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revista da ESGHT / UALG

algarvesdos 15

DOS ALGARVES REVISTA DA ESCOLA SUPERIOR DE GESTO, HOTELARIA E TURISMO UNIVERSIDADE DO ALGARVE N15 2006 3,00 EUR. ISSN:0873-7347

VISITA PELO ALGARVEENTRE AS HISTRIAS E AS LENDASHelena Reis

DEPENDNCIA E IRREVERNCIA: O PAPEL DA IMPRENSA COLONIAL NA REVOLUO AMERICANA (1690-1776)Rita Baleiro

MEMRIAS DO MUNDOSlvia Quinteiro

O PBLICO DA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE FARO ANTNIO RAMOS ROSA: CONSUMOS E PRTICAS CULTURAISMarlia Martins Filipa Perdigo

A ESTRUTURA FINANCEIRA POR SECTOR DE ACTIVIDADEAna Rita Gomes Celsia Baptista Marisa Pinto Vera Leal

A UTILIDADE DOS RCIOS NAS INSTITUIES BANCRIASAna Isabel Martins Aldina Berenguer Carla Carruna

A IMAGEM DO CURSO SUPERIOR DE ASSESSORIA DE ADMINISTRAOAna Cristina Brazo Natacha Pereira Helena Borges Nunes Rosria Pereira

PGINA DO PORTUGUSDESCRIO VERSUS PRESCRIO: UM OUTRO OLHAR SOBRE A LNGUA Filipa Perdigo Rita Baleiro

ROTAS DO SULUM DIA NOS ARREDORES DE PARISESJos Antnio Santos Margarida Custdio Santos

O PERFIL DO ENOTURISTA Marisa Serrenho Paulo guas

MEMRIAS DO MUNDOSlvia Quinteiro

01 dos algarves

NDICE

VISITA PELO ALGARVEENTRE AS HISTRIAS E AS LENDASHelena Reis

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DEPENDNCIA E IRREVERNCIA:O PAPEL DA IMPRENSA COLONIAL NA REVOLUO AMERICANA (1690-1776)Rita Baleiro

O PERFIL DO ENOTURISTAMarisa Serrenho Paulo guas

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O PBLICO DA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE FARO ANTNIO RAMOS ROSA: CONSUMOS E PRTICAS CULTURAISMarlia Martins Filipa Perdigo

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A ESTRUTURA FINANCEIRA POR SECTOR DE ACTIVIDADEAna Rita Gomes Celsia Baptista Marisa Pinto Vera Leal

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A UTILIDADE DOS RCIOS NAS INSTITUIES BANCRIASAna Isabel Martins Aldina Berenguer Carla Carruna

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A IMAGEM DO CURSO SUPERIOR DE ASSESSORIA DE ADMINISTRAOAna Cristina Brazo Natacha Pereira Helena Borges Nunes Rosria Pereira

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PGINA DO PORTUGUSDVIDA N 7 - DESCRIO VERSUS PRESCRIO: UM OUTRO OLHAR SOBRE A LNGUAFilipa Perdigo Rita Baleiro

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ROTAS DO SULUM DIA NOS ARREDORES DE PARISESJos Antnio Santos Margarida Custdio Santos

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Capa: barcos na Ria Formosa - Faro

dos algarves

revista da ESGHT / UALGn15 2006

DIRECTORA: Leonor Moreira

CONSELHO EDITORIAL: Leonor Moreira, Filipa Perdigo, Rita Baleiro

TIRAGEM: 750 exemplares

PROPRIEDADE: ESGHT / UALGUniversidade do Algarve Campus da Penha 8000 FARO

Tel. 289 800 100www.ualg.pt/esght/

CONCEPO GRFICA: Lus Gregrio (camiao@gmail.com) Pedro Cavaco Leito (metamorfoses@gmail.com)PAGINAO: Lus GregrioILUSTRAO: Pedro Cavaco LeitoFOTO CAPA: Pedro Cavaco Leito

IMPRESSO: Rainho e Neves, Lda. / Santa Maria da Feira

ISSN: 0873-7347

FICHA TCNICA

02 03 dos algarves

No fugiremos verdade se disser-mos que quase todos ns entramos no Algarve pela porta da praia, ou seja, o sol e o mar so os nossos anfitries e muitos dos visitantes no chegam a transpor o hall de entrada.

Por isso vos propomos uma visita por esta nossa provncia o Algarve ou Al Gharb, como era conhecido pelos mouros, quer dizer O Ocidente, ou a parte ocidental do Al-Andaluz, o nome geral da Pennsula Ibrica mu-ulmana (Silveira e Nogueira, 1993:14).

Assim, sugerimos que nos acom-panhem at Sagres, onde iremos comear esta viagem: Cabo de S. Vi-cente, o promontrio mais a sudoeste da Europa, aguarda-nos com o seu magnfico farol, cujas grossas lentes de cristal projectam a luz que indica rotas aos barcos e os afasta das es-carpadas falsias (90m). em Sagres que encontramos um estranho crculo geomtrico de 48 raios concntricos, cravado no solo. Seria uma gigantesca Rosa-dos-Ventos? Ou a base de um antigo Relgio de Sol?

No se sabe ao certo se era realmente aqui que ficava localizada a mtica Escola de Marinhagem do Infante D. Henrique, mas, seguramen-te, grande parte da vida deste Prncipe Navegador foi passada entre Sagres e Lagos, local de onde partiam as suas expedies nuticas.

Entre estas duas localidades, depa-ramos com Vila do Bispo, a pequena vila administrativa desta zona. De vo-cao agrcola, com o seu conjunto de moinhos a nascente, ganhou prestgio como o celeiro do Algarve.

A um viajante aconteceu uma bre-ve histria: numa tarde soalheira de

Marina, uma bela avenida acompanha a baa e para alm da esttua do in-fante de Sagres, uma outra nos surge mais adiante: trata-se da polmica escultura em mrmore do artista Joo Cutileiro, dedicada a el-rei D. Sebas-tio. Foi grande a controvrsia que se gerou volta desta esttua no ano de 1973, pois o rei aparece retratado como um rei-menino com o elmo pousado no cho a seus ps....

...as vozes levantaram-se dizendo que o rei parecia um derrotado, no tinha postura real....

Segundo reza a tradio, D. Sebastio est ligado a Lagos por ter sido daqui que, em 1578, partiu conquista de Ceuta, com 800 dos seus barcos......

.... em dias de nevoeiro espera-se ainda a chegada do Desejado, ou notcias da sua armada....

Avanamos agora para Portimo onde, logo entrada, damos com o lendrio Campo de Golfe da Peni-na, o primeiro campo de golfe a ser construdo no Algarve, em 1966, desenhado pelo profissional britnico, Sir Henry Cotton. A fama de Sir Henry como treinador era tal que, dizia-se, uma noite em lenis de linho neste hotel de 5 estrelas, ainda assim, ficava mais barata do que uma aula de golfe com o profissional do campo.

No longe dali, na ria de Alvor, quem andasse apanha da conquilha acabava, frequentemente, por encon-trar alguma moeda romana...

Portimo, a 2 cidade algarvia, est contgua Praia da Rocha e, mais adiante, Praia do Vau, e o porto onde o rio Arade desagua no mar.

Alinham-se as traineiras junto

passeio, entrou num caf-restaurante e pediu percebes, o marisco, pois Vila do Bispo tambm conhecida por esta especialidade. O empregado, desconsolado, respondeu: Infeliz-mente j no temos. Resignado, o nosso turista optou por tomar um caf... Enquanto esperava, viu chegar um pescador com um balde azul pela mo. Desta vez, o empregado apro-ximou-se exultante: Afinal j temos. Ainda est interessado?.

Sigamos viagem.A que hoje conhecemos como a ci-

dade de Lagos, foi, ao que tudo indica, povoao celta, como a designao antiga, Laccobriga, certifica (Silveira e Nogueira, 1993:48). Torna-se depois disso, sucessivamente romana, rabe e finalmente tomada pelos portugue-ses aos mouros no sc. XII (1189). Mas s em 1249, graas ao rei D. Afonso III, Lagos passou a ser includa no Reino dos Algarves.

poca dos descobrimentos portu-gueses, (sc. XV e XVI), foi da baa de Lagos que saram muitas expedies sob as ordens do Infante D. Henrique, entre elas a de Vasco da Gama em 1499, na sua pica viagem ndia.

Entre 1578 e 1756, Lagos chegou a ser a capital do Algarve e ainda aqui que encontramos, na Praa da Republica, um edifcio tristemente curioso, com arcadas, e umas grossas argolas em ferro, presas parede. Este edifcio datado de 1445 e julga-se que tenha sido o primeiro Mercado De Escravos Negros da Europa.

Lagos uma cidade bonita que, durante algum tempo, conseguiu man-ter afastada a construo de prdios altos. Tem uma pequena e simptica

Helena Reis - ESGHT

VISITA PELO ALGARVEENTRE AS HISTRIAS E AS LENDAS

VISITA PELO ALGARVE- ENTRE AS HISTRIAS E AS LENDAS

muralha, e so magnficas as sardi-nhas comidas nos tpicos restaurantes debaixo da ponte... Como sabido, devem comer-se nos meses sem RR, de Maio a Agosto....

Se subirmos o Arade, avistaremos Silves, outrora a capital moura do Gharb ou Ocidente. Destacam-se, imponen-tes, as muralhas do castelo no topo da colina. A sua origem remonta ao ano 1.000 a.C. Pensa-se que j fora um local notvel durante a ocupao romana, mas foi sob o domnio rabe, no incio do sc. XI, que atingiu o apogeu, tendo recebido o nome de Chelb. Constru-ram-se luxuosos palcios e Chelb tor-nou-se um importante centro cultural para toda a pennsula, ainda que, sob o poder dos emiratos de Crdoba ou de Sevilha. Conta-se que foram trazidos lees e outros animais selvagens e os passeavam nos exticos jardins.

Oliveira Martins descreve-a assim: Era opulenta em tesouros e formosa em construes. Davam-lhe a primazia entre as cidades da Espanha rabe. Vestida de palcios coroados pelos terraos de mrmore, cortada de ruas com bazares recheados de preciosi-dades orientais, cercada de pomares viosos e jardins, Chelb era a prola do Chenchir, onde os prdigos da Maurit-nia vinham gozar com as mulheres for-mosas, de puro sangue rabe, os seus cios luxuosos. Era ao mesmo tempo uma praa terrivelmente fortificada (Silveira e Nogueira, 1993:110).

fcil compreender como Silves inspirou poetas ao longo dos tempos, sendo conhecidos os registos da figura lendria de Al-Muthamid, governador de Silves. Era o segundo filho do rei de Sevilha. Dedicou-se poesia e aos lu-xos, vivendo despreocupadamente, at ser chamado para reinar em Sevilha, por morte de seu irmo. Em Silves, Al-Muthamid cantou o amor, a terra frtil do vale do rio e os seus belos pomares. O seu poema mais clebre dedicado a esta cidade chama-se A Invocao (Silveira e Nogueira, 1993:110).

Os laranjais nas redondezas de Silves so conhecidos como os mais

vastos do pas e muitas hortas e pomares circundam a cidade, sendo a mais famosa a Quinta de Mata Mou-ros. (Silveira e Nogueira, 1993:110).

O delicioso bolo Morgado, feito com amndoas, abbora e recheio de doce de ovos, especialidade desta zona.

Silves foi sede de Bispado at 1577, altura em que esta foi transferida para Faro, localidade que D. Joo III j havia elevado a cidade em 1540.

O Museu Arqueolgico, onde se en-contram objectos da Idade da Pedra, foi c