Educao e respectivas Secretarias, tenham clareza a respeito de que as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educao Infantil so mandatrias para todas as instituies de cuidado e educao para as crianas dos 0 aos 6 anos , a partir do momento de sua homologao pelo Sr. Ministro da Educao, e conseqente publicao no Dirio Oficial da Unio. A iniciativa do MEC, atravs da ao da Coordenadoria de Educao Infantil (COEDI), da Secretaria de Educao Fundamental (SEF), de produzir e divulgar Referenciais Curriculares para a Educao Infantil, uma importante contribuio para o trabalho dos educadores de crianas dos 0 aos 6 anos, embora no seja mandatria. Esta proposta do MEC vem se integrar aos esforos de vrias Secretarias de Estados e Municpios no sentido de qualificar os programas de educao infantil, ficando no entanto, a critrio das equipes pedaggicas a deciso de adot-la na ntegra ou associ-la a outras propostas. O indispensvel, no entanto, que ao elaborar suas Propostas Pedaggicas para a Educao Infantil, os educadores se norteiem pelas Diretrizes Curriculares Nacionais, aqu apresentadas. CUIDADO E EDUCAO NO MBITO FAMILIAR E PBLICO A obra j clssica de Philipe Aris, "A histria social da criana e da famlia" (1981), mostra como o conceito de criana tem evoludo atravs dos sculos, e oscilado entre polos em que ora a consideram um "bibelot" ou "bichinho de estimao" , ora um "adulto em miniatura", passvel de encargos e abusos como os da negligncia, do trabalho precoce e da explorao sexual. Esta indefinio, trouxe como conseqncia, atravs das geraes, grandes injustias e graves prejuzos em relao s responsabilidades conjuntas do estado, da sociedade civil e da famlia sobre os cuidados de higiene, sade, nutrio, segurana, acolhimento, lazer e constituio de conhecimentos e valores indispensveis ao processo de desenvolvimento e socializao das crianas de 0 aos 6 anos. A situao apresenta-se mais grave ainda em dois grupos especficos: os das crianas portadoras de necessidades especiais de aprendizagem, como as deficientes visuais, auditivas, motoras, psicolgicas e aquelas originrias de famlias de baixa renda, que no Brasil representam a maioria da populao. Para o primeiro grupo, que de maneira dramtica, o que mais necessita de cuidado e educao nesta etapa inicial da vida, h inclusive, enorme carncia de dados para que se faam diagnsticos precisos a respeito de demanda por programas qualificados de Educao Infantil. Campos, et allii ( 1992) na obra "Creches e Pr-Escolas no Brasil", informam que,..."documento do Banco Mundial (World Bank, 1988,p.16) revela que as crianas menores que 5 anos de idade, que constituem 13% da populao, recebem apenas 7% do total de benefcios sociais distribudos. Como as famlias na faixa de renda mais baixa (renda per capita mensal menor que do salrio mnimo), so aquelas com maior nmero de crianas (representando 19% da populao e recebendo apenas 6% do total dos benefcios sociais), o documento identifica as crianas de baixa renda como um dos grupos mais discriminados dentre os destinatrios das polticas sociais no pas." (Campos, 1992,p.11-12) Esta discriminao histrica explica, em boa medida, o tipo de polticas pblicas voltadas para a infncia que, desde o sculo XIX, abarcaram as iniciativas voltadas para a educao, sade , higiene e nutrio no mbito da assistncia. Sem se constituir como uma prtica emancipatria, a educao assistencialista caracterizou-se como uma proposta educacional para os pobres vinculada aos rgos assistenciais. A partir da dcada de 60, h uma crescente demanda por instituies de educao infantil associada a fatores como o aumento da presena feminina no mercado de trabalho e o reconhecimento da importncia dos primeiros anos de vida em relao ao desenvolvimento cognitivo/lingustico, scio/emocional e psico/motor,

atravs da discusso de teorias originrias especialmente dos campos da Psicologia, Antropologia, Psico e Scio-Lingusticas. Com isto, os rgos educacionais passam a se ocupar mais das polticas pblicas e das propostas para a educao da infncia, seja no caso das crianas de famlias de renda mdia e mais alta, seja naquele das crianas pobres. No entanto, muitas vezes ainda se observa uma viso assistencialista, como no caso da "educao compensatria"de supostas carncias culturais. No entanto, os programas de Educao Infantil reduziram-se a currculos, limitando-se as experincias de ensino para crianas pequenas , ao domnio exclusivo da educao. Desta forma ainda no se observa o necessrio e desejvel equilbrio entre as reas das Polticas Sociais voltadas para a infncia e a famlia, como as da Sade, Servio Social, Cultura, Habitao, Lazer e Esportes articuladas pela Educao. Equipes lideradas por educadores, contando com mdicos, terapeutas, assistentes sociais, psiclogos e nutricionistas, para citar alguns dos profissionais, que devem contribuir no trabalho das creches ou centros de Educao Infantil, ainda so raros no pas, j nos dias de hoje. Assim, no Brasil, creche, ou seja, instituio que se ocupa de crianas de 0 a 3 anos, conotada em larga medida, e errneamente, como instituio para crianas pobres, tem sido em conseqncia, muitas vezes, uma instituio que oferece uma educao "pobre para os pobres". A presena, nestas instituies de adultos sem qualificao apropriada para o trabalho de cuidado e educao, a ausncia de propostas pedaggicas, e alto grau de improvisao e descompromisso com os direitos e necessidades das crianas e suas famlias, exigem ateno e ao responsveis por parte de secretarias e conselhos de educao, especialmente os municipais. Tudo isto deve ser feito nos marcos do regime de colaborao, conforme define a Constituio Federal de 1988. As chamadas pr-escolas, mais freqentadas pelo segmento de crianas de famlias de renda mdia e largo contigente das famlias de mais alta renda, trazem tambm uma contradio: a de no conseguir qualificar, com preciso, a importncia do trabalho com cuidado e educao a ser realizado com as crianas de 4 a 6 anos, contribuindo, por isto, para diminuir sua relevncia no mbito das polticas pblicas. Embora a Lei 9394/96 assim se refira a este segmento da Educao Infantil, o conceito de pr-escola, acaba por ser entendido como "fora da escola" ou do "sistema regular de ensino", portanto, em termos de polticas pblicas, um "luxo" ou "suprfluo". O

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