doenças e pragas da batata

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  • MANEJO INTEGRADODAS PRINCIPAIS DOENAS

    E DE PRAGAS DA CULTURA DA BATATA

    Uma viso holstica de controlepara o Estado do Paran1

    2Arton D. Brisolla, MSc - Bntomologia2Nilceu R.X. de Nazareno, PhD - Fitopatologia

    3Renato Tratch, MSc - Manejo de Solo e Ftossanidade4Rui S. Furiatti, PhD - Bntomologia

    4David S. Jaccoud Filho, PhD - Fitopatologia

    (Complementar Circular N 118)

    INSTITUTO AGRONMICO DO PARAN - IAPAR

    1 Recursos advindos do PRONAF/Difuso de Tecnologia2 rea de Proteo de Plantas; Plo Regional de Pesquisa de Curitiba; Caixa Postal 2031; 80011-970 Curitiba, PR3 Pontifcia Universidade Catlica do Paran e Faculdades Integradas "Esprita".4 Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG

    CIRCULAR N 124JULHO/02

    ISSN 0100-3356

  • Visite o site do IAPAR: http://www.pr.gov.br/iapar

    DIRETORIA EXECUTIVADiretor-Presidente: Florindo Dalberto

    PRODUOCoordenao Grfica: Mrcio Rosa de OliveiraArte-final: Slvio Czar Boralli / Capa: Tadeu K. SakiyamaImpresso na rea de Reprodues Grficas

    Todos os direitos reservados aoInstituto Agronmico do Paran. proibida a reproduo total ou parcial desta obrasem a autorizao prvia do IAPAR.

    M274 - Manejo integrado das principais doenas e pragas da culturada batata - uma viso holstica de controle para o Es-tado do Paran / Airton D. Brisolla... [et ai.]Londrina : IAPAR, 2002.

    43f. il. (IAPAR. Circular, 124).

    Complementar Circular n. 118.ISSN: 0100-3356

    1. Batata - Doenas e pragas - Paran. 2. Batata -Doenas e pragas - Controle - Paran. I. Brisolla, Airton D.II. Instituto Agronmico do Paran, Londrina, PR. III. Srie.

    CDU 632.633.491

    INSTITUTO AGRONMICO DO PARANVINCULADO SECRETARIA DE ESTADO DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO

    Rodovia Celso Garcia Cid km 375 - Fone: (43) 3376-2000 - Fax: (43) 3376-2101

    Cx. Postal 481 - 86001-970 - LONDRINA-PARAN-BRASIL

  • SUMRIO

    Pg.

    INTRODUO 5

    MANEJO INTEGRADO DE DOENAS 6Doenas Fngicas 6(Rizoctoniose, Sama pulverulenta, Sama prateada, Podrides secas detubrculos, Murcha de Fusarium sp, outras doenas fngicas).Doenas Virticas 15(Vrus do enrolamento da folha, Mosaicos).Doenas Bacterianas 21(Murchadeira, Canela preta e Podrido mole, Sama comum).

    MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS 29

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS .. . 39

  • INTRODUO

    O Paran continua sendo um dos principais Estados na produ-o agrcola, onde a cultura da batata (Solanum tuberosum L) um dosdestaques. Especificamente para essa cultura, na Regio Metropoli-tana de Curitiba e seus arredores que se concentra a maior parte docultivo, chegando a corresponder a aproximadamente 70% da rea doEstado. Apesar de estar muito bem adaptada em nossa regio, essacultura necessita de intenso controle qumico preventivamente, emvirtude de haver condies climticas favorveis ao desenvolvimento deepidemias de doenas e pragas.

    As doenas fngicas foliares, requeima e pinta preta, impor-tantes na Regio Sul, so as responsveis pela maioria do consumo defungicidas nas lavouras. Uma reviso sobre as principais caractersti-cas epidemiolgicas e controle integrado dessas duas doenas podem-ser encontradas na Circular 118, do IAPAR.

    Uma caracterstica do sistema de produo da regio que acultura da batata rotacionada com outras como a do milho e do fei-jo, ou serve como renovadora de pastagens. Pelo seu tipo de reprodu-o vegetativa e pela inexistncia de mtodos e equipamentos de co-lheita que permitam a completa catao dos tubrculos nessa opera-o, inevitavelmente sempre so encontradas plantas voluntriasdentro das outras culturas do sistema de produo, durante todo oano, atravs da brotao dos tubrculos remanescentes e emergnciade plantas.

    Essas plantas permanecem no campo sem nenhum acompa-nhamento e servem como fonte de sobrevivncia para doenas e pra-gas da cultura. Assim, as plantas voluntrias se constituem em umdos principais desafios para o manejo integrado de doenas e pragasda batata em nossa regio.

    Outro fator importante a ser considerado para o manejo inte-grado de doenas e pragas da cultura da batata que a regio metro-politana de Curitiba e seus arredores se constituem numa importantezona de captao de gua para a populao. Portanto, os riscos do usoindiscriminado de agroqumicos devem ser diminudos. Alm disso, onmero de produtores de batata interessados em modificar seus sis-temas de produo para o orgnico e alternativos ao convencional estaumentando gradativamente.

    Este boletim tcnico tem como objetivos: 1) trazer alguns con-ceitos de manejo integrado para outras doenas e pragas no contem-

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  • piadas na Circular 118; 2) apresentar alguns conceitos que possamoferecer aos pequenos produtores e aos tcnicos do servio de extensorural, o conhecimento bsico para o desenvolvimento de estratgiaspreventivas e de controle de doenas e pragas que minimizem o im-pacto que as tradicionais tecnologias oferecem ao meio ambiente.

    MANEJO INTEGRADO DE DOENAS

    As doenas que sero abordadas nesta publicao se constitu-em em grandes desafios aos produtores de batata, tanto no sistema deproduo convencional como no orgnico, porque muitas delas soveiculadas pelo solo, como a rizoctoniose e a sarna pulverulenta, dedifcil controle, como as de origem bacteriana, exemplo do complexode podrido mole e canela preta, ou a sarna comum. Alm dessas,pretende-se abordar as principais doenas de origem virtica, cujocontrole tem que levar em conta o manejo de seus insetos vetores.

    Ser descrita, resumidamente, a sintomatologia que as caracte-rizam, principais aspectos da epidemiologia e medidas a serem consi-deradas para prevenir as perdas em produo.

    DOENAS FNGICAS

    Rizoctoniose (Rhizoctonia solani Khn)A rizoctoniose uma doena de ocorrncia frequente nas diver-

    sas regies produtoras de batata, especialmente naquelas de cultivointensivo, onde os sistemas de rotao so normalmente colocados emsegundo plano. Negligenciar a rotao de culturas, como tambm autilizao de tubrculos sementes contaminados em reas novas, tmsido os maiores responsveis pelo aumento substancial das lavourasinfectadas por R. solani e, consequentemente, o aumento do potencialde danos.

    R. solani um fungo que tem seu ataque facilitado pela demorana emergncia das brotaes novas ou hastes dos tubrculos, especi-almente sob condies climticas adversas, como temperaturas baixas,alta umidade dos solos e profundidade de plantio dos tubrculos (> 10cm). Alm desses fatores, o acmulo de matria orgnica no decom-posta e o ataque de pragas, tambm podem facilitar a vulnerabilidadedas plantas ao ataque do fungo.

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  • As fases de maior suscetibilidade da cultura ao ataque dessepatgeno variam do plantio fase de amontoa, correspondendo apro-ximadamente ao perodo de 25 a 40 dias aps o plantio. R. solani,mesmo na fase de armazenamento, pode ocasionar o comprometi-mento e morte de brotaes novas nos tubrculos-semente infectados.Nas fases de pr e ps-emergncia os sintomas se caracterizam porleses fundas, amarronzadas a marrom-avermelhadas, que evoluempara a morte dos brotos. Com a emisso de novas brotaes, estastambm podem ser infectadas pelo fungo. A emisso das novas brota-es para compensar as mortas, favorece o esgotamento de energia dostubrculos-semente, podendo haver o comprometimento da densidadede plantas nos campos de produo. Alm do ataque das brotaesnovas, a doena tambm pode comprometer os estoles e a haste prin-cipal, ocorrendo a expresso dos mesmos sintomas descritos anterior-mente (Figura 1). .

    Dependendo daquantidade de propgu-los do fungo disponivelpara o ataque, a intensi-dade dos sintomas podevariar de pequenas "ra-nhuras" ou necroses nashastes ou estoles, atleses mais deprimidasque chegam a envolvertoda haste da planta.Esses ferimentos podempossibilitar o surgimentode outros sintomas refle-xos na parte area dasplantas. Pode-se observarconcentrao de pig-mentos arroxeados nas

    folhas, enrolamento apical dos fololos, produo de tubrculos areos(Figura 2) e clorose dos fololos superiores das plantas. Sintomas estesque podem ser confundidos com os do vrus do enrolamento das fo-lhas. Portanto, para a identificao da doena, importante a observa-o de sintomas nas brotaes, estoles e hastes das plantas de batatano campo.

    Figura 1. Ataque de rizoctoniose em batataformando cancros com estrangu-lamento de hastes. (Foto: N. Naza-reno).

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  • Em condiesintensas de ataque,pode-se observar comfreqncia nos tubr-culos formados, a pre-sena da "crosta negra"ou "mancha de piche",firmemente aderidas casca, mesmo aps alavagem dos tubrcu-los (Figura 3). Almdesses sintomas tpi-cos, os tubrculostambm podemapresentar sintomasde "enrugamento" dacasca e "deformaodos tubrculos" ou "rachaduras" as quais se assemelham a distrbiosfisiolgicos.

    Figura 2. Sintoma indireto do ataque de rizocto-niose atravs da produo de tubr-culos areos. (Foto: N. Nazareno).

    Figura 3. Tubrculos debatata com vrios graus deseveridadedos sintomas,denominados"piche" ou asfalto. (Foto: N.Nazareno).

    Medidas de controle antes do plantio Utilizao de tubrculos-semente sadios: tubrculos com "crosta

    preta" so uma das principais formas de disseminao do fungopara novas reas; portanto, a utilizao de sementes sadias degrande importncia para se evitar a introduo do fungo.

    Sobrevivncia do fungo: considerando que R. solani sobrevive nosolo mesmo depois da safra e que este fungo ataca vrios outroscultivos, deve-se ter o cuidado de preparar o solo com antecedncia

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  • para a eliminao ou reduo dos restos culturais ou atravs desua incorporao ao solo, visando degradao mais rpida dosrestos contendo o fungo.

    poca de plantio: sendo as condies favorveis para o ataque deR. solani, as mesmas que atrasam a emergncia, recomenda-se oplantio em solos com umidade e temperatura adequadas a umarpida emergncia, isto , evitar solos frios e midos.