dossie1 oque eles dizem

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News & Politics

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  • 1. O que eles dizem, o que eles fazem: a construo do inimigo vermelho e anticomunismo na ditadura civil Resumo: A ditadura civil-militar brasileira (1964 a todos aqueles que se colocaram contra o governo e seus atos, bem como a suspeitos de envolvimento com doutrinas tidas como perigosas, como o comunismo e o socialismo Entende-se neste estudo, que o perodo foi marcado por certo sentimento de paranoia e medo em relao a esse inimigo dos valores ocidentais, visto como o outro e portador de todas as caractersticas negativas. Em uma oposio ns e eles bem e mal outro deveria ser eliminado da cena poltica para a manuteno da ordem e de valores como a democracia e a livre iniciativa. Este estudo busca inicialmente analisar esses sentimentos de medo e paranoia dentro da sociedade brasileira e a seguir anali das publicaes do Servio Nacional de Informaes (SNI), chamada Internacional. Palavras-chave: Anticomunismo, ditadura, represso, violncia. What they say, what they do: the construction of the red enemy and anticommunism in the Brazilian military dictatorship. Abstract: The Brazilian military dictatorship (1964 persecution of all those who stood against the government and its acts, as well as suspected of involvement with doctrines regarded as dangerous as communism and socialism. It is understood in this study that the period was marked by a certain sense of paranoia and fear regarding this enemy of Western values of all the negative characteristics. In an opposition "us" and "them," "good and evil", the other should be eliminated from the political scene for the maintenance of order and values such as democracy and free enterprise. This study aims to initially analyze these feelings of fear and paranoia within Brazilian society and then examine one of th publications of the National Information Service (SNI), called Internacional. Keywords: Anticommunism, 1 Doutorando em Histria pela Universidade Federal do Paran (UFPR). Bolsista da Coordenao de Aperfeioamento de Pessoal de Nvel Superior (CAPES) O que eles dizem, o que eles fazem: a construo do inimigo vermelho e anticomunismo na ditadura civil-militar brasileira Daniel Trevisan Samways militar brasileira (1964-1985) foi marcada pela violncia e perseguio a todos aqueles que se colocaram contra o governo e seus atos, bem como a suspeitos de envolvimento com doutrinas tidas como perigosas, como o comunismo e o socialismo se neste estudo, que o perodo foi marcado por certo sentimento de paranoia e medo em relao a esse inimigo dos valores ocidentais, visto como o outro e portador de todas as caractersticas negativas. Em uma oposio ns e eles bem e mal outro deveria ser eliminado da cena poltica para a manuteno da ordem e de valores como a democracia e a livre iniciativa. Este estudo busca inicialmente analisar esses sentimentos de medo e paranoia dentro da sociedade brasileira e a seguir anali das publicaes do Servio Nacional de Informaes (SNI), chamada chave: Anticomunismo, ditadura, represso, violncia. What they say, what they do: the construction of the red enemy and razilian military dictatorship. The Brazilian military dictatorship (1964-1985) was marked by violence and persecution of all those who stood against the government and its acts, as well as suspected of involvement with doctrines regarded as dangerous as communism and derstood in this study that the period was marked by a certain sense of paranoia and fear regarding this enemy of Western values, seen as the "other" and bearer of all the negative characteristics. In an opposition "us" and "them," "good and evil", the ther should be eliminated from the political scene for the maintenance of order and such as democracy and free enterprise. This study aims to initially analyze these feelings of fear and paranoia within Brazilian society and then examine one of th publications of the National Information Service (SNI), called Keywords: Anticommunism, dictatorship, repression, violence. Doutorando em Histria pela Universidade Federal do Paran (UFPR). Bolsista da Coordenao de Aperfeioamento de Pessoal de Nvel Superior (CAPES) 1 O que eles dizem, o que eles fazem: a construo do inimigo vermelho Daniel Trevisan Samways1 1985) foi marcada pela violncia e perseguio a todos aqueles que se colocaram contra o governo e seus atos, bem como a suspeitos de envolvimento com doutrinas tidas como perigosas, como o comunismo e o socialismo. se neste estudo, que o perodo foi marcado por certo sentimento de paranoia e medo em relao a esse inimigo dos valores ocidentais, visto como o outro e portador de todas as caractersticas negativas. Em uma oposio ns e eles bem e mal, este outro deveria ser eliminado da cena poltica para a manuteno da ordem e de valores como a democracia e a livre iniciativa. Este estudo busca inicialmente analisar esses sentimentos de medo e paranoia dentro da sociedade brasileira e a seguir analisar uma das publicaes do Servio Nacional de Informaes (SNI), chamada Comunismo What they say, what they do: the construction of the red enemy and 1985) was marked by violence and persecution of all those who stood against the government and its acts, as well as suspected of involvement with doctrines regarded as dangerous as communism and derstood in this study that the period was marked by a certain sense of , seen as the "other" and bearer of all the negative characteristics. In an opposition "us" and "them," "good and evil", the ther should be eliminated from the political scene for the maintenance of order and such as democracy and free enterprise. This study aims to initially analyze these feelings of fear and paranoia within Brazilian society and then examine one of the publications of the National Information Service (SNI), called Comunismo Doutorando em Histria pela Universidade Federal do Paran (UFPR). Bolsista da Coordenao de

2. 1. Introduo O Brasil vivenciou entre os anos de 1964 e 1985 uma ditadura civil qual a liberdade e os direitos individuais foram duramente reprimidos em prol da defesa da nao e do combate subverso. O estudo deste perodo, marcado pela violncia e pelo arbtrio, causa ainda certo mal estar em nossa sociedade, que busc dos crimes cometidos outrora. Na tentativa de criar uma sociedade harmoniosa, documentos permanecem em carter de sigilo e implantou e irrestrita, impedindo assim, que torturadores sejam punidos pelos excessos no passado. A ditadura civil-militar brasileira , atualmente, objeto de inmeras pesquisas, alm de ser analisada de diferentes formas e acompanhando tambm as mudanas dentro do campo historiogrfico e das cincias sociais. este perodo pode nos mostrar, esse artigo busca compreender o discurso produzido pelo Servio Nacional de Informaes (SNI), permeado pela paranoia e pelo medo, sobre os 2 Papa Pio XI. Encclica Divini Redemptoris, 3 Comunismo Internacional. N 06, junho de 1970. Pasta n 305. Topografia 33. Arquivo Pblico do Paran. 4 Para um melhor esclarecimento sobre as diferentes anlises do regime militar, ver DELGADO, Luci de Almeida Neves. 1964: Temporalidade e interpretaes. MOTA, Rodrigo Patto S. (Orgs). SP: Edusc, 2004. pp. 15-28. O comunismo intrinsecamente mau, e no se pode admitir, em campo algum, a colaborao recproca, por parte de quem quer que pretenda salvar a Civilizao Crist.2 Jornais e revistas que deveriam se opor a toda campanha desenvolvida pelos comunistas, diretamente, ou atravs de suas FRENTES, como inocentes teis infiltrados ou mesmo atrados pelo dinheiro que lhes oferecido, atuam eficientemente (para os comunistas) na Campanha Anti-Guerra, nova denominao da surrada Campanha pr Paz, desencadeada pela URSS, logo aps a 2 Grande Guerra. (...) No dizem e repetem o que, desde h muito sabido, que os comunistas com suas Campanhas pr Paz e Campanha Anti desejam desarmar material e espiritualmente o Mundo Ocidental para facilmente domin O Brasil vivenciou entre os anos de 1964 e 1985 uma ditadura civil qual a liberdade e os direitos individuais foram duramente reprimidos em prol da defesa da nao e do combate subverso. O estudo deste perodo, marcado pela violncia e pelo arbtrio, causa ainda certo mal estar em nossa sociedade, que busca o esquecimento dos crimes cometidos outrora. Na tentativa de criar uma sociedade harmoniosa, documentos permanecem em carter de sigilo e implantou-se uma anistia ampla, geral e irrestrita, impedindo assim, que torturadores sejam punidos pelos excessos militar brasileira , atualmente, objeto de inmeras pesquisas, alm de ser analisada de diferentes formas e acompanhando tambm as mudanas dentro do campo historiogrfico e das cincias sociais.4 Dentre as inmer este perodo pode nos mostrar, esse artigo busca compreender o discurso produzido pelo Servio Nacional de Informaes (SNI), permeado pela paranoia e pelo medo, sobre os Encclica Divini Redemptoris, de 19 de maro de 1937. N 06, junho de 1970. Pasta n 305. Topografia 33. Arquivo Pblico do Para um melhor esclarecimento sobre as diferentes anlises do regime militar, ver DELGADO, Luci 1964: Temporalidade e interpretaes. In: REIS, Daniel Aaro; RIDENTI, Marcelo e MOTA, Rodrigo Patto S. (Orgs). O golpe e a ditadura militar: quarenta anos depois (1964 2 O comunismo intrinsecamente mau, e no se pode admitir, em campo algum, a colaborao recproca, por parte de quem quer que pretenda Jornais e revistas que deveriam se opor a toda campanha desenvolvida pelos comunistas, diretamente, ou atravs de suas FRENTES, como inocentes teis infiltrados ou mesmo ados pelo dinheiro que lhes oferecido, atuam eficientemente (para os comunistas) na Guerra, nova denominao da surrada Campanha pr Paz, desencadeada pela URSS, logo aps a 2 Grande Guerra. (...) No dizem e repetem o que, desde h uito sabido, que os comunistas com suas Campanhas pr Paz e Campanha Anti-Guerra, desejam desarmar material e espiritualmente o Mundo Ocidental para facilmente domin-lo.3 O Brasil vivenciou entre os anos de 1964 e 1985 uma ditadura civil-militar, na qual a liberdade e os direitos individuais fora