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Marcelo Paiva

__________________________________________________

Portugus Jurdico

Agradeo a todos que tornaram possvel este livro. Em especial, aos profissionais que fundamentaram o trabalho e aos que faro uso do contedo aqui apresentado.

__________________________________________________

Sumrio

Apresentao

1 A importncia da linguagem na atividade jurdica

1.1 Linguagem tcnica e linguagem rebuscada

1. 2 Vocabulrio jurdico

1.3 Nveis de linguagem

1.3.1 Clareza

1.3.2 Conciso

1.3.3 Formalidade e correo gramatical

1.3.4 Objetividade

1.3.5 Simplicidade

1.3.6 Estilo

1.3.7 O que deve ser evitado

2 Padronizaes e normatizaes

2.1 Elementos normativos

2.2 Pontuao com elementos normativos

2.3 Pontuao de atos normativos

2.4 Referncia a texto legal

2.5 Nomenclatura dos feitos

2.6 Pronomes de tratamento

2.7 Fechos para comunicaes oficiais

2.8 Identificao do signatrio

2.9 Data

2.10 Numerao de documentos

2.11 Folhas de continuao

2.12 Horas

2.13 Siglas, abreviaturas e smbolos

2.14 Citao

2.15 Referncia

2.16 Referncia de textos jurdicos

2.17 Expresses latinas em referncias e citaes

2.18 Linha pontilhada

2.19 Maisculas e minsculas

2.20 Nmeros

2.21 Itlico e negrito

2.22 Referncia a folhas

2.23 Anexos, tabelas, grficos, quadros

2.24 Moedas e valores

2.25 Cargos e funes

2.26 Termos estrangeiros

3. Expresses e vocabulrio

3.2 a cerca de - acerca de - h cerca de

3.3 custa de a expensas de em via de

3.4 a fim de - afim de

3.5 a maior - a menor

3.6 medida que - na medida em que

3.8 a partir de com base

3.9 a princpio em princpio

3.10 abaixo-assinado - abaixo assinado

3.11 acaso se caso

3.13 adjetivo por advrbio

3.14 afinal a final

3.15 alm de (...) tambm

3.17 anexo em anexo

3.18 ante

3.19 ao ano - por ano

3.20 ao encontro de - de encontro a

3.21 ao invs de - em vez de

3.22 ao nvel de em nvel de a nvel de

3.23 apelar

3.24 apenar - penalizar

3.25 arquive-se ou arquivem-se - cite-se ou citem-se

3.26 atravs de - por meio de

3.27 atuado autuado

3.28 bastante

3.29 cada - todo

3.30 com o pretexto a pretexto de sob o pretexto de

3.31 com vista a - com vistas a

3.33 comunicar

3.34 conectivos

3.35 conjuntura - conjectura

3.36 constar de constar em

3.38 cumprir

3.39 custas - custa

3.40 dado - visto - haja vista

3.41 deferir diferir

3.42 defeso - defesso

3.43 deficit - dfice

3.45 delatar - dilatar

3.46 demais de mais

3.47 dentre - entre

3.49 desapercebido - despercebido

3.50 descriminar descriminalizar - discriminar

3.51 despensa - dispensa

3.52 desprover - improver

3.53 destratar - distratar

3.54 deve estar deve de estar

3.57 do ponto de vista sob o ponto de vista

3.58 de cujus decujo

3.60 de menor menor de

3.61 eminente - iminente

3.62 enquanto

3.63 estncia - instncia

3.64 este esse - aquele

3.66 exceto afora, exceo menos - salvo

3.67 expresses latinas

3.68 em conformidade com - na conformidade de

3.69 em face de

3.70 em longo prazo - a longo prazo

3.72 em prol de

3.73 em que pese a em que pese(m)

3.74 em sede de

3.75 falar - dizer

3.76 flagrante - fragrante

3.77 gerndio

3.78 grafia dos nmeros de rgos judicirios

3.79 grosso modo

3.80 habeas corpus hbeas-crpus

3.81 hora extra

3.82 h que + infinitivo

3.83 inapto - inepto

3.84 infinitivo

3.85 inobstante

3.86 judicial - judicirio

3.87 junto a

3.88 junto com juntamento com

3.90 mais bem - melhor

3.91 mesmo

3.94 no sentido de

3.95 onde aonde - de onde

3.96 opor veto

3.97 ou melhor, qual seja, isto , ou seja, a saber

3.98 particpio

3.99 pedir para - pedir que

3.101 pedir vista - pedir vistas

3.102 percentagem - porcentagem

3.103 por hora - por ora

3.104 por si s

3.105 posto que

3.107 prescrever - proscrever

3.109 processo epigrafado

3.110 perante ao juiz ou perante o juiz?

3.111 pertine/no que diz respeito a

3.112 porqu, uso do

3.113 protocolar - protocolizar

3.114 qualquer sequer algum - nenhum

3.115 quando do (da)

3.117 ratificar - retificar

3.118 reincidir - rescindir

3.119 remio / remisso

3.120 salrio mnimo/salrio-mnimo

3.121 se(c)co sesso - cesso

3.122 sendo que

3.123 se no - seno

3.124 se se

3.125 sortir - surtir

3.126 suso

3.127 tal qual

3.128 tampouco - to pouco

3.129 ter - haver

3.130 todo todo o todos os - cada

3.131 todos - unnimes

3.132 trata-se de

3.133 ver - vir

3.134 vez que, eis que, posto que, haja visto

3.135 viger

3.136 vista vista dos autos

3.137 vtima fatal - letal - mortal

3.139 vultoso - vultuoso

4. Texto jurdico

4.1 Qualidades do texto jurdico

4.1.1 Sentido denotativo e conotativo

4.1.2 Perodo adequado

4.1.3 Ordem direta

4.1.4 Voz ativa

4.1.5 Evite gerndio

4.1.6 Trs verbos por perodo

4.1.7 Pargrafo adequado

4.2 Vcios de linguagem

4.3 Resumo e sntese

4.3.1 Resumo na ABNT

4.3.2 Resumo em instituies pblicas

4.4 Ementa

4.4.1 Ementa em atos normativos ou legislativos

4.4.2 Ementa em parecer

4.5 A arte de argumentar

4.5.1 Tipos de argumentos

4.5.2 Abordagem, fundamentao e consistncia

4.5.3 Principais argumentos retricos na linguagem jurdica

4.5.4 Figuras retricas

4.6 Pea Jurdica

4.7 Parecer jurdico

5. Aspectos gramaticais

5.1 Novo Acordo Ortogrfico

5.1.1 Alfabeto

5.1.2 Nomes prprios

5.1.3 Nomes prprios estrangeiros

5.1.4 Consoantes mudas

5.1.5 Trema

5.1.6 Acentuao grfica

5.1.6.1 Regra das oxtonas

5.1.6.2 Regra das paroxtonas

5.1.6.3 Regra das proparoxtonas

5.1.6.4 Dupla grafia

5.1.6.5 Regra do ditongo

5.1.6.6 Regra do hiato

5.1.6.7 Acento diferencial

5.1.6.8 Acentuao grfica por outros motivos

5.1.7 Hfen

5.1.7.1 Usa-se hfen

5.1.7.2 No se usa hfen

5.1.8 Apstrofo

5.1.8.1 Usa-se apstrofo

5.1.8.2 No se usa apstrofo

5.1.9 Diviso silbica

5.1.10 Emprego de letras

5.1.10.1 Do h inicial e final

5.1.10.2 Da homofonia de certos grafemas consonnticos

5.1.10.3 Das sequncias consonnticas

5.1.10.4 Das vogais tonas

5.1.10.5 Das vogais nasais

5.1.10.6 Dos ditongos

5.2 Crase

5.2.1 Casos em que ocorre a fuso

5.2.2 Casos que merecem ateno

5.2.3 Crase facultativa

5.3 Regncia

5.3.1 Regncia nominal

5.3.2 Regncia e pronome relativo

5.3.3 Preposio

5.4 Concordncia

5.4.1 Casos que merecem ateno na concordncia verbal

5.4.2 Concordncia nominal

5.6 Pontuao

5.6.1 Vrgula

5.6.2 Vrgula em textos jurdicos

5.6.3 Ponto-e-vrgula

5.6.4 Ponto-e-vrgula em textos jurdicos

5.6.5 Pontuao no fim de frase, aps abreviatura

5.6.6 Dois-pontos

5.6.7 Aspas

5.6.8 Travesso

5.6.9 Parnteses

5.6.10 Barra

5.6.11 Reticncias

5.6.12 Colchete

5.7 Pronome

5.7.1 Pronome pessoal

5.7.2 Pronome possessivo

5.7.3 Pronome demonstrativo

5.7.4 Colocao pronominal

__________________________________________________

Introduo

Tenho escrito livros h mais de trinta anos e posso afirmar que esta foi a obra em que mais me empenhei para que o contedo fosse apresentado de forma prtica, direta e relevante. Procurei apresentar tpicos importantes e fundamentados de forma objetiva a profissionais da rea jurdica e a servidores de rgos pblicos. Tenho ministrado cursos e prestado consultoria a instituies pblicas e privadas (CNJ, STF, STJ, TST, TSE, STM, MPU, Polcia Federal, tribunais estaduais, escritrios de advocacia etc) e observo que magistrados, procuradores, promotores, advogados, defensores pblicos, servidores e profissionais em geral procuram aprofundar o conhecimento de nosso idioma a fim de produzirem textos cada vez melhores. O interesse intenso e isso me motiva a pesquisar cada vez com mais seriedade a fim de oferecer recursos apropriados.

O objetivo principal do livro ser um manual de consulta para uso adequado de vocbulos, expresses, padronizaes, estruturas textuais e regras gramaticais em textos jurdicos. No se trata de impor ou interferir no estilo de cada autor. O interesse oferecer orientao padronizada em atos normativos, manuais de redao e gramticas conceituadas. Certamente, outras opes de uso, em alguns casos, estaro disponveis em dicionrios ou gramticas com abordagens mais amplas.

O contedo desta obra, no entanto, direciona-se linguagem jurdica e, assim, procurei sempre optar pela linguagem formal e especfica. Isso no significa texto rebuscado e, muitas vezes, incorreto. Linguagem formal deve apresentar clareza, objetividade, coerncia, coeso e correo gramatical. A linguagem jurdica tcnica e, realmente, faz uso de termos especficos. Isso no significa criaes mirabolantes e inadequadas, muitas vezes justificadas equivocadamente como linguagem tcnica.

Considero a boa redao ferramenta indispensvel para a realizao de atividade que tanto depende da linguagem. Escrever bem essencial ao exerccio na rea jurdica. Muitos so os casos em que o texto fica aqum da capacidade de contedo e argumentao do prprio autor. O profissional, muitas vezes, conhece profundamente o assunto a ser transmitido. No entanto, no consegue expressar-se de forma adequada. O livro o auxiliar a elucidar as principais dvidas sobre padronizaes e a desenvolver sua capacidade de entender e produzir textos para explorar de forma mais adequada os conhecimentos profissionais.

Este trabalho s foi possvel graas a diversos outros profissionais que colaboraram de forma direta ou indireta. O livro o resultado de intensa pesquisa em diversas fontes. Assim, agradeo a outros estudiosos de nosso idioma no Brasil (Celso Cunha, Evanildo Bechara, Napoleo Mendes de Almeida, Mattoso Cmara, Adalberto Kaspary, Luiz Antnio Sacconi, Edmundo Dants Nascimento) e em Portugal (lvaro Gomes, Edite Estela, Maria Almira Soares, Maria Jos Leito, Francisco Torrinha, Jos da Costa Pimenta, Helder Martins Leito). Agradeo tambm aos servidores que se empenharam na realizao dos manuais de redao em nossos rgos pblicos (Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justia, Tribunal Superior Eleitoral, Conselho Nacional de Justia, Presidncia da Repblica, Tribunal de Justia do Distrito Federal e Territrios, Tribunal de Contas do Distrito Federal, Senado, Cmara dos Deputados e outros).

Marcelo Paiva

1

______________________________

A importncia da linguagem

na atividade jurdica

O profissional da rea jurdica deve ter, em primeiro lugar, conhecimento do Direito. Assim, deve estudar, entre outros tpicos, o funcionamento terico e prtico do ordenamento jurdico: leis, jurisprudncia, doutrina, processos etc. Esse conhecimento parte mais que relevante do instrumental intelectual a que o profissional obrigado a recorrer em suas atividades. A teoria jurdica, da mais simples mais complexa, tem valor prtico inequvoco, porquanto vir a contribuir, direta ou indiretamente, no seu trabalho.

No deve, no entanto, limitar-se a tais aprendizados. O ato de escrever e de organizar ideias tcnica essencial para o profissional demonstrar o domnio de sua capacidade. No se trata de arte ou dom. estudo, prtica, tcnica. A inadequao na linguagem compromete o pensamento jurdico. Muitos so os casos em que o texto fica aqum da capacidade do prprio autor. Se voc escolheu a atividade jurdica como profisso, a busca pelo conhecimento da regras gramaticais e pela boa redao ser sua companheira diria.

H profunda relao entre o Direito e a linguagem. Impossvel imaginar um profissional da rea jurdica sem domnio adequado do idioma tanto em sua interpretao como em sua produo. Os atos normativos, os conhecimentos doutrinrios, as peties, os atos processuais, as decises judiciais, tudo passa pelo uso da linguagem. Todo o conhecimento e realizao do processo jurdico passa pela linguagem.

1.1 Linguagem tcnica e linguagem rebuscada

No h dvida de que a linguagem jurdica tcnica e faz uso de termos especficos e estrutura prpria em seus textos. Presume-se que um advogado, um juiz ou um desembargador conhea palavras complexas, apuradas e, ento, o lxico mais vasto ser tanto smbolo de maior erudio quanto forma de contribuio para uma expresso mais especfica, com linguagem tcnica caracterstica do direito. Em toda a atividade forense, evidente que se deve preferir a linguagem formal. Palavras tcnicas e precisas inibem falhas de compreenso. No se pode, no entanto, em nome da linguagem tcnica, justificar o uso de rebuscamento e comprometer as tcnicas de um bom texto. Observe exemplo de rebuscamento:

Com espia no referido precedente, plenamente afincado, de modo consuetudinrio, por entendimento turmrio iterativo e remansoso, e com amplo supedneo na Carta Poltica, que no preceitua garantia ao contencioso nem absoluta nem ilimitada, padecendo ao revs dos temperamentos constritores limados pela dico do legislador infraconstitucional, resulta de meridiana clareza, tornando despicienda maior perorao, que o apelo a este Pretrio se compadece do imperioso prequestionamento da matria abojada na insurgncia, tal entendido como expressamente abordada no Acrdo guerreado, sem o que estril se mostrar a irresignao, inviabilizada ab ovo por carecer de pressuposto essencial ao desabrochar da operao cognitiva.

Observe a construo com clareza, conciso e objetividade

Um recurso, para ser recebido pelos tribunais superiores, deve abordar matria explicitamente tocada pelo tribunal inferior ao julgar a causa. Isso no ocorrendo, ser pura e simplesmente rejeitado, sem exame do mrito da questo.

O desembargador do Tribunal de Justia do Estado do Rio Grande do Sul Carlos Alberto Bencke esclarece que:

Os advogados peticionam para o juiz que assim os entende; o promotor exara parecer e o direciona tambm para o juiz; e, finalmente, o juiz decide para os advogados, para o promotor e para o Tribunal. Enfim, as palavras ficam num mesmo crculo e, de rigor, ningum necessita pedir explicaes sobre o real sentido daqueles termos tcnicos utilizados. Lembremo-nos, todavia, que o Direito no pertence aos lidadores do Direito, mas sim s partes, geralmente pessoas leigas nos assuntos jurdicos.

Com a abertura cada vez maior dos julgamentos pblicos na sua essncia a imprensa passou a realizar a cobertura dos processos que dizem respeito mais de perto aos interesses da sociedade. Da esbarrou nos termos tcnicos e nas dificuldades de passar uma informao inteligvel para o seu pblico consumidor.

O Superior Tribunal Militar recebeu, certa vez, um recurso assim redigido:

O alcndor Conselho Especial de Justia, na sua apostura irrepreensvel, foi correto e acendrado no seu decisrio. certo que o Ministrio Pblico tem o seu lambel largo no exerccio do poder de denunciar. Mas nenhum lambel o levaria a pouso cinreo se houvesse acolitado o pronunciamento absolutrio dos nobres alvarizes de primeira instncia.

Observe trecho de circular produzida pelo Banco Central do Brasil:

Os parentes consanguneos de um dos cnjuges so parentes por afinidade do outro; os parentes por afinidade de um dos cnjuges no so parentes do outro cnjuge; so tambm parentes por afinidade da pessoa, alm dos parentes consanguneos de seu cnjuge, os cnjuges de seus prprios parentes consanguneos.

Inmeras so as vezes em que a m redao compromete o entendimento. O texto a seguir foi escrito por um magistrado e publicado pela revista Isto . Tratava-se de um pedido de habeas corpus. O delegado, ao receber, entendeu exatamente o contrrio do que desejava o magistrado.

Por determinao da egrgia segunda vice-presidncia, comunico que a colenda primeira Cmara Criminal, julgando habeas corpus xx Proc. Crime xx, dessa Vara, em que so impetrantes os bacharis xx e paciente xx, proferiu a seguinte deciso: conhecida em parte, na parte conhecida, concederam parcialmente a ordem impetrada, to somente para anular o depoimento das testemunhas protegidas pelo provimento xx, com reiquirio das mesmas, aps as providncias constantes do v. Acrdo, ficando denegada a pretenso formulada na sustentao ora de concesso de ordem de habeas corpus, de ofcio, deferindo liberdade provisria ao paciente, retificada a tira de julgamento anterior, nos termos do pedido hoje ofertado.

O delegado libertou o preso por no interpretar corretamente o texto.

A pgina eletrnica Consultor Jurdico publicou entrevista com o advogado Manuel Alceu sobre o rebuscamento na linguagem jurdica. Cito trecho da entrevista.

Conjur O senhor acha que a mudana de atitude na relao entre jornalistas e juzes passa tambm pela discusso da reforma da linguagem jurdica?

Manuel Alceu Com relao ao juridiqus, tenho uma posio intermediria. Realmente preciso facilitar o entendimento do direito e de sua aplicao aos casos concretos. Mas, ao mesmo tempo, existem termos jurdicos dos quais no se pode abdicar, sob pena de sacrificar as ideias e conceitos neles embutidos. Como posso substituir, por exemplo, comorincia, prescrio em concreto, precluso recursal lgica, inpcia substancial etc? Cada atividade tem o seu palavreado exato, que insubstituvel. Assim, tambm ocorre com o direito. Em suma, a reforma da linguagem jurdica ser feita para simplific-la naquilo que no prejudique a exatido daquilo que se quer dizer. Ademais, o juridiqus no deve ser confundido com demonstrao da falsa erudio, com o rebuscado. No meio e no razovel que se buscar a soluo.

Finalizo este tpico com trecho do discurso de posse da Ministra Ellen Gracie como presidente do Supremo Tribunal Federal e sua preocupao com a linguagem forense:

Que a sentena seja compreensvel a quem apresentou a demanda e se enderece s partes em litgio. A deciso deve ter carter esclarecedor e didtico. Destinatrio de nosso trabalho o cidado jurisdicionado, no as academias jurdicas, as publicaes especializadas ou as instncias superiores. Nada deve ser mais claro e acessvel do que uma deciso judicial bem fundamentada.

1.2 Vocabulrio jurdico

A linguagem forense tcnica. Isso significa que muitos termos utilizados em textos jurdicos, apesar de parecerem complexos e mesmo estranhos, tm funo de definir conceitos de que aquele que redige no se pode afastar. Observe o exemplo.

O advogado mostrou que o homicdio simples no constitui crime hediondo e defendeu, em excelente tese, que mesmo o homicdio qualificado, por vezes, no deve ser visto como tal.

possvel, sem conhecimento jurdico, entender o texto acima, mas, provavelmente, parte do contedo da mensagem ser perdida. Quando o advogado cita o termo hediondo, refere-se enumerao taxativa de lei especfica e remete a todos os efeitos que ela determina. Um leitor comum no compreende o termo em sua amplitude jurdica. A essas expresses de sentido tcnico crtica alguma merece ser feita.

Respeita-se o aspecto tcnico, mas condena-se veementemente a prolixidade e o rebuscamento de muitos profissionais da rea. Linguagem confusa e arcaica contribui para a morosidade da justia. H um leitor interessado em entender o que est escrito o mais rpido possvel e de forma precisa para dar prosseguimento ao trabalho. Transcrevo exemplos que devem ser evitados.

a) Estribado no esclio do saudoso mestre baiano, o pedido contido na exordial no logrou agasalho.

b) Os adjetivos podem vir, mas que se separem os adjetivos e os advrbios de modo, para que fiquemos com o substantivo. E o Tribunal que decidir substantivos, no propriamente adjetivos, nem advrbios de modo. Vamos reduzir, digamos, a liturgia da adverbiao para caminharmos para o compromisso da substantivao.

c) Ementa de Tribunal: Adultrio. Para o flagrante de adultrio, no indispensvel prova de seminatio in vas, nem o encontro dos infratores nudo cum nudo in eodem cubculo. Basta que, pelas circunstncias presenciadas, se possa inferir como quebrada materialmente a fidelidade conjugal.

d) V. Ex, data mxima vnia, no adentrou as entranhas meritrias doutrinrias e jurisprudenciais acopladas na inicial, que caracterizam, hialinamente, o dano sofrido.

e) Procura o ru escoimar-se da Jurisdio Penal, por suas pueris alegaes.

f) E vem ora o querelante vestir-se com o cretone da primariedade como se isso o eximisse de responsabilidade.

g) A acusao enjambra-se em seus prprios argumentos.

A Comisso de Constituio e Justia da Cmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 7.448, criado para garantir que sentenas judiciais empreguem linguagem acessvel. Tambm a Associao dos Magistrados Brasileiros (AMB) defende uso mais adequado da linguagem jurdica e cita vocbulos a serem evitados:

Abroquelar (fundamentar)

Apelo extremo (recurso extraordinrio)

Arepago (Tribunal)

Com espeque no artigo (com base no artigo)

Consorte suprstite (vivo)

Ergstulo pblico (cadeia)

Estipndio funcional (salrio)

Exordial (pea ou petio inicial)

Fulcro (fundamento)

Indigitado (ru)

Pea increpatria (denncia)

Pea vestibular (pea ou petio inicial)

Pretrio Excelso (Supremo Tribunal Federal)

Proemial delatria (denncia)

Prologal (pea ou petio inicial)

1.3 Nveis de linguagem

A lngua apresenta diversidade de expresso imensa. Nossa forma de expressar est relacionada a inmeras variveis. Assim, usamos determinada linguagem em famlia, outra com amigos, outra ainda no trabalho. Ao conversarmos com uma criana, falaremos de uma forma. Ao proferirmos uma palestra, j ser outra. Essa capacidade de expresso possui diversos nveis.

A linguagem empregada no ambiente jurdico e no servio pblico deve ser formal e culta. No entanto, isso no significa linguagem rebuscada, incompreensvel. comum encontrar textos jurdicos com verdadeiras acrobacias lingusticas com desprezvel contedo.

Exemplo de linguagem rebuscada:

O vetusto vernculo manejado no mbito dos Excelsos Pretrios, inaugurado a partir da pea ab ovo, contaminando as splicas do petitrio, no repercute na cognoscncia dos frequentadores do trio forense. Ad excepcionem o instrumento do Remdio Heroico e o Jus Laboralis, onde o jus postulandi sobeja em beneplcito do paciente e do obreiro.

Hodiernamente, no mesmo diapaso, elencam-se os empreendimentos in Judicium Specialis, curiosamente primando pelo rebuscamento, ao revs do perseguido em sua prima gnese (...).

Fragmento do artigo Entendeu?, de Rodrigo Collao, presidente da AMB.

Tambm no deve ser coloquial, com grias, regionalismos etc. Exemplo de linguagem coloquial:

E a, doutor, vou ou no vou ganhar minha indenizao? perguntou por e-mail o cliente. O advogado prontamente respondeu: O egrgio tribunal acolheu o supedneo de nosso arrazoado e reformou a sentena prolatada dando a lide como transitada em julgado em prol do deprecante. O cliente, perplexo, ficou na mesma. S entendeu o que o advogado quisera dizer quando, no final da mensagem, viu um parabns. Ou seja: vai ganhar, sim, a indenizao(...).

Fragmento do artigo Falar difcil, de Joaquim Falco, diretor da Escola de Direito da FGV.

1.3.1 Clareza

Habilidade de transpor com exatido uma ideia ou pensamento para o papel. O texto deve ser claro de tal forma que no permita interpretao equivocada ou demorada pelo leitor. A compreenso deve ser imediata. importante usar vocabulrio acessvel, redigir oraes na ordem direta, utilizar perodos curtos e eliminar o emprego excessivo de adjetivos. Deve-se excluir da escrita ambiguidade, obscuridade ou rebuscamento.

O texto claro pressupe o uso de sintaxe correta e de vocabulrio ao alcance do leitor. O Supremo Tribunal Federal, em seu Manual de Redao, recomenda para obteno de clareza:

a) releia o texto vrias vezes aps escrev-lo, para assegurar-se de que est claro;

b) empregue a linguagem tcnica apenas em situaes que a exijam e tenha o cuidado de explicit-la em comunicaes a outros rgos ou em expedientes voltados para os cidados;

c) certifique-se de que as conjunes realmente estabeleam as relaes sintticas desejadas, no entanto evite o uso excessivo de oraes subordinadas, pois perodos muito subdivididos dificultam o entendimento;

d) utilize palavras e expresses em outro idioma apenas quando forem indispensveis, em razo de serem designaes ou expresses de uso j consagrado ou de no terem exata traduo. Nesse caso, grafe-as em itlico.

Observe texto com falta de clareza.

Vossa Excelncia, data maxima venia, no adentrou s entranhas meritrias doutrinrias e jurisprudenciais acopladas no inicial, que caracterizam, hialinamente, o dano sofrido.

Veja como fica melhor na redao da professora Hlide Santos Campos.

Vossa Excelncia no observou devidamente a doutrina e a jurisprudncia citadas na inicial, que caracterizam, claramente, o dano sofrido.

Outro texto com falta de clareza.

Com espia no referido precedente, plenamente afincado, de modo consuetudinrio, por entendimento turmrio iterativo e remansoso, e com amplo supedneo na Carta Poltica, que no preceitua garantia ao contencioso nem absoluta nem ilimitada, padecendo ao revs dos temperamentos constritores limados pela dico de meridiana clareza, tornando despicienda maior perorao, que o apelo a este Pretrio se compadece do imperioso prequestionamento da matria abojada na insurgncia abordada no Acrdo guerreiro, sem o que estril se mostrar a irresignao, inviabilizada ab ovo por carecer de pressuposto essencial ao desabrochar da operao cognitiva.

Veja como fica melhor na redao do advogado Sabitini Giampietro Netto.

Um recurso, para ser recebido pelos tribunais superiores, deve abordar matria explicitamente tocada pelo tribunal inferior ao julgar a causa. Isso no ocorrendo, sem anlise do mrito da questo.

Observe modelo de texto com clareza.

O exame da viabilidade tcnico-econmica da obra ou servio pea fundamental no processo de contratao e deve conter os elementos necessrios, suficientes e atualizados, com preciso adequado, para caracterizar devidamente a obra. Deve, ainda, contar com estudos tcnicos e ambientais que subsidiem a anlise, em conformidade com o art. 6, inciso IX, da Lei 8.666, de 21 de junho de 1993.

A jurisprudncia desta Corte de Contas no sentido de que a anlise da viabilidade tcnico-econmica da contratao, inserida no projeto bsico ou termo de referncia, deve estar fundamentada adequadamente por meio de estudos tcnicos preliminares atualizados (Acrdos 1.568/2008, 397/2008, 1.273/2007, 481/2007, 222/2007, 2.338/2006 e 1.730/2004, todos do Plenrio).

Desse modo, a inexistncia de estudos tcnicos adequados que subsidiem de forma adequada a anlise da viabilidade econmica do projeto configura irregularidade, afrontando a lei e reiterada jurisprudncia do TCU.

Outro modelo de texto com clareza.

O Supremo Tribunal Federal, tratando da responsabilizao pelo parecer vinculativo, permite a responsabilidade solidria do parecerista em conjunto com o gestor, conforme voto condutor proferido em julgamento do Plenrio (MS 24631/DF, de 9/8/2007, Relator Ministro Joaquim Barbosa):

B) Nos casos de definio, pela lei, de vinculao do ato administrativo manifestao favorvel no parecer tcnico jurdico, a lei estabelece efetivo compartilhamento do poder administrativo de deciso, e assim, em princpio, o parecerista pode vir a ter que responder conjuntamente com o administrador, pois ele tambm administrador nesse caso. (grifos acrescidos).

Vale ressaltar que o pargrafo nico do artigo 38 da Lei 8.666/1993 prescreve que as minutas de editais de licitao, bem como as dos contratos, acordos, convnios ou ajustes, devem ser previamente examinadas e aprovadas por assessoria jurdica da Administrao. O Ministro do STF, Marco Aurlio de Mello, ao discorrer sobre a responsabilidade do consultor jurdico, assim se pronunciou no voto condutor do MS 24584/DF, de 9/8/2007, de sua relatoria:

Da a lio de Maral Justen Filho em Comentrios Lei de Licitaes e Contratos Administrativos, 8 edio, pgina 392, citada no parecer da Consultoria Jurdica do Tribunal de Contas da Unio, no sentido de que, ao examinar e aprovar os atos da licitao, a assessoria jurdica assume responsabilidade pessoal solidria pelo que foi praticado.

Evite rebuscamento ou arcasmos que podem comprometer a clareza ou a correo gramatical.

Evitar

Preferir

trancatrio

denegado

vergastado

recorrido

ostilizada

recorrida

espalma

indica

empilha

traz, coleciona

vazada, lanada

proferida, consignada

em sede de Recursono recurso

em sede extraordinriaem instncia extraordinria

sendo assim

Assim

a teor

nos termos, conforme, de acordo

no que pertine

no que concerne, quanto a

nem tampouco

tampouco

hiptese

na hiptese

descabe falar

no h falar

Egrgio, Colendo

egrgio, colendo

inobstante

no obstante

abroquear

fundamentar

apelo extremo

recurso extraordinrio

arepago

tribunal

com espeque

com base

com fincas

com base

com supedneo

com base

estribado

com base

excelso Sodalcio

Supremo Tribunal Federal

indigitado

ru

pea incoativa

petio inicial

petio de intrito

petio inicial

pea increpatria

denncia

proemial delatria

denncia

1.3.2 Conciso

Ser conciso informar o mximo em um mnimo de palavras. No se deve, no entanto, eliminar informao essencial apenas para reduzir-lhe o tamanho. Os itens que nada acrescentam ao que j foi dito que necessitam ser eliminados. Mais que curtas e claras, as expresses empregadas devem ser precisas. Observe exemplo a seguir.

A partir desta dcada, o nmero cada vez maior e, por isso mesmo, mais alarmante de desempregados, problema que aflige principalmente os pases em desenvolvimento, tem alarmado as autoridades governamentais, guardis perenes do bem-estar social, principalmente pelas consequncias adversas que tal fato gera na sociedade, desde o aumento da mortalidade infantil por desnutrio aguda at o crescimento da violncia urbana que aterroriza a famlia, esteio e clula-mater da sociedade.

Se esse mesmo trecho for reescrito sem a carga informativa desnecessria, obtm-se um texto conciso e no prolixo:

O nmero cada vez maior de desempregados tem alarmado as autoridades governamentais, pelas consequncias adversas que tal fato gera na sociedade, desde o aumento da mortalidade infantil por desnutrio aguda at o crescimento da violncia urbana.

Recomendaes:

a) revise o texto e retire palavras inteis, repeties desnecessrias de ideias, desmedida adjetivao e perodos extensos e emaranhados. No acumule pormenores irrelevantes. O Manual do Tribunal de Justia do Distrito Federal e Territrios afirma que, nos documentos jurdicos, costumam-se empregar diversos adjetivos para qualificar os substantivos a que se referem, como pretrio excelso, douto magistrado, augusto presidente, respeitvel deciso, elevado e digno ministro, sobrelevado rgo recursal, entre outros. Esses adjetivos devem ser evitados, por no acrescentarem informao necessria ao texto e por serem contrrios aos princpios da conciso e da clareza;

b) dispense, sempre que possvel, os verbos auxiliares, em especial ser, ter e haver, pois a recorrncia constante a eles torna a redao montona, cansativa;

c) prefira palavras breves. Entre duas palavras opte pela de menor extenso;

d) dispense, nas datas, os substantivos dia, ms e ano: no dia 12 de janeiro (em 12 de janeiro), no ms de fevereiro (em fevereiro), no ano de 2012 (em 2012);

e) troque a locuo verbo + substantivo pelo verbo: fazer uma viagem (viajar), fazer uma redao (redigir), pr as ideias em ordem (ordenar as ideias), pr moedas em circulao (emitir moedas);

f) use aposto em lugar de orao apositiva: O contrato previa a construo da ponte em um ano, que era prazo mais do que suficiente (O contrato previa a construo da ponte em um ano, prazo mais do que suficiente);

g) empregue particpio para reduzir oraes: Agora que expliquei o ttulo, passo a escrever o texto (Explicado o ttulo, passo a escrever o texto);

h) elimine, sempre que possvel, os indefinidos um e uma: Dante quer (um) inqurito rigoroso e rpido. Timor-Leste se torna (uma) terra de ningum. A cultura da paz (uma) iniciativa coletiva.

i) seja conciso nas correspondncias tambm. Selecionei alguns exemplos:

Em vez de

Escreva

Servimo-nos da presente para informar

Informamos

Venho pela presente informar

Informamos

Por intermdio desta comunicamos-lhes

Comunicamos; informamos

Desejamos levar ao conhecimento de

Informamos-lhes que

Se possvel, gostaramos que nos informassem

Informem-nos sobre

Tendo chegado ao nosso conhecimento que

Informados que

Levamos ao seu conhecimento

Comunicamos; informamos

Vimos pela presente encaminhar-lhes

Encaminhamos

Por intermdio desta solicitamos

Solicitamos

Por obsquio, solicitamos que verificassem

Solicitamos verificar

Formulamos a presente para solicitar

Solicitamos

Vimos solicitar

Solicitamos

Acusamos o recebimento

Recebemos

Chegou-nos s mos

Recebemos

Encontra-se em nosso poder

Recebemos

com satisfao que acusamos o recebimento

Recebemos

Temos a honra de convidar

Convidamos

Temos a satisfao de comunicar

Comunicamos

Vimos pela presente agradecer

Agradecemos

Pedimos a gentileza de nos enviar

Solicitamos nos enviem; enviem-nos

Efetivamos-lhes uma remessa de

Remetemos-lhes

Ficamos no aguardo de suas notcias

Aguardamos informaes

Procedemos a escolha

Escolhemos

Faa chegar s mos de

Envie a

Anexo presente

Anexo

Seguem em anexo

Anexamos

Enviamos em anexo

Enviamos

Conforme acordado

De acordo

Conforme seguem abaixo relacionados

Relacionados a seguir

Acima citado

Citado

Antecipadamente gratos

Agradecemos

Durante o ano de 2006

Em 2006

Com referncia a

Referente a

Sem outro particular para o momento

Agradecemos a ateno

Sendo o que tinha a informar

Agradecemos a ateno

Sem mais para o momento

Agradecemos a ateno

Com estima e considerao

Agradecemos a ateno

1.3.3 Formalidade e correo gramatical

A utilizao do padro formal de linguagem representa texto correto em sua sintaxe, claro em seu significado, coerente e coeso em sua estrutura, elegante em seu estilo. Ser culto no ser rebuscado. As incorrees gramaticais desmerecem o redator e a prpria instituio. comum encontrar textos com verdadeiras acrobacias lingusticas com desprezvel contedo. Tambm no deve ser coloquial, com grias, regionalismos etc.

Como produzir texto formal e simples?

1. evitar expresses e clichs do jargo burocrtico e as formas arcaicas de construo de frases, assim como o coloquialismo e a gria;

inadequado

adequado

ao apagar das luzes

no final

depois de longo e tenebroso invernoaps muito tempo

dizer cobras e lagartos

expressar abertamente

mestre Aurlio

dicionrio

obra faranica

obra grande

voltar estaca zero

retornar ao incio

2. preferir, em qualquer ocasio, a palavra simples.

3. adotar como norma a ordem direta da frase, por ser a que conduz mais facilmente o leitor essncia da mensagem.

Modelo de texto formal e simples

Encaminho a Vossa Excelncia cpia do Acrdo n. XX, acompanhado do relatrio e voto que o fundamentam, adotado por este Tribunal em Sesso XX.

2 Informo que o no cumprimento deciso do Tribunal sujeita o responsvel multa prevista no art. 58, 1, da Lei n 8.443/92.

3. Por fim, solicito devoluo imediata da 2 via deste ofcio, com o ciente de Vossa Excelncia.

1.3.4 Objetividade

A objetividade consiste em ir diretamente ao assunto com informao e pensamento claro e concreto para o leitor. No h espao para rodeios. escrever ideias fundamentadas em fatos e(ou) interpretaes lgicas. Observe texto com falta de objetividade retirado de revista de grande circulao nacional.

Investigar as causas principais que fizeram desabrochar no meu esprito durante os anos to distantes da infncia que no voltam mais e da qual poucos traos guardo na memria, j que tantos anos se escoaram, a vocao para a Engenharia tarefa que pelas razes expostas, me praticamente impossvel e, ouso acrescentar que, mesmo para um psiclogo acostumado a investigar as profundezas da mente humana, essa pesquisa seria sobremodo rdua para no dizer impossvel.

Observe texto com falta de objetividade retirado de revista de grande circulao nacional.

Texto subjetivo

Investigar as causas principais que fizeram desabrochar no meu esprito durante os anos to distantes da infncia que no voltam mais e da qual poucos traos guardo na memria, j que tantos anos se escoaram, a vocao para a Engenharia tarefa que pelas razes expostas, me praticamente impossvel e, ouso acrescentar que, mesmo para um psiclogo acostumado a investigar as profundezas da mente humana, essa pesquisa seria sobremodo rdua para no dizer impossvel.

Texto objetivo

Investigar as causas principais que, na infncia, despertaram em mim vocao para a Engenharia tarefa praticamente impossvel, mesmo para um psiclogo.

Texto subjetivo

O assassnio do Presidente Kennedy, naquela triste tarde de novembro, quando percorria a cidade de Dallas, aclamado por numerosa multido, cercado pela simpatia do povo do grande Estado do Texas, terra natal, alis, do seu sucessor, o Presidente Johnson, chocou a humanidade inteira no s pelo impacto emocional provocado pelo sacrifcio do jovem estadista americano, to cedo roubado vida, mas tambm por uma espcie de sentimento de culpa coletiva, que nos fazia, por assim dizer, como que responsveis por esse crime estpido, que a Histria, sem dvida, gravar como o mais abominvel do sculo.

Texto objetivo

O assassnio do Presidente Kennedy chocou a humanidade inteira, no s pelo impacto emocional, mas tambm por um sentimento de culpa coletiva por um crime que a Histria gravar como o mais abominvel do sculo.

Como produzir texto objetivo?

1. usar frases curtas e evitar intercalaes excessivas ou inverses desnecessrias.

Inadequado: O maior pas da Amrica Latina apesar de ainda desconhecer seu potencial imenso parece ter encontrado o caminho do progresso to esperado pela populao.

Adequado: O Brasil parece ter encontrado o caminho do progresso.

2. eliminar os adjetivos que no contribuam para a clareza do pensamento.

Inadequado: A maravilhosa cidade de Braslia, capital do Brasil, representar nosso imenso pas.

Adequado: Braslia representar o Brasil.

3. cortar os advrbios ou as locues adverbiais dispensveis.

Inadequado: Desde sempre e nos dias de hoje, h necessidade de estudo.

Adequado: H necessidade de estudo sempre.

4. ser econmico no emprego de pronomes pessoais, pronomes possessivos e pronomes indefinidos. Evitar, por exemplo, um tal, um outro, um certo, um determinado, pois termos indefinidos juntos no contribuem para maior clareza, ao contrrio, tornam o texto obscuro.

Inadequado: Um tribunal de So Paulo produziu um parecer contrrio.

Adequado: Tribunal de So Paulo produziu parecer contrrio.

5. procurar restringir o uso de conjunes e de pronomes relativos (que, qual, cujo).

Inadequado: O processo que foi arquivado e que apresentava informaes que eram relevantes.

Adequado: O processo arquivado apresentava informaes relevantes.

6. no usar expresses irrelevantes, pois tornam o texto artificial.

Inadequado: O STF, que fica em Braslia, decidiu assim.

Adequado: O STF decidiu assim.

7. no usar figuras de linguagem, frases ambguas.

Inadequado: O tribunal fogo para decidir.

Adequado: O tribunal criterioso para decidir.

8. se puder optar, escolher a voz ativa.

Inadequado: A deciso foi divulgada pelo Tribunal.

Adequado: O Tribunal divulgou a deciso.

9. no externar opinies, reunir fatos. Este tpico muito importante em nosso curso e ser bem abordado no ltimo mdulo.

10. usar palavras especficas, pertinentes ao assunto. Outro tpico a ser abordado com destaque no ltimo mdulo.

1.3.5 Simplicidade

Redigir com simplicidade significa escrever para o leitor. Se ele especialista na rea de seu conhecimento, pode-se empregar linguagem mais tcnica. Se no, deve-se escrever com um vocabulrio adequado situao. O bom senso estabelecer o equilbrio entre a linguagem tcnica e a comum. Com palavras adequadas e de conhecimento amplo, possvel escrever de maneira direta e compreensvel.

Recomendaes:

a) evite expresses e clichs do jargo burocrtico e as formas arcaicas de construo de frases, assim como o coloquialismo e a gria;

b) prefira, em qualquer ocasio, a palavra simples.

c) adote como norma a ordem direta da frase, por ser a que conduz mais facilmente o leitor essncia da mensagem.

1.3.6 Estilo

O Manual do Senado afirma que h quem pretenda justificar como particularidade de estilo o uso sistemtico de figuras de retrica, de expresses enviesadas e de tantos outros enfeites lingusticos que normalmente comprometem a clareza do texto e dificultam sua compreenso.

Se tal uso admissvel nas peas literrias e nos discursos, que amide se utilizam de linguagem refinada e grandiloquente, ele se revela inadequado redao jurdica, que devem primar pela clareza e objetividade.

O artigo 11 da Lei Complementar n 95, de 26 de fevereiro de 1998, aborda tambm o assunto. Observe as recomendaes:

a) clareza, que torna o texto inteligvel e decorre:

do uso de palavras e expresses em seu sentido comum, salvo quando o assunto for de natureza tcnica, hiptese em que se empregaro a nomenclatura e terminologia prprias da rea;

da construo de oraes na ordem direta, evitando preciosismos, neologismos, intercalaes excessivas, jargo tcnico, lugares-comuns, modismos e termos coloquiais;

do uso do tempo verbal, de maneira uniforme, em todo o texto;

do emprego dos sinais de pontuao de forma judiciosa, evitando os abusos estilsticos;

b) preciso, que complementa a clareza e caracteriza-se pela:

articulao da linguagem comum ou tcnica para a perfeita compreenso da ideia veiculada no texto;

manifestao do pensamento ou da ideia com as mesmas palavras, evitando o emprego de sinonmia com propsito meramente estilstico;

escolha de expresso ou palavra que no confira duplo sentido ao texto;

escolha de termos que tenham o mesmo sentido e significado em todo o territrio nacional ou na maior parte dele, evitando o emprego de expresses regionais ou locais;

c) coerncia, que implica a exposio de ideias bem elaboradas, que tratam do mesmo tema do incio ao fim do texto em sequncia lgica e ordenada. Isso significa que o texto deve conter apenas as ideias pertinentes ao assunto proposto;

d) conciso, alcanada quando se apresenta a ideia com o mnimo de palavras possvel, o que importa no uso de frases breves, na eliminao dos vocbulos desnecessrios e na substituio de palavras e termos longos por outros mais curtos;

e) consistncia, decorrente do emprego do mesmo padro e do mesmo estilo na redao do texto, o que evita a contradio ou dubiedade entre as ideias expostas.

1.3.7 O que deve ser evitado

a) repetio de palavras e utilizao de termos cognatas, tais como: designao e designado, compete e competente, etc.;

b) uso de expresso ou palavra que configure duplo sentido no texto;

c) expresses regionais;

d) palavras ou expresses de lngua estrangeira, exceto quando indispensveis, em razo de serem designaes ou expresses de uso j consagrado ou que no tenham exata traduo. Nesse caso, a palavra ou expresso deve ser grafada em itlico ou entre aspas. Tomem-se como exemplos: ad referendum ou ad referendum, royalties ou royalties.

e) diviso silbica. Caso isso seja inevitvel, as recomendaes a seguir daro ao texto maior legibilidade e elegncia: nunca dividir grupos voclicos: ai, ui, o, etc.; no deixar letra isolada em uma linha; no deixar isoladas slabas s quais se possa atribuir outro sentido; no separar nmeros; nos casos de palavras compostas, no se deve repetir o hfen na linha seguinte; evitar a separao de hiatos e de nomes prprios; evitar a separao de palavras de lngua estrangeira.

f) pleonasmo. Trata-se de repetio de termos que, em certos casos, tm emprego legtimo, para conferir expresso mais fora, mais vigor, ou mesmo por questo de clareza. Na frase Conhea-te a ti mesmo, atribuda a Scrates, a redundncia (te = a ti) produz inegvel efeito retrico. exceo desses casos, o pleonasmo constitui vcio inadequado na linguagem formal.

Observe o fragmento a seguir:

No provado o dano supostamente sofrido, nem tampouco o nexo de causalidade entre a causa alegada e o prejuzo, impossvel o deferimento de indenizao compensatria pleiteada. Recurso ordinrio improvido.

Pode-se observar o emprego da construo nem tampouco. A expresso tampouco j tem sentido negativo e equivale a tambm no. O emprego da segunda negativa (nem) , portanto, redundante. Aproveito para explicar que a expresso tampouco deve ser empregada aps orao negativa, da qual deve ser separada por vrgula. Observe exemplo adequado: No provou o dano, tampouco o nexo de causalidade.

Segue lista de pleonasmos viciosos: abertura inaugural, acordo amigvel, adiar para depois, apenas to s (apenas to somente), apertada sntese, breve alocuo, cada um dos participantes, compartilhar com, criar novos cargos, deferimento favorvel, detalhe minucioso, elo de ligao, e nem, encarar de frente, errio pblico, exceder em muito, expectativa futura, experincia anterior, expressamente proibido, exultar de alegria (de felicidade), fato verdico, frequentar constantemente, ganhar grtis, h dois anos atrs, habitat natural, outra alternativa, panorama geral, peculiaridade prpria, pessoa humana, planejar antecipadamente, prever antes (antecipadamente), prosseguir adiante, reincidir novamente, repetir de novo (outra vez), supervit, positivo, supracitado acima (anteriormente), surpresa inesperada, todos foram unnimes, tornar a repetir, totalmente lotado

g) chavo. lugar comum, clich. o que se faz, se diz ou se escreve por costume. De tanto ser repetido, o chavo perde a fora original, envelhece o texto. Recorrer a eles poder denotar falta de imaginao, preguia ou pobreza vocabular. Por isso, deve-se procurar evit-los. Exemplos de chaves:

a cada dia que passa

a olhos vistos

abrir com chave de ouro

acertar os ponteiros

ao apagar das luzes

assolar o pas

astro-rei (sol)

baixar a guarda

cair como uma bomba

calor escaldante

crtica construtiva

depois de longo e tenebroso

inverno

dizer cobras e lagartos

em s conscincia

estar no fundo do poo

hora da verdade

inflao galopante

inserido no contexto

mestre Aurlio (dicionrio)

obra faranica

bvio ululante

parece que foi ontem

passar em brancas nuvens

perda irreparvel

perder o bonde da histria

pomo da discrdia

silncio sepulcral

singela homenagem

tbua de salvao

vaias estrepitosas

voltar estaca zero

2

_____________________________

Normatizaes e padronizaes

2.1 Elementos normativos

Artigo

O artigo a unidade bsica para apresentao, diviso ou agrupamento de assuntos num texto legal. Pode desdobrar-se em pargrafos ou em incisos; os pargrafos em incisos; os incisos em alneas e as alneas em itens. (Lei Complementar n 95, de 26 de fevereiro de 1998, art. 10, II.)

Emprega-se a palavra artigo:

a) na forma abreviada (art.), seguida do ordinal at o art. 9o , dispensando-se o ponto entre o numeral e o texto. A partir do art. 10, emprega-se o cardinal, seguido de ponto:

Art. 5o Nas eleies proporcionais (...).

Art. 10. Cada partido poder registrar (...).

b) por extenso, se vier empregada em sentido genrico ou desacompanhada do numeral: Fez referncia ao artigo anterior da lei.

O texto de um artigo inicia-se por maiscula e encerra-se por ponto-final. Quando se subdivide em incisos, a disposio principal, chamada caput (do latim, cabea), encerra-se por dois-pontos e as subdivises encerram-se por ponto-e-vrgula, exceto a ltima, que terminar por ponto-final.

Em citaes, emprega-se a forma abreviada art., seguida de algarismo arbico e do smbolo de numeral ordinal at o nove: O fundamento o art. 5 da Constituio. A partir do nmero dez, emprega-se apenas o algarismo arbico correspondente: Fizemos referncia ao art. 10.

Pargrafos

Os pargrafos so divises imediatas do artigo e podem conter explicaes ou modificaes da proposio anterior. So representados pelo sinal grfico , forma entrelaada dos esses iniciais da expresso latina signum sectionis (sinal de seo, corte).

Usa-se o sinal grfico :

a) antes do texto do pargrafo, quando seguido de nmero. Emprega-se o ordinal at o nono, dispensando-se o ponto entre o numeral e o texto. A partir do 10, emprega-se a numerao cardinal, seguida de ponto:

1o Qualquer cidado no gozo de seus direitos polticos poder (...).

11. A violao do disposto neste artigo sujeita (...).

b) nas citaes e referncias bibliogrficas:

Agiu nos termos do art. 37, 4o, da Constituio Federal.

Emprega-se o sinal grfico duplo , quando seguido de nmero, indicando mais de um pargrafo: O art. 32 e seus 4o e 5o esclarecem o assunto.

Usa-se a palavra pargrafo por extenso quando:

a) o pargrafo for nico:

Art. 43. permitida (...)

Pargrafo nico. A inobservncia dos limites estabelecidos (...);

A forma p. nico somente ser usada nas referncias, entre parnteses: (art. 32, p. nico, do Cdigo Eleitoral).

b) o sentido for vago, indeterminado, e estiver desacompanhado do nmero:

Isso se refere ao pargrafo anterior.

O texto de um pargrafo inicia-se por maiscula e encerra-se por ponto-final. Quando se subdivide em incisos, empregam-se dois-pontos antes das subdivises, que se separam por ponto-e-vrgula, exceto a ltima, terminada por ponto-final.

Incisos

Os incisos so usados como elementos discriminativos do caput de um artigo ou de um pargrafo. Eles vm aps dois-pontos, so indicados por algarismos romanos, seguidos de travesso e separados por ponto-e-vrgula, exceto o ltimo, que se encerra por ponto-final. As iniciais dos textos dos incisos so minsculas:

Art. 118. So rgos da Justia Eleitoral:

I o Tribunal Superior Eleitoral;

II os tribunais regionais eleitorais;

III os juzes eleitorais;

IV as juntas eleitorais (Constituio Federal).

Quando citado em ordem direta, o inciso deve ser grafado por extenso: a alnea c do inciso V (...). Na ordem indireta, o nome inciso pode ser suprimido: o art. 67, IX, c, do Regimento Interno.

Alneas

As alneas so desdobramentos dos incisos e vm indicadas por letras minsculas seguidas de parnteses. Quanto s iniciais e pontuao dos textos das alneas, empregam-se as mesmas regras dos incisos:

Art. 14. (...)

1o O alistamento eleitoral e o voto so:

I obrigatrios para os maiores de dezoito anos;

II facultativos para:

a) os analfabetos;

b) os maiores de setenta anos;

c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos (Constituio Federal).

Quando citada em ordem direta, a alnea deve ser grafada por extenso: a alnea c do inciso V (...). Na ordem indireta, o nome alnea pode ser suprimido: o art. 67, IX, c, do Regimento Interno.

Itens

Os itens so desdobramentos das alneas e vm indicados por algarismos arbicos. As letras iniciais e a pontuao dos textos dos itens seguem o padro dos incisos:

Art. 1o So inelegveis:

(...)

II para presidente e vice-presidente da Repblica:

a) at 6 (seis) meses depois de afastados definitivamente de seus cargos e funes:

1 os ministros de Estado;

2 os chefes dos rgos (...) (Lei Complementar no 64, de 18 de maio de 1990).

Observaes:

b) Por ser um termo latino, caput deve ser destacado (itlico ou negrito): O caput do art. 91 da Constituio. Quando citado na ordem indireta, deve vir entre vrgulas: O art. 91, caput, da Constituio.

c) Alguns manuais de redao oficial orientam a no empregar a abreviatura de nmero. Assim, indicam: Lei 6.368/1976; Resoluo 3/1999.

2.2 Pontuao com elementos normativos

Ao citar referncias de elementos articulados, geralmente surgem dvidas em relao ao uso de vrgulas. Vamos esclarecer:

a) ordem direta crescente, ligada pela preposio de, no recebe vrgula:

O processo est baseado nos incisos I e II do artigo 226 do Cdigo Penal.

O advogado recorreu com base na alnea d do inciso III do artigo 593 do Cdigo de Processo Penal.

A autorizao est fundamentada corretamente com base na alnea b do inc. II do art. 10 da Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993.

Observe que, no ltimo exemplo, a vrgula aparece somente por causa da data.

b) sequncia em ordem indireta, mesmo com a preposio de, separada por vrgula.

Tal situao regulada no art. 302, inc. III, do Cdigo de Processo Penal.

O art. 5o, inc. XXXVI, da Constituio de 1988 repete a regra do art. 153, 3o, da Constituio de 1967.

Erros comuns:

A art. 14, b do Cdigo de Processo Penal (faltou a vrgula aps a alnea).

O art. 14, do Cdigo de Processo Penal (no existe a vrgula aps o nmero do artigo, pois est na ordem crescente).

2.3 Pontuao em atos normativos

Dvida comum a existncia ou no de vrgula antes da data do ato normativo:

A Portaria 8, de 20 de maro de 2008 (com vrgula).

A Portaria 8 de 20 de maro de 2008 (sem vrgula).

H duas situaes especficas:

a) algumas instituies numeram seus atos normativos de forma contnua. A numerao segue sequncia de ano para ano. Se a ltima portaria publicada em dezembro foi nmero 18. Em janeiro do ano seguinte ser 19. Assim, s existe uma portaria com cada nmero naquela instituio. A data que aparecer em seguida indicar ideia explicativa.

b) outros rgos optam por iniciar a cada ano nova numerao e retornam ao nmero 1 em janeiro sempre. Assim, existem diversas portarias 1, 2, 3, 4 etc. A data a seguir indicar ideia restritiva, pois indicar exatamente a que portaria se refere.

Em nosso idioma, ideia explicativa deve aparecer com vrgula. Por isso, deve-se colocar vrgula no caso dos atos normativos publicados pelas instituies que seguem o primeiro caso:

Portaria 168, de 14 de junho de 2007 (s existe uma portaria com esse nmero na instituio).

Nas instituies que seguem o segundo caso, a ideia passa a ser restritiva e no pode ocorrer a vrgula.

Portaria 20 de 16 de outubro de 2005 (existem outras portarias com o nmero 20 na instituio. A ausncia da vrgula indica ideia restritiva).

2.4 Referncia a texto legal

A primeira referncia a texto legal deve ser feita por extenso: Lei n 8.177, de 1o de maro de 1991. Nas seguintes, pode-se empregar a forma reduzida: Lei n 8.177, de 1991 ou Lei n 8.177/ 91. Portaria n 10, de 20 de maro de 2004. Nas seguintes: Portaria n 10/2004.

Usa-se inicial maiscula e por extenso quando h referncia expressa a um diploma legal: Lei n 8.112; Portaria n 28; Resoluo n 113; Decreto-Lei n 2.354. Em sentido generalizado, usa-se com inicial minscula: A lei a fonte imediata da justia em um pas.

Quando se tratar de referncia legislao, colocada entre parnteses, a expresso pode ser abreviada: O referido dispositivo (DL 2.354/92).

2.5 Nomenclatura dos feitos

Em sentido generalizado, as iniciais devem ser minsculas: O mandado de segurana o remdio adequado para. Devero ser usadas iniciais maisculas quando se tratar de um julgado especfico: O Agravo de Instrumento n 89.01.07582-6/MG. Habeas Corpus n 90.01.02123-7/RO.

2.6 Pronomes de tratamento

O conhecimento adequado no uso dos pronomes de tratamento fundamental em instituies pblicas. necessrio ateno para o seu uso em trs momentos distintos: no vocativo, no corpo do texto e no endereamento.

Grafia

No se devem abreviar os pronomes de tratamento no endereamento, no encaminhamento, no vocativo e em comunicaes dirigidas a altas autoridades dos Poderes da Repblica e a altas autoridades eclesisticas. A forma por extenso demonstra maior respeito e deferncia, sendo, pois, recomendvel em correspondncia mais formal ou cerimoniosa.

Na correspondncia interna, nada impede que se abrevie a forma de tratamento no texto. Entretanto, mais conveniente que se utilizem as formas por extenso por serem mais elegantes e mais adequadas norma culta da lngua portuguesa.

Concordncia com o pronome de tratamento

Vossa: empregado para a pessoa com quem se fala, a quem se dirige a correspondncia.

Sua: empregado para a pessoa de quem se fala.

Concordncia de pessoa

Os pronomes de tratamento, embora se refiram pessoa com quem se fala, concordam com a terceira pessoa. O verbo concorda com o substantivo que integra a locuo: Vossa Senhoria saber encaminhar o problema. Tambm os pronomes possessivos referentes a pronomes de tratamento so sempre os da terceira pessoa: Solicito que Vossa Senhoria encaminhe seu pedido (e no vosso pedido).

Concordncia de gnero

Faz-se a concordncia no com o gnero gramatical, mas com o sexo da pessoa representada pelo pronome de tratamento. Ex.: Vossa Senhoria ser arrolado como testemunha; Vossa Excelncia ser informada imediatamente sobre a soluo dada ao caso; Diga a Sua Excelncia que ns o aguardamos no aeroporto.

Excelncia ou Senhoria

So tratados por excelncia:

Poder Executivo

Presidente da Repblica

Vice-Presidente da Repblica

Ministros de Estado

Secretrio-Geral da Presidncia da Repblica

Consultor-Geral da Repblica

Advogado-Geral da Unio

Chefe do Estado-Maior das Foras Armadas

Chefe do Gabinete Militar da Presidncia da Repblica

Chefe do Gabinete Pessoal do Presidente da Repblica

Secretrios da Presidncia da Repblica

Procurador-Geral da Repblica

Governadores e Vice-Governadores de Estado e do Distrito Federal

Chefes de Estado-Maior das Trs Armas

Oficiais-Generais das Foras Armadas

Embaixadores

Secretrio Executivo e Secretrio Nacional de Ministrios

Secretrios de Estado dos Governos Estaduais

Prefeitos Municipais

Poder Legislativo

Presidente, Vice-Presidente e membros da Cmara dos Deputados e do Senado Federal

Presidente e membros do Tribunal de Contas da Unio

Presidentes e membros dos tribunais de contas estaduais

Presidentes e membros das assembleias legislativas estaduais

Presidentes das cmaras municipais

Poder Judicirio

Presidente e membros do Supremo Tribunal Federal

Presidente e membros do Superior Tribunal de Justia

Presidente e membros do Superior Tribunal Militar

Presidente e membros do Tribunal Superior Eleitoral

Presidente e membros do Tribunal Superior do Trabalho

Presidente e membros dos tribunais de justia

Presidente e membros dos tribunais regionais federais

Presidente e membros dos tribunais regionais eleitorais

Presidente e membros dos tribunais regionais do trabalho

Juzes de Direito, Juzes Federais, Juzes do Trabalho, Juzes Eleitorais, Juzes Militares,

Juzes-Auditores Militares

Procurador-Geral do Estado

Procurador de Estado

Membros do Ministrio Pblico (Procuradores da Repblica, Procuradores do Trabalho, Procuradores da Justia Militar, Promotores da Justia Militar, Procuradores de Justia, Promotores de Justia, Promotores de Justia Adjuntos) Membros da Defensoria Pblica (Defensores Pblicos)

O vocativo a ser empregado em comunicaes dirigidas aos Chefes de Poder Excelentssimo Senhor, seguido do cargo respectivo:

Excelentssimo Senhor Presidente da Repblica,

Excelentssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional,

Excelentssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal,

As demais autoridades sero tratadas com o vocativo Senhor, seguido do cargo respectivo:

Senhor Senador,

Senhor Juiz,

Senhor Ministro,

Senhor Governador,

No envelope (e no endereamento em documentos como ofcio) das comunicaes dirigidas s autoridades tratadas por Vossa Excelncia ter a seguinte forma:

A Sua Excelncia o Senhor

Fulano de Tal

Ministro de Estado da Justia

70064-900 - Braslia-DF

A Sua Excelncia o Senhor

Senador Fulano de Tal

Senado Federal

70165-900 Braslia/DF

A Sua Excelncia o Senhor

Fulano de Tal

Juiz de Direito da 10 Vara Cvel

Rua ABC, n 123

01010-000 So Paulo/SP

Alguns rgos apresentam o endereamento com a substituio do A Sua Excelncia o Senhor por Excelentssimo Senhor.

Ao Excelentssimo Senhor

Fulano de Tal

Ministro de Estado da Justia

70064-900 - Braslia-DF

Ao Excelentssimo Senhor

Senador Fulano de Tal

Senado Federal

70165-900 Braslia/DF

Vossa Senhoria empregado para as demais autoridades e para particulares. O vocativo adequado :

Senhor Fulano de Tal,

No envelope, deve constar do endereamento:

Ao Senhor

Fulano de Tal

Rua ABC, n 123

70123-000 Curitiba-PR

Observaes:

1. O Manual do Supremo recomenda no abreviar os pronomes de tratamento em comunicaes dirigidas a altas autoridades dos Poderes da Repblica e a altas autoridades eclesisticas. A forma por extenso demonstra maior respeito e deferncia, sendo, pois, recomendvel em correspondncia mais formal ou cerimoniosa.

2. A forma Vossa Magnificncia empregada em comunicaes dirigidas a reitores de universidade. Corresponde-lhe o vocativo Magnfico Reitor.

3. Os pronomes de tratamento para religiosos, de acordo com a hierarquia eclesistica, so: Vossa Santidade, em comunicaes dirigidas ao Papa. O vocativo correspondente Santssimo Padre. Vossa Eminncia ou Vossa Eminncia Reverendssima, em comunicaes aos Cardeais. Corresponde-lhe o vocativo Eminentssimo Senhor Cardeal ou Eminentssimo e Reverendssimo Senhor Cardeal. Vossa Excelncia Reverendssima usado em comunicaes dirigidas a Arcebispos e Bispos; Vossa Reverendssima ou Vossa Senhoria Reverendssima para Monsenhores, Cnegos e superiores religiosos. Vossa Reverncia empregado para sacerdotes, clrigos e demais religiosos.

4. Fica dispensado o emprego do superlativo ilustrssimo para as autoridades que recebem o tratamento de Vossa Senhoria e para particulares. suficiente o uso do pronome de tratamento Senhor.

5. Doutor no forma de tratamento, e sim ttulo acadmico. Evite us-lo indiscriminadamente. Como regra geral, empregue-o apenas em comunicaes dirigidas a pessoas que tenham tal grau por terem concludo curso universitrio de doutorado. costume designar por doutor os bacharis, especialmente em Direito e em Medicina. Nos demais casos, o tratamento Senhor confere a desejada formalidade s comunicaes.

6. Formas de tratamento consagradas na linguagem jurdica:

Substantivo

Adjetivo

Acrdo

Venerando Acrdo

Cmara

Colenda Cmara

Defensor

Nobre Defensor

Juiz

Meritssimo Juiz

Juzo

Dignssimo Juzo

Julgador

nclito Julgador

Patrono

Culto Patrono

Promotor

Nobre Promotor

Relator

Culto Relator

Sentena

Respeitvel Sentena

7. Observe quadro demonstrativo das formas de tratamento elaborado pelo Manual de Padronizao de textos do STJ.

Incluir anexo 1

2.7 Fechos para comunicaes oficiais

O fecho das comunicaes oficiais possui, alm da finalidade bvia de arrematar o texto, a de saudar o destinatrio. Os modelos para fecho que vinham sendo utilizados foram regulados pela Portaria n 1 do Ministrio da Justia, de 1937, que estabelecia quinze padres. Com o fito de simplific-los e uniformiz-los, padronizou-se somente dois fechos diferentes para todas as modalidades de comunicao oficial:

a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente da Repblica:

Respeitosamente,

b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior:

Atenciosamente,

Ficam excludas dessa frmula as comunicaes dirigidas a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e tradio prprios, devidamente disciplinados no Manual de Redao do Ministrio das Relaes Exteriores.

O ttulo de representante diplomtico ou cnsul no deve preceder o nome da pessoa. Assim, escreva: o Senhor Jos da Silva, Embaixador do Brasil na Itlia; o Senhor Jos da Silva, Cnsul da Itlia.

2.8 Identificao do signatrio

As comunicaes devem trazer o nome e o cargo da autoridade que as expede, com exceo daquelas assinadas pelo Presidente da Repblica. Isso facilita a identificao da origem das comunicaes. Abaixo do nome de quem assina, coloca-se o cargo ou funo que o signatrio ocupa na organizao. A forma da identificao deve ser a seguinte:

(espao para assinatura)

Jos da Silva

Secretrio-Geral

(espao para assinatura)

JOS DA SILVA

Ministro de Estado da Justia

(espao para assinatura)

JOS DA SILVA

Secretrio de Administrao

Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Par

O nome do signatrio pode ser apresentado com apenas as iniciais maisculas ou com todas as letras maisculas. A tendncia o emprego apenas das iniciais maisculas. O cargo, no entanto, deve apresentar apenas as iniciais maisculas. Evite-se, portanto:

Jos da Silva

MINISTRO DE ESTADO DA JUSTIA

ou

JOS DA SILVA

MINISTRO DE ESTADO DA JUSTIA

Recomenda-se no deixar a assinatura em pgina isolada do expediente. Transfiram-se para essa pgina ao menos as duas linhas anteriores ao fecho.

Fazer uso do trao para a assinatura considerado deselegante, porque supe a necessidade de demarcar um campo para o correto preenchimento pelo subscritor. Dessa forma, em qualquer documento esse procedimento dispensvel.

Observao: Em alguns documentos que normalizem situaes administrativas internas do prprio rgo (ato regulamentar, instruo normativa, ordem de servio, portaria e resoluo), no se especifica o cargo junto ao nome e assinatura, visto que aquele j vem destacado no incio do documento.

2.9 Data

As datasdevem ser grafadas com as seguintes normas, estabelecidas pelo Decreto 4.176, de 28 de maro de 2002 e consagradas em textos jurdicos:

1. a localidade no pode sofrer abreviatura;

2. a unidade da federao no obrigatria;

3. o primeiro dia sempre ordinal. No existe zero antes do nmero 2 ao 9;

4. o ms minsculo e por extenso;

5. no existe ponto entre o milhar e a centena no ano: 2012 (no: 2.012);

6. nos casos em que for cabvel o uso da data abreviada (nunca na data do documento), no se deve pr zero esquerda do nmero no dia e no ms: 5/6/2012 (no: 05/06/2012);

7. no interior do texto, as datas e os anos podem ser escritos de forma plena ou abreviada. No entanto, em rgos pblicos, a preferncia pela forma extensa. O primeiro dia do ms designado com ordinal tambm. O Brasil proclamou a independncia em 7 de setembro de 1822. Entre 1986 e 1988, o Congresso elaborou a atual Constituio brasileira, assinada em 8 de outubro de 1988.O Brasil foi campeo mundial de futebol em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. O documento foi assinado em 1 de abril de 2004;

8. se a data no estiver centralizada, indica-se o uso de ponto final. Braslia, 1 de junho de 2010. Braslia, 2 de junho de 2010. Braslia-DF, 27 de junho de 2010;

9. datas que se tornaram efemrides so escritas por extenso: O Sete de Setembro, o Quinze de Novembro, o Dois de Julho. Mas (dia 1): o 1 de Janeiro, o 1 de Maio;

10. as dcadas podem ser mencionadas sem a referncia ao sculo (salvo quando houver possibilidade de confuso). O milagre econmico da dcada de 70. Os anos 20 foram fortemente influenciados pela Semana de Arte Moderna de 1922. Na dcada de 1850.

2.10 Numerao de documentos

Os documentos devem ser numerados em ordem crescente cronolgica ou, em situaes especiais, de acordo com critrio estabelecido pelo emissor. Deve-se reiniciar a numerao a cada ano, a partir do nmero 1: Memorando n 8 / DGE.

A numerao um dos indicadores de recuperao do documento. Consiste, portanto, em informao que deve ser registrada com ateno, para evitar a atribuio de um mesmo nmero a documentos diversos.

2.11 Folhas de continuao

Recomenda-se, principalmente em atos oficiais administrativos, indicar as folhas de continuao com, no mnimo, as seguintes informaes, entre parnteses: nmero respectivo da folha sequencial, tipo do ato com a sua numerao institucional e data. Exemplo: (Fl. 2 do Ofcio n 194 / GP, de 18.3.09). As folhas sequenciais no devem trazer o timbre apresentado na primeira pgina.

2.12 Horas

1. O smbolo de horas h, o de minutos min e o de segundos s, sem ponto nem s indicativo de plural, sem espao entre o nmero e o smbolo.

2. Na meno de horas apenas, no se usa o smbolo, mas a palavra hora(s), por extenso: Encontro voc s 14 horas.

3. Na meno de horas e minutos, usa-se o smbolo de horas, mas no h necessidade de incluir o smbolo de minutos: Encontro voc s 14h30.

4. Na meno de horas, minutos e segundos, usam-se os smbolos de horas e minutos, mas no h necessidade de incluir o smbolo de segundos: Encontro voc s 14h30min22.

5. Em referncia a horas, no se usa zero antes do numeral.

Observaes:

a) Quando a referncia for a perodo de tempo e no a hora, no se usa o smbolo, mas as palavras hora(s), minuto(s), segundo(s), por extenso. Recomenda-se, tambm, no usar algarismo:

A reunio se estendeu por quatro horas e vinte minutos.

A viagem dura dezoito horas.

O terremoto comeou s 10h35min22 e durou quarenta e trs segundos.

b) Na linguagem formal devem-se seguir as instrues anteriores, mesmo que a leitura no corresponda exatamente grafia:

A sesso terminou s 12h30 (na leitura: s doze horas e trinta minutos; s doze e trinta; ao meio dia e meia).

c) As regras no se aplicam quando, em linguagem estritamente tcnica, no corresponderem praxe ou a instrues especficas.

2.13 Siglas, abreviaturas e smbolos

2.13.1 Siglas

As siglas so empregadas para evitar a repetio de palavras e expresses no texto. Na primeira citao, a expresso designada deve vir escrita por extenso, de forma completa e correta, sempre antes da sigla ou do acrnimo respectivo, que deve estar entre parnteses ou travesses e em letras maisculas Exemplos: O Conselho Monetrio Nacional (CMN) aprovou ontem mais uma medida restritiva. A discusso do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) pela Cmara ainda promete alongar-se por muito tempo.

1. Pode-se dispensar a parte por extenso apenas para a representao do nome dos partidos polticos, das empresas privadas ou quando a forma abreviada j se tornou sinnimo do prprio nome: PSDB, Bradesco, FGTS. Em caso de dvida, prefira transcrever o significado da sigla.

2. No se usam aspas nem pontos de separao entre as letras que formam a sigla.

3. Com sigla empregada no plural, admite-se o uso de s (minsculo) de plural, sem apstrofo: os TREs (Tribunais Regionais Eleitorais), 300 UPCs, 850 Ufirs (no: TREs, Ufirs). Esta regra no se aplica a sigla terminada com a letra s, caso em que o plural definido pelo artigo: os DVS (Destaques para Votao em Separado). O plural tambm pode ser feito pela duplicao das letras. Ex.: EEUU (Estados Unidos), HHCC (Habeas Corpus), RREE (Recursos Extraordinrios).

Maiscula e minscula em siglas

1. Siglas formadas por at trs letras so grafadas com maisculas: ONU, PIS, OMC. No se deve fazer diviso silbica de sigla grafada em letras maisculas.

2. Siglas formadas por quatro ou mais letras, cuja leitura seja feita letra por letra, so grafadas com maisculas: PMDB, INPC, INSS.

3. Siglas formadas por quatro ou mais letras que formem palavra pronuncivel so grafadas preferencialmente como nome prprio (apenas a primeira letra maiscula): Otan, Unesco, Petrobras.

4. Siglas em que haja leitura mista (parte pronunciada pela letra e parte como palavra) so grafadas com todas as letras em maisculas: DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes), Veculos Automotores de Via Terrestre), HRAN (Hospital Regional da Asa Norte).

5. No caso de siglas consagradas que fogem s regras acima, deve-se obedecer sua grafia prpria: CNPq (Conselho Nacional de Pesquisas), MinC (Ministrio da Cultura), UnB (Universidade de Braslia). As letras minsculas so abreviaturas e no devem ser confundidas com as letras das siglas.

6. Siglas que no mais correspondam com exatido ao nome por extenso tambm devem ser acatadas, se forem as siglas usadas oficialmente: Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), MEC (Ministrio da Educao).

7. A sigla de rgos estrangeiros formam-se com as letras da traduo do nome do rgo em portugus, quando essa denominao usual. Ex.: ONU (Organizao das Naes Unidas), FMI (Fundo Monetrio Internacional), Bird (Banco Internacional de Reconstruo e Desenvolvimento). Caso a denominao no seja usual em nosso idioma, a sigla dos rgos estrangeiros formam-se com as letras do nome do rgo na lngua estrangeira quando a traduo portuguesa no usual. Ex.: Nafta (North America Free Trade Agreement/Acordo de Livre Comrcio da Amrica do Norte), Unesco (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization/Organizao das Naes Unidas para a Educao, a Cincia e a Cultura).

8. A identificao de siglas pode ser pesquisada na obra Siglas brasileiras, publicada pelo Instituto Brasileiro de Informao em Cincias e Tecnologia IBICT.

9. O Supremo Tribunal Federal padronizou algumas siglas de uso no mbito da Corte a fim de facilitar as comunicaes e a incluso de dados nos sistemas eletrnicos (Resoluo 230/2002 e Instruo Normativa 26/2005, que se referem s classes processuais e s unidades da estrutura orgnica da Casa).

Siglas dos processos

AC Ao Cautelar

ACO Ao Cvel Originria

ADC Ao Declaratria de Constitucionalidade

ADI Ao Direta de Inconstitucionalidade

AO Ao Originria

AOE Ao Originria Especial

AP Ao Penal

AR Ao Rescisria

Ag Agravo

AI Agravo de Instrumento

AgR Agravo Regimental

ADPF Arguio de Descumprimento de Preceito Fundamental

AS Arguio de Suspeio

CR Carta Rogatria

Cm Comunicao

CC Conflito de Competncia

ED Embargos de Declarao

EDv Embargos de Divergncia

EI Embargos Infringentes

Ext Extradio

HC Habeas Corpus

HD Habeas Data

Inq Inqurito

IF Interveno Federal

MI Mandado de Injuno

MS Mandado de Segurana

MC Medida Cautelar

Pet Petio

PPE Priso Preventiva para Extradio

PA Processo Administrativo

QO Questo de Ordem

Rcl Reclamao

RC Recurso Criminal

RHC Recurso em Habeas Corpus

RHD Recurso em Habeas Data

RMI Recurso em Mandado de Injuno

RMS Recurso em Mandado de Segurana

RE Recurso Extraordinrio

RvC Reviso Criminal

SE Sentena Estrangeira

SEC Sentena Estrangeira Contestada

SL Suspenso de Liminar

SS Suspenso de Segurana

STA Suspenso de Tutela Antecipada

10. Siglas mais comuns

A

ABA Associao Brasileira de Anunciantes.

Abap Associao Brasileira de Agncias de Publicidade.

Abecip Associao Brasileira das Entidades de Crdito Imobilirio e Poupana.

Abert Associao Brasileira de Emissoras de Rdio e Televiso.

ABI Associao Brasileira de Imprensa.

Abifarma Associao Brasileira da Indstria Farmacutica.

Abin Agncia Brasileira de Informaes

ABL Academia Brasileira de Letras

ABNT Associao Brasileira de Normas Tcnicas

ADCT Ato das Disposies Constitucionais Transitrias

AEB Agncia Espacial Brasileira, vinculada ao Ministrio da Cincia e Tecnologia.

AGU Advocacia-Geral da Unio

Aids AcquiredImmunologicalDeficiencySyndrome (Sndrome da Deficincia Imunolgica Adquirida).

Ajuris Associao dos Juzes do Rio Grande do Sul

ALA American Library Association/Associao Americana de Bibliotecas

Alca rea de Livre Comrcio das Amricas

Amagis Associao dos Magistrados

Amatra Associao dos Magistrados do Trabalho

AMB Associao Mdica Brasileira ou Associao dos Magistrados Brasileiros

ANA Agncia Nacional de guas

Anac Agncia Nacional de Aviao Civil

Anamatra Associao Nacional dos Magistrados do Trabalho

Anatel Agncia Nacional de Telecomunicaes

ANC Assembleia Nacional Constituinte

Ancine Agncia Nacional de Cinema e Vdeo

Andes Sindicato Nacional dos Docentes das Instituies de Ensino Superior.

Aneel Agncia Nacional de Energia Eltrica

Anfavea Associao Nacional dos Fabricantes de Veculos Automotores.

ANJ Associao Nacional de Jornais.

ANP Agncia Nacional do Petrleo, Gs Natural e Biocombustveis

ANS Agncia Nacional de Sade

Anvisa Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria

ANVS Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria, vinculada ao Ministrio da Sade.

Apae Associao de Pais e Amigos dos Excepcionais.

Apec Cooperao Econmica da sia e do Pacfico.

B

Bacen ou BC Banco Central do Brasil

BB Banco do Brasil

BCN Banco Central Europeu. European Central Bank (ECB), com sede em Frankfurt, Alemanha.

BID Banco Interamericano de Desenvolvimento

Bird Banco Internacional de Reconstruo e Desenvolvimento

BIS Banco para Compensao Internacional

BM&F Bolsa Mercantil e de Futuros

BMJ Boletim do Ministrio da Justia

BNDES Banco Nacional de Desenvolvimento Econmico e Social

Bovespa Bolsa de Valores do Estado de So Paulo.

BRB Banco de Braslia

C

Cade Conselho Administrativo de Defesa Econmica

Cadin Cadastro Informativo de Crditos no Quitados do Setor Pblico Federal

CAN Correio Areo Nacional

Capes Coordenao de Aperfeioamento de Pessoal de Nvel Superior (Ministrio da Educao).

Caricom Mercado Comum e Comunidade do Caribe.

CBL Cmara Brasileira do Livro.

CC Cdigo Civil

CCJ Comisso de Constituio, Justia e Cidadania (Senado Federal)

CCJC Comisso de Constituio e Justia e de Cidadania (Cmara dos Deputados)

CCom Cdigo Comercial

CCSivam Comisso para Coordenaco do Projeto do Sistema de Vigilncia da Amaznia (Ministrio da Defesa).

CCT Conselho Nacional de Cincia e Tecnologia (Ministrio da Cincia e Tecnologia).

CDB Certificado de Depsito Bancrio

CDC Cdigo de Defesa do Consumidor

CDD Classificao Decimal de Dewey

CDDPH Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Ministrio da Justia).

CDU Classificao Decimal Universal

Cebrap Centro Brasileiro de Anlise e Planejamento.

CEF Caixa Econmica Federal

Cenafor Fundao Centro Nacional de Aperfeioamento de Pessoal para a Formao Profissional

CEP Cdigo de Endereamento Postal

Cepal Comisso Econmica para a Amrica Latina e Caribe (Comission Econmica para Amrica Latina y el Caribe), integra o sistema ONU, sediada em Santiago, Chile.

Cespe Centro de Seleo e de Promoo de Eventos134

CF Constituio Federal

CFE Conselho Federal de Educao (Ministrio da Educao).

CGC Cadastro Geral de Contribuintes

CGJ Corregedoria-Geral de Justia

CGT Central Geral dos Trabalhadores

CGU Corregedoria-Geral da Unio

CIA Agncia Central de Inteligncia (Estados Unidos)

CIC Carto de Identificao do Contribuinte

CID Classificao Internacional de Doenas

Ciee Centro de Integrao Empresa Escola

Cimi Conselho Indigenista Missionrio, sediado em Braslia.

Cindacta Centro Integrado de Defesa Area e Controle de Trfego Areo

Cipa Comisso Interna de Preveno de Acidentes

CJF Conselho da Justia Federal

CLPS Consolidao das Leis da Previdncia Social

CLT Consolidao das Leis do Trabalho.

CMN Conselho Monetrio Nacional

CNA Confederao Nacional da Agricultura.

CNBB Conferncia Nacional dos Bispos do Brasil, sediada em Braslia.

CNC Confederao Nacional do Comrcio.

CNDM Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (Ministrio da Justia).

CNE Conselho Nacional de Educao

CNEN Comisso Nacional de Energia Nuclear (Ministrio da Cincia e Tecnologia).

CNI Confederao Nacional da Indstria, com sede em Braslia.

CNJ Conselho Nacional de Justia

CNPCP Conselho Nacional de Poltica Criminal e Penitenciria

CNPJ Cadastro Nacional de Pessoa Jurdica

CNPq Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico

CNPS Conselho Nacional de Previdncia Social

CNS Conselho Nacional de Sade

CNSS Conselho Nacional de Seguridade Social

CNT Cdigo Nacional de Trnsito

CNTI Confederao Nacional dos Trabalhadores da Indstria, com sede em Braslia.

COB Comit Olmpico Brasileiro, sediado no Rio de Janeiro.

Codevasf Companhia de Desenvolvimento dos Vales do So Francisco e do Parnaba (Ministrio da Integrao Nacional).

Cofins Contribuio para Financiamento da Seguridade Social

COI Comit Olmpico Internacional (Comit International Olympique), com sede em Lausanne, Sua.

Conama Conselho Nacional do Meio Ambiente (Ministrio do Meio Ambiente).

Conamaz Conselho Nacional da Amaznia Legal (Ministrio do Meio Ambiente).

Conanda Conselho Nacional dos Direitos da Criana e do Adolescente (Ministrio da Justia).

Conar Conselho Nacional de Auto-Regulamentao Publicitria.

Conaren Conselho Nacional dos Recursos Hdricos (Ministrio do Meio Ambiente).

Conasp Conselho Nacional de Segurana Pblica (Ministrio da Justia).

Contag Confederao Nacional dos Trabalhadores na Agricultura.

Contran Conselho Nacional de Trnsito

Copom Comit de Poltica Monetria, do Banco Central.

CP Cdigo Penal

CPC Cdigo de Processo Civil

CPF Cadastro de Pessoa Fsica

CPM Cdigo Penal Militar

CPMF Contribuio Provisria sobre Movimentao Financeira.

CPP Cdigo de Processo Penal

CPPM Cdigo de Processo Penal Militar

CSM Conselho Superior da Magistratura

CTB Cdigo de Trnsito Brasileiro

CTN Cdigo Tributrio Nacional

CTNBio Comisso Tcnica Nacional de Biossegurana (Ministrio da Cincia e Tecnologia).

CTPS Carteira de Trabalho e Previdncia Social

CUT Central nica dos Trabalhadores

CUT Central nica dos Trabalhadores, com sede em So Paulo.

CVM Comisso de Valores Mobilirios (Ministrio da Fazenda).

D

DAC Departamento de Aviao Civil (Ministrio da Defesa).

Darf Documento de Arrecadao de Receitas Federais

Dataprev Empresa de Processamento de Dados da Previdncia Social (Ministrio da Previdncia e Assistncia Social).

Dataprev Empresa de Processamento de Dados da Previdncia Social

Denatran Departamento Nacional de Trnsito

DER Departamento de Estradas e Rodagem

Detran Departamento de Trnsito

Dieese Departamento Intersindical de Estatstica e Estudos Socioeconmicos

Dieese Departamento Sindical de Estatstica e Estudos Socioeconmicos

Dirf Declarao de Imposto de Renda na Fonte

DJ Dirio da Justia

DJE Dirio da Justia do Estado

DNIT Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes

DODF Dirio Oficial do Distrito Federal

DOE Dirio Oficial do Estado

Dops Departamento de Ordem Poltica e Social

DOU Dirio Oficial da Unio

DPF Departamento de Polcia Federal

E

EBC Empresa Brasil de Comunicao

EC Emenda Constitucional

ECA Estatuto da Criana e do Adolescente

ECT Empresa de Correios e Telgrafos

Eletrobrs Centrais Eltricas Brasileiras S.A.

Embraer Empresa Brasileira de Aeronutica S.A.

Embrapa Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria

Embratel Empresa Brasileira de Telecomunicaes S/A

Embratur Empresa Brasileira de Turismo

Enap Fundao Escola Nacional de Administrao Pblica

Enem Exame Nacional do Ensino Mdio

EOAB Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil

Esaf Escola de Administrao Fazendria

ESG Escola Superior de Guerra (Ministrio da Defesa).

ETA Euskadi Ta Askatasuna, organizao terrorista separatista do Pas Basco, Espanha.

F

FAO Organizao das Naes Unidas para a Agricultura e a Alimentao (Food and Agriculture Organization), com sede em Roma, Itlia.

FAT Fundo de Amparo ao Trabalhador

FBI Bir Federal de Investigao (Federal Bureau ofInvestigation), com sede em Washington, DC, EUA.

FBN Fundao Biblioteca Nacional

Fed Banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve), sediado em Washington, DC, EUA.

Fenabran Federao Brasileira das Associaes de Bancos.

Fenabrave Federao Nacional dos Distribuidores de Veculos Automotores.

Fenaj Federao Nacional dos Jornalistas.

FGTS Fundo de Garantia do Tempo de Servio

FGV Fundao Getlio Vargas

FID Federao Internacional de Documentao

Fiesp Federao das Indstrias do Estado de So Paulo.

Fifa Federao Internacional de Futebol (Fdration Internationale de Football Association), sediada em Zurique, na Sua.

Finep Financiadora de Estudos e Projetos

Finex Fundo de Financiamento s Exportaes.

Finor Fundo de Investimento do Nordeste

Finsocial Fundo de Investimento Social

Fiocruz Fundao Oswaldo Cruz (Ministrio da Sade).

Fipe Fundao Instituto de Pesquisas Econmicas.

FMI Fundo Monetrio Internacional

FNDE Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educao

FUB Fundao Universidade de Braslia

Funai Fundao Nacional do ndio

Fundef Fundo de Manuteno e Desenvolvimento do Ensino

Funrural Fundo de Assistncia e Previdncia do Trabalhador Rural

Fust Fundo de Universalizao dos Servios de Telecomunicaes.

G

GDF Governo do Distrito Federal

H

HBB Hospital de Base de Braslia

HFA Hospital das Foras Armadas

I

Ibama Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renovveis

Ibase Instituto Brasileiro de Anlises Sociais e Econmicas (entidade no-governamental que acompanha a aplicao de verbas pblicas em projetos sociais no pas, elaborando estatsticas que servem de base para estudos de programas alternativos), sediado no Rio de Janeiro.

IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica

Ibict Instituto Brasileiro de Informao em Cincia e Tecnologia

Ibope Instituto Brasileiro de Opinio Pblica e Estatstica.

ICMS Imposto sobre Circulao de Mercadorias e Servios.

ICV ndice do Custo de Vida

IGP ndice Geral de Preos

IGP-DI ndice Geral de Preos Disponibilidade Interna

IGP-M ndice Geral de Preos de Mercado

IML Instituto Mdico Legal

INCC ndice Nacional de Custos da Construo.

Incra Instituto Nacional de Colonizao e Reforma Agrria

Indesp Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto (Ministrio do Esporte e Turismo).

Inep Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais

Infraero Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroporturia

Inmet Instituto Nacional de Meteorologia

Inmetro Instituto Nacional de Metrologia, Normalizao e Qualidade Industrial

Inpa Instituto Nacional de Pesquisas da Amaznia (Ministrio da Cincia e Tecnologia).

INPC ndice Nacional de Preos ao Consumidor.

Inpe Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

Inpi Instituto Nacional da Propriedade Industrial

INSS Instituto Nacional do Seguro Social

IOF Imposto sobre Operaes Financeiras

IP Inqurito Policial

IPA ndice de Preos por Atacado.

IPC ndice de Preos ao Consumidor.

IPCA ndice de Preos ao Consumidor Amplo.

Ipea Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada

Iphan Instituto do Patrimnio Histrico e Artstico Nacional.

IPI Imposto sobre Produtos Industrializados

IPTU Imposto Predial e Territorial Urbano

IPVA Imposto sobre a Propriedade de Veculos Automotores

IR Imposto de Renda

IRPF Imposto de Renda da Pessoa Fsica

IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurdica

IRRF Imposto de Renda Retido na Fonte

ISBN International Standard Book Number(ing) System

ISO International Organization for Standardization

ISO International Standard Organization/Organizao Internacional de Normalizao

ISS Imposto sobre Servios

ISSN International Standard Serial Number/Nmero Internacional Padronizado de Publicaes Seriadas

ITA Instituto Tecnolgico da Aeronutica

ITBI Imposto sobre Transmisso de Bens Imveis

ITR Imposto Territorial Rural

IVC Instituto Verificador de Circulao.

J

JF Justia Federal

L

LC Lei Complementar

LCH Lei dos Crimes Hediondos

LCP Lei das Contravenes Penais

LDA Lei dos Direitos Autorais

LDB Lei de Diretrizes e Bases da Educao

LDO Lei de Diretrizes Oramentrias

LEF Lei das Execues Fiscais

LEP Lei de Execuo Penal

LF Lei de Falncias

LIC Lei de Incentivo Cultura

LICC Lei de Introduo ao Cdigo Civil

LICP Lei de Introduo ao Cdigo Penal

LICPP Lei de Introduo ao Cdigo de Processo Penal

LMS Lei de Mandado de Segurana

LOA Lei Oramentria Anual

Loman ou Lomn Lei Orgnica da Magistratura Nacional

Lops Lei Orgnica da Previdncia Social

LRF Lei de Responsabilidade Fiscal

LSN Lei de Segurana Nacional

LTN Letra do Tesouro Nacional

M

Mapa Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento

MC Ministrio das Comunicaes

MCE Mercado Comum Europeu

MCidades Ministrio das Cidades

MCT Ministrio da Cincia e Tecnologia

MD Ministrio da Defesa

MDA Ministrio do Desenvolvimento Agrrio

MDIC Ministrio do Desenvolvimento, Indstria e Comrcio Exterior

MDN Ministrio da Defesa Nacional

MDS Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome

ME Ministrio do Esporte

MEC Ministrio da Educao

Mercosul Mercado Comum do Cone Sul

MF Ministrio da Fazenda

MHN Museu Histrico Nacional

MI Ministrio da Integrao Nacional

MinC Ministrio da Cultura

MJ Ministrio da Justia

MMA Ministrio do Meio Ambiente

MME Ministrio de Minas e Energia

MP Medida Provisria

MP Ministrio Pblico

MPA Ministrio da Pesca e Aquicultura

MPDFT Ministrio Pblico do Distrito Federal e Territrios

MPE Ministrio Pblico Estadual

MPF Ministrio Pblico Federal

MPM Ministrio Pblico Militar

MPOG Ministrio do Planejamento, Oramento e Gesto

MPS Ministrio da Previdncia Social

MPT Ministrio Pblico do Trabalho

MPU Ministrio Pblico da Unio

MRA Ministrio da Reforma Agrria

MRE Ministrio das Relaes Exteriores

MS Ministrio da Sade

MST Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

MT Ministrio dos Transportes

MTE Ministrio do Trabalho e Emprego

MTur Ministrio do Turismo

N

Nafta Acordo de Livre Comrcio da Amrica do Norte (North American Free Trade Agreement).

Nasa National Aeronauticsand Space Administration (Administrao Nacional de Aeronutica e Espao dos EUA).

NGB Nomenclatura Gramatical Brasileira

Novacap Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil

O

OAB Ordem dos Advogados do Brasil

OCDE Organizao Cooperao e Desenvolvimento Econmico.

OEA Organizao dos Estados Americanos

OGU Oramento Geral da Unio

OIT Organizao Internacional do Trabalho (International Labour Organization), sede em Genebra, Sua.

OLP Organizao para a Libertao da Palestina.

OMC Organizao Mundial do Comrcio (World Trade Organization), que consolidou em uma nica organizao os signatrios do extinto Acordo Geral de Tarifas e Comrcio (Gatt). Tem sede em Genebra, Sua.

Ompi Organizao Mundial da Propriedade Intelectual (World Intellectual Property Organization), integrante do sistema das Naes Unidas, com sede em Genebra, Sua.

OMS Organizao Mundial da Sade (World Health Organization), integrante do sistema das Naes Unidas, sediada em Genebra, Sua.

ONG Organizao No-Governamental

Onip Organizao Nacional da Indstria do Petrleo

ONS Operadora Nacional do Sistema Eltrico

ONU Organizao das Naes Unidas (United Nations), com sede em Nova York.

Opas Organizao Pan-Americana de Sade (Pan American Health Organization), que tem sede em Washington, DC, EUA. Entidade regional da OMS.

Opep Organizao dos Pases Exportadores de Petrleo (Organization of the Petroleum Exporting Countries), com sede em Viena, ustria.

Otan Organizao do Tratado do Atlntico Norte (aliana militar dos pases ocidentais liderada pelos EUA)

OTN Obrigao do Tesouro Nacional

P

PAD Processo Administrativo Disciplinar

PAS Programa de Avaliao Seriada

Pasep Programa de Formao do Patrimnio do Servidor Pblico

PAT Programa de Alimentao do Trabalhador

PCCS Plano de Carreira, Cargos e Salrios

PEA Populao Economicamente Ativa

Petrobras Petrleo Brasileiro S.A.

PF Polcia Federal

PGE Procuradoria-Geral do Estado

PGJ Procuradoria-Geral de Justia

PGR Procuradoria-Geral da Repblica

PIB Produto Interno Bruto.

Pibic Programa Internacional de Iniciao Cientfica

PIS Programa de Integrao Social

PM Polcia Militar

PMDF Polcia Militar do Distrito Federal

PME Pesquisa Mensal de Emprego.

PNB Produto Nacional Bruto

PNUD Programa das Naes Unidas para o Desenvolvimento (United Nations Development Programme), que tem sede em Nova York.

PPA Plano Plurianual

PR Presidncia da Repblica

Procon Procuradoria de Proteo e Defesa do Consumidor

Prodasen Centro de Processamento de Dados do Senado

Prodecon Promotoria de Justia de Defesa dos Direitos do Consumidor

Proer Programa de Estmulo Reestruturao e Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional.

Pronai Programa Nacional de Apoio Infncia.

PRR Procuradoria Regional da Repblica

PRT Procuradoria Regional do Trabalho

PSS Plano de Seguridade Social do Servidor Pblico Civil da Unio

R

Radiobrs Empresa Brasileira de Comunicao S.A.

RF Receita Federal

RFB Receita Federal do Brasil

RISTF Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal

RISTJ Regimento Interno do Superior Tribunal de Justia

RJTSE Revista de Jurisprudncia do Tribunal Superior Eleitoral

RSTJ Revista do Superior Tribunal de Justia

RTJ Revista Trimestral de Jurisprudncia

S

Sebrae Servio Brasileiro de Apoio s Micro e Pequenas Empresas

Senac Servio Nacional de Aprendizagem Comercial.

Senad Secretaria Nacional Antidrogas (Presidncia da Repblica).

Senai Servio Nacional de Aprendizagem Industrial.

Serpro Servio Federal de Processamento de Dados

Sesc Servio Social do Comrcio.

Sesi Servio Social da Indstria.

Siafi Sistema Integrado de Administrao Financeira do Governo Federal

Siape Sistema Integrado de Administrao de Recursos Humanos

Sicaf Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores

Sistema S Conjunto dos servios sociais e de aprendizagem dos trabalhadores (Senai, Sesc, Sesi, Senac).

Sivam Sistema de Vigilncia da Amaznia (Ministrio da Defesa).

SPC Servio de Proteo ao Crdito

SRF Secretaria da Receita Federal (atual RFB)

STF Supremo Tribunal Federal

STJ Superior Tribunal de Justia.

STJD Superior Tribunal de Justia Desportiva

STM Superior Tribunal Militar.

STN Secretaria do Tesouro Nacional

Suframa Superintendncia da Zona Franca de Manaus (Ministrio do Desenvolvimento, Indstria e Comrcio Exterior).

SUS Sistema nico de Sade

Susep Superintendncia de Seguros Privados (Ministrio da Fazenda).

T

TAC Tribunal de Alada Civil

Tacrim Tribunal de Alada Criminal

TCE Tribunal de Contas do Estado

TCM Tribunal de Contas dos Municpios

TCU Tribunal de Contas da Unio

Terracap Companhia Imobiliria de Braslia

TJ Tribunal de Justia

TJ Tribunal de Justia; Tribunal do Jri.

TJAC Tribunal de Justia do Estado do Acre

TJAL Tribunal de Justia do Estado de Alagoas

TJAM Tribunal de Justia do Estado do Amazonas

TJAP Tribunal de Justia do Estado do Amap

TJBA Tribunal de Justia do Estado da Bahia

TJCE Tribunal de Justia do Estado do Cear

TJD Tribunal de Justia Desportiva

TJDFT Tribunal de Justia do Distrito Federal e dos Territrios

TJES Tribunal de Justia do Estado do Esprito Santo

TJGO Tribunal de Justia do Estado de Gois

TJMA Tribunal de Justia do Estado do Maranho

TJMG Tribunal de Justia do Estado de Minas Gerais

TJMS Tribunal de Justia do Estado de Mato Grosso do Sul

TJMT Tribunal de Justia do Estado de Mato Grosso

TJPA Tribunal de Justia do Estado do Par

TJPB Tribunal de Justia do Estado da Paraba

TJPE Tribunal de Justia do Estado de Pernambuco

TJPI Tribunal de Justia do Estado do Piau

TJPR Tribunal de Justia do Estado do Paran

TJRJ Tribunal de Justia do Estado do Rio de Janeiro

TJRN Tribunal de Justia do Estado do Rio Grande do Norte

TJRO Tribunal de Justia do Estado de Rondnia

TJRR Tribunal de Justia do Estado de Roraima

TJRS Tribunal de Justia do Estado do Rio Grande do Sul

TJSC Tribunal de Justia do Estado de Santa Catarina

TJSE Tribunal de Justia do Estado de Sergipe

TJSP Tribunal de Justia do Estado de So Paulo

TJTO Tribunal de Justia do Estado do Tocantins

TPI Tribunal Penal Internacional

TRE Tribunal Regional Eleitoral.

TRF Tribunal Regional Federal

TRT Tribunal Regional do Trabalho.

TSE Tribunal Superior Eleitoral.

TST Tribunal Superior do Trabalho.

U

Ubes Unio Brasileira de Estudantes Secundaristas.

UDR Unio Democrtica Ruralista, com sede em Braslia.

UE Unio Europeia (European Union), antiga Comunidade Econmica Europeia, tem sua sede em Bruxelas, Blgica.

Ufir Unidade Fiscal de Referncia

UIT Unio Internacional de Telecomunicaes.

UnB Universidade de Braslia

UNE Unio Nacional dos Estudantes.

Unesco Organizao das Naes Unidas para a Educao, Cincia e Cultura (United NationsEducational, Scientificand Cultural Organization), sediada em Paris, Frana.

Unicef Fundo das Naes Unidas para a Infncia (United NationsChildrensFund), que tem sede em Nova York.

URV Unidade Real de Valor

USP Universidade de So Paulo

V

VEC Vara de Execues Criminais

2.13.2 Abreviatura

A abreviatura a escrita reduzida de uma palavra ou locuo e pertence ao estudo de processo de formao de palavras de nosso idioma. Trata-se de corte na palavra, com ou sem a omisso de alguma letra anterior, aceito nos casos em que h interesse mximo na sntese dos dados. Apesar do uso cada vez mais frequente, a prtica da abreviao vocabular ainda no deixou de gerar controvrsias. A manual de redao do Supremo Tribunal Federal orientar a evitar sempre que possvel o uso de palavras abreviadas, sobretudo no interior de uma frase; abreviaturas so mais usadas em textos especficos, como dicionrios e formulrios.

1. Admite flexo de gnero, nmero e grau: Sr. ou Sra.; prof. ou profs.; D. ou DD.

2. O termo S. A., embora tenha a aparncia de sigla, constitui a abreviatura das palavras sociedade e annima. Por isso, exige o uso do ponto, que no pode ser substitudo por barra.

3. Para abreviar, sempre que possvel termine a abreviatura em consoante. Ex.: ac. (acrdo), rel. (relator). Se a palavra cortada em um grupo de consoantes, todas estas devem aparecer na abreviatura. Ex.: inst. (instituio), secr. (secretaria). Independentemente de a abreviatura terminar em vogal ou consoante, coloque sempre o ponto final. Ex.: ago. (agosto), tc. (tcnica).

4. H palavras cujas abreviaturas podem ser formadas pela combinao de suas consoantes ou de suas iniciais e suas ltimas consoante e vogal. Ex.: dz. (dzia), vl. (valor).

5. Se, na parte constante da abreviatura, aparece o acento grfico da palavra, deve ele permanecer. Ex.: pg. (pgina), db. (dbito).

6. Em palavras compostas ligadas por hfen, deve ele ser mantido na abreviatura. Ex.: secr.-ger. (secretaria-geral), proc.-ger. (procurador-geral).

7. A inicial poder ser maiscula ou minscula de acordo com as normas da ortografia oficial do novo Acordo ortogrfico em relao palavra por extenso. Ex.: R. (Rua) das Laranjeiras ou r. (rua) das Laranjeiras, Dr. (Doutor) Albert Einstein, tel. (telefone), fl. (folha).

8. O ponto abreviativo, quando coincide com o ponto-final, acumula a funo deste, por isso deve-se evitar a repetio: Foram convidados para o debate: polticos, professores, engenheiros etc.

9. Os meses so abreviados com as trs letras iniciais. Se for escrito todo em letras maisculas, dispensa-se o ponto. Se for escrito apenas com a inicial maiscula ou todo em letras minsculas, dever aparecer o ponto abreviativo. No se abrevia o ms de maio. Ex.: JAN, Jan., jan.

10. Existem abreviaturas que podem ser reduzidas com variaes: a.C. ou A.C. (antes de Cristo); f., fl. ou fol. (folha).

11. Existem abreviaturas que representam mais de uma palavra: p. (pgina, p, palmo).

12. No se abreviam nomes geogrficos, a no ser os estados da Federao e casos mundialmente aceitos: DF (Distrito Federal), SP (So Paulo), USA (Estados Unidos da Amrica), UK (Reino Unido). Portanto, as cidades brasileiras so sempre grafadas por extenso: Rio de Janeiro, So Paulo etc.

13. Por praticidade, as abreviaturas podem ser grafadas sem sobrelevao, seguidas de ponto (Cia., Dra., V. Exma.), desde que no formem palavras inadequadas, como profa. (professora), amo. (amigo), n (nmero). Tal recurso no muito empregado em textos jurdicos.

14. Tambm no se abreviam palavras com menos de cinco letras. Excees: h (hora), id. (idem), S. (So), t. (tomo), v. (ver, veja, vide), S (Sul).

15. As unidades de peso e medida so abreviadas quando seguem os numerais: 10 g, 24 ml. Abreviaturas das unidades de medida no tm plural nem ponto: centmetro (cm), metro (m), segundo (s), grama (g), milmetro (mm), quilograma (kg), quilmetro (km). Quando apresentadas isoladamente, devem ser gradas por extenso: grama, mililitro.

16. os plurais tambm comportam abreviatura, sendo geralmente indicados pelo acrscimo da letra s antes do ponto que indica o corte. Todavia, alguns plurais so indicados pela duplicao da letra. Exemplos: scs. XV e XVI; pgs. 54 e 55; fls. 56 e segs.; srs.; dras.; S. Sas.; V. Exas.; AA. (autores); EE. (editores). Observe que o S. de Sua Senhoria e o V. de Vossa Excelncia ficam invariveis nos exemplos acima. Isso porque no h forma abreviada plural para os possessivos integrantes dos pronomes de tratamento. Tampouco se pluraliza a abreviatura de dons ou donas. Alm do plural, a duplicao da letra pode tambm indicar o superlativo: D. (digno), DD. (dignssimo).

17 Ressalte-se, a propsito, que no se usa a abreviatura n antes do numeral que discrimina o logradouro, mas sim a vrgula, nem se marca a separao das ordens ou classes com espao ou ponto. No caso de referncia a caixa postal, vedado o uso tanto da abreviatura de n quanto da vrgula: Caixa Postal 4352.

18. as abreviaturas do sistema de unidades de medida, ao contrrio das demais,

no recebem ponto nem plural, so grafadas com letras minsculas e separadas por espao do nmero que normalmente acompanham. Exemplos: 289 t; 3 kg; 45 g; 130 m; 12 km; 1 h; 22 h; 7 min, 18 s; 50 l; 600 ml; 27 ha.

Observaes: S se suprime o espao entre a abreviatura e o nmero diante da possibilidade de fraude e no caso de transcrio completa de horrio (hora e minutos ou hora, minutos e segundos). Exemplos: 9h57min; 1h20min; 18h16min14s.

No se abrevia unidade de medida no determinada e tampouco se misturam abreviaturas com medidas transcritas por extenso.

19. As abreviaturas de colendo, egrgio e eminente ainda no foram registradas em livros, contudo so frequentes no meio jurdico.

20. Abreviaturas de ttulos, postos e formas de tratamento:

almirante alm.

arcebispo arceb./arco.

bacharel/bachareis bel./bis.

bacharela/bacharelas bela./belas.

bispo bpo.

brigadeiro brig.

cardeal card.

capito cap.

colendo col.

comandante com./comte.

comendador comend.

cnego cn./cno.

coronel cel.

desembargador(a) desemb(a)./desdor(a).

dom/dona D.

doutor/doutora Dr./Dra.

egrgio eg.

embaixador emb.

eminente em.

eminentssimo emmo.

excelentssimo exmo.

general gen./gal.

ilustrssimo ilmo.

licenciado ldo.

madame mme.

major maj.

marechal mal.

meritssimo(a) MM.

ministro(a) min.

monsenhor mons.

padre p./pe.

proco pro.

presidente pres./presid.

procurador proc.

professor/professora prof./profa.

reverendssimo revmo.

reverendo rev./revdo.

sargento sarg.

senhor/senhora Sr./Sra.

senhorita Srta./Sta.

tenente ten.

Vossa Eminncia V. Ema.

Vossa Excelncia V. Exa.

Vossa Magnificncia V. Maga.

Vossa Reverendssima V. Revma.

Vossa Senhoria V. Sa.

Sua Eminncia S. Ema.

Sua Excelncia S. Exa.

Sua Reverendssima S. Revma.

21. As abreviaturas dos nomes das unidades da Federao so constitudas por duas letras maisculas sem ponto:

Acre AC

Alagoas AL

Amap AP

Amazonas AM

Bahia BA

Cear CE

Distrito Federal DF

Esprito Santo ES

Gois GO

Maranho MA

Mato Grosso MT

Mato Grosso do Sul MS

Minas Gerais MG

Par PA

Paraba PB

Paran PR

Piau PI

Pernambuco PE

Rio de Janeiro RJ

Rio Grande do Norte RN

Rio Grande do Sul RS

Rondnia RO

Roraima RR

Santa Catarina SC

So Paulo SP

Sergipe SE

Tocantins TO

6. Abreviaturas dos meses:

jan.

fev.

mar.

abr.

maio (no se abrevia maio)

jun.

jul.

ago.

set.

out.

nov.

jun.

dez.

7. Abreviaturas de vias, lugares pblicos e palavras usadas em endereamentos so escritas com iniciais maisculas:

alameda Al.

apartamento Ap.

avenida Av.

beco B.

bloco Bl.

casa C.

caixa postal C.P.

conjunto Conj.

edifcio Ed./Edif.

estrada Est.

jardim Jd.

largo L.

loja Lj.

parque Pq.

praa P.

rua R.

quadra Q.

sala Sl.

sobreloja S/l

travessa Trav.

vila V.

Abreviaturas mais comuns

A

abreviao abrev.

abreviatura abrev.

abril- abr.

absolutamente abs.

absoluto abs.

academia- acad.

acrdo ac.

acusativo ac.

adaptao adapt.

adjetivo adj.

adjetivo de dois gneros e dois nmeros adj. 2g. 2n.

adjunto adj.

adjunto adverbial adj. adv.

administrao adm.

administrativo- adm.

advrbio adv.

advogado advo.

aeronutica- aer.

agncia- ag.

agente administrativo - ag. adm.

aglomerado agl.

aglutinao agl.

agosto- ago.

agricultura agr./agric.

ajudante- aj. ouajte.

alameda - al.

altitude alt.

altura alt.

alvar alv.

anlise- anal.

anatomia anat.

Anno Domini A.D.

Ante meridiem (antes do meio-dia) - a. m.

antes de Cristo - a.C. ou A.C.

antigo ant.

antigo, antigamente - ant.

antnimo ant.

ao ano a.a.

ao ms a.m.

apartamento- ap. ou apart.

aprovado, apostila, apud (em) - ap.

aproximado- aprox.

arcebispo- arco.

aresto- ar.

Aritmtica - Arit.

Arquitetura - Arquit.

arquivo- arq.

artigo, artigos - art., arts.

aspirante- asp.

assembleia assemb.

assessor, assessoria, associao, assembleia- ass.

assinado(a) a.

assinado, assinados - (a), (aa) ou a., aa.

assinados(as) aa.

atenciosamente- atte.

atendente judicirio - atde. jud.

atestado- at.

atestado at.

aumentativo aum.

autor A.

autores AA.

auxiliar- aux.

auxiliar judicirio - aux. jud.

avenida - aven.

aviador, avenida - av.

B

bacharel, bachareis - bel., bis.

batalho btl.

beco - b.

bibliografia bibl.

biblioteca bibl.

biologia biol.

bitransitivo bitr.

boletim bol.

brasileiro- bras.

C

cadeira- cad.

caixa cx.

captulo, captulos - cap., caps.

cardinal card.

cartonado, cartonados - cart., carts.

catlogo, catlogos - cat., cats.

cavalaria cav.

centavo, centavos - ct., cts.

Centro-Oeste C. O.

cerimonial- cerim.

chefe, chefia - ch.

cidade(s) cid.

circular circ.

circunscrio administrativa - circ. adm.

citado(s), citao - cit.

classe(s) - cl.

clssico cls.

cdigo/cdigos cd./cds.

cognato cog.

colaborador col.

colgio col.

coletivo col.

coluna, colunas, colaborador, colaboradores, colgio, colgios - col., cols.

com- c/

comandita- cta.

comarca c.

Companhia - Cia.

comparativo comp.

comparativo de inferioridade comp. infer.

comparativo de superioridade comp. super.

compare- cp.

complemento compl.

composto comp.

comprimento- compr.

computador- compt.

comunicao- com.

comunicao comunic.

concluso concl.

conclusivo concl.

concreto concr.

condicional cond.

confira, confronte - cf., cfr.

conforme- cfe., conf.

confronte (com) cf./cfr.

Congresso Nacional CN

conjuno cj.

conjunto conj.

consecutivo consec.

consoante cons.

Constituio Federal CF

construo- constr.

contador, contabilidade - cont.

contrao, contrato - contr.

convnio, convenente, conveniado - conv.

coordenativo coord.

copiado, cpia - cop.

crdito crd.

cronologia cron./cronol.

cronolgico- cron.

cumprimento- cumpto.

D

dcada dc.

decorao decor.

decreto dec.

decreto-lei DL

definido def.

demonstrativo- demonstr.

departamento dep.

departamento, depsito - dep.

depois de Cristo - d.C., D.C.

derivao der.

desconto desc.

designao design.

desinncia desin.

despesa desp.

dezembro- dez.

Dirio Oficial da Unio DOU

dicionrio- dic.

diferente- dif.

digitador, digitado - dig.

diminutivo dim.

diploma dipl.

diplomacia dipl.

diplomtica diplom.

direito dir.

direito cannico dir. can.

direito civil dir. civ.

direito comercial dir. com.

direito constitucional dir. const.

direito das sucesses dir. suc.

direito de famlia dir. fam.

direito eclesistico dir. ecles.

direito esportivo dir. esport.

direito falimentar dir. fal.

direito fiscal dir. fis.

direito industrial dir. ind.

direito internacional privado dir. int. priv.

direito internacional pblico dir. int. pbl.

direito militar dir. mil.

direito penal dir. pen.

direito poltico dir. pol.

direito processual civil dir. proc. civ.

direito trabalhista dir. trab.

direito tributrio dir. trib.

diretoria-geral - dir.-ger.

distrito dist./distr.

diviso div.

documento, documentos - doc., docs.

dzia dz.

E

edio ed.

editor, editores - E., EE.

elemento el.

elemento de composio el. comp.

elemento(s) - el.

eletricista- eletr.

em mo - E.M.

em mo prpria - E.M.P.

em mo(s) E. M.

emolumento- emol.

empregado empr.

emprstimo- empr.

encadernao enc.

endereo- end.

enfermeiro- enf.

engenharia, engenheiro - eng.

epstola- eps.

era crist - E.C.

escola esc.

espera deferimento E. D.

espera resposta - E.R.

estado E.

estante(s), estado(s) - est.

estatstica estat.

estilstica estil.

et alii (e outros) et al.

etcetera(e outras coisas, e assim por diante) etc.

etcoetera, et cetera(e outras coisas, e os outros, e assim por diante) - etc.

etimologia etim.

etnografia etnog./etnogr.

evoluo evol.

exclamao excl.

exempli gratia (por exemplo) e.g.

exemplo(s) ex.

expresso expr.

F

faculdade- fac.

famlia- fam.

farmcia, farmacutico - farm.

fascculo(s) fasc.

feminino- f., fem.

frias- fr.

fevereiro- fev.

figura, figurado - fig.

filologia fil.

filosofia filos.

fsica fs.

flexionado flex.

folha(s) fl./fol./fls./fols.

folha, folhas - fl., fls.

folheto- folh.

folheto folh.

fonmica fon.

fontica fon.

fonologia fon.

formulrio- form.

fotografia fot.

fracionrio frac.

frase fr.

frequente freq.

fulano- f.

funcionrio- func.

futebol fut./futb.

futuro fut.

futuro do presente fut. pres.

futuro do pretrito fut. pret.

G

gabinete gab.

gnero gn.

geralmente- ger.

glossrio- gloss.

governo, governador - gov.

gramtica gram.

grande- gde.

gratificao- grat.

grosa, grosas - gr., grs.

H

habitante(s) hab.

hibridismo hibr.

hbrido hbr.

hidrografia hidrog.

histria hist.

honorrio- hon.

honoris causa (por causa da honra, honorariamente) - h.c.

honoris causa (por honra) h.c.

hora- h

horse-power(cavalo-vapor) - H.P.

hospital- hosp.

hotelaria hot.

I

ibidem(no mesmo lugar obra, captulo, pgina) ib.

ibidem(no mesmo lugar) - ib., ibid.

id est (isto ) - i.e.

idem(o mesmo) id.

imperativo imper.

imperfeito imperf.

impessoal impes.

indeterminado indet.

indicativo ind.

ndice- nd.

indstria- ind.

inferioridade infer.

infinitivo inf./infin.

influncia, influente - infl.

informao inform.

informao, inferior, informtica - inf.

informtica- inform.

insumo- ins.

interjeio interj.

interrogativo interr./interrog.

intransitivo int./intr./intrans.

invarivel inv.

irregular irreg.

isto i.e.

J

janeiro- jan.

Jesus Cristo - J.C.

jornalismo jorn.

julho- jul.

junho- jun.

jurdico jur.

jurisprudncia- jur.

justia- just.

L

largo, linha(s) - l.

latitude- lat.

legislao leg.

lgua, lguas - lg., lgs.

Leste L.

lexicografia lex.

limitada Ltda.

linguagem ling.

lingustica ling.

literatura lit.

livraria liv.

livro(s) - l., liv.

loco citato (no lugar citado) loc. cit.

locuo, locativo - loc.

logaritmo log.

lgica lg.

longitude- long.

M

manuscrito, manuscritos - ms., mss.

maquinista- maq.

maro- mar.

masculino masc.

masculino, ms ou meses - m.

matemtica mat.

matria mat.

material, matria - mat.

mecnica mec.

medicina med.

mdico- md.

mdico veterinrio - md. vet.

memorando memo./memor.

ministro- min.

mitologia mit.

moderno mod.

morfologia morf.

municpio mun.

msica ms.

N

negativo neg.

neologismo neol.

nihil obstat (nada obsta) - n. obs.

nome, nmero = n.

nominativo nom.

Nordeste N. E.

Noroeste N. O.

Norte N.

nota bene (nota bem) - N.B.

nota da direo N. da D.

nota da redao N. da R.

nota da redao - N.R.

nota do autor N. do A.

nota do autor - N.A.

nota do editor N. do E.

nota do editor - N.E.

nota do tradutor N. do T.

nota do tradutor, nota tcnica - N.T.

note bem N. B.

novembro- nov.

Novo Testamento N.T.

numeral num.

nmero(s) n.

O

o mesmo que - o m. q.

objeto- obj.

objeto direto obj. dir.

objeto indireto obj. ind.

obra citada - ob. cit.

obra(s) - ob.

observao, observaes - obs.

observaes obss.

Oeste O.

oficial de gabinete - of. gab.

ofcio of.

opus citatum (obra citada) op. cit.

ordinal ord.

organizao org.

original- orig.

outubro- out.

P

pacote- pac., pc.

pagamento- pgto.

pgina p./pg.

pginas pp./pgs.

pago pg.

palavra pal.

palavra(s) - pal.

papelaria papel.

parecer par.

parte par.

passim(aqui e ali, em diversos lugares) - pass.

patrimnio- patrim.

ptrio- ptr.

pea(s) p.

pede deferimento P.D.

pede justia - P.J.

pede recebimento e justia - P.R.J.

perfeito perf.

peso bruto - P.B.

pessoa p.

PhilosophiaeDoctor(doutor em filosofia) Ph. D.

plural pl.

poltica polt.

ponto pt.

popular- pop.

por especial favor - P.E.F.

por especial obsquio - P.E.O.

por exemplo p. ex.

por extenso - p. ext.

por favor - P.F.

por mo prpria - P.M.P.

por procurao p.p.

porque, parque - pq.

portaria port.

possessivo poss.

postmeridiem(depois do meio-dia) - p.m.

postscriptum(ps-escrito, depois de escrito) P.S.

pouco mais ou menos - p.m.o.m.

praa - p., pa.

predicativo pred.

prefeito- pref.

prefeitura municipal - P.M.

prefixo pref.

preposio prep.

presente pres.

presidente- pres.

pretrito pret.

problema(s) - probl.

processo, procurao, procurador - proc.

professor, professores - prof., profs.

projeto- proj.

provisrio- prov.

prximo futuro - p.f.

prximo passado, por procurao - p.p.

Q

qualidade- qual.

quando- qdo.

quantidade- quant.

quanto- qto.

quartel-general- Q.G.

que- q.

queira ver q.v.

qumica qum.

quod vide (veja isto), quantum vis (quanto se queira) - q.v.

R

radical rad.

receita, recesso - rec.

reduo red.

reformado- ref.

regimento reg.

regimento interno RI

regionalismo region.

regular, regimento - reg.

relatrio, relator - rel.

religio rel.

remetente remte.

remunerao- rem.

repartio repart.

residncia res.

resoluo res.

revista rev.

rua, ru, reprovado - r.

S

salrio mnimo - sal. min.

salvo erro - S.E.

salvo erro ou omisso - S.E.O.

salvo melhor juzo S.M.J.

scilicet(a saber, quer dizer) - sc.

seo- se.

secretrio(a) secr.

sculo/sculos sc./scs.

seguinte, seguintes - seg., segs.

sem data s.d.

sem lugar nem data s.l.n.d.

sem nmero s.n.

semana(s) sem.

semana, semanal, semestre - sem.

separado- sep.

servio- serv.

setembro, setor, setorizao, setorial - set.

smbolo smb.

sinal de socorro S.O.S.

singular sing.

sinnimo(s) sin.

sintaxe sint.

sociedade annima - S.A., S/A

subjuntivo subj.

substantivo s.

substantivo feminino s.f.

substantivo masculino s.m.

sucursal- suc.

Sudeste S. E.

Sudoeste S. O.

Sul S.

superioridade super.

T

tabela- tab.

tambm tb.

taquigrafia taquigr.

tarefa- tar.

teclado- tecl.

tecnologia tec.

telefone tel. (recomenda-se usar a palavra por extenso).

televiso TV/telev.

temperatura temp.

teologia teol.

terminao term.

termo(s), tomo(s) - t.

territrio federal territ. fed.

tesoureiro- tes.

testemunha test.

ttulo, titular - tt.

traduo trad.

transitivo t./trans./transit.

transitivo direto t.d.

transitivo indireto t.i.

transporte- transp.

tratado trat.

travessa- t., trav.

tribunal trib.

trigonometria trig.

trimestre trim.

U

ubi infra (lugar abaixo mencionado) u.i.

ubi supra (lugar acima mencionado) u.s.

unidade un.

universidade univ.

urbano urb.

uso externo u.e.

uso interno u.i.

V

valor- vl.

veculo- vec.

veja, voc, verso, verba - v.

Velho Testamento V.T.

vencimento- venc.

verbi gratia (por exemplo) v.g.

verbo v.

vesturio vest.

visto V.

vocabulrio voc.

vocativo vocat.

vogal vog.

volume, volumes - vol., vols.

Z

zoologia zool.

zoolgico zool.

Observaes:

a) No sero usadas abreviaturas em endereos. Escreve-se Avenida, Rua, Praa.

b) S. A. (e no S/A, para Sociedade Annima).

2.12.3 Smbolos

So abreviaturas fixadas por convenes quase sempre internacionais. Geralmente, no recebem ponto abreviativo, no admitem plural nem so escritos com letra maiscula: 200 g (200 gramas); 5 km (5 quilmetros); 2 min (dois minutos).

1. alguns casos, no entanto, so escritos com letras maisculas: os smbolos que se originam de nomes prprios: W (watt), N (newton); os prefixos gregos: M (mega), G (giga), MHz (megahertz); os smbolos dos elementos qumicos: O (oxignio), Au (ouro), Ag (prata); os smbolos dos pontos cardeais: N (norte), S (sul), L (leste), O (oeste).

2. a representao das horas nunca dever conter vrgula, pois esta privativa de decimal. Ex.: 16h15min, 16.15 e jamais 16,15h.

3. os smbolos das unidades de medida, com exceo das horas, devem ser escritos depois do nmero a que se referem e no antes ou intercalados entre a parte inteira e a parte decimal. Ex.: 34,5 km, 1,25 Kg, 35 mm e no 34km500m, 1kg250g, mm35.

4. os smbolos das unidades de ngulo plano so grafados como expoentes. Ex.: 45, 131820.

5. o smbolo do real R$. Fica antes do nmero que indica a importncia e separado deste por um espao. Se houver possibilidade de fraude, deve-se escrever tambm por extenso.

6. recomenda-se observar espao entre entre o nmero e o smbolo, exceto na combinao de horas e minutos. Ex.: 10 cm, 22 m, 15 mm, 1.000 kW, 2 kg, 200 Kg, 2h30min, 23h.

7. pesos e medidas devem ser escritos por extenso, a no ser em tabelas e grficos (quilos, metros, hectares, acres etc.). Excees: abrevia-se quilmetro quando em referncia a um ponto determinado de uma rodovia (Os grevistas bloquearam o trfego no Km 345 da BR-103) e peso e altura de pessoas (90kg; 1,80m).

Smbolos mais comuns

ngulo plano

= grau

= minuto

= segundo

rea

a = are

ha = hectare

km = quilmetro quadrado

m = metro quadrado

Comprimento

cm = centmetro

dam = decmetro

dm = decmetro

hm = hectmetro

km = quilmetro

m = metro

mm = milmetro

Mn = mirimetro

Dados digitais

b = bite

B = byte

GB = gigabyte

Kb = quilobite

KB = quilobyte

Mb = megabite

MB = megabyte

Energia

J = Joule

kcal = quilocaloria

KeV = quiloeltron-volt

kJ = quilojoule

KT = quiloton

KWh = quilowatt-hora

MeV = megaeltron-volt

Fluxo magntico

G = Gaus

Mx = Maxwell

T = Tesla

Wb = Weber

Fluxo de massa

kg/s = quilograma por segundo

Fora

kgf = quilograma-fora

N = Newton

Frequncia

Hz = hertz

kc = quilociclo

kHz = quilohertz

MHz = megahertz

Impedncia eltrica

W = ohm

Intensidade de corrente

A = ampere

kA = quiloampere

mA = miliampere

Massa

cg = centigrama

dg = decigrama

g = grama

kg = quilograma

mg = miligrama

t = tonelada

Nvel de potncia

B = bel

dB = decibel

Potncia

cv = cavalo-vapor

KVAr = quilovar

kW = quilowatt

Var = var

W = watt

Presso

kb = quilobar

mb = milibar

mm Hg = milmetro de mercrio

N/m = Newton por metro quadrado

Quantidade de eletricidade

C = coulomb

kC = quilocoulomb

Temperatura Celsius

C = grau celsius

Tempo

d = dia

h = hora

min = minuto

s = segundo

Tenso eltrica

kVA = quilovolt-ampere

V = volt

Vazo

m/s = metro cbico por segundo

Velocidade

km/h = quilmetro por hora

m/s = metro por segundo

m/s = metro por segundo ao quadrado

Volume

cm = centmetro cbico

dm = decmetro cbico

hl = hectolitro

kl = quilolitro

l = litro

m = metro cbico

ml = mililitro

Pesos e Medidas

O jornalista Eduardo Martins escreveu o Manual de Redao e Estilo do Estado. Reproduzo

REA

Multiplique o n de

Por

Para obter o equivalente em

Obs.:Caso seja necessrio transformar qualquer medida da coluna da direita em unidade da coluna da esquerda, basta pegar o dado em questo e dividi-lo pelo fator da coluna do meio. Ex.: para transformar 100 hectares em acres, basta dividir 100 por 0,4046856224.

Acres

0,4046856224

Hectares

Acres

4046,8564224

Metros quadrados

Ares

0,0247105

Acres

Hectares

2,47105

Acres

Metros quadrados

1,19599

Jardas quadradas

Hectares

10.000

Metros quadrados

Alqueires mineiros

48.400

Metros quadrados

Alqueires do Norte

27.225

Metros quadrados

Alqueires paulistas

24.200

Metros quadrados

Braas quadradas

3,052

Metros quadrados

Braas de sesmaria

14.520

Metros quadrados

Quadras quadradas

17.424

Metros quadrados

PESO

Multiplique o n de

Por

Para obter o equivalente em

(1) Tambm conhecidas como toneladas americanas.

(2)Tambm conhecidas como toneladas britnicas.

Obs.: Caso seja necessrio transformar qualquer medida da coluna da direita em unidade da coluna da esquerda, basta pegar o dado escolhido e dividi-lo pelo fator da coluna do meio. Ex.: para transformar 100 quilos de aveia em bushels, basta dividir 100 por 14,51495.

Arrobas

15

Quilos

Bushels (trigo)

25,401168

Quilos

Bushels (milho)

25,401168

Quilos

Bushels (aveia)

14,51495

Quilos

Bushels (soja)

27,21553

Quilos

Bushels (farelo de soja)

27,21553

Quilos

Libras

0,4535923

Quilos

Onas

28,349

Gramas

Onas troy

31,10347

Gramas

Quilogramas

2.204,622

Libras

Toneladas

1.000

Quilos

Toneladas curtas (1)

907,19

Quilos

Toneladas longas (2)

1.016

Quilos

COMPRIMENTO

Multiplique o n de

Por

Para obter o equivalente em

Obs.: Caso seja necessrio qualquer medida da coluna da direita em unidade da coluna da esquerda, basta pegar o dado escolhido e dividi-lo pelo fator da coluna do meio. Ex.: para transformar 100 metros em jardas, basta dividir 100 por 0,9144.

Braas

1,8288

Metros

Jardas

0,9144

Metros

Metros

1,09361

Jardas

Metros

39,3701

Polegadas

Milhas nuticas

1.852

Metros

Ps

30,48

Centmetros

Polegadas

2,54

Centmetros

Quilmetros

0,621371

Milhas estatutrias

Milhas terrestres

1,609344

Quilmetros

Quilmetros

0,539957

Milhas nuticas

Palmos

22

Centmetros

VOLUME E CAPACIDADE

Multiplique o n de

Por

Para obter o equivalente em

Obs.: Caso seja necessrio transformar qualquer medida da coluna da direita em unidade da coluna da esquerda, basta pegar o dado escolhido e dividi-lo pelo fator da coluna do meio. Ex.: para transformar 100 litros em gales, basta dividir 100 por 3,785.

(1) Essa medida refere-se capacidade, em litros, de um galo norte-americano. H uma diferena entre este galo e o galo ingls em termos de volume: o galo norte-americano possui 3.785 centmetros cbicos, enquanto o galo ingls possui 4.546 centmetros cbicos (tambm chamado de galo imperial).

Barris (de petrleo)

0,1589872

Metros cbicos

Barris (de petrleo)

158,98

Litros

Gales (1)

3,785

Litros

VELOCIDADE

Multiplique o n de

Por

Para obter o equivalente em

Obs.: Caso seja necessrio transformar qualquer medida da coluna da direita em unidade da coluna da esquerda, basta pegar o dado escolhido e dividi-lo pelo fator da coluna do meio. Ex.: para transformar 100 quilmetros por hora em milhas, basta dividir 100 por 1,609344.

2.14 Citao

O registro de uma informao extrada de outra fonte denomina-se citao, que pode ser uma transcrio ou parfrase. Estas podem ser diretas, quando reproduzem o texto original, ou indiretas, quando reproduzem uma fonte intermediria.

Normas gerais

a) Manter a fidedignidade s ideias do autor, se parfrase, ou ao texto citado, se transcrio, fazendo apenas a correo de erros de grafia. Na ocorrncia de outros erros, alm dos de grafia, emprega-se a palavra latina sic (assim) entre parnteses ou colchetes, ao final da citao ou logo aps a palavra ou expresso estranha ou errada, para indicar que est igual ao original:

unanimidade, negar provimento o (sic) recurso.

O correto seria: unanimidade, negar provimento ao recurso.

b) Usar aspas duplas no incio e no final de transcrio e aspas simples em transcrio inserida em outra (pode-se usar tambm o itlico para destacar).

c) Recuar, em relao margem esquerda, e usar corpo menor que o do texto, quando as transcries tiverem trs ou mais linhas. Quando se tratar de textos de lei, recuar independentemente do nmero de linhas. Geralmente, o recuo de 4 cm. Deve-se usar espao simples entre as linhas e um espao duplo entre a citao e os pargrafos anterior e posterior. Esse tipo de citao aparece sem aspas, destacando-se do texto pelo posicionamento diferenciado e pela utilizao de tamanho de letra menor ou itlico.

d) As supresses feitas numa transcrio so indicadas por reticncias entre parnteses e os acrscimos ou comentrios feitos pelo autor do texto, por colchetes: Segundo Joo Barbalho, a clusula final do art. 28 resultara de uma falha da redao, pois a emenda aditiva (...) dizia: representao das minorias [e no da minoria] com mais propriedade e acerto.

e) As citaes podem vir introduzidas por expresses latinas, como: verbis, in verbis, ipsis verbis (pelas mesmas palavras; textualmente) ou ipsis litteris (textualmente; pelas mesmas letras): O Ministrio Pblico Federal sintetizou de forma coerente a questo. In verbis: (...)

f) No caso de matrias publicadas em colunas, como acontece em revistas e jornais, mantm-se apenas as aspas, dispensando-se o recuo e a composio em corpo menor, independentemente da extenso das transcries.

g) Caso se queira destacar algum termo ou expresso de uma citao direta, utiliza-se destaque (negrito, itlico ou sublinhado) e, no final, acrescenta-se a expresso assim grifo nosso ou sem grifo no original. Observe dois exemplos:

Lopes (2005, p. 59) afirma que princpio dispositivo, em sua concepo radicional, significava que a iniciativa das alegaes, pedidos e provas pertencia exclusivamente s partes (grifo nosso).

O princpio dispositivo, em sua concepo tradicional, significava que a iniciativa das alegaes, pedidos e provas pertencia exclusivamente s partes (LOPES, 2005, p. 59, sem grifo no original).

h) Ao fazer citao em nota de rodap, deve-se sempre vir entre aspas, independentemente de sua extenso. Observe modelo:

No texto:

Num primeiro momento, reafirma a verso oficial de que o exrcito naquela ocasio, como de costume, apenas patrulhou a cidade. Sem qualquer amparo

documental, v-se vencida pelas evidncias levantadas em pesquisa posterior.

No rodap:

1 Sua nica fonte comprobatria a seguinte: Vrias pessoas que moravam em Francisco Beltro, na poca, afirmaram isso, inclusive Walter Pecoils e Luiz Prolo, que eram da comisso (Gomes, 1986, p. 104).

Normas para indicao da fonte

a) Indicar os dados necessrios identificao da fonte citada. Tcnica bem comum o sistema autor-data em que a indicao feita no corpo do texto, logo aps a citao, pela entrada grafada com inicial maiscula (sobrenome do autor ou nome da instituio responsvel ou ttulo da obra), seguida da data de publicao do documento original e, se necessrio, do nmero da pgina, da seo, ou do captulo referido. Observe exemplo:

Parece no haver mais dvida de que O ps-modernismo o consumo da prpria produo de mercadorias como processo. (Jameson, 1996, p. 14)

Em citaes indiretas, geralmente emprega-se o nome do autor e a data antes da parfrase. Observe exemplo:

Num estudo recente, Barbosa (1998) questiona todos os pressupostos da teoria do fim das narrativas mestras.

b) A citao de uma obra, quando feita pela primeira vez num texto, deve ter sua referncia completa. Se no houver intercalaes de outras obras do mesmo autor, as citaes seguintes da mesma obra podem ser substitudas pela expresso latina opus citatum (obra citada) na forma abreviada op. cit., aps o nome do autor: MIRANDA, Jorge. Op. cit., p. 208.

c) A indicao de uma obra de mesmo autor, j referenciada em nota imediatamente anterior, na mesma pgina ou em pgina no distante, faz-se com a expresso latina, na forma abreviada, id. ibid. (mesmo autor e mesma obra):

Na mesma pgina: Id. ibid. Em pginas diferentes: Id. ibid., p. 150.

d) Sendo obra diferente, porm de autor j referenciado em nota imediatamente anterior, usa-se a expresso latina abreviada id. (mesmo autor), acrescida do ttulo e demais elementos de referncia:

Id. Partidos e sistemas partidrios. Braslia: Universidade de Braslia, 1982.

e) Na citao indireta, usa-se a expresso latina apud (da obra de, citado por, conforme, segundo) e faz-se a indicao da obra consultada de forma completa:

Apud REALE, Miguel. O sistema de representao proporcional e o regime presidencial brasileiro. Estudos Eleitorais. Braslia: TSE, v. 1, n. 1, jan./abr. 1997. p. 110.

f) Citao de citao

Trata-se da meno a um documento a que no se teve acesso, mas do qual se tomou conhecimento apenas por citao em outro trabalho. S deve ser usada no caso de absoluta impossibilidade de acesso ao documento original. A indicao feita pelo nome do autor original, seguido da expresso citado por ou apud e do nome do autor da obra consultada, aparecendo somente o nome deste nas referncias bibliogrficas.

Exemplo:

Segundo Hall e Stolcke, apud Lamounier (1984, p. 300), os fazendeiros, a partir da metade do sculo, j supunham que a fora de trabalho escrava teria que ser substituda.

g) Traduo em citao

Textos em lngua estrangeira podem ser citados no original ou traduzidos (documentos legais devem coner a traduo obrigatoriamente). Neste ltimo caso, a expresso trad. por deve aparecer logo aps a citao. Se a citao mantiver o idioma original, a traduo feita pelo autor do trabalho deve aparecer em nota de rodap.

2.15 Referncia

A referncia pode aparecer: no rodap, no fim de texto ou de captulo, em lista de referncias e antecedendo resumos, resenhas e recenses. O ttulo deve ser destacado, de forma uniforme, em todas as referncias de um mesmo documento, utilizando-se negrito, itlico ou sublinhado. Essa regra no se aplica a documentos sem indicao de autoria ou responsabilidade, que devem ter a entrada pelo prprio ttulo, com a primeira palavra escrita em letras maisculas.

Modelos de referncia

Incluem modelos de referncias, exemplificados de acordo com o tipo de suporte documental (livro, peridico, artigo de peridico, tese, CD-ROM, DVD, filme, mapa, msica, recursos eletrnicos).

Referncia de material grfico

Os elementos essenciais so: autor, ttulo, edio, local, editora e data de publicao, que devem constar, obrigatoriamente, na referncia.

SOBRENOME, Nome (s) do(s) autor(es) (pessoa, entidade). Ttulo. Edio. Local de publicao: Editora, Data de publicao.

VERISSIMO, Lus Fernando. O analista de Bag. 4 ed. Porto Alegre: L&PM, 1992.

Os elementos complementares no so obrigatrios, mas, permitem identificar melhor o documento. Pode-se incluir: tradutor, revisor, ilustrador, descrio fsica (nmero de pginas, volume, tomo ou captulo), dimenso, srie, notas especiais, ISBN ou ISSN.

SOBRENOME, Nome(s) do(s) autor(es) (pessoa, entidade). Ttulo. Traduo. Edio. Local de publicao: Editora, Data de publicao. pginas, volumes, tomo ou captulos. Srie.

STEIN, Suzana Albornoz. O que trabalho. 6. ed. So Paulo: Brasiliense, 2002. 103 p. (Coleo Primeiros Passos).

Observao: Mantm-se a ordem de apresentao empregada na publicao em relao ordem de entrada dos autores, seguido de ponto-e-vgula e do nome do segundo (e demais autores, se for o caso)

Autor repetido

O autor de vrias obras apresentadas sucessivamente deve ser substitudo, nas referncias subsequentes primeira, por um travesso equivalente a cinco espaos.

WHATELY, Lgia. Alegria de Viver. So Paulo: Dasein, 1994,

_____. Permisso para ser mulher. So Paulo: Dasein, 1995.

Referncia de um captulo de livro quando o autor do captulo no o autor do livro.

SOBRENOME DO AUTOR DO CAPTULO, Prenome. Ttulo do captulo. In: SOBRENOME DO AUTOR DO LIVRO, Prenome. Ttulo do livro. Edio. Local: Editora, data, Pgina inicial e pgina final do captulo utilizado.

VIEIRA, Jos. A importncia da linguagem jurdica. In: Linguagem jurdica em Portugal. 5. Lisboa: Lux, 2002, p. 38-42.

Referncia de dissertaes, teses e trabalhos acadmicos

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome. Ttulo. Local da publicao, ano, nmero de pginas. Tipo de trabalho acadmico. Institutio.

PAIVA, Denise. A psicologia nos contos de fadas. So Paulo, 2004, 98 p. Dissertao (Mestrado em Psicologia). Universidade de So Paulo.

Referncia de Meio Eletrnico

A International Standards Organization (ISO) recomenda o seguinte padro: SOBRENOME DO AUTOR, Prenomes. Ttulo [tipo de suporte]. Edio, Local de publicao: Editora, Data de publicao. Data de atualizao ou reviso (opcional). Disponibilidade e acesso. Data de acesso.

CARROLL, Lewis. Alices Adventures in Wonderland [on-line]. Dortmund, Germany: WindSpiel, novembro 1994. Disponvel em: . Acesso em: 27 de maio de 1991.

Percebe-se que a forma mais comum contm apenas os elementos essenciais: SOBRENOME DO AUTOR, Prenomes. Ttulo. Ano. Endereo disponvel. Acesso.

BACON, Francis. Novum Organum. 2002. Disponvel em: . Acesso em: 7 jan. 2009.

Referncia de parte do material

Quando, numa obra, cada captulo ou parte foi escrito por um autor(es) diferente(s) e necessita-se referenciar apenas um captulo ou uma das partes (livros, folhetos, guias, catlogos, dicionrios, trabalhos acadmicos entre outros), deve-se obedecer seguinte ordem:

SOBRENOME, Nome (s) do(s) autor(es) (pessoa, entidade) do captulo ou da parte. Ttulo do captulo ou da parte. Expresso In: (que significa contido em). SOBRENOME, Nome (s) do(s) autor(es). (pessoa, entidade (coordenador, organizador, entre outros) da obra no todo. Ttulo da obra no todo. Edio. Local de publicao: Editora, data de publicao. paginao ou outra forma de indicar a parte referenciada (volume, tomo ou captulo).

VERGEIRO, Waldomiro. Publicaes governamentais. In: Campello, Bernadete Santos; Cendn, Beatriz Valadares; Kremer, Jeannette Marquerite (Org.). Fontes de informao para pesquisadores e profissionais. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2000. cap. 1, p. 111-128.

Referncia de parte do material em Meio Eletrnico

Conflito entre tratados e leis. Disponvel em: . Acesso em 21 jan. 2009.

Autoria de entidades coletivas

Sociedades, organizaes, entidades e instituies podem ser autores, tendo seus nomes escritos em maisculas. As unidades subordinadas so mencionadas aps o nome da instituio, separadas por ponto e com iniciais maisculas. As entidades de natureza cientfica, cultural ou artstica entram por

seu prprio nome. Os rgos governamentais de funo executiva, legislativa e

judiciria entram pelo nome do local de sua jurisdio. Exemplos:

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARAN. Biblioteca Central.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE UROLOGIA.

BRASIL. Ministrio da Economia. Secretaria de Contabilidade.

Congressos e eventos assemelhados

Congressos, reunies, simpsios, conferncias e assemelhados tm entrada pelo nome do evento, seguido de nmero, data (ano) e local, separados uns dos outros por vrgula. Exemplos:

ENCONTRO BRASILEIRO SOBRE INTRODUO AO ESTUDO DA HISTRIA, 1968, Nova Friburgo.

CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAO, 10, 1979, Curitiba.

Coletneas

Em caso de coletneas, existindo um editor, diretor, organizador ou compilador responsvel, em destaque na folha de rosto, efetuar a entrada por seu nome, seguido da abreviatura da funo editorial, na lngua da publicao, com inicial maiscula, entre parnteses. No havendo indicao de responsabilidade, a entrada deve ser feita pelo ttulo. Exemplos:

SIMONSON, H. P. (Ed.).

CADERMATORI, Lgia (Org.).

Tratados, acordos e similares

A entrada feita pelo nome pelo qual o documento ficou conhecido, seguido da data entre parnteses. Exemplos:

Tratado da Antartica (1959).

Tratado de No-Proliferao de Armas Nucleares (1968).

Relatrios oficiais

A entrada feita pelo nome da instituio, e no pelo autor do relatrio. No se indica o nome da editora quando o mesmo da entrada. No caso de relatrios governamentais, a entrada inclui o nome do chefe de governo. Exemplos:

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARAN. Relatrio de atividades 1985. Curitiba, 1986.

COMPANHIA VALE DO RIO DOCE. Relatrio anual 1989. Rio de Janeiro, 1989.

PARAN. Governador (1857-1859 : Mattos). Relatrio do presidente da Provncia do Paran Francisco Liberato de Mattos na abertura da Assembla Legislativa Provincial em 7 de janeiro de 1858. Curityba: Typ. Lopes, 1858.

Obras inditas

No caso de trabalhos e documentos no publicados, devem ser seguidas as normas para monografias, indicando-se a origem do documento (palestras, notas de aula, cartas, etc.) logo depois de sua identificao pelo ttulo.

Na citao de trabalhos inditos, em fase de elaborao ou ainda no publicados, deve-se fazer aluso a essa circunstncia.

CARVALHO, Jos de Souza et al. Plano de urbanizao do Morro do Pavo : executado atravs de convnio TBAN/BCNF, 1978. Em fase de elaborao.

Partes de revistas e outros peridicos

Transcrever o ttulo da coleo em letras maisculas, seguido do ttulo do fascculo, suplemento ou nmero especial, local de publicao (quando houver indicao), nome da editora, nmeros do volume e do fascculo, precedidos das respectivas abreviaturas (v. e n.) ou apenas da abreviatura n. Acrescentar a data de publicao. Exemplos:

CONJUNTURA ECONMICA. As 500 maiores empresas do Brasil. Rio de Janeiro: FGV, v. 38, n. 9, set. 1984.

CONJUNTURA ECONMICA. As 500 maiores empresas do Brasil. Rio de Janeiro : FGV, n. 38/9, set. 1984.

PESQUISA POR AMOSTRA DE DOMICLIO. Mo de obra e previdncia. Rio de Janeiro : IBGE, v. 7, l983.

Artigos e reportagens de revistas e outros peridicos

Dar a entrada pelo sobrenome do autor do artigo, em letras maisculas, seguido do(s) prenome(s) e ttulo do artigo. O ttulo do peridico ou da revista pode ser abreviado, devendo aparecer em itlico. Deve-se indicar o local de publicao, salvo quando ele j estiver includo no nome do peridico, os nmeros do volume e do fascculo precedidos das respectivas abreviaturas e separados um do outro por vrgula. O nmero das pginas inicial e final so transcritas aps a abreviatura p. e ligados por hfen. A data indicada pelo ms ou meses extremos ou estao e pelo ano de publicao.

MOURA, Alexandrina Sobreiro de. Direito de habitao s classes de baixa renda. Cincia & Trpico, Recife, v. 11, n. 1, p. 71-78, jan./jun. 1983.

Artigos e reportagens de jornal

A referenciao segue as diretrizes vlidas para o item anterior (artigos de peridico), mas importa sobretudo indicar o dia da publicao do artigo. O local s deve aparecer se j no estiver includo no nome do jornal. Quando so consultadas colees inteiras, pode-se referenciar a coleo, dando entrada pelo nome do jornal e indicando as datas extremas da coleo.

FERREIRA, Alcides. Plano Collor acelera o processo de fuses e compras de empresas. Folha de S. Paulo, Caderno 2, 4 jun. 1990.

MIRANDA, Ruy. Anes que fazem gigantes. Gazeta do Povo, Curitiba, Caderno 5, 3 jun. 1990.

Artigos de suplemento de jornal

VILLAA, Antonio Carlos. Deus relao de amor, Deus amante do homem. Minas Gerais, Belo Horizonte, 17 set. 1988. Suplemento literrio, v. 22, n. 2206, p. 8-10.

SIMES, Joo Manuel. Camilo, autor e personagem. O Estado de S. Paulo, 26 maio 1990. Cultura, v. 7, n. 512, p. 4-5.

Normas tcnicas

ASSOCIAO BRASILEIRA DE NORMAS TCNICAS. Referncias bibliogrficas, NBR 6023. Rio de Janeiro, 1989.

2.16 Referncia de documentos jurdicos

Legislao

Constituio, emendas constitucionais, lei complementar, lei ordinria, medida provisria, decretos, normas emanadas de entidades pblicas e privadas (ato normativo, portarias, resolues, ordens de servio, circular, entre outros).

JURISDIO (Pas, Estado ou Municpio). ttulo. numerao, data e dados da publicao.

Ato Normativo

BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Ato n 801, de 23 de dezembro de 2008. Dirio Oficial [da] Repblica Federativa do Brasil, Poder Judicirio, Braslia, DF, ano 146, n.1, p. 67, 2 jan. 2009. Seo 1, pt.1.

Cdigo Civil

BRASIL. Cdigo civil, Cdigo de processo civil, Constituio federal. Organizao por Anne Joyce Angher. 5. ed. So Paulo: Rideel, 2005. 1536 p. (Mini 3 em 1).

Constituio

BRASIL. Constituio (1988). Constituio da Repblica Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. 4. ed. So Paulo: Saraiva, 1990.

BRASIL. Constituio da Repblica Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Colaborao de Antonio Luiz de Toledo Pinto; Mrcia Cristina Vaz dos Santos Windt e Livia Cspedes. 41. ed., atual. e ampl. So Paulo: Saraiva, 2008. 368 p. (Saraiva de legislao).

Decreto

BRASIL. Decreto-Lei n 1.413, de 14 de agosto de 19 75. Dispe sobre o controle da poluio do meio ambiente provocada por atividades industriais. In: MORAES, Luis Carlos Silva de. Curso de direito ambiental. So Paulo: Atlas, 2001. p.169-170.

Instruo Normativa

BRASIL. Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuria. Instruo normativa n 41, de dezembro de 2008. Dirio Oficial [da] Repblica Federativa do Brasil, Poder Judicirio, Braslia, DF, ano 146, n. 1, p. 3-4, 2 jan. 2009. Seo 1, pt. 1.

Lei Ordinria

BRASIL. Presidncia da Repblica. Lei n 7.746, de 30 de maro de 1989. Dispe sobre a composio e instalao do Superior Tribunal de Justia, cria o respectivo Quadro de Pessoal, disciplina o funcionamento do Conselho da Justia Federal e d outras providncias. In: ______. Superior Tribunal de Justica. STJ Superior Tribunal de Justia: regimento interno. 2. ed. So Paulo: Saraiva, 1992. p. 83-90.

Medida Provisria

BRASIL. Medida provisria n 581, de 12 de agosto de 1994. Dispes sobre os quadros de cargos de Grupo-Direo e Assessoramento Superiores da Advocacia Geral da Unio. Dirio Oficial [da] Repblica Federativa do Brasil, Braslia, DF, v. 132, n. 155, p. 12246, 15 ago. 1994. Seo 1, pt. 1.

Portaria

BRASIL. Ministrio da Educao e do Desporto. Portaria n 322 de 16 de abril de 1998. Consulex: Leis e Decises, Braslia, v. 2, n. 18, jun. 1998.

Resoluo

BRASIL. Ministrio da Integrao Nacional. Secretaria Executiva. Departamento de Gesto dos Fundos de Investimentos. Resoluo n 37, de 29 de dezembro de 2008. Dirio Oficial [da] Repblica Federativa do Brasil, Poder Judicirio, Braslia, DF, ano 146, n. 1, p. 32, 2 jan. 2009. Seo 1, pt. 1.

Jurisprudncia

Smulas, enunciados, acrdos, sentenas e demais decises judiciais.

JURISDIO (Pas, Estado ou Municpio) e rgo judicirio competente. Ttulo (natureza da deciso ou ementa). Nmero, partes envolvidas (apelante, apelado, recorrente e recorrido, se houver). Relator, local data e dados da publicao.

Acrdo

BRASIL. Tribunal Regional Federal (2. Regio). Recurso em sentido estrito n 2005.50.01.003452-8. Recorrente: Ministrio Pblico Federal. Recorrido: Wilson Nunes de Carvalho. Relator: Desembargadora Federal Liliane Roriz. Rio de Janeiro, 14 de outubro de 2008. Revista IOB Trabalhista e Previdenciria, Porto Alegre, ano 20, n. 234, p. 161-165, dez. 2008.

Smula

BRASIL. Supremo Tribunal de Justia. Smula n 27, de 12 junho de1991. Pode a execuo fundar-se em mais de um ttulo extrajudicial relativos ao mesmo negcio. In: BUSSADA, Wilson. Smulas do Superior Tribunal de Justia: acrdos de origem e sentenas decorrentes. 2. ed. So Paulo: Jurdica Brasileira, 1995. v. 1. p. 492-500.

Doutrina

Qualquer discusso tcnica sobre questes legais, publicada em artigos de peridico, monografias, papers, entre outros, da rea do Direito referenciado, conforme o tipo de documento.

CAMPOS, Alexandra Santana; CAMPOS, Marcelo. A Lei de Execuo Fiscal aps a as alteraes do CPC: aspectos doutrinrios e jurisprudenciais. Revista Tributria e de Finanas Pblicas, So Paulo, ano 16, n. 82, p. 9-20, set./out. 2008.

CARMONA, Carlos Alberto. Ensaio sobre a sentena arbitral parcial. Revista de Processo, So Paulo, ano 33, n. 165, p. 9-28, nov. 2008.

Documento Jurdico em Meio Eletrnico

Decretos

BRASIL. Decreto n 6.341, de 3 de janeiro de 2008. D nova redao a dispositivos do Anexo I e altera o Anexo II, a, do Decreto n 5.063, de 3 de maio de 2004, que aprova a Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comisso e das Funes Gratificadas do Ministrio do Trabalho e Emprego. Dirio Oficial da Unio, Braslia, 4 jan. 2008. Disponvel em:. Acesso em: 12 jan. 2009.

Leis

BRASIL. Presidncia da Repblica. Lei n 11.899, de 8 de janeiro de 2009. Institui o Dia Nacional da Leitura e a Semana Nacional da Leitura e da Literatura. Braslia, 8 de janeiro de 2009. Disponvel em: . Acesso em: 15 jan. 2009.

Portarias

BRASIL. Ministrio da Sade. Secretaria de Vigilncia Sanitria. Portaria n 27, de 13 de janeiro de 1998. Dirio Oficial da Unio. Poder Executivo, Braslia, DF, 16 jan. 1998. Disponvel em: . Acesso em: 29 set. 2008.

Resoluo

BRASIL. Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria. Resoluo RDC n 12, de 2 de janeiro de 2001. Aprova o Regulamento Tcnico sobre padres microbiolgicos para alimentos. Dirio Oficial da Unio. Poder Executivo, de 10 de janeiro de 2001. Disponvel em: . Acesso em: 13 jan. 2009.

Acrdos

RIO GRANDE DO SUL. Tribunal Regional do Trabalho (4. Regio). Recurso Ordinrio n 01682-2004-203-04-00-3. Recorrente: Pedro Eduardo Silveira Dutra da Silva. Recorrido: Bimex Transportes Comercial Importadora e Exportadora Ltda. Relator: Juiz Hugo Carlos Scheuermann. Porto Alegre, 8 de maro de 2006. Disponvel em: . Acesso em: 14 jan. 2009.

Smulas

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Smula n 702. A competncia do Tribunal de Justia para julgar prefeitos restringe-se aos crimes de competncia da justia comum estadual; nos demais casos, a competncia originria caber ao respectivo tribunal de segundo grau. Disponvel em:. Acesso em: 13 jan. 2009.

Doutrina

SANTOS, Douglas Dall Cortivo dos. O recente posicionamento do Superior Tribunal de Justia e o reconhecimento da possibilidade de converso do tempo de servio especial em comum aps 28.05.1998. Revista de Doutrina da 4 Regio, Porto Alegre, n. 27, dez. 2008. Disponvel em: . Acesso em: 16 jan. 2009.

2.17 Expresses latinas em referncias e citaes

Apud: citado por, conforme, segundo. Emprega-se para indicar a fonte de citao indireta (reproduo de texto de fonte intermediria).

Et alli ou et al: e outros.

Ibidem: no mesmo lugar, na mesma obra: Emprega-se para citar a mesma obra referenciada imediatamente antes.

Idem: o mesmo, a mesma coisa; o mesmo autor, igual anterior. Emprega-se quando o autor o mesmo da citao anterior.

Idem ibidem: o mesmo, no mesmo lugar. Emprega-se para citar o mesmo autor e sua obra imediata e anteriormente antes referida.

Idem per idem: o mesmo pelo mesmo.

In: em; na obra de. Usa-se em citaes extradas de obras coletivas, seguida por dois pontos e com inicial maiscula.

In fine: no fim. Expresso usada sobretudo em citaes.

In verbis: nestas palavras; textualmente.

Ipsis litteris: textualmente; pelas mesmas letras.

Ipsis verbis: pelas mesmas palavras.

Loco citato ou loc. cit.: no lugar citado. Emprega-se para mencionar a mesma pgina de uma obra j citada, havendo intercalao de outras referncias bibliogrficas.

Nota bene: note bem; observe bem. Serve para chamar a ateno para o que se segue.

Opus citatum ou op. cit.: obra citada. Emprega-se para mencionar uma obra j citada, quando h intercalao de diferentes referncias bibliogrficas, ou quando o autor mencionado no texto.

Passim: aqui e ali. Emprega-se quando impossvel mencionar todas as pginas de

onde foram retiradas as ideias do autor. Neste caso, so indicadas as pginas inicial e final, que contm as opinies e conceitos utilizados.

Sequentia: seguinte ou que se segue. Emprega-se quando no se deseja mencionar todas as pginas da obra referenciada. Neste caso, indica-se a primeira pgina, seguida da expresso et seq.

Sic: assim; como impresso. Usa-se entre parnteses ou colchetes, ao final de uma citao ou inserida nela, e significa dizer que o original assim mesmo, por mais errado que esteja.

Sine loco: sem lugar.

Sine nomine: sem nome, sem editor. Abrev.: s. n.

2.18 Linha pontilhada

Em textos legais que modificam outros textos legais, usam-se linhas pontilhadas para indicar a omisso de texto de caput, de pargrafo, de inciso, de alnea ou de item de determinado artigo. Deve-se usar uma linha pontilhada para indicar todo o texto suprimido, alm da linha pontilhada que se segue ao nmero do artigo modificado. Usa-se ainda uma linha pontilhada no final da emenda se o artigo modificado no encerrar no texto emendado. Exemplos:

Emenda no caput:

Art. 1o O caput do art. 42 do Ato das Disposies Constitucionais Transitrias passa a vigorar com a seguinte redao:

Art. 42. Durante 25 (vinte e cinco) anos, a Unio aplicar, dos recursos destinados irrigao:

....................................................... (EC 43/04)

Emenda alterando partes do artigo:

Art. 1o Os arts. 48, 57, 61, 62, 64, 66, 84, 88 e 246 da Constituio Federal passam a vigorar com as seguintes alteraes:

Art. 48. ..................................................................................................

...............................................................................................................

X - criao, transformao e extino de cargos, empregos e funes pblicas, observado o que estabelece o art. 84, VI, b; XI - criao e extino de Ministrios e rgos da administrao pblica;

.........................................................................

Art. 57. ...........................................................

7o Na sesso legislativa extraordinria, o Congresso Nacional somente deliberar sobre a matria para a qual foi convocado, ressalvada a hiptese do 8o, vedado o pagamento de parcela indenizatria em valor superior ao subsdio mensal.

2.19 Maisculas ou minsculas

O novo Acordo Ortogrfico da Lngua Portuguesa orienta o uso do emprego de iniciais maisculas e minsculas em nosso idioma da seguinte forma:

Usa-se inicial minscula

a) ordinariamente, em todos os vocbulos da lngua no uso corrente.

b) nos dias, meses, estaes do ano: segunda-feira; outubro; primavera.

c) nas obras literrias e artsticas (aps o primeiro elemento, que com maiscula, os demais vocbulos, podem ser escritos com minscula, salvo nos nomes prprios nele contidos, tudo em grifo): O Senhor do Pao de Nines, O senhor do pao de Nines, Menino de Engenho ou Menino de engenho, rvore e Tambor ou rvore e tambor.

d) nos usos de fulano, sicrano, beltrano.

e) nos pontos cardeais (mas no nas suas abreviaturas); norte, sul (mas: SW sudoeste).

f) nos termos de reverncia, tratamento e religioso (opcionalmente, neste caso, tambm com maiscula): senhor doutor Joaquim da Silva, bacharel Mrio Abrantes, o cardeal Bembo; santa Filomena (ou Santa Filomena).Sabe-se que, em rgos pblicos, indica-se a inicial maiscula nas formas de tratamento por respeito.

g) nos nomes que designam domnios do saber, cursos e disciplinas (opcionalmente, tambm com maiscula): portugus (ou Portugus), matemtica (ou Matemtica); lnguas e literaturas modernas (ou Lnguas e Literaturas Modernas).

Usa-se inicial maiscula

a) nos nomes prprios (reais ou fictcios): Pedro Marques; Branca de Neve, D. Quixote.

b) nos nomes prprios, reais ou fictcios: Lisboa, Luanda, Rio de Janeiro; Atlntida.

c) nos nomes de seres antropomorfizados ou mitolgicos: Adamastor; Neptuno/Netuno.

d) nos nomes que designam instituies: Instituto de Penses e Aposentadorias da Previdncia Social.

e) nos nomes de festas e festividades: Natal, Pscoa, Ramado, Todos os Santos.

f) nos ttulos de peridicos, que retm o itlico: O Primeiro de Janeiro, O Estado de So Paulo.

g) nos pontos cardeais ou equivalentes, quando empregados absolutamente: Nordeste, por nordeste do Brasil, Norte, por norte de Portugal, Meio-Dia, pelo sul da Frana ou de outros pases, Ocidente, por ocidente europeu, Oriente, por oriente asitico.

h) em siglas, smbolos ou abreviaturas internacionais ou nacionalmente reguladas com maisculas, iniciais ou mediais ou finais ou o todo em maisculas: FAO, NATO, ONU; H2O; Sr., V. Exa.

i) opcionalmente, em palavras usadas reverencialmente, aulicamente ou hierarquicamente, em incio de versos, em categorizaes de logradouros pblicos: (rua ou Rua da Liberdade, largo ou Largo dos Lees), de templos (igreja ou Igreja do Bonfim, templo ou Templo do Apostolado Positivista), de edifcios (palcio ou Palcio da Cultura, edifcio ou Edifcio Azevedo Cunha).

Observao: As disposies sobre os usos das minsculas e maisculas no obstam a que obras especializadas observem regras prprias, provindas de cdigos ou normalizaes especficas (terminologias antropolgica, geolgica, bibliolgica, botnica, zoolgica, etc.), promanadas de entidades cientficas ou normalizadoras, reconhecidas internacionalmente.

Merecem ateno na linguagem jurdica os seguintes casos:

Usa-se maiscula:

a) nomes de rgos pblicos, instituies militares, polticas e profissionais, unidades administrativas, comisses oficiais, coligaes, empresas privadas e seus departamentos comeam por maiscula: Ministrio Pblico da Unio, Superior Tribunal de Justia, Secretaria de Documentao e Informao, Diretrio Municipal do PSDB de Juiz de Fora, Prefeitura Municipal de So Carlos, Juzo Eleitoral da 4 Zona do Estado do Rio Grande do Norte, Comisso de Constituio e Justia e de Redao, Coligao Trabalho e Moralizao, Ministrio Pblico.

b) simplificaes de nomes de entidades ou instituies consagradas pelo uso: Congresso por Congresso Nacional, Senado por Senado Federal, Cmara por Cmara dos Deputados, Constituinte por Assembleia Nacional Constituinte, Supremo por Supremo Tribunal Federal.

c) nomes designativos de cargos antepostos autoria de atos oficiais e pospostos assinatura deles: O Diretor-Geral da Secretaria do Supremo Tribunal Federal, no uso de suas atribuies (...).

d) nomes pelos quais as leis tornam-se conhecidas: Cdigo Civil, Cdigo Eleitoral, Lei urea.

e) palavras empregadas em sentido especial, como:

casa, significando local destinado a reunies de interesse pblico: O deputado encontra-se na Casa para votar.

constituio, no sentido de lei fundamental e suprema de um pas e demais sinnimos: Constituio de 1988, Carta Magna, Lei Fundamental.

corte, no sentido de tribunal: Esta Corte tem posio definida sobre o assunto.

estado, no sentido de nao politicamente organizada: O Estado responsabilizou-se pelo desaparecimento de presos polticos.

estado e municpio, no sentido, respectivamente, de unidade da Federao e circunscrio administrativa autnoma de um estado, seguidos dos nomes: o Estado de Minas Gerais, o Municpio de Luzinia; mas, o municpio elegeu um deputado.

federao, no sentido de unio poltica entre as unidades federativas, relativamente autnomas, que se associam sob um governo central: O projeto visa ao fortalecimento da Federao.

igreja, no sentido de instituio: A Igreja contra o aborto.

imprio, repblica, monarquia, no sentido de regime poltico, perodo histrico ou quando equivaler palavra Brasil: No Imprio houve muitas insurreies.

justia, no sentido de Poder Judicirio ou de seus ramos: A Justia comea a se modernizar. Isso da competncia da Justia Eleitoral.

leis, projetos, acrdos, resolues etc. acompanhados dos respectivos nmeros: Lei 9.504, de 30 de setembro de 1997, Mandado de Segurana 112, Of. 10. A inicial deve ser maiscula com nome de leis ou normas polticas e econmicas consagradas pela importncia de que se revestem: Lei de Diretrizes e Bases da Educao, Lei urea, Lei Afonso Arinos, Lei Antitruste, Cdigo Civil, Lei de Responsabilidade Fiscal.

mesa, no sentido de conjunto do presidente e dos secretrios de uma assembleia: A Mesa do Senado posicionou-se a favor das medidas.

plenrio, no sentido de assembleia ou tribunal reunido em sesso: O Plenrio da Cmara rejeitou a proposta do governo.

unio, no sentido de reunio de estados relativamente autnomos, mas subordinados a um governo central; governo federal: Cabe Unio tomar medidas para o caso.

f) incio de citao direta: Diz o Cdigo Eleitoral: So eleitores os brasileiros maiores de 18 anos [...]; emprega-se minscula em citaes no coincidentes com incio de frase: A lei diz: [...] a critrio do juiz ou do Tribunal.

g) pronomes de tratamento so iniciados com maiscula no encaminhamento, no endereamento, no vocativo, nos atos normativos: Excelentssimo Senhor Presidente, Vossa Excelncia, Magnfico Reitor, Senhor Governador, Senhor Diretor etc. Os cargos, dignidades, postos, tratamentos e profisses, mesmo que venham determinados, escrevem-se com inicial minscula no interior do texto: professor Celso Cunha, governador Olvio Dutra, diretor-geral Pedro Alcntara.

h) nomes prprios de eras histricas e pocas notveis Exemplos: Hgira, Idade Mdia, Quinhentos (o sculo XVI), Seiscentos (o sculo XVII). Essa regra no se aplica palavra sculo, grafada com inicial minscula sempre que no iniciar perodo.

i) nomes de tributos, acordos, cartas e declaraes internacionais Exemplos: Imposto Sobre Produtos Industrializados, Taxa de Limpeza Urbana, Conveno Americana de Direitos Humanos, Pacto Internacional dos Direitos Econmicos, Sociais e Culturais, Carta das Naes Unidas, Declarao Universal de Direitos Humanos.

j) fatos histricos e importantes, de atos solenes e de grandes empreendimentos pblicos. Exemplos: Centenrio da Independncia do Brasil, Descobrimento da Amrica, Questo Religiosa, Reforma Ortogrfica, Acordo Luso-Brasileiro, Exposio Nacional, Festa das Mes, Dia do Municpio.

l) nomes de escolas de qualquer espcie ou grau de ensino Exemplos: Faculdade de Filosofia, Escola Superior de Comrcio, Ginsio do Estado, Colgio de Pedro II, Colgio Marista de Braslia, Instituto de Educao, Grupo Escolar de Machado de Assis.

Recomendaes com inicial maiscula na linguagem jurdica

Assembleia Legislativa

Assembleia Nacional Constituinte

Cmara Federal

Cmara Municipal

Carta (Constituio)

Carta Magna (Constituio)

Carta Poltica (Constituio)

Casa (Poder)

Casa Legislativa

Chefe da Nao

Chefe do Executivo

Chefe do Governo

Congresso Nacional

Constituio Federal

Corte Suprema

Decreto-Lei (quando especificado)

Desembargador (quando especificado)

Direito (cincia)

Estado (nao politicamente organizada; unidade federativa seguida do nome)

Estado-Administrador

Estado de direito (o governo juridicamente limitado)

Estado-Juiz

Estado-Legislador

Estado-Membro

Exrcito

Executivo (Poder)

Federao (unio poltica dos Estados)

Foras Armadas

Governador

Judicirio (Poder)

Juiz (quando especificado)

Juzo estadual

Juzo federal

Justia estadual

Justia do Trabalho, Eleitoral, Militar

Justia Federal

Legislativo (Poder)

Lei (quando especificada)

Lei estadual

Lei federal

Lei Maior (Constituio)

Lei municipal

Medida Provisria (quando especificada)

Memorando (quando especificado)

Mesa (do Senado, da Cmara)

Ministrio da/do...

Ministrio Pblico

Ministro (quando especificado)

Municpio (quando seguido do nome)

Nao (referindo-se ao Brasil)

Ofcio (quando especificado)

Pas (referindo-se ao Brasil)

Ptria (referindo-se ao Brasil)

Prefeitura Municipal (quando especificada)

Presidncia da Repblica

Presidente (quando especificado)

Procurador (quando especificado)

Projeto (quando estiver designado)

Regimento Interno (quando especificado)

Regulamento (quando especificado)

Resoluo (quando especificada)

Tesouro Nacional

Tribunal ad quem

Tribunal a quo

Tribunal de Alada (quando especificado)

Tribunal de Justia (quando especificado)

Tribunal Superior (quando especificado)

Unio (associao dos estados federativos)

Usa-se minscula

a) substantivo que designa a espcie de acidente geogrfico e obra civil Exemplos: oceano Atlntico, mar Mediterrneo, rio Amazonas, baa de Guanabara, cordilheira dos Andes, vale do Paraba, deserto do Saara, gruta de Maquin, ilha do Bananal, floresta da Tijuca, lago Parano, canal de Suez, ponte RioNiteri, viaduto do Ch, aeroporto de Cumbica, usina de Itaipu, rodovia BR-116 (RioBahia), estrada RioPetrpolis, tnel Rebouas, porto de Santos, barragem de Sobradinho.

b) eptetos dos topnimos, nas preposies que os relacionam no espao, bem como nos adjuntos que lhes delimitam a extenso ocasional em que so tomados Exemplos: alto Amazonas, mdio So Francisco, baixo Tapajs, alm Atlntico, aqum Andes, Brasil meridional. Quando tais elementos se incorporam aos topnimos, fazendo parte de seu nome oficial ou de nome consagrado pelo uso, grafam-se com inicial maiscula: Recncavo Baiano, Pantanal Mato-Grossense, Oriente Mdio, Trs-os-Montes, frica Equatorial Francesa, Coreia do Sul, Planalto Central, Baixada Fluminense, Mata Atlntica, Floresta Amaznica. Tambm as zonas geoeconmicas do Nordeste e as designaes de ordem geogrfica ou poltico-administrativa so grafadas com maiscula: Meio-Norte, Zona da Mata, Agreste, Serto, Amaznia Legal, Polgono das Secas, Tringulo Mineiro. Porm, quando se trata de adjetivo qualificativo, e no de designativo oficial, grafam-se com inicial minscula: regio amaznica, floresta atlntica, hileia amaznica, costa atlntica.

c) nos seguintes termos quando no estiverem no incio do perodo: trpico, hemisfrio, plo, continente, meridiano, paralelo, equador, latitude, longitude, crculo polar rtico e antrtico, etc.

d) moeda: real, dlar, franco, peso, marco, libra. O real est de cara e coroa novas. Ateno: quando se fala do Plano Real, est-se falando de nome prprio; nesse caso, usa-se inicial maiscula: O (Plano) Real estabilizou a economia.

e) artigos definidos e indefinidos, pronomes relativos, preposies, conjunes e advrbios e suas locues, bem como em combinaes e contraes prepositivas, quando no interior de substantivos prprios: Ministrio do Trabalho, Banco Internacional para a Reconstruo e o Desenvolvimento, Imposto sobre Servios.

f) nomes prprios quando empregados no plural, exceto os nomes e sobrenomes de pessoas: tribunais regionais eleitorais, os estados da Federao; mas os Rodrigues, os Joss, os Andradas.

Recomendaes com inicial minscula na linguagem jurdica

administrao pblica

errio

fisco

governo estadual

governo federal

governo municipal

nomes das partes no processo (requerente, requerido etc)

poder pblico

primeira/segunda instncia

primeiro/segundo grau

relator

2.20 Nmeros

Cardinais em algarismos

a) quantias, grandezas e medidas: R$ 10,00, 25kg, 30m.

b) horrios: 8h35min20s.

c) datas, dcadas e decnios: A reunio realizou-se no dia 20 de agosto de 1998 (exceto o primeiro dia do ms, que deve ser grafado em ordinal). Publicado no DJ de 24-5-96. Dcada de 60.

d) endereos: Rua 15 de Novembro, Casa 7.

e) pginas e folhas de publicaes: pgina 23, folha 14.

f) porcentuais: 30% dos votantes.

g) idade: Ele tem 45 anos.

h) artigos e pargrafos de lei a partir do nmero 10: art. 10, art. 25.

i) contagem de votos e indicao de penas e prazos processuais: Foram computados 5 votos a favor e 3 contra; O ru foi condenado a 15 anos de recluso; A parte tem 5 dias para juntar o documento aos autos.

j) fraes: Ele ainda no cumpriu 1/5 da pena; No homicdio culposo, a pena aumentada em 1/3 se o crime resulta de inobservncia de regra tcnica de profisso, arte ou ofcio.

l) pginas e folhas de publicao: pg. 23, fl. 15.

m) tabelas, grficos e mapas.

Observao: As centenas se separam por ponto, exceto em anos e endereos:53 1.234.567.890; 1822; 2003; Av. Brasil, 1240, ap. 1402, Caixa postal 23683, CEP 70160-900.

Ordinais em algarismos

a) zonas, sesses, distritos e regies: 15 Zona Eleitoral, 1 Distrito.

b) primeiro dia do ms: Hoje 1-4-99.

c) artigos e pargrafos de leis, decretos etc. at o nmero 9: art. 1, art. 9.

d) numerais antecedendo substantivos: 3 captulo, 5 andar.

Observao: Por brevidade, trocam-se os ordinais pelos cardinais: trigsima primeira folha por folha trinta e um, primeira casa por casa um. Nesse caso, usam-se os cardinais sem flexo de gnero e de nmero por ficar subentendida a palavra nmero: A prova encontra-se a folhas n 22 do processo, significando que ela se encontra na 22 folha do processo. Se houver mais de um nmero de folha, a regra a mesma: a folhas n 22 e 25.

e) Quando o ordinal de dois mil em diante, a tradio orienta que o primeiro numeral deve ser cardinal: a 2.132 pessoa (a duas milsima centsima trigsima segunda pessoa); a 4.245 inscrio (a quatro milsima ducentsima quadragsima quinta inscrio). No entanto, h uma tendncia moderna de preferir o primeiro numeral tambm como ordinal: a 2.132 (a segunda milsima); a 4.245 inscrio (a quarta milsima).

Algarismos romanos

a) nomes de papas, soberanos: Papa Joo Paulo II, Lus XV.

b) dinastias reais: II Dinastia.

c) sculos: sculo XX.

d) divises das Foras Armadas: I Comando do Exrcito, IV Distrito Naval.

e) congressos, seminrios, simpsios e eventos correlatos: V Bienal do Livro.

f) partes de uma obra: Ttulo III, Captulo II, Seo I.

g) incisos de leis: inciso V.

Observao: Quando o algarismo romano vier aps o nome, at o X, l-se como ordinal e, a partir da, como cardinal: Sculo III (l-se sculo terceiro); sculo XII (l-se sculo doze). Vindo antes do nome, l-se como ordinal: XII Bienal (l-se dcima segunda bienal).

Para fins de leitura, os algarismos romanos de I a X so tidos por ordinais, estejam eles antepostos ou pospostos ao termo que qualificam. J a partir do XI, eles s recebem tal leitura se antepostos: sculo I (sculo primeiro) ou I sculo (primeiro sculo) sculo X (sculo dcimo); mas sculo XI (sculo onze) ou XI sculo (dcimo primeiro sculo); XX Salo do Automvel (vigsimo); IV Bienal do Livro (quarta).

Na redao legislativa, entretanto, o nmero dez sempre cardinal, independentemente de aparecer sob a forma de algarismo arbico ou romano: art. 10 (artigo dez), inciso X (inciso dez).

Grafia por extenso

Normalmente escrevem-se por extenso:

a) os cardinais e ordinais de um a dez, cem e mil: trs dias, segundo turno, cem pessoas; Se houver nmeros acima e abaixo de 11 na mesma frase, prefira os algarismos: Chegaram 3 revistas e 22 questionrios.

b) escrevem-se por extenso os numerais cardinais e ordinais representados por uma s palavra (simples); mantm-se o numeral se formado por mais de uma palavra (composto): Tivemos duas aulas de ingls; Hoje julgaram cinco casos de homicdio; As 23 pessoas concursadas sero empossadas na prxima semana; J foram registrados 53 casos de dengue em Braslia; Este o primeiro ms de vero; Participaremos do 15 aniversrio da empresa.

c) os cardinais e ordinais em incio de frases: Trinta e dois votos foram anulados.

d) os fracionrios, quando os dois elementos estiverem entre um e dez: trs quintos dos votos; mas empregam-se algarismos nos demais casos: 1/12 dos eleitores.

Observao: A Lei Complementar 95, de 26 de fevereiro de 1998, em seu art. 11, II, f, determina que se deve grafar por extenso quaisquer referncias feitas, no texto legal, a nmeros e porcentuais.

Grafia mista

Usa-se grafia mista (algarismos e por extenso) na classe dos milhares, se no houver nmero na classe inferior: 32 mil votos. Caso contrrio, empregue apenas algarismos: 32.420 votos. A partir da classe dos milhes, h dois procedimentos, se no houver nmero na classe inferior:

a) 15 milhes e 438 mil eleitores; R$ 4 bilhes.

b) 15,4 milhes de eleitores (com aproximao do nmero fracionrio). Caso haja nmero nas classes inferiores, empregam-se apenas algarismos: 15.438.302 eleitores.

c) Quando o quantitativo est expresso de forma sinttica, usa-se a vrgula para separar casas: 2,7 milhes de reais (no: 2.7 milhes); 1,250 bilho de dlares (no: 1.250 bilho).

Observaes:

1. Emprega-se o ponto para separar as classes dos numerais: 3.004.987. Excees: ano e CEP: janeiro de 1998, CEP 70833-060.

2. Nas datas, separam-se o dia, o ms e o ano por ponto separativo, sem zero esquerda de 2 a 9: 3.5.98. O primeiro dia do ms deve ser ordinal. Em formulrios e casos de uso tcnico estabelecido e os j consagrados pelo uso, como, por exemplo, resultados de loteria (ex.: 02-05-08-32-46-49) e numerao de processos e assemelhados (ex.: fls. 01 a 09) pode-se colocar o zero antes.

3. Milho, bilho, trilho etc. variam em nmero: trs milhes, oito bilhes, mas 1,2 milho.

4. O nmero (em algarismo), quando em final de linha, no deve ser dividido em textos jurdicos.

5. Na indicao de quantia, grandeza, medida ou horrio, no se usa espao entre os numerais e os smbolos ou abreviaturas: 2h35min15s, 80km.

Nmeros cardinais compostos

A escrita do cardinal, conforme sua composio, faz-se da seguinte maneira:

a) dois algarismos: pe-se a conjuno e entre os algarismos: 86 => oitenta e seis.

b) trs algarismos: pe-se a conjuno e entre cada um dos trs: 654 => seiscentos e cinquenta e quatro.

c) quatro algarismos: omite-se a conjuno e entre o primeiro algarismo e os restantes: 4.455 => quatro mil, quatrocentos e cinquenta e cinco. Se o primeiro algarismo da centena final for zero, aparecer ento o e: 3.048 => trs mil e quarenta e oito. Aparecer ainda o e quando os dois ltimos ou os dois primeiros da centena forem representados por zeros: 1.400 => mil e quatrocentos; 1.001 => mil e um; R$ 4.005,28 => quatro mil e cinco reais e vinte e oito centavos.

d) de vrios grupos de trs algarismos: omite-se o e entre cada um dos grupos: 3.444.225.528.367 => trs trilhes, quatrocentos e quarenta e quatro bilhes, duzentos e vinte e cinco milhes, quinhentos e vinte e oito mil, trezentos e sessenta e sete.

e) Devem-se repetir as ordens de grandeza, mesmo quando na leitura a primeira delas comumente omitida: Compareceram conveno entre 4 mil e 5 mil pessoas (na leitura comum: entre quatro e cinco mil pessoas). O Municpio tem de 100 mil a 120 mil habitantes (na leitura comum: de cem a cento e vinte mil habitantes). A inflao ficar entre 2% e 3,5% (na leitura comum: entre dois e trs e meio por cento).

6. Os nmeros 1 e 2 e as centenas a partir de 200 variam em gnero, o que exige ateno na hora de ler ou escrev-los por extenso: 200.352 UFIRs = duzentas mil trezentas e cinquenta e duas UFIRs; 435.891 aes preferenciais = quatrocentas e trinta e cinco mil oitocentas e noventa e uma aes preferenciais.

7. Concordncia: milho, bilho, trilho so masculinos: 1,5 milho de pessoal (l-se um milho e quinhentas mil pessoas); 2,6 bilhes de crianas (l-se dois bilhes e seiscentos milhes de crianas); 2,5 mil eleitoras (l-se duas mil e quinhentas eleitoras).

Tabela comparativa de nmeros (incluir anexo 2)

7.3 SIGLAS

As siglas devem ser grafadas conforme as regras aqui

Grafia dos numerais em discursos

Na hiptese da elaborao de discursos e outros textos destinados leitura em voz alta, a grafia dos numerais balizada, sobretudo, pelo critrio da melhor visualizao para o leitor/orador. Por isso, adota-se com mais frequncia a apresentao algbrica dos numerais, embora tambm seja comum o emprego

de combinaes, como a que ocorre em 10 mil e 300 pessoas.

Grafia dos numerais em textos tcnicos

No caso de textos tcnicos (estudos, pareceres ou notas tcnicas), a grafia dos numerais deve observar uma srie de regras, diferentemente do que acontece nas hipteses anteriores. Assim:

a) no se inicia perodo com algarismo arbico, devendo o nmero ser grafado

por extenso, independentemente de ser cardinal ou ordinal Exemplos: Dezesseis anos era a idade da moa que trazia o cu nos olhos. Sexagsimo aniversrio da fundao da escola era a comemorao do dia.

b) grafam-se por extenso os numerais expressos num nico vocbulo e em algarismos aqueles que exigem mais de uma palavra para serem veiculados Exemplo: Mais de quinhentas pessoas compareceram cerimnia de posse do

Presidente da Repblica, mas apenas 250 tinham sido convidadas. Destas, apenas vinte representavam Estados estrangeiros.

Observaes:

A mesma regra vlida para as percentagens, utilizando-se a expresso por cento ou o smbolo % conforme o numeral seja veiculado por uma ou mais palavras: quinze por cento, cem por cento, 42%, 57%. O smbolo, entretanto, deve vir grafado imediatamente depois do algarismo, sem qualquer espao em branco.

Para maior garantia, os valores monetrios devem ser expressos em algarismos seguidos da indicao da quantia, por extenso, entre parnteses: R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais). Se o valor mencionado estiver localizado no final da linha, no o separe: coloque o cifro em uma linha e o numeral na seguinte.

c) nenhum numeral leva hfen, salvo postos e graduaes da hierarquia militar

e da diplomacia Exemplo: Dois servidores deixaram de receber o adiantamento do 13 salrio em junho: o 2 -tenente responsvel pela segurana do prdio, Sr. Antnio Leite, e o 1--secretrio responsvel pela chefia do cerimonial, Sr. Camilo Marques.

e) tanto grficos, gravuras, ilustraes, fotografias, figuras, esquemas, tabelas e quadros constantes dos textos, como idades, datas, escores de jogos, vereditos e contagem de votos devem ser numerados com algarismos arbicos

Exemplos: A Tabela 5 mostra a evoluo da taxa de mortalidade nos ltimos meses. Marcelo tem 30 anos. No plebiscito, foram 200 votos contra a reeleio e 100 a favor dela. O Jri absolveu-o por 4 a 3.

Observaes:

Em tais casos, no se aplica a regra referida na letra b.

Lembre-se, porm, que o decurso de tempo ser sempre grafado por extenso:

Marcelo nasceu h trinta anos; A reunio durou duas horas e meia.

f) nas datas escritas por extenso, indicam-se o dia e o ano em algarismos

arbicos e o ms pelo nome correspondente. Nas abreviadas, os trs elementos so expressos em algarismos arbicos e aparecem separados por hfen ou barra Exemplos: 14 de maro de 1997; 5 de julho de 1995; 12 de outubro de 1984; 1 de maio de 1999; 13-12-41; 27/1/92.

Observaes:

No se utiliza o zero esquerda dos numerais que indicam dia e ms nem se usa ponto para separar os algarismos que expressam ano.

O primeiro dia do ms ao contrrio dos demais que so expressos na forma

cardinal sempre indicado pela abreviatura do nmero ordinal: 1/11/98, 1 de fevereiro de 1915; 1-1-2000.

No se utiliza a forma abreviada da data quando s se faz referncia a ano ou a ms e ano: 1980; 2001; agosto de 1937; janeiro de 1989; junho de 1891; abril de 1713.

g) embora sejam minoria, alguns numerais esto sujeitos flexo de nmero e

gnero, desde que no apaream substantivados Exemplo: Refiro-me procurao que se encontra a folhas trinta e duas.

h) as fraes so invariavelmente indicadas por algarismos numricos se decimais, mas tambm podem ser escritas por extenso quando ambos os elementos designados esto entre um e nove Exemplos: 0,3; 12,75; 4/12; 7/25; 5/6; dois teros; um quarto.

i) Quando o verbo vier anteposto ao nmero percentual, a concordncia tambm ser feita com tal nmero: Esto perdidos 50% da mercadoria; Est perdido 1% da mercadoria; Foi recuperado apenas 1% dos documentos.

2.21 Itlico ou negrito

Os textos comumente vm impressos em letras do tipo redondo, mas, quando se quer chamar a ateno do leitor para certas palavras, expresses ou partes de um texto, usam-se tipos ou cores diferentes, como o itlico ou o negrito.

Itlico

Diz-se do tipo inclinado para a direita (letras inclinadas). Usa-se em:

a) estrangeirismo: O Brasil conheceu o two-party system durante a ditadura, com a Arena e o MDB.

b) expresses latinas: data venia; habeas corpus; opportuno tempore.

c) palavras ou expresses no caractersticas da linguagem de quem escreve, como arcasmos, expresses populares, grias, neologismos: Fugiam do tira.

d) palavras ou partes de texto que se pretende destacar: O veto uma forma de participao do Executivo na elaborao das leis.

e) ttulos de obras, jornais, revistas: Estas ideias esto em As democracias contemporneas, de Arend Lijphart. Li no Correio Braziliense a reportagem. A revista Veja publicou o assunto.

f) nomes de instituies estrangeiras: O Empire State Building voltou a ser o mais alto edifcio de Nova Iorque aps a destruio do World Trade Center.

g. nomes cientficos de Botnica, Zoologia e Paleontologia: Coffea arabica, Carica papaya, Felis catus, Panthera leo, Homo sapiens, Homo erectus (apenas o primeiro nome em maiscula).

Negrito

Diz-se do tipo mais cheio, de cor acentuadamente mais forte que o normal, usado em cabeas de verbetes, em vrias partes de obras impressas, como ttulos, captulos, ementas de acrdos, etc. O negrito e o sublinado so utilizados para realce de palavras e trechos e em ttulos e subttulos. Devem, no entanto, ser empregados com muito critrio, pois o uso abusivo para realar palavras e trechos dentro de um texto, alm de poluir a pgina visualmente, tira-lhes o efeito de destaque.

Votante. Que ou quem vota (verbete).

TTULO VI Da Disciplina Partidria.

2.22 Referncia a folhas

A expresso provoca dvida, pois encontramos de formas diversas no servio pblico. As mais comuns so: folha 27, a folhas 27, as folhas 27, s folhas 27. Autores afirmam que a expresso foi variao da locuo a certa altura. Por isso mesmo, as formas adequadas so a duas primeiras: folha 27 ou a folhas 27. Napoleo Mendes de Almeida afirma que na linguagem forense se diz a folhas vinte e duas significa a vinte e duas folhas do incio do trabalho. Tambm a expresso a pginas vinte e sete segue este princpio. Em relao ao assunto ainda, a forma abreviada deve ser escrita assim:

- a fls. 27;

- fl. 27;

- a fls. 27 e 28;

- s fls. 27 e 28;

- a fls. 27 a 32;

- s fls. 27 a 32.

Inadequado est o uso do plural para indicar apenas uma folha ou pgina. Inadequado tambm o uso da expresso sem a referida folha ou pgina.

Conforme os dados descritos a fls. citada, confirmo a deciso (inadequado).

Quando se faz referncia citao de folha ou pgina numerada, a preposio deve ser acompanhada do artigo definido.

Conforme se l fl. 15.

Conforme se l s fls. 12 e 13.

Conforme se l s fls. 12 a 18.

Segundo consta da/na fl. 27 do processo.

Segundo consta nas fls. 27 e 28 do processo.

Segundo consta nas fls. 27-45 do processo.

Observao: erro a construo consta fl.27, por exemplo, pois o verbo constar, no sentido de estar documentado, pede a regncia da preposio em ou de.

2.23 Anexos, tabelas, grficos, quadros

Anexos

Documentos que acompanham e complementam a correspondncia principal.

Recomendaes:

1. Os anexos podem ser designados por algarismos arbicos ou por letras maisculas;

2. Se houver apenas um anexo, d-se a ele o nome de Anexo nico. Se houver vrios, no primeiro escreve-se Anexo n 1 e no ltimo, Anexo n x e ltimo.

3. Quando se faz referncia a alguma pgina de um anexo, procede-se da seguinte forma: Anexo 1/2 (que significa anexo n 1, pgina 2); Anexo 9/3 (que significa anexo n 9, pgina 3); Anexo n x e ltimo/5 (que significa anexo n x e ltimo, pgina 5).

4. Quando so vrios anexos, no texto do documento principal deve-se mencionar a quantidade. Ex.: Anexos: 6., o que indica que h seis anexos no total.

5. Havendo apenas um anexo, escreve-se no texto principal o nome do anexo. Ex.: Anexas: Notas promissrias.

6. Observe-se rigorosamente a concordncia nominal. Ex.: Anexas: notas promissrias; Anexos: documentos assinados; Anexa: guia de recolhimento; Anexo: pedido assinado.

7. No utilize a expresso em anexo.

Uso de tabelas, grficos e quadros

Tabelas, grficos, figuras e quadros organizam as informaes em ordem lgica e tornam as comparaes mais fceis e acessveis ao leitor, alm de economizarem espao. Assim, servem para ilustrar e agilizam o entendimento da informao.

Recomendaes:

1. As tabelas, figuras ou ilustraes contidas em um documento devem ser intercaladas no texto, logo aps serem citadas pela primeira vez, e numeradas em algarismos arbicos, sequencialmente.

2. Nas tabelas os ttulos vm acima; nas figuras, abaixo.

3. Evite abreviar palavras dentro de grficos, tabelas e quadros.

4. As legendas internas devem obedecer a um padro. Prefira a letra maiscula apenas no incio da primeira palavra.

5. As palavras figura, quadro, anexo e tabela, no texto, quando seguidas de numerao, devem ser grafadas com a letra inicial maiscula. Ex.: Figura 2.1; Quadro 5.7; Tabela 3.3

6. Somente a primeira palavra da legenda ter letra inicial maiscula. Aps a numerao no se usa o ponto. Ex.: Figura 2.1 Nmeros de computadores.

7. No se destacam as palavras figura, quadro e tabela nas legendas. Os nmeros so separados por ponto e a legenda vem em itlico. Ex.: Figura 2.1 Nmero de computadores; Quadro 3.2 Consumo de energia.; Tabela 4.4 Servidores exonerados.

8. Aps toda e qualquer legenda, coloque o ponto final.

9. No abrevie as palavras figura, tabela, quadro e anexo no texto ou na legenda.

2.24 Moedas e valores

Usa-se o smbolo da moeda para o real (R$) e para o dlar americano (US$), exceto quando o valor estiver incluso em uma declarao: A dvida do estado de 20 bilhes de reais. Para as moedas dos demais pases e para as brasileiras j extintas, a grafia deve ser sempre por extenso: 20 marcos alemes, 2 mil ienes, 5 dlares canadenses, cruzeiros (Cr$), cruzados (CZ$), cruzados novos (NCz$). No esquecer o espao entre o smbolo e o valor: R$ 200.

2.25 Cargos e funes

Os cargos devem ser grafados sempre com iniciais maisculas e no masculino

singular: Advogado-Geral da Unio, Chefe de Gabinete, Corregedor-Geral da Justia Federal, Deputado Federal, Desembargador, Diretor-Geral, Governador, Juiz Federal, Ministro de Estado da Cultura, Ministro de Estado da Fazenda, Oficial de Gabinete, Prefeito, Presidente da Repblica, Procurador-Geral da Repblica, Secretrio Especial dos Direitos Humanos, Secretrio-Geral da Presidncia, Senador, Vice-Presidente da Repblica, etc. Ex.: Eles foram empossados no cargo de Ministro do Tribunal Superior Eleitoral; Ela assumiu o cargo de Ministro de Estado da Justia.

2. Quando os cargos so ocupados por mulheres, usa-se o feminino para o respectivo tratamento, com inicial maiscula: Deputada, Desembargadora, Diretora-Geral, Governadora, Juza Federal, Ministra, Prefeita, Procuradora-Geral da Repblica, Secretria-Geral, Senadora, etc. Ex.: A Ministra de Estado

das Comunicaes, Ida Cruz [...]; A Prefeita Maria Adelaide, de Nova Odessa

[...] Embora existam as formas presidenta e chefa, comum o uso de presidente e chefe para os dois gneros: Senhora Presidente, Senhora Chefe.

3. Nas referncias genricas a ocupantes de cargos, usam-se minsculas: Os ministros foram convocados para uma sesso extraordinria; Os governadores

ainda no se pronunciaram; As desembargadoras j foram empossadas; Trs senadores apresentaram propostas; As secretrias participaram da palestra.

4. No texto jurdico, com raras excees, o cargo mencionado antes do nome: o Ministro do STJ Luiz Fux; o Presidente do STJ, Ministro Nilson Naves; o Ministro da Justia, Mrio Barroso; o Secretrio-Geral da Presidncia da Repblica, Lus Sousa Dinis; o Presidente do Tribunal de Justia do Estado de Gois, Desembargador Oscar Dias Abreu; o Presidente da Cmara dos Deputados, Deputado Jos Antunes Neto, etc.

5. As palavras indicadoras de cargos e funes que fazem parte da hierarquia de empresas e instituies so assim grafadas: advogado criminalista, advogado de acusao, analista contbil, analista financeiro, assessor legislativo, assessor jurdico, assistente comercial, auxiliar administrativo, chefe de gabinete, cientista poltico, colunista social, comentarista econmico, consultor financeiro, diretor administrativo, diretor comercial, diretor executivo, diretor financeiro, diretorgeral, diretor-gerente, diretor industrial, diretor jurdico, diretor presidente, diretorsecretrio, diretor substituto, editor assistente, editor chefe, engenheiro mecnico, gerente administrativo, gerente comercial, gerente financeiro, gerente industrial, gerente jurdico, gerente regional, primeiro-ministro, primeiro secretrio, procurador-geral, professor-assistente, professor-associado, redator chefe, secretrio-geral, scio-gerente, supervisor administrativo etc.

6. Nas patentes militares, usa-se hfen, salvo nos casos em que h preposio ou a conjuno e entre as palavras: capito-aviador, capito-general, capito-tenente, primeiro-sargento, primeiro-tenente, segundo-cadete, segundo-tenente, capito de bandeira, capito de fragata, capito de mar e guerra, etc.

7. No se usa hfen nas referncias a cargo efetivo juntamente com cargo provisrio ou funo: ministro presidente, ministro diretor da revista, desembargador presidente, ministro relator, etc.

No usar presidente do Congresso. A Mesa do Congresso Nacional presidida pelo presidente do Senado, segundo o artigo 57 da Constituio brasileira.

Quando o personagem ocupa um cargo, deve ser identificado, na primeira referncia, por cargo e nome completo. Nas demais menes, usa-se o cargo ou o nome mais conhecido.

Usa-se vrgula entre o cargo e o ocupante do cargo apenas quando uma s pessoa desempenha a funo: o presidente da Repblica, Fulano de Tal, decretou..., mas o ex-presidente da Repblica Beltrano, o diretor do Banco Central Sicrano.

prefervel escrever primeiro o nome e depois o cargo nos seguintes casos.

1) quando a pessoa tem mais de um cargo;

2) quando a identificao se refere a cargo ou situao anterior. Se a identificao muito extensa, pode-se usar o nome no meio da relao de cargos.

Uma figura pblica pode ser tratada pelo prenome ou apelido a partir da segunda vez que mencionada em um texto, desde que seja mais conhecida assim. Exemplo: Getlio, para Vargas; Jango, para Joo Goulart; Pel, para Edson Arantes do Nascimento; JK, para Juscelino Kubitschek.

Escrevem-se com hfen o cargo de primeiro-ministro; a posio de primeira-dama; os cargos que tm o adjetivo geral (secretrio-geral, procurador-geral); e os postos e graduaes da hierarquia militar e da diplomacia. O prefixo ex sempre precede o hfen: o ex-vice-presidente.

Os cargos das Mesas do Senado e da Cmara sero escritos com numerais e palavras (1 secretrio e 2 vice-presidente).

2.26 Termos estrangeiros

1. Os estrangeirismos, a includos os latinismos, devem ser escritos em itlico: Seguiu-se, na esteira desse precedente, o deferimento de liminares em trs outros writs com idntico objeto; Em ateno ao e-mail do dia 31 [...]; O agravante dispe de meios processuais que lhe possibilitam combater o error in

procedendo e o error in judicando. (V. destaques no texto, 1.4.)

2. As palavras derivadas de estrangeirismos devem manter a forma original do vocbulo com acrscimo do prefixo ou sufixo, contudo no so grafadas com destaque: byronismo, byroniano, shakespeariano, hobbesianismo, proustiano, proudhoniano, taylorismo, marxista, ps-marxismo, neomarxismo, kantista, kepleriano, wagnerismo, wagnerizar.

3

__________________________________

Expresses e vocabulrio

3.2 a cerca de - acerca de - h cerca de

a cerca de significa a uma distncia de: Belo Horizonte fica a cerca de setecentos quilmetros de Braslia.

acerca de significa sobre, a respeito de: Falavam acerca do processo.

h cerca de significa faz aproximadamente: H cerca de duas semanas, o processo foi protocolado.

3.3 custa de a expensas de em via de

custa de tem o sentido de fora de: Obteve o resultado favorvel custa de muito trabalho; sem recursos desde o ano passado, vive custa da famlia.

a expensas de tem o mesmo sentido de custa de (pode-se grafar tambm s expensas): O prdio foi construdo a expensas do governo local.

em via de tem o sentido de a caminho de ou prestes a: O processo est em via de ser encerrado.

3.4 a fim de - afim de

a fim de locuo prepositiva. Indica finalidade e equivale a para: Estamos aqui a fim de trabalhar.

afim/afins so adjetivos e referem-se ao que apresenta afinidade, parentesco: Ele se tornou inelegvel por ser parente afim do prefeito.

3.5 a maior - a menor

A expresso a maior significa em excesso, a mais, alm do devido: Tudo que for pago a maior ser devolvido.

A menor apresenta justamente o sentido de a menos, em quantidade inferior: O pagamento realizado foi a menor.

3.6 medida que - na medida em que

medida que locuo proporcional e significa proporo que, ao passo que, conforme: A opinio popular mudava medida que se aproximava a eleio.

na medida em que locuo causal e significa porque, porquanto, uma vez que, pelo fato de que: Na medida em que foi constatada a sua inconstitucionalidade, o projeto foi arquivado.

3.8 a partir de com base

A expresso a partir de deve ser empregada em sentido temporal. Evite empreg-la no sentido de com base em: Ela prometeu iniciar o regime a partir do prximo ms. O juiz proferiu a sentena a partir dos argumentos apresentados (inadequado). O juiz proferiu a sentena com base nos argumentos apresentados (adequado).

3.9 a princpio em princpio

a princpio tem o sentido de inicialmente, no comeo: A princpio no gostei da cidade, porm com o tempo passei a me adaptar muito bem. Ela a princpio no gostava do namorado.

em princpio tem o sentido de em tese, teoricamente: Em princpio, passarei o feriado com meus pais.

3.10 abaixo-assinado - abaixo assinado

O termo com hfen representa o documento coletivo com opinio dos que o assinam (o abaixo-assinado apresentava mais de mil assinaturas). Sem o hfen, designa os signatrios de um documento (ns, abaixo assinados, manifestamos assim nossa opinio).

3.11 acaso se caso

acaso indica por acaso, porventura e pode ser precedido da conjuno condicional se: Acaso se estiver em Braslia amanh, visite seu irmo.

caso j indica condio e no pode estar acompanhada da conjuno condicional se: Caso v a Braslia amanh, visite seu irmo.

3.13 adjetivo por advrbio

Trata-se de recurso bem comum. Lembre-se da propaganda a cerveja que desce redondo. O adjetivo redondo exerce, no caso, a funo do advrbio redondamente. Em geral, o adjetivo na funo de advrbio pode ser substitudo pela forma em mente ou pela expresso de modo: eram pessoas demasiado inteligentes (demasiadamente). Ele no raro fazia assim (raramente).

3.14 afinal a final

afinal tem o sentido de finalmente.

a final tem o sentido de ao fim ou ao final.

3.15 alm de (...) tambm

Prtica comum, mas inadequada a unio da expresso alm de com o termo tambm logo aps. Os dois indicam adio , assim, quando juntos, formam pleonasmo. Observe exemplo a ser evitado: Alm de estudar, tambm trabalha. Prefira: Alm de estudar, trabalha.

3.17 anexo em anexo

O termo naturalmente adjetivo em nosso idioma e deve concordar com o referente: segue deciso anexa; segue documento anexo; seguem contratos anexos; seguem decises anexas. Embora alguns gramticos defendam a ideia de usar a expresso em anexo como advrbio, os principais manuais de redao no indicam tal uso.

3.18 ante

A forma correta ante o e ante a, porque no se trata de uma locuo; consequentemente, no cabe a preposio a depois da tambm preposio ante, que se comporta como perante, com o mesmo significado de "diante de, em presena de algum ou algo": Ela se saiu bem perante o juiz. Ante a juza, ele vacilou. Calou-se ante os argumentos apresentados.

3.19 ao ano - por ano

Ao se referir a taxas e juros, a expresso adequada ao ano, ao dia, ao ms: Ele pagou juros de 30% ao ano. O ndice de mortalidade infantil cresceu 2% ao ms. Ao indicar perodo nos demais casos, use por ano, por ms, por dia: O auditor determinou trs inspees por ms; As decises sero tomadas duas vezes por ms.

3.20 ao encontro de - de encontro a

ao encontro de significa em busca de, em favor de, encontrar-se com: Houve entendimento, pois a opinio da maior parte dos estudantes ia ao encontro das propostas da direo.

de encontro a significa oposio, contra, divergncia: Houve divergncia, pois a opinio da maior parte dos estudantes ia de encontro s propostas da direo.

3.21 ao invs de - em vez de

ao invs de significa ao contrrio de e encerra a ideia de oposio: Os juros, ao invs de baixarem, sobem.

em vez de significa em lugar de, ao contrrio de: Estudou Direito Penal em vez de Direito Constitucional.

3.22 ao nvel de em nvel de a nvel de

ao nvel de indica altura: Santos est ao nvel do mar ( altura do mar).

em nvel de indica no mbito, mas a expresso deve ser eviatada na linguagem formal.

a nvel de no existe em nosso idioma.

3.23 apelar

O verbo bastante empregado na linguagem jurdica e merece ateno. Com sentido de interpor recurso pede a preposio de: Os advogados vo apelar da sentena. Com sentido de recorrer pede a preposio para: O secretrio apelou para o prefeito.

3.24 apenar - penalizar

apenar significa condenar pena, castigar, punir: O Tribunal apenou o responsvel pelo prejuzo.

penalizar indica causar pena ou desgosto a, sentir grande pena ou desgosto: Tambm o penalizavam os resultados da fome em seu pas. Penalizou-se com o sofrimento do amigo.

3.25 arquive-se ou arquivem-se - cite-se ou citem-se

O assunto pede ateno. Desde o tempo do vestibular, muitos tropeam no uso do se. Ora ele funciona como partcula apassivadora, ora como ndice de indeterminao do sujeito. Para no cometer erros, vale a pena se lembrar das vozes verbais.

Voz ativa:

Lucas comprou o livro.

Voz passiva analtica:

O livro foi comprado por Lucas.

Voz passiva sinttica:

Comprou-se o livro.

O ltimo caso o que nos interessa agora. Observe que a voz passiva pode ser escrita como analtica (foi comprado) ou sinttica (com o uso do se). Sempre que se conseguir fazer a substituio de uma pela outra sem alterar o sentido, no existir objeto direto na construo e a concordncia ser feita entre o os dois termos.

Comprou-se o livro. = O livro foi comprado.

Compraram-se os livros. = Os livros foram comprados.

Lembre-se da placas que encontramos em todas as cidades do Brasil:

Joga-se bzios (inadequado).

Jogam-se bzios (adequado).

Jogam-se bzios. = Bzios so jogados.

A regra vale para o caso citado.

Arquive-se o processo. = O processo seja arquivado.

Arquivem-se os processos. = Os processos sejam arquivados.

Cite-se a testemunha. = A testemunha seja citada.

Citem-se as testemunhas. = As testemunhas sejam citadas.

Intime-se o acusado. = O acusado seja intimado.

Intimem-se os acusados. = Os acusados sejam intimados.

No confundir a regra com o se como ndice de indeterminao do sujeito. No caso, a concordncia outra.

Gosta-se de livro.

Gosta-se de livros.

Como se percebeu, o verbo ficou no singular, pois no se consegue realizar a voz passiva analtica. No possvel escrever com correo De livros so gostados.

3.26 atravs de - por meio de

atravs de pode ser empregado em trs situaes bem definidas:

a) de um lado a outro: Ela me viu atravs da janela de vidro.

b) movimento interno: O sangue corre atravs das veias.

c) relao passagem do tempo: Ela foi me conhecendo melhor atravs dos anos.

No use a expresso como por meio de, por intermdio de ou por: Ele soube a informao pelo (e no "atravs do") jornal. O projeto ser regulamentadado por meio de novas leis. O assunto foi resolvido por meio de decreto.

3.27 atuado - autuado

atuado o particpio do verbo atuar no sentido de exercer atividade, agir.

autuado particpio do verbo autuar no sentido de lavrar auto contra algum ou reunir em forma de processo.

3.28 bastante

O termo pode exercer funo de pronome adjetivo, adjetivo ou advrbio. Como pronome adjetivo e adjetivo, ele acompanha substantivo e concorda com ele: Tenho bastantes (muitos) amigos. Colhemos dados bastantes (suficientes). Como advrbio, ele acompanha verbo, adjetivo ou advrbio e fica invarivel: Sempre estudei bastante (muito). Os temas so bastante (muito) complexos. Todos esto bastante (muito) bem.

3.29 cada - todo

O pronome cada indica uma particularidade do todo e aparece sempre acompanhado de substantivo, numeral ou do pronome qual: Cada profissional far um curso. Conversei com cada um. Cada qual sabe de sua responsabilidade. O pronome todo indica qualquer: Todo caminho vlido.

3.30 com o pretexto a pretexto de sob o pretexto de

Apenas a expresso a pretexto de indicada para a linguagem formal com o sentido de a fim, com objetivo aparente: O ru no pode falsear a prpria identidade a pretexto de autodefesa, sob pena de cometer crime. Evite as formas com o pretexto de e sob o pretexto de.

3.31 com vista a - com vistas a

Ambas as expresses significam a fim de, com o objetivo de. Tanto faz utilizar uma ou outra: Remeteu o processo ao Ministrio Pblico com vista (ou: com vistas ) elaborao de parecer.

3.33 comunicar

O verbo comunicar transitivo direto (coisa) e indireto (pessoa): O Tribunal comunicou a deciso a todos. Deve-se ter ateno ao empregar na voz passiva: A deciso foi comunicada a todos pelo Tribunal (adequado). Todos foram comunicados sobre a deciso pelo Tribunal (inadequado).

3.34 conectivos

O domnio do uso de conectivos adequados fundamental ao bom texto. Assim, reproduzo os principais de nosso idioma.

ideia de adio: e, nem, no s ... mas tambm, tanto ... como / quanto etc.

ideia de adversidade: mas, porm, todavia, contudo, no entanto, entretanto, no obstante, nada obstante, a despeito de, apesar de, sem embargo etc.

ideia de alternncia: ou, ou ...ou, ora ... ora, quer ... quer, seja ... seja, nem... nem etc.

ideia de concluso: logo, pois, portanto, por conseguinte, por isso, ento, assim, consequentemente, dessa forma (maneira), desse modo, destarte, dessarte, por essa razo, por esse motivo, em vista disso, ora pois etc.

ideia de explicao: porque, pois, porquanto etc.

ideia de causa: porque, que, como, visto que, visto como, j que, uma vez que, desde que, dado que, pois, pois que, por isso que, porquanto etc.

ideia de concesso: embora, ainda que, ainda quando, mesmo que, conquanto, posto que, posto, suposto, (se) bem que, sem que, nem que, que, apesar de que, por mais que, por menos que etc.

ideia de condio: caso, se, sem que, uma vez que, desde que, dado que, contanto que, com a condio que, salvo se, exceto se, a menos que, a no ser que etc.

Ideia de consequncia: tal, to, tamanho, tanto ... que, de tal maneira que, de tal modo que, de tal forma que, de tal sorte que, de maneira que, de modo que, de forma que, de sorte que, sem que etc.

ideia de conformidade: conforme, consoante, segundo, como etc.

ideia de comparao: como, que, mais, menos, maior, menor, melhor e pior ...

que / do que, tal ... qual, tanto ... quanto / como, como, assim como, bem como, como se etc.

ideia de tempo: quando, antes que, depois que, at que, tanto que, agora que,

logo que, sempre que, assim que, desde que, todas as vezes que, cada vez que, apenas, mal, que , enquanto, eis seno quando, eis seno que, sem que etc.

ideia de proporo: proporo que, medida que, ao passo que, enquanto,

quanto (ou tanto) ... mais (ou menos) etc.

Ideia de finalidade: para que, a fim de que, porque (no sentido de para que).

Elementos de coeso empregados na linguagem jurdica

indicar realce, incluso, adio: alm disso, alm do mais, alm desse fato, ademais, demais, tambm, bem como, assim como, como, vale lembrar, vale acrescentar, outrossim (=igualmente), por iguais razes, inclusive, at, at mesmo, inclusive, certo, inegvel, em outras palavras etc.

indicar negao ou oposio: no obstante, no obstante isso, de outro modo, ao contrrio disso, por outro lado, de outro lado, contudo, porm, todavia, no entanto, entretanto, apesar de, a despeito de, sem embargo, de outro ponto de vista etc.

indicar concesso: embora, conquanto, ainda que, ainda quando, mesmo que, posto, suposto, posto que, (se) bem que, sem que, nem que, apesar de que, por mais que, por menos que etc.

indicar afirmao ou igualdade: felizmente, infelizmente, ainda bem, obviamente, em verdade, realmente, de fato, com efeito, efetivamente, de igual forma, do mesmo modo que, da mesma sorte, semelhantemente, bom , interessante etc.

indicar excluso: s, somente, nem, sequer, nem sequer, nem ao menos, no ... seno, apenas, exceo de, com excluso, fora, afora, salvo, to s, to somente, pelo menos, ao menos etc.

indicar enumerao, distribuio ou continuao: em primeiro (plano, lugar, momento), a princpio ( = inicialmente), em seguida, depois, depois de, fi nalmente, em linhas gerais, nesse passo, no geral, em geral, aqui, nesse momento, desde logo, de resto, alis, quanto ao mais, quanto ao que ficou por dizer, alm do mais, em ltima anlise, no caso em discusso, por sua vez, nessa esteira, nesse ou naquele espao de tempo, nesse nterim, nesse meio-tempo, nessa oportunidade, nessa mesma ocasio, por seu turno, no caso presente, antes de tudo etc.

indicar explicao, continuao, retificao ou nfase: alm disso, alis, de outro modo, de outra forma, a saber, assim, bem, com efeito, de fato, efetivamente, como dizer, enfi m, ento, isto , ou seja, no mais, ou melhor, digo melhor, pensando bem, pois bem, pois sim, por assim dizer, por exemplo, realmente, sim, em verdade, ou antes, melhor ainda, como se nota, como se viu, como se observa, como vimos, da por que, por isso, pois, a nosso ver, portanto etc.

Indicar fecho, concluso ou complementao: dessarte, assim, dessa maneira, dessa forma, desse modo, em suma, em remate, em resumo, resumidamente, enfim, afinal, finalmente, por conseguinte, portanto, consequentemente, logo, assim, por isso, em ltima anlise, em derradeiro, por tais razes, do exposto, pelo exposto, em razo disso, em sntese, posto isso etc.

expresses de transio: de verificar-se, no se pode olvidar, no h olvidar-se, como se h verifi car, como se pode verificar, como se pode notar, de ser relevado, bem verdade que, no h falar-se, vale ratifi car, cumpre ratificar, indubitvel, no se pode perder de vista, convm ressaltar, posta assim a questo, registre-se ainda, cumpre observar preliminarmente que, como se pode depreender, convm notar igualmente que, em virtude dessas consideraes, aps as noes preliminares em breve trecho, cumpre examinarmos nesse passo que, consoante noo cedia (= antiga), no quer isso dizer que, ao ensejo da concluso desse item, impende (= preciso, cabe, cumpre) observar que, sobremodo importante assinalar que, o mais das vezes (= as mais das vezes, no mais das vezes), convm assinalar, no dizer sempre expressivo de, em consonncia com o acatado, a nosso pensar, cumpre obtemperar (= argumentar, ponderar), de acordo com a lio sempre precisa de, convm ponderar que etc.

indicar prioridade ou relevncia: em primeiro lugar, primeiramente, principalmente, primordialmente, sobretudo etc.

indicar dvida ou hiptese: talvez, provavelmente, possivelmente (possibilidade com incerteza), quem sabe, provvel, no certo, se que, acaso, porventura etc.

indicar certeza ou nfase: decerto, por certo, certamente, indubitavelmente, inquestionavelmente, sem dvida, inegavelmente, com toda certeza etc.

3.35 conjuntura - conjectura

conjuntura ocorrncia simultnea de acontecimentos em determinado momento ou situao.

conjectura o ato de inferir ou deduzir sobre algo com base em hipteses.

3.36 constar de constar em

Gramaticalmente, as duas formas esto corretas e com o mesmo sentido: No consta do relatrio. No consta no relatrio.

3.38 cumprir

O verbo pode ser transitivo direto ou indireto: Todos cumpriram o dever. Todos cumpriram com o dever.

3.39 custas - custa

Para referir-se a despesas em processo judicial usa-se custas: Foram bastante altas as custas do processo. Nos outros casos, usa-se o singular: As despesas foram feitas custa (a expensas de) do pai. O servio foi feito a minha custa (a expensas de). Faz concesses custa (com sacrifcio de) da honra.

3.40 dado - visto - haja vista

Os particpios dado e visto usados como adjetivo concordam em gnero e nmero com o substantivo a que se referem: Dados o interesse e o esforo demonstrados, optou-se pela permanncia do servidor em sua funo. Dadas as circunstncias. Vistas as provas apresentadas, no houve mais hesitao no encaminhamento do inqurito.

J a expresso haja vista, significa uma vez que, seja considerado ou veja-se: O servidor tem qualidades, haja vista o interesse e o esforo demonstrados. Na greve, ocorreram alguns imprevistos, haja vista o nmero de feridos.

3.41 deferir diferir

deferir (deferimento) atender: A Diretora deferiu prontamente o pedido; outorgar, conceder: Os jurados deferiram o prmio ao jovem cientista.

diferir (diferimento) adiar: A empresa diferiu o pagamento; ser diferente: Esses projetos diferem apenas no acessrio, sendo idnticos no essencial.

3.42 defeso - defesso

defeso indica algo no permitido, proibido.

defesso indica fatigado, cansado.

3.43 deficit - dfice

Embora seja muito comum a forma dficit, ela no existe em nosso vocabulrio ortogrfico. Prefira dfice.

3.45 delatar - dilatar

delatar significa denunciar, revelar delito ou fato relacionado a um delito.

dilatar significa adiar, aumentar, expandir.

4.46 demais de mais

demais exerce funo de adjunto adverbial ou pronome indefinido: Trabalha demais (muito, excessivamente). Os demais esto liberados. Os demais secretrios no souberam opinar.

de mais indica algo a mais: no observo nada de mais na situao.

3.47 dentre - entre

dentre o encontro da preposio de e do termo entre com o sentido de do meio de. Deve ser empregada quando h exigncia da preposio de e o entre juntos: Dentre os processos, tirou apenas um. O TSE eleger seu presidente dentre os ministros do STF.

entre a forma mais comum e usada quando no se pede a preposio de: Entre os candidatos, havia um em especial.

3.49 desapercebido - despercebido

desapercebido significa desprevenido, desprovido: Ele estava desapercebido financeiramente.

despercebido significa sem ser notado: O erro de digitao passou despercebido por todos.

3.50 descriminar descriminalizar - discriminar

descriminar significa inocentar, absolver: A apurao descriminou todos os envolvidos.

descriminalizar significa retirar a tipificao do crime, eliminar as penalidades criminais: descriminalizar o uso de droga.

discriminar significa diferenciar, separar, distinguir: Ela discriminou todos os tpicos importantes.

3.51 despensa - dispensa

despensa: trata-se de uma parte do imvel em que ficam os mantimentos e objetos.

dispensa: resciso de contrato de trabalho de empregado por parte de empregador; licena, permisso para no executar dever, trabalho; cancelamento de obrigao, concedido pela lei ou por autoridade; demisso, despedimento.

3.52 desprover - improver

O termo desprover empregado no sentido de recusar provimento. Nosso vocabulrio ortogrfico tambm registra desprovido e desprovimento. No existem em nosso idioma improver e improvimento. Improvido existe.

3.53 destratar - distratar

Destratar: descompor oralmente, insultar

Distratar: desfazer (trato, acordo, contrato etc.); anular, rescindir

3.54 deve estar deve de estar

deve de estar tem o sentido de que h probabilidade: Ele deve de estar em casa agora.

deve estar indica obrigao, certeza: Os advogados devem estar preparados para a atividade profissional.

3.57 do ponto de vista sob o ponto de vista

O sentido da expresso do ponto de vista expressamente fsico. Assim, indica o lugar em que algum se posiciona para observar algo. Sob o ponto de vista indica, por sua vez, a forma de considerar um assunto.

3.58 de cujus decujo

De cujus reduo de Is de cujus successione agitur, que tem o sentido de cuja sucesso se trata. No Brasil, criou-se o neologismo decujo com o mesmo sentido.

3.60 de menor menor de

A forma adequada menor de para indicar que no se alcanou a maioridade. O uso de de menor linguagem coloquial.

3.61 eminente/iminente

eminente significa nobre, sublime: O eminente advogado apresentou a defesa muito bem.

iminente significa breve, prximo: Nossa viagem ser iminente.

3.62 enquanto

O vocbulo enquanto no apresenta sentido de condio profissional ou social. Seu uso deve se limitar a tempo: Enquanto chovia, ele escrevia o artigo (adequado). No gostava dele enquanto ministro (inadequado).

3.63 estncia - instncia

estncia indica lugar fsico.

instncia indica solicitao, pedido, rogo, foro, jurisdio, juzo.

3.64 este esse - aquele

O pronome demonstrativo (este, esse, aquele e variaes) tem diversas funes dentro da construo: pode indicar a pessoa do discurso, a relao a tempo, o referente adequado, retomar ou antecipar ideia presente no texto, etc. Observe os usos adequados:

1. em relao pessoa do discurso, deve-se empregar o pronome demonstrativo da seguinte forma:

- este, esta, isto: refere-se pessoa que fala ou escreve (apresenta a ideia do aqui).

- esse, essa, isso: refere-se pessoa que ouve ou l (apresenta a ideia do a).

- aquele, aquela, aquilo: refere-se pessoa que se encontra distante (apresenta a ideia do l).

Este relatrio que seguro.

Esse relatrio que voc segura.

Aquele relatrio que se encontra na outra sala.

2. em relao posio da ideia a que se refere, deve-se empregar da seguinte forma:

- este, esta, isto: em relao a uma ideia que ainda aparecer no texto (termo catafrico).

Quero lhe contar isto: no volte mais aqui.

- esse, essa, isso: em relao a uma ideia que j apareceu no texto (termo anafrico).

No volte mais aqui. Era isso que eu queria lhe contar.

3. em relao a tempo, deve-se empregar da seguinte forma:

a) em referncia a um momento atual, usa-se este, esta ou isto:

Este dia est maravilhoso (dia atual).

Esta semana est maravilhosa (semana atual).

Este ms est maravilhoso (ms atual)

Este ano est maravilhoso (ano atual).

Este assunto que conversamos (assunto atual).

b) em relao a momento futuro prximo, usa-se tambm este, esta ou isto:

Agora pela manh chove, mas esta noite promete ser bonita (prxima noite).

Esta reunio de hoje tarde ser interessante (a reunio est prxima de ocorrer).

Hoje quinta-feira e neste fim de semana viajarei (prximo fim de semana).

c) em relao a momento futuro distante, usa-se esse, essa ou isso:

Um dia voc ser capaz de entender o que ocorreu. Nesse dia, voc me perdoar .

d) em relao a momento passado recente, usa-se esse, essa ou isso:

Nesse fim de semana, fui a So Paulo (ltimo fim de semana).

Nessa reunio, fiquei feliz (reunio que ocorreu recentemente).

e) em relao a tempo passado muito distante, usa-se aquele, aquela ou aquilo:

Aquele fim de semana foi maravilhoso (fim de semana distante).

Naquela reunio, fiquei feliz (reunio que ocorreu h muito tempo).

4. para diferenciar referentes citados anteriormente, usa-se este, esta ou isto para indicar o mais prximo ao pronome e usa-se aquele, aquela e aquilo para indicar o mais distante.

O processo e o parecer j chegaram. Este (o parecer) est timo, mas aquele (o processo) ainda est incompleto.

5. Outros usos estilsticos:

a) ao iniciar uma orao, desacompanhado de substantivo, que retoma ideia anterior e pode ser substitudo por isso, pode-se empregar este, esse ou aquele:

No estudei o necessrio. Este (ou esse) foi meu pecado.

b) podem-se colocar os pronomes este ou esse e suas variaes aps o substantivo para indicar nfase:

Encontrei uma linda e inteligente mulher h alguns anos em So Paulo, mulher esta (ou essa) que se tornou minha esposa.

c) os pronomes este, esse ou aquele e variaes, quando contrados com a preposio de e pospostos a substantivos, devem ser empregados sempre no plural:

Ele resolveu um problema daqueles.

3.66 exceto afora, exceo menos - salvo

As expresses acima, ao iniciarem construo intercalada, no interferem na concordncia do sujeito da orao principal: O grupo, exceto os dois lderes, desconhecia o caminho.

3.67 expresses latinas

Deve-se evitar o uso de expresses latinas de forma exagerada. A recomendao empreg-las em casos especficos e tcnicos. O novo Acordo Ortogrfico claro em determinar que elas devem ser grafadas com destaque por serem termos estrangeiros. Relaciono a seguir as principais empregas na linguagem jurdica.

ab actis. Dos feitos/dos autos

ab alto. Por aproximao

ab initio. Desde o incio, desde o comeo.

ab ovo. Desde o comeo.

aberratio ictus. Desvio do golpe; erro de alvo. Erro ou acidente, na execuo do delito, que leva o criminoso a atingir pessoa diversa daquela a quem pretendia ofender.

a contrario sensu. Pela razo contrria, em sentido contrrio.

ad argumentandum tantum. S para argumentar.

ad causam. Por causa, para a causa.

ad cautelam. Por cautela. Diz-se do ato que se pratica, ou medida que se toma, por simples precauo.

ad diem. At o dia, dia em que termina o prazo

ad hoc. A propsito; para isto, para este fim; para o ato em questo.

ad hominem. para uma determinada pessoa.

ad judicia. Para as coisas da Justia (para o foro judicial).

ad litteram. Literalmente; conforme o que est escrito.

ad nutum. vontade de, segundo a vontade, ao arbtrio. O empregado sem estabilidade ministro, secretrio de governo, ocupante de cargo de confiana pode ser demitido segundo a vontade do patro, a qualquer hora. Exemplo: O ministro disse que demissvel ad nutum.

ad processum. Para o processo.

ad referendum. Para reportar (diz-se da votao sujeita aprovao posterior de um colegiado)

ad quem. Para quem; juiz ou tribunal para o qual segue o recurso; dia ou termo final de prazo.

ad referendum. Para ser referendado; para submeter apreciao de, sob condio de consulta aos interessados e aprovao deles.

ad verbum. Palavra por palavra

a fortiori. Por mais forte razo; por maior razo; com mais razo.

a limine. Desde o incio/ de antemo

animus. nimo, inteno; vontade do agente em atingir determinado objetivo.

animus narrandi. Inteno de narrar.

animus nocendi. Inteno de prejudicar, de causar dano.

ante tempus. Antes do tempo; antes do prazo.

a posteriori. Para depois; que vem depois. Concluso de um raciocnio indutivo a ser apresentado depois baseado em fatos.

a priori. Em princpio; raciocnio dedutivo prvio.

apud acta. Junto aos autos. Procurao apud acta: a que o ru outorga ao defensor mediante indicao verbal feita ao juiz do processo.

a quo. De onde; juzo originrio do recurso; do qual; dia ou termo inicial de um prazo.

a rogo. A pedido de. Indica assinatura feita por alheia pessoa a pedido de quem no pode assinar documento.

bis in idem. Incidncia duas vezes sobre a mesma coisa.

caput. Cabea. Parte superior de um artigo que contm o fundamento do dispositivo.

casu. Por acaso.

causa mortis. Causa determinante da morte.

causa petendi. Causa de pedir. Ato ou fato que constitui o fundamento jurdico

da ao.

citra petita. Aqum do pedido.

concessa venia. Com a devida licena; o mesmo que data venia.

conditio. Condio entre duas pessoas; acordo.

conditio sine qua non. Condio sem a qual no; condio indispensvel.

contra jus. Contra o direito.

contra legem. Contra a lei.

custos legis. Fiscal da lei.

data venia/data maxima venia. Com a devida licena. Expresso respeitosa com que se principia uma argumentao ou opinio divergente da de outrem; o mesmo que concessa venia ou permissa venia.

decisum. A sentena; o decidido.

de cujus. O falecido. Geralmente essa expresso empregada para referir-se pessoa cujos bens so inventariados.

de facto. De fato.

de jure. De direito; quanto ao direito.

de lege ferenda. Da lei a ser criada.

de lege lata. Da lei j criada, estabelecida, em vigor.

de persona ad personam. De pessoa a pessoa (indica a transmisso de posse, de bens, etc.)

dies ad quem. Termo final do prazo; ltimo dia do prazo.

dies a quo. Termo inicial do prazo; primeiro dia do prazo.

dominus litis. Dono da lide; titular do direito de ao; autor da ao.

dura lex sed Lex. a lei dura, mas a lei.

erga omnes. Contra todos. Usado para indicar que os efeitos de determinado

ato atingem todos os indivduos de determinada populao, ou os membros de

uma organizao.

error in judicando. Erro quanto ao julgamento das questes de direito suscitadas na causa.

error in procedendo. Erro quanto ao andamento do proceso, prejudicando seu curso normal.

error iuris (juris). Erro de direito.

et similia. e coisas semelhantes.

ex abrupto. Subitamente, sem preparao, de repente.

ex causa. Em razo da causa.

exempli gratia. Por exemplo. usada tambm a forma abreviada e. g.

exequatur. Execute-se. a autorizao dada pelo presidente do STJ para que possam, de modo vlido, ser executados, na jurisdio do juiz competente, as diligncias ou os atos processuais requisitados por autoridade judiciria estrangeira (EC n 45/2004).

ex jure. Conforme o direito

ex lege. De lei; segundo a lei.

ex nunc. De agora em diante; sem efeito retroativo.

ex officio. Por motivo do ofcio, por fora da lei; ato praticado pelo juiz sem provocao das partes.

ex positis. Isto posto, do que foi exposto.

ex tempore. Imediatamente

ex tunc. Desde o incio. Expresso usada para dizer que um ato tem efeito retroativo.

extra petita. Fora do pedido.

ex vi. Consoante o disposto/pela fora.

ex vi legis. Por fora da lei.

fumus boni juris. Fumaa do bom direito; presuno de legalidade. Expresso equivalente: fumum boni juris.

grosso modo. Por alto, de modo grosseiro, impreciso, aproximadamente.

habeas corpus. Que tenhas teu corpo. Garantia constitucional outorgada em favor de quem sofre ou est na iminncia de sofrer coao ou violncia na sua liberdade de locomoo por ilegalidade ou abuso de poder.

habeas data. Que tenhas os dados. Direito que garante o acesso aos arquivos do Estado e s informaes neles constantes sobre o postulante.

honoris causa. Por causa da honra. Diz-se dos ttulos universitrios conferidos sem exame ou concurso, a ttulo de homenagem. Ex.: doutor honoris causa.

in abstracto. Em abstrato, abstratamente.

in albis. Em branco; sem manifestao dos interessados.

in casu. No caso.

incidenter tantum. Incidentalmente apenas, em processo incidental.

in concreto. Em concreto, objetivamente.

in continenti. De imediato, imediatamente.

in dubio (in dubio pro reo). Aforismo aplicado em matria penal a respeito do favorecimento ao ru, notadamente no que concerne aplicao da pena: se h dvida, a deciso deve ser favorvel ao ru.

initio litis. No incio da lide. Despacho exarado pelo juiz logo que proposta a ao, quando a lei o permita, determinando a imediata prtica de ato.

in limine. Desde logo; no incio.

in loco citato. No lugar citado.

in nomine. Em nome.

in specie. Em espcie; em particular, particularmente.

in totum. No todo, totalmente.

interna corporis. No mbito interno da corporao, do grupo ou do rgo, com

respeito ao que nele se trate ou decida.

intuitu personae. Em considerao pessoa.

in verbis. Nestes termos; textualmente.

ipsis litteris. Exatamente igual; com as mesmas letras.

ipsis verbis. Exatamente igual; com as mesmas palavras.

ipso facto. Pelo mesmo fato.

ipso jure. Pelo prprio direito, de acordo com o direito.

iter. Percurso, direito de passagem; etapas; procedimentos.

iter criminis. As etapas do crime. Atos que se encadeiam na execuo do crime.

jus abutendi. Prerrogativa que tem o proprietrio de dispor da coisa, transferindo-a quando lhe aprouver.

jus eundi. Direito de ir e vir.

jus imperii. Direito do governo.

jus postulandi. Direito de postular.

jus sanguinis. Direito de sangue; o que decorre da hereditariedade, do parentesco.

lato sensu. Sentido amplo, geral.

legem habemus. Temos lei. Indicativo de que, em determinada situao, h lei para tutel-la. correta tambm a forma habemus legem.

legis. Da lei.

lex lata. Lei promulgada.

lex specialis. Lei especial.

litis contestatio. Contestao da lide.

loco citato. No lugar citado.

mala fide. Por m-f.

mandamus. Mandado de segurana; ordem judicial.

manus. Mo; autoridade, poder.

maxime. Principalmente, especialmente, mormente.

mens legis. A finalidade da lei, esprito da lei, inteno da lei.

modus dicendi. Modo de dizer.

modus vivendi. Maneira de viver.

mutatis mutandis. Mudando o que deve ser mudado.

motu prprio. De prpria iniciativa.

mutatis mutandis. Mudado o que deve ser mudado.

non bis in idem. No duas vezes no mesmo assunto. Axioma de jurisprudncia pelo qual o indivduo no pode ser punido duas vezes pelo mesmo delito. Usa-se tambm para indicar que no se deve cair duas vezes na mesma falta.

non liquet. No est claro; no convence.

notitia criminis. Notcia ou conhecimento do crime.

novatio legis. Nova lei.

numerus clausus. Nmero fechado, limitado. Enunciao taxativa, no exemplificativa, por isso no admite acrscimo.

obiter dictum. Referncia passageira/dito de passagem.

ope iuris (juris). Por fora do direito.

ope legis. Por fora da lei.

opus citatum. Obra citada.

per capita. Por cabea; por pessoa.

per contra. Em sentido contrrio.

periculum in mora. Perigo de mora.

permissa venia. Com o devido respeito.

per se. Por si.

persona non grata. Pessoa no grata.

post mortem. Depois da morte.

post scriptum. Escrito depois. Abrev.: P.S.

prima facie. primeira vista. Que se pode verificar de pronto, sem maior esforo.

pro labore. Pelo trabalho. Remunerao por servio prestado.

propter officium. Por causa do ofcio; em funo do cargo.

pro rata. Em proporo. Pagando ou recebendo cada um a parte que lhe toca

num rateio.

pro solvendo. Para resolver; destinado a pagamento.

pro tempore. Temporrio, interino.

punctum saliens. Ponto principal (de uma questo).

quaestio juris. Questo de direito.

quantum satis. Quanto baste.

quid iuris? Qual o direito?

qui pro quo. Uma coisa por outra/equvoco.

quorum. De quantos. Nmero mnimo de pessoas para funcionamento e/ou

deliberao de um rgo colegiado.

ratio. Razo.

ratio decidendi. Razo de decidir

ratio essendi. Razo de ser.

ratio legis. Razo da lei.

ratione loci. Em razo do lugar.

ratione materiae. Em razo da matria.

ratione personae. Em razo da pessoa.

rebus sic stantibus. Desde que permaneam as mesmas condies e circunstncias.

referendum. Certas decises que so submetidas apreciao de outrem para que tenham validade jurdica.

reformatio in pejus. Reforma da sentena para pior, modificao desvantajosa.

res in judicio deducta. Coisa trazida a juzo. (Deve estar contida na petio inicial.)

res judicata. Coisa julgada.

sententia extra petita. Sentena fora do que foi pedido.

sententia ultra petita. Sentena alm do pedido (sentena que considerou coisas no constantes do pedido).

sine qua non. Sem a qual no (condio).

statu quo. Estado ou situao em que se encontrava anteriormente certa questo. Admite-se tambm a forma status quo.

stricto sensu. Em sentido restrito.

sub censura. Sob censura. Expresso indicativa de que a matria est sujeita a crtica ou aprovao de outrem.

sub examine. Em exame, em tela.

sub judice. Sob julgamento, sob apreciao judicial.

sui generis. De seu prprio gnero; especial; nico.

sursis. Suspenso condicional da pena.

thema decidendum. Tema ou questo a decidir.

ultima ratio. ltimo argumento, ltima razo.

ultra petita. Alm do pedido.

vacatio legis. Espao de tempo entre a publicao de uma lei e a sua entrada em vigor.

verba legis. A palavra da lei.

verbatim. Palavra por palavra, literalmente.

verbi gratia. A saber, por exemplo. Abrev.: v.g.

verbis. em termos.

verbo ad verbum. Palavra por palavra.

vide. Veja; confira.

vis attractiva. Fora atrativa.

3.68 em conformidade com - na conformidade de

Expresses muito comuns em citaes de textos normativos. As duas formas esto adequadas. Cuidado apenas com a preposio adequada: Ele requereu a suspenso da tutela antecipada em conformidade com o art. 4 da Lei n. 4.348/1964; A pena lhe foi imposta em conformidade com o art. 110, caput, do Cdigo Penal; O Juzo de primeiro grau exarou sentena na conformidade do art. 22 da Lei n. 4.717/1965.

3.69 em face de

A expresso significa em virtude de, diante de: O agravo de instrumento foi provido em face do disposto no art. 120 da Constituio. Em face das circunstncias expostas, no possvel ao STJ intervir no caso.

Embora muito empregada, a expresso no apresenta o sentido de contra. Assim, diversos manuais de redao oficial (inclusive do STJ) considera inadmissvel o uso de em face de para posicionar processualmente a parte contra quem se move ao. Nesse caso, deve-se utilizar a preposio contra ou em desfavor: Ao de Reparao de Danos ajuizada pelo autor em face da empresa de materiais de construo (inadequado). Ao de Reparao de Danos ajuizada pelo autor contra empresa de materiais de construo (adequado).

3.70 em longo prazo - a longo prazo

A preposio adequada para iniciar a expresso em. Observe a resposta para a pergunta em quanto tempo voc termina a obra?. Resposta: em dez dias, em duas semanas, em tal prazo. A preposio pedida em.

3.72 em prol de

Indica em favor de, em proveito de: Tudo foi feito em prol da democracia. Erro comum o uso de pr, que tem outro sentido: h prs e contras na proposta.

3.73 em que pese a em que pese(m)

Gramaticalmente, as duas esto corretas. Observe a concordncia. Com a preposio, o verbo deve ficar no singular: Falhou neste ponto, em que pese sua dedicao. Em que pese aos argumentos apresentados contra o acusado, ele ser absolvido. Sem a preposio, o verbo concordar com o termo seguinte, que ser sujeito da construo: Em que pesem as opinies do ministro, ningum aceitou a explicao. Observo que a forma sem a preposio a mais comum nos tribunais.

3.74 em sede de

Expresso bastante empregada na linguagem jurdico com o sentido de em carter de, na condio de. No deve ser empregada no sentido de no mbito de.

3.75 falar - dizer

falar o ato de se expressar: Ela fala ingls. Eles falam muito. Falo trs idiomas.

dizer indica contedo a ser transmitido: Ela disse que no voltaria. Eles disseram que estavam felizes.

Basta se lembrar do ditado: fala, fala, fala e no diz coisa alguma.

3.76 flagrante - fragrante

O ato de ser pego no ato indica um flagrante (flagra, evidente, incontestvel). Fragrante est relacionado com o bom odor, aromtico, cheiroso, perfumado.

3.77 gerndio

O gerndio empregado com exagero nos textos jurdicos. Quase sempre de forma inadequada. O emprego adequado est relacionado a ideia adverbial de causa (Sendo ainda novo, no quis ir s), concesso (No quis, sendo sbio, resolver as dvidas por si mesmo), condio (Triunfars, querendo (condio), meio (O acusado defendia-se dizendo que no estava presente), modo (Ele fala cantando), tempo (Proferindo o orador estas palavras, a assembleia deu vivas). incorreto o uso do gerndio com sentido pontual (Vou estar fazendo), adjetivo (Texto contendo erros) ou aditivo (O juiz analisou o caso decidindo...).

3.78 grafia dos nmeros de rgos judicirios

Dvida comum como escrever (extenso, cardinal, ordinal etc) o nmero que acompanha alguns rgos judicirios. O manual do STJ recomenda da seguinte forma: Quando se tratar de rgo fracionrio de tribunal, o numeral dever ser escrito por extenso: a Terceira Turma do STJ; a Segunda Seo do STJ; a Terceira Cmara Criminal do Tribunal de Justia do Estado de Gois. Isso tambm se aplica a instncia e grau: primeira e segunda instncias; primeiro e segundo graus. Em se tratando de varas, regies e promotorias, a designao se far por meio da escrita do algarismo arbico: o TRF da 2 Regio; a 2 Vara Federal Criminal; a 2 Promotoria de Justia de Rio Largo.

3.79 grosso modo

Grosso modo significa de modo grosseiro, impreciso, aproximado. No deve ser usada com a preposio a: A avaliao preliminar revelou, grosso modo (e no: a grosso modo), lucro superior a 100 mil dlares.

3.80 habeas corpus hbeas-crpus

A expresso latina habeas corpus (sem hfen, sem acento e com destaque) muito empregada no universo jurdico. No entanto, sua forma aportuguesada hbeas-crpus (com hfen, com acento e sem destaque) est correta e empregada em alguns tribunais.

3.81 hora extra

Sem hfen. Plural: Horas extras.

3.82 h que + infinitivo

Expresso tpica de textos jurdicos, a expresso h que + verbo no infinitivo tem o sentido de necessrio, deve-se fazer: H que examinar com detalhes os argumentos apresentados.

Sem o que, o sentido passa a ser de ser possvel: No h falar em autonomia do Judicirio se no h independncia financeira; No h responsabilizar os acusados pelo crime porque no h provas; Quando o desemprego assola o Pas, no h falar de crescimento.

3.83 inapto - inepto

inapto a incapacidade, inabilidade, falta de aptido.

inepto o que no produz efeitos jurdicos por no atender s exigncias legais. Tambm apresenta o sentido de falta de inteligncia, desprovido, confuso, incoerente.

3.84 infinitivo

O verbo no infinitivo muito empregado na linguagem jurdica. muito comum a dvida entre singular ou plural. Seguem orientaes para o uso.

I Na orao infinitivo-latina (verbos mandar, fazer, deixar, ver, ouvir, sentir + pronome tono + verbo no infinitivo), o verbo preferencialmente fica no singular: Mandei-os entrar. O Ministro deixou-os decidir.

II No caso de voz passiva formada com infinitivo regido de preposio de, o verbo fica no singular: Coisas difceis de dizer (= serem ditas). Livros fceis de ler (= serem lidos). Observao: o pronome se fica elptico na expresso.

III No infinitivo regido de preposio equivalendo a gerndio, o verbo fica no singular: O Ministro estava a falar. Os Ministros estavam a falar.

IV Quando o infinitivo regido de preposio vier antes do verbo principal com sujeito prprio ou no, prefervel concordar com o sujeito: Para julgarem melhor, estudaram horas. Na certeza de estarmos com direito, fazemos o pedido.

Observao: se o verbo principal vier em primeiro lugar, no h obrigatoriedade de emprego pessoal: Estudaram horas para julgar melhor. Fazemos o pedido na certeza de estar com o direito.

V Quando o infinitivo vier com o verbo parecer ao lado de outro verbo, pode flexionar o primeiro ou o segundo. Prefira o primeiro caso: As causas parecem justificar os meios.As causas parece justificarem os meios.

VI Quando entre o verbo principal e o infinitivo vier o sujeito representado por substantivo no plural, usa-se o infinitivo pessoal: Os astrnomos viram as estrelas caminharem no cu. Observao: Se o infinitivo vier junto do verbo principal, a variao no obrigatria: Os astrnomos viram caminhar as estrelas no cu. Os astrnomos viram caminharem as estrelas no cu.

VII Muitas vezes, o infinitivo vem distanciado do verbo principal. Nesse caso, para determinar a pessoa, usamos o pessoal: Receberam os Desembargadores, h dias, os autos a que me referi no memorial, fls. 15, para julgarem o caso.

3.85 inobstante

O vocabulrio ortogrfico no registra a palavra inobstante, embora empregada com certa frequncia no meio jurdico. Melhor usar no obstante ou nada obstante.

3.86 judicial - judicirio

judicial tem origem no Poder Judicirio ou que nele se realiza.

judicirio relativo ao direito processual ou organizao da Justia

3.87 junto a

A locuo junto a deve ser empregada no sentido de ao lado de, perto de, adido a: O segurana posicionou-se junto ao ru. O embaixador brasileiro junto a Portugal ser homenageado.

Nos demais empregos, usa-se a preposio que o verbo pedir: O sindicato mantm as negociaes com (e no junto a) a diretoria. Solicitou providncias do (e no junto ao) ministrio. Entrou com recurso no (e no junto ao) Tribunal.

3.88 junto com juntamento com

A forma culta junto com: O presidente, junto com (e no juntamente com) os ministros da Fazenda e da Sade, participou da solenidade de entrega de comendas.

3.90 mais bem - melhor

Antes de verbo no particpio, use mais bem: eles so os mais bem preparados. O processo estava mais bem instrudo do que se esperava. Melhor empregado como adjetivo: O melhor texto foi escolhido.

3.91 mesmo

Erro generalizado o uso de mesmo como pronome pessoal. O pronome pode ser utilizado adequadamente em vrias situaes.

Como pronome adjetivo: O juiz teve a mesma opinio. Elas mesmas discutiram o assunto.

Como advrbio: Este julgamento mesmo necessrio. Minha casa fica l mesmo.

Inadequado o uso de mesmo como pronome pessoal, substituindo um substantivo j expresso: Para analisar com calma o parecer, solicitou que o mesmo lhe fosse entregue (inadequado). Para analisar com calma o texto, solicitou que o relatrio lhe fosse entregue (adequado). O desembargador recebeu o processo e analisar o mesmo rapidamente (inadequado). O desembargador recebeu o processo e o analisar rapidamente (adequado). O relatrio j chegou e o mesmo apresenta erros de contedo (inadequado). O relatrio j chegou e apresenta erros de contedo (adequado). Receba de volta seu ttulo e verifique se o mesmo est rubricado pelo diretor. (inadequado). Receba de volta seu ttulo e verifique se est rubricado. (adequado).

3.94 no sentido de

A expresso deve ser usada para explicar o significado de um termo ou ideia anterior: o termo Casa foi empregado no sentido de Congresso Nacional. No se deve empreg-la com ideia de finalidade: ele agiu assim no sentido de melhorar a situao (inadequado).

3.95 onde aonde - de onde

onde significa em que lugar, em qual lugar. Usa-se com verbos ou nomes que pedem a preposio em: A cidade onde moro bonita.

aonde (a+onde) significa a que lugar, lugar a que ou ao qual. Usa-se com verbos que pedem a preposio a: A cidade aonde fui bonita.

de onde (donde) significa de qual lugar, de que lugar, da. usado com verbos ou nomes que pedem a preposio de: A cidade de onde vim bonita.

3.96 opor veto

O correto opor veto e no apor veto. Vetar opor veto; apor acrescentar; da aposto, (o) que vem junto. O veto, a contrariedade so opostos, nunca apostos.

3.97 ou melhor, qual seja, isto , ou seja, a saber

Expresses retificadoras, explicativas, enumerativas devem aparecer com pontuao antes e depois e so invariveis (exceto qual seja): O professor escreveu dois, ou melhor, trs livros. Ele estudou todo o contedo, ou seja, dez disciplinas. O Tribunal utilizou os mtodos clssicos de interpretao, quais sejam: literal, histrico, sistemtico e teleolgico.

3.98 particpio

Nossa gramtica aceita dois particpios: regular (terminaes ado e ido) e irregular (sem desinncias: morto, preso). Geralmente, usa-se o regular com os verbos auxiliares ter e haver (voz ativa): A polcia j havia soltado o acusado. A empresa j tinha entregado a encomenda.

Usa-se, geralmente, o irregular na voz passiva com os verbos auxiliares ser, estar, ficar. Observe: O funcionrio ser preso se no confessar o crime. Os livros sero impressos ainda hoje. As encomendas esto entregues. A servidora ficou presa no trnsito. Cuidado: o particpio, no caso, concorda com o gnero e o nmero do referente.

Dessa forma, podemos afirmar que, em tese, o uso do particpio regular ou irregular se relaciona com o verbo auxiliar e a voz verbal: A insegurana tem dispersado a populao. O movimento foi dispersado pela polcia. O funcionrio havia limpado tudo. A sala foi limpa pelo funcionrio.

No entanto, o idioma portugus apresenta, como sempre, observaes. Vamos a elas.

observao 1: em alguns casos, as duas formas podem ser empregadas com os verbos ter e haver: Meu irmo tem gasto (gastado) todo o salrio com diverso. Meu irmo havia gasto (gastado) todo o salrio com diverso. A populao no tem elegido (eleito) bons polticos. Cuidado: com os verbos auxiliares ser e estar, apenas se emprega a forma irregular: Todo o meu salrio foi gasto com diverso. Ele foi eleito deputado.

observao 2: quando adjetivos, alguns verbos apenas so empregados na forma irregular: O texto est anexo (adjetivo). Cuidado: na voz passiva, segue a regra geral: o texto foi anexado pelo diretor.

observao 3: abrir no mais empregado em sua forma irregular (abrido). Da mesma forma, ocorre com os verbos cobrir (cobrido) e escrever (escrevido).

observao 4: o verbo vir exceo e forma o particpio como vindo: Ela no tem vindo me ver.

observao 5: empregar s usado na forma regular (empregado): Ele havia empregado o melhor material. Tudo de bom foi empregado na realizao do projeto.

observao 6: morrer segue a regra geral: Ele havia matado um homem. Ele foi morto. Ele j estava morto na poca.

observao 7: expresso particpio de expressar. Expressado particpio de expressar e exprimir: O servidor afirmou que havia se expressado mal. A deciso foi expressa com clareza. A alegria estava expressa em seu rosto.

observao 8: ganho, gasto e pago so, na prtica, mais usadas do que as correspondentes formas regulares ganhado, gastado e pagado (em desuso) tanto com os auxiliares ser e estar como com ter e haver, na voz ativa ou passiva: Ele havia ganho (ganhado) o presente. O presente foi ganho. Ns temos pagos as multas. As multas tm sido pagas.

observao 9: alguns verbos da segunda e da terceira conjugao apresentam apenas particpio irregular: dizer (dito), escrever (escrito), fazer (feito), ver (visto), pr (posto), abrir (aberto), cobrir (coberto) etc.

Enumero a seguir, alguns particpios empregados na linguagem jurdica.

infinitivo

particpio regular

particpio irregular

aceitar

aceitado

aceito

acender

acendido

aceso

dispersar

dispersado

disperso

eleger

elegido

eleito

emergir

emergido

emerso

encher

enchido

cheio

entregar

entregado

entregue

envolver

envolvido

envolto

enxugar

enxugado

enxuto

exaurir

exaurido

exausto

expressar

expressado

expresso

exprimir

exprimido

expresso

expulsar

expulsado

expulso

extinguir

extinguido

extinto

fartar

fartado

farto

findar

findado

findo

frigir

frigido

frito

ganhar

ganhado

ganho

gastar

gastado

gasto

imergir

imergido

imerso

imprimir

imprimido

impresso

isentar

isentado

isento

juntar

juntado

junto

limpar

limpado

limpo

matar

matado

morto

ocultar

ocultado

oculto

pagar

pagado

pago

pegar

pegado

pego

prender

prendido

preso

salvar

salvado

salvo

secar

secado

seco

segurar

segurado

seguro

soltar

soltado

solto

submergir

submergido

submerso

sujeitar

sujeitado

sujeito

suspender

suspendido

suspenso

3.99 pedir para - pedir que

Como o verbo pedir transitivo direto, s se usa pedir para quando ficar subentendida a palavra licena ou permisso: Pedimos (licena) para nos retirar da sesso; Pediu (permisso) para ligar a televiso; As jornalistas pediram (permisso) para filmar a entrevista. Nos demais casos, usa-se pedir que: Ela pediu que se retirassem; Pediram que voc ligasse a televiso; As jornalistas pediram que eu filmasse a entrevista.

3.101 pedir vista - pedir vistas

O correto pedir vista, no singular. Significa solicitar exame do processo: O ministro pede vista. O presidente lhe concede vista.

3.102 percentagem - porcentagem

Tanto faz usar percentagem ou porcentagem. Mas o adjetivo s tem uma forma: percentual. Na escrita, a percentagem pode ser expressa em algarismos seguida do smbolo % (3%, 10%), ou por extenso: trinta por cento.

Observao: Diante de dois ou mais valores da porcentagem, deve-se usar o % em todos eles: O aumento oscilar entre 5% e 7% (e no: ... entre 5 e 7%).

O imposto deve subir de 25% para 27,5% (e no: ... de 25 para 27,5%).

3.103 por hora - por ora

Por hora expresso usada quando, na medio de velocidade, indica-se a distncia percorrida por determinado veculo no tempo de uma hora (sessenta minutos): O limite de velocidade desta rodovia sempre foi 100km por hora; Pelo

fato de o carro estar a 70km por hora, o acidente no teve vtimas.

Por ora significa por enquanto, por agora: Por ora, no temos informaes novas sobre o caso; Os contratos, por ora, foram suspensos.

3.104 por si s

Na expresso, a palavra s tem funo adjetiva, e no adverbial; por isso, quando usada em referncia a nome singular, s fica no singular; quando a nomes no plural, deve ser flexionada: A crescente demanda por justia demonstra por si s a tambm crescente confiana da sociedade no Poder Judicirio; Os argumentos da defesa por si ss no so suficientes para que se autorize a concesso da liminar; Esses dados por si ss revelam o tamanho do prejuzo que sofrer a empresa.

3.105 posto que

Posto que significa embora, ainda que, se bem que; assim, locuo conjuntiva de valor concessivo e exige verbo no subjuntivo: Posto que tivssemos estudado, no nos samos bem no exame; Posto que fosse scio da firma, nunca opinou nas reunies de planejamento; A comitiva no chegou a tempo para a solenidade de posse da nova diretoria, posto que tivesse sado com duas horas de antecedncia; Os operrios, posto que estivessem com o capacete de proteo, sofreram ferimentos na cabea com a queda da plataforma. No confundir com visto que, que causal e exige verbo no indicativo: Visto que no tinha dinheiro, no comprou as aes.

3.107 prescrever - proscrever

prescrever: em direito significa ficar sem efeito por ter decorrido certo prazo legal; caducar; ordenar antecipada e explicitamente; dar ordem ou determinao para que se faa (algo); estabelecer, determinar, preceituar; normatizar

proscrever: decretar o banimento de; banir, exilar, degredar, deportar

3.109 processo epigrafado

A palavra grega epigrafar tem duas partes. Uma epi; quer dizer em cima de, em posio superior. A outra, grafar; significa escrever. Portanto, na expresso processo epigrafado acima, o acima dispensvel; basta dizer: processo epigrafado (ou: processo em epgrafe).

3.110 perante ao juiz ou perante o juiz?

No se trata de uma expresso com preposio. Dessa maneira, o a est inadequado no caso. O correto perante o juiz. Observe os exemplos: perante o juiz; perante o tribunal; perante a justia; ante o juiz; ante o tribunal; ante a justia.

3.111 pertine/no que diz respeito a

A forma pertine no existe em nossa lngua. Use, em seu lugar, no que diz respeito a, no que respeita a, no tocante a, com relao a, etc.

No tocante a este aspecto legal, meu voto favorvel.

3.112 porqu, uso do

1. por que

a) ao se substituir por por qual motivo.

Por que voc mentiu para mim?

Diga-me por que voc mentiu.

b) ao se substituir por pelo(a) qual no singular ou no plural.

A razo por que a despediu no foi justa.

c) em oraes subordinadas substantivas introduzidas pela preposio por com a conjuno que.

Anseio por que passes no concurso

2. por qu

Ao se substituir por por qual motivo no final da ideia.

Partiste por qu?

3. porque

Ao introduzir ideia explicativa, causal ou final. Pode-se substituir por pois ou para que.

No respondi porque no escutei a pergunta.

Fao votos porque sejas feliz.

4. porqu

Ao exercer funo de substantivo.

O porqu do fato no nos interessa.

3.113 protocolar - protocolizar

Ambas as formas encontram-se registradas no Volp e em outros dicionrios, portanto so corretas, embora se diga que protocolizar seja variante dispensvel, pois so consagradas as formas protocolar, protocolado(s), protocolada(s), protocolando, etc.

3.114 qualquer sequer algum nenhum

No se deve usar o termo qualquer com sentido de nenhum em construes negativas: no consultei qualquer livro da biblioteca (inadequado). A forma correta : no consultei livro algum da biblioteca.

Sequer indica ao menos, pelo menos e deve ser empregado em oraes negativas: o requerente no respondeu sequer a uma pergunta.

3.115 quando do (da)

A expresso galicismo, por isso deve ser substituda por no momento de, no tempo de, por ocasio de: Por ocasio da consulta, o tribunal estava de recesso, e no Quando da consulta (...)

Os dependentes tm direito ao benefcio se o segurado, quando de seu falecimento, preencher os requisitos legais. (errado)

Os dependentes tm direito ao benefcio se o segurado, na ocasio de seu

falecimento, preencher os requisitos legais. (certo)

Os dependentes tm direito ao benefcio se o segurado, poca de seu falecimento, preencher os requisitos legais. (certo)

3.117 ratificar - retificar

ratifiar: reconhecer a validade de compromisso assumido por pessoa no habilitada; confirmar, corroborar, roborar.

retificar: tornar exato (algo); corrigir; emendar.

3.118 reincidir - rescindir

reincidir: tornar a incidir, recair, repetir.

rescindir: dissolver, invalidar, romper, desfazer.

3.119 remio / remisso

remio: ato ou efeito de remir tornar a obter, resgatar; liberao de pena ou dvida.

remisso: ato ou efeito de remitir perdoar; perdo; ao ou efeito de remeter.

3.120 salrio mnimo/salrio-mnimo

1. Salrio mnimo (sem hfen) a remunerao mnima do trabalhador, fixada por lei: O atual salrio mnimo do brasileiro de R$ 545,00.

2. Salrio-mnimo (com hfen) usado para designar o trabalhador cuja remunerao o salrio mnimo, ou o trabalhador mal remunerado: Aquele pobre homem um salrio-mnimo. O plural salrios-mnimos.

3.121 se(c)co sesso - cesso

se(c)o: parte, diviso, departamento, ato de seccionar

sesso: espao de tempo durante o qual se realiza reunio de um corpo deliberativo, consultivo, jurdico etc.

cesso: ato de ceder, transferncia de posse ou direito; desistncia, renncia; concesso de vantagem ou procedncia a; outorga

3.122 sendo que

Esta expresso apresenta o sentido de causa em seu uso adequado. No entanto, quase sempre encontramos de forma incorreta na linguagem jurdica. Melhor evitar o uso. Observe um uso inadequado: Auxiliava sua ex-esposa constantemente, sendo que ainda pagava a mensalidade escolar do filhos.

3.123 se no - seno

se no quando o se conjuno e inicia orao subordinada condicional, equivalendo a caso no, quando no.

O acusado, se no (caso no) comparecer, ser prejudicado. So problemas que, se no (quando no) resolvidos, complicam a situao;

seno quando esta palavra equivale a exceto, salvo, a no ser, de outro modo, do contrrio, mas, mas sim, mas tambm.

Esta eficcia no se opera unicamente em favor do eleitor, seno (a no ser) tambm dos partidos. Confessa, seno (do contrrio) sers preso.

3.124 se se

O emprego simultneo da conjuno condicional se com o pronome se, posto que correto, desagradvel ao ouvido. Por essa razo, deve evitar-se essa combinao. Nesse caso, a conjuno condicional se pode ser permutada por caso, contanto que, desde que. Observem-se os exemplos. Haveria ofensa segurana jurdica, se se permitisse, antecipadamente, acesso aos dados secretos. (evite) Haveria ofensa segurana jurdica, caso se permitisse, antecipadamente, acesso aos dados secretos. (recomendvel)

3.125 sortir - surtir

sortir: prover (-se), abastecer-se (de produtos, mercadorias, provises etc.); colocar junto (coisas diversas); misturar, combinar, mesclar.

surtir: dar como resultado; dar origem a; provocar; ter xito, sucesso (para algum); vir de dentro para fora; sair, emergir

3.126 suso

Trata-se de palavra de uso antigo e significa acima, anteriormente, antes, atrs.

O acrdo suso mencionado traz a posio desta Corte sobre o caso.

3.127 tal qual

Na expresso comparativa tal qual, tal concorda com o termo antecedente, e qual, com o consequente: As meninas so tais qual a me; O menino tal quais os amigos. Ressalte-se que tambm existe a locuo conjuntiva tal qual, invarivel, que equivale a como: O desembargador pensa tal qual o ministro.

3.128 tampouco - to pouco

tampouco advrbio de sentido negativo e significa tambm no, nem sequer. Por isso dispensa o acompanhamento da partcula nem.

No compareceu sesso eleitoral, tampouco se justificou.

Em to pouco, o advrbio to modifica a palavra pouco, que pode ser advrbio ou pronome indefinido.

Argumentou to pouco (advrbio) que no convenceu os eleitores.

Revelou to pouco (pronome indefinido) interesse pelo assunto.

3.129 ter - haver

Deve-se evitar o emprego do verbo ter no sentido de haver, existir. Ex.: Na urna h/existem muitos votos; no Na urna tem muitos votos.

3.130 todo todo o todos os - cada

Todo indica qualquer: toda cidade possui prefeitura. Todo o significa inteiro: toda a cidade limpa. todos os indica a totalidade: todos os habitantes so alfabetizados.

Cada usado para especificar e deve sempre estar acompanhado de outro termo: cada ano, cada um, cada pessoa.

3.131 todos - unnimes

pleonasmo dizer ou escrever: Todos foram unnimes ao afirmar isso. Unnimes relativo a todos. Todos dispensa o unnimes. Se so todos, est garantida a unanimidade. Diga-se, ento: Todos afirmam isso. Os presentes foram unnimes na afirmao.

3.132 trata-se de

No possvel, lgica e gramaticalmente, construo com o verbo tratar-se para coisas. Trata-se somente pode ter por sujeito um ente humano, em acepes especficas: O caso trata-se de acusaes. (inadequado); Aqui todos se tratam por voc; Ele somente se trata com remdios caseiros.

Nos demais casos, trata-se de constri-se impessoalmente: Trata-se de processos novos.

3.133 ver - vir

ver: No futuro do subjuntivo, flexiona-se da seguinte forma: vir, vires, vir, virmos, virdes, virem. Ex.: Se eu a vir, entregarei o livro.

vir: No futuro do subjuntivo, tem a seguinte flexo: vier, vieres, vier, viermos,

vierdes, vierem. Ex.: Se eu vier, trarei o livro.

3.134 vez que, eis que, posto que, haja visto

As expresses acima quase sempre so empregadas de forma inadequada na linguagem jurdica.

Vez que, de vez que e haja visto no devem ser empregadas nunca. Esto inadequadas.

Eis que indica surpresa ou tempo. Raramente, ser empregada nesse sentido. Posto que no possui valor de causa. O sentido correto da expresso de concesso.

Observe os exemplos a seguir.

O Tribunal solicitou a cpia, vez que no a possua (inadequado).

O Tribunal solicitou a cpia, de vez que no a possua (inadequado).

O Tribunal solicitou a cpia, eis que no a possua (inadequado).

O Tribunal solicitou a cpia, posto que no a possua (inadequado).

O Tribunal solicitou a cpia, haja visto no a possuir (inadequado).

O Tribunal solicitou a cpia, haja vista no a possuir (adequado).

3.135 viger

Viger significa vigorar, ter vigor, funcionar. Pertence segunda conjugao. Conjuga-se como viver, comer e escrever: Ele escreve (vige). Eles escrevem (vigem). Ele escreveu (vigeu). Eles escreveram (vigeram). Ele escrevia (vigia). Eles escreviam (vigiam). A lei vige por tempo indeterminado. A medida provisria continua vigendo. Esta lei vigeu at julho do ano passado.

Observaes:

a) O verbo viger defectivo, conjuga-se apenas em alguns modos e pessoas. Nos demais casos, necessrio recorrer a um sinnimo;

b) Em caso de dvida sobre a conjugao do verbo viger, pode-se utilizar, por exemplo, o verbo vigorar: A lei vigora por tempo indeterminado. A medida provisria continua vigorando.

3.136 vista vista dos autos

Em sentido jurdico, vista traduz o ato de entrega dos autos a pessoas interessadas no processo, como advogados, representantes do Ministrio Pblico, para manifestar-se acerca de seu contedo. O termo vista costuma ser acompanhado dos verbos ir, pedir, requerer, ter etc.

Vale ressaltar que o correto o singular, ou seja, vista. Tem-se, nesse ato, o conhecimento de tudo que compe os autos. Atente-se aos exemplos.

O Ministrio Pblico ter vistas dos autos depois das partes. (errado)

O Ministrio Pblico ter vista dos autos depois das partes. (certo)

3.137 vtima fatal - letal - mortal

Os vocbulos fatal, letal e mortal exprimem algo que determinado por um fato, que produz a morte ou que est sujeito morte; algo inevitvel, funesto, marcado pelo destino. Qualificam, portanto, aquilo que causa ou provoca o resultado.

Vista essa questo semntica, o uso da expresso vtima fatal, letal ou mortal constitui impropriedade vocabular, uma vez que a vtima no agente causador; mas, sim, algum que sofre a consequncia. Por isso, a qualificao tem de recair sobre o fato, e no sobre o agente causador. Ento, fatal, mortal e letal o evento, o acidente, a doena.

O acidente causou uma vtima fatal, alm de danos materiais. (errado)

O acidente fatal causou uma vtima, alm de danos materiais. (certo)

A facada desferida pela autora provocou vtima mortal. (errado)

A facada desferida pela autora provocou a morte da vtima. (certo)

3.139 vultoso - vultuoso

vultoso: que faz grande volume; avultado, volumoso; considervel; de grande

importncia

vultuoso: acometido de vultuosidade (estado do rosto quando as faces e os lbios esto vermelhos e inchados, e os olhos salientes)

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Texto jurdico

O ensino acadmico, por melhor que seja, no se mostra capaz de preparar adequadamente o futuro profissional da rea jurdica a realizar suas tarefas com perfeio em relao linguagem. Os professores acadmicos, heroicamente em alguns casos, transmitem ao universitrio o conhecimento universal e particular adquirido e contribuem grandemente para a formao do estudante. No entanto, na prtica forense que o profissional encontrar os instrumentos necessrios para realizar tudo que lhe foi ensinado em anos tericos.

A boa redao de textos jurdicos torna-se fundamental como ferramenta para a realizao de atividade que tanto depende da linguagem. Saber escrever corretamente, com clareza, coeso, boa argumentao e objetividade torna-se essencial para o exerccio profissional. Qualquer deciso jurdica depende de um texto para ser interpretado. No se possvel imaginar o Direito sem texto. E justamente na capacidade de produzir e entender textos que o advogado se depara com obstculos que lhe prejudicam o trabalho.

5.1 Qualidades do texto jurdico

No tenhas medo das palavras grandes, pois se referem a pequenas coisas.

Para o que grande os nomes so pequenos:

assim a vida e a morte, a paz e a guerra, a noite, o dia, a f, o amor e o lar.

Aprende a usar, com grandeza, as palavras pequenas.

Vers como difcil faz-lo, mas conseguirs dizer o que queres dizer.

Entretanto, quando no souberes o que queres dizer,

usa palavras grandes, que geralmente servem para enganar os pequenos.

Arthur Kudner.

A palavra o incio de nossa tcnica. No queira escrever textos longos de forma adequada sem antes observar o uso dos termos em seu texto. A escolha da palavra o incio de um bom texto.

O termo exato a ser empregado deve levar em conta o leitor. Imagine o seu leitor. Trata-se de um desconhecedor do assunto a ser escrito, um especialista, uma pessoa com conhecimentos limitados de vocabulrio, etc. A palavra adequada depende da capacidade de compreenso do leitor.

O primeiro passo para expressar uma ideia a escolha do termo adequado. D sempre preferncia ao termo menor e mais fcil de ser compreendido pelo leitor. Evite expresses como a seguir.

a) A perorao do discurso do advogado foi clara ao pedir a absolvio por legtima defesa.

b) Procura o ru escoimar-se da Jurisdio Penal, por suas pueris alegaes.

c) Todas essas aes e querelas judiciais s tm por consequncia mangrar o desenvolvimento da sociedade.

5.1.1 Sentido denotativo e conotativo

Saiba bem a diferena entre sentido denotativo e conotativo. Evite de toda forma o segundo caso em seu texto jurdico. Principalmente, no Brasil, h o hbito de recorrer linguagem figurada em nossas construes. Em Portugal, isso no to comum.

Sentido denotativo: o uso de um termo em seu sentido primeiro, real, do dicionrio. Ao pensarmos em joia, logo nos vem ao pensamento uma pedra preciosa ou algo semelhante.

Sentido conotativo: o uso de um termo em seu sentido figurado. Ao caracterizar algum como uma pessoa "joia", houve uma transferncia de sentido facilmente compreensvel, mas inadequada para nossa atividade.

Evite tambm palavras que possam apresentar polissemia (vrios sentidos no contexto), neologismos (criaes artsticas ou inovadoras), arcasmos (palavras em desuso) ou grias. Nossa preocupao apresentar uma ideia de forma clara e no produzir um texto literrio.

5.1.2 Perodo adequado

Frases curtas o segredo para o texto adequado. Procure sempre frases curtas. Uma, duas ou, no mximo, trs oraes por perodo sinttico. As vantagens so muitas. A primeira diminuir o nmero de erros, principalmente em pontuao. A segunda tornar o texto mais claro. A terceira apresentar a ideia de forma mais objetiva. Vincius de Morais afirmava que "uma frase longa no mais que duas curtas". Perodos longos geralmente esto associados a ideias incertas e facilitam falhas na compreenso.

5.1.3 Ordem direta

A ordem direta facilita o entendimento (sujeito-verbo-complemento). Certamente, voc no a usar em todos os perodos. Em alguns momentos, importante intercalar uma observao ou antecipar um adjunto adverbial, por exemplo. No entanto, procure escrever em ordem direta, principalmente no incio do pargrafo.

5.1.4 Voz ativa

As construes em voz ativa demonstram que o sujeito o agente da ao e do firmeza ao pensamento.

Adequado: O governo adotou a medida.

Inadequado: A medida foi adotada pelo governo.

Voc deve usar voz passiva quando o sujeito paciente mais importante do que o agente da passiva.

Adequado: O Supremo foi criticado pelos vndalos.

Inadequado: Os vndalos criticaram o Supremo.

5.1.5 Evite gerndio

O gerndio um recurso oral muito presente em nosso idioma. No entanto, o exagero compromete o texto. A linguagem jurdica no Brasil faz muito uso de gerndio de forma inadequada (no captulo sobre vocabulrio, abordaremos em detalhes o assunto). Voc consegue substituir o gerndio em quase todas as situaes. Observe o exemplo a seguir:

Funcionrios contratados pela empresa podero cursar universidade no segundo semestre, podendo, se forem estudiosos, concluir o curso em quatro anos, fazendo em seguida um curso de ps-graduao.

Observe como fica melhor:

A empresa contratou funcionrios que podero cursar universidade no segundo semestre do ano. Se forem estudiosos, concluiro o curso em quatro anos e, em seguida, faro uma ps-graduao.

5.1.6 Trs verbos por perodo

O perodo longo e o vocabulrio inadequado so os principais erros em um texto formal. Em cursos nos tribunais, dedico muito tempo ao assunto. Criou-se o hbito de escrever com perodos longos na atividade jurdica. No um problema s brasileiro. Diversos pases europeus organizam campanhas nos rgos pblicos para melhorar o texto jurdico e torn-lo mais objetivo. Eu tenho presenciado o esforo para isso.

Se voc tiver a curiosidade para pesquisar textos jurdicos de pases anglos, nrdicos e mesmo dos Estados Unidos e Canad, ficar surpreso com o tamanho dos perodos e dos pargrafos. Eles so exageradamente concisos. Podemos encontrar um meio-termo. Observe o exemplo a seguir, retirado de uma reportagem:

Mesmo fervidas diariamente, as lentes de contato gelatinosas ficam impregnadas de sujeira, o que pode at causar conjuntivite, mas, desde o comeo do ano, os mopes da Califrnia podem resolver o problema jogando as lentes no lixo pois l acabam de ser lanadas lentes descartveis que custam apenas 2,5 dlares cada, que s em julho estaro disponveis no Brasil.

Veja como fica melhor:

Mesmo fervidas diariamente, as lentes de contato gelatinosas ficam impregnadas de sujeira, o que pode causar conjuntivite. Desde comeo do ano, porm, os mopes da Califrnia podem resolver o problema. Acabam de ser lanadas lentes descartveis que custam apenas 2,5 dlares cada. Em julho, elas estaro disponveis tambm no Brasil.

Quase sempre o perodo longo mistura pensamentos. Sem perceber, o autor acaba por tratar de diversos assuntos diferentes e sem continuidade. Observe exemplo de uma redao para concurso pblico com essa falha:

Quando paramos para pensar sobre quem foi o responsvel por todas as mazelas que sofremos nos ltimos anos no Brasil, gerando desordem na rea da sade e da educao principalmente e poucos resultados eficientes na rea do crescimento, aquele que permitiu que toda esperana se perdesse e fosse por gua abaixo, deixando escapar uma oportunidade para o Brasil ocupar um assento permanente na ONU e em diversas representaes internacionais importantes e no dando prosseguimento ao projeto de exportao de nossos produtos agropecurios, perdendo o foco do que realmente interessa para o povo brasileiro.

Texto bom objetivo e claro. O perodo curto facilita o entendimento rpido por parte do leitor. O texto a seguir foi editorial do jornal Correio Braziliense. Observe a separao das ideias nos perodos.

A Unio Europeia completa 50 anos hoje como a mais bem-sucedida experincia de integrao regional do planeta. Quando a Guerra Fria comeava a mergulhar Estados Unidos e Unio Sovitica numa era de auto-suficincia e competio, os europeus concretizavam sua aposta na cooperao como diferencial para enfrentar desafios do sculo 21. Os problemas do bloco so vrios, mas os benefcios inegveis do a outros pases importantes lies sobre desenvolvimento.

Observe textos com as qualidades citadas:

Texto I

O recorrente alegou que a deciso impugnada estaria viciada, em face da ausncia de intimao pessoal para informar a data da sesso em que seria apreciado o processo neste Tribunal.

A ausncia da intimao pessoal da data em que ser julgado o processo no ofende qualquer princpio constitucional ligado defesa. A publicao da pauta de julgamentos no Dirio Oficial da Unio suficiente para conferir publicidade ao ato processual e permitir a participao de todos na sesso de julgamento. Tal entendimento encontra amparo em deliberao do Plenrio do Supremo Tribunal Federal, proferida em sede de Agravo Regimental em Mandado de Segurana (MS-AgR 26.732/DF, Relatora Ministra Carmen Lcia), conforme excerto a seguir transcrito.

(...)

Texto II

O atual Prefeito do Municpio de xxxx sustenta que a responsabilidade pela aplicao dos recursos to somente do ex-gestor. Alega que no se beneficiou da aplicao irregular dos recursos federais e requer que se afaste a responsabilidade do ente pblico.

Texto III

O recorrente requer efeito suspensivo ao recurso de reviso, de modo a obstar a eficcia do comando decisrio contido no acrdo recorrido.

O artigo 35 da Lei 8.443/1992 apenas prev recurso de reviso sem efeito

suspensivo:

Art. 35. De deciso definitiva caber recurso de reviso ao Plenrio, sem efeito suspensivo, interposto por escrito, uma s vez, pelo responsvel, seus sucessores ou pelo Ministrio Pblico junto ao Tribunal, dentro do prazo de cinco anos, contados na forma prevista no inciso III do art. 30 desta lei, e fundar-se-: I - em erro de clculo nas contas; II - em falsidade ou insuficincia de documentos em que se tenha fundamentado a deciso recorrida; III - na supervenincia de documentos novos com eficcia sobre a prova produzida (grifos acrescidos).

O plenrio do Supremo Tribunal Federal, em sede de Mandado de Segurana

(MS 22.371/PR, Relator Ministro Moreira Alves), corroborou esta norma, conforme a seguinte ementa:

Mandado de segurana. Efeito suspensivo a recurso de reviso interposto perante o Tribunal de Contas da Unio. Pela disciplina desse recurso de reviso, faz ele as vezes, no plano administrativo, da ao rescisria no terreno jurisdicional, com relao qual a jurisprudncia desta Corte tem entendido inadmissvel a outorga cautelar de eficcia suspensiva ao ajuizamento dela, para obstar os efeitos decorrentes da coisa julgada (vejam-se, a propsito, os acrdos na RTJ 54/454 e na RTJ 117/1). Mandado de segurana indeferido.

Desse modo, no h como conferir efeito suspensivo a recurso de reviso, por falta de amparo legal.

Os textos apresentam predomnio de ordem direta, voz ativa, linguagem clara e direta e perodos curtos. No significa que todos os perodos apresentaro tais caractersticas, mas devem predominar.

5.1.7 Pargrafo adequado

Os pargrafos devem apresentar as seguintes qualidades:

1. Deve-se evitar pargrafo de perodo nico. Isso pode ocorrer, mas no deve predominar. Geralmente, ele apresenta dois ou trs perodos. O primeiro apresenta a ideia central e os demais exemplificam, argumentam ou concluem a ideia inicial.

2. Cada pargrafo apresenta apenas uma ideia central.

3. Os pargrafos devem apresentar relao de coeso muito forte.

Observe exemplo de texto com pargrafos bem relacionados.

A alegao de que caberia ao TCU comprovar a regularidade da aplicao dos recursos pblicos repassados por convnio recorrente neste Tribunal.

Nesse sentido, por fora do que dispe o art. 70, pargrafo nico, da Constituio Federal, bem assim o art. 93 do Decreto-Lei 200/1967 c/c o art. 66 do Decreto 93.872/1986, fica claro que compete ao gestor comprovar a boa e regular aplicao dos recursos pblicos, isto , o nus da prova.

O Tribunal firmou jurisprudncia nesse sentido, conforme se verifica nos Acrdos 903/2007-TCU-1aCmara, 1.445/2007-TCU-2aCmara e 1.656/2006-TCU-Plenrio.

Tal entendimento foi confirmado pelo Supremo Tribunal Federal em deciso proferida em sede de Mandado de Segurana (MS 20.335/DF, de 12/10/1982 da Relatoria do Ministro Moreira Alves), cuja ementa vem transcrita a seguir.

Mandado de Segurana contra o Tribunal de Contas da Unio. Contas julgadas irregulares. Aplicao da multa prevista no artigo 53 do Decreto-Lei 199/67. A multa prevista no artigo 53 do Decreto-Lei 199/67 no tem natureza de sano disciplinar. Improcedncia das alegaes relativas a cerceamento de defesa. Em Direito Financeiro, cabe ao ordenador de despesas provar que no responsvel pelas infraes, que lhe so imputadas, das leis e regulamentos na aplicao do dinheiro pblico. Coincidncia, ao contrrio do que foi alegado, entre a acusao e a condenao no tocante irregularidade da licitao. Mandado de Segurana indeferido. (grifos acrescidos)

Desse modo, o gestor deve fornecer todas as provas da regular aplicao dos recursos sob sua responsabilidade, em conformidade com os normativos vigentes e reiterada jurisprudncia do TCU.

Cada pargrafo apresentou apenas uma ideia relacionada com o pargrafo seguinte. Isso muito importante. Observe outro exemplo.

A contratao da xxx, instituio sem fins lucrativos, foi realizada por meio de dispensa de licitao, com fundamento no art. 24, inciso XIII, da Lei 8.666/1993, que trata da contratao direta de instituio brasileira incumbida regimental ou estatutariamente da pesquisa, do ensino ou do desenvolvimento institucional ou de instituio dedicada recuperao social do preso.

Entretanto, no presente caso, alm de no haver comprovao de que os preos contratados so condizentes com aqueles praticados no mercado, no foi observado nexo entre o objeto contratado e a natureza das atividades desenvolvidas pela instituio.

A jurisprudncia do TCU sobre esse tema, consubstanciada na Smula/TCU 250, no sentido de que a contratao direta de instituio sem fins lucrativos, com fulcro no art. 24, inciso XIII, da Lei 8.666/1993, somente admitida nas hipteses em que h nexo efetivo entre o objeto contratado e as atividades de pesquisa, ensino ou desenvolvimento institucional realizadas pela instituio contratada, garantida ainda a compatibilidade com os preos de mercado.

Nesse sentido, so, por exemplo, os Acrdos do TCU 1.279/2007-Plenrio, 1.882/2007-Plenrio, 289/2007-Plenrio, 1.026/2007-Plenrio, 1.349/2003-1a Cmara, 733/2000-2a Cmara e 84/2000-Plenrio.

Dessa forma, no tendo sido preenchidos os requisitos legais, restou configurada a ilegalidade da contratao.

5.2 Vcios de linguagem

Dentre as principais qualidades de um texto bem redigido, destaca-se a clareza, que, na redao oficial, tem especial relevo devido finalidade dos atos e comunicaes no servio pblico.

Geralmente o texto fica prejudicado quanto clareza em decorrncia dos vcios de linguagem, entre os quais se observam os erros de concordncia, regncia, paralelismo e comparao, bem como ambiguidade e eco.

Erros de concordncia

H dois tipos de erros de concordncia: nominal e verbal. O primeiro ocorre quando os nomes (substantivos, adjetivos, pronomes) no se ajustam em nmero e gnero; o segundo, quando os verbos no se ajustam ao sujeito em nmero e pessoa.

Errado:

Considerou o mandado de segurana intempestiva.

O adjetivo intempestivo modifica o substantivo mandado e com este deve concordar.

Certo:

Considerou o mandado de segurana intempestivo.

Errado:

Estas so as normas cooperativas vigente.

O adjetivo vigente modifica o substantivo normas e com este deve concordar.

Certo:

Estas so as normas cooperativas vigentes.

Errado:

Foi atendido, ao que se colhe do acrdo impugnado, os partidos que se expressaram pela maioria.

A forma verbal foi atendido deve concordar com o sujeito os partidos.

Certo:

Foram atendidos, ao que se colhe do acrdo impugnado, os partidos que se expressaram pela maioria.

Errado:

Eram pareceres dissonantes que, aps a discusso exaustiva da matria, serviu de base para o relatrio final da comisso.

O pronome relativo que tem por antecedente a palavra pareceres e tem funo de sujeito do verbo servir. Este deve ir para o plural, concordando com o antecedente.

Certo:

Eram pareceres dissonantes que, aps a discusso exaustiva da matria, serviram de base para o relatrio final da comisso.

Erros de regncia

Ocorre erro de regncia (nominal ou verbal) quando a relao de dependncia entre nomes ou entre verbos e seus complementos no se estabelece corretamente.

Errado:

A deciso do julgamento provocou um clima adverso com a Justia.

Nesse exemplo, h erro de regncia nominal porque adverso rege a preposio a ou (mais raro) de, e no com.

Certo:

A deciso do julgamento provocou um clima adverso Justia.

Errado:

A Justia exigia a presena de peritos de legislao trabalhista no processo.

No exemplo, h erro de regncia nominal porque a palavra perito rege a preposio em, e no de.

Certo:

A Justia exigia a presena de peritos em legislao trabalhista no processo.

Errado:

Vocs no aspiram altos cargos neste governo?

Sim, aspiramos-lhes.

Em ambas as frases, h erros de regncia verbal porque, no sentido de almejar ardentemente, pretender, o correto aspirar a alguma coisa, pois este verbo transitivo indireto e pede a preposio a. Neste sentido, no se admite o pronome lhe(s); apenas a ele(s), a ela(s).

Certo:

Vocs no aspiram a altos cargos neste governo?

Sim, aspiramos a eles.

Errado:

Analisou ao recurso.

Nesse exemplo, h erro de regncia verbal porque, no sentido de observar, examinar com mincias ou criticamente, o verbo analisar transitivo direto e no admite preposio.

Certo:

Analisou o recurso.

Erros de paralelismo

Paralelismo o recurso lingustico que possibilita a expresso de ideias similares por meio de formas gramaticais idnticas. Portanto, constitui erro dar forma gramatical diferente a ideias similares, como nos seguintes casos:

1. Duas oraes subordinadas estruturadas de formas diferentes para ideias equivalentes.

Errado:

Pediu aos concorrentes agilizar os pedidos de inscrio e que, em caso de dvida, recorressem aos tribunais regionais.

Esse perodo apresenta uma orao subordinada reduzida de infinitivo (agilizar os pedidos de inscrio) e outra desenvolvida (que (...) recorressem aos tribunais regionais). O correto seria utilizar duas reduzidas ou duas desenvolvidas, como a seguir.

Certo:

Pediu aos concorrentes agilizar os pedidos de inscrio e, em caso de dvida, recorrer aos tribunais regionais.

ou

Pediu aos concorrentes que agilizassem os pedidos de inscrio e, em caso de dvida, recorressem aos tribunais regionais.

2. Substantivos coordenados com oraes reduzidas de infinitivo.

Errado:

Em seu voto, o relator demonstrou conhecimento, no ser inseguro e parcial, ter bom senso.

Nesse exemplo, o erro est em no haver coordenao de palavras da mesma classe gramatical (conhecimento, no ser seguro e parcial, ter bom senso). A soluo est em usar apenas substantivos ou formas oracionais reduzidas, como a seguir.

Certo:

Em seu voto, o relator demonstrou conhecimento, segurana, imparcialidade e bom senso.

ou

Em seu voto, o relator demonstrou ser seguro e imparcial, ter conhecimento e bom senso.

3. Emprego errado das expresses correlativas no s... mas (como) tambm,

tanto... quanto, nem... nem, ou... ou, quer... quer, ora... ora, seja... seja, etc.

Errado:

Ao final, ou o presidente votava, ou pedia vista, ou encerrava a sesso.

O erro est na posio inadequada da primeira conjuno ou. O certo desloc-la de forma a estabelecer a relao entre os elementos coordenados (votar, pedir, encerrar).

Certo:

Ao final, o presidente ou votava, ou pedia vista, ou encerrava a sesso.

4. Cidade e estado, cidade e pessoa colocados no mesmo nvel.

Errado:

Por ocasio das eleies, o candidato visitou Manaus, Curitiba e Mato Grosso.

O erro est em nivelar as capitais Manaus e Curitiba com o Estado de Mato Grosso. O certo substituir o estado por sua capital ou mencionar que o candidato visitou o Estado de Mato Grosso.

Certo:

Por ocasio das eleies, o candidato visitou Manaus, Curitiba e Cuiab.

ou

Por ocasio das eleies, o candidato visitou Manaus, Curitiba e cidades de Mato Grosso.

5. Emprego inadequado do e que, sem que tenha sido parte de construo anterior.

Errado:

Devem-se tomar medidas enrgicas e que probam o uso do dinheiro pblico em benefcio de poucos.

Com o emprego do e que criou-se a ideia de paralelismo, inexistente anteriormente. O certo eliminar o e ou substituir o adjetivo enrgicas por orao adjetiva equivalente.

Certo:

Devem-se tomar medidas enrgicas que probam o uso do dinheiro pblico em benefcio de poucos.

ou

Devem-se tomar medidas que sejam enrgicas e (que) probam o uso do dinheiro pblico em benefcio de poucos.

Erros de comparao

Deve-se evitar a omisso de certos termos nas comparaes, sob pena de comprometer a clareza, como nos exemplos:

Errado:

Obteve um total de votos maior do que o adversrio.

Nessa construo, estabeleceu-se uma comparao entre o total de votos e o adversrio, quando o certo comparar apenas o total de votos de cada um.

Certo:

Obteve um total de votos maior do que o total do adversrio.

ou

Obteve um total de votos maior do que o do adversrio.

Ambiguidade

Ambiguidade o duplo sentido provocado pela m construo da frase. Ocorre geralmente quando h dificuldades de identificao do sujeito ou do objeto numa orao e dos termos a que se refere um pronome pessoal, possessivo ou relativo, como nos seguintes casos.

1. Dificuldade de identificao do sujeito e do objeto da orao.

Ambguo:

Convenceu o diretor o chefe sobre a necessidade de mudanas.

Quem convenceu quem, o diretor ou o chefe? Se o chefe convenceu o diretor, o perodo ganha clareza com uma destas opes:

a) Convenceu ao diretor o chefe sobre a necessidade de mudanas.

b) O chefe convenceu o diretor sobre a necessidade de mudanas.

Se o diretor convenceu o chefe, o perodo tornar-se- mais claro com uma destas opes:

c) Convenceu o diretor ao chefe sobre a necessidade de mudanas.

d) O diretor convenceu o chefe sobre a necessidade de mudanas.

2. Dificuldade de identificao do termo a que se refere o pronome pessoal.

Ambguo:

O diretor comunicou ao chefe que ele seria exonerado.

Quem seria exonerado, o diretor ou o chefe? A ambiguidade da frase poder

ser eliminada com uma das opes:

a) O diretor comunicou a exonerao dele ao chefe se a exonerao do diretor;

b) O diretor comunicou ao chefe a exonerao deste se a exonerao do chefe.

3. Dificuldade de identificao do termo a que se refere o pronome possessivo.

Ambguo:

O governador e o prefeito se desentenderam por causa de sua m gesto.

De quem a m gesto, do governador ou do prefeito? A ambiguidade da frase poder ser eliminada com uma das opes:

a) O governador e o prefeito se desentenderam por causa da m gesto do prefeito (ou deste ltimo) se a m gesto do prefeito;

b) O governador e o prefeito se desentenderam por causa da m gesto do governador (ou do primeiro) se a m gesto do governador.

4. Dificuldade de identificao do termo a que se refere o pronome relativo.

Ambguo:

O senador quis conhecer o projeto do deputado do qual o secretrio falava.

O secretrio falava do deputado ou do projeto do deputado? A ambiguidade da frase poder ser eliminada com uma das opes:

a) O senador quis conhecer o projeto do deputado de cujo projeto o secretrio falava;

b) O senador quis conhecer o projeto do deputado de quem o secretrio falava.

5.3 Resumo e sntese

O termo resumo (do latim resumere) significa condensar em poucas palavras o que foi dito ou escrito de forma mais extensa. Resumir agrupar em poucas palavras todo o pensamento do autor. Sntese (do grego synthesis) demonstrar em poucas palavras a ideia principal do autor. Sintetizar retomar a principal inteno do autor do texto. Observe texto original e possvel resumo e sntese.

Texto original

A Receita Federal brasileira vai iniciar um processo de integrao com o fisco dos demais pases do Mercosul (Argentina, Uruguai e Paraguai) para combater as fraudes fiscais que esto ocorrendo nas operaes comerciais feitas entre empresas do bloco econmico.

Com a globalizao, os chamados "preos de transferncia" se transformaram no principal alvo das administraes tributrias dos pases filiados ao Centro Interamericano de Administradores Tributrios (CIAT). Por esse mecanismo, as empresas conseguem fraudar o fisco realizando operaes de compra e venda com preos que no correspondem ao valor real dos produtos ou servios negociados. Em todos os casos, sempre necessrio utilizar um paraso fiscal - pas que apresenta vantagens e isenes tributrias.

No caso de uma exportao, a empresa vende seu produto por um preo muito baixo, o que caracteriza uma operao no-lucrativa ( portanto, sem incidncia de Imposto de Renda). A venda intermediada por uma empresa localizada em um paraso fiscal, que recoloca o preo em seu patamar real e conclui a venda ao comprador. O lucro realizado por essa empresa retorna ao exportador sem nus fiscal.

Na importao, a operao inversa. O produto comprado a um preo elevado, reajustado em um paraso fiscal antes de chegar ao seu destino. O importador alega prejuzo na operao e escapa ao fisco.

"A globalizao, que agilizou e sofisticou os negcios entre as empresas, criou modernas doenas fiscais. Temos que combat-las", disse o Secretrio da Receita Federal do Brasil Folha. Apenas um trabalho conjunto entre os diversos pases do Mercosul poder extinguir ou, pelo menos, neutralizar as fraudes fiscais internacionais.

Possvel resumo

A Receita Federal brasileira e rgos correspondentes nos pases do Mercosul integraro suas operaes para combater fraudes fiscais. A globalizao, que agilizou e sofisticou os negcios entre as empresas, possibilitou tambm que empresas criassem mecanismos de iseno de imposto de renda com valores falsos de mercadorias por meio de compra e venda com participao de empresas em parasos fiscais.

Possvel sntese

O Brasil e os pases do Mercosul trabalharo em conjunto a fim de evitar fraudes fiscais internacionais em operaes comerciais entre empresas do bloco.

5.3.1 Resumo na ABNT

A ABNT (Associao Brasileira de Normas Tcnicas) segue tal referncia internacional por meio da NBR 6028 e define resumo como "apresentao concisa dos pontos relevantes de um texto".

O resumo abrevia o tempo de estudo de tal modo que pode influenciar e estimular a consulta do texto completo. O resumo padronizado deve destacar:

a) o assunto do trabalho;

b) o objetivo do texto;

c) a articulao das ideias;

d) as concluses ou recomendaes;

e) ser redigido em linguagem objetiva;

f) no apresentar juzo crtico;

g) ser inteligvel por si mesmo (isto , dispensar a consulta ao original);

h) evitar a repetio de frases inteiras do original;

i) respeitar a ordem em que as ideias ou fatos so apresentados.

O bom resumo dispensa leitura do texto original. Segundo a NBR 6028, deve-se produzir resumo em apenas um pargrafo. Constitui-se em forma prtica de estudo que participa ativamente da aprendizagem, uma vez que favorece a reteno de informaes bsicas.

5.3.2 Resumo em instituies pblicas

O servidor pblico muitas vezes deve produzir resumo e sntese em seus documentos. A ementa, o relatrio, a informao e o sumrio executivo so bons exemplos de textos resumidos. Saber resumir e sintetizar essencial boa atividade profissional. Textos bem resumidos recuperam a informao principal e auxiliam a tomada de deciso de forma rpida e objetiva.

Manuais de redao oficial enfatizam a importncia de empregar linguagem direta e objetiva. Saber sintetizar de muita importncia na atividade profissional. A capacidade de reproduzir, em poucas palavras, o que foi apresentado de forma mais detalhada fundamental em diversas situaes. No entanto, no se devem economizar informaes relevantes em documentos que necessitem de detalhes.

Procedimentos para boa sntese:

a) Ler atentamente o texto, a fim de conhecer o assunto;

b) Observar as partes mais importantes;

c) Resumir cada pargrafo ou grupo de pargrafos;

d) Destacar a ideia essencial que relaciona os pargrafos;

e) Saber diferenciar a ideia principal das secundrias;

f) Sintetizar com base na inteno principal do autor com informaes ou fundamentos encontrados no texto.

5.4 Ementa

Ementa (do latim ementum, "pensamento", "ideia", de e e mens, juzo, razo, mente) breve apresentao do contedo do texto original. Deve ser feita de forma clara e concisa. Observe recomendaes para a ementa no TCU:

I Observaes gerais:

a)considera-se ementa o conjunto de anotaes ou apontamentos que indicam resumidamente os pontos relevantes da matria submetida deliberao do Tribunal, bem como a deliberao resultante do julgamento de cada caso concreto:

1.o objetivo primordial de uma ementa refletir com fidedignidade a motivao essencial da deliberao exarada. Portanto, a ementa bem elaborada proporciona ao usurio-pesquisador alcanar o sentido do teor do ato decisrio, possibilitando, tambm, a compreenso em basicamente apenas uma leitura do texto.

2.a ementa possui caractersticas informativas, devendo oferecer ao usurio-pesquisador elementos suficientes para que este possa decidir sobre a convenincia da leitura do texto inteiro do documento.

b)a ementa formada por duas partes: a verbetao e o dispositivo:

1.a verbetao a sequncia de palavras-chave ou de expresses que indicam o assunto apreciado pelo Tribunal, a qual deve encaminhar o consulente ao que foi realmente apreciado, lanando-se, para tanto, gnero e espcie do assunto focalizado.

2.o dispositivo a regra de conduta resultante do julgamento do caso concreto. Em princpio, o dispositivo deve ser original, isto , no deve reproduzir o texto da lei ou de orientao doutrinria, visto que a deliberao adotada sobre um caso particular, a que se aplica a disposio legal.

c)a ementa pode ser simples ou composta:

1.ser simples, se contiver um s dispositivo, proveniente de um s ponto controvertido;

2.ser composta, se contiver mais de um dispositivo, resultante de cada um dos pontos controvertidos ou de cada contraditrio.

d)na verbetao composta haver, em princpio, uma verbetao para cada dispositivo, podendo-se, todavia, empregar uma s verbetao quando o gnero for comum e diferentes as espcies;

e)o dispositivo aparece em pargrafo distinto da verbetao;

f)Nas ementas compostas no necessrio enumerar os dispositivos; a verbetao, por si, os distinguir. Os dispositivos, entretanto, devem figurar em pargrafos distintos;

g)O dispositivo emana do ponto discutido e no do arrazoado expendido no parecer, relatrio ou voto, devendo ser abstrato e no se referir a elementos concretos do processo em questo.

h)A ementa deve ser redigida dentro das orientaes da tcnica legislativa e elaborada com maior rigor formal, visto ser a linguagem que realiza o Direito;

i)Os verbetes devem ser escritos em caracteres verticais, claros, em caixa-baixa, usando-se maiscula s para a inicial, com ponto ao final de cada um deles e sem qualquer destaque;

j)A ementa possui como caractersticas a objetividade (obriga que a ementa corresponda exatamente ao teor do acrdo) a conciso (exige que todas as palavras sejam teis, aconselha o emprego da forma sinttica no lugar da analtica), afirmativo, preciso e claro ( usar frases curtas e concisas, buscar a uniformidade do tempo verbal em todo o texto das normas legais, dando preferncia ao tempo presente ou ao futuro simples do presente, na voz ativa).

l)Nos casos de falha da ementa, prevalece o disposto no Acrdo ou Parecer.

II-Orientaes especficas:

Basicamente, a ementa composta dos seguintes elementos:

a)natureza do processo

b)rgos ou entidades envolvidas

c)assunto: do geral para o particular (temas especficos ou controversos)

d)manifestao do TCU (sobre cada tema especfico ou controverso, ou sobre o encaminhamento do processo)

e)resultado especfico da deliberao (legalidade, regularidade, conhecimento, arquivamento, determinao, orientao ou recomendao, etc.)

5.4.1 Ementa em atos normativos ou legislativos

Em atos normativos ou legislativos, a ementa aparece logo na parte preliminar e sintetiza o contedo do ato, a fim de permitir, de modo imediato, o conhecimento da matria legislada, devendo guardar estreita correlao com a ideia central do texto, bem assim com o art. 1o do ato proposto. A Lei Complementar n. 95, de 26 de fevereiro de 1998, em seu artigo 5, determina que a ementa ser grafada por meio de caracteres que a realcem e explicitar, de modo conciso e sob a forma de ttulo, o objeto da lei. Observe a ementa da prpria Lei citada.

Artigo 6

Dispe sobre a elaborao, a redao, a alterao e a consolidao das leis, conforme determina o pargrafo nico do art. 59 da Constituio Federal, e estabelece normas para a consolidao dos atos normativos que menciona.

Observe a ementa do Decreto N. 4.176, de 28 de maro de 2002.

Estabelece normas e diretrizes para a elaborao, a redao, a alterao, a consolidao e o encaminhamento ao Presidente da Repblica de projetos de atos normativos de competncia dos rgos do Poder Executivo Federal, e d outras providncias.

Observe ementa da Deciso Normativa TCU n. 96, de 4 de maro de 2009.

Altera e acresce itens constantes dos Anexos I, II e III da Deciso Normativa TCU n. 93, de 3 de dezembro de 2008.

Ementa da Deciso Normativa TCU N. 94, de 3 de dezembro de 2008.

Define, para 2009, as unidades jurisdicionadas cujos responsveis devem apresentar processos de contas relativas ao exerccio de 2008, especificando a forma, os prazos e os contedos dos demonstrativos que os comporo, nos termos dos artigos 4, 6, 13 e 14 da Instruo Normativa TCU n 57, de 27 de agosto de 2008.

5.4.2 Ementa no parecer

O parecer tambm apresenta ementa (geralmente, dividida em trs partes: sntese do relatrio, do embasamento legal e da deciso). Pode-se alterar a ordem para sntese do relatrio, deciso, embasamento legal. Renem-se, de forma lgica e coordenada, as principais palavras-chaves que foram utilizadas na elaborao do parecer. Observe exemplo de ementa.

Cobrana de multa moratria por concessionria de servio pblico de ente da Administrao. Possibilidade. Superao da Smula n 226 do Tribunal de Contas da Unio por decises posteriores. Extenso da noo de legalidade aplicvel Administrao Pblica.

5.5 A arte de argumentar

Boa redao tcnica a ser apurada por meio de aprendizado constante e dedicado. H diferena entre texto literrio e texto profissional. O primeiro se destina arte ou ao lazer. O segundo busca transmitir pensamentos informativos, argumentativos ou retricos. Provavelmente, muitos nascem com dom para literatura ou desenvolvem tal aptido. No entanto, o texto a ser empregado na atividade profissional aprendido por meio de observao, prtica e dedicao. No se trata de virtude de bero. Nosso curso busca justamente aprofundar e apurar recursos tcnicos para melhorar sua capacidade de redigir de forma mais adequada em sua atividade profissional.

A eficcia da comunicao oficial depende basicamente do uso de linguagem simples, direta e correta. Na linguagem das instituies pblicas no h forma especfica de linguagem, mas sim qualidades a serem aplicadas: clareza, conciso, coerncia, coeso, correo gramatical, formalidade, padronizao e impessoalidade.

Competncia textual

Ser competente para produzir texto depende apenas de voc. Observao aos detalhes e prtica constante promovem melhora significativa no ato de redigir. Nosso objetivo assim que voc adquira capacidade de expressar com competncia suas ideias em textos organizados, objetivos, claros e corretos gramaticalmente.

Argumentao

A argumentao visa persuadir o leitor acerca de uma posio. Quanto mais polmico for o assunto em questo, mais dar margem abordagem argumentativa. Pode ocorrer desde o incio quando se defende uma tese ou tambm apresentar os aspectos favorveis e desfavorveis posicionando-se apenas na concluso. Agostinho dias Carneiro afirma que argumentar um processo que apresenta dois aspectos: o primeiro ligado razo, supe ordenar ideias, justific-las e relacion-las; o segundo, referente paixo, busca capturar o ouvinte, seduzi-lo e persuadi-lo.

Os argumentos devem promover credibilidade. Com a busca de argumentos por autoridade e provas concretas o texto caminha para direo coerente, precisa e persuasiva.

Othon M. Garcia afirma que na argumentao, alm de dissertar, procuramos formar a opinio do leitor ou a do ouvinte, tentando convenc-lo de que a razo est conosco, isto , a verdade. Argumentar , em ltima anlise, convencer ou tentar convencer mediante a apresentao de razes em face da evidncia das provas e luz de um raciocnio lgico e consistente.

5.5.1 Tipos de argumentos

H diversas formas de argumentar um pensamento. Inicaremos pelo texto dedutivo (a priori) e pelo indutivo (a posteriori).

Texto dedutivo

O argumento dedutivo baseia-se em ideias consagradas e plenamente aceitas como verdade absoluta. Ao apresentar o argumento, a concluso j aparece fundamentada nele. Observe exemplos de fcil compreenso.

Argumento: s h movimento no carro se houver combustvel.

Fato: o carro est em movimento.

Pensamento dedutivo: logo, h combustvel no carro.

Argumento: s h fogo se houver oxignio

Fato: na lua no h oxignio.

Pensamento dedutivo: logo, na lua no pode haver fogo.

O pensamento dedutivo muito empregado ao defender tese bem fundamentada. O emprego de textos normativos para justificar teses excelente exemplo de uso em instituies pblicos.

Imagine a seguinte situao: o candidato a presidente da Repblica Jos da Silva fez claramente campanha eleitoral fora do prazo permitido por lei. Voc deve preparar o texto sobre o assunto. Eis timo exemplo para empregar o argumento por deduo.

Argumento: a Lei n. XX determina que candidatos s podem fazer campanha eleitoral em tal prazo. Caso se comprove que houve campanha em data no permitida, o candidato ser apenado em tal valor.

Fato: o candidato fez campanha fora do prazo aceito.

Concluso: o candidato deve ser apenado.

Observe exemplo de texto com pensamento dedutivo:

O artigo 668 do Decreto-lei n 1.608, de 18-9-1939, prev que a retirada de qualquer dos scios, que no cause a dissoluo da sociedade, d ensejo apurao exclusivamente dos seus haveres.

Com efeito, a Smula n 265 do Supremo Tribunal Federal estabelece:

Smula n 265. Na apurao de haveres no prevalece o balano no aprovado pelo scio falecido, excludo ou que se retirou.

O autor, como mencionado anteriormente, no participou da elaborao do balano, tampouco o aprovou. Portanto, o balano elaborado unilateralmente que apurou, como patrimnio lquido da sociedade co-r, o valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais) no pode ser utilizado para efeito de apurao dos haveres do autor.

Texto indutivo

O argumento indutivo estrutura-se em apreentao de fato singular em busca do convencimento por meio de raciocnio que vai alm das premissas para o caso. O autor busca convencer no por fundamentos plenamente consagrados, mas por linha de pensamento especfica que excede o prprio fato. Observe exemplos simples.

Fato: a sala 1 da escola foi pintada de verde.

Fato: as salas 2, 3, 4, 5, 6, tambm foram pintadas de verde.

Concluso indutiva: todas as salas da escola sero pintadas de verde.

Fato: o ouro conduz eletricidade e um metal.

Fato: o ferro, o zinco, o bronze, a prata tambm so metais e conduzem eletricidade.

Concluso indutiva: todo metal conduz eletricidade.

Nota-se que a concluso no decorre necessariamente das premissas. uma probabilidade que a concluso seja verdadeira. Do ponto de vista formal, o argumento correto. Contudo, diferentemente da deduo, um argumento indutivo, sendo ele vlido, pode admitir uma concluso falsa, ainda que suas premissas sejam verdadeiras. J quando as premissas de um argumento dedutivo e vlido so verdadeiras, a sua concluso deve ser verdadeira.

Na linguagem jurdica, o uso do pensamento indutivo empregado para defender pensamento que no est presente ou no est embasado claramente no ordenamento jurdico.

5.5.2 Abordagem, fundamentao e consistncia

Texto jurdico, por natureza, apresenta boa fundamentao com domnio do embasamento legal. No basta apenas conhecer o assunto. H necessidade de organizar bem a ideia e fazer uso de recursos retricos para fundamentar bem a anlise jurdica. Observe uma questo jurdica e o primeiro pargrafo de uma possvel resposta com fundamentao.

Foi publicada no Dirio Oficial do Estado do Cear uma portaria do Governador com a seguinte redao: Resolve EXONERAR, de ofcio, AMANDA FEITOSA, agente pblica ocupante de cargo vitalcio. Identifique e explique o vcio contido no ato.

A vitaliciedade garantia concedida na Constituio Federal a determinados agentes pblicos, que s perdem o cargo em virtude de sentena judicial transitada em julgado ou a pedido. O artigo 73, pargrafo 3, combinado com o artigo 95, I, e com o artigo 128, pargrafo 5, I, a, determina que so vitalcios os membros dos Tribunais de Contas, os magistrados e os membros do Ministrio Pblico. No caso de juzes, promotores e procuradores da Repblica aprovados em concurso pblico, a vitaliciedade somente ser adquirida aps dois anos de exerccio.

Amanda Feitosa, ocupante de cargo vitalcio, apenas poderia deixar o cargo em virtude de sentena judicial transitada em julgado ou a pedido. Portanto, a exonerao s seria vlida se decorresse de pedido.

Percebe-se claramente a abordagem (interpretao dos fatos apresentados luz da legislao) e o fundamento (embasamento legal).

Outro aspecto importante a consistncia. Ela a capacidade de ampliar a fundamentao com citao de autores consagrados ou decises relativas abordagem proposta. Observe o texto citado com fundamento e consistncia.

A vitaliciedade garantia concedida na Constituio Federal a determinados agentes pblicos, que s perdem o cargo em virtude de sentena judicial transitada em julgado ou a pedido. O artigo 73, pargrafo 3, combinado com o artigo 95, I, e com o artigo 128, pargrafo 5, I, a, determina que so vitalcios os membros dos Tribunais de Contas, os magistrados e os membros do Ministrio Pblico. No caso de juzes, promotores e procuradores da Repblica aprovados em concurso pblico, a vitaliciedade somente ser adquirida aps dois anos de exerccio.

Carvalho Pinto (2005, p. 515-516) explica que a exonerao de ofcio ser possvel nos seguintes casos: a) se o servidor ocupar cargo em comisso, a juzo da autoridade competente; b) se o servidor tomar posse e no entrar em exerccio no prazo legal; c) se forem insuficientes providncias administrativas que visam adequar despesas de pessoas aos limites fixados na Lei Complementar n. 101/2000; d) se o servidor estiver em estgio probatrio e no corresponder s exigncias do cargo - sendo imprescindvel, neste caso, a garantia do contraditrio e da ampla defesa, conforme smula n. 21 do Supremo Tribunal Federal.

Amanda Feitosa, ocupante de cargo vitalcio, apenas poderia deixar o cargo em virtude de sentena judicial transitada em julgado ou a pedido. Portanto, a exonerao s seria vlida se decorresse de pedido.

O texto agora est mais completo em sua estrutura. Houve abordagem, fundamentao e consistncia.

5.5.3 Principais argumentos retricos na linguagem jurdica

Argumento de comprovao argumento baseado em evidncias (estatstica, relatrio, testemunho). Trata-se de argumentos bem eficientes, baseados em fatos.

Exemplo:

No caso do Brasil, homicdios esto assumindo uma dimenso terrivelmente grave. De acordo com os mais recentes dados divulgados pelo IBGE, sua taxa mais que dobrou ao longo dos ltimos 20 anos, tendo chegado absurda cifra anual de 27 por mil habitantes. Entre homens jovens (de 15 a 24 anos), o ndice sobe a incrveis 95,6 por mil habitantes. (Folha de S. Paulo. 14/04/2004)

Exemplo:

O estudo do Inep, feito a partir de dados do IBGE e do Censo Educacional do Ministrio da Educao, mostra nmero preocupante de crianas de sete a catorze anos que esto fora das escolas.

Segundo a pesquisa, 1,4 milho de crianas, ou 5,5 % da populao nessa faixa etria (sete a catorze anos), para a qual o ensino obrigatrio, no frequentam as salas de aula.

O pior ndice do Amazonas: 16,8% das crianas do estado, ou 92,8 mil, esto fora da escola. O melhor, o Distrito Federal, com apenas 2,3% (7 200) de crianas excludas, seguido por Rio Grande do Sul, com 2,7% (39 mil) e So Paulo, com 3,2% (168,7 mil).

Argumento de autoridade (ab autoritatem) argumento que se vale da notria especializao e reconhecimento de autoridade em determinada rea para corroborar a afirmao. As citaes de doutrina so os exemplos mais claros do argumento de autoridade, que tem duplo efeito: primeiro, de fazer presumir-se certa a concluso, porque emanada de algum de notrio conhecimento; segundo, de revelar que a concluso isenta de parcialidade.

Exemplo:

No h necessidade de que o fato definido como crime doloso seja objeto de sentena condenatria transitada em julgado para possibilitar a regresso do condenado a regime mais gravoso, nos termos do art. 118, inciso I, da Lei de Execuo Penal (Lei n 7.210/84).

Mirabete (2001, p. 37) ensina: "quando a lei exige a condenao ou o trnsito em julgado da sentena ela expressa a respeito dessa circunstncia, como, alis, o faz no inciso II do artigo 118. Ademais, a prtica de crime doloso tambm falta grave (art. 52 da LEP) e, se no inciso I desse artigo, se menciona tambm a infrao disciplinar como causa de regresso, entendimento diverso levaria concluso final de que essa meno superabundante, o que no se coaduna com as regras de interpretao da lei.

Deve-se entender, portanto, que, em se tratando da prtica de falta grave ou crime doloso, a revogao independe da condenao ou aplicao da sano disciplinar.

Argumento por analogia (simili) argumento que pressupe que a Justia deve tratar de maneira igual, situaes iguais. As citaes de jurisprudncia so os exemplos mais claros do argumento por analogia, que bastante til porque o juiz ser, de algum modo, influenciado a decidir de acordo com o que j se decidiu, em situaes anteriores. Tambm ocorre no caso em que um caso no previsto de modo direto por uma norma jurdica ser empregado por semelhana ao um caso concreto previsto. forma primordial para o preenchimento de lacunas no ordenamento jurdico e tambm conhecido com o termo autointegrao, pois analisada com recursos do prprio pensamento legislativo. Algumas reas do Direito aceitam tal argumentao apenas no caso de beneficiar o ru, como o caso do Direito Penal.

Exemplo:

Ontem, em Roma, Adam Nordwell, o chefe ndio da tribo Chippewa, protagonizou uma reviravolta interessante. Ao descer do avio, proveniente da Califrnia, vestido com todo o esplendor tribal, Nordwell anunciou, em nome do povo ndio americano, que tomava posse da Itlia "por direito de descoberta", tal como Cristvo Colombo fizera quando chegara Amrica. "Proclamo este o dia da descoberta da Itlia.", disse Nordwell. "Que direito tinha Colombo de descobrir a Amrica quando esta j era habitada pelo seu povo h milhares de anos? O mesmo direito tenho eu agora de vir Itlia proclamar a descoberta do vosso pas."

5.5.4 Figuras retricas

Diversas so as figuras retricas que auxiliam a tcnica argumentativa.

Concesso

Estratgia que objetiva demonstrar que o autor do texto ou orador aberto a novas ideias e atento a detalhes.

Ainda que alguns possam concordar com essa viso, falta-nos entender...

Eventualmente o que defendem correto, contudo neste caso...

Prolepse

Estratgia que antecipa as objees que certamente sero feitas pela outras parte.

Certamente, alguns observaro outros aspectos, no entanto tal viso se mostra limitada, pois...

Podero discordar porque...., contudo...

Repetio

Funciona como recurso argumentativo amplificando e acentuando a fora da posio defendida.

Sabe-se claramente que ... Assim, fica notrio que...

Anttese

Jogo de contrrios que objetiva alcanar um meio-termo, ao explorar o exagero dos extremos.

No se pode esperar honestidade plena de todo cidado. Tambm, no se percebe que ...... cometeu os maiores crimes.

Metfora Uso de comparaes figuradas para explicar melhor ou desviar a ateno do fato em si.

No estamos diante de um anjo, certamente. Ele mais se parece um mafioso.

Personificao Consiste em atribuir personalidade a algo impessoal. O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever.

5.6 Pea jurdica

A redao de um texto jurdico segue princpios j estabelecidos por uma padronizao. linguagem tcnica. Ele no escreve uma pea ou parecer para se tornar um grande escritor. Ele se orienta por normas a fim de alcanar seu objetivo.

O prprio CPC apresenta regras bsicas para a confeco da petio inicial na forma de silogismo. Assim, o art. 282 do CPC prescreve os requisitos da inicial, entre eles:

I o fato;

II os fundamentos jurdicos do pedido;

III o pedido, com as suas especificaes.

Requisitos da petio inicial: art. 282 do CPC

1. o juiz ou tribunal, a que dirigida;

2. os nomes, prenomes, estado civil, profisso, domiclio e residncia do autor e do ru;

3. o fato e os fundamentos jurdicos o pedido;

4. o pedido, com as suas especificaes;

5. o valor da causa;

6. as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados;

7. o requerimento para a citao do ru.

Observao: alm desses requisitos, a petio inicial dever ser instruda com os documentos indispensveis propositura da ao (art. 283 do CPC).

Encaminhamento

Para efeitos didticos, o endereamento poder ser da seguinte forma:

EXCELENTSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CVEL DA COMARCA DE ABCD.

Se na Comarca houver varas especializadas, o endereamento poder ser da seguinte forma:

EXCELENTSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA DA FAZENDA PBLICA DA COMARCA DE ABCD.

O endereamento para os Foros Regionais poder ser da seguinte forma:

EXCELENTSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CVEL DO FORO REGIONAL DE ABCD, COMARCA DE ABCD.

Na hiptese de endereamento ao tribunal, poder ser da seguinte forma:

EXCELENTSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRGIO TRIBUNAL DE JUSTIA DO ESTADO DE ABCD.

EXCELENTSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ PRESIDENTE DO EGRGIO PRIMEIRO TRIBUNAL DE ALADA CIVIL DO ESTADO DE ABCD.

Nomes e qualificaes das partes

O CPC estabelece como requisito da pea a indicao dos nomes, prenomes, estado civil, profisso, domiclio e residncia do autor e do ru. Apesar da lei processual no exigir o nmero de RG e CPF ou CNPJ, praxe no meio forense o fornecimento das informaes. Para provas e concursos, principalmente exame da ordem, recomendvel que o candidato no se utilize de abreviaturas. Em alguns casos, no ser possvel a qualificao completa do(s) ru(s). o que ocorre, por exemplo, em aes possessrias em que, muitas vezes, o autor no tem condies de qualificar adequadamente o ru.

Fatos e fundamentos jurdicos do pedido

O texto dever apresentar os fatos de forma sucinta e clara.

Exemplo:

1 O autor celebrou, em 23-11-2005, com o ru, contrato de locao pro prazo indeterminado, do imvel localizado na Rua abcd, n 111, bairro Centro, nesta Capital, e pagou aluguel de R$ 500,00 (quinhentos reais), com vencimento todo dia 20 de cada ms.

Logo em seguida, o advogado dever demonstrar que houve violao ou ameaa de violao ao direito do autor.

Exemplo:

2 O ru deixou de pagar os aluguis dos meses de maro, abril e maio de 2006, e totalizou um dbito de R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais).

Observe que no corpo do texto basta identificar as partes como AUTOR e RU, sem necessidade de repetir nomes e prenomes.

Pedido e suas especificaes

Pedido sinnimo de objeto, pretenso, mrito ou lide. Deve haver coerncia entre a causa de pedir com o pedido do autor, sob pena de inpcia da petio inicial (art. 295, pargrafo nico, II, do CPC).

O pedido deve ser claro e objetivo. possvel, no entanto, fazer-se pedido genrico (aes universais, se no puder o autor individuar no texto os bens demandados; quando no for possvel determinar, de modo definitivo, as consequncias do ato ou do fato ilcito; quando a determinao do valor da condenao depender de ato que deva ser praticado pelo ru).

Exemplo:

Isso posto, requer-se a decretao do despejo do ru, com o consequente pagamento dos aluguis vencidos e acessrios at a data da efetiva desocupao do imvel.

Os juros legais, a correo monetria e os honorrios advocatcios e custas judiciais no precisam constar do pedido, pois so devidos por fora de lei (arts. 20 e 293 do CPC).

Valor da causa

O valor da causa dever constar na petio, mesmo que o pedido no contenha contedo econmico imediato (art. 258 do CPC). Esse valor refletir em eventuais custas judiciais, valor da sucumbncia, para a fixao de competncia e pode influenciar no tipo de procedimento da ao, ordinrio ou sumrio (art. 275, I, do CPC).

Exemplo:

D causa o valor de R$ 6.000,00 (seis mil reais).

Protesto pelas provas

A prova documental indispensvel propositura da ao dever acompanhar a petio.

Exemplo:

Protesta provar o alegado por todos os meios permitidos em direito, em especial pela juntada de documentos, depoimento pessoal do ru, oitiva de testemunhas e percia tcnica.

Pedido de citao

A regra geral da citao prevista na lei processual via correio (art. 222 do CPC). No entanto, o autor poder requer-la por oficial de justia (art. 224 do CPC) ou por edital (art. 231 do CPC).

Endereo do advogado

Dispe o art. 39, inciso I, do CPC, que compete ao advogado declarar, na petio inicial, ou na contestao, o endereo em que receber as intimaes. No exame da OAB, recomendvel que conste na petio inicial qual o endereo do escritrio do advogado, logo em seguida ao nome e qualificao do autor. J na prtica forense, esse requisito estar cumprido se o endereo constar na procurao.

Exemplo de pea jurdica.

EXCELENTSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA . VARA CVEL DA COMARCA DE .

., (qualificao), residente e domiciliada na Rua . n ., portadora da Carteira de Identidade/RG n.., inscrita no CPF/MF sob n. ., por intermdio de seu procurador Judicial infra-assinada (instrumento procuratrio incluso doc. .), vem respeitosamente presena de Vossa Excelncia, com base no artigo 159 do Cdigo Civil Brasileiro e demais disposies pertinentes espcie, propor a presente:

AO ORDINRIA DE INDENIZAO POR ATO ILCITO

contra .., (qualificao), inscrita no CGC/MF sob o n.., com endereo na Rua ., pelas seguintes razes de fato e de direito:

DOS FATOS

A Requerente proprietria do automvel ., ano de fabricao.., cor ., de placas ., Chassi n. ., de valor estimado em R$ ..

No dia . (.) de . do corrente ano, pela manh, o Sr. ., pai da Requerente, dirigiu-se ao Supermercado Requerido, como de costume, fazer compras. L chegando, estacionou o veculo de propriedade da Requerente em dependncia anexa ao Supermercado destinada a este fim, isto , para uso privativo de seus clientes. Munindo-se dos cuidados indispensveis, trancou o carro e foi, tranquilo e despreocupado, s compras, vez que deixara o carro em local seguro, vigiado e de finalidade reservada.

Qual no foi sua surpresa quando ao retornar das compras no mais encontrou o automvel no local que deixara. Dirigiu-se imediatamente ao funcionrio do Supermercado Requerido que, no momento encontrava-se responsvel pela segurana do local, inquirindo-o sobre seu veculo. Este lhe respondeu negativamente alegando nada saber sobre o mesmo.

Como o Requerido em momento algum mostrou-se interessado no problema ocorrido em suas dependncias, dirigiu-se a Requerente Delegacia de Furtos e Roubos de Veculos para comunicar o desaparecimento do seu automvel.Todas as providncias junto Polcia Civil foram tomadas, no entanto, at o presente momento no foi recuperado o veculo.

DO DIREITO

Preceitua o artigo 159 do Cdigo Civil o seguinte:

Aquele que, por ao ou omisso voluntria, negligncia, ou imprudncia, violar direito, ou causar prejuzo a outrm, fica obrigado a reparar o dano.

Assim, temos que deve ser considerado responsvel o Requerido pelo furto do veculo estacionado em sua propriedade em local reservado para esse fim, posto que o fato de ser uma concesso gratuita no o exime do dever de vigilncia, vez que assume este nus em troca da preferncia natural da clientela pelas facilidades oferecidas e que resultam em lucro certo para a empresa. Neste sentido temos:

Responsabilidade Civil Estacionamento Gratuito para Veculos em Supermercado Dever de Vigilncia e Guarda Carro Furtado Obrigaes de Indenizar Ao Improcedente Recurso Provido.

A firma proprietria de Supermercado responsvel por furto de automvel deixado por fregus em estacionamento gratuito que a estes destinado porque lhe compete arcar com o nus da vigilncia e guarda, conquanto o oferecimento do local tem por escopo captar preferncia com intuito lucrativo.

Apelao Cvel 814/88 Maring 2a. Cvel Ac. 5899 Juiz Altair Patittuci Primeira Cmara Cvel Por maioria Julg. 06.09.88 Dado provimento

Igualmente:

Responsabilidade Civil furto de Veculo em Estacionamento de Supermercado Dever de Vigilncia Inexistncia Responde pelos Prejuzos Causados ao Fregus Recurso Provido.

O estacionamento rea reservada para tal finalidade, dentro da propriedade imvel do Supermercado e quando um cliente dele se utiliza, carreando em favor da empresa lucros pelas compras que efetua, tem ela o dever de vigilncia sobre o veculo, pois incontestvel se encontrar o mesmo em dependncia anexa ao Supermercado.

Confessando que no mantm vigilncia alguma, confessando que permite o uso indiscriminadamente, confessa sua culpa, porque os clientes ignoram irregular procedimento e quando afluem para as compras, esto certos e convencidos de que o estacionamento privativo.

Apelao Cvel 2083700 Ctba . 17 Vara Cvel Ac. 6269 Des. Silva Wolff Terceira Cmara Cvel Revisor Des. Luiz Perrotti Por Maioria Julg. 30.05.89 Dado Provimento.

DO REQUERIMENTO

Diante do exposto requer se digne Vossa Excelncia:

I Mandar citar o Requerido na pessoa de seu representante legal, na Rua ., nesta Capital, para, querendo, responder aos termos da presente Ao Ordinria sob pena de revelia;

II Prope-se provar o alegado por todos os meios de provas em direito admitidas, principalmente documental e testemunhal, cujo rol ser oportunamente apresentado, e depoimento pessoal do Requerido sob pena de confesso;

III Finalmente requer-se seja julgado procedente o presente pedido, condenando o Requerido ao pagamento da indenizao correspondente ao valor do veculo, devidamente atualizado at o efetivo pagamento, acrescido de juros, custas processuais e honorrios advocatcios.

D-se presente causa o valor de R$ .

Nestes termos,

Pede deferimento.

., . de . de .

.Advogado OAB/

5.7 Parecer jurdico

Parecer jurdico o documento por meio do qual o jurista fornece informaes tcnicas acerca de determinado tema objeto da consulta.

Geralmente utilizado por uma pessoa jurdica ou fsica como elemento necessrio para tomada de uma deciso importante.

Segue um modelo de parecer jurdico:

PARECER JURDICO

De: Departamento Jurdico

Para: Gerente Administrativo

Senhor Gerente,

Com relao questo sobre a estabilidade provisria por gestao, ou no, da empregada Fulana de Tal, passamos a analisar o assunto.

2.O artigo 10, letra b, do ADCT, assegura estabilidade empregada gestante, desde a confirmao da gravidez at cinco meses aps o parto.

3.Nesta hiptese, existe resposabilidade objetiva do empregador pela manuteno do emprego, ou seja, basta comprovar a gravidez no curso do contrato para que haja incidncia da regra que assegura a estabilidade provisria no emprego. O fundamento jurdico desta estabilidade a proteo maternidade e infncia, ou seja, proteger a gestante e o nascituro, assegurando a dignidade da pessoa.

4.A confirmao da gravidez, expresso utilizada na Constituio, refere-se afirmativa mdica do estado gestacional da empregada e no exige que o empregador tenha cincia prvia da situao da gravidez. Neste sentido tem sido as reiteradas decises do C. TST, culminando com a edio da Smula n. 244, que assim disciplina a questo:

I - O desconhecimento do estado gravdico pelo empregador no afasta o direito ao pagamento da indenizao decorrente da estabilidade. (art. 10, II, "b" do ADCT). (ex-OJ n 88 DJ 16.04.2004).

II - A garantia de emprego gestante s autoriza a reintegrao se esta se der durante o perodo de estabilidade. Do contrrio, a garantia restringe-se aos salrios e demais direitos correspondentes ao perodo de estabilidade. (ex-Smula n 244 Res 121/2003, DJ 19.11.2003).

III - No h direito da empregada gestante estabilidade provisria na hiptese de admisso mediante contrato de experincia, visto que a extino da relao de emprego, em face do trmino do prazo, no constitui dispensa arbitrria ou sem justa causa. (ex-OJ n 196 - Inserida em 8.11.2000).

5.No caso colocado em anlise, percebe-se que no havia confirmao da gestao antes da dispensa. Ao contrrio, diante da suspeita de gravidez, a empresa teve o cuidado de pedir a realizao de exame laboratorial, o que foi feito, no tendo sido confirmada a gravidez. A empresa s dispensou a empregada depois que lhe foi apresentado o resultado negativo do teste de gravidez. A confirmao do estado gestacional s veio aps a dispensa.

6.Assim, para soluo da questo, importante indagar se gravidez confirmada no curso aviso prvio indenizado garante ou no a estabilidade.

7.O TST tem decidido (Smula 371), que a projeo do contrato de trabalho para o futuro, pela concesso de aviso prvio indenizado, tem efeitos limitados s vantagens econmicas obtidas no perodo de pr-aviso. Este entendimento exclui a estabilidade provisria da gestante, quando a gravidez ocorre aps a resciso contratual.

8.A gravidez superveniente dispensa, durante o aviso prvio indenizado, no assegura a estabilidade. Contudo, na hiptese dos autos, embora a gravidez tenha sido confirmada no curso do aviso prvio indenizado, certo que a empregada j estava grvida antes da dispensa, como atestam os exames trazidos aos autos. A concluso da ultrossonografia obsttrica afirma que em 30 de julho de 2009 a idade gestacional ecografica era de pouco mais de 13 semanais, portanto, na data do afastamento a reclamante j contava com mais de 01 ms de gravidez.

9.Em face do exposto, considerando os fundamentos jurdicos do instituto da estabilidade da gestante, considerando que a responsabilidade do empregador pela manuteno do emprego objetiva e considerando que o desconhecimento do estado gravdico no impede o reconhecimento da gravidez, conclui-se que:

a) no existe estabilidade quando a gravidez ocorre na vigncia do aviso prvio indenizado;

b) fica assegurada a estabilidade quando, embora confirmada no perodo do aviso prvio indenizado, a gravidez ocorre antes da dispensa.

10.De acordo com tais concluses, entendemos que a empresa deve proceder a reintegrao da empregada diante da estabilidade provisria decorrente da gestao.

o parecer.

(localidade), (dia) de (ms) de (ano).

(nome)(cargo)

5

__________________________________

Aspectos gramaticais

7.1 Novo Acordo Ortogrfico

O Novo Acordo Ortogrfico da Lngua Portuguesa documento internacional com objetivo de unificar a ortografia para o idioma. Importante ressaltar que no houve alterao na pronncia. Apenas as grafias foram alteradas.

Um acordo ortogrfico procura ter como base a fontica. A lngua portuguesa, porm, apresenta diversidade imensa. Observe, por exemplo, a pronncia do nmero 20: bint (Porto), vint (Lisboa), vintchi (Rio de Janeiro), vinte (Curitiba) ou vinti (Luanda). Assim, a preocupao principal do Acordo foi simplificar e padronizar a grafia com eliminao de letras e acentos desnecessrios (direco, acta, vo, herico, crem) e aceitao de dupla grafia em termos com diferena fontica entre os pases (beb, beb, fato, facto).

7.1.1 Alfabeto

As letras k, w e y passam a fazer parte do alfabeto. Os dicionrios j registravam h muito essas letras, que figuram em palavras como kafkiano, wagneriano, hollywoodesco, kizomba etc. Assim, o alfabeto da lngua portuguesa passa legalmente a ser formado por vinte e seis letras: A, B, C, D, E, F, G, H, I, J, K, L, M, N, O, P, Q, R, S, T, U, V, W, X, Y, Z.

7.1.2 Nomes prprios

Pode-se manter a escrita do nome prprio que, por costume ou registro legal, a pessoa adote na assinatura do seu nome. Segue a mesma orientao grafia original de firma comercial, nome de sociedade, marca ou ttulo que esteja inscrito em registro pblico.

No sendo a prpria pessoa que assine o nome, a indicao do seu nome obedecer s regras estabelecidas pelo sistema ortogrfico vigente: rua Rui Barbosa (em vida, o jurista assinava Ruy).

Tambm localidades (cidades, estados, pases) devem seguir as recomendaes da ortografia oficial: Resende (no passado Rezende), Piau (no passado Piauhi), Coreia (sem acento). Recomenda-se no empregar abreviaturas nos nomes geogrficos (salvo as unidades federativas ou regionais, que podem ser empregadas como siglas em alguns casos). Assim, no se deve abreviar So, Santo, Padre, Coronel, General, Engenheiro, Doutor em localidades.

7.1.3 Nomes prprios estrangeiros

1. Mantm-se nos vocbulos derivados de nomes prprios estrangeiros quaisquer combinaes grficas ou sinais diacrticos no peculiares nossa escrita que figurem nesses nomes: comtista (de Comte), garrettiano (de Garrett), mlleriano (de Muller), shakespeariano (de Shakespeare).

2. Os dgrafos de origem hebraica ch, ph e th podem conservar-se nas formas sonoras tradicionais da tradio bblica ou adaptar-se forma simplificada: Baruch (ou Baruc), Loth (ou Lot), Moloch (Moloc), Ziph (ou Zif). Se o dgrafo, no entanto, for mudo, usa-se a forma normatizada pelo idioma: Jos (em vez de Joseph), Nazar (em vez de Nazareth). Se algum deles, por fora do uso, permite adaptao ao som correspondente de nosso sistema ortogrfico, substitui-se o dgrafo por adio voclica: Judite (em vez de Judith).

3. As consoantes finais grafadas b, c, g e t podem ser mantidas, quer sejam mudas, quer proferidas, nomeadamente na tradio bblica ou em localidades: Jacob (ou Jac), Job (ou J), David (ou Davi), Josafat (ou Josaf), Madrid (ou Madri). Recomenda-se que as localidades de lnguas estrangeiras se substituam, tanto quanto possvel, por formas aportuguesadas: Genebra (e no Genve), Munique (e no Mchen).

7.1.4 Consoantes mudas

O Acordo procura privilegiar o critrio fontico sobre o etimolgico. o que ocorre com a supresso das chamadas consoantes mudas em palavras como ato (e no acto), direo (e no direco), timo (e no ptimo). Estudos indicam que haver, em Portugal, alterao de aproximadamente 0,54% dos vocbulos. Embora a quantidade possa parecer pequena, muitas dessas palavras so de uso frequente no dia a dia lusitano.

Antes

Acordo

accionamento

acionamento

coleccionador

colecionador

leccionar

lecionar

aco

ao

coleco

coleo

fraco

frao

acta

ata

activar

ativar

dialecto

dialeto

adopo

adoo

adoptar

adotar

ptimo

timo

Observao:

Mantm-se inalterados vocbulos em que a pronncia da consoante for percebida: ficcional, perfeccionismo, convico, suco, bactria, nctar, npcias, corrupo, opo, adepto, inepto, erupo, rapto, opcional, egpcio.

De forma a contemplar as diferenas fonticas, existem abundantes casos de excees previstas no Acordo. Admite-se, assim, a dupla grafia em muitas palavras: facto-fato, seco-seo, aspeto-aspecto, amnistia-anistia, dico-dio, sector-setor, caraterstica-caracterstica, interseco-interseo, olfacto-olfato, acadmico-acadmico, bnus-bnus, ingnuo-ingnuo, abdmen-abdmen.

7.1.5 Trema

O trema, sinal de direse, suprimido. Palavras formadas por q e g em que o u pronunciado de forma tona, como em freqncia e lingia passam a ser grafadas frequncia e linguia respectivamente. Portugal j havia retirado o sinal. A mudana afeta a ortografia no Brasil. O trema mantido em termos derivados de nomes prprios estrangeiros: hbneriano (de Hbner), mlleriano (de Mller). No h modificao na pronncia das palavras que perderam o trema.

antes

acordo

cinqenta

cinquenta

tranqilo

tranquilo

qinqnio

quinqunio

bilnge

bilngue

lingstica

lingustica

7.1.6 Acentuao grfica

Poucos idiomas no mundo fazem uso de regras to complexas na acentuao grfica como o portugus. As divergncias entre o idioma luso e o brasileiro eram muitas. As reformas de 1971 (Brasil) e 1973 (Portugal) avanaram bastante, mas no unificaram as regras. O Acordo conseguiu eliminar muitas regras (principalmente brasileiras) e optou, em alguns casos, por aceitar dupla grafia.

7.1.6.1 Regra das oxtonas

So acentuadas as palavras oxtonas terminadas nas vogais tnicas/tnicas abertas ou fechadas a(s), -e(s) ou o(s): sof (sofs), caf (cafs), voc (vocs), cip (cips), rob (robs).

Observaes:

a) seguem a regra as oxtonas conjugadas com os pronomes enclticos -lo(s), -la(s): compr-lo, faz-la, comp-lo.

b) algumas palavras oxtonas terminadas em e (geralmente provenientes do francs) aceitam acento agudo ou circunflexo: beb (beb), matin (matin), guich (guich).

c) so acentuadas as palavras oxtonas com mais de uma slaba terminadas no ditongo nasal grafado em ou -ens: detm, porm, tambm, algum, parabns.

d) o Acordo estabelece que os monosslabos tnicos (tnicos) terminados em a(s), -e(s) ou o(s), em relao regra da acentuao grfica, pertencem regra das oxtonas. Cita como exemplo , s, s(s), d.

7.1.6.2 Regra das paroxtonas

1. So acentuadas as palavras paroxtonas que terminam em l, -n, -r, -x, -om ou ps: amvel, dcil, plen, smen (smen), acar, fmur (fmur), trax, Fnix (Fnis), indom, rdon (rdom), bceps.

Observao: no levam acento os prefixos paroxtonos terminados em r: super-homem, inter-regional.

2. So acentuadas as palavras paroxtonas que terminam em -(s),-o(s), -ei(s), -i(s), -on(s), -um, -uns ou us: rf(s), acrdo (acrdos), jquei (jqueis), pnei/pnei, jri (jris), eltron (eltrons), lbum (lbuns), hmus, bnus/bnus.

Observao: no levam acento os prefixos paroxtonos terminados em -i: anti-heri, semi-internato.

7.1.6.3 Regra das proparoxtonas

Todas as palavras proparoxtonas so acentuadas: pblico, sbado, rstico, pliade, nibus, exrcito.

Observao: so acentuadas as chamadas proparoxtonas eventuais (aprende-se, geralmente, como paroxtona terminada em ditongo crescente): glria, mgoa, lngua, ndoa, nveo, barbrie, vcuo, amndoa, Islndia.

7.1.6.4 Dupla grafia

Algumas palavras so pronunciadas em Portugal com o som tnico aberto e recebem acento agudo. No Brasil, a pronncia fechada e o acento o circunflexo. O Acordo passa a permitir as duas grafias como corretas no idioma.

Portugal

Brasil

fenmeno

fenmeno

tnico

tnico

gnio

gnio

beb

beb

antnio

antnio

acadmico

acadmico

amaznia

amaznia

fmea

fmea

gmeo

gmeo

cmodo

cmodo

7.1.6.5 Regra do ditongo

So acentuadas as palavras oxtonas com ditongos tnicos abertos i(s), -i(s) ou u(s): anis, fiis, papis, cu (cus), vu (vus), heri (heris).

Observao: as palavras paroxtonas com ditongos tnicos abertos i(s) ou i(s) no recebem acento: assembleia, ideia, heroico, jiboia, paranico. O acento grfico se mantm na slaba tnica paroxtona se ocorrer justificativa de acento por outra regra: blizer, continer, destrier, Mier (paroxtonas terminadas em r).

7.1.6.6 Regra do hiato

1. Os hiatos tnicos i e u recebem acento, desde que no constituam slaba com consoante seguinte (exceto o s), no precederem nh e no repetirem a vogal: sada, sade, a, ba. No entanto, juiz (constitui slaba com consoante), rainha (precede -nh), xiita (repete a vogal) no recebem acento.

Observao: os hiatos tnicos paroxtonos formados por i ou u deixam de receber acento aps ditongo: feiura, Sauipe, cheiinho, feiinho, maoista, taoismo. A regra aplica-se apenas s palavras paroxtonas. Os termos oxtonos mantm o acento normalmente: Piau, tei, tuiui.

2. As formas verbais paroxtonas com hiato eem oral fechado dos verbos crer, dar, ler, ver e derivados no recebem acento circunflexo: creem, deem, leem, veem, descreem, releem, preveem.

Observao: os acentos nas formas verbais tm e vm e derivados no sofreram alterao com o Acordo: eles tm, elas vm, eles retm, ela detm, elas detm.

3. No recebe acento circunflexo o penltimo o fechado do hiato oo(s) das palavras paroxtonas: voo(s), enjoo(s).

Observao: o acento grfico mantm-se no hiato oo(s) na slaba tnica paroxtona se ocorrer justificativa de acento por outra regra: heron (Brasil) ou heron (Portugal). No caso, existe acento pela regra da paroxtona terminada em n. O termo significa um santurio construdo aos heris gregos e romanos.

4. No se acentua o u pronunciado e tnico dos verbos verbos arguir e redarguir: arguo, arguis, argui, arguem, argua, arguas, argua, arguam.

7.1.6.7 Acento diferencial

Deixam de existir quase todos os acentos diferenciais.

Antes

Acordo

pra (verbo parar)

para

pla (flexo do verbo pelar)

pela

plo, plo (substantivos)

polo

plo (substantivo)

pelo

pra (fruta)

pera

O Acordo prev apenas dois acentos diferenciais obrigatrios (pde e pr) e dois facultativos (frma e dmos). Assim, perde o acento grfico a forma para (verbo parar) em termos compostos separados por hfen: para-brisa, para-choque, para-lama.

7.1.6.8 Acentuao grfica por outros motivos

1. Podem ser acentuadas as formas verbais de pretrito perfeito do indicativo (ammos, louvmos), para fazer a distino das correspondentes formas do presente do indicativo (amamos, louvamos). Tal alterao se aplica a Portugal. No Brasil, a vogal tnica fechada em ambos os tempos verbais.

2. Os verbos arguir e redarguir perdem o acento agudo na vogal tnica u nas formas rizotnicas (slaba tnica no radical): arguo, arguis, argui, arguem, argua, arguas, arguam.

3. Os verbos aguar, apaziguar, averiguar, desaguar, enxaguar e afins podem ser conjugados de duas formas: ou apresentam as formas rizotnicas com o u do radical tnico, mas sem acento agudo; ou apresentam as formas rizotnicas com a ou i do radical com acento agudo: eu averiguo (ou eu averguo), tu averiguas (ou tu averguas), ele averigua (ou ele avergua), ns averguamos, vs averiguais, eles averiguam (ou averguam).

7.1.7 Hfen

O hfen empregado no idioma portugus por diversos motivos: separar slabas na diviso silbica; ligar pronomes oblquos tonos enclticos ou mesoclticos a formas verbais e ao termo eis; ligar elementos de palavras formadas por justaposio; para ligar elementos sufixados (alta-mor, ing-au); compor elementos que designam espcies botnicas e zoolgicas, estejam ou no ligados por preposio ou qualquer outro elemento (bem-te-vi, erva-do-ch); compor topnimos iniciados pelos adjetivos gr ou gro, forma verbal ou cujos elementos estejam ligados por artigo (Gr-Bretanha, Passo-Quatro, Baa de Todos-os-Santos); ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam e formam encadeamentos vocabulares (ponte Rio-Niteri); unir extremos (Braslia-Lisboa).

7.1.7.1 Usa-se hfen

1. Compostos com natureza substantiva, adjetiva, numeral ou verbal (o primeiro elemento pode estar reduzido) sem elemento de ligao.

arco-ris

decreto-lei

mdico-cirurgio

tenente-coronel

amor-perfeito

mato-grossense

norte-americano

luso-brasileiro

primeiro-ministro

segunda-feira

guarda-chuva

ano-luz

Observaes:

a) os compostos que perderam a noo de composio grafam-se sem hfen: girassol, madressilva, mandachuva, pontap, paraquedas etc.

b) as locues aparecem sem hfen, sejam substantivas (fim de semana, sala de jantar, dia a dia), adjetivas (cor de caf, cor de vinho, toa), pronominais (cada um, ns mesmos), adverbiais ( parte, vontade, depois de amanh), prepositivas (abaixo de, acerca de, a fim de) ou conjuncionais (contanto que, visto que). Emprega-se, no entanto, em alguns casos consagrados pelo uso: gua-de-colnia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, p-de-meia, queima-roupa.

c) o adjetivo geral, quando forma substantivo composto, indicando funo, lugar de trabalho ou rgo, liga-se com hfen: diretor-geral, Procuradoria-Geral Eleitoral

d) o Acordo no trata nem exemplifica compostos formados com elementos repetidos. A Academia Brasileira de Letras, em nota explicativa, inclui nesta regra tais compostos, com ou sem alternncia voclica ou consonntica de formas onomatopeicas, por serem de natureza nominal, sem elemento de ligao, por constiturem unidade sintagmtica e semntica e por manterem acento prprio, bem como as formas deles derivadas. Cita como exemplo: bl-bl-bl, reco-reco, zigue-zaguear. No entanto, h divergncia de interpretao em termos desta natureza entre autores de dicionrios portugueses e brasileiros.

Brasil

Portugal

Lenga-lenga

lengalenga

Zigue-zague

ziguezague

Porm, h convergncia na interpretao de que no se separam por hfen palavras com slaba reduplicada oriundas da linguagem infantil: bab, bumbum, titio, vov, xixi etc.

2. Topnimos/topnimos compostos iniciados pelos adjetivos gr ou gro, por forma verbal ou ligados por artigo: Gr-Bretanha, Gro-Par, Passa-Quatro, Trinca-Fortes, Albergaria-a-Velha, Entre-os-Rios, Trs-os-Montes.

Observao: os demais topnimos/topnimos escrevem-se separados e sem hfen: Belo Horizonte, Cabo Verde, Amrica do Sul (Guin-Bissau exceo regra).

3. Compostos que designam espcies na rea da botnica e da zoologia e tambm formas designativas de espcies ou produtos afins e derivados, estejam ou no ligadas por preposio ou qualquer outro elemento, escrevem-se com hfen.

couve-flor

erva-doce

feijo-verde

bem-me-quer formiga-branca

bem-te-vi

4. Para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam e formam, no propriamente vocbulos, mas encadeamentos vocabulares.

ponte Rio-Niteri Lisboa-Braslia

Angola-Brasil.

5. Compostos em que h emprego de apstrofo.

cobra-dgua

mestre-darmas

olho-dgua.

6. Compostos sem elemento de ligao quando o primeiro elemento est representado pelas formas alm, aqum, recm e sem.

alm-mar

aqum-mar

recm-casado

recm-eleito

sem-cerimnia

sem-vergonha

7. Compostos com os advrbios bem e mal ao lado de segundo elemento que inicia com vogal ou h.

bem-aventurado

bem-estar

bem-humorado

mal-afortunado

mal-estar

mal-humorado.

Observao: o advrbio bem, ao contrrio do mal, pode no se aglutinar com palavras iniciadas por consoante: bem-criado (malcriado), bem-nascido (mal-nascido), bem-visto (malvisto). Em diversos casos, no entanto, ele se une sem o hfen: benfeito, benfeitor, benquerena etc.

8. Prefixos ante-, anti-, circum-, contra-, entre-, extra-, hiper-, infra-, intra-, ps-, pr-, pr-, sobre-, sub-, super-, supra-, ultra-, etc. e em formaes por recomposio, isto , com elementos no autnomos ou falsos prefixos, de origem grega e latina (tais como: aero-, agro-, arqui-, auto-, bio-, eletro-, geo-, hidro-, inter-, macro-, maxi-, micro-, mini-, multi-, neo-, pan-, pluri-, proto-, pseudo-, retro-, semi-, tele- etc.), nos seguintes casos:

a) segundo elemento comea por h: anti-higinico, circum-hospitalar, contra-harmnico, extra-humano, pr-histria, sub-heptico, super-homem, ultra-hiperblico; arqui-hiprbole, eletro-higrmetro, geo-histria, neo-helnico, pan-helenismo, semi-hospitalar.

Observao: no se usa, no entanto, o hfen em formaes que contm em geral os prefixos des- e in- e nas quais o segundo elemento perdeu o h inicial: desumano, desumidificar, inbil, inumano. A Academia Brasileira de Letras interpretou que o prefixo co- no deve manter o hfen quando o termo seguinte comea por h: coerdeiro, coerana.

b) formaes em que o prefixo ou pseudoprefixo termina na mesma vogal com que se inicia o segundo elemento.

anti-ibrico

contra-almirante

infra-axilar

supra-auricular

arqui-irmandade

auto-observao

eletro-tica

micro-ondas

semi-interno.

Observao: o Acordo prev apenas uma exceo: o prefixo co, que no apresenta hfen mesmo com as vogais semelhantes: cooperao, cooperar, etc. A Academia Brasileira de Letras, no entanto, considerou que tambm os prefixos re-, pre-, pro- devem constituir excees regra e no possuir hfen quando o termo seguinte comea por vogal igual: reeleio, preencher, protico.

c) formaes com os prefixos circum- e pan-, quando o segundo elemento comea por vogal, m ou n (alm de h, caso j considerado atrs na alnea a).

circum-escolar

circum-murado

circum-navegao

pan-africano

pan-mgico

pan-negritude.

d) formaes com os prefixos hiper-, inter- e super-, quando combinados com elementos iniciados por r.

hiper-requintado

inter-resistente super-revista.

e) formaes com os prefixos ex- (com o sentido de estado anterior ou cessamento), sota-, soto-, vice- e vizo-.

ex-diretor

ex-presidente

sota-piloto

soto-mestre

vice-presidente

vizo-rei.

f) formaes com os prefixos tnicos/tnicos acentuados graficamente ps-, pr- e pr- quando o segundo elemento tem vida parte (ao contrrio do que acontece com as correspondentes formas tonas que se aglutinam com o elemento seguinte): ps-graduao, ps-tnico/ps-tnicos (mas pospor); pr-escolar, pr-natal (mas prever); pr-africano, pr-europeu (mas promover).

9. Formaes por sufixao apenas se emprega o hfen nos vocbulos terminados por sufixos de origem tupi-guarani que representam formas adjetivas, como au, guau e mirim, quando o primeiro elemento acaba em vogal acentuada graficamente ou quando a pronncia exige a distino grfica dos dois elementos: amor-guau, anaj-mirim, and-au, capim-au, Cear-Mirim.

10. Ligaes de formas pronominais enclticas ao advrbio eis- (eis-me, ei-lo) e ainda nas combinaes de formas pronominais do tipo no-lo, vo-las, quando em prclise (esperamos que no-lo comprem).

7.1.7.2 No se usa hfen

1. Formaes em que o prefixo ou falso prefixo termina em vogal tona e o segundo elemento comea por r ou s, devendo estas consoantes duplicar-se, prtica alis j generalizada em palavras deste tipo pertencentes aos domnios cientfico e tcnico. Assim: antirreligioso, antissemita, contrarregra, contrassenha, cosseno, extrarregular, infrassom, minissaia, tal como biorritmo, biossatlite, eletrossiderurgia, microssistema, microrradiografia.

Antes

Acordo

auto-realizao

autorrealizao

auto-redeno

autorredeno

auto-retrato

autorretrato

auto-servio

autosservio

auto-sugesto

autossugesto

auto-suficiente

autossuficiente

auto-sustentvel

autossustentvel

co-ru

corru

co-redator

corredator

co-responsabilidade

corresponsabilidade

co-responsvel

corresponsvel

co-segurado

cossegurado

co-signatrio

cossignatrio

anti-racional

antirracional

anti-realismo

antirrealismo

anti-religioso

antirreligioso

anti-roubo

antirroubo

anti-social

antissocial

semi-racional

semirracional

semi-reta

semirreta

supra-racional

suprarracional

supra-realizado

suprarrealizado

ultra-som

ultrassom

ultra-rpido

ultrarrpido

2. Formaes em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento comea por vogal diferente: antiareo, coeducao, extraescolar; aeroespacial, autoestrada, autoaprendizagem, agroindustrial, hidroeltrico, plurianual.

Observao: o Acordo previa apenas uma exceo: o prefixo co, que no teria hfen mesmo com as vogais semelhantes: cooperao, cooperar, etc. A Academia Brasileira de Letras, no entanto, considerou que tambm os prefixos re-, pre-, pro- devem constituir excees regra e no possuir hfen quando o termo seguinte comea por vogal igual: reeleito, preenchimento, protico.

Antes

Acordo

agro-industrial

agroindustrial

anti-areo

antiareo

auto-estrada

autoestrada

co-autor

coautor

co-acusado

coacusado

co-administrao

coadministrao

co-arrendatrio

coarrendatrio

co-avalista

coavalista

co-obrigao

coobrigao

extra-escolar

extraescolar

extra-oficial

extraoficial

auto-atendimento

autoatendimento

auto-ajuda

autoajuda

auto-estima

autoestima

contra-informar

contrainformar

contra-oferta

contraoferta

contra-opo

contraopo

3. Ligaes da preposio de com as formas monossilbicas do presente do indicativo do verbo haver no recebem hfen: hei de, hs de, h de, ho de.

4. Expresses latinas quando no aportuguesadas: ab ovo, carpe diem, in octavo (mas in-oitavo).

5. Termos no e quase funcionam como prefixos: no agresso, no fumante, quase delito, quase irmo. O advrbio no aceita o hfen apenas para compor espcies botnicas: no-me-toques [arbusto].

6. A expresso salrio mnimo (sem hfen) a remunerao mnima do trabalhador, fixada por lei: O atual salrio mnimo do brasileiro de R$ 545,00. O termo aparece com hfen para designar o trabalhador cuja remunerao o salrio mnimo, ou o trabalhador mal remunerado: Aquele pobre homem um salrio-mnimo. O plural salrios-mnimos.

7.1.8 Apstrofo

7.1.8.1 Uso de apstrofo

1. Pode-se usar para separar contrao vocabular, quando um elemento ou frao respectiva pertence propriamente a um conjunto vocabular distinto: d Os Lusadas, d Os Sertes; n Os Lusadas, n Os Sertes; pel Os Lusadas, pel Os Sertes. Nada impede, contudo, o uso sem apstrofe: de Os Lusadas, em Os Lusadas, por Os Lusadas. Em alguns casos, a preposio pode ficar separada do artigo inicial da expresso seguinte para maior clareza ou expressividade: recorro a Os Lusadas.

2. Pode-se usar para realar pronome com inicial maiscula em termos religiosos: esse milagre revelou-mO; est nEla a nossa esperana.

3. Pode-se representar a eliso das vogais finais de santo e santa: SantAna, SantIago etc. , pois, correto escrever: Calada de SantAna, Rua de SantAna; culto de SantIago, Ordem de SantIago. Mas, se as ligaes deste gnero, como o caso destas mesmas SantAna e SantIago, se tornam perfeitas unidades mrficas, aglutinam-se os dois elementos: Fulano de Santana, ilhu de Santana, Santana de Parnaba; Fulano de Santiago, ilha de Santiago, Santiago do Cacm.

4. Usa-se para assinalar, no interior de certos compostos, a eliso do e da preposio de, em combinao com substantivos: cobra-dgua, copo-dgua, estrela-dalva, galinha-dgua, pau-darco.

7.1.8.2 No se usaapstrofo

No se usa nas combinaes das preposies de e em com artigos iniciais de pronomes e advrbios: do, da, dos, das; dele, dela, deles, delas; deste, desta, destes, destas, disto; desse, dessa, desses, dessas, disso; daquele, daquela, daqueles, daquelas, daquilo; no, na, nos, nas; nele, nela, neles, nelas; neste, nesta, nestes, nestas, nisto; nesse, nessa, nesses, nessas, nisso; naquele, naquela, naqueles, naquelas, naquilo; doutrora; de aqum ou daqum; de alm ou dalm; de entre ou dentre.

7.1.9 Diviso silbica

A diviso silbica geralmente se faz pela soletrao (ja-ne-la, por-ta, m-xi-mo) obedece a vrios preceitos particulares quando se tem de fazer em fim de linha a partio de uma palavra:

A translineao segue as normas gramaticais estabelecidas para a diviso silbica, observados alguns cuidados:

a) deve-se evitar que a slaba constituda de vogal fique isolada no final ou no incio de linha. Ex.: mi-do, e no -mido;

b) deve-se evitar que a translineao provoque a ocorrncia de palavras chulas ou inadequadas. Ex.: apsto-lo, e no aps-tolo; dispu-ta, e no dis-puta;

c) o novo Acordo Ortogrfico orienta a repetio do hfen na linha seguinte se ele aparecer no momento da partio de uma palavra ou combinao de palavras. Geralmente, os manuais de redao oficial ignoram tal recomendao.

Regras

1. No se separam encontros consonantais pronunciados em uma mesma slaba: por-ta, tra-to, pra-to, a-cre-di-tar, cla-ro, du-plo, ce-le-brar.

Observao: separam-se os prefixos terminados em b ou d que se unem a outra consoante: ab-rup-to, sub-lu-nar, ab-di-car, ad-je-ti-vo.

2. Separam-se sucesses de duas consoantesque no constituem propriamente grupos e igualmente as sucesses de m ou n, com valor de nasalidade, e uma consoante: op- tar, af- ta, ac- ne, ad- mi-r-vel, t- nico, rit- mo, pror-ro-gar, sos- se-gar, com-tex-to.

3. As sucesses de mais de duas consoantes ou de m ou n, com o valor de nasalidade, e duas ou mais consoantes so divisveis por um de dois meios:

a) se nelas entra um dos grupos que so indivisveis: em-ble-ma, subs-cre-ver, trans-gre-dir;

b) se nela no entra um dos grupos que so indivisveis: disp-nei-a, in-ters-te-lar.

4. No se separam os ditongos: sau-da-de, pais, rus, meus, ca-dei-a.

5. Separam-se os hiatos: sa--da, sa--de, pa-s, hi-a-to.

6. Os encontros gu e qu, em que o u se no pronuncia, nunca se separam da vogal ou ditongo imediato: ne-gue, pe- que.

7. Na translineao de uma termo ou expresso em que a partio coincide com o hfen repete-se o hfen no incio da linha imediata: ex- -presidente, vice- -almirante.

7.1.10 Emprego de letras

7.1.10.1 Do h inicial e final

1. O h inicial emprega-se:

a) por fora da etimologia: haver, hlice, hera, hoje, hora, homem, humor.

b) em virtude de adoo convencional: h?, hem?, hum!.

2. O h inicial suprime-se:

a) quando, apesar da etimologia, a sua supresso est inteiramente consagrada pelo uso: erva, em vez de herva; e, portanto, ervaal, ervanrio, ervoso (em contraste com herbceo, herbanrio, herboso, formas de origem erudita);

b) quando, por via de composio, passa a interior e o elemento em que figura se aglutina ao precedente: biebdomadrio, desarmonia, desumano, exaurir, inbil, lobisomem, reabilitar, reaver;

3. O h inicial mantm-se, no entanto, quando, numa palavra composta, pertence a um elemento que est ligado ao anterior por meio de hfen: anti-higinico/anti-higinico, contra-haste; pr-histria, sobre-humano.

4. O h final emprega-se em interjeies: ah! oh!

7.1.10.2 Da homofonia de certos grafemas consonnticos

Dada a homofonia existente entre certos grafemas consonnticos, torna-se necessrio diferenar os seus empregos, que fundamentalmente se regulam pela histria das palavras. certo que a variedade das condies em que se fixam na escrita os grafemas consonnticos homfonos nem sempre permite fcil diferenciao dos casos em que se deve empregar uma letra e daqueles em que, diversamente, se deve empregar outra, ou outras, a representar o mesmo som.Nesta conformidade, importa notar, principalmente, os seguintes casos:

1. Distino grfica entre ch e x: achar, archote, bucha, capacho, capucho, chamar, chave, Chico, chiste, chorar, colcho, colchete, endecha, estrebucha, facho, ficha, flecha, frincha, gancho, inchar, macho, mancha, murchar, nicho, pachorra, pecha, pechincha, penacho, rachar, sachar, tacho; ameixa, anexim, baixel, baixo, bexiga, bruxa, coaxar, coxia, debuxo, deixar, eixo, elixir, enxofre, faixa, feixe, madeixa, mexer, oxal, praxe, puxar, rouxinol, vexar, xadrez, xarope, xenofobia, xerife, xcara.

2. Distino grfica entre g, com valor de fricativa palatal, e j: adgio, alfageme, lgebra, algema, algeroz, Algs, algibebe, algibeira, lgido, almargem, Alvorge, Argel, estrangeiro, falange, ferrugem, frigir, gelosia, gengiva, gergelim, geringona, Gibraltar, ginete, ginja, girafa, gria, herege, relgio, sege, Tnger, virgem; adjetivo, ajeitar, ajeru (nome de planta indiana e de uma espcie de papagaio), canjer, canjica, enjeitar, granjear, hoje, intrujice, jecoral, jejum, jeira, jeito, Jeov, jenipapo, jequiri, jequitib, Jeremias, Jeric, jerimum, Jernimo, Jesus, jiboia, jiquipanga, jiquir, jiquitaia, jirau, jiriti, jitirana, laranjeira, lojista, majestade, majestoso, manjerico, manjerona, mucuj, paj, pegajento, rejeitar, sujeito, trejeito.

3. Distino grfica entre as letras s, ss, c, e x, que representam sibilantes surdas: nsia, ascenso, asperso, cansar, converso, esconso, farsa, ganso, imenso, manso, mansarda, manso, pretenso, remanso, seara, seda, Seia, Sert, Sernancelhe, serralheiro, Singapura, Sintra, sisa, tarso, terso, valsa; abadessa, acossar, amassar, arremessar, Asseiceira, asseio, atravessar, benesse, Cassilda, codesso (identicamente Codessal ou Codassal, Codesseda, Codessoso, etc.), crasso, devassar, dossel, egresso, endossar, escasso, fosso, gesso, molosso, mossa, obsesso, pssego, possesso, remessa, sossegar; acm, acervo, alicerce, cebola, cereal, Cernache, cetim, Cinfes, Esccia, Macedo, obcecar, percevejo; aafate, aorda, acar, almao, ateno, bero, Buaco, caanje, caula, caraa, danar, Ea, enguio, Gonalves, insero, linguia, maada, Mao, maar, Moambique, Mono, muulmano, mura, negaa, pana, pea, quiaba, quiaa, quiama, quiamba, Seia (grafia que pretere as errneas/errneas Ceia e Ceissa), Seial, Sua, tero; auxlio, Maximiliano, Maximino, mximo, prximo, sintaxe.

4. Distino grfica entre s de fim de slaba (inicial ou interior) e x e z com idntico valor fnico/fnico: adestrar, Calisto, escusar, esdrxulo, esgotar, esplanada, esplndido, espontneo, espremer, esquisito, estender, Estremadura, Estremoz, inesgotvel; extenso, explicar, extraordinrio, inextricvel, inexperto, sextante, txtil; capazmente, infelizmente, velozmente. De acordo com esta distino convm notar dois casos:

a) em final de slaba que no seja final de palavra, o x = s muda para s sempre que est precedido de i ou u: justapor, justalinear, misto, sistino (cf. Capela Sistina), Sisto, em vez de juxtapor, juxtalinear, mixto, sixtina, Sixto.

b) s nos advrbios em mente se admite z, com valor idntico ao de s, em final de slaba seguida de outra consoante (cf. capazmente, etc.); de contrrio, o s toma sempre o lugar de z: Biscaia, e no Bizcaia.

5. Distino grfica entre s final de palavra e x e z com idntico valor fnico/fnico: aguarrs, alis, anis, aps atrs, atravs, Avis, Brs, Dinis, Garcs, gs, Gers, Ins, ris, Jesus, jus, lpis, Lus, pas, portugus, Queirs, quis, retrs, revs, Toms, Valds; clix, Flix, Fnix, flux; assaz, arroz, avestruz, dez, diz, fez (substantivo e forma do verbo fazer), fiz, Forjaz, Galaaz, giz, jaez, matiz, petiz, Queluz, Romariz, [Arcos de] Valdevez, Vaz. A propsito, deve observar-se que inadmissvel z final equivalente a s em palavra no oxtona: Cdis, e no Cdiz.

6. Distino grfica entre as letras interiores s, x e z, que representam sibilantes sonoras: aceso, analisar, anestesia, arteso, asa, asilo, Baltasar, besouro, besuntar, blusa, brasa, braso, Brasil, brisa, [Marco de] Canaveses, coliseu, defesa, duquesa, Elisa, empresa, Ermesinde, Esposende, frenesi ou frenesim, frisar, guisa, improviso, jusante, liso, lousa, Lous, Luso (nome de lugar, homnimo/homnimo de Luso, nome mitolgico), Matosinhos, Meneses, narciso, Nisa, obsquio, ousar, pesquisa, portuguesa, presa, raso, represa, Resende, sacerdotisa, Sesimbra, Sousa, surpresa, tisana, transe, trnsito, vaso; exalar, exemplo, exibir, exorbitar, exuberante, inexato, inexorvel; abalizado, alfazema, Arcozelo, autorizar, azar, azedo, azo, azorrague, baliza, bazar, beleza, buzina, bzio, comezinho, deslizar, deslize, Ezequiel, fuzileiro, Galiza, guizo, helenizar, lambuzar, lezria, Mouzinho, proeza, sazo, urze, vazar, Veneza, Vizela, Vouzela.

7.1.10.3 Das sequncias consonnticas

1. O c, com valor de oclusiva velar, das sequncias interiores cc (segundo c com valor de sibilante), c e ct, e o p das sequncias interiores pc (c com valor de sibilante), p e pt, ora se conservam, ora se eliminam.Assim:

a) conservam-se nos casos em que so invariavelmente proferidos nas pronncias cultas da lngua: compacto, convico, convicto, fico, friccionar, pacto, pictural; adepto, apto, dptico, erupo, eucalipto, inepto, npcias, rapto.

b) eliminam-se nos casos em que so invariavelmente mudos nas pronncias cultas da lngua: ao, acionar, afetivo, aflio, aflito, ato, coleo, coletivo, direo, diretor, exato, objeo; adoo, adotar, batizar, Egito, timo.

c) conservam-se ou eliminam-se, facultativamente, quando se proferem numa pronncia culta, quer geral, quer restritamente, ou ento quando oscilam entre a prolao e o emudecimento: aspecto e aspeto, cacto e cato, caracteres e carateres, dico e dio; facto e fato, sector e setor, ceptro e cetro, concepo e conceo, corrupto e corruto, recepo e receo.

d) quando, nas sequncias interiores mpc, mp e mpt se eliminar o p de acordo com o determinado nos pargrafos precedentes, o m passa a n, escrevendo-se, respectivamente nc, n e nt: assumpcionista e assuncionista; assumpo e assuno; assumptvel e assuntvel; peremptrio e perentrio, sumptuoso e suntuoso, sumptuosidade e suntuosidade.

2. Conservam-se ou eliminam-se, facultativamente, quando se proferem numa pronncia culta, quer geral, quer restritamente, ou ento quando oscilam entre a prolao e o emudecimento: o b da sequncia bd, em sbdito; o b da sequncia bt, em subtil e seus derivados; o g da sequncia gd, em amgdala, amigdalcea, amigdalar, amigdalato, amigdalite, amigdalide, amigdalopatia, amigdalotomia; o m da sequncia mn, em amnistia, amnistiar, indemne, indemnidade, indemnizar, omnmodo, omnipotente, omnisciente, etc.; o t, da sequncia tm, em aritmtica e aritmtico.

7.1.10.4 Das vogais tonas

1. O emprego do e e do i, assim como o do o e do u, em slaba tona, regula-se fundamentalmente pela etimologia e por particularidades da histria das palavras. Assim se estabelecem variadssimas grafias:

a) com e e i: ameaa, amealhar, antecipar, arrepiar, balnear, boreal, campeo, cardeal (prelado, ave planta; diferente de cardial = relativo crdia), Cear, cdea, enseada, enteado, Floreal, janeanes, lndea, Leonardo, Leonel, Leonor, Leopoldo, Leote, linear, meo, melhor, nomear, peanha, quase (em vez de qusi), real, semear, semelhante, vrzea; ameixial, Ameixieira, amial, amieiro, arrieiro, artilharia, capitnia, cordial (adjetivo e substantivo), corriola, crnio, criar, diante, diminuir, Dinis, ferregial, Filinto, Filipe (e identicamente Filipa, Filipinas, etc.), freixial, giesta, Idanha, igual, imiscuir-se, inigualvel, lampio, limiar, Lumiar, lumieiro, ptio, pior, tigela, tijolo, Vimieiro, Vimioso;

b) com o e u: abolir, Alpendorada, assolar, borboleta, cobia, consoada, consoar, costume, dscolo, mbolo, engolir, epstola, esbaforir-se, esboroar, farndola, femoral, Freixoeira, girndola, goela, jocoso, mgoa, nvoa, ndoa, bolo, Pscoa, Pascoal, Pascoela, polir, Rodolfo, tvoa, tavoada, tvola, tmbola, veio (substantivo e forma do verbo vir); aular, gua, aluvio, arcuense, assumir, bulir, camndulas, curtir, curtume, embutir, entupir, fmur/fmur, fstula, glndula, nsua, jucundo, lgua, Luanda, lucubrao, lugar, mangual, Manuel, mngua, Nicargua, pontual, rgua, tbua, tabuada, tabuleta, trgua, virtualha.

2. Sendo muito variadas as condies etimolgicas e histrico-fonticas em que se fixam graficamente e e i ou o e u em slaba tona, evidente que s a consulta dos vocabulrios ou dicionrios pode indicar, muitas vezes, se deve empregar-se e ou i, se o ou u. H, todavia, alguns casos em que o uso dessas vogais pode ser facilmente sistematizado. Convm fixar os seguintes:

a) escrevem-se com e, e no com i, antes da slaba tnica/tnica, os substantivos e adjetivos que procedem de substantivos terminados em eio e eia, ou com eles esto em relao direta. Assim se regulam: aldeo, aldeola, aldeota por aldeia; areal, areeiro, areento, Areosa por areia; aveal por aveia; baleal por baleia; cadeado por cadeia; candeeiro por candeia; centeeira e centeeiro por centeio; colmeal e colmeeiro por colmeia; correada e correame por correia.

b) escrevem-se igualmente com e, antes de vogal ou ditongo da slaba tnica/tnica, os derivados de palavras que terminam em e acentuado (o qual pode representar um antigo hiato: ea, ee): galeo, galeota, galeote, de gal; coreano, de Coreia; daomeano, de Daom; guineense, de Guin; poleame e poleeiro, de pol.

c) escrevem-se com i, e no com e, antes da slaba tnica/tnica, os adjetivos e substantivos derivados em que entram os sufixos mistos de formao verncula iano e iense, os quais so o resultado da combinao dos sufixos ano e ense com um i de origem analgica (baseado em palavras onde ano e ense esto precedidos de i pertencente ao tema: horaciano, italiano, duriense, flaviense, etc.): aoriano, acriano (de Acre), camoniano, goisiano (relativo a Damio de Gis), siniense (de Sines), sofocliano, torriano, torriense (de Torre(s)).

d) uniformizam-se com as terminaes io e ia (tonas), em vez de eo e ea, os substantivos que constituem variaes, obtidas por ampliao, de outros substantivos terminados em vogal: cmio (popular), de cume; hstia, de haste; rstia, do antigo reste; vstia, de veste.

e) os verbos em ear podem distinguir-se praticamente, grande nmero de vezes, dos verbos em iar, quer pela formao, quer pela conjugao e formao ao mesmo tempo. Esto no primeiro caso todos os verbos que se prendem a substantivos em eio ou eia (sejam formados em portugus ou venham j do latim); assim se regulam: aldear, por aldeia; alhear, alheio; cear, por ceia; encadear, por cadeia; pear, por peia; etc. Esto no segundo caso todos os verbos que tm normalmente flexes rizotnicas/rizotnicas em eio, -eias, etc.: clarear, delinear, devanear, falsear, granjear, guerrear, hastear, nomear, semear, etc. Existem, no entanto, verbos em iar, ligados a substantivos com as terminaes tonas ia ou io, que admitem variantes na conjugao: negoceio ou negocio (cf. negcio); premeio ou premio (cf. prmio/prmio); etc.

f) no lcito o emprego do u final tono em palavras de origem latina. Escreve-se, por isso: moto, em vez de mtu (por exemplo, na expresso de moto prprio); tribo, em vez de trbu.

g) os verbos em oar distinguem-se praticamente dos verbos em uar pela sua conjugao nas formas rizotnicas/rizotnicas, que tm sempre o na slaba acentuada: abenoar com o, como abenoo, abenoas; destoar, com o, como destoo, destoas: mas acentuar, com u, como acentuo, acentuas, etc.

7.1.10.5 Das vogais nasais

Na representao das vogais nasais devem observar-se os seguintes preceitos:

1. Quando uma vogal nasal ocorre em fim de palavra, ou em fim de elemento seguido de hfen, representa-se a nasalidade pelo til, se essa vogal de timbre a; por m, se possui qualquer outro timbre e termina a palavra; e por n, se de timbre diverso de a e est seguida de s: af, gr, Gr-Bretanha, l, rf, s-braseiro (forma dialetal; o mesmo que so-brasense = de S. Brs de Alportel); clarim, tom, vacum; flautins, semitons, zunzuns.

2. Os vocbulos terminados em transmitem esta representao do a nasal aos advrbios em mente que deles se formem, assim como a derivados em que entrem sufixos iniciados por z: cristmente, irmmente, smente; lzudo, mazita, manhzinha, romzeira.

7.1.10.6 Dos ditongos

1. Os ditongos orais, que tanto podem ser tnicos/tnicos como tonos, distribuem-se por dois grupos grficos principais, conforme o segundo elemento do ditongo representado por i ou u: ai, ei, i, ui; au, eu, u, iu, ou: braais, caixote, deveis, eirado, farnis (mas farneizinhos), goivo, goivar, lenis (mas lenoizinhos), tafuis, uivar, cacau, cacaueiro, deu, endeusar, ilhu (mas ilheuzito), mediu, passou, regougar.

Observao: Admitem-se, todavia, excepcionalmente, parte destes dois grupos, os ditongos grafados ae(= i ou ai) e ao (= u ou au): o primeiro, representado nos antropnimos/antropnimos Caetano e Caetana, assim como nos respectivos derivados e compostos (caetaninha, so-caetano, etc.); o segundo, representado nas combinaes da preposio a com as formas masculinas do artigo ou pronome demonstrativo o, ou seja, ao e aos.

2. Cumpre fixar, a propsito dos ditongos orais, os seguintes preceitos particulares:

a) o ditongo grafado ui, e no a sequncia voclica grafada ue, que se emprega nas formas de 2a e 3a pessoas do singular do presente do indicativo e igualmente na da 2a pessoa do singular do imperativo dos verbos em uir: constituis, influi, retribui. Harmonizam-se, portanto, essas formas com todos os casos de ditongo grafado ui de slaba final ou fim de palavra (azuis, fui, Guardafui, Rui, etc.); e ficam assim em paralelo grfico-fontico com as formas de 2a e 3a pessoas do singular do presente do indicativo e de 2a pessoa do singular do imperativo dos verbos em air e em oer: atrais, cai, sai; mis, remi, si.

b) o ditongo grafado ui que representa sempre, em palavras de origem latina, a unio de um u a um i tono seguinte. No divergem, portanto, formas como fluido de formas como gratuito. E isso no impede que nos derivados de formas daquele tipo as vogais grafadas u e i se separem: fludico, fluidez (u-i).

c) alm, dos ditongos orais propriamente ditos, os quais so todos decrescentes, admite-se, como sabido, a existncia de ditongos crescentes. Podem considerar-se no nmero deles as sequncias voclicas ps-tnicas/ps-tnicas, tais as que se representam graficamente por ea, eo, ia, ie, io, oa, ua, ue, uo: urea, ureo, calnia, espcie, exmio, mgoa, mngua, tnue/tnue, trduo.

3. Os ditongos nasais, que na sua maioria tanto podem ser tnicos/tnicos como tonos, pertencem graficamente a dois tipos fundamentais: ditongos representados por vogal com til e semivogal; ditongos representados por uma vogal seguida da consoante nasal m. Eis a indicao de uns e outros:

a) os ditongos representados por vogal com til e semivogal so quatro, considerando-se apenas a lngua padro contempornea: e (usado em vocbulos oxtonos e derivados), i (usado em vocbulos anoxtonos e derivados), o e e. Exemplos: ces, Guimares, me, mezinha; cibas, cibeiro, cibra, zibo; mo, mozinha, no, quo, sto, sotozinho, to; Cames, oraes, oraezinhas, pe, repes. Ao lado de tais ditongos pode, por exemplo, colocar-se o ditongo i; mas este, embora se exemplifique numa forma popular como ri = ruim, representa-se sem o til nas formas muito e mui, por obedincia tradio.

b) os ditongos representados por uma vogal seguida da consoante nasal m so dois: am e em. Divergem, porm, nos seus empregos:

i)am (sempre tono) s se emprega em flexes verbais: amam, deviam, escreveram, puseram;

ii)em (tnico/tnico ou tono) emprega-se em palavras de categorias morfolgicas diversas, incluindo flexes verbais, e pode apresentar variantes grficas determinadas pela posio, pela acentuao ou, simultaneamente, pela posio e pela acentuao: bem, Bembom, Bemposta, cem, devem, nem, quem, sem, tem, virgem; Bencanta, Benfeito, Benfica, benquisto, bens, enfim, enquanto, homenzarro, homenzinho, nuvenzinha, tens, virgens, amm (variao de men), armazm, convm, mantm, ningum, porm, Santarm, tambm; convm, mantm, tm (3as pessoas do plural); armazns, desdns, convns, retns; Belenzada, vintenzinho.

7.1.10.7 Termos conforme nova grafia

A

abaixo-assinado

ab-rogar

acrdo

Advocacia-Geral da Unio*

advogado-geral da Unio*

amide

antijurdico

antissocial

(eu) apoio

arguio

arguir

assembleia

assembleia geral

atividade fim

atividade meio

toa

autossuficiente

autossustentvel

auxlio-acidente

auxlio-alimentao

auxlio-doena

auxlio-enfermidade

auxlio-funeral

auxlio-invalidez

auxlio-maternidade

auxlio-moradia

auxlio-natalidade

auxlio-recluso

B

bem-estar

bem-sucedido

bilngue

boa-f

bnus

C

chefe de gabinete

clusula-mandato

coautor

coautoria

coavalista

cocredor

codevedor

coerdar ou co-herdar

coerdeiro ou co-herdeiro

coexistncia

cofiador

coirmo

colegatrio

conta-corrente

conta-poupana

consequncia

(ele) constri

contra-argumento

contra-arrazoado

contra-arrazoar

contra-arrestar

contracautela

contraestadia

contrafao

contraf

contraindicao

contramandado

contraofensiva

contraordem

contraparte

contraproducente

contraproposta

contraprova

contrarrazo

contrassenso

cooperar

cooptar

coordenar

coproprietrio

corr

corregedor-geral

Corregedoria-Geral

corresponsvel

corru

coutente

(ele) cr

(eles) creem

custo-benefcio

D

data-base

data-limite

(que ele) d

decreto-lei

(que eles) deem

dfice, dficit ou deficit

desindexar

(ele) desprov

(eles) desproveem

desprover

desprovido

desprovimento

(ele) detm

(eles) detm

(o) dia a dia

dia-multa

diretor-geral

diretor-gerente

Diretoria-Geral

diretor-secretrio

E

edifcio-sede

ensino-aprendizagem

equidade

estado-membro

ex-aluno

ex-detento

exequendo

ex officio

extrajudicial

extraoficial

extraterritorial

F

ftico-probatrio

fora-tarefa

frum

frequncia

H

habeas corpus

hediondo

heri

heroico

heterossexual

hipossuficiente

homoafetivo

hora-aula

hora extra

I

ideia

improvido

infra-assinado

infracitado

infraconstitucional

infraestrutura

instncia

inter-regional

inter-relao

introito

inumano

J

juiz

juzes

juzo

jri

jurisprudncia

jusfilosofia

jusnaturalismo

juspositivismo

L

(ele) l

(eles) leem

licena-maternidade

licena-paternidade

licena-prmio

liquidez

lquido

livre-arbtrio

M

macroeconomia

m-f

mais-valia

mal-estar

malso

malsucedido

malvisto

maus-tratos

meio-termo

mesa-redonda

microeconomia

micro-organismo

ministro presidente

ministro relator

N

no agresso

no apresentao

no comparecimento

no comprovao

no cumprimento

no incidncia

O

oficial de gabinete

oficial de justia

ofcio circular

rgo

P

palavra-chave

para (v. parar, pres.)

paraestatal

pena-base

pde (v. poder, pret. perf.)

poder-dever

polo

porqu (subst.)

precluso

pr-constitucional

pr-constitudo

pr-datar

predeterminar

preestabelecer

pr-executividade

preexistncia

prefixar

prejulgado

prelibatrio

pr-qualificar

prequestionamento

prequestionar

pr-requisito ou prerrequisito

princpio

proativo ou pr-ativo

procurador-geral

Procuradoria-Geral

(ele) provm (v. provir)

(eles) provm (v. provir)

(ele) prov (v. prover)

(eles) proveem (v. prover)

Q

queixa-crime

quinquenal

R

r

reelaborar

reeleio

regncia

(eles) releem

ru

(eles) reveem

S

salrio-base

salrio de benefcio

salrio de contribuio

salrio-educao

salrio-famlia

salrio-hora

salvaguardar

salvo-conduto

Secretaria-Geral

secretrio-geral

seguro-desemprego

seguro-sade

semiaberto

semi-interno

semiliberdade

sem-nmero

sequestro

sobre-estadia

sobre-humano

sobrestado

sobrestamento

sobrestar

sobrestimar ou sobre-estimar

socioafetivo

socioambiental

sociocultural

socioeconmico

socioeducativo

scio-gerente

subentendido

subestimar

sub-reptcio

sub-rogar

subscrever

subsdio (si)

subsistncia (si ou zi)

substabelecer

subumano ou sub-humano

sucedneo

supervit ou superavit

supracitado

supramencionado

supramencionar

T

to s

to somente

teleconferncia

(ele) tem

(eles) tm

V

(ele) v

(eles) veem (v. ver)

(ele) vem

(eles) vm (v. vir)

verossmil

verossimilhana

vice-presidncia

vice-presidente

vice-versa

videoconferncia

videotexto

voo

voto-mrito

voto-preliminar

voto vencido

voto-vista

voto-vogal

7.1.10.8 Silabada

Silabada o deslocamento inadequado da pronncia da slaba tnica de uma palavra: pronunciar gratuito (forma inadequada com pronncia acentuada no i) em vez de gratuito (forma adequada com pronncia acentuada no u). Transcrevo relao de silabadas preparada pela equipe do Superior Tribunal de Justia.

So oxtonas (palavras em que o acento tnico recai na ltima slaba): cateter Madagascar novel sutil condor masseter recm- ureter harm mister necessrio refm Gibraltar Nobel ruim /u-/

So paroxtonas (acento tnico na penltima slaba): alanos estratgia opimo algaravia filantropo Pandora // mbar fluido /i/ (subst.) pegada ambrosia alimento dos deuses fludo /u-/ (part. De fluir) pletora // Antioquia fortuito /i/ policromo avaro gratuito /i/ pudico aziago hmus Quebrangulo (AL) batavo Hungria Quops cnon ibero quiromancia caracteres impudico refrega // cartomancia inaudito rubrica celtibero ndex Salonica ciclope juniores /i-/ Samaria ciznia ltex Sardanapalo clmax libido Sfia (Bulgria) decano Lombardia sto desvario maquinaria simulacro edito lei mercancia Tessalonica efebo // misantropo txtil estalido Normandia vindima

So proparoxtonas (acento tnico na antepenltima slaba): aerdromo dito ordem judicial nclito gape feso ngreme lacre mbolo nterim antema olo invlucro andrgino epteto Nigara anmona (s) escncaras pramo anfeles esteretipo priplo antdoto etope pliade antfrase xodo polgono arete farndula prstino arqutipo frula prfugo autctone grrulo prottipo bvaro grandloquo rquiem bgamo hjira strapa brmane hlade Tmisa cnhamo hipdromo trnsfuga Crpatos idlatra zfiro condmino mprobo znite

7.2 Crase

a fuso da preposio a com artigo ou pronome demonstrativo. Crase o fenmeno de unio de duas vogais. O acento correpondente recebe o nome de acento grave.

7.2.1 Casos em que ocorre a fuso

1) O artigo feminino a ou as:

O servidor fez referncia deciso.

O departamento informou tudo s divises responsveis pelo processo.

2) Locues adverbiais, prepositivas ou conjuntivas femininas:

A reunio ser s dez horas.

O processo est disposio de todos.

Quem vive espera de facilidades, encontra falsidades.

medida que estudo o processo, mais compreendo os motivos.

3) Evitar ambiguidade:

Encontrou a prima a tia (construo com ambiguidade, quem encontrou quem).

Encontrou a prima tia (construo sem ambiguidade).

Encontrou prima a tia (construo sem ambiguidade).

4) o pronome demonstrativo aquela, aquele, as:

Fiz referncia a + aquele processo. = Fiz referncia quele processo.

Fiz referncia a + aquela deciso. = Fiz referncia quela deciso.

Fiz referncia a + aquilo. = Fiz referncia quilo.

Fiz referncia a + a (aquela) que saiu. = Fiz referncia que saiu.

Fiz referncia a + as (aquelas) que saram. = Fiz referncia s que saram.

7.2.2 Casos que merecem ateno

1. Antes da expresso a moda de, expressa ou subentendida:

Ele se veste Caetano Veloso. (Ele se veste moda de Caetano Veloso.)

Ela fez uma comida mineira. (Ela fez comida moda mineira.)

2. Antes de a qual e as quais:

A revista qual me refiro sumiu.

As leis s quais nos submetemos so justas.

Observao: No primeiro caso, ocorre o acento por causa da unio do artigo a de a qual e da preposio a do verbo referiu. No segundo caso, ocorre o acento por causa da unio do artigo as de as quais e da preposio a do verbo submeter.

3. Crase antes de nomes de lugares:

Vou a Braslia (Venho de Braslia. No h necessidade de artigo).

Vou Bahia (Venho da Bahia. H necessidade de artigo).

Vou Europa.

Vou escola.

4. Com a palavra casa no especificada:

Vou a casa (Venho de casa. No h necessidade de artigo).

Vou casa de meu melhor amigo (Venho da casa de meu melhor amigo).

Observao: ocorre o acento grave no segundo caso, pois, ao se determinar a casa, houve necessidade do artigo a.

5. Com a palavra terra:

A palavra terra em nossa lngua pode representar, dependendo do contexto, sentidos diversos: terra firme (oposio gua, por exemplo); determinado lugar; o planeta; e, finalmente, o solo. Nos trs ltimos casos, a regra a ser observada a geral. No primeiro caso, no entanto, no ocorre crase pois o vocbulo no pede o artigo a:

Os marinheiros foram a terra visitar a famlia.

Os marinheiros foram terra natal.

Os astronautas voltaram Terra.

6. Com a palavra distncia determinada na funo de adjunto adverbial, h o acento:

Sedex a distncia (sem determinao).

Fique distncia de dois metros (com determinao).

7. Paralelismo: a estilstica pede que se mantenha o paralelismo em construes coordenadas. Observe os exemplos a seguir.

De 8h a 10h.

Das 8h s 10h

De segunda a sexta.

Da segunda sexta.

O direito a remunerao e a trabalho.

O direito remunerao e ao trabalho.

8. Expresso com palavras repetidas no aceita o acento grave:

Cara a cara.

Frente a frente.

Gota a gota.

9. Antes de verbo, nunca existe acento grave antes de verbo.

O Tribunal est a decidir sobre o caso.

A partir de hoje, viajaremos sempre.

10. Antes de palavras no plural e a anterior no singular, nunca existe acento grave:

Devido a ocorrncias inesperadas.

Devido s ocorrncias inesperadas.

Quanto a situaes.

Quanto s situaes.

Tudo correu a expensas do contribuinte.

Tudo correu s expensas do contribuinte.

11. No existe acento grave antes de pronome de tratamento:

O documento foi enviado a Vossa Excelncia.

A Sua Excelncia o senhor Fulano de Tal.

No entanto, quando o pronome exerce funo de adjetivo, o acento possvel:

Excelentssima Ministra Fulana de Tal (o pronome funciona como adjetivo).

7.2.3 Crase facultativa

1) Nomes de mulheres:

Falei o assunto a/ Denise. Refiro-me a/ Paula.

Observaes:

a) Quando o nome aparecer determinado por uma qualidade ou caracterstica, o artigo ser obrigatrio.

Falei o assunto Denise, minha irm.

b) Quando o nome aparecer determinado por sobrenome, preferencialmente no use o artigo.

O texto fazia aluso a Paula Alves.

2) Pronome possessivos adjetivos:

Refiro-me a/ minha secretria.

3) Expresso at: O termo at pode exercer funo de preposio ou de expresso denotativa de incluso. Observe os exemplos a seguir.

Vou at a diretoria (preposio).

Vou at diretoria (expresso denotativa de incluso, no sentido de inclusive).

7.3 Regncia

A regncia estuda a relao entre termos. Algumas vezes, um vocbulo necessita de uma determinada preposio para se unir a outro termo. Outras vezes, a relao ocorre sem a necessidade de preposio. Regncia justamente o estudo da dependncia ou no de tais preposies. O domnio da regncia (principalmente verbal) depende do conhecimento da transitividade verbal. Vamos relembrar.

Verbo intransitivo: dispensa uso de complemento do verbo:

Paula saiu. Joo acordou.

Observao: os verbos ir, chegar e voltar, pois so naturalmente verbos intransitivos. Geralmente, eles vm acompanhados de adjunto adverbial e no objetos diretos.

Guilherme foi a So Paulo.

Isabela voltou de Salvador.

Lucas chegou a Braslia.

Verbo transitivo direto: pede objeto direto.

Paula comprou um livro.

Roslia encontrou o quadro.

Verbo transitivo indireto: pede complemento indireto (com preposio).

Lcia gosta de bons livros.

Todos precisam de amigos.

Verbo transitivo direto e indireto: verbo solicita e o texto apresenta complemento direto e indireto.

Joo enviou o livro ao pai.

Berenice ofereceu aos convidados o bolo.

Regncia de alguns verbos

Agradecer, Perdoar e Pagar

Apresentam objeto direto relacionado a coisas e objeto indireto relacionado a pessoas.

Agradeo aos ouvintes a audincia.

Cristo ensina que preciso perdoar o pecado ao pecador.

Paguei o dbito ao cobrador.

Aspirar

Transitivo indireto (pretender, almejar, desejar).

Observao: no se admite a forma pronominal lhe ou lhes, mas apenas a ele ou a eles)

O consumidor aspira ao desconto prometido na oferta.

quele desconto incomparvel, o consumidor aspira a ele.

Transitivo direto (sorver, respirar)

O laudo atesta que a vtima aspirou o prprio lquido.

Assistir

Transitivo indireto (ver, presenciar).

O segurana da empresa assistiu a tudo passivamente.

Transitivo direto e indireto (caber direito ou razo)

Assiste requerente o direito de ser imitida na posse do imvel.

Transitivo direto ou transitivo indireto (socorrer, ajudar, confortar)

O condutor do veculo no assistiu a () vtima.

Atender

Transtivio direto ou transitivo indireto (acolher, deferir, tomar em considerao)

O juiz atendeu a petio inicial.

Transitivo direto ou transitivo indireto (responder a chamado, ter em vista)

O juiz atendeu o telefonema.

O juiz atendeu ao advogado.

Transitivo direto ou transitivo indireto (satisfazer, preencher requisitos)

O responsvel atendia as (s) necessidades do menor.

Comparecer

Transitivo indireto ou intransitivo (apresentar-se em local determinado)

A testemunha compareceu audincia.

A testemunha compareceu na sala de audincias.

A testemunha compareceu em juzo.

A testemunha compareceu ante/perante o tribunal/juiz

Observao: Empregam-se as preposies ante ou perante para rgo judicial ou para autoridade.

Conhecer

Transitivo direto (ter conhecimento) e transitivo indireto (admitir, acolher causa)

A requerida declara que no conhece a vtima.

O magistrado no conheceu da pretenso do autor.

Constar

Transitivo indireto (ser formado preposio de)

Os autos constam de cinco volumes.

Transitivo indireto (estar registrado ou escrito preposio de ou em)

A prova do crime consta no laudo pericial.

A veracidade dos fatos consta dos autos.

Deparar

Transitivo direto ou transitivo indireto (encontrar)

O juiz deparou falhas no relatrio.

A polcia deparou com os assaltantes no local da ocorrncia.

Implicar

Transitivo direto (acarretar, originar, produzir)

A aprovao do projeto bsico implica abertura de procedimento licitatrio.

Transitivo indireto (antipatizar, discordar)

O antigo chefe sempre implicava com este servidor.

Verbo pronominal (envolver-se)

Toda a equipe implicou-se no desvio de recursos.

Informar

Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa.

Informe os novos preos aos clientes.

Informe os clientes dos novos preos (ou sobre os novos preos).

Obs.: seguem tal regncia avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir.

Morar, residir, situar-se

Transitivo indireto (indicao de local fixo, estabelecido, domiciliado)

O indiciado mora na regio do entorno.

O ru reside em lugar incerto.

O advogado ser intimado no escritrio, sito na avenida comercial.

Observao: A norma culta da Lngua Portuguesa exige para esses verbos denominados verbos de quietao , bem como para os correspondentes adjetivos, a regncia indireta com a preposio em, e no com a preposio a.

Obedecer e Desobedecer

Possuem seus complementos introduzidos pela preposio "a".

Devemos obedecer aos nossos princpios e ideais.

Eles desobedeceram s leis do trnsito.

Pedir

Transitivo direto e indireto (solicitar)

O revisor pediu cpia do documento diretora.

Observao: Quando o objeto direto for oracional, emprega-se a conjuno que; somente se admite a preposio para quando estiver subentendido que se trata de permisso:

O presidente pediu assembleia que fi zesse silncio.

O escrivo pediu ao presidente para se ausentar da sesso. (pediu permisso)

Preferir

Apresenta objeto indireto introduzido pela preposio "a".

Prefiro qualquer coisa a abrir mo de meus ideais.

Prefiro trem a nibus.

Presidir

Transitivo direto ou transitivo indireto (dirigir, governar)

O desembargador mais antigo presidir a/ sesso.

Proceder

Intransitivo (ter fundamento)

As declaraes do apelante no procedem.

Transitivo indireto (originar-se, provir)

A testemunha procede do nordeste.

Transitivo indireto (dar incio, efetuar, realizar, dar sequncia)

O relator procedeu ao exame do recurso.

Observao: Nesta ltima acepo, considera-se errneo o emprego do verbo na voz passiva. No se permitem, pois, construes como: O exame foi procedido; O inventrio foi procedido; A percia foi procedida (errado).

Responder

Tem complemento introduzido pela preposio "a". O objeto indireto indicar "a quem" ou "ao que" se responde.

Respondi ao meu patro.

Respondemos s perguntas.

Respondeu-lhe altura.

Solicitar

Transitivo direto e indireto (pedir com insistncia)

O julgador solicitou ajuda polcia.

O julgador solicitou ajuda da polcia.

Visar

Transitivo direto (mirar)

Os bandidos visaram o alvo assim que ouviram a sirene.

Transitivo direto (pr o visto)

Os integrantes do conselho visaram a ata.

Transitivo indireto (ter em vista, objetivar, pretender)

Esta Corte de Justia visa sempre ao bem da sociedade.

Observao: apesar de alguns gramticos admitirem a regncia direta no ltimo caso, a orientao manter o emprego formal nos textos oficiais.

Enumerei a seguir alguns verbos e nomes que aparecem com frequncia no universo jurdico. Certamente, ser difcil recordar a regncia de todos os termos abaixo. D uma lida em todos e faa os exerccios logo aps. Consulte sempre que necessrio.

Siglas utilizadas na explicao:

VI = verbo intransitivo

VTD = verbo transitivo direto

VTI = verbo transitivo indireto

VTDI = verbo transitivo direto e indireto

Ab-rogar: VTD no sentido de revogar uma lei, decreto, etc.

Acarear: VTD no sentido de defrontar testemunhas.

Acionar: VTD no sentido de ao judicial.

Acoimar: VTD no sentido de infligir, punir.

Aconselhar: VTDI no sentido de orientar; aconselhar algo a algum; aconselhar algum a algo; aconselhar algum de/sobre algo

Acordar: VI no sentido de fazer um acordo, firmar contrato. VTD no sentido de concordar, resolver em comum acordo.

Acostumado: regncia nominal com a preposio a ou com.

Adimplir: VTD no sentido de cumprir, executar um contrato.

Ad-rogar: VTD no sentido de tomar por adoo pessoa sui juris.

Agradar: VTD (fazer carinho, presentear); VTI com preposio a (satisfazer).

Agradecer: VTDI o objeto direto sempre coisa, e o indireto sempre pessoa.

Agravar: VTD no sentido de onerar, sobrecarregar.

Agredir: VTD. O desempregado agrediu o amigo.

Ajudar: VTD ou VTI com a preposio a.

Ansioso: regncia nominal com a preposio de, por ou para.

Anuir: VTI ou VI no sentido de concordar: O juiz anuiu a seu pedido. Os juzes anuram.

Apelar: VTI ou VI no sentido de recorrer buscando ajuda; recorrer por apelao a instncia superior para pedir a reforma de sentena de juzo inferior; interpor recurso ou apelao: A defesa apelou da sentena. O promotor apelou.

Apenar: VTD no sentido de punir, condenar.

Apoiar-se: VTI (pronominal); apoiar-se ao muro; apoiar-se em documentos; apoiar-se sobre tal coisa.

Arrestar: VTD no sentido de fazer ou decretar arresto.

Arrogar: VTD no sentido de apropriar-se de, tomar como seu. VTDI no sentido de exigir ou atribuir-se direitos indevidos.

Arrolar: VTD no sentido de fazer constar em rol ou lista a relao dos bens de um esplio.

Aspirar: VTD (sorver, inspirar) e VTI com a preposio a (desejar).

Assduo: regncia nominal com a preposio em.

Assistir: VTD (prestar assistncia); VTI com a preposio a (ver, ter direito);VI (morar).

Ateno: regncia nominal com a preposio a ou para.

Atender: VTD ou VTI com a preposio a para pessoa; VTI com a preposio a para coisa no sentido de dar ateno.

Atingir: VTD (alcanar o alvo).

Autuar: VTD no sentido de lavrar um auto. O servidor autuou o processo. VTDI no sentido de exigir ou atribuir-se direito indevido.

Avisar, certificar, cientificar, informar: VTDI (algo a algum ou algum de algo).

Avocar: VTDI no sentido de chamar, atribuir-se: O presidente avocou a si a deciso sobre o projeto. VTD no sentido de despertar, evocar: Aquelas palavras avocavam bons pressentimentos.

Caluniar: VTD no sentido de imputar falsamente.

Caucionar: VTD no sentido de assegurar com cauo, dar em garantia.

Certificar: VTD no sentido de afirmar a certeza, passar a certido de: O secretrio certificar a aprovao no concurso. O mdico certificou o bito. VTDI no sentido de tornar ciente, afirmar: Ele o certificou do julgamento. VTDI (pronominal) no sentido de ter a certeza de, convencer-se: Ele se certificou da verdade.

Chamar: VTD e VTI com a preposio a (considerar); VTD (convocar, fazer vir); VTDI com a preposio a no sentido de repreender.

Chegar, ir, sair, vir: Intransitivo.

Circundutar: VTD no sentido de julgar nula ou sem eficcia uma citao.

Citar: VTD no sentido de chamar algum a juzo.

Cominar: VTDI no sentido de ameaar com pena ou castigo no caso de infrao.

Comparecer: VI ou VTI no sentido de aparecer, apresentar-se em local determinado ou em juzo perante magistrado ou funcionrio judicial: Somente as testemunhas de defesa compareceram. A testemunha compareceu perante o juiz.

Compartilhar: VTD.

Competir: VTI no sentido de concorrer na mesma pretenso, disputar ttulo, ser da competncia ou atribuio, caber, pertencer por direito, ser de obrigao: O candidato mais forte competia com o irmo. Isso no compete ao chefe da seo. Parte dos bens compete aos filhos.

Comunicar: VTDI com a preposio a.

Comutar: VTD no sentido de permutar um pena mais grave por outra mais branda.

Conhecer: VTI regendo a preposio de, no sentido de juiz ou tribunal ser competente para intervir num processo; dar-se por competente para julgar; acolher a causa: O ministro conheceu do recurso.

Consentir: VTI com a preposio em (concordar); VTDI com a preposio a (permitir).

Consistir: VTI no sentido de compor-se; basear-se: O procedimento de apurao consistia em duas etapas.

Coonestar: VTD no sentido de dar aparncia de honestidade.

Correger: VI no sentido de fazer correio. VTD no sentido de fazer o pagamento do dano ou da indenizao.

Custar: VTI com a preposio a(ser custoso, ser difcil); TDI com a preposio a (causar).

Decidir: VTD ou VTI no sentido de resolver, determinar, sentenciar, julgar: O ministro decidiu (sobre) a questo rapidamente.

Deferir: VTD ou VTI no sentido de atender, condescender, anuir (o que se pede ou requer): Ele deferiu o (ao) pedido. VTDI no sentido de outorgar, conferir e conceder: O prefeito deferiu a solicitao associao de moradores.

Deparar: deparar-se com; deparar com; deparar-se-lhe algo.

Desobedecer: VTI com a preposio a.

Deliberar: VTD ou VTI no sentido de decidir, resolver aps exame: A Corte deliberou punir os culpados. O Tribunal deliberou sobre os recursos especiais.

Delinquir: VI no sentido de cometer crime, delito.

Demandar: VI no sentido de disputar em juzo. VTD no sentido de intentar ao judicial.

Denunciar: VTD no sentido de notificar, dar cincia.

Derrogar: VTD no sentido de revogar parcialmente uma lei, decreto, regulamento.

Desaforar: VTD no sentido de isentar o pagamento, de um foro ou no sentido de transferir um processo de um foro para outro. pronominal no sentido de renunciar aos privilgios do foro.

Desagravar: VTD no sentido de reparar uma ofensa ou insulto.

Descriminar: VTD no sentido de absolver do crime, excluir a injuridicidade ou condio criminosa.

Difamar: VTD no sentido de imputar fato ofensivo reputao de algum.

Dignar-se: VTI com a preposio de.

Distratar: VTD no sentido de anular o ajuste ou contrato.

Embargar: VTD no sentido de pr embargos.

Ensinar: ensinar algo a algum; ensinar algum a algo

Equivalente: regncia nominal com a preposio a ou de.

Escoimar; VTD no sentido de livrar pena ou censura.

Esquecer: VTD ou VTI (com pronome e preposio de). Esqueceu tudo. Esqueceu-se de tudo.

Evencer: VTD no sentido de desapossar judicialmente a pessoa da propriedade que detm.

Falta: regncia nominal com a preposio a.

Faltar: VTI com a preposio a (ausentar-se, inexistir).

Impedir: VTDI com dupla regncia: algo a algum ou algum de algo.

Implicar: VTD no sentido de requerer, demandar; embaraar; trazer como consequncia, produzir como consequncia, acarretar e provocar: A desobedincia dos motoristas no trnsito pode implicar srias consequncias. VTDI no sentido de envolver, comprometer: Implicaram-no em crime de furto. VTI no sentido de ter implicncia com, ser inconcilivel, rege a preposio com: Implicava com o guarda.

Inadimplir: VTD no sentido de descumprir a obrigao contratual assumida.

Indagar: indagar de algum alguma coisa.

Indiciar: VTD no sentido de proceder a imputao criminal contra algum.

Inquirir: VTD no sentido de fazer perguntas, indagar.

Insimular: VTD no sentido de atribuir crime, denunciar.

Interessar: algo interessa a algum; interessar-se por algo.

Interpelar: VTD no sentido de exigir categoricamente explicaes em juzo.

Lembrar: mesma regra de esquecer.

Notificar: VTDI ou VTD no sentido de intimar, dar conhecimento de ordem judicial a, informar, comunicar, participar, dar notcia ou conhecimento de: O juiz notificou a sentena ao condenado. O juiz notificou o condenado.

Obedecer: VTI com a preposio a.

Pagar: VTDI com a preposio a. Objeto direto a coisa e objeto indireto a pessoa.

Perdoar: VTDI com a preposio a. Objeto direto a coisa e o objeto indireto a Persuadir: persuadir algum a alguma coisa.pessoa.

Preferncia: regncia nominal com a preposio a ou por.

Preferir: VTDI com a preposio a. Nunca usar prefiro mais e prefiro algo do que outra coisa.

Prefervel: regncia nominal com a preposio a.

Prescrever: VTD no sentido de ordenar, determinar; preceituar, indicar com preciso: O diretor-geral prescreveu normas para a licitao. VTDI no sentido de marcar, fixar, limitar: O setor prescreveu novo prazo aos servidores para entrega de documentos. VI no sentido de ficar sem efeito por ter decorrido certo prazo legal, caducar, cair em desuso; incidir em prescrio: A pena j prescreveu.

Presenciar: VTD. Os interessados presenciaram a sesso.

Presente: com a preposio a com nomes abstratos e preposio em com nomes concretos.

Presidir: VTD ou VTI no sentido de exercer a presidncia.

Prevenir: VTD (evitar); VTDI com a preposio de (avisar).

Providenciar: providenciar algo a algum; providenciam sobre algo; providencia-se para algo; para providenciar em algo.

Proceder: VTI no sentido de originar-se, descender; realizar, fazer, efetuar: O presidente proceder nomeao de novo ministro. VI no sentido de ter fundamento, continuar, agir, comportarse, ser decisivo na prova, concluir: Este recurso no procede. O ministro procedeu exemplarmente. VI com a preposio de no sentido de origem. O Juiz procede de So Paulo.

Prover: VTD no sentido de receber e deferir (um recurso), ordenar; dispor: O Colegiado proveu o recurso. VTDI no sentido de dotar, abastecer, nomear algum para (cargo ou emprego): O ministro da Justia o prover para o cargo de secretrio-geral. VTI no sentido de ocorrer, acudir, remediar, atender: Ele prover s despesas.

Querer: VTD (desejar); VTI com a preposio a (estimar).

Recorrer: VI ou VTD no sentido de interpor recurso judicial; apelar, dirigir-se pedindo socorro, proteo; lanar mo, valerse.

Renunciar: VTD ou VTI com a preposio a.

Reparar: VTD (consertar); VTI com as preposies em ou para (observar).

Ressarcir: VTD no sentido de pagar o prejuzo causado.

Residente, situado, sito, domiciliado: aceitam a preposio em.

Residir: VI com a preposio em.

Resignar: a) (renunciar) resignar o cargo; b) (conformar-se) resignar-se com algo; resignar-se a algo.

Responder: VTDI com a preposio a.

Revogar: VTD no sentido de anular ou retirar.

Sancionar: VTD no sentido de dar sano, aprovao, confirmao.

Satisfazer: VTD ou VTI com a preposio a (solicitar).

Simpatizar: simpatizar com algo/com algum.

Socorrer: socorrer algum/algo.

Solicitar: VTDI. O Ministro solicitou o material ao Tribunal. O nome solcita pede a preposio com. O Ministro solcito com todos.

Substabelecer: VTD no sentido de transferir a outrem os poderes conferidos num mandato

Suceder: TI com a preposio a (substituir).

Sobressair: VTI com preposio em. No verbo pronominal.

Torcer: VTI com a preposio por.

Usufruir: usufruir algo.

Visar: VTD (pr o visto); VTI com a preposio a (objetivar).

7.3.1 Regncia nominal

Acessvel a

Escasso de

Propcio a

Acesso a, para

Essencial a, para

Prprio de, em

Adaptado a

Fcil de

Prximo a, de

Admirao a, por

Fantico por

Relacionado com

Afvel com, para com

Fuga de, a

Relativo a

Aflito com, por

Favorvel a

Respeito a, entre, para com,por

Agradvel a, de

Generoso com

Residente em

Alheio a, de

Gosto de, em

Rigoroso com, em

Aluso a

Grato a, por

Saudade de, por

Amor a, por

Guerra a, com, contra, entre

Satisfeito com, de, em, por

Anlogo a

Hbil em

Segurana de, em

nsia de, por

Habituado a

Semelhante a

Ansioso de, para, por

Horror a, de

Sensvel a

Antipatia a, por

Idntico a

Sito em

Apto a, para

Igual a, para

Situado em

Ateno a, com, para com

Imbudo de, em

Suspeito de

Atento a, com

Impacincia com

Temor a, de

Averso a, por

Imprprio para

Violao a, de

vido de

Indeciso em

Vizinho a, de

Atentado a, contra

Insensvel a

Bacharel em

Junto a, com, de

Benfico a, para

Liberal com

Capacidade de, para

Longe de

Capaz de, para

Medo de

Certeza de, em

Natural de

Compatvel com

Necessrio a, para

Contemporneo a, de

Nocivo a

Constitudo de, por

Obedincia a

Contguo a

Ojeriza a, por

Contrrio a

Oportunidade de, para

Curioso de, para

Paralelo a

Descontente com

Parco em, de

Desejoso de

Passvel de

Devoo a, para com, por

Perto de

Devoto a, de

Preferncia por

Domiciliado em

Prefervel a

Dvida em, sobre

Prejudicial a

Empecilho a, para

Prestes a

Entendido em

Proeminncia sobre

Equivalente a

Propenso a

7.3.2 Regncia e pronome relativo

O assunto provoca receio mesmo naqueles que dominam bem a gramtica. Vamos explicar com muito calma, ento. Observe as oraes abaixo.

O livro sumiu = primeira orao.

Comprei o livro = segunda orao.

Se desejarmos unir as duas oraes e formar apenas uma construo em perodo nico, seria necessrio fazer uso de pronome relativo.

O pronome relativo o termo que possibilita que um termo no seja repetido desnecessariamente na frase. No exemplo acima, unindo as oraes com pronome relativo temos a seguinte estrutura.

O livro que comprei sumiu.

Como o verbo comprar no pede preposio, no houve necessidade de qualquer preposio antes do pronome relativo. Nem sempre assim. Observe o segundo exemplo.

O livro sumiu = primeira orao.

Refiro-me ao livro = segunda orao.

Para que a frase fique correta, a preposio a pedida pelo verbo referir-se deve estar antes do pronome relativo ao se unir as oraes. Veja.

O livro a que me refiro sumiu.

Observe outros exemplos:

O livro de que preciso sumiu.

O livro a que aludi sumiu.

O livro com que simpatizo sumiu.

O livro que escrevi sumiu.

O livro em que deixei o bilhete sumiu.

Vrios so os pronome relativos. Os principais so: que, o qual, a qual, cujo, cuja, onde, quanto etc.

Uso do cujo, cuja

Os pronomes cujo e suas variaes so empregados para dar ideia de posse ou complemento do substantivo. Observe as oraes.

O livro sumiu = primeira orao.

O autor do livro chegou = segunda orao.

Ao unir as oraes em perodo nico, temos:

O livro cujo autor chegou sumiu.

Se for empregado algum termo que exija preposio, seremos obrigados a construir o perodo com ela. Observe.

O livro sumiu = primeira orao.

Gosto do autor do livro = segunda orao.

Ao unir as oraes em perodo nico, temos:

O livro de cujo autor gosto sumiu.

Observao: no existe cujo o, cuja a, o cujo. No possvel artigo ao lado do pronome cujo.

Observe vrios exemplos com pronome relativo e regncia.

O livro que li sumiu.

O livro de que preciso sumiu.

O livro a que fiz referncia sumiu.

O livro por que tenho simpatia sumiu.

O livro cujo autor chegou bom.

O livro de cujo autor preciso bom.

O livro a cujo autor fiz referncia bom.

O livro por cujo autor tenho simpatia bom.

A cidade onde estou linda.

A cidade aonde vou linda.

A cidade de onde vim linda.

A deciso a qual recebi est correta.

A deciso da qual preciso est correta.

A deciso qual fiz referncia est correta.

A deciso pela qual tenho simpatia est correta.

7.3.3 Preposio

O uso da preposio adequada fundamental para o bom uso de regncia. Assim, enumero cuidados a serem observados:

a) no se repete a preposio quando rege palavras que constituem um s conjunto, ou seja, palavras que indicam simultaneidade ou tm a mesma natureza: filhos de Alexandre e Adriana.

b) quando a preposio rege termos coordenados de natureza diferente ou entre eles no h relao exata, deve-se repetir a preposio: homenagem aos magistrados e aos escritores (sem a preposio, pode-se entender que os magistrados so tambm escritores).

c) repete-se a preposio quando se repete o possessivo: falamos de nossos sonhos e de nossos pesadelos.

d) repete-se a preposio a e por se ocorrer repetio do artigo: o combate fome e ao terror. Se no houver repetio do artigo, a preposio fica embutida: o combate fome e terror.

e) no se repete a preposio no aposto: Morou na melhor cidade do Brasil, Braslia.

f) repete-se a preposio nas expresses explicativas ou retificadoras: gostaria de dois relatros, ou melhor, de trs relatrios.

7.4 Concordncia

Regra geral: o verbo concorda com o sujeito em relao a nmero e pessoa.

O processo chegou.

Os processos chegaram.

O Ministro e o Presidente decidiram o assunto.

7.4.1 Casos que merecem ateno na concordncia verbal

1. Sujeito composto posposto ao verbo aceita a concordncia com o ncleo mais prximo ou com o conjunto.

Chegou o relatrio e o processo.

Chegaram o relatrio e o processo

Decidiu o assunto o Ministro e o Presidente.

Decidiram o assunto o Ministro e o Presidente..

2. Sujeito composto formado por pessoas gramaticais diferentes concorda o verbo com o conjunto se possuir primeira pessoa.

Paula, Pedro, tu e eu samos.

3. Sujeito composto formado por pessoas gramaticais diferentes sem a primeira pessoa concorda o verbo com o conjunto ou com a terceira pessoa do plural.

Paula e tu andais (ou andam).

4. Sujeito composto formado por verbos no infinitivo mantm o verbo da orao principal no singular.

Andar e sorrir faz bem sade

Ler e escrever bom..

5. Sujeito composto formado por verbos no infinitivo com ideias contrrias leva o verbo da orao principal para o plural.

Rir e chorar fazem bem vida.

Entrar e sair provocam irritao.

6. Sujeito composto formado por verbos substantivos entra na regra geral.

O andar e o sorrir fazem bem sade.

7. Verbo impessoal aquele que no possui sujeito e so empregados, geralmente, na terceira pessoa do singular.

So verbos impessoais:

a) fenmenos da natureza:

Ventou muito ontem.

Choveu noite.

b) o verbo haver no sentido de ocorrer, existir, acontecer ou tempo decorrido:

Houve muitos acidentes na estrada.

H processos sobre a mesa.

Haver espetculos interessantes em Santos.

H dias no chove.

c) o verbo fazer no sentido de tempo decorrido ou clima:

Faz dez dias que no vejo voc.

Faz invernos rigorosos na Argentina.

d) O verbo ser e o verbo estar no sentido de tempo, clima, estao do ano e distncia. Neste caso, o verbo concorda com o termo presente na orao.

So dez horas.

primavera.

Est calor.

So trezentos quilmetros de Braslia a Goinia.

e) as expresses trata-se de, cuida-se de, j passa de, basta de, chega de:

Trata-se de aes.

Cuida-se de processos.

J passa das dez.

Basta de bobagens.

Chega de tarefas.

8. Verbo acompanhado de ndice de indeterminao do sujeito permanece no singular sempre. Caso voc tenha dificuldade em identificar o ndice de indeterminao, haver uma aula adiante em que abordaremos o assunto.

Precisa-se de novos projetos.

Gosta-se de livros.

9. Coletivos partitivos (a maioria, a minoria, grande parte, metade de), seguidos de adjuntos adnominais no plural, concordam o verbo com o ncleo ou com o adjunto.

A maioria dos alunos est (ou esto) interessada(os).

Grande parte dos relatrios apresenta (ou apresentam) erros.

10. O pronome que no interfere na concordncia.

O rapaz que saiu inteligente.

O juiz que determinou a sentena est correto.

11. O pronome quem faz com que o verbo concorde com o pronome ou com o substantivo que o antecede.

Fui eu quem fez (ou fiz) o trabalho ontem

12. A unio de dois pronomes com sentido partitivo mantm o verbo no singular, quando o ncleo da expresso est no singular.

Qual de ns entregou o trabalho.

Algum deles saiu.

Observao: o verbo aceita a concordncia com o ncleo ou com o adjunto, quando possui o ncleo no plural.

Quais de ns entregaram (ou entregamos) o trabalho.

13. Pronome de tratamento concorda o verbo na terceira pessoa do singular.

Vossa Excelncia entregou o trabalho ontem.

14. A expresso um dos que aceita o verbo no singular ou no plural.

Um dos que saiu (ou saram).

Um dos rapazes que voltou (ou voltaram).

15. A expresso mais de um mantm o verbo no singular. O plural s ocorre se houver sujeito composto com a expresso ou se houver reciprocidade.

Mais de um processo j foi liberado.

Mais de um processo, mais de um relatrio chegaram cedo.

Mais de um advogado encontraram-se no corredor.

16. A expresso um e outro e suas variaes (uma e outra, nem um nem outro, nem uma nem outra) aceita o verbo no singular ou no plural. Se houver reciprocidade, o plural se torna obrigatrio.

Um e outro delegado chegou (ou chegaram).

Uma e outra menina se abraaram na festa.

17. A expresso um ou outro e suas representaes com substantivos mantm o verbo no singular com ideia de excluso. O verbo vai para o plural com ideia de adio.

So Paulo ou Santos ser campeo do Brasil em 2008.

Uva ou manga me agradam sempre.

18. Concordncia com infinitivo.

I Na orao infinitivo-latina (verbos mandar, fazer, deixar, ver, ouvir, sentir + pronome tono + verbo no infinitivo), o verbo preferencialmente fica no singular.

Mandei-os entrar.

O Ministro deixou-os decidir.

II No caso de voz passiva formada com infinitivo regido de preposio de, o verbo fica no singular.

Coisas difceis de dizer (= serem ditas).

Livros fceis de ler (= serem lidos).

Observao: o pronome se fica elptico na expresso.

III No infinitivo regido de preposio equivalendo a gerndio, o verbo fica no singular.

O Ministro estava a falar.

Os Ministros estavam a falar.

IV Quando o infinitivo regido de preposio vier antes do verbo principal com sujeito prprio ou no, prefervel concordar com o sujeito.

Para julgarem melhor, estudaram horas.

Na certeza de estarmos com direito, fazemos o pedido.

Observao: se o verbo principal vier em primeiro lugar, no h obrigatoriedade de emprego pessoal.

Estudaram horas para julgar melhor.

Fazemos o pedido na certeza de estar com o direito.

V Quando o infinitivo vier com o verbo parecer ao lado de outro verbo, pode flexionar o primeiro ou o segundo. Prefira o primeiro caso.

As causas parecem justificar os meios.

As causas parece justificarem os meios.

VI Quando entre o verbo principal e o infinitivo vier o sujeito representado por substantivo no plural, usa-se o infinitivo pessoal.

Os astrnomos viram as estrelas caminharem no cu.

Observao: Se o infinitivo vier junto do verbo principal, a variao no obrigatria.

Os astrnomos viram caminhar as estrelas no cu.

Os astrnomos viram caminharem as estrelas no cu.

VII Muitas vezes, o infinitivo vem distanciado do verbo principal. Nesse caso, para determinar a pessoa, usamos o pessoal.

Receberam os Desembargadores, h dias, os autos a que me referi no memorial, fls. 15, para julgarem o caso.

7.4.2 Concordncia nominal

O nome concorda com seu referente em gnero e nmero.

Processo longo.

Processos longos.

Deciso extraordinria.

Decises extraordinrias.

7.4.3 Casos que merecem ateno na concordncia nominal

1. Adjetivo posposto a substantivos concorda com o ncleo mais prximo ou com o conjunto. Se os substantivos forem antnimos, o adjetivo concorda com o conjunto.

Comprei livro e revista nova (ou novos).

Ofcio e parecer longo (ou longos).

Sinto por ele amor e dio eternos.

2. Adjetivo anteposto a substantivos concorda apenas com o ncleo mais prximo.

Comprei novo livro e revista.

Longo processo e parecer.

3. Em alguns casos, o adjetivo posposto a substantivos concorda obrigatoriamente com o mais prximo por questes semnticas.

gua e jardim florido.

4. Em alguns casos, o adjetivo posposto a substantivos concorda obrigatoriamente com o conjunto por questes semnticas.

Considero o rapaz e a menina responsveis.

Acho o rapaz e a menina inteligentes.

5. Quando o adjetivo anteposto a substantivos se refere obrigatoriamente ao conjunto pode concordar com o ncleo mais prximo (regra geral) ou com o conjunto.

Considero responsvel (ou responsveis) o rapaz e a menina.

O juiz julgou encerrada (ou encerradas) a defesa e a acusao.

6. O termo quite concorda com o referente.

Estou quite.

Estamos quites.

7. O termo leso concorda com o referente.

Crime de lesa-ptria.

Crime de leso-patriotismo.

8. A expresso um e outro seguida de substantivo e adjetivo mantm o substantivo no singular e o leva o adjetivo para o plural.

Um e outro deputado federais saram.

Nem um nem outro processo trabalhistas prosperaram.

9. Obrigado concorda com o referente.

Homem diz obrigado.

Mulher diz obrigada.

10. Os termos mesmo, prprio, s, junto, anexo, incluso, bastante e meio, quando adjetivos, concordam com o referente.

Eles mesmos saram.

Elas mesmas saram.

Ns prprios chegamos.

Estou s.

Estamos ss.

A carta seguiu anexa.

O livro seguiu anexo.

Comprei bastantes livros.

Bebi uma garrafa e meia.

Observao: as expresses mesmo, s, anexo, bastante e meio so invariveis quando advrbios.

O juiz determinou mesmo a sentena.

Eles s fizeram o trabalho hoje.

A prova seguiu em anexo.

Os livros seguiram em anexo.

Elas esto bastante tristes com o problema.

Os funcionrios ficaram meio chateados com a demora do pagamento.

11. O predicativo do sujeito fica invarivel quando o sujeito no est determinado. Se o sujeito estiver determinado, concordam com ele.

gua bom.

A gua boa.

proibido entrada.

proibida a entrada.

necessrio reunio.

necessria a reunio.

12. O termo possvel fica invarivel se fizer parte de uma expresso superlativa no singular (o mais, o menos, o pior, o melhor, etc) ou se estiver ao lado de quanto.

Encontrei processos o mais intrigantes possvel.

Encontrem-me to rpido quanto possvel.

13. Dois ou mais adjetivos podem concordar com um mesmo substantivo.

As polcias civil e militar.

As bandeiras brasileira e inglesa

O primeiro e o segundo grau.

O primeiro e segundo graus.

Se o artigo aparecer tambm antes do segundo adjetivo, a concordncia ser feita assim:

A polcia civil e a militar.

A bandeira brasileira e a grega.

7.6 Pontuao

A pontuao de fundamental importncia no estudo de nosso idioma e em sua expresso adequada. Ela constitui um conjunto de sinais grficos para facilitar a leitura e a compreenso do texto.

7.6.1 Vrgula

1. Separar termos coordenados de uma construo.

O relatrio apresentou informao inadequada, pouca novidade, nomes incompletos.

Joo, Maria, Pedro saram.

A Unio, os Estados, o Distrito Federal e os Municpios instituiro regime jurdico nico para seus servidores.

Discursos, pedidos, recomendaes, no o demoviam do propsito de ver seu

projeto convertido em lei.

2. Separar o vocativo.

Senhor, gostaria de que me visitasse algumas vezes.

Senhor Presidente, solicito a palavra para declarao de voto.

3. Separar o aposto explicativo.

O Ministro Gilmar Mendes, Presidente do STF, estar no MPU amanh.

Lus Incio Lula da Silva, atual presidente do Brasil, estar em Belo Horizonte amanh.

4. Separar palavras ou expresses interpositivas: por exemplo, ou melhor, isto , por assim dizer, etc.

Ela precisava de duas cartas, ou melhor, trs.

Ela no falou, isto , falou pouco.

5. Indicar elipse do verbo.

Joo tem 30 anos; Maria, 26.

Cmara compete autorizar a instaurao de processo contra o Presidente da Repblica; ao Senado, julgar.

6. A localidade da data.

Braslia, 16 de julho de 2008.

7. Separar a orao adjetiva explicativa.

O Supremo, que a maior Corte, decidiu assim.

8. Pode ocorrer vrgula antes da conjuno e em alguns casos:

a) oraes com sujeitos diferentes (facultativo).

Josebaldo saiu, e Josebalda leu o livro.

b) ideia adversativa ou conclusiva (indicada).

Ela saiu, e j voltou.

Ela estudou muito o ano inteiro, e passou em primeiro lugar.

c) polissndeto (facultativa).

E cantava, e pulava, e corria.

d) para enfatizar o ltimo elemento de uma coordenao.

Comprei um livro, uma revista, e um carro.

e) antes de vice-versa.

Ele nunca presenteou a esposa, e vice-versa.

f) antes das expresses e nem, e nem ao menos, e nem sequer.

Ela no sabe falar ingls, e nem sequer bem o portugus.

9. Ideia adversativa, conclusiva ou explicativa.

Ela estudou muito, porm no passou.

Ela estudou muito, portanto passou.

Ela passou no concurso, pois j est trabalhando no rgo pblico.

10. Na ordem indireta, temos as seguintes situaes:

a) sujeito ou objeto deslocado no pedem vrgula.

Chegou o relatrio ontem.

importante que ela volte.

Foi publicada a deciso hoje.

b) se houver pleonasmo representado por nome e pronome, haver vrgula.

O livro, o deputado comprou-o.

Aquela lei, no a entendem seno os juristas mais argutos.

c) pode-se colocar uma vrgula com o objeto anteposto.

O livro, o deputado comprou.

d) predicativo do sujeito deslocado pede vrgula.

Inconformado, solicitou nova audincia.

e) Adjunto adverbial descolado pede vrgula quando se deseja enfatiz-lo. Oraes adverbiais deslocadas sempre tero vrgula.

Ontem, ela me trouxe o livro (vrgula facultativa).

Quando ela chegou ontem, fiquei feliz (vrgula obrigatria).

Desde a expedio do diploma, os membros do Congresso Nacional no podero ser presos.

11. Separar os elementos de uma obra.

Portugus Jurdico, 7 edio, p. 184.

12. Separar o autor da obra.

Machado de Assis, Dom Casmurro.

13. Destacar palavras ou expresses isoladas.

Atitude, no apenas palavras, o que quero.

14. Separar palavras repetidas.

O requerente declarou tudo, tudo.

Nada, nada me far mudar o voto.

15. Separar elementos de um provrbio.

Tal pai, tal filho.

Mocidade ociosa, velhice vergonhosa.

16. Aps sim ou no em respostas.

Sim, o Tribunal j tomou uma deciso.

7.6.2 Vrgula em textos jurdicos

1. Entre os elementos que compem as referncias a dispositivos legais sem a preposio de ou fora da ordem crescente: art. 265, IV, a, do CPC; Cdigo Eleitoral, art. 128, I, II e III. Lei no 9.100/95, art. 23, caput.

2. Caso a ordem dos elementos seja do particular para o geral, estes vm ligados pela preposio de, sem o emprego de vrgulas: Incisos III e IV do 11 do art. 121 da Constituio Federal.

3. Entre o nmero de leis, resolues, portarias, etc. e a data de sua publicao: Lei Complementar n 64, de 18 de maio de 1990; Resoluo-TSE n 19.406, de 5 de dezembro de 1995.

7.6.3 Ponto-e-vrgula

1. Quando h omisso da conjuno na ideia adversativa, conclusiva ou explicativa.

O MPU apresentou provas concretas;o Tribunal no a aceitou.

2. Quando ocorre descolamento da conjuno na orao coordenada.

O MPU apresentou provas concretas; o Tribunal, porm, no as aceitou.

Pode-se escrever tambm usando vrgula entre as oraes.

O MPU apresentou provas concretas, o Tribunal, porm, no as aceitou.

3. Entre oraes coordenadas que j possuem vrgula em seu interior.

Minha casa no grande; porm a sua casa, imensa.

Pode-se escrever tambm usando vrgula entre as oraes.

Minha casa no grande, porm a sua casa, imensa.

4. Separar termos coordenados em coluna.

A ONU determinou as seguintes aes:

a) campanha mundial para arrecadar alimentos;

b) participao de todas as naes para arrecadar recursos financeiros;

c) envio de mdicos voluntrios ao local da tragdia.

5. Separar oraes coordenadas longas ou curtas em trecho longo.

Ser tico ser ntegro em seus princpios; ser intolerante com corrupo; ser exemplo por meio de sua atitude; ser sbio em suas decises.

7.6.4 Ponto-e-vrgula em textos jurdicos

Para separar os diversos itens de enunciados enumerativos (em leis, decretos, portarias, regulamentos): Art. 1 A educao nacional, inspirada nos princpios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por fim:

I) a compreenso dos direitos e deveres da pessoa humana, do cidado, do Estado, da famlia e dos demais grupos que compem a comunidade;

II) o respeito dignidade e s liberdades fundamentais do homem;

III) o fortalecimento da unidade nacional e da solidariedade internacional;

(...).

Ao separar termos de uma enumerao em textos legais, o ponto e vrgula pode, s vezes, permitir leituras ou interpretaes divergentes: assegurada a aposentadoria no regime geral da previdncia social, nos termos da lei, obedecidas as seguintes condies:

I trinta e cinco anos de contribuio, se homem, e trinta anos de contribuio, se mulher;

II sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher.

Nesse exemplo, alguns entendem que o ponto e vrgula substitui o e. O trabalhador, ento, s se aposenta se preencher as condies I e II. Outros tm leitura diferente: o ponto e vrgula estaria no lugar do ou.

V-se, assim, que o texto permite duas leituras e deve, portanto, ser modificado para eliminar a ambiguidade. Outro exemplo:

So formas de provimento de cargo pblico:

a) nomeao;

b) promoo;

c) readaptao;

d) reverso;

e) aproveitamento;

f) reintegrao;

g) reconduo.

No caso, basta preencher uma das condies para ocupar cargo pblico. Logo, o ponto e vrgula est no lugar do ou. Mais um exemplo:

So funes do Banco Central:

a) Emitir moeda;

b) Fiscalizar o Sistema Financeiro Nacional;

c) Controlar o crdito e o capital estrangeiros;

d) Representar o governo brasileiro perante governos estrangeiros.

Nesse caso, um item no exclui outro. Todos os itens constituem obrigaes do Banco Central. O ponto e vrgula indica soma, incluso. Entre as letras c e d, poder-se-ia usar a conjuno e para dizer que so s essas as atribuies do Banco Central. A ausncia do e funciona como um etc. Significa que h outras atribuies.

Em muitos casos, o uso do ponto e vrgula torna o texto mais leve, facilitando a vida do leitor. Examine-se esta frase: Joo trabalha no Senado, Pedro trabalha na Assembleia, Carlos trabalha no banco, Beatriz trabalha na universidade, Alberto trabalha no shopping. A frase est correta e clara. As vrgulas separam as oraes coordenadas. Mas a repetio do verbo torna-a cansativa. Recorre-se, ento, ao ponto e vrgula para separar as oraes coordenadas: Joo trabalha no Senado; Pedro, na Assembleia; Carlos, no banco; Beatriz, na universidade; Alberto, no shopping. Outros exemplos: Eu estudo na USP; Maria, na UFMG. Alencar escreveu romances; Drummond, poesias.

Observao: Nesse exemplo, para no repetir trabalha em todas as oraes, mantm-se o verbo apenas na primeira; nas demais, pe-se a vrgula no lugar do verbo.

7.6.5 Pontuao no fim de frase, aps abreviatura:

Se a ltima palavra da frase for uma abreviatura, que, por natureza, tem ponto, no se usa outro ponto para indicar o fim do perodo. Vale o ponto da abreviatura: Vi os mveis nas Lojas Carmel Ltda. Na feira, comprei laranjas, bananas, peras, abacaxis etc.

7.6.6 Dois-pontos

1. Antes de uma citao direta.

O Ministro declarou: A deciso ocorrer hoje..

2. Antes ou depois de enumerao.

Comprei trs coisas: livros, revistas, jornais.

Livros, revistas, jornais: tudo o que quero.

3. Antes de ideia explicativa ou conclusiva.

Ela estudou, estudou, estudou: passou em primeiro lugar.

Ela j saiu: no est aqui.

Sei apenas isto: nada sei.

7.6.7 Aspas

1. No incio e no fim de transcrio direta.

Machado de Assis afirmou: Tudo acaba.

O Ministro declarou: As reformas s traro benefcios.

O Deputado indagou: Quais sero os benefcios?

Observao: Orienta o Vocabulrio Ortogrfico da Lngua Portuguesa que a pontuao em relao a aspas deve seguir a seguinte regra:

a) perodo iniciado e terminado por aspas mantm o ponto antes das ltimas aspas.

O Brasil maior do que todos os problemas.

b) perodo iniciado sem aspas mantm o ponto aps as aspas.

Jos de Alencar destacou que O Brasil maior do que todos os problemas.

Observao: comum o uso de dois-pontos aps o verbo que apresenta a citao. No caso, comum o ponto-final aparecer antes das aspas finais ou depois.

Jos de Alencar destacou: O Brasil maior do que todos os problemas.

Jos de Alencar destacou: O Brasil maior do que todos os problemas.

c) se a citao termina com ponto-final, ponto-de-interrogao ou ponto-de-exclamao e coincide com o trmino de todo o perodo, as aspas aparecem aps esses pontos e no se usa mais nenhum sinal de pontuao.

O Presidente anunciou: Est encerrada a sesso.

O Deputado perguntou: Haver sesso extraordinria amanh?

O Ministro declarou, indignado: Isto no pode acontecer!

Os presentes se perguntaram, incrdulos: possvel uma coisa dessas?!

Observao: Quando no fizerem parte da citao, o ponto-de-interrogao e o ponto-de-exclamao devero vir depois das aspas.

De quem a famosa frase Conhece-te a ti mesmo?

2. Indicar estrangeirismo, arcasmo, neologismo ou nfase. Pode-se tambm usar outro destaque para tais casos (sublinhar, negrito, itlico).

Estamos no hall no hotel.

Ele disse nonada para tudo.

Ela muito bonita.

3. Indicar ironia.

A sabedoria do rapaz era impressionante.

4. Indicar citao de obras.

Memrias Pstumas de Brs Cubas foi escrito por Machado de Assis.

Observaes na pontuao de textos jurdicos

1. Para separar citao dentro de outra citao, usam-se aspas simples: O recorrido argumentou que converteu em Ufir tudo o que recebeu por contribuies, doaes e receitas, conforme o 12 do art. 28 da Lei n 9.504, de 30 de setembro de 1997.

2. Quando as aspas abrangem todo o perodo, coloca-se o sinal de pontuao

antes delas: Expea-se o mandado de priso. Essa a determinao do juiz. Quando as aspas abrangem apenas parte do perodo, coloca-se o sinal de pontuao depois delas:

O ministro asseverou, verbis:

O acusado, embora alegue nas razes finais, no aponta onde ou sob que aspectos a pretendida nulidade tenha prejudicado a defesa.

3. Em citaes indiretas, no h necessidade de aspas, mas podem ser usadas quando se quiser dar destaque a todo o texto, ou a algum termo em particular:

O Ministro declarou que as reformas s traro benefcios.

(sem nenhuma nfase ou destaque)

O ministro declarou que as reformas s traro benefcio.

(nfase nas palavras usadas pelo Ministro)

4. Para destacar ttulos, termos tcnicos, expresses fixas, definies, exemplificaes e assemelhados:

Foi discutida a privatizao das universidades federais no encontro de reitores.

O maior inteiro que divide simultaneamente cada membro de um conjunto o mximo divisor comum.

No confundir o prefixo ante, que significa anterior, com anti, contra.

Para efeitos deste estudo, entenda-se por pessoa superdotada aquela que...

5. Quando alguma expresso que deva vir com aspas se encontra dentro de uma frase aspeada, essa expresso vir entre aspas simples:

Disse o Ministro: Estou repetindo agora tudo o que escrevi no artigo Os problemas da Previdncia, publicado em vrios jornais, recentemente.

Observao: deve-se evitar o encontro de aspas simples e duplas.

7.6.8 Travesso

1. Introduzir oraes de elocuo.

Vamos! gritou o general.

2. Destacar uma palavra ou expresso.

Eu s penso em uma pessoa voc.

A violncia agravada pelo que se denominou crime organizado tema dirio dos telejornais.

3. Substituir as vrgulas em explicao.

Braslia a capital do Brasil linda.

A justia virtude suprema um valor universal da alma humana e do Estado.

4. Incio de dilogo.

- Por que voc voltou? perguntou o amigo.

- No sei ainda respondeu o inseguro rapaz.

5. Indicar os extremos de um percurso.

A viagem So Paulo-Porto Alegre foi rpida.

6. Introduzir siglas (travesso simples com espao antes e depois dele).

O Supremo Tribunal Federal STF decidiu assim.

7.6.9 Parnteses

Os parnteses so empregados para intercalar, num texto, uma expresso ou

orao acessria, como:

1. uma explicao, indicao de fontes, comentrios acessrios ou circunstncias de forma incidente: Isso comprova a malsinada ao poltica (ou da m poltica, em termos mais precisos). O primeiro recurso (fls. 950-960) foi tempestivo. Eles trabalham muito (e o trabalho enobrece), mas ganham mal;

2. elementos de referncia bibliogrfica: Os deputados e senadores so

inviolveis por suas opinies, palavras e votos (CF, art. 53, caput).

Observao: se a pausa coincidir com o incio de expresso ou orao entre parnteses, o sinal de pontuao ficar depois deles: Como se observa (nem precisa ser bom observador), o mundo caminha para uma rpida globalizao. Se a expresso, desde que autnoma, ou a orao vierem encerradas por parnteses, o sinal de pontuao vir dentro deles: (O Poder Executivo exercido pelo presidente da Repblica, auxiliado pelos ministros de Estado.)

3. introduzir siglas que se seguem aos nomes de rgos e instituies: O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu assim.

Observaes:

a) o contedo inserido no interior dos parnteses deve iniciar com minscula e terminar sem pontuao se for trecho explicativo: Braslia (a capital do Brasil) possui diversas representaes internacionais.

b) se o uso de parnteses ocorrer entre perodos, o contedo comea com maiscula e termina com pontuao no interior dos parnteses: Braslia continua a crescer. (Isso provoca diversos transtornos populao.) Os nmeros indicam crescimento de 10% em 2011.

c) contedo inseridos entre parnteses aps o trmino do perodo tambm devem ser pontuados: O que constitui a diferena entre o signo interior e o signo exterior, entre o psquico e o ideolgico? (Mikhail Bakhtin. Marxismo e filosofia da linguagem. So Paulo: Hucitec, 1992.)

d) o Manual do STJ faz a seguinte orientao para uso em processos: quando se faz transcrio de texto seguida da indicao da folha de origem, fecham-se as aspas, se houver, sem a pontuao no fim do perodo, abre-se o parntese e, com inicial minscula e sem pontuao final, indica-se a folha. Fecha-se o parntese e, depois dele, usa-se ponto final ou outro sinal, dependendo do caso: Alega o impetrante que o paciente ru primrio e tem residncia fixa e bons antecedentes (fl. 2). A medida liminar possui CARTER IRREVERSVEL, visto que, caso seja cumprida, haver desabastecimento de energia em vrias unidades consumidoras (fl.17).

7.6.10 Barra

A barra empregada, principalmente:

1. em composies com siglas: TRE/MG, SPTE/Cobli, Rio Branco/AC;

2. na indicao da forma abreviada do ano posposta ao nmero de leis, decretos, portarias, etc.: Lei no 9.096/95;

3. na funo da conjuno alternativa ou: A coluna do quadro cargo/funo precisa ser ampliada;

Observao: a forma e/ou influncia do ingls and/or e emprega-se separada por barra para expressar simultaneamente a ideia de adio e de excluso: Os cheques sero assinados pelo presidente e/ou tesoureiro. (Por esse exemplo, os cheques podero ser assinados por ambos, ou somente pelo presidente, ou somente pelo tesoureiro.)

4. nas datas consecutivas usadas nas referncias de publicaes seriadas:

abr./jun. 1997; jul. 1997/ago. 1998.

7.6.11 Reticncias

Usam-se reticncias:

a) Para suprimir partes iniciais, intermedirias e finais de uma citao (entre colchetes): O Ministrio Pblico instituio permanente [...], incumbindo-lhe a defesa da ordem jurdica, do regime democrtico e dos interesses sociais e individuais indisponveis. (Constituio Federal, art. 127.).

7.6.12 Colchete

Variedade dos parnteses, os colchetes tm uso bastante limitado, servindo apenas para:

a) intercalar as observaes prprias do autor na transcrio de texto alheio.

Entenda-se, pois: Obrigado! obrigado [pelo teu canto em que] tu respondes [ minha pergunta sobre o porvir e me acenas para o futuro, embora o que eu percebo no horizonte me parea apenas uma nuvem].

b) isolar uma construo internamente j separada por parnteses.

O trabalho e a as atividades de profissionalizao no podem ser utilizados como castigo, mas como uma dimenso importante da vida humana, quer como fonte de sobrevivncia, quer como fonte de realizao profissional (se sobreviver j faanha para o brasileiro desempregado [e para o empregado, no?], o que dizer da realizao profissional?).

c) incluir, numa referncia bibliogrfica, indicao que no conste da obra citada Exemplo: ASSIS, Machado. Dom Casmurro. Rio de Janeiro : Livreiro Ed.

[1899].

7.7 Pronome

a classe de palavra que substitui ou acompanha um substantivo. Ao substituir o substantivo, recebe o nome de pronome substantivo. Ao substituir o adjetivo, recebe o nome de pronome adjetivo.

7.7.1 Pronome pessoal

Definio: como o prprio nome esclarece, este pronome est relacionado, geralmente, a pessoas. No entanto, designa tambm coisas. Observe o quadro abaixo:

Retos

Oblquos

tonos

Tnicos

eu

me

mim, comigo

tu

te

ti, contigo

ele, ela

o, a, lhe, se

si, consigo

ns

nos

ns, conosco

vs

vos

vs, convosco

eles, elas

os, as, lhes, se

si, consigo

Caractersticas:

1. Os pronomes pessoais do caso reto exercem a funo sinttica de sujeito.

Ele saiu. Ns voltamos. Elas chegaram.

2. Os pronomes pessoais do caso oblquo exercem a funo sinttica de complemento.

Maria encontrou-nos. O prefeito nos convidou.

3. A lngua culta prefere entre si a entre eles, sempre que for possvel a posposio do pronome mesmos. Caso o sujeito da construo no esteja na terceira pessoa do plural, usa-se entre eles.

Os amigos conversavam entre si. (entre si mesmos.)

Nada ocorreu entre eles.

4. O pronome oblquo o, a e suas variaes adquirem a forma lo, la e suas variaes, quando posposto a formas verbais terminadas em r, s e z.

Encontrar + o = encontr-lo.

Fizemos + o = fizemo-la.

Fez + as = f-las.

5. Se a forma verbal termina em som nasal, o pronome se transforma em no e suas variaes, sem omisso de letra.

Encontraram + o = encontraram-no.

6. Os pronomes tnicos com ns e com vs se usam apenas quando precedem palavra de nfase.

O prefeito deseja falar conosco.

O prefeito deseja falar com ns (inadequado).

O prefeito deseja falar com ns mesmos (adequado).

7. Em alguns casos, o pronome pessoal do caso ablquo tono exerce a funo sinttica de sujeito. Quando esto na seguinte construo:

mandar

fazer

deixar + pronome tono + verbo no infinitivo.

ver

ouvir

sentir

Mandei-o voltar. = Mandei que ele voltasse.

Fi-lo ficar. = Fiz que ele ficasse.

Deixe-nos explicar. = Deixe que ns expliquemos.

8. Embora o pronome pessoal de caso reto exera a funo de sujeito, pode aparecer na funo de complemento, quando ao lado do pronome todo em construo na ordem indireta.

Encontrei-os no quarto chorando.

Todos eles encontrei no quarto chorando.

9. Os verbos pronominais no devem ser empregados com o pronome se indicando sujeito indeterminado.

No se deve arrepender pelo que se fez (inadequado).

Ningum deve arrepender-se pelo que fez (adequado).

10. Quando um mesmo pronome oblquo est relacionado a dois ou mais verbos, deve-se usar o complemento apenas junto ao primeiro.

Ns o encontramos e o abraamos (inadequado).

Ns o encontramos e abraamos (adequado).

11. Quando o pronome tono est na funo de objeto direto e seguido por aposto, este deve ser preposicionado.

Encontrei-o, ao verdadeiro ladro, na casa da namorada.

12. O pronome ns assume o papel de singular em duas situaes: plural majesttico ou plural de modstia.

Ns seremos maiores do que tudo, disse o rei (plural majesttico).

Ns somos agradecidos a voc, disse o rapaz (plural de modstia).

13. A contrao de dois pronomes pessoais ablquos em funes sintticas diferentes pode ocorrer da seguinte maneira:

No enviaram a revista a ele. = No lha enviaram.

No enviaram o livro a ela. = No lho enviaram.

Algum disse os assuntos aos jornalistas. = Algum lhos disse os assuntos.

A mesma regra vale para os pronomes me, te, nos e vos.

7.7.2 Pronome possessivo

Definio: o pronome que apresenta ideia de posse: meu, teu, seu, nosso, vosso, seus e variaes.

Caractersticas:

1. os pronomes possessivos concordam em gnero e nmero com seus referentes.

2. os pronomes oblquos tonos me, te, nos, vos, lhe (e variaes) podem indicar posse, quando ligados a substantivo e podem ser substitudos por pronome possessivo.

Posso beijar-lhe o rosto. = Posso beijar o seu rosto.

Quebraram-me o estojo. = Quebraram o meu estojo.

3. Antes de nomes que indicam partes do corpo, peas de vesturio e estados da razo no h necessidade de possessivo quando se referem prpria pessoa a que se faz referncia.

Machuquei o dedo (adequado).

Machuquei o meu dedo (inadequado).

Ela perdeu o juzo (adequado).

Ela perdeu o seu juzo (inadequado).

4. facultativo o uso do artigo antes do pronome possessivo.

Encontrei a minha namorada ou Encontrei minha namorada.

5. O uso do artigo antes do possessivo pode alterar o sentido da construo.

Aquela casa minha (induz-se a pensar que tenho outras casas tambm).

Aquela casa a minha (induz-se a pensar que a minha nica casa)

7.7.3 Pronome demonstrativo

Definio: o pronome demonstrativo (este, esse, aquele e variaes) tem diversas funes dentro da construo: pode indicar a pessoa do discurso, a relao a tempo, o referente adequado, retomar ou antecipar ideia presente no texto, etc.

Caractersticas:

1. em relao pessoa do discurso, deve-se empregar o pronome demonstrativo da seguinte forma:

este, esta, isto: refere-se pessoa que fala ou escreve (apresenta a ideia do aqui).

esse, essa, isso: refere-se pessoa que ouve ou l (apresenta a ideia do a).

aquele, aquela, aquilo: refere-se pessoa que se encontra distante (apresenta a ideia do l).

Este relatrio que seguro.

Esse relatrio que voc segura.

Aquele relatrio que se encontra na outra sala.

2. em relao posio da ideia a que se refere, deve-se empregar da seguinte forma:

este, esta, isto: em relao a uma ideia que ainda aparecer no texto (termo catafrico).

Quero lhe contar isto: no volte mais aqui.

esse, essa, isso: em relao a uma ideia que j apareceu no texto (termo anafrico).

No volte mais aqui. Era isso que eu queria lhe contar.

3. em relao a tempo, deve-se empregar da seguinte forma:

a) em referncia a um momento atual, usa-se este, esta ou isto:

Este dia est maravilhoso (dia atual).

Esta semana est maravilhosa (semana atual).

Este ms est maravilhoso (ms atual)

Este ano est maravilhoso (ano atual).

Este assunto que conversamos (assunto atual).

b) em relao a momento futuro prximo,usa-se tambm este, esta ou isto:

Agora pela manh chove, mas esta noite promete ser bonita (prxima noite).

Esta reunio de hoje tarde ser interessante (a reunio est prxima de ocorrer).

Hoje quinta-feira e neste fim-de-semana viajarei. (prximo fim-de-semana).

c) em relao a momento futuro distante, usa-se esse, essa ou isso:

Um dia voc ser capaz de entender o que ocorreu. Nesse dia, voc me perdoar .

d) em relao a momento passado recente, usa-se esse, essa ou isso:

Nesse fim-de-semana, fui a So Paulo (ltimo fim-de-semana).

Nessa reunio, fiquei feliz (reunio que ocorreu recentemente).

e) em relao a tempo passado muito distante, usa-se aquele, aquela ou aquilo:

Aquele fim-de-semana foi maravilhoso (fim-de-semana distante).

Naquela reunio, fiquei feliz (reunio que ocorreu h muito tempo).

4. para diferenciar referentes citados anteriormente, usa-se este, esta ou isto para indicar o mais prximo ao pronome e usa-se aquele, aquela e aquilo para indicar o mais distante.

O processo e o parecer j chegaram. Este (o parecer) est timo, mas aquele (o processo) ainda est incompleto.

5. Outros usos estilsticos:

a) ao iniciar uma orao, desacompanhado de substantivo, que retoma ideia anterior e pode ser substitudo por isso, pode-se empregar este, esse ou aquele:

No estudei o necessrio. Este (ou esse) foi meu pecado.

b) podem-se colocar os pronomes este ou esse e suas variaes aps o substantivo para indicar nfase:

Encontrei uma linda e inteligente mulher h alguns anos em Braslia, mulher esta (ou essa) que se tornou minha esposa.

c) os pronomes este, esse ou aquele e variaes, quando contrados com a preposio de e pospostos a substantivos, devem ser empregados sempre no plural:

Ele resolveu problema daqueles.

d) as palavras o, prprio, semelhante e tal - e variaes podem assumir papel de pronome possessivo.

Comprei o que voc pediu.

Lcia mesma fez o trabalho.

7.7.4 Colocao pronominal

O pronome tono pode ficar antes do verbo (prclise), no meio do verbo (mesclise) ou aps o verbo (nclise). Embora a prclise seja muito comum na linguagem oral, o texto escrito d preferncia nclise: O Procurador recomendou-me o livro.

Lembre-se de que no se deve iniciar uma orao com pronome tono. A prclise predomina sobre a mesclise que predomina sobre a nclise.

Prclise

1. Interrogaes: Quem te contou o fato?

2. Exclamaes: Eu te amo!

3. Negaes: Ningum me ama mais.

4. Frases optativas: Deus te conduza!

5. Pronome relativo: O rapaz que te contou o caso.

6. Pronome indefinido: Tudo te fizeram de mal.

7. Pronome demonstrativo: Isso lhe revelaram.

8. Conjuno subordinativa: Quero que me contem tudo.

9. Gerndio antecedido da preposio em: Em se tratando disso.

10. Advrbio: Sempre te amei.

Mesclise

Com verbo no futuro do indicativo, desde que no ocorra atrao para prclise: Dar-te-ei meu livro. Contar-te-ia o segredo.

Observaes gerais

1. Sujeito expresso pode atrair prclise.

O Presidente pediu-me o material.

O Presidente me pediu o material.

2. Conjuno coordenativa pode atrair prclise.

Ela saiu tarde, mas te encontrou.

Ela saiu tarde, mas encontrou-te.

3. Verbo no infinitivo sempre aceita nclise.

Nunca te contar.

Nunca contar-te.

4. Expresso intercalada (mesmo que separada por vrgulas) no interrompe a atrao de prclise.

Quero que, ainda hoje, me leiam o livro.

5. Nas locues verbais e tempos compostos, pode-se colocar o pronome tono aps o primeiro ou o segundo verbo.

Quero-te contar tudo.

Quero contar-te tudo.

Aps particpio, no existe nclise.

Tinha contado-te (inadequado).

Havendo atrao de prclise, o pronome tono pode ficar antes ou aps a locuo verbal.

No te quero contar.

No quero contar-te.

6. Dois atrativos de prclise permitem a colocao do pronome tono aps o primeiro ou aps o segundo.

Quero que no te contem.

Quero que te no contem.

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