Doenas na ciltura do milho

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  • Sete Lagoas, MGDezembro, 2006

    83

    ISSN 1679-1150

    Autores

    Carlos Roberto CaselaEng. Agr, Ph.D. Pesquisador

    Fitopalogia Embrapa Milho e Sorgo

    C. Postal 151 35701-970Sete Lagoas, MG

    casela@cnpms.embrapa.br

    Alexandre da Silva FerreiraEng. Agr, M.Sc. Pesquisador

    FitopatologiaEmbrapa Milho e Sorgo

    C. Postal 151 35701-970Sete Lagoas, MG

    ferreira@cnpms.embrapa.br

    Nicsio Filadelfo J. de AlmeidaPinto

    Trabalhos de monitoramento de doenas realizados pela Embrapa Milho e Sorgo e pelosetor privado, tm demonstrado que a mancha branca, a cercosporiose. a ferrugempolissora, a ferrugem tropical, a ferrugem comum, a helmintosporiose e osenfezamentos plido e vermelho esto entre as principais doenas da cultura do milhono momento. A importncia de cada uma dessas doenas varivel de ano para ano ede regio para regio, mas no possvel afirmar que alguma delas seja de maiorimportncia em relao s demais. Alm das doenas acima mencionadas, novosdesafios tm surgido ao longo dos ltimos anos, como o aumento na severidade daantracnose foliar em algumas regies do pas e a ocorrncia de podrides de causadaspor Stenocarpella maydis e S. macrospora, antes mais comuns em reas de plantio naregio Sul do pas, em algumas reas do CentroOeste. Normalmente, um programa depesquisa tende a se concentrar na busca de solues para problemas identificados atque solues adequadas sejam encontradas, o que exige um certo nmero de anos. Oagricultor, por outro lado, enfrenta, a cada ano, novos problemas e tende normalmente aconsider-los como prioritrios exigindo solues rpidas e imediatas.

    Vrias medidas so sugeridas para o manejo de doenas na cultura do milho: 1.) oplantio em poca adequada, de modo a se evitar que os perodos crticos para aproduo no coincidam com condies ambientais mais favorveis ao desenvolvimentoda doena. 2.) a utilizao de sementes de boa qualidade e tratadas com fungicidas 3.)a utilizao da rotao com culturas no suscetveis, 4.) o manejo adequado da lavoura adubao, populao de plantas adequada, controle de pragas e de invasoras ecolheita na poca correta. Essas medidas trazem um benefcio imediato ao produtor porreduzir o potencial de inculo em sua lavoura, mas, principalmente, contribuem parauma maior durabilidade e estabilidade da resistncia gentica presentes nas cultivarescomerciais por reduzirem a populao de agentes patognicos. A mais atrativaestratgia de manejo de doenas a utilizao de cultivares geneticamente resistentes,uma vez que o seu uso no exige nenhum custo adicional ao produtor, no causanenhum tipo de impacto negativo ao ambiente, perfeitamente compatvel com outrasalternativas de controle e , muitas vezes, suficiente para o controle da doena.

    Doenas Foliares

    1) Cercosporiose (Cercospora zea-maydis e C. sorghi f. sp.maydis)

    Importncia e Distribuio: A doena foi observada inicialmente no Sudoeste doestado de Gois em Rio Verde, Montividiu, Jata e Santa Helena, no ano de 2000.Atualmente a doena est presente em praticamente todas as reas de plantio de milhono Centro Sul do Brasil. A doena ocorre com alta severidade em cultivares suscetveis,com as perdas podendo ser superiores a 80%.

    Doenas na Cultura do Milho

    Eng. Agr, Doutor. Pesquisador.Fitopatologia

    Embrapa Milho e Sorgo C. Postal 151 35701-970

    Sete Lagoas, MGnicesio@cnpms.embrapa.br

  • 2 Doenas na Cultura do Milho

    Sintomas: Os sintomas caracterizam-se por manchasde colorao cinza, retangulares a irregulares, com asleses desenvolvendo-se paralelas s nervuras. Podeocorrer acamamento em ataques mais severos dadoena (Figura 1).

    podem ser superiores a 60% em determinadassituaes.

    Sintomas: As leses iniciais apresentam um aspectode encharcamento (anasarca), tornando-se necrticascom colorao palha de formato circular a oval com 0,3a 2cm de dimetro. H coalescncia de leses emataques mais severos (Figura 2).

    Figura 1. Cercosporiose (Cercospora zeae-maydis)

    Epidemiologia: A disseminao ocorre atravs deesporos e restos de cultura levados pelo vento e porrespingos de chuva. Os restos de cultura so, portanto,fonte local e fonte para outras reas.

    Manejo da Doena: Plantio de cultivares resistentes.Evitar a permanncia de restos da cultura de milho emreas em que a doena ocorreu com alta severidadepara reduzir o potencial de inculo. Realizar rotaocom culturas como soja, sorgo, girassol, algodo eoutras, uma vez que o milho o nico hospedeiro daCercospora zeae-maydis. Para evitar o aumento dopotencial de inculo da Cercospora zeae-maydis deve -se evitar o plantio de milho aps milho. Plantarcultivares diferentes em uma mesma rea e em cadapoca de plantio. Realizar adubaes de acordo com asrecomendaes tcnica para evitar desequilbriosnutricionais nas plantas de milho, favorveis aodesenvolvimento desse patgeno, principalmente arelao nitrognio/potssio. Para que essas medidassejam eficiente,s recomenda-se a sua aplicaoregional (em macro- regies) para evitar que a doenavolte a se manifestar a partir de inculo trazido pelovento de lavouras vizinhas infectadas.

    2) Mancha branca ou Mancha dePhaeosphaeria)

    Importncia e Distribuio: A doena apresentaampla distribuio no Brasil. As perdas na produo

    Figura 2. Mancha branca (Pantoea ananas)

    Epidemiologia: Alta precipitao, alta umidade relativa(>60%) e baixas temperaturas noturnas em torno de14C so favorveis doena. Plantios tardiosfavorecem a doena. H o envolvimento da bactriaPantoeae ananas nas fases iniciais da doena.

    Manejo da Doena: Plantio de cultivares resistentes.Plantios realizados mais cedo reduzem a severidade dadoena. O uso da prtica da rotao de culturascontribui para a reduo do potencial de inculo.

    3) Ferrugem Polissora (Puccinia polysora)

    Importncia e Distribuio Geogrfica: No Brasil,foram j determinados danos de 44,6% produo demilho pelas ferrugens branca e polissora, sendo a maiorparte atribuda a P. polysora e parte a Physopella zeae.A doena est distribuda por toda a regio Centro-Oeste, Noroeste de Minas Gerais, So Paulo e parte doParan.

    Sintomas: Pstulas circulares a ovais marron claras,distribudas na face superior das folhas e, com muitomenor abundncia, na face inferior da folha (Figura 3).

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    Epidemiologia: A ocorrncia da doena dependenteda altitude, ocorrendo com maior intensidade emaltitudes abaixo de 700m. Altitudes acima de 1200mso desfavorveis ao desenvolvimento da doena.

    Manejo da Doena: Plantio de cultivares comresistncia gentica.

    4) Ferrugem Comum (Puccinia sorghi)

    Importncia e Distribuio: No Brasil, a doena temampla distribuio com severidade moderada, tendomaior severidade nos estados da regio Sul.

    Sintomas: As pstulas so formadas na parte rea daplanta e so mais abundantes nas folhas. Em contrastecom a ferrugem polissora, as pstulas so formadas emambas as superfcies da folha, apresentam formatocircular a alongado e se rompem rapidamente (Figura4).

    Epidemiologia: Temperaturas baixas (16 a 23C) e altaumidade relativa (100%) favorecem o desenvolvimentoda doena.

    Manejo da Doena: Plantio de cultivares comresistncia gentica.

    5) Ferrugem Tropical ou Ferrugem Branca(Physopella zeae)

    Importncia e Distribuio: No Brasil, encontra-sedistribuda no Centro-Oeste, e no Sudeste (Norte deSo Paulo). O problema maior em plantios contnuosde milho, principalmente em reas de pivot.

    Sintomas: Pstulas brancas ou amareladas, empequenos grupos, de 0,3 a 1,0mm de comprimento nasuperfcie superior da folha, paralelamente s nervuras(Figura 5).

    Figura 3. Ferrugem polissora (Puccinia polysora)

    Figura 4. Ferrugem comum (Puccinia sorghi)

    Figura 5. Ferrugem branca (Physopella zeae)

    Epidemiologia: Os uredosporos so o inculo primrioe secundrio, sendo transportados pelo vento ou emmaterial infectado. No so conhecidos hospedeirosintermedirios de P. zeae. A doena favorecida porcondies de alta temperatura (22-34C), alta umidaderelativa e baixas altitudes. Por ser um patgeno demenor exigncia em termos de umidade o problematende a ser maior na safrinha.

    Manejo da Doena: Plantio de cultivares resistentes.Os plantios contnuos tendem a agravar o problemacausado pelas ferrugens em geral. Recomenda-se aalternncia de gentipos e a interrupo no plantiodurante um certo perodo para que ocorra a morte dosuredosporos.

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    6) Helmintosporiose (Exserohilumturcicum)

    Importncia e Distribuio: No Brasil o problema temsido maior em plantios de safrinha. As perdas podematingir a 50% em ataques antes do perodo de florao.

    Sintomas: Os sintomas caractersticos so lesesalongadas, elpticas, de colorao cinza ou marrom ecomprimento varivel entre 2,5 a 15cm. A doena ocorreinicialmente nas folhas inferiores (Figura 6).

    marrom de formato elptico, margens amareladas ouclorticas.

    Epidemiologia: A sobrevivncia ocorre em restosculturais infectados e gros. Os condios sotransportados pelo vento e por respingos de chuva. Atemperatura tima para o desenvolvimento da doena de 22 a 30C. A doena favorecida por alta umidaderelativa. A ocorrncia de longos perodos de seca e dedias de muito sol entre dias chuvosos desfavorvel doena.

    Manejo da Doena: Plantio de cultivares resistentes erotao de culturas.

    8) Mancha de Diplodia (Stenocarpellamacrospora)

    Importncia e Distribuio: Essa doena estpresente nos estados de Minas Gerais, Gois, SoPaulo, Bahia e Mato Grosso e na regio Sul do pas.Apesar de amplamente distribuda, a doena temocorrido com baixa severidade at o momento.

    Sintomas: As leses so alongadas, grandes,semelhantes as de H. turcicum. Diferem desta porapresentar, em algum local da leso, pequeno crculovisvel contra a luz (ponto de infeco). Podem alcanarat 10 cm de comprimento (Figura 7).

    Figura 6. Helmintosporiose (E. turcicum)Epidemiologia: O patgeno sobrevive em folhas ecolmos infectados. A disseminao ocorre pelotransporte de condios pelo vento a longas distncias.Temperaturas moderadas (18-270C) so favorveis doena bem como a presena de orvalho. O patgenotem como hospedeiros o sorgo, o capim sudo, o sorgode halepo e o teosinto.

    Manejo da Doena: O controle da doena feitoatravs do plantio de cultivares com resistnciagentica. A rotao de culturas tambm uma prticarecomendada para o manejo desta doena.

    7) Helmintosporiose (Bipolaris maydis)

    Importncia e Distribuio: Essa doena encontra-sebem distribuda no Brasil, porm com severidade baixaa mdia.

    Sintomas: A Raa 0 produz leses alongadas,delimitadas pelas nervuras com margens castanhascom forma e tamanho variveis. O patgeno atacaapenas as folhas. A Raa T produz leses de colorao

    Figura 7. Mancha de diplodia (Stenocarpellamacrospora

    Epidemiologia: A disseminao ocorre atravs dosesporos e os restos de cultura levados pelo vento e porrespingos de chuva. Os restos de cultura so fonte locale fonte de disseminao da doena para outra reas.

    Manejo da doena: Plantio de cultivares resistentes erotao de culturas.

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    9) Antracnose (Colletotrichum graminicola)

    Importncia e Distribuio: O aumento dessa doenaest associado ao cultivo mnimo e ao plantio direto etambm pela no utilizao da rotao de cultura. Adoena est presente nos estados de GO, MG, MT,MS, SP, PR e SC.

    Sintomas: Na fase foliar, a doena caracteriza-se pelapresena de leses de formas variadas, sendo s vezesdifcil o seu diagnstico. Nas nervuras, comum apresena de leses elpticas com frutificaes(acrvulos do patgeno) (Figura 8).

    peso dos gros, como consequncia da reduo naabsoro de gua e nutrientes. Pode ocorrer otombamento das plantas. No segundo caso, as perdasna produo se devem ao tombamento das plantas oque dificulta a colheita mecnica e expe as espigas ao de roedores e ao apodrecimento, pelo contatocom o solo. O tombamento das plantas funo dopeso e altura da espiga; da quantidade do colmoapodrecida; da dureza da casca; e da ocorrncia deventos.

    As podrides do colmo geralmente se iniciam pelasrazes, passando para os entrens inferiores e,posteriormente, para os entrens superiores oudiretamente pelo colmo, atravs de ferimentos.Estresses durante a fase de enchimento de grospredispem as plantas s podrides. So consideradosfatores estressantes as doenas foliares, os danos nasfolhas ou no colmo causados por insetos, a umidadeexcessiva ou deficiente do solo, o baixo teor de K emrelao ao de N, os perodos prolongados denebulosidade, a alta densidade de semeadura e aocorrncia de chuvas com intensidade acima do normal,2 a 3 semanas aps o florescimento. De um modogeral, as podrides do colmo no ocorremuniformemente na rea mas ao acaso. possvelencontrar plantas sadias ao lado de plantasapodrecidas.

    Por serem os microorganimos causadores daspodrides do colmo capazes de sobreviver nos restosde cultura e no solo, a adoo do Sistema PlantioDireto pode aumentar significativamente a quantidadede inculo no solo tornando as lavouras de milho nessesistema de cultivo mais sujeitas ocorrncia daspodrides em alta intensidade.

    Quanto s podrides de raizes, as perdas econmicasesto diretamente relacionadas ao teor de umidade nosolo e geralmente so causadas por um complexo demicroorganismos.

    1) Podrido de Stenocarpella

    Etiologia: Pode ser causada pelos fungosStenocarpella maydis ou S. macrospora, os mesmos

    Figura 8. Antracnose foliar(Colletotrichum graminicola)

    Epidemiologia: A taxa de aumento da doena umafuno da quantidade inicial de inculo presente nosrestos de cultura, o que indica a importncia do plantiodireto e plantio em sucesso para o aumento dopotencial de inculo. Um outro fator a influir naquantidade de doena a taxa de reproduo dopatgeno, que vai depender das condies ambientais ea da prpria raa do patgeno presente.

    Manejo da doena: Plantio de cultivares resistentes. Arotao de cultura essencial para a reduo dopotencial de inculo presente nos restos de cultura.

    Podrides do Colmo

    As principais podrides do colmo na cultura do milhopodem ocorrer antes do fase de enchimento dos gros,em plantas jovens e vigorosas ou, aps a maturaofisiolgica dos gros, em plantas senescentes. Noprimeiro caso, as perdas se devem morte prematuradas plantas, com efeitos negativos no tamanho e no

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    agentes causais da podrido branca das espigas.Stenocarpella. macrospora pode tambm causar lesesfoliares em milho As duas espcies diferem entre porS. maydis apresentar condios duas vezes menores queos de S. macrospora e por no causar leses foliares.

    Sintomas: Plantas infectadas por qualquer um dessesfungos apresentam, externamente, prximas aosentrens inferiores, leses marrom-claras, quasenegras, nas quais possvel observar a presena depequenos pontinhos negros (picndios). Internamente, otecido da medula adquire colorao marrom, pode sedesintegrar, permanecendo intactos somente os vasoslenhosos sobre os quais possvel observar tambm apresena de picndios.

    Epidemiologia: As podrides do colmo causadas porStenocarpella sp. so favorecidas por temperaturasentre 28 e 30oC e alta umidade, principalmente na formade chuva. Esses fungos sobrevivem nos restos decultura na forma de picndios e, nas sementes, na formade picndios ou de miclio. Apresentam como nicohospedeiro o milho o que torna a rotao de culturasuma medida eficiente no controle dessa doena. Adisseminao dos condios pode ocorrer pela ao dachuva ou do vento.

    Manejo da doena: Utilizao de cultivaresresistentes e rotao de culturas, principalmente emreas onde se utiliza o Sistema Plantio Direto. Evitaraltas densidades de semeadura. Realizar adubaes deacordo com as recomendaes tcnicas para evitardesequilbrios nutricionais nas plantas de milho.

    2) Podrido de Fusarium

    Etiologia: uma doena causada por vrias espciesde Fusarium entre elas F. moniliforme e F. moniliformevar. subglutinans, que tambm causam a podridorosada das espigas.

    Sintomas: Em plantas infectadas, o tecido dosentrens inferiores geralmente adquire coloraoavermelhada que progride de forma uniforme e contnuada base em direo parte superior da planta. Emboraa infeco do colmo possa ocorrer antes da

    polinizao, os sintomas s se tornam visveis logoaps a polinizao e aumentam em severidade medida em que as plantas entram em senescncia. Ainfeo pode se iniciar pelas razes e favorecida porferimentos causados por nematides ou pragassubterrneas.

    Epidemiologia: Esse patgeno um fungo de solocapaz de sobreviver nos restos de cultura na forma demiclio e apresenta vrias espcies vegetais comohospedeiras o que torna a medida de rotao de culturapouco eficiente. Frequentemente pode ser encontradoassociado s sementes. A disseminao dos condiosse d atravs do vento ou da chuva.

    Manejo da doena: Uso de cultivares resistentes.Evitar altas densidades de semeadura. Realizaradubaes de acordo com as recomendaes tcnicaspara evitar desequilibrios nutricionais nas plantas demilho.

    3) Antracnose do colmo

    Etiologia: Essa podrido causada pelo fungoColletotrichum graminicola que pode infectar todas aspartes da planta de milho, resultando diferentessintomas nas folhas, no colmo, na espiga, nas razes eno pendo.

    Sintomas: Embora esse patgeno possa infectar asplantas nas fases iniciais de seu desenvolvimento, ossintomas so mais visveis aps o florescimento. Apodrido do colmo caracterizada pela formao, nacasca, de leses encharcadas, estreitas, elpticas navertical ou ovais. Posteriormente tornam-se marrom-avermelhadas e, finalmente, marrom-escuras a negras.As leses podem coalescer, formando extensas reasnecrosadas de colorao escura-brilhante (Figura 9). Otecido interno do colmo apresenta, de forma contnua euniforme, colorao marrom-escura podendo sedesintegrar, levando a planta morte prematura e aoacamamento.

    Epidemiologia: C. graminicola pode sobreviver emrestos de cultura ou em sementes na forma de miclioe condios. A disseminao dos condios se d por

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    respingos de chuva. A infeco do colmo pode ocorrerpelo ponto de juno das folhas com o colmo ou atravsde razes. A antracnose favorecida por longos perodosde altas temperaturas e umidade, principalmente nafase de plntula e aps o florescimento.

    sobre os quais possvel observar a presena denumerosos pontinhos negros que confereminternamente ao colmo uma cor cinza tpica (Figura 10).

    Figura 9. Antracnose do colmo (Colletotrichumgraminicola

    Manejo da doena: Utilizao de cultivaresresistentes no s podrido do colmo por C.graminicola, mas tambm s doenas foliares. Arotao de culturas imprescindvel no Sistema PlantioDireto. Tratamento de sementes com fungicidas.Realizar adubaes de acordo com as recomendaestcnica para evitar desequilbrios nutricionais nasplantas de milho. Arao e gradagem so prticas que,associadas rotao de cultura, reduzemsignificativamente a quantidade de inculo do patgenono solo e consequentemente a intensidade da doenanas prximas semeaduras.

    4) Podrido Seca do Colmo

    Etiologia: A podrido seca do colmo causada pelafungo Macrophomina phaseolina.

    Sintomas: A infeo das plantas se inicia pelas razes.Embora essa infeco possa ocorrer nos primeirosestdios de desenvolvimento da planta, os sintomasso visveis nos entrens inferiores, aps a polinizao.Internamente, o tecido da medula se desintegrapermanecendo intactos somente os vasos lenhosos

    Figura 10. Podrido seca (Macrophominaphaseolina

    Epidemiologia: A podrido de Macrophomina favorecida por altas temperaturas (370 C) e baixaumidade no solo. A sobrevivncia de M. phaseolina nosolo, bem como sua disseminao, ocorrem na formade esclercios. Esse fungo apresenta um grandenmero de hospedeiros, inclusive o sorgo e a soja o quetorna a rotao de cultura uma medida de controlepouco eficiente.

    Manejo da doena: Utilizao de cultivaresresistentes Promover uma irrigao adequada em anosde pouca chuva. Evitar altas densidades de semeadura.Realizar adubaes de acordo com as recomendaestcnicas para evitar desequilbrios nutricionais nasplantas de milho

    5) Podrido causada por Pythium

    Etiologia: causada pelo fungo Pythiumaphanidermatum.

    Sintomas: Essa podrido do tipo aquosa,assemelhando-se s podrides por bactria. Diferedessas por ficar tpicamente restrita ao primeiro entren

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    acima do solo, enquanto que as bacterioses atingemvrios entrens (Figura 11). As plantas, antes detombarem, geralmente sofrem uma toro. Plantastombadas permanecem verdes por algum tempo, vistoque os vasos lenhosos permanecem intactos.

    Essas podrides podem tambm se iniciar pela partesuperior do colmo, causando a podrido do cartuchopor Erwinia. Os sintomas tpicos dessa doena so amurcha e a seca das folhas do cartucho decorrentes deuma podrido aquosa na base desse cartucho. Asfolhas se desprendem facilmente e exalam um odordesagradvel. Na bainha das outras folhas, pode-seobservar a presena de leses encharcadas(anasarcas). Pode ocorrer o apodrecimento dosentrens inferiores ao cartucho e a murcha do restanteda planta. Ferimentos no cartucho causados porinsetos podem favorecer a incidncia dessa podrido.

    Figura 11. Podrido causada por Pythium

    Epidemiologia: Esse fungo sobrevive no solo,apresenta elevado nmero de espcies vegetaishospedeiras e capaz de infectar plantas de milhojovens e vigorosas, antes do florescimento. Essapodrido favorecida por temperaturas em torno de 32o

    C e por alta umidade no solo proporcionada porprolongados perodos de chuva ou irrigao excessiva.

    Manejo da doena: Manejo adequado da gua deirrigao.

    6) Podrides bacterianas

    Etiologia: Vrias espcies de bactrias do gneroPseudomonas e Erwinia causam podrides do colmoem plantas de milho.

    Sintomas: As podrides causadas por bactrias so dotipo aquosa e, quando causadas por Erwini, exalamtipicamente um odor desagradvel. Em geral, iniciam-senos entrens prximos ao solo e rapidamente atingemos entrens superiores (Figura 12).

    Figura 12. Podrido bacteriana

    Epidemiologia: Essas podrides so favorecidas poraltas temperaturas associadas a altos teores deumidade.

    Manejo da doena: Manejo adequado da gua deirrigao e melhoria no sistema de drenagem do solo.

    Doenas causadas por Molicutes e porVrus

    1) Raiado Fino (Maize Rayado Fino Virus)

    Importncia e Distribuio: A virose rayado fino,tambm denominada de risca, pode reduzir a produode gros em at 30% e ocorre nas principais regiesprodutoras de milho. Essa doena transmitida edisseminada por uma cigarrinha de cor palha, tamanhode 0,5cm, denominada Dalbullus maidis.

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    Sintomas: Os sintomas caractersticos so riscasformadas por numerosos pontos clorticoscoalescentes ao longo das nervuras, que so facilmenteobservados quando as folhas so colocadas contra aluz (Figura 13).

    2) Mosaico comum do milho

    Maize Dwarf Mosaic Virus (MDMV)

    Sugar Cane Mosaic Virus (SCMV)

    Johnson Grass Mosaic Virus (JGMV)

    Sorghum Mosaic Virus (SrMV)

    Importncia e Distribuio: O mosaico comum domilho ocorre praticamente em toda regio onde secultiva o milho. Calcula-se que essa doena podecausar uma reduo na produo de 50%.

    Sintomas: Os sintomas caracterizam-se pela formaonas folhas de manchas verde claro com reas verdenormal, dando um aspecto de mosaico (Figura 14). Asplantas doentes so, normalmente, menores em alturae em tamanho de espigas e de gros.Figura 13. Raiado fino

    Epidemiologia: O vrus do rayado fino ocorresistemicamente na planta de milho e transmitido deforma persistente propagativa pela cigarrinha Dalbullusmaidis que, ao se alimentar em plantas doentes,adquire o vrus que transmitido para plantas sadias. Operodo latente entre a aquisio desse vrus e suatransmisso varia de 7 a 37 dias. A incidncia e aseveridade dessa doena so influenciadas por grau desusceptibilidade da cultivar, por semeaduras tardias epor populao elevada de cigarrinha coincidente comfases iniciais de desenvolvimento da lavoura de milho. Omilho o principal hospedeiro tanto do vrus como dacigarrinha.

    Controle: O mtodo mais eficiente e econmico paracontrolar o vrus rayado fino a utilizao de cultivaresresistentes. Prticas culturais recomendadas quereduzem a incidncia dessa doena no milho so:eliminao de plantas voluntrias de milho, fazer opousio por um perodo de dois a trs meses sem apresena de plantas de milho, alterar a poca desemeadura, evitando as semeaduras tardias esucessivas de milho.

    Figura 14. Mosaico comum

    Agente Causal: O mosaico comum do milho causado por um complexo viral pertencente ao grupoPotyvirus. Dentre eles, incluem-se o Maize DwarfMosaico Virus (MDMV), O Sugar Cane Mosaico Virus(SCMV), o Johnson Grss Mosaico Virus (JGMV) e oSorghum Mosaico Virus (SrMV).

    Epidemiologia: A transmisso do mosaico comum domilho feita por vrias espcies de pulges. Os vetoresmais eficientes so as espcies Ropalosiphum maidis,Schizophis graminum e Myzus persicae. Os insetosvetores adquirem os virus em poucos segundos ou

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    minutos e os transmitem, tambm, em poucossegundos ou minutos. A transmisso desses vrus podeser feita, tambm, mecanicamente. Mais de 250espcies de gramneas so hospedeiras dos vrus domosaico comum do milho.

    Controle: A utilizao de cultivares resistentes omtodo mais eficiente para controlar essa virose. Aeliminao de outras plantas hospedeiras podecontribuir com a reduo da incidncia dessa doena. Aaplicao de inseticidas para o controle dos vetores notem sido um mtodo muito efetivo no controle domosaico comum do milho.

    3) Enfezamentos

    Plido (Spiroplasma)

    Vermelho (Phytoplasma)

    Importncia e Distribuio: Os enfezamentos domilho, causados por Spiroplasma e por Phytoplasma,so considerados doenas importantes para a culturado milho por afetarem a produtividade desse cereal epor sua ocorrncia generalizada nas principais regiesprodutoras de milho. Essas doenas so transmitidas edisseminadas por uma cigarrinha de cor palha, tamanhode 0,5cm, denominada Dalbulus maidis.

    Sintomas: Enfezamento plido: Os sintomascaractersticos so estrias esbranquiadas irregularesna base das folhas que se estendem em direo aopice (Figura 15). Normalmente as plantas soraquticas devido ao encurtamento dos entrens e podehaver uma proliferao de espigas pequenas e semgros. Quando h produo de gros, eles sopequenos, manchados e frouxos na espiga. As plantaspodem secar precocemente.Enfezamento vermelho: Os sintomas tpicos dessadoena so o avermelhamento das folhas, a proliferaode espigas, o perfilhamento na base da planta e nasaxilas foliares e encurtamento dos entrens (Figura 16).

    Agente Causal: O enfezamento plido causado porprocarionte pertencente ao gnero Spiroplasmadenominado pelo nome comum espiroplasma. O

    enfezamento vermelho causado por procariontepertencente ao gnero Phytoplasma denominado pelonome comum fitoplasma.

    Figura 15: Enfezamento plido

    Epidemiologia: Molicutes Spiroplasma e Phytoplasmaocorrem somente em clulas do floema de plantasdoentes de milho e so transmitidos de formapersistente propagativa pela cigarrinha Dalbulus maidisque, ao se alimentar em plantas doentes, adquire os

    Figura 16. Enfezamento vermelho

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    molicutes que so transmitidos para as plantas sadias.O perodo latente entre a aquisio do patgeno e suatransmisso pela cigarrinha varia entre 12 e 28 diaspara Spiroplasma enquanto para Phytoplasma avariao de 22 a 26 dias. A incidncia e a severidadedessas doenas so influenciadas por grau desusceptibilidade da cultivar, por semeaduras tardias, portemperaturas elevadas e por densidade elevada decigarrinhas coincidente com fases iniciais dedesenvolvimento da lavoura de milho.

    Controle: O controle dessas doenas mais eficiente a utilizao de cultivares resistentes. Outras prticasrecomendadas para o manejo dessas doenas so:evitar semeaduras sucessivas de milho, fazer o pousiopor perodo de dois a trs meses sem a presena deplantas de milho e alterar a poca de semeadura,evitando-se a semeadura tardia do milho.

    Doencas Causadas por Nematides

    Mais de 40 espcies de 12 gneros de nematides tmsido citadas como parasitas de razes de milho emtodas as reas do mundo onde esse cereal cultivado.No Brasil, as espcies mais importantes, devido patogenicidade, distribuio e alta densidadepopulacional, so Pratylenchus brachyurus,Pratylenchus zeae, Helicotylenchus dihystera,Criconemella spp., Meloidogyne spp. e Xiphinema spp.Resultados de pesquisa demonstram que o controlequmico de nematides na cultura do milho permitiram oaumento da produo de gros em 39% em reanaturalmente infestada por Pratylenchus zeae eHelicotylenchus dihystera. H tambm em gros demilho relatos de aumento de produtividade de 699 kg/ha, em parcelas experimentais, devido ao controlequmico de Pratylenchus sp. E de Helicotylenchus sp.

    A ocorrncia de nematides do gnero Meloidogyneparasitando o milho e causando prejuzos significativosem condies naturais foi relatada no Brasil em 1986,tendo sido identificado como Meloidogyne incognita raa3 em razes de plantas de milho que no sedesenvolveram. Contudo, o milho est entre as culturasmais recomendadas para a rotao em reas infestadas

    por Meloidogyne spp. Atualmente, devido necessidadede se controlar o nematide do cisto (Heteroderaglycines) na cultura da soja, o milho tem sido umaalternativa para a rotao de cultura, pois no parasitado por esse nematide. Por outro lado, essasduas culturas podem ser parasitadas por nematides dognero Meloidogyne, notadamente por M. incognita e M.javanica.

    Sintomas: as injrias causadas por nematides variamcom o gnero e a populao do nematide envolvido,com as condies do solo e a idade da planta de milho.Os sistemas radiculares parasitados por nematidesso menos eficientes na absoro de gua e nutrientesda soluo do solo. Conseqentemente, uma plantaparasitada tem seu crescimento reduzido, apresentasintomas de deficincias minerais e a produo reduzida. Uma cultura de milho atacada por nematidesapresenta, em sua parte area, os seguintes sintomas:plantas enfezadas e clorticas, sintomas de murchadurante os dias quentes, com recuperao noite,espigas pequenas e mal granadas. Esses sintomas do cultura do milho uma aparncia de irregularidade,podendo aparecer em reboleiras ou em grandesextenses. Quando esses sintomas, observados naparte area, so causados por nematides, as razesapresentam os seguintes sintomas:

    a. Encurtamento e engrossamento das razes:Trichodorus spp., Longidorus spp. e Belonolaimus spp.

    b. Sistema radicular praticamente destitudo deradicelas: Xiphinema spp., Tylenchorhynchus spp.,Helicotylenchus spp., Belonolaimus spp. eMacroposthonia spp.

    c. Sistema radicular praticamente destitudo deradicelas e com leses radiculares e razesapodrecidas: Pratylenchus spp., Xiphinema spp.,Hoplolaimus spp. e Helicotylenchus spp.

    d. Sistema radicular com pequenas galhas:Meloidogyne spp.

  • 12 Doenas na Cultura do Milho

    Fator de Reproduo (FR) do Nematide

    necessrio conhecer muito bem o Fator deReproduo (FR) das espcies de nematides queparasitam as cultivares de milho disponveisregionalmente. O FR expressa se a cultivar excelente,boa, fraca ou no hospedeira do nematide presente narea de cultivo do milho, em relao populao inicialpresente no solo infestado por esse nematide. Isto : oFR representa a populao do nematide no estdiofinal da cultura / populao inicial do nematidepresente na ocasio de semeadura.Consequentemente, a cultivar de milho a ser utilizadaem plantios comerciais ou em rotao com a cultura dasoja deve apresentar FR < 1, se possvel igual a zero ouprximo de zero.

    Na avaliao da reao de 107 gentipos de milho, aMeloidogyne incognita raas 1, 2, 3 e 4 e a M. arenariaraa 2, incluindo populaes de polinizao aberta,linhagens, cruzamentos intervarietais e hbridoscomerciais, os resultados mostraram que todos osgentipos foram bons hospedeiros desses nematides.O FR para Meloidogyne incognita raa 1 variou de 8,5 a24,3 e para a raa 3 variou de 5,3 a 34,8; enquanto quepara M. arenaria raa 2 variou de 16,2 a 31,9. Essesresultados mostram a existncia de variabilidadegentica entre os gentipos avaliados. Ademais, emoutro ensaio de resistncia Meloidogyne incognitaraa 3, empregando-se 29 cultivares de milhorecomendadas para o estado de So Paulo, todas ascultivares mostraram-se suscetveis ao nematide (FR >1). Contudo, entre as cultivares avaliadas as queapresentaram menor FR foram: BR 206 (4,9), BR 205(5,1), IAC Taiba (5,9), XL 660 (8,0) e Agromen 2012(9,5); sendo portanto as alternativas possveis para oplantio em reas infestadas por M. incognita raa 3.

    O milho tem sido uma cultura amplamenterecomendada para rotao em reas infestadas comMeloidogyne javanica. No entanto, mesmo nomostrando sintomas de galhas evidentes, algumascultivares podem permitir acentuada multiplicaodesse nematide. Em avaliao de 36 gentipos de

    milho em relao patogenicidade de Meloidogynejavanica, todos eles apresentaram o FR < 1, indicandoque esses gentipos diminuram a populao inicial donematide no solo. Adicionalmente, h informao deque a cultivar Hat resistente a M. javanica. Contudo,recentemente, em 18 gentipos de milho avaliados,todos comportaram-se como bons hospedeiros deMeloidogyne javanica, com o FR variando de 2,2 a 6,9.

    Controle: a utilizao de cultivares resistentes amedida mais eficiente e econmica de controle dosnematides que parasitam a cultura do milho. A rotaode culturas com espcie botnica no hospedeira donematide presente na rea de cultivo do milho tambm recomendada. Ademais, a utilizao de plantasarmadilha como Crotalaria spectabilis, as quais atraeme aprisionam larvas de nematides, especificamenterecomendada para o controle de Meloidogyne spp. Noobstante, a Crotalaria juncea possui alto potencial demultiplicao dos nematides Pratylenchus spp. eHelicotylenchus spp., enquanto que a rotao commucuna preta (Mucuna aterrima) diminui as populaesiniciais de Pratylenchus spp. O controle qumico dosnematides parasitas do milho depende dadisponibilidade de produtos registrados no Ministrio daAgricultura Pecuria e Abastacimento, bem como daanlise econmica da utilizao dessa tecnologia.

    Qualidade Sanitria de Gros

    Os gros de milho podem ser danificados por fungosem duas condies especficas: em pr-colheita(podrides de espigas com a formao de grosardidos) e em ps-colheita dos gros durante obeneficiamento, armazenamento e o transporte (grosmofados ou embolorados). No processo de colonizaodos gros, muitas espcie denominadas fungostoxignicos podem, alm dos danos fsicos(descoloraes dos gros, redues nos contedos decarboidratos, de protenas e de acares totais),produzir substncias txicas denominadas micotoxinas. importante ressaltar que a presena do fungotoxignico no implica necessariamente na produo demicotoxinas, as quais esto intimamente relacionadas

  • 13Doenas na Cultura do Milho

    capacidade de biossntese do fungo e das condiesambientais predisponentes, como em alguns casos daalternncia das temperaturas diurna e noturna.

    1) Produo de Gros Ardidos

    Os gros ardidos em milho so o reflexo das podridesde espigas, causadas principalmente pelos fungospresentes no campo: Diplodia maydis (Stenocarpelamaydis), Diplodia macrospora (Stenocarpelamacrospora), Fusarium moniliforme, F. subglutinans, F.graminearum, F. sporotrichioides e Gibberella zeae.Ocasionalmente, no campo, h produo de grosardidos pelos fungos Penicillium oxalicum e Aspergillusflavus e A. parasiticus. Os fungos F. graminearum, F.sporotrichioides e Diplodia maydis so mais freqentenos estados do Sul do Brasil; e F. moniliforme, F.subglutinans e Diplodia macrospora nas demais regiesprodutoras de milho. A seguir, sero descritas asprincipais podrides de espigas ocorrentes no Brasil.

    2) Podrido Branca da Espiga

    A podrido branca da espiga causada pelos fungosStenocarpela maydis e S. macrospora. As espigasinfectadas apresentam os gros de cor marrom, debaixo peso e com crescimento micelial branco entre asfileiras de gros (Figura 17). No interior da espiga ounas palhas das espigas infectadas, h a presena denumerosos pontinhos negros (picndios), que so asestruturas de frutificao do patgeno. Umacaracterstica peculiar entre as duas espcies deDiplodia que apenas a D. macrospora ataca as folhasdo milho. A precisa distino entre essas espcies s possvel mediante anlises microscpicas, poiscomparativamente os esporos de D. macrospora somaiores e mais alongados do que os de D. maydis. Osesporos desses fungos sobrevivem dentro dos picndiosno solo e nos restos de cultura contaminados e, nassementes, na forma de esporos e de miclio dormente,sendo essas fontes primrias de inculo para a infecodas espigas. A infeco pode se iniciar em qualqueruma das extremidades das espigas. Entretanto, asespigas mal empalhadas ou com palhas frouxas ou queno se dobram aps a maturidade fisiolgica so as

    mais suscetveis. A alta precipitao pluviomtrica napoca da maturao dos gros favorece o aparecimentodessa doena. A evoluo da podrido praticamentecessa quando o teor de umidade dos gros atinge 21 a22% em base mida. O manejo integrado para ocontrole desta podrido de espiga envolve a utilizaode cultivares resistentes; de sementes livres dospatgenos; da destruio de restos culturais de milhoinfectados; e da rotao de culturas, visto que o milho o nico hospedeiro desses patgenos.

    Figura 17. podrido da espiga causada porStenocarpella sp

    3) Podrido Rosada da Espiga

    Essa podrido causada por Fusarium moniliforme oupor Fusarium subglutinans. Esses patgenosapresentam elevado nmero de plantas hospedeiras,sendo, por isso, considerados parasitas noespecializados. A infeco pode se iniciar pelo topo oupor qualquer outra parte da espiga, mas sempreasssociada a alguma injria (insetos, pssaros). Com odesenvolvimento da doena, uma massa cotonosaavermelhada pode recobrir os gros infectados ou area da palha atingida. Em alguns gros, pode haver oaparecimento de estrias brancas no pericarpo causadaspela ao do fungo. Quando a infeco ocorre atravsdo pednculo da espiga, todos os gros podem serinfectados, mas a infeco s se desenvolver naquelesque apresentarem alguma injria no pericarpo. Odesenvolvimento dos patgenos nas espigas paralisado quando o teor de umidade dos gros atinge18 a 19%, em base mida. Embora esses fungos sejamfreqentemente isolados das sementes, essas no so

  • 14 Doenas na Cultura do Milho

    Exemplares desta edio podem ser adquiridos na:Embrapa Milho e SorgoEndereo: MG 424 Km 45 Caixa Postal 151 CEP35701-970 Sete Lagoas, MGFone: (31) 3779 1000Fax: (31) 3779 1088E-mail: sac@cnpms.embrapa.br1a edio1a impresso (2006): 200 exemplares

    Presidente: Antnio lvaro Corsetti PurcinoSecretrio-Executivo: Cludia Teixeira GuimaresMembros: Carlos Roberto Casela, Flvia FranaTeixeira, Camilo de Lelis Teixeira de Andrade,Jos Hamilton Ramalho, Jurandir Vieira Magalhes

    Editorao eletrnica: Tnia Mara Assuno Barbosa

    Comit depublicaes

    Expediente

    CircularTcnica, 83

    a principal fonte de inculo. Como os fungos possuem afase saproftica ativa, sobrevivem e se multiplicam namatria orgnica, no solo, sendo essa a fonte principalde inculo.

    4) Podrido Rosada da Ponta da Espiga

    Essa podrido de espiga conhecida tambm pelonome de podrido de giberela (Gibberella zeae), sendomais comum em regies de clima ameno e de altaumidade relativa. A ocorrncia de chuvas aps apolinizao propicia a ocorrncia dessa podrido deespiga. A doena inicia-se com uma massa cotonosaavermelhada na ponta da espiga e pode progredir para abase da espiga. A palha pode ser colonizada pelo fungoe tornar-se colada na espiga. Ocasionalmente, essapodrido pode iniciar-se na base e progredir para aponta da espiga, confundindo o sintoma com aquelecausado por Fusarium moniliforme ou F. subglutinans.Chuvas freqentes no final do desenvolvimento dacultura, principalmente em lavoura com cultivar comespigas que no dobram, aumentam a incidncia dessapodrido de espiga. Esse fungo sobrevive nas sementesna forma de miclio dormente. A forma anamrfica de G.zeae denominada Fusarium graminearum.

    5) Produo de Micotoxinas

    Atualmente, os gros ardidos constituem-se num dosprincipais problemas de qualidade do milho devido apossibilidade da presena de micotoxinas, tais comoaflatoxinas (Aspergillus flavus e A. parasiticus),fumonisinas (Fusarium moniliforme e F. subglutinans),zearalenona (Fusarium graminearum e F. poae),vomitoxinas (Fusarium moniliforme), toxina T-2(Fusarium sporotrichioides), entre outras. As perdasqualitativas por gros ardidos so motivos de

    desvalorizao do produto e uma ameaa sade dosrebanhos e humana. Como padro de qualidade,tem-se,em algumas agroindstrias a tolerncia mxima de 6%para gros ardidos em lotes comerciais de milho.

    O gnero Fusarium tem uma faixa de temperatura timapara o seu desenvolvimento situada entre 20 a 25 C.Contudo, suas toxinas so produzidas a temperaturasbaixas; isto significa que Fusarium produz asmicotoxinas sob o efeito de choque trmico, sobretudocom alternncia das temperaturas, principalmente adiurna e a noturna. Para a produo de zearalenona, atemperatura tima est em torno de 10-12C.

    6) Controle da Produo de Gros Ardidos

    A preveno contra a infeco dos gros de milho porfungos promotores de gros ardidos deve levar emconsiderao um conjunto de medidas: a) utilizarcultivares de milho com gros mais resistentes aosfungos dos gneros Fusarium e Diplodia; b) realizarrotao de culturas com espcies de plantas nosuscetveis aos fungos dos gneros Fusarium eDiplodia; c) interromper o monocultivo do milho; d)promover o controle das plantas daninhas hospedeirasde fungos do gnero Fusarium; e) usar sementes dealta qualidade sanitria; f) evitar altas densidades deplantio; g) utilizar cultivares de milho com espigasdecumbentes; h) evitar colher espigas atacadas porinsetos e pssaros; i) no colher espigas de plantasacamadas; j) no retardar a colheita e k) realizar oenterrio de restos culturais de milho infectados comfungos causadores de gros ardidos.

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