Dossiê Reprodução Humana Assistida - Comunica Rede ... ?· Dossiê Reprodução Humana Assistida…

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<ul><li><p>Dossi Reproduo Humana Assistida </p><p>Representa um esforo possvel e limitado, objetivando ser uma provocao para o debate e um </p><p>estmulo ao aprofundamento reflexivo e busca de maiores informaes, para qualquer pessoa que </p><p>se sentir instigada pelo tema, no sentido da qualificao das informaes e perspectivas de </p><p>abordagens </p></li><li><p>PRODUO Rede Feminista de Sade Rede Nacional Feminista de Sade, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos. PESQUISA E REDAO: Alejandra Ana Rotania Mestre em Cincias Sociais (IUPERJ) e doutora em Engenharia de Produo (COPPE/UFRJ); coordenadora </p><p>executiva de projetos e programas do Ser Mulher Centro de Estudos e Ao da Mulher, Nova Friburgo/RJ; </p><p>filiada Rede Nacional Feminista de Sade, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos; professora de Biotica </p><p>da Faculdade de Medicina da Universidade Estcio de S (RJ); diretora do Ncleo de Pesquisas em Sade </p><p>da Mulher da Escola de Enfermagem Anna Nery (UFRJ); suplente representante de usurios da Comisso </p><p>Nacional de tica em Pesquisas em Seres Humanos (CONEP), do Conselho Nacional de Sade (CNS). </p><p> COLABORAO: Marilena Corra Mdica, professora-adjunta do Departamento de Polticas e Instituies de Sade do Instituto de Medicina </p><p>Social da UERJ e pesquisadora visitante da Escola Nacional de Sade Pblica da Fundao Oswaldo Cruz; </p><p>doutora em sade coletiva (Cincias Humanas e Sade) pelo IMS/UERJ. </p><p> ASSISTENTE DE PESQUISA: Ana Paula Alves Figueira Psicloga e assistente de projetos do Ser Mulher Centro de Estudos e Ao da Mulher. </p><p> COORDENAO EDITORIAL: Mnica Bara Maia EDIO: Ftima Oliveira e Jalmelice Luz Mtb 3365JP REVISO: Librio Neves PROJETO GRFICO: OMEIO APOIO: Fundao Ford Autorizamos a reproduo total ou parcial, desde que citada a fonte. Agosto de 2003 </p></li><li><p>APRESENTAO A Rede Nacional Feminista de Sade, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, ao publicar este dossi, tem o intuito de apresentar um panorama da Reproduo Humana Assistida (RHA) no Brasil, tambm denominada Novas Tecnologias Reprodutivas Conceptivas (NTRc), Reproduo Medicamente Assistida (RMA), Procriao Medicamente Assistida (PMA) e, atualmente, Novas Tecnologias Reprodutivas Conceptivas e Genticas (NTRc e Gentica). O dossi trata de vrios aspectos relativos ao atual estado da arte, sade da mulher e das crianas, s pesquisas, abordagem da mdia sobre o tema, legislao especfica, biotica, bem como realiza breve sistematizao das opinies divergentes e posicionamentos variados que decorrem de anlises sobre a temtica. Cabe ressaltar que o tema da Reproduo Humana Assistida, que consiste em possibilitar o encontro do vulo e do espermatozide fora do corpo da mulher, constitui um universo que, embora ocupe espaos na rea acadmica nacional e internacional, integrando a pauta de discusso sobre polticas pblicas no mbito dos poderes Legislativo, Executivo e Judicirio, e seja destaque na mdia, ainda no objeto de profunda e vigorosa reflexo no movimento organizado de mulheres que atua no campo da sade e dos direitos reprodutivos; da mesma forma, suas indagaes e possveis problemas tambm no tm sido objetos de uma socializao efetiva. A sociedade civil ressente-se deste fato e de maiores informaes, sobretudo, quanto aos aspectos pouco esclarecidos da operacionalizao das tecnologias no universo da medicina. verdade que, embora faa parte do imaginrio social, at por ter sido tema de novelas na televiso brasileira, a popularizao do assunto, calcada em bases cientficas, ainda mostra um caminho a ser percorrido. Trata-se de uma temtica que oferece certo grau de dificuldade para sistematizao, tanto em seus aspectos tcnicos quanto ticos, sendo caracterizada por um acelerado dinamismo cientfico e tecnolgico, a partir do qual somam-se informaes a todo instante e eventos que superam ou </p></li><li><p>tornam mais complexas as tcnicas, fato que dificulta a atualizao. Suas implicaes em termos sociais, econmicos, polticos, culturais e tico-morais configuram um campo reflexivo em aberto, em constante mudana; tal realidade pode nos conduzir ao risco de sistematizaes simplificadas. Portanto, o Dossi Reproduo Humana Assistida representa um esforo possvel e limitado, objetivando ser uma provocao para o debate e um estmulo ao aprofundamento reflexivo e busca de maiores informaes, para qualquer pessoa que se sentir instigada pelo tema, no sentido da qualificao das informaes e perspectivas de abordagens. Visa tambm a subsidiar a mdia, profissionais de sade, movimentos sociais em geral, o trabalho pedaggico feminista em sade e direitos reprodutivos e ser uma luz para orientar o controle social e tico de uma prtica mdica que se consolidou, sem que a sociedade a conhecesse e debatesse suficientemente sobre ela. Intervenes e experincias com o processo de reproduo de seres vivos e da reproduo humana datam de alguns sculos. Os fatos que vm ocorrendo no campo das cincias biolgicas, mdicas e afins so resultantes do desenvolvimento cientfico e tecnolgico que sofre mudanas significativas a partir da chamada Revoluo Cientfica do sculo XVII e, sobretudo, nos sculos XIX e XX. No sculo XIX, as cincias biolgicas se constituem em cincias modernas, seguindo a orientao do paradigma da experimentao, comprovao e matematizao do mundo. As diversas funes humanas passam a constituir-se em objeto da cincia e da tecnologia modernas. O mundo, a vida e o trabalho se vem povoados de instrumentos, mquinas e artefatos que, segundo a anlise de estudiosos da tcnica, do processo industrial e da filosofia, pretendem estender, suprir e complementar as funes humanas. Basta lembrar a inveno do automvel, do telefone, do instrumental mdico-cirrgico, da mquina de escrever, dos computadores, s para mencionar alguns, relacionados com a atividade motora, a audio, o tato, a viso, a fala, em resumo, com as funes humanas. A histria da cincia oferece ricas ilustraes deste processo, mostrando as possibilidades de produzir conhecimento, segundo as diferentes fases histricas, e a relao desse conhecimento cientfico com o universo cultural mais geral que o contm. Ou seja, segundo a maneira como os </p></li><li><p>seres humanos interpretam o mundo, sua relao com a natureza e o sentido e o uso que do ao conhecimento que produzem. A histria do conhecimento biolgico indica o processo de como o olhar humano, atravs da criao de instrumentos adequados (o microscpio, por exemplo, no sculo XVII), aproxima-se, de fora e de longe, da observao do corpo, suas formas, suas reaes, seus fluidos, seus odores e cores e suas funes do que era visvel at chegar ao conhecimento do prprio corao da matria, dos cidos nuclicos, do cido desoxirribonucleico DNA, ou seja, ao invisvel. Um longo caminho percorreu a humanidade desde o tempo em que se acreditava que os bebs nasciam das fendas das rochas at ao beb de proveta, ou o suposto clone humano que os raelianos dizem ter fabricado. Neste sentido, a procriao humana transforma-se historicamente em objeto cientfico e tecnolgico, e este fato estabelece estranhas analogias com o mundo povoado de objetos e artefatos que pretendem estender e at substituir as funes humanas. </p></li><li><p>CONTEDO Contextualizao histrica 08 </p><p>A fecundao, A Inseminao Artificial (IA), Clula, gentica e DNA, Mulheres e bebs de </p><p>proveta </p><p> Aspectos conceituais e tcnicos 13 </p><p>Novas Tecnologias Reprodutivas: por que novas?, Novas Tecnologias Reprodutivas </p><p>Conceptivas, Novas Tecnologias Reprodutivas Contraceptivas, Reproduo Humana Assistida, </p><p>vulos, esperma e barriga de aluguel, Criopreservao de embries, Clonagem e FIV, Novas </p><p>Tecnologias Conceptivas e Genticas </p><p> Estado da Arte no Brasil 22 </p><p>A REDLARA, Os dados brasileiros, Por um cadastro nacional de RHA </p><p> Mdia 26 </p><p>Publicidade das clnicas de Reproduo Humana Assistida no Brasil, Olhar sobre a Mdia, </p><p>Temas em destaque, RHA na TV brasileira </p><p> Sade reprodutiva e sade dos bebs 32 </p><p>Causas da esterilidade ou infertilidade, Todo cuidado pouco, Morbi-mortalidade, Gestaes </p><p>mltiplas, Hiperestimulao ovariana: subestimao de danos, Problemas para os bebs </p><p> Enfoques e posicionamentos diferentes 39 </p><p>Biotica, Indagaes, Linhas ou vertentes </p><p> Feminismos, sade e direitos reprodutivos 45 </p><p>NTRc e gentica na perspectiva das mulheres; Questes que preocupam as mulheres; </p><p>Tendncias </p></li><li><p>Normatizao e legislao 49 Aspectos em destaque, Panormica dos projetos de lei, Federaes, Instituies e Redes: </p><p>controle e normas, Biossegurana: Lei 8.974/95, Contribuies feministas, Lei de Planejamento </p><p>Familiar 9.263/96 </p><p> RHA e pesquisas em seres humanos 57 </p><p>Resoluo 303/00 do CNS, As mulheres e as pesquisas em RHA, Experimentao em RHA e </p><p>gentica </p><p> Referncias Bibliogrficas 63 Sites consultados 69 RHA na Internet 70 O que a Rede Feminista de Sade 72 </p></li><li><p>CONTEXTUALIZAO HISTRICA Intervenes e experincias com o processo de reproduo de seres vivos e da reproduo humana datam de alguns sculos. Os fatos que vm ocorrendo no campo das cincias biolgicas, mdicas e afins so resultantes do desenvolvimento cientfico e tecnolgico que sofre mudanas significativas a partir da chamada Revoluo Cientfica do sculo XVII e, sobretudo, nos sculos XIX e XX. No sculo XIX, as cincias biolgicas se constituem em cincias modernas, seguindo a orientao do paradigma da experimentao, comprovao e matematizao do mundo. As diversas funes humanas passam a constituir-se em objeto da cincia e da tecnologia modernas. O mundo, a vida e o trabalho se vem povoados de instrumentos, mquinas e artefatos que, segundo a anlise de estudiosos da tcnica, do processo industrial e da filosofia, pretendem estender, suprir e complementar as funes humanas. Basta lembrar a inveno do automvel, do telefone, do instrumental mdico-cirrgico, da mquina de escrever, dos computadores, s para mencionar alguns, relacionados com a atividade motora, a audio, o tato, a viso, a fala, em resumo, com as funes humanas. A histria da cincia oferece ricas ilustraes deste processo, mostrando as possibilidades de produzir conhecimento, segundo as diferentes fases histricas, e a relao desse conhecimento cientfico com o universo cultural mais geral que o contm. Ou seja, segundo a maneira como os seres humanos interpretam o mundo, sua relao com a natureza e o sentido e o uso que do ao conhecimento que produzem. A histria do conhecimento biolgico indica o processo de como o olhar humano, atravs da criao de instrumentos adequados (o microscpio, por exemplo, no sculo XVII), aproxima-se, de fora e de longe, da observao do corpo, suas formas, suas reaes, seus fluidos, seus odores e cores e suas funes do que era visvel at chegar ao conhecimento do prprio corao da matria, dos cidos nuclicos, do cido desoxirribonucleico DNA, ou seja, ao invisvel. </p></li><li><p> Um longo caminho percorreu a humanidade desde o tempo em que se acreditava que os bebs nasciam das fendas das rochas at ao beb de proveta, ou o suposto clone humano que os raelianos dizem ter fabricado. Neste sentido, a procriao humana transforma-se historicamente em objeto cientfico e tecnolgico, e este fato estabelece estranhas analogias com o mundo povoado de objetos e artefatos que pretendem estender e at substituir as funes humanas. A fecundao Por volta de 1770, o abade e bilogo italiano Spallanzani descobre que o contato entre o fluido seminal e o vulo o requisito bsico da fecundao em mamferos e realiza experincias com uma cadela. Saint-Hilaire (1772-1884) tentou obter pintos disformes artificialmente, cortando os embries, revestindo com cera parte dos ovos incubados e fazendo-os girar em sentido contrrio ou sacudindo-os. O conhecimento cientfico ocidental moderno sobre a participao dos dois sexos na procriao foi reconhecido como verdade, ex-ctedra na Faculdade de Paris, em 1906. A Inseminao Artificial (IA) No campo da reproduo humana, as experincias de Inseminao Artificial (IA), que consiste em injetar esperma na vagina ou no tero, possuem longa histria. Datam de 1791, quando o ingls Hunter registrou ter realizado essa experincia entre marido e mulher. Mas s em 1799 foi relatada a primeira gravidez resultante da tcnica. A consolidao do mtodo experimental na medicina, na biologia e na gentica encontra-se exaustivamente ilustrada na histria da cincia dos ltimos sculos. Uma anlise da ginecologia do sculo XIX ou um olhar na perspectiva de gnero sobre as diferenas entre mulheres e homens, construdas pela cincia, exemplifica historicamente esse processo de consolidao e ilumina eventos contemporneos. </p></li><li><p> Nos sculos XVIII e XIX foram descritas vrias experincias de inseminao artificial, que aos olhos do sculo XXI parecem extremamente simples. No entanto, as experincias de fertilizao extracorprea e a transferncia de embries em animais e inseminaes artificiais em humanos so do sculo XIX. H relatos de experincias bem-sucedidas de inseminao artificial em uma mulher cujo marido sofria de baixa mobilidade dos espermatozides. Clula, gentica e DNA O estudo da clula e o desenvolvimento da gentica foram vertiginosos na primeira metade do sculo XX. A virtuosidade tcnica dos embriologistas no parava de crescer. Na segunda metade do sculo XX a gentica se constitui no centro privilegiado das pesquisas biolgicas. O aprofundamento dos estudos dos cromossomos e do ncleo celular, em que, encontra-se o material responsvel pela hereditariedade, leva descoberta da funo dos cidos nuclicos. Em 1952, Martha Case e Alfred Hershey, usando um liquidificador domstico, separam a capa protica do DNA e comprovam que o DNA a substncia da vida. Em 1953, determinada a estrutura molecular fsica do DNA. A descoberta da estrutura da molcula de DNA, chamada de dupla hlice, foi realizada pelo bilogo norte-americano James Dewey Watson, pelos fsicos ingleses Francis Harry Compton Crick e Maurice Huge Frederick Wilkins e pela cristalgrafa inglesa Rosalind Franklin. Watson e Crick conseguiram, atravs das fotografias obtidas por Rosalind que trabalhava no Laboratrio dirigido por Maurice Wilkins, Kings College, Londres, Inglaterra , propor o modelo da estrutura do DNA que guarda e transmite o cdigo de produo de protenas (cdigo gentico). A descoberta cientfica do cdigo gentico foi comparada, em escala de grandeza, ao impacto da descoberta da fisso do tomo e desencadeou um grande interesse pela experimentao laboratorial. Nesse sentido, inicia-se um processo complexo e imbricado entre reproduo e gentica. </p></li><li><p>Mulheres e bebs de proveta Em 1953, foi realizada nos Estados Unidos a primeira fecundao por inseminao artificial com esperma congelado. A possibilidade de congelar material biolgico reprodutivo masculino permite a criao de bancos de smen. Os avanos no campo da reproduo dos seres vivos, nos reinos vegetal ou animal e, logo, humano, so possveis graas aos avanos prprios da biologia, da bioqumica, da gentica, da biologia molecular, da informtica. Esta ltima permitindo processar volumosas informaes em tempo cada vez menor. Data de 1965, o incio da terceira gerao de computadores com circuitos integrados, compostos de milhares de transistores. A Fertilizao In Vitro (FIV) unio do...</p></li></ul>