Doenas da cultura do milho safrinha

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Doenas do Milho Safrinha07 Jos Fernando Jurca Grigolli1Andr Luis Faleiros Loureno21 Eng. Agr. M. Sc. Pesquisador da Fundao MS - fernando@fundacaoms.org.br2 Eng. Agr. Dr. Pesquisador da Fundao MS - andre@fundacaoms.org.brIntroduoO plantio do milho safrinha nos primeiros meses do ano representa uma opo para o incremento na renda dos agricultores, mas ao mesmo tempo exige maior ateno quanto s tcnicas de manejo de doenas. Em funo das adversidades climticas na poca de plantio do milho safrinha, as plan-tas esto mais suscetveis ao ataque de doenas.O conhecimento da dinmica das doenas no campo e a interferncias dos fatores climticos em seu desenvolvimento de grande importncia para um manejo fitopa-tolgico adequado das plantas.Este captulo objetiva expor algumas doen-as que podem ocorrer em plantios de milho safrinha, bem como apontar as condies que mais favorecem seu desenvolvimento e as respectivas estratgias de controle. As doenas de grande importncia para o milho safrinha so Cercosporiose, Mancha Branca, Ferrugem Polisora, Ferrugem Tro-pical ou Ferrugem Branca, Helmintosporio-se e Mancha de Bipolaris maydis.Doenas do Milho Safrinha123Doenas do Milho SafrinhaCercosporiose(Cercospora zeae-maydis)A cercosporiose tambm conhecida como mancha de cercosporiose ou mancha cin-zenta da folha do milho. Foi observada ini-cialmente no sudoeste de Gois no ano de 2000, nos municpios de Rio Verde, Jata, Montividiu e Santa Helena. Atualmente, a doena est presente em praticamente to-dos os campos de cultivo de milho, e uma das doenas mais importantes da cultura. Em condies favorveis e alta incidncia, pode provocar perdas superiores a 80%.A disseminao da cercosporiose ocorre atravs de esporos e de restos de cultura levados pelo vento e por respingos de chu-va. Assim, os restos de cultura so fonte de inculo local e para outras reas de plantio. A ocorrncia de temperaturas entre 25 e 30 oC e umidade relativa do ar superior a 90% so consideradas condies timas para o desenvolvimento da doena.O sintoma tpico da cercosporiose se ca-racteriza por manchas de colorao cin-za, predominantemente retangulares, com as leses desenvolvendo-se paralelas s nervuras. Geralmente os sintomas so observados inicialmente nas folhas mais velhas das plantas. Com o desenvolvimento dos sintomas da doena, as leses podem coalescer, levando a uma queima extensiva da folha (Figura 1). Em situaes de ata-ques mais severos, as plantas tornam-se mais predispostas s infeces por patge-nos no colmo, resultando em maior incidn-cia de acamamento das plantas.A BC DFigura 1. Sintoma de cercosporiose em folha de milho.A - Sem leses de cercosporiose; B Baixa severidade de cercosporiose; C e D Alta severidade de cercosporiose.As cloroses e necroses nas folhas esto associadas com a produo de uma toxina denominada cercosporina. Esta toxina an-tecede expanso das leses, promoven-do a destruio das membranas celulares, e posterior morte das clulas. A ao da to-xina na folha facilmente notada ao se vol-tar a folha doente contra a luz, ficando vis-vel um halo arredondado em torno da leso.O milho uma planta extremamente sen-svel perda de rea foliar e, quando esta perda ocorre prematuramente, como a ocorrncia de cercosporiose em plantas jovens, poder resultar em consequncias diretas para a produo. A reduo da rea foliar ativa levar reduo da produo dos fotossintatos, que seriam utilizados para enchimento de gros, acarretando em uma reduo drstica da produtividade. Tecnologia e Produo: Milho Safrinha e Culturas de Inverno124 Doenas do Milho SafrinhaQuando a destruio foliar intensa, a planta procurar compensar esta perda de produo de carboidratos, recorrendo-se das reservas de acares do colmo, enfraquecendo-o e propiciando a colonizao deste por outros fungos, como Colletotrichum, Gibberella, Fusarium ou Stenocarpella, causadores de podrides do colmo do milho. Essa colonizao ir causar apodrecimento do colmo e consequente tombamento prematuro da lavoura, trazendo prejuzos ainda mais severos.Como medida de controle desta doena re-comenda-se evitar a permanncia de res-tos da cultura de milho em reas em que a doena ocorreu com alta severidade, ob-jetivando a reduo da fonte de inculo do patgeno na rea; realizar a rotao com culturas no hospedeiras, como soja, sor-go, girassol e algodo; evitar o plantio su-cessivo de milho na mesma rea; plantar cultivares diferentes na rea; realizar adu-baes de acordo com as recomendaes tcnicas, pois a relao nitrognio/potssio importante no estabelecimento da doen-a; e o uso de fungicidas, que auxiliam no controle desta doena (Quadro 1).Aproach Prima Ciproconazol + Picoxistrobina 0,30-0,35 42Constant Tebuconazol 1,00 15Eminent 125 EW Tetraconazol 0,60-0,80 -Envoy Epoxiconazol + Piraclostrobina 0,70-1,00 45Folicur 250 EC Tebuconazol 1,00 15Nativo Tebuconazol + Trifloxistrobina 0,60-0,75 30Opera Epoxiconazol + Piraclostrobina 0,50 45Primo Azoxistrobina + Ciproconazol 0,30 42Priori Xtra Azoxistrobina + Ciproconazol 0,30 40Shake Epoxiconazol + Piraclostrobina 0,70-1,00 45Stratego 250 EC Propiconazol + Trifloxistrobina 0,60 30NomeComercial**NomeTcnicoDose produto comercial** (l ou kg ha-1)Intervalo*** de Segurana (dias)Quadro 1. Fungicidas* registrados para o controle de cercosporiose (Cercospora zeae-maydis) na cultura do milho.* Antes de emitir indicao e/ou receiturio agronmico, consultar a relao de defensivos registrados no Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento e cadastrados na secretaria de seu Estado.** Retirado do Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento. Disponvel em http://extranet.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons. Acesso em 17 out 2012.*** Dias entre a aplicao e a colheita.125Doenas do Milho SafrinhaMancha Branca(Phaeosphaeria maydis)A mancha branca, ou pinta branca, uma doena de ampla distribuio pelo territ-rio brasileiro. Sua importncia aumentou a partir de 1990 e atualmente uma das principais doenas do milho. As perdas cau-sadas por esta doena podem ser da ordem de 60% em ambientes favorveis e com o plantio de hbridos suscetveis.O aumento da incidncia e da severidade da doena favorecido pela semeadura tardia, ausncia de rotao de culturas, cul-tivo safrinha e presena de restos culturais. Alm desses fatores, o sistema de plantio tambm contribui para o aumento da seve-ridade, uma vez que o fungo P. maydis necrotrfico, podendo permanecer em res-tos culturais de plantas infectadas, incre-mentando o potencial de inculo em reas de plantio direto.Os sintomas da doena iniciam-se como pequenas reas de colorao verde plido ou clorticas, as quais crescem, tornam-se esbranquiadas ou com aspecto seco, e apresentam margens de cor marrom. Estas manchas apresentam forma arredondada, oblonga, alongada ou levemente irregular, medem 0,3 a 2,0 cm e so distribudas so-bre a superfcie da folha (Figura 2). Geral-mente os sintomas se iniciam nas folhas do baixeiro das plantas, progredindo rapi-damente para as partes superiores, sendo mais severos aps o pendoamento do mi-lho. Sob condies de ataque severo, os sintomas da doena podem ser observados tambm na palha da espiga. Geralmente os sintomas no ocorrem em plntulas de mi-lho.Figura 2. Sintoma de mancha branca em folhas de milho.O inculo oriundo de restos culturais e no h hospedeiros intermedirios at o momento. A disseminao do patgeno ocorre pelo vento e por respingos de chu-va. A mancha branca favorecida por tem-peraturas noturnas amenas (15 a 20 oC), elevada umidade relativa do ar, e elevada precipitao pluviomtrica. Os plantios tar-dios favorecem elevadas severidades da doena, devido ocorrncia dessas condi-es climticas durante o florescimento da cultura, fase na qual as plantas so mais sensveis ao ataque do patgeno, e os sin-tomas so mais severos.Como estratgia de controle desta doena pode-se citar o uso de materiais resisten-tes, mas h uma escassez de materiais dis-ponveis no mercado; o plantio antecipado; e o controle qumico. O Quadro 2 indica os produtos registrados para o controle da mancha branca na cultura do milho. Tecnologia e Produo: Milho Safrinha e Culturas de Inverno126 Doenas do Milho SafrinhaAbacus HC Epoxiconazol + Piraclostrobina 0,25-0,38 45Aproach Prima Ciproconazol + Picoxistrobina 0,40 42Cercobin 500 SC Tiofanato-Metlico 0,80-1,00 3Comet Piraclostrobina 0,60 45Eminent 125 EW Tetraconazol 0,60-0,80 -Envoy Epoxiconazol + Piraclostrobina 0,70-1,00 45Nativo Tebuconazol + Trifloxistrobina 0,60-0,75 40Opera Epoxiconazol + Piraclostrobina 0,75 30Opera Ultra Metconazol + Piraclostrobina 0,50-0,75 45Pladox Epoxiconazol + Piraclostrobina 0,75 45Primo Azoxistrobina + Ciproconazol 0,30 42Priori Xtra Azoxistrobina + Ciproconazol 0,30 40Prospect Epoxiconazol + Piraclostrobina 0,75 45Shake Epoxiconazol + Piraclostrobina 0,70-1,00 45Stratego 250 EC Propiconazol + Trifloxistrobina 0,80 30NomeComercial**NomeTcnicoDose produto comercial** (l ou kg ha-1)Intervalo*** de Segurana (dias)Quadro 2. Fungicidas* registrados para o controle da mancha branca (Phaeosphaeria maydis) na cultura do milho.* Antes de emitir indicao e/ou receiturio agronmico, consultar a relao de defensivos registrados no Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento e cadastrados na secretaria de seu Estado.** Retirado do Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento. Disponvel em http://extranet.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons. Acesso em 17 out 2012.*** Dias entre a aplicao e a colheita.Ferrugem Polisora(Puccinia polysora)A ferrugem polisora a mais agressiva e destrutiva das doenas do milho na regio central do Brasil. Danos econmicos da or-dem de at 65% j foram constatados ex-perimentalmente. Nas regies Centro-Oes-te e Sudeste, esta ferrugem ocorre durante todo o ano agrcola, se destacando como problema fitossanitrio em plantios a par-tir da segunda quinzena de novembro at janeiro.As pstulas da ferrugem polisora so pe-quenas, de formato circular a elptico. Os uredsporos e as pstulas tm colorao varivel de amarelo a dourado; em fases mais avanadas surgem pstulas marrom escuras, devido formao dos telisporos. Quando a cultura est fortemente atacada, comum os uredsporos ficarem aderidos ao corpo e roupa das pessoas que cami-nham pela lavoura, conferindo cor dourada a estas partes. As pstulas podem ocorrer na face superior do limbo e da bainha foliar, 127Doenas do Milho Safrinhanas brcteas das espigas e, em condies de alta severidade, no pendo (Figura 3). Em cultivares suscetveis, comum a ocor-rncia de morte prematura de plantas em virtude da destruio foliar.Figura 3. Sintoma de ferrugem polisora em folhas de milho.Foto: Marcelo G. Canteri. Retirado de ALVES, R.C.; DEL PONTE, E.M. Ferrugem-polisora. In. DEL PONTE, E.M. (Ed.) Fitopatologia.net - herbrio virtual. Departamento de Fitossanidade. Agronomia, UFRGS. Disponvel em: . Acesso em: 29 out 2012.A ocorrncia da doena dependente da altitude, ocorrendo com maior intensidade em altitudes abaixo de 700 m, onde predo-minam temperaturas mais elevadas (25 a 35 oC). A ocorrncia de perodos prolonga-dos de elevada umidade relativa do ar tam-bm um fator importante para o desenvol-vimento da doena.O mtodo de controle mais eficiente e me-nos oneroso para o produtor o uso de hbridos ou variedades com nveis satis-fatrios de resistncia ao patgeno. Evitar plantios nos meses de dezembro e janeiro nas regies propcias para a ocorrncia da doena recomendado para amenizar os danos causados pelo fungo. A severidade da doena maior em regies com altitude inferior a 650 metros e, nessas condies, no recomenda-se o plantio de cultivares suscetveis, principalmente na regio cen-tral do Brasil. O controle qumico eficien-te para controlar a doena (Quadro 3). To-davia, o seu uso justificado somente em campos cultivados com materiais que apre-sentem um alto valor econmico, como em campos de produo de sementes ou reas experimentais. Tecnologia e Produo: Milho Safrinha e Culturas de Inverno128 Doenas do Milho SafrinhaAbacus HC Epoxiconazol + Piraclostrobina 0,25-0,38 45Comet Piraclostrobina 0,60 45Constant Tebuconazol 1,00 15Egan Tebuconazol 1,00 15Elite Tebuconazol 1,00 15Eminent 125 EW Tetraconazol 0,60-0,80 -Folicur 250 EC Tebuconazol 1,00 15Nativo Tebuconazol + Trifloxistrobina 0,60-0,75 30Opera Epoxiconazol + Piraclostrobina 0,75 45Opera Ultra Metconazol + Piraclostrobina 0,50-0,75 45Pladox Epoxiconazol + Piraclostrobina 0,75 45Produtorbr Tebuconazol 1,00 15Propiconazole Nortox Propiconazol 1,00 30Prospect Epoxiconazol + Piraclostrobina 0,75 45Rival 250 EC Tebuconazol 1,00 15Stratego 250 EC Propiconazol + Trifloxistrobina 0,80 30Tebuconazole CCAB 250 EC Tebuconazol 1,00 15Tebufort Tebuconazol 1,00 15Triade Tebuconazol 1,00 15NomeComercial**NomeTcnicoDose produto comercial** (l ou kg ha-1)Intervalo*** de Segurana (dias)Quadro 3. Fungicidas* registrados para o controle da ferrugem polisora (Puccinia polysora) na cultura do milho.* Antes de emitir indicao e/ou receiturio agronmico, consultar a relao de defensivos registrados no Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento e cadastrados na secretaria de seu Estado.** Retirado do Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento. Disponvel em http://extranet.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons. Acesso em 17 out 2012.*** Dias entre a aplicao e a colheita.129Doenas do Milho Safrinha Ferrugem Tropical ou Ferru-gem Branca(Physopella zeae)O fungo causador da ferrugem tropical foi constatado no Estado de Esprito Santo em 1976. No entanto, somente nos ltimos anos a doena tornou-se de importncia econmica, principalmente no Centro-Oes-te e Sudeste do Brasil, onde encontrou condies favorveis de desenvolvimento associadas ao frequente plantio de hbridos suscetveis.Os sintomas da ferrugem tropical ocorrem em ambas as faces da folha, na forma de pstulas dispostas em pequenos grupos, paralelos s nervuras. As pstulas tm for-mato arredondado ou oval, com compri-mento entre 0,3 e 1,0 mm, de colorao amarelada a castanha, e so recobertas pela epiderme da folha, apresentando uma abertura na regio central (Figura 4). Num estdio mais avanado, desenvolvem-se ao redor das pstulas halos circulares a oblon-gos, com bordos escuros, que correspon-dem formao de tlios subepidrmicos, distribudos em grupos ao redor dos ur-dios. Em condies de alta incidncia, co-mum nos ltimos anos em algumas regies, pode ocorrer coalescncia de pstulas, com a consequente morte prematura das folhas.O fungo altamente destrutivo, podendo causar grandes danos econmicos quando a planta afetada antes do florescimento. O desenvolvimento da doena favorecido por ambiente mido e quente. A presena de gua livre na superfcie da folha um fator importante para ocorrer a germinao dos esporos. A temperatura e a luminosida-de so tambm fatores importantes. A ferru-(A)(B)Figura 4. Sintoma de ferrugem tropical na folha (A) e na espiga (B) do milho.Foto: Marcelo G. Canteri. Retirado de ALVES, R.C.; DEL PONTE, E.M. Ferrugem-tropical. In. DEL PONTE, E.M. (Ed.) Fitopatologia.net - herbrio virtual. Departamento de Fitossanidade. Agronomia, UFRGS. Disponvel em: . Acesso em: 29 out 2012.gem tropical caracteriza-se por ocorrer em plantios tardios em regies de baixa altitu-de. Por ser um patgeno de menor exign-cia em termos de umidade para o progresso da doena, a severidade da doena tende a ser maior em plantios de safrinha.AB Tecnologia e Produo: Milho Safrinha e Culturas de Inverno130 Doenas do Milho SafrinhaO uso de fungicidas (Quadro 4) em aplica-o foliar aps o aparecimento das primei-ras pstulas pode ser uma prtica eficiente em materiais de alto valor econmico ou estratgico, como em campos de produo de sementes. Apesar dessa doena consti-tuir uma ameaa cultura do milho, ainda Tilt Propiconazol 0,40 30Tino Propiconazol 0,40 30NomeComercial**NomeTcnicoDose produto comercial** (l ou kg ha-1)Intervalo*** de Segurana (dias)Quadro 4. Fungicidas* registrados para o controle da ferrugem tropical (Physopella zeae) na cultura do milho.* Antes de emitir indicao e/ou receiturio agronmico, consultar a relao de defensivos registrados no Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento e cadastrados na secretaria de seu Estado.** Retirado do Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento. Disponvel em http://extranet.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons. Acesso em 17 out 2012.*** Dias entre a aplicao e a colheita.Helmintosporiose(Exserohilum turcicum)O patgeno causador desta doena est presente em todas as reas cultivo de milho do pas. Se as condies forem favorveis ao fungo (alta umidade e temperatura entre 18 e 27 C) e se a cultivar utilizada no pos-suir nvel de resistncia satisfatrio, o dano econmico pode ser bastante significativo. As maiores severidades desta doena ocor-rem nos plantios de safrinha e, quando a doena se inicia antes do perodo do flores-cimento, as perdas podem chegar a 50%.Os sintomas da doena so leses necr-ticas, elpticas, variando de 2,5 a 15,0 cm de comprimento. O tecido necrosado das leses varia de verde-cinza a marrom e, no interior das leses, observa-se intensa es-porulao do patgeno (Figura 5). Normal-pouco estudada com relao determina-o de mecanismos de resistncia, variabi-lidade do patgeno, obteno de cultivares resistentes, possveis hospedeiros alterna-tivos, efeito de prticas culturais na severi-dade da doena, e possibilidade de controle qumico.mente as leses comeam a aparecer nas folhas mais velhas da planta.O patgeno sobrevive na forma de miclio e condios em restos de cultura. Pode ha-ver a formao de estruturas de resistncia (clamidsporos), que podem permanecer na rea por vrios anos e servir de fonte de inculo nos plantios sucessivos. Os con-dios so disseminados a longas distncias atravs do vento. Infeces secundrias re-sultam da disseminao de condios produ-zidos abundantemente em leses foliares.As condies ambientais favorveis ocor-rncia da doena so encontradas nos pri-meiros plantios, em agosto e setembro, e nos plantios aps dezembro, considerados como plantios de safrinha. Nas regies al-tas, as chamadas chapadas, estas condi-es podem ser observadas durante o ano todo.131Doenas do Milho SafrinhaQuadro 5. Fungicidas* registrados para o controle da helmintosporiose (Exserohilum turcicum) na cultura do milho.NomeComercial**NomeTcnicoDose produto comercial** (l ou kg ha-1)Intervalo*** de Segurana (dias)Constant Tebuconazol 1,00 15Elite Tebuconazol 1,00 15Produtorbr Tebuconazol 1,00 15Propiconazole Nortox Propiconazol 1,00 30Rival 250 EC Tebuconazol 1,00 15Tebuconazole CCAB 250 EC Tebuconazol 1,00 15Tebufort Tebuconazol 1,00 15Tilt Propiconazol 0,40 30Triade Tebuconazol 1,00 15* Antes de emitir indicao e/ou receiturio agronmico, consultar a relao de defensivos registrados no Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento e cadastrados na secretaria de seu Estado.** Retirado do Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento. Disponvel em http://extranet.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons. Acesso em 18 out 2012.*** Dias entre a aplicao e a colheita.Figura 5. Sintoma de helmintosporiose em folhas de milho.O controle desta doena pode ser realiza-do com a rotao de culturas em reas de plantio direto. Quanto ao controle qumico, existem alguns produtos registrados para o controle da helmintosporiose em milho (Quadro 5), mas este deve ser utilizado me-diante a identificao correta da doena. Tecnologia e Produo: Milho Safrinha e Culturas de Inverno132 Doenas do Milho SafrinhaMancha de Bipolaris maydisEsta doena ocorre em todo o Brasil, mas em baixa e mdia severidade. Atualmente, em algumas reas do Centro-Oeste e Nor-deste, a doena tem ocorrido com elevada severidade em materiais suscetveis. O fungo B. maydis possui duas raas des-critas, 0 e T. A raa 0, predominante nas principais regies produtoras, produz leses alongadas, orientadas pelas nervu-ras com margens castanhas e com forma e tamanho variveis (Figura 6). Embora as leses sigam a orientao das nervuras, as bordas das leses no so to bem defini-das como ocorre no caso da cercosporiose. As leses causadas pela raa T so maio-res, predominantemente elpticas e com colorao de marrom a castanho, podendo haver formao de um halo clortico.Figura 6. Sintoma de mancha de Bipolaris maydis em folhas de milho.Foto: Retirado de ALVES, R.C.; DEL PONTE, E.M. Man-cha-foliar-de-bipolaris maydis. In. DEL PONTE, E.M. (Ed.) Fitopatologia.net - herbrio virtual. Departamento de Fi-tossanidade. Agronomia, UFRGS. Disponvel em: . Acesso em: 29 out 2012.A sobrevivncia do patgeno ocorre em restos culturais infectados e em gros re-manescentes na rea aps a colheita. Os condios so transportados pelo vento e por respingos de chuva, e as condies timas para o desenvolvimento da doena consis-tem em temperaturas entre 22 e 30 C e elevada umidade relativa. A ocorrncia de longos perodos de seca e de dias com mui-to sol entre dias chuvosos desfavorvel doena.O plantio de cultivares resistentes e a rota-o de culturas so as principais medidas recomendadas para o manejo dessa doen-a. No h fungicidas registrados para o controle desta doena no Brasil.133Doenas do Milho SafrinhaRefernciasAGRIOS, G.N. Plant Pathology, 5 ed., Amsterdam: Elsevier Academic Press, 2005. 952p.CASELA, C.R.; FERREIRA, A.D.; PINTO, N..F.J.A. Doenas na cultura do milho. In. CRUZ, J.C.; KARAM, D.; MONTEIRO, M.A.R.; MAGALHES, P.C. A cultura do mi-lho, Sete Lagoas, Embrapa Milho e Sorgo, 2008. p.215-256.CASELA, C.R.; FERREIRA, A.S.; PINTO, N.F.J.A. Doenas na cultura do milho. Sete Lagoas: Embrapa, 2006. (Circular Tcnica 83).FERNANDES, F. T., OLIVEIRA, E. Princi-pais molstias na cultura do milho. Sete La-goas: Embrapa-CNPMS, 1997. 80p.OLIVEIRA, E.; OLIVEIRA, C.M. Doenas em milho: molicutes, virus e vetores. Bras-lia: Editora UnB, 2004. 276p. Embrapa In-formao Tecnolgica.PEREIRA, O.A.P. Doenas do milho. In. KIMATI, H.; AMORIM, L.; BERGAMIN FI-LHO, A.; CAMARGO, L.E.A.; REZENDE, J.A.M. (Ed.) 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