Doenas e pragas da batata

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  • MANEJO INTEGRADODAS PRINCIPAIS DOENAS

    E DE PRAGAS DA CULTURA DA BATATA

    Uma viso holstica de controlepara o Estado do Paran1

    2Arton D. Brisolla, MSc - Bntomologia2Nilceu R.X. de Nazareno, PhD - Fitopatologia

    3Renato Tratch, MSc - Manejo de Solo e Ftossanidade4Rui S. Furiatti, PhD - Bntomologia

    4David S. Jaccoud Filho, PhD - Fitopatologia

    (Complementar Circular N 118)

    INSTITUTO AGRONMICO DO PARAN - IAPAR

    1 Recursos advindos do PRONAF/Difuso de Tecnologia2 rea de Proteo de Plantas; Plo Regional de Pesquisa de Curitiba; Caixa Postal 2031; 80011-970 Curitiba, PR3 Pontifcia Universidade Catlica do Paran e Faculdades Integradas "Esprita".4 Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG

    CIRCULAR N 124JULHO/02

    ISSN 0100-3356

  • Visite o site do IAPAR: http://www.pr.gov.br/iapar

    DIRETORIA EXECUTIVADiretor-Presidente: Florindo Dalberto

    PRODUOCoordenao Grfica: Mrcio Rosa de OliveiraArte-final: Slvio Czar Boralli / Capa: Tadeu K. SakiyamaImpresso na rea de Reprodues Grficas

    Todos os direitos reservados aoInstituto Agronmico do Paran. proibida a reproduo total ou parcial desta obrasem a autorizao prvia do IAPAR.

    M274 - Manejo integrado das principais doenas e pragas da culturada batata - uma viso holstica de controle para o Es-tado do Paran / Airton D. Brisolla... [et ai.]Londrina : IAPAR, 2002.

    43f. il. (IAPAR. Circular, 124).

    Complementar Circular n. 118.ISSN: 0100-3356

    1. Batata - Doenas e pragas - Paran. 2. Batata -Doenas e pragas - Controle - Paran. I. Brisolla, Airton D.II. Instituto Agronmico do Paran, Londrina, PR. III. Srie.

    CDU 632.633.491

    INSTITUTO AGRONMICO DO PARANVINCULADO SECRETARIA DE ESTADO DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO

    Rodovia Celso Garcia Cid km 375 - Fone: (43) 3376-2000 - Fax: (43) 3376-2101

    Cx. Postal 481 - 86001-970 - LONDRINA-PARAN-BRASIL

  • SUMRIO

    Pg.

    INTRODUO 5

    MANEJO INTEGRADO DE DOENAS 6Doenas Fngicas 6(Rizoctoniose, Sama pulverulenta, Sama prateada, Podrides secas detubrculos, Murcha de Fusarium sp, outras doenas fngicas).Doenas Virticas 15(Vrus do enrolamento da folha, Mosaicos).Doenas Bacterianas 21(Murchadeira, Canela preta e Podrido mole, Sama comum).

    MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS 29

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS .. . 39

  • INTRODUO

    O Paran continua sendo um dos principais Estados na produ-o agrcola, onde a cultura da batata (Solanum tuberosum L) um dosdestaques. Especificamente para essa cultura, na Regio Metropoli-tana de Curitiba e seus arredores que se concentra a maior parte docultivo, chegando a corresponder a aproximadamente 70% da rea doEstado. Apesar de estar muito bem adaptada em nossa regio, essacultura necessita de intenso controle qumico preventivamente, emvirtude de haver condies climticas favorveis ao desenvolvimento deepidemias de doenas e pragas.

    As doenas fngicas foliares, requeima e pinta preta, impor-tantes na Regio Sul, so as responsveis pela maioria do consumo defungicidas nas lavouras. Uma reviso sobre as principais caractersti-cas epidemiolgicas e controle integrado dessas duas doenas podem-ser encontradas na Circular 118, do IAPAR.

    Uma caracterstica do sistema de produo da regio que acultura da batata rotacionada com outras como a do milho e do fei-jo, ou serve como renovadora de pastagens. Pelo seu tipo de reprodu-o vegetativa e pela inexistncia de mtodos e equipamentos de co-lheita que permitam a completa catao dos tubrculos nessa opera-o, inevitavelmente sempre so encontradas plantas voluntriasdentro das outras culturas do sistema de produo, durante todo oano, atravs da brotao dos tubrculos remanescentes e emergnciade plantas.

    Essas plantas permanecem no campo sem nenhum acompa-nhamento e servem como fonte de sobrevivncia para doenas e pra-gas da cultura. Assim, as plantas voluntrias se constituem em umdos principais desafios para o manejo integrado de doenas e pragasda batata em nossa regio.

    Outro fator importante a ser considerado para o manejo inte-grado de doenas e pragas da cultura da batata que a regio metro-politana de Curitiba e seus arredores se constituem numa importantezona de captao de gua para a populao. Portanto, os riscos do usoindiscriminado de agroqumicos devem ser diminudos. Alm disso, onmero de produtores de batata interessados em modificar seus sis-temas de produo para o orgnico e alternativos ao convencional estaumentando gradativamente.

    Este boletim tcnico tem como objetivos: 1) trazer alguns con-ceitos de manejo integrado para outras doenas e pragas no contem-

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  • piadas na Circular 118; 2) apresentar alguns conceitos que possamoferecer aos pequenos produtores e aos tcnicos do servio de extensorural, o conhecimento bsico para o desenvolvimento de estratgiaspreventivas e de controle de doenas e pragas que minimizem o im-pacto que as tradicionais tecnologias oferecem ao meio ambiente.

    MANEJO INTEGRADO DE DOENAS

    As doenas que sero abordadas nesta publicao se constitu-em em grandes desafios aos produtores de batata, tanto no sistema deproduo convencional como no orgnico, porque muitas delas soveiculadas pelo solo, como a rizoctoniose e a sarna pulverulenta, dedifcil controle, como as de origem bacteriana, exemplo do complexode podrido mole e canela preta, ou a sarna comum. Alm dessas,pretende-se abordar as principais doenas de origem virtica, cujocontrole tem que levar em conta o manejo de seus insetos vetores.

    Ser descrita, resumidamente, a sintomatologia que as caracte-rizam, principais aspectos da epidemiologia e medidas a serem consi-deradas para prevenir as perdas em produo.

    DOENAS FNGICAS

    Rizoctoniose (Rhizoctonia solani Khn)A rizoctoniose uma doena de ocorrncia frequente nas diver-

    sas regies produtoras de batata, especialmente naquelas de cultivointensivo, onde os sistemas de rotao so normalmente colocados emsegundo plano. Negligenciar a rotao de culturas, como tambm autilizao de tubrculos sementes contaminados em reas novas, tmsido os maiores responsveis pelo aumento substancial das lavourasinfectadas por R. solani e, consequentemente, o aumento do potencialde danos.

    R. solani um fungo que tem seu ataque facilitado pela demorana emergncia das brotaes novas ou hastes dos tubrculos, especi-almente sob condies climticas adversas, como temperaturas baixas,alta umidade dos solos e profundidade de plantio dos tubrculos (> 10cm). Alm desses fatores, o acmulo de matria orgnica no decom-posta e o ataque de pragas, tambm podem facilitar a vulnerabilidadedas plantas ao ataque do fungo.

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  • As fases de maior suscetibilidade da cultura ao ataque dessepatgeno variam do plantio fase de amontoa, correspondendo apro-ximadamente ao perodo de 25 a 40 dias aps o plantio. R. solani,mesmo na fase de armazenamento, pode ocasionar o comprometi-mento e morte de brotaes novas nos tubrculos-semente infectados.Nas fases de pr e ps-emergncia os sintomas se caracterizam porleses fundas, amarronzadas a marrom-avermelhadas, que evoluempara a morte dos brotos. Com a emisso de novas brotaes, estastambm podem ser infectadas pelo fungo. A emisso das novas brota-es para compensar as mortas, favorece o esgotamento de energia dostubrculos-semente, podendo haver o comprometimento da densidadede plantas nos campos de produo. Alm do ataque das brotaesnovas, a doena tambm pode comprometer os estoles e a haste prin-cipal, ocorrendo a expresso dos mesmos sintomas descritos anterior-mente (Figura 1). .

    Dependendo daquantidade de propgu-los do fungo disponivelpara o ataque, a intensi-dade dos sintomas podevariar de pequenas "ra-nhuras" ou necroses nashastes ou estoles, atleses mais deprimidasque chegam a envolvertoda haste da planta.Esses ferimentos podempossibilitar o surgimentode outros sintomas refle-xos na parte area dasplantas. Pode-se observarconcentrao de pig-mentos arroxeados nas

    folhas, enrolamento apical dos fololos, produo de tubrculos areos(Figura 2) e clorose dos fololos superiores das plantas. Sintomas estesque podem ser confundidos com os do vrus do enrolamento das fo-lhas. Portanto, para a identificao da doena, importante a observa-o de sintomas nas brotaes, estoles e hastes das plantas de batatano campo.

    Figura 1. Ataque de rizoctoniose em batataformando cancros com estrangu-lamento de hastes. (Foto: N. Naza-reno).

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  • Em condiesintensas de ataque,pode-se observar comfreqncia nos tubr-culos formados, a pre-sena da "crosta negra"ou "mancha de piche",firmemente aderidas casca, mesmo aps alavagem dos tubrcu-los (Figura 3). Almdesses sintomas tpi-cos, os tubrculostambm podemapresentar sintomasde "enrugamento" dacasca e "deformaodos tubrculos" ou "rachaduras" as quais se assemelham a distrbiosfisiolgicos.

    Figura 2. Sintoma indireto do ataque de rizocto-niose atravs da produo de tubr-culos areos. (Foto: N. Nazareno).

    Figura 3. Tubrculos debatata com vrios graus deseveridadedos sintomas,denominados"piche" ou asfalto. (Foto: N.Nazareno).

    Medidas de controle antes do plantio Utilizao de tubrculos-semente sadios: tubrculos com "crosta

    preta" so uma das principais formas de disseminao do fungopara novas reas; portanto, a utilizao de sementes sadias degrande importncia para se evitar a introduo do fungo.

    Sobrevivncia do fungo: considerando que R. solani sobrevive nosolo mesmo depois da safra e que este fungo ataca vrios outroscultivos, deve-se ter o cuidado de preparar o solo com antecedncia

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  • para a eliminao ou reduo dos restos culturais ou atravs desua incorporao ao solo, visando degradao mais rpida dosrestos contendo o fungo.

    poca de plantio: sendo as condies favorveis para o ataque deR. solani, as mesmas que atrasam a emergncia, recomenda-se oplantio em solos com umidade e temperatura adequadas a umarpida emergncia, isto , evitar solos frios e midos.

    Profundidade de semeadura: para a emergncia rpida e seguradas brotaes, realizar um bom preparo do solo e plantar o tubr-culo semente na profundidade adequada (5 a 7 cm).

    Sarna pulverulenta (Spongospora subterranea (Wallr.) Lagerh. f.sp. subterranea Tomlinson)

    A doena conhecida pelos produtores como "sarna" ou "es-pongospora". No Brasil, a sua deteco j foi reportada no Rio Grandedo Sul, So Paulo, Minas Gerais, Esprito Santo e Distrito Federal e,mais recentemente, Paran.

    As lavouras atacadas no apresentam sintomas visveis na fo-lhagem, pois o fungo ataca superficialmente os tubrculos e razes,sem ocasionar reflexos significativos na parte area das plantas.

    A infeco favorecida por temperaturas baixas e solos midose por meio de injrias ou aberturas naturais da planta. A doena mais severa em reas de baixadas, com acmulo de umidade e emlavouras irrigadas. As observaes de campo tambm tm demonstra-do maior severidade da doena em solos mais arenosos do que em ar-gilosos.

    Os sintomas dadoena tornam-se evi-dentes principalmente noincio da formao dostubrculos (Figura 4), osquais apresentam lesescom formato arredonda-do ou irregular, em for-ma de "pstulas ou ver-rugas", com entumesci-mento ou depresso nocentro. O tecido atacadoapresenta-se com o cres-cimento irregular, no-

    Figura 4. Tubrculos de batata com pstulasde sarna pulverulenta. (Foto: N. Na-zareno).

  • tando-se uma massa negra de p quando a leso est madura. Os tu-brculos atacados podem ser deformados. Nas razes ou estoles,pode-se observar "verrugas", entre 2 e 10 mm, inicialmente com colo-rao marrom-clara e, posteriormente, tornando-se escuras e pulve-rulentas com o tempo.

    Esse p negro (esporos) corresponde s estruturas do fungoque sobrevivem no solo por mais de 10 anos e so de extrema impor-tncia para o diagnstico da doena e diferenciao da sarna comum.Os esporos de resistncia, alm de sobreviverem no solo, no perdem aviabilidade mesmo passando pelo trato digestivo dos animais. Assim, oestreo bovino pode estar contaminado, caso seja dado ao animal tu-brculos contaminados com "espongspora".

    As reas lesionadas facilitam a entrada de outros patgenos in-dutores de podrides secas e/ou moles, os quais podem mascarar apresena de S. subterranea, devido ao grau de deteriorao dos tubr-culos.

    Alm de batata, o patgeno tambm pode infectar outras sola-nceas, tais como S. nigrum e S. lycopersicum (tomate), alm de razesde nabo e canola.

    Medidas de controle antes do plantio Qualidade do tubrculo-semente: como a sarna pulverulenta

    transmitida pelo tubrculo infectado, evitar plantio com sementeoriunda de campo infectado certamente a medida mais impor-tante a ser tomada para evitar a introduo dessa doena numaregio produtora.

    Escolha da rea de cultivo: considerando que o fungo sobrevive porlongos perodos no solo, saber se houve ocorrncia da doena narea. Procurar cultivar a batata em locais onde no h acmulo deumidade ou encharcamento do solo.

    Variedades resistentes: no se corihece at o momento variedadesresistentes ao fungo. No Paran, doena foi detectada nas varie-dades Bintje e Achat e no Estado de So Paulo, acredita-se que adoena se tornou limitante em 'Achat' produzida sob pivot central,tal a sua suscetibilidade naquelas condies favorveis.

    Rotao de cultura: a sobrevivnvia do fungo no solo por muitotempo, impossibilita o cultivo da batata por vrios anos, estiman-do-se pelo menos 10 anos de cultivo com espcies no hospedeiras.Assim, recomenda-se rotao de culturas especialmente com gra-mneas.

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  • Medidas de controle aps o plantio Irrigao: como a disseminao do patgeno favorecida pela gua

    e a cultura mais vulnervel especialmente no perodo de 3 a 4semanas aps a iniciao da formao dos tubrculos, sugere-se asuspenso da irrigao em reas comprometidas, na tentativa dereduzir a disseminao do fungo para outras reas da lavoura.

    Tratos culturais: no utilizar implementos agrcolas provenientesde reas infestadas com o patgeno. Estruturas do fungo certa-mente podero estar aderidas aos restos culturais e a pores desolo contaminado.

    Sarna prateada (Helminthosporium solani Dur. & Mont.)A sarna prateada era uma doena de armazenamento, onde sua

    ocorrncia estava associada ao murchamento de tubrculos ao longodo perodo de permanncia na cmara fria, ou em armazns, servindo,como porta de entrada para outras podrides. Nos ltimos tempos,essa doena tem se tornado fator de depreciao de mercado, pela altaincidncia em tubrculos para consumo, face ao aumento do fungo edistribuio generalizada nos solos e dificuldade e inconsistncia nasmedidas de controle. Altas intensidades de sarna prateada tm sidoobservadas em tubrculos de batata colhidos em rea nunca cultivadacom a espcie, no Norte do Paran, em plantio de inverno.

    Os sintomas da doena se caracterizam pelo aparecimento demanchas irregulares escuras e com um brilho prateado sobre a cascado tubrculo. Esse brilho se torna mais evidente quando o tubrculo lavado e ainda est molhado. Essas manchas podem juntar-se e tomarquase toda a superfcie do tubrculo.

    As perdas tambm ocorrem no processo de lavagem e descartede tubrculos para comercializao. No se dispe de muitas informa-es sobre essa doena em nossas condies. Considera-se que altaumidade e retardamento da colheita agravam o problema.

    Medidas de controle antes do plantio Sobrevivncia do fungo: no se dispe de informaes detalhadas

    sobre a forma de sobrevivncia deste fungo. De acordo com a lite-ratura, a principal forma de sobrevivncia e propagao do patge-no atravs do tubrculo-semente e a transmisso pelo solo ocorrecom menor importncia, e esse fungo no tem outros hospedeiros.Muitos produtores tm encontrado problemas com sarna prateadae afirmam ter tido dificuldades com o controle. No Norte do Paran

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  • tem sido encontrada alta incidncia da doena em tubrculos co-lhidos em rea nunca submetida ao plantio da cultura. Este fato,portanto, induz concluso de que H. solani eficientementetransmitido pela semente, ou ele cosmopolita e se encontra so-brevivendo na natureza de forma saproftica muito habilmente.Desta forma, deve-se fazer uso de semente certificada e sadia paradiminuir a chance de problemas futuros.

    Escolha de cultivar: no se dispe de informao sobre resistnciade cultivares ao patgeno; no entanto, os sintomas so mais facil-mente visveis em cultivares de pele rosada ou avermelhada.

    Produo de semente prpria: como a sarna prateada uma doen-a que avana em seu desenvolvimento durante o armazenamento,um repasse na semente antes do plantio, para eliminar tubrculoscom sintomas, pode diminuir os problemas no campo posterior-mente.

    Medidas de controle aps o plantio Manejo da cultura: como a doena intensificada com o atraso na

    colheita, recomenda-se que se processe essa operao to logo apele esteia firme.

    Podrides secas de tu-brculos (Fusariumspp.)

    As podridessecas constituem outroproblema em armaze-namento de sementes.Vrias so as espciesde Fusarium que podeminduzir podrido seca.Os prejuzos causadospor este patgeno sopotencializados por da-nos mecnicos nos tu-brculos, durante asoperaes de colheita.Como o fungo habitante normal de solo, a contaminao dos tubr-culos inevitvel, pois o processo de invaso e apodrecimento dos te-cidos contnuo, mesmo aps o armazenamento dos tubrculos.12

    Figura 5. Sintomas de podrido seca em tubrculos de batata causada por diferentes espcies de Fusarium. (Foto: N. Nazareno).

  • Os sintomas da podrido seca se caracterizam pelo apodreci-mento generalizado do tubrculo, com tecidos enegrecidos interna-mente, bordas bem definidas entre o tecido ainda sadio e presena deum bolor esbranquiado a rosado sobre a leso (Figura 5). medidaque o tempo de armazenamento aumenta, os tubrculos atacadosmurcham acentuadamente pela desidratao excessiva. Normalmente,a podrido seca d prosseguimento podrido mole.

    Medidas gerais de controleOs principais cuidados devem ser tomados por ocasio da co-

    lheita. Esta operao no deve ser efetuada com o solo excessivamenteseco, pois aumenta as machucaduras nos tubrculos, e nem com osolo excessivamente mido, pois estas condies so propcias para amultiplicao do agente causador. Alm disso, colheita com o solomuito mido favorece a aderncia de terra nos tubrculos, predispon-do a danos. Deve-se evitar colheitas com arrancadeira de discos paraminimizar danos mecnicos.

    A colheita deve ser efetuada quando a casca da batata estiverbem desenvolvida e os tubrculos devem ser armazenados em ambi-ente fresco e bem areiado para acelerar a cicatrizaco de injrias. Ostubrculos muito danificados devero ser eliminados e os recipientespara o armazenamento fcaixaria, sacos, etc.) devem estar bem limpos ede preferncia esterilizados. Na poca em que os tubrculos forem uti-lizados para plantio, deve-se fazer nova seleo para eliminar aquelesapodrecidos total ou parcialmente, pois as plantas deles oriundas se-ro mais fracas e tero grande chance de morrer antecipadamente.

    Murcha de fusrio (Fusarium solani (Mart.) App. & Wr. EmendSnyd. & Hans.)

    A murcha de fusrio no uma doena que ocorre com fre-qncia e em alta intensidade na Regio Sul. Incide em plantas isola-das, onde os sintomas de murcha da planta so acompanhados deescurecimento dos tecidos vasculares, com colorao marrom aver-melhada. Fazendo-se o "teste do copo", no se evidencia nenhum cor-rimento dos tecidos vasculares, como ocorre com a murchadeira bacte-riana. Quando a invaso dos tecidos avana e as condies para odesenvolvimento da doena so favorveis, os tecidos vasculares dostubrculos so invadidos pelo fungo e adquirem a colorao escureci-da, chegando tambm aos brotos, o que se d o nome de Olho Preto.Eventualmente, o progresso da doena nos tubrculos serve como

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  • porta de entrada para outros agentes apodrecedores durante o arma-zenamento. Os maiores danos causados pela doena esto associadosaos tubrculos que perdem o valor comercial.

    A murcha de fusrio, causada pela forma vascular de F. solani,tem sido associada com nomes considerados sinnimos como F. eu-martii Carp., F. solani f. sp. eumartii (Carp.) Snyd. & Hans. Outras es-pcies citadas na literatura associadas ao complexo, so: F. oxysporumSchl. e F. avenaceum (Fr.) Sacc.

    Estimativas de perdas totais so relatadas em lavouras de regi-es da Bahia, onde esta doena ocorreu de forma devastadora, espe-culando-se que este patgeno foi introduzido na rea atravs de batatasemente contaminada. Em nossas condies existem poucas informa-es acerca da epidemiologia desse complexo. Porm, pelo potencial dedano que ela encerra, fundamental que os produtores e tcnicos fi-quem atentos para ocorrncias suspeitas dessa doena em nossas re-gies produtoras.

    Medidas de controle antes do plantio Escolha do local: como a doena no tem sido registrada em sua

    forma de mxima expresso no Paran, deve-se manter estado dealerta para o registro de eventuais casos de ocorrncias de epide-mias catastrficas.

    Escolha da cultivar: no se dispe de informao da reao de cul-tivares quanto maior ou menor suscetibilidade doena. No en-tanto, deve-se prevenir quanto origem e qualidade da semente,para se evitar situaes como a ocorrida na Bahia.

    Medidas de controle aps o plantio Medidas, sanitrias: caso sejam detectados tubrculos com sinto-

    mas caractersticos durante o processamento, procurar destru-loscompletamente na operao de descarte, evitando-se a distribuioem reas agricultveis.

    Outras doenas fngicasConsideradas de menor importncia na Regio Sul pela baixa e

    espordica incidncia, so encontradas a roseliniose (Figura 6), causa-da por Rosellinia sp, geralmente associada com plantios em reas re-cm desbravadas, com excesso de matria orgnica em decomposio.A podrido branca basal, causada por Sclerotium rolfsii Sacc, outradoena facilmente identificada pela formao de pequenas esferas de14

  • 0,5 a 2,0 mm de dime-tro, de colorao casta-nha clara a marrom(esclercios). O mofobranco, causado porSclerotinia sclerotiorum(Lib.) de Bary tambmtem sido encontradoraramente, em plantasisoladas. Sua presena caracterizada por ummofo branco nas hastese folhas e, mais tarde, ade estruturas negras,irregulares e semelhan-tes a esterco de rato.

    Essa doena tem sido mais importante em reas sob piv central, pelamenor rotatividade da cultura, ou pelo aproveitamento da infraestru-tura para outras culturas tambm suscetveis ao patgeno, como ofeijo.

    Figura 6. Tubrculos de batata com sintomasde roseliniose. (Foto: N. Nazareno).

    DOENAS VIRTICAS

    As doenas virticas so causadas por uma ampla gama deagentes sub-microscpicos (invisveis ao microscpio tico comum) etm caractersticas epidemiolgicas e descritivas semelhantes. A maio-ria das viroses da cultura da batata transmitida, de planta a planta,por insetos vetores, onde os pulges so muito importantes (ver seode controle integrado de pragas). Algumas so transmitidas somentepor vetores, enquanto que outras podem o ser por contato (folha a fo-lha, tubrculo a tubrculo, mo do homem, etc), chamada transmis-so mecnica e outras por ambas as formas. As plantas ficam suscet-veis transmisso durante toda a fase de desenvolvimento, desde oestgio de brotao, onde os tubrculos ficam expostos visitao depopulaes de pulges em ambiente de armazenamento, at a fase desecamento de ramas no campo.

    Como a cultura da batata propagada pelo seu tubrculo bro-tado, que um tecido vivo da planta, este certamente outro veculoeficiente para a propagao de doenas virticas para novos plantios.Quando um tubrculo brotado, isento de viroses, d origem a uma

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  • planta sadia e esta vem a ser infectada, diz-se que ocorreu uma "infec-o primria". Caso contrrio, quando o tubrculo j contm um vrus,diz-se que "infeco secundria" em relao ao plantio da lavoura.Assim, os prejuzos causados e a presena ou no de vrus nos tubr-culos dependem do tipo de infeco, alm de outros fatores como es-tirpe do vrus, nvel de resistncia da cultivar, condies ambientais,poca que ocorre a infeco, efeito sinrgico pela presena de mais deum vrus na planta, entre outras.

    Apesar de existirem vrios tipos de viroses na cultura da bata-ta, registradas no Brasil, prope-se a discusso de duas principais queocorrem no Paran e que representam modelos distintos, quanto ssuas formas de transmisso, formando-se uma base genrica para aestratgia de controle integrado desse tipo de doena.

    Vrus do Enrolamentoda Folha da Batata -VEFB

    O vrus do enro-lamento da folha da ba-tata, tambm conhecidopela sigla inglesa, PLRV(Potato Leaf Roll Virus) uma doena encontradapraticamente em todosos campos de produode batata no Paran(Figura 7). Sua presena constante em virtudedas caractersticas dosistema de produoregional, onde os pro-dutores fazem uso de semente informal (prpria), reservando semprecerca de 10 a 20% de sua rea para semente. Assim, a presena decampos de produo prximos e em diversas geraes e estgios dedesenvolvimento, alm da ocorrncia de plantas espontneas ("soca"ou "soqueira") em outras lavouras (Figura 8) ou em campos em pousio(Figura 9), garantem a perpetuao do VEFB nas regies produtorasdo Estado. Estimam-se perdas que variam de 10 a mais de 50% emprodutividade, dependendo da poca de entrada na lavoura, estirpe dovrus, condies ambientais, tipo de cultivar, entre outras.16

    Figura 7. Sintoma tpico de vrus do enrola-mento da folha da batata, em plantaoriunda de tubrculo j contamina-do. (Foto: N. Nazareno).

  • Figura 8. Enrolamento da folha causado peloVEFB em plantas voluntrias de bata-ta nascidas em lavoura de feijo. (Fo-to: N. Nazareno).

    Esta virose exclusivamente trans-mitida por insetos, ondeo pulgo Myzus persicaeSulz considerado omais eficiente; porm, asespcies Macrosiphumeuphorbiae Thomas eAulacorthum solani Kal-tenbach so considera-das transmissoras. Umavez que o pulgo visitauma planta atacada e alipermanece por temposuficiente para adquiriro vrus, este se mantmcom a capacidade detransmitir a doena in-definidamente. Assim,tanto a disseminao doVEFB poder ocorrerdentro da lavoura comovir de fora, por pulgesj infectados e trazidospelo vento de outroslocais. No entanto, atransmisso no ins-tantnea, pois o pulgodeve chegar com seuaparelho bucal sugadorat os vasos condutoresda seiva elaborada (flo-ema), o que pode levarvrios minutos.

    caracterstica deste grupo de vrus, sua concentrao no flo-ema, o que deriva muitos dos sintomas que caracterizam a doena.

    Os sintomas variam desde parada de crescimento da plantajovem, empinamento e enrolamento de folhas, amarelecimento e/ouarroxeamento entre nervuras, pontuaes pardo-escuras nas margensde fololos, forma de colher de fololos, aparente consistncia de papel

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    Figura 9. Sintoma do vrus do enrolamentoem plantas voluntrias desenvol-vidas em campo em pousio. (Foto:N. Nazareno).

  • ao toque das folhas, reduo do tamanho de tubrculo e encurtamentode estoles. Pela ampla variao sintomatolgica, um diagnstico cor-reto depende de confirmao atravs de anlise laboratorial especfica.

    Outro aspecto complicador que o tempo para aparecimentovisual dos sintomas varia muito. Dependendo do estgio em que aplanta foi infectada pelo vetor, do estgio nutricional da lavoura, decondies de temperatura ambiente, estirpe do vrus, resistncia dacultivar, entre outros, os sintomas podem aparecer entre 4 a 10 sema-nas, ou at nem aparecer.

    MosaicosOs mosaicos da cultura da batata so causados por um com-

    plexo maior de viroses, onde o vrus Y (PVY) e o A (PVA), do mesmogrupo, so os principais causadores de danos na produtividade e qua-lidade do produto. Assim como para o VEFB, o sistema de produoregional, onde a cultura da batata faz parte, mantm plantas vivas oano inteiro, o que oferece risco constante para problemas locais dedanos por mosaicos.

    Alm dos vetores do VEFB e do tubrculo semente, os vrus dogrupo do PVY so mecanicamente transmitidos, o que aumenta aindamais o risco de rpida disseminao do agente causador. Diferente-mente do sistema de transmisso do VEFB pelo pulgo, os vrus destegrupo no persistem no vetor, permanecendo por tempo determinadono aparelho bucal do pulgo. No entanto, o tempo para que o vetorpossa transmiti-lo muito curto, bastando que ele se alimente emplantas atacadas e se desloque para uma planta sadia e a infecoocorre. Naturalmente, que vrios fatores influenciam nessa capacidadequase instantnea de transmisso.

    Algumas picadas de prova feitas pelo pulgo contaminado sosuficientes para transmitir o vrus. Assim, todas as prticas agrcolasque venham irritar o pulgo, fazendo com que ele se desloque mais, oucondies que favoream seu vo para maiores distncias, como ven-tos fortes, podem aumentar a taxa de evoluo da epidemia dos mosai-cos.

    Os sintomas dos mosaicos tambm so muito variados e de-pendem de vrios fatores intrnsecos da planta e sua idade, dos veto-res e do meio ambiente. Podem ser mosaicos leves, severos e rugosos,reduo de porte da planta (Fig. 10), pontuaes escuras, necroses detecidos, secamento de folhas baixeiras em plantas jovens, dando-lhes a

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  • Figura 10. Sintomas de mosaico em batata,cultivar Lo. (Foto: N. Nazareno).

    Figura 11. Sintoma de anelamento em tubr-culos causado por uma estirpeagressiva do PVY. (Foto: N. Naza-reno).

    aparncia de um minipinheirinho, necrose emtubrculos, entre ou-tros.

    A severidademaior ou menor de sin-tomas e, conseqente-mente, de danos naprodutividade dependeda estirpe do vrus e dapresena de vrus deoutros grupos, como ocaso do vrus X (PVX),que associado ao PVY,causa mosaico severo eperdas que podem che-gar a 80%. Nos ltimos3 a 4 anos tem-se pro-curado caracterizar anatureza de uma estirpevariante do PVY, dis-tinta das j estudadas, eque causa um anela-mento necrtico ao re-dor das gemas nos tu-brculos (Fig. 11). Essavariante tem grandepotencial para riscos deperdas ao produtor por-que os tubrculos comesse tipo de sintoma sodescartados na opera-o de classificao co-mercial do produto.

    Medidas gerais de controle das doenas virticas

    Antes do plantio Escolha da cultivar: a maioria das cultivares suscetvel s viro-

    ses. Cultivares como 'Sante', 'Contenda', 'Apua', 'Aracy', Itarar' e'Baronesa' so consideradas moderadamente resistentes a resis-

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  • Murchadeira ou murcha bacteriana (Ralstonia solanacearum(Smith) comb. Nov. (Pseudomonas solanacearum)

    Figura 12. Murchadeira emplanta de bata-ta (foto originaldo Centro In-ternacional deBatata, Peru).(Foto: N. Naza-reno).

    A murcha bacteriana ou murchadeira est presente em todasas reas de produo de batata (Figura 12). considerada uma dasdoenas mais importantes da cultura, principalmente na produo debatata semente. As perdas esto associadas s condies ambientaisfavorveis e ao nmero de plantas infectadas.

    A bactria podesobreviver no solo, noprprio tubrculo (Figu-ra 13) ou em outrasplantas hospedeiras. Nosolo, o principal local desobrevivncia a raiz deplantas hospedeiras,podendo ser localizadaat um metro de pro-fundidade. O tubrculoinfectado nem sempreapresenta sintomas ex-ternos da doena o quedificulta a seleo nomomento do plantio,introduzindo a doenaem reas livres. Os prin-cipais hospedeiros so:tomate, pimento, be-

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    Figura 13: Tubrculos de batata oriundos deplanta de batata atacada pela mur-chadeira. (Foto: N. Nazareno).

  • ringela, jil e fumo, porm existem citaes da existncia de mais de50 famlias de plantas com esta caracterstica.

    A introduo da doena em reas novas ocorre via batata-semente infectada. Dentro da lavoura ocorre a disseminao na reali-zao da capina e amontoa, devido contaminao dos implementos ese no lavados podem contaminar outras lavouras. O deslocamento degua por eroso na entrelinha transporta a bactria para outras plan-tas.

    A entrada da bactria se d principalmente pelas razes, atra-vs de ferimentos resultantes de pragas, nematides e tratos culturais,alm das aberturas naturais. Aps a amontoa, o risco de infeco acentuado pelo aumento de danos no sistema radicular e na base dasplantas e tambm pela disseminao dos implementos contaminados.

    Aps a infeco as bactrias colonizam e entopem os vasoscondutores da planta, impedindo o transporte de gua e nutrientes eresultando nos sintomas de murcha. A ausncia de nutrientes nasfolhas faz com que a planta fique amarelada, porm este sintoma nemsempre aparece, depende das condies ambientais. Inicialmente,apenas parte da planta apresenta sintomas e aps irrigao, chuva ou noite ocorre recuperao aparente da planta. Decorridos alguns dias,no h mais recuperao e a planta morre.

    Uma identificao expedita pode ser feita colocando-se um pe-dao da haste da planta doente em um copo claro com gua. Imedia-tamente observa-se o muco ou pus bacteriano saindo dos vasos con-dutores. O corte do tubrculo faz com que ocorra tambm a exsudaoda regio dos vasos. Pode ocorrer aderncia de solo nas gemas do tu-brculo devido sada de pus bacteriano, contafhinador do solo e guade eroso.

    Medidas de controle antes do plantio A tolerncia para campos de produo de batata-semente zero,

    isto , caso uma planta apresente sintomas da doena toda a rea condenada. O uso de batata-semente certificada a principalforma de evitar a entrada da doena em reas novas. Mesmo usan-do material livre da bactria pode ocorrer a doena caso imple-mentos de reas contaminadas sejam utilizados sem a devida lim-peza.

    No existem cultivares resistentes. Atualmente somente a cultivarAchat considerada tolerante, isto demora mais tempo paramurchar.

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  • Escolher reas onde no haja histrico de murchadeira, e que notenham sido cultivadas com espcies hospedeiras (tomate, berin-gela) na safra anterior.

    Fazer rotao de culturas, principalmente com gramneas, comomilho, arroz, sorgo, pastagem por um perodo mnimo de 3 anos.Porm, h necessidade de controlar as plantas espontneas debatata, pico preto (Bidens pilosa), beldroega (Portulaca oleracea),maria-pretinha (Solanum nigrum), jo-bravo (Solanum sisymbriifo-lium), pois a bactria pode sobreviver nestes hospedeiros.

    Fazer adubao equilibrada de nitrognio, clcio e potssio parapromover reduo dos sintomas. Existem dvidas sobre o efeito daadio de matria orgnica e o controle da murchadeira; algunstrabalhos sugerem o uso conjunto de adubos orgnicos e qumicospara reduzir os sintomas.

    O manejo de solo pode tambm reduzir os danos provocados peladoena. A boa drenagem do solo fundamental, pois dificulta adisseminao da bactria. Usar escarificador para romper camadascompactadas auxilia nesta drenagem.

    Os equipamentos utilizados em reas com suspeita da doena de-vem ser muito bem limpos, incluindo o trator.

    Medidas de controle aps o plantio A irrigao deve ser moderada, evitando encharcamento do solo. A

    fonte da gua muito importante. Caso receba solo de eroso ouenxurrada de reas contaminadas estar disseminando a bactriaque sobrevive na gua.

    No realizar a amontoa quando o solo estiver com umidade elevadaou com umidade muito baixa.

    Podrido mole e canela preta (Brwinia carotovora (Jones) Bergey,Harrison, Breed, Hammer & Huntoon)

    A canela preta ocorre no campo com a planta em estgio vege-tativo (Figura 14) e a podrido mole ocorre no tubrculo. As perdasocorrem no campo com reduo do nmero de plantas ou nos arma-zns/depsitos com o apodrecimento de tubrculos. Estas doenasso tambm consideradas de difcil controle, pois a bactria apresentagrande variao gentica e isto dificulta a seleo de cultivares resis-tentes.

    A sobrevivncia outro fator que contribui para a dificuldadede controle, pois pode sobreviver em inmeras plantas, causando po-drido mole, como no caso das hortalias, ou nas razes de plantasconcorrentes presentes na lavoura, porm sem causar danos.24

  • Figura 14: Planta de batata com sintomas demurcha causada por canela pre-ta. (Foto: N. Nazareno).

    O trnsito demquinas e equipa-mentos por reas in-fectadas pode trans-portar a bactria emresduos de solo eplantas, para reasisentas da doena.Caixas, sacos ou reci-pientes de coleta someios de disseminao,causando problemasprincipalmente no ar-mazenamento. Os tu-brculos-semente po-dem ter a bactria semexpressar sintomas, o

    que se denomina infeco latente, aumentando o risco da doena nalavoura.

    Essas doenas esto associadas a ferimentos que ocorrem nahaste, provocados por danos fsicos de implementos ou ataque de pra-gas e no caso dos tubrculos por leses ocorridas na colheita ou nafase de armazenamento. nestes ferimentos que a bactria penetra,coloniza os tecidos e a planta apresenta os sintomas caractersticos dadoena.

    A podrido mole ocorre no tubrculo apresentando aspectoaquoso, colorao marrom a negra e odor desagradvel. Podem ocorrerinfeces nas lenticelas (abertura natural) e, em condies ambientaisdesfavorveis doena, observam-se leses secas na forma de pontua-es enegrecidas. Quando plantados, ocorre o apodrecimento dashastes resultando na doena chamada de canela preta. A canela preta caracterizada pelo enegrecimento da base da haste o que resulta notombamento e morte da planta. Este sintoma tambm ocorre quandoas bactrias esto aderidas aos tubrculos ou no solo. Como as plan-tas murcham antes de morrer, pode ocorrer confuso com a murchabacteriana, porm a diferenciao feita observando a base da haste(Figura 15); caso esteja escurecida trata-se da canela preta.

    Condies de alta umidade do solo, temperatura entre 20 e 300

    C e adubao nitrogenada excessiva tornam as plantas mais suscet-

    25

  • veis ao patgeno. O molhamento do tubrculo facilita o desenvolvi-mento da doena.

    Figura 15: Haste de batata ene-grecida com a pre-sena de canelapreta. (Foto: N. Na-zareno).

    Medidas de controle antes do plan-tio Em reas com histrico de ocor-

    rncia das doenas deve-se ado-tar a rotao de culturas por 3-4anos com espcies no hospedei-ras, principalmente gramneas,mantendo um bom maneio de plantas concorrentes e eliminaode plantas de batata voluntrias.

    O solo deve ser bem drenado, o que pode ser melhorado com o usode escarificador.

    A adubao deve ser equilibrada, evitando excesso de nitrognio,normalmente fornecido por uria ou sulfato de amnio. No caso dosistema de produo orgnica, deve-se usar esterco bem curtidosendo preferencial a utilizao de composto orgnico.

    O tubrculo-semente certificado no garante a ausncia do patge-no, porm o que se indica para o plantio. O manuseio dos tubr-culos na hora do plantio deve ser feito com cuidado, evitando aquebra de brotos.

    Medidas de controle aps o plantio Evitar excesso de irrigao principalmente logo aps o plantio e

    aps a amontoa. No realizar amontoa com o solo com umidade em excesso. Os equipamentos, mquinas, sacarias, caixarias e materiais utili-

    zados em reas com a presena da bactria devem ser devidamentelavados e desinfetados.

    A colheita devg ser feita com umidade de solo adequada para evitara formao de torres, que causam mahuadura nos tubrculos; esendo antecipada diminui os riscos de podrido mole, pois reduz otempo de exposio bactria no campo.

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  • Medidas de controle aps a colheita Evitar excesso de batidas nos tubrculos na colheita, transporte e

    armazenamento, pois causam ferimentos. Antes do armazenamento, os tubrculos devem sofrer o processo

    de cura realizado a temperaturas entre 10 e 15 C. O armazm deve ser constantemente vistoriado, retirando-se tu-

    brculos que apresentem os sintomas, evitando a contaminaodos lotes.

    A lavagem dos tubrculos para consumo deve ser evitada. Casono seja possvel, deve ocorrer uma boa secagem antes do ensaca-mento e transporte.

    No armazm, a limpeza e o movimento do ar so muito importantespara evitar disseminao da bactria e a formao de pelcula degua na superfcie de tubrculos.

    Sarna comum(Streptomyces scabies(Thaxter) Waskman &Henrici)

    A sarna comum dabatata est amplamentedistribuda nas regiesprodutoras. A sarna co-mum dificilmente causaperdas de produtividade.Porm, o problema ocor-re com a depreciaocomercial do produto,visto que o tubrculoinfectado tem pssimaaparncia cosmtica (Fi-gura 16).

    O agente causaisobrevive na matria orgnica do solo por tempo indefinido ou em ou-tros hospedeiros como: beterraba, rabanete, nabo, cenoura, batata-salsa. A introduo do agente causai em novas reas ocorre via tubr-culo-semente infectado, apesar de que suspeita-se da bactria fazerparte da microflora de muitos solos. O trnsito de mquinas e a erosodo solo tambm podem disseminar o agente causai. A baixa umidadedo solo no perodo de tuberizao, o pH do solo superior a 5,2, e tem-peraturas entre 20-22C favorecem a ocorrncia da sarna comum.

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    Figura 16: Tubrculos de batata com vriosgraus de severidade de sarna co-mum, causando depreciao co-mercial do produto. (Foto: N. Na-zareno)).

  • Figura 17: Leses de sarna comum em tubr-culos de batata, com sintomachamado "estrelinha". (Foto: N.Nazareno).

    Os sintomasmais importantes ocor-rem nos tubrculos(Figura 17). A infecoocorre atravs das len-ticelas, de ferimentosou diretamente na pele,em tubrculos jovens.Nos locais de infeco abactria se desenvolvesuperficialmente e, emresposta infeco, aplanta reage formandouma camada de cortiaao redor da leso, impe-dindo o avano da in-feco. Com o cresci-mento do tubrculo o tecido atacado aflora, com colorao de pardoclara a escura, e normalmente ocorrem rachaduras sobre a leso, for-mando o sintoma chamado de "estrelinha". As leses so normalmentecirculares com 5 a 10 mm de dimetro e podem ser superficiais e cor-ticosas, ou salientes, com 1-2 mm de altura, ou profundas com 7 mmde profundidade. Essa variao depende de condies ambientais esuscetibilidade da cultivar, podendo ocorrer os vrios tipos de sinto-mas num mesmo tubrculo.

    As leses no tubrculo podem tambm ser irregulares devido infeco atravs dos ferimentos provocados por insetos ou outros da-nos mecnicos ou devido proximidade das prprias leses. Podemocorrer sintomas nas razes, caules e estoles de maneira similar sdos tubrculos, porm sem reflexos significativos na parte area daplanta.

    Medidas de controle antes do plantio Evitar o plantio em reas com histrico de ocorrncia severa da

    doena. Realizar rotao de culturas com espcies no hospedeiras, princi-

    palmente gramneas, por um perodo mnimo de 3 anos, evitando apresena de plantas espontneas de batata.

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  • O uso de calcrio deve ser feito com moderao, corrigindo apenasos nveis de clcio e magnsio necessrios para o desenvolvimentoda planta, evitando elevao do pH acima de 5,2.

    Uso de adubos verdes, como aveia e azevm, pode reduzir a ocor-rncia da doena.

    Os tubrculos-semente devem estar livres dos patgenos, evitandoa introduo em reas novas ou aumentando os sintomas nas re-as onde j est presente. Recomenda-se a utilizao de materialpropagativo oriundo do servio de certificao de semente.

    Usar compostos estabilizados, bem curtidos, pois materiais orgni-cos no decompostos, como os estercos, podem aumentar a ocor-rncia da doena.

    Medidas de controle aps o plantio Na fase de tuberizao a cultura no deve sofre deficincia hdrica,

    pois isto potencializa a ocorrncia da sarna. A irrigao uma dasmedidas importantes no maneio desta doena. importante res-saltar que a irrigao deve ser equilibrada e com fonte segura degua para evitar a ocorrncia de outros patgenos.

    MANEJO DAS PRAGASDA PARTE AREA DA BATATA

    A parte area da batata hospedeira de diversos insetos e ca-ros, os quais podem causar expressivos danos, dependendo das condi-es climticas e da variedade cultivada. No entanto, a importncia decada espcie varia nas diferentes regies produtoras dos trs Estadosdo sul do Brasil.

    Entre as espcies de insetos de maior importncia econmicase encontram os afdeos, a mosca minadora e traa-da-batata. Os pri-meiros tm grande importncia na produo de batata-semente, emvirtude da transmisso de vrus. A mosca minadora ocasiona perda derea foliar e predispe a planta ao ataque de doenas, principalmentenas pocas mais quentes do ano. A traa-da-batata mais importantenos armazns da regio sul, porm pode ocasionar danos na partearea, sob determinadas condies climticas.

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  • Figura 18. Myzus persicae ptero. (AgricultureCanada).

    AFIDEOS - Myzus persicae (Sulzer) e Macrosiphum euphorbiae(Thomas) (Homoptera: Aphididae).

    O M. persicae o mais importante vetor do Vrus do Enrola-mento da Folha da Batata (VEFB) e do Vrus Y da batata (PVY), apon-tados como os mais im-portantes na cultura eos principais respons-veis pela degenerescn-cia da batata-semente.

    Nas regies tropi-cais o M. persicae, assimcomo os demais afdeosque colonizam a batata,reproduzem-se por par-tenognese teltoca. Aforma ptera desse in-seto (Figura 18) temformato ovide, cor geralverde clara a verdetransparente, sem man-chas no corpo. Porm,podem ocorrer popula-es pteras de colora-o rosada ou averme-lhada, sobretudo noscultivos de outono. Aforma alada (Figura 19)possui cor geral verdeclara, com tonalidadesamareladas, rosadas,roxas e com manchasescuras caractersticasno dorso. A cabea e otrax so de cor preta.Ambas as formas tmaproximadamente 2 mmde comprimento.

    A durao do ciclo de M. persicae em condies de laboratrio,com temperatura mdia entre 23 e 24C, de cinco a oito dias, com

    Figura 19. Myzus persicae alado. (AgricultureCanada).

    30

  • longevidade mdia de 20 dias. A fmea capaz de produzir at 80 des-cendentes.

    O M. euphorbiae tambm importante vetor de VEFB e PVY. Optero (figura 20) possui o corpo ovide alongado com aproximada-mente 3,0 mm de comprimento , de colorao geral esverdeada, com

    extremidades do corpoescuras. O alado comcerca de 2,5 mm decomprimento possui acabea e o trax verde-amarelados e o abdmenrosa-esverdeado, semmanchas (Figura 21).

    Os afdeos podemocasionar, ainda, perdasdecorrentes da alimenta-o, dependendo da oca-sio na qual ocorre infestao; por exemplo,o peso seco das plantaspode ser reduzido em at54%, durante o perodode desenvolvimento. Asaliva tem ao txicanas plantas, ocasionandonecroses, principalmenteao longo das nervuras.

    O M. persicaeprefere colonizar as fo-lhas inferiores das plan-tas de batata, enquantoque o M. euphorbiae,prefere as folhas superio-res, brotos e as inflores-cncias.

    M. persicae e Au-lacorthum. solani podeminfestar brotos de batata-semente nos armazns.

    Figura 20. Macrosiphum euphorbiae ptero.(Agriculture Canada).

    Figura 21. Macrosiphum euphorbiae alado.(Agriculture Canada).

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  • O monitoramento de afdeos alados que infestam a batata podeser realizado com o auxlio de armadilhas amarelas de gua, as quaisdevem ser instaladas s margens dos campos de batata-semente. Apresena dos afideos nessas armadilhas serve de alerta para o produ-tor.

    Nos campos destinados produo de batata-semente nopode haver colnias de afdeos; j nas reas de batata-consumo tole-ram-se populaes maiores. No entanto, no h nvel de controle esta-belecido para as condies brasileiras.

    As reas escolhidas para a produo de batata-semente devemapresentar pequena atividade dos vetores, o que pode ser conhecidoatravs de um criterioso estudo com armadilhas. Outros pontos im-portantes na escolha dessas reas: ocorrncia de ventos constantes eausncia de plantas voluntrias e plantas daninhas.

    Tratos culturais adequados podem contribuir no controle dosafideos. Entre eles, a adubao equilibrada evitar o uso excessivo denitrognio, o qual beneficia o crescimento das colnias de afideos - airrigao adequada plantas com certo grau de murcha beneficiam aalimentao dos afideos - e a dessecao das ramas, evitando a desci-da dos vrus para os tubrculos.

    Quando o controle qumico for necessrio, deve-se optar pelouso de inseticidas com modos de ao distintos, em rotao, na partearea. Esse procedimento importante no manejo da resistncia des-ses insetos a inseticidas, a qual foi constatada em campos de batataem Contenda e Pira do Sul, a fosforados, carbamatos e piretrides.

    Inseticidas granulados ou aplicados via lquida podem ser utili-zados no sulco de plantio ou aps a emergncia inicial das plantas ou,ainda, durante a amontoa.

    O VEFB controlado eficientemente com inseticidas, porm ocontrole de PVY, atravs dos mesmos, limitado. Esse fato se deve aomodo de transmisso desses vrus.

    Mosca minadora - Liriomyza huidobrensis (Blanchard, 1926) (Dip-tera: Agromyzidae)

    A importncia da mosca minadora deve-se, possivelmente, aociclo de vida rpido, alta mobilidade, alta capacidade reprodutiva, eovos e larvas protegidas no interior das folhas.

    A possibilidade de resistncia a inseticidas, mesmo em freqn-cia e intensidade baixas, citada por alguns autores, porm no hcomprovao no pas.32

  • A fmea, a qual tem cerca de 1,5 mm, e o macho, menor queela, apresentam um ponto amarelo localizado no dorso, prximo ca-bea (Figura 22).

    A fmea deposita os ovos no interior da folha (cerca de 500-700). As larvas, cujo tamanho varia de entre 0,6 e 2,3 mm, so ciln-dricas e quase transparentes no inicio e passam a amarelas quandocompletamente desenvolvidas (figura 23).

    As larvas se ali-mentam no interior dasfolhas, ocasionando mi-nas serpentiformes (figu-ra 24) e vivem entre setee 15 dias. As pupas (fi-gura 23) ocorrem nasfolhas, caules ou maiscomumente no solo,permanecendo nesseestgio de nove at 15dias, dependendo datemperatura, quandoemergem os adultos. Ociclo completo do insetovaria de 21 a 28 dias,dependendo das condi-es climticas.

    A fmea se ali-menta do contedo ce-lular que exsuda deperfuraes realizadaspor ela nas folhas, tam-bm chamadas punctu-ras. As puncturas podemservir tambm para apostura (Figura 23).

    As minas (Figura24) aparecem primeironas folhas baixeiras dasplantas e, dependendodo nvel de infestao,passam para as folhas

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    Figura 22. Adulto de Liriomyza sp. (Universityof California).

    Figura 23. Puncturas na folha, larvas e pupade Liriomyza huidobrensis. (RuiFuriatti).

  • superiores. Minas e puncturas chegam a matar os fololos, folhas ou aplanta inteira. O ataque da mosca predispe as plantas a doenas fn-gicas, como a pinta preta.

    A resistncia da variedade de batata mosca minadora temgrande importncia na reduo do uso de inseticida. Em trabalhosrealizados em Ponta Grossa, PR, observou-se que a variedade Monalisafoi a mais resistente e a 'Atlantic' a mais suscetvel, sendo que as va-riedades Bintje, Jaette-Bintje e Crebella ficaramem posies intermedi-rias.

    O controle qu-mico de adultos e larvaspode ser realizado cominseticidas fosforados,carbamatos, piretrides,reguladores de cresci-mento e outros. Porm,devem-se escolher inse-ticidas com modos deao diferentes e aplic-los em rotao.

    Na escolha dosinseticidas deve-se optarpelos seletivos aos inimigos naturais e tambm a outros insetos queno se encontram no nvel de controle.

    importante a seleo de bicos e volume de calda adequados,pois tem se observado que o controle das larvas da mosca tem sidomais efetivo nas folhas situadas na parte superior das plantas, de-monstrando que o inseticida no alcanou os estratos inferiores. Do-sagens inferiores s recomendadas e o momento da aplicao tambmpodem originar fracassos no controle da mosca minadora.

    O nvel de controle no foi estabelecido; tem-se optado iniciar ocontrole aps a constatao da presena de adultos e/ou das punctu-ras. Porm, importante lembrar que, dependendo da temperatura(ideal entre 20 e 27C), pode no haver posturas. Assim, as puncturaspodem ser importantes no monitoramento da mosca minadora, desdeque se conhea, para cada micro regio, o histrico de ocorrncia doinseto.

    Figura 24. Minas de larvas de Liriomyza emfolha de batata. (R. Furiatti).

    34

  • Figura 25. Adulto, lagarta e pupa de Phthori-maea operculella, (R. Furiatti).

    Aps a colheita, o produtor deve incorporar os restos culturais,pois esses abrigam as pupas e larvas da mosca, servindo de fonte paraa disseminao do inseto para reas vizinhas.

    Traa da batataPhthorimaea opercule-lla (Zeller, 1873) (Le-pidoptera : Gelechii-dae)

    Praga de infes-tao cruzada, a traada batata pode ser en-contrada tanto no cam-po como nos armazns,danificando folhagens etubrculos.

    Os adultos (Figu-ra 25) so mariposas dehbitos noturnos - comcerca de 12 mm de en-

    vergurada - que durante o dia permanecem refugiados nas folhas dasplantas de batata, na vegetao prxima as lavouras ou embaixo detorres e detritos.

    Machos e fmeas tm colorao geral acinzentada, com as asasanteriores exibindo pequenas manchas irregulares escuras e ornadas

    com plos nas bordas;as asas posteriores sobranco acinzentadas.

    Durante a faseadulta, que transcorreentre 10 a 15 dias, asfmeas ovipositam nasfolhas (principalmentejunto s nervuras dasuperfcie inferior), nospecolos, nos brotos egemas. Nos armazns, apostura realizada nacaixaria, sobre os tubr-culos ou nos estrados.

    35

    Figura 26. Lagarta e galeria da traa em folhade batata. (R. Furiatti).

  • Os ovos so pequenos (cerca de meio mm), lisos, ovalados, de colora-o branca ou amarelada.

    As lagartas (Figuras 25 e 26) eclodem cerca de cinco dias apsa oviposio. Inicialmente de colorao branca a amarelada podem, aofinal do desenvolvimento larval, exibir tonalidade verde clara ou rosa-da. Tm cabea marrom e uma placa dorsal retangular escura no pri-meiro segmento do trax.

    Alimentam-se preferencialmente nas folhas baixeiras, abrindono limbo foliar amplas galerias (Figura 26), podendo causar a mortedas folhas atacadas. Usualmente abrigam-se em um "casulo" cons-trudo junto galeria com fios de seda e detritos.

    Atacam igual-mente os tubrculos,tanto no campo comonos armazns, abrindonos mesmos galerias(Figura 28), deprecian-do-os comercialmente.Na superfcie dos tubr-culos atacados pode-seobservar acmulo dedetritos e fios de seda,indicando os pontos deentrada das lagartas(Figura 27).

    Duas semanasaps a ecloso, as la-gartas, medindo cercade 10 mm, empupam em folhas secas, sob torres, em restos de cultu-ra, nas caixarias ou nas paredes e pisos dos armazns. As pupas me-dem ao redor de seis mm de comprimento e tm colorao castanha(Figura 25).

    Aps cerca de dez dias, emergem os adultos, completando-seem aproximadamente 25 a 30 dias o ciclo de ovo a adulto.

    O manejo da traa da batata envolve uma srie de procedi-mentos, discutidos abaixo.

    Da mesma forma que para as outras pragas aqui relatadas, ocontrole qumico importante ferramenta no manejo da traa da ba-tata e inmeros princpios ativos, de diferentes classes e modos deao, esto disposio do bataticultor. Importante conhecer ade-36

    Figura 27. Danos e detritos da traa da batatana superfcie de tubrculo. (R. Fu-riatti).

  • quadamente estes produtos e utiliz-los em rotao, retardando o apare-cimento de populaes resistentes.Assim, tambm deve-se atentar parao uso de uma metodologia de aplica-o correta (bicos, presso, volumede calda, etc.) de modo a maximizaro potencial de controle dos produtos,minimizando desperdcios e a con-taminao ambiental.

    O controle cultural envolveum conjunto de prticas que visamprincipalmente evitar o acesso datraa aos tubrculos, interrompendoo ciclo da praga. Destacam-se: Plantar sementes isentas de ovos,

    lagartas ou pupas da traa, evitan-do-se a reinfestao das lavouras.

    Preparar adequadamente o solo,evitando a formao de torres, eplantar na profundidade adequada poca, evitando tanto o prolon-gamento do ciclo da cultura quantoo fcil acesso de adultos e lagartasaos tubrculos.

    Realizar amontoa adequada, mantendo os tubrculos protegidos. A irrigao por asperso diminui as rachaduras no solo, dificultando

    o acesso de adultos e lagartas aos tubrculos. Eliminar outros hospedeiros da traa, principalmente outras espci-

    es de solanceas, das proximidades das lavouras. Destruir restos de cultura. No atrasar a colheita aps a senescncia ou dessecao das plan-

    tas. Durante o beneficiamento, destruir os tubrculos atacados e utilizar

    armazns limpos, desinfestados e protegidos.Alm dos tratos culturais e do controle qumico, o manejo da

    traa da batata inclui, notadamente dentro de armazns, o uso do fe-romnio e de armadilhas luminosas.

    O feromnio (atrativo sexual da fmea) acondicionado em umacpsula colocado em uma armadilha, com o objetivo de atrair os ma-

    37

    Figura 28. Dano da traa dabatata no interiordo tubrculo. (R.Furiatti).

  • chos da espcie. A campo, a quantidade de machos capturados podeservir como segura orientao ao produtor no sentido de adotar medi-das de controle qumico. Nos armazns, o uso das armadilhas comferomnio serve tanto para monitorar a atividade da traa quanto paraefetivamente reduzir sua populao e danos.

    As armadilhas luminosas so distribuidas dentro dos armaznssobre bandejas contendo leo queimado ou gua com detergente. Asmariposas atradas pela luz chocam-se com estruturas das armadilhase so capturadas nas bandejas.

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