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Sade & Ambiente em Revista, Duque de Caxias, v.2, n.2, p.11-22, jul-dez 2007 DNA FORENSE ARTIGO DE REVISO Luciana Cresta Dolinsky', Lissiane Miranda Campelo Veras Pereira' 'Cincias BiologicasIBC, Universidade do Grande Rio-Unigranrio RESUMO Este trabalho tem a importncia de conceituar, por meio de diIerentes percepes, o DNA Iorense, bem como caracterizar seu uso e aplicaes. As tecnicas Iorenses permitem identiIicar pessoas pela analise de suas moleculas de DNA podendo, inclusive, auxiliar a justia na identiIicao de criminosos, utilizando analise de STRseVNTRs.EstasanalisessoIeitasemlaboratoriosdeanalisedeDNA,eutilizamqualquertipode tecidoouIluidobiologicosquepossamserutilizadoscomoIontedeDNA,umavezquesoIormadospor celulas. Palavras-chave: DNA Forense, identiIicao, material biologico. ABSTRACT The main importance oI this work is to characterize use and applications oI Iorensic DNA. The Iorensic techniquescanidentiIypeoplebyDNAmolecularanalysisincludingcriminalanalysis,usingSTR`sand VNTR`s,tohelpjustice.TheseanalysisaremadeinDNA`slaboratoriesandcanuseasDNAsourceany samples oI tissue or biological Iluids, composed by cells. Keywords: Forensic AND, identiIication, biological samples. Sade & Ambiente em Revista, Duque de Caxias, v.2, n.2, p.11-22, jul-dez 2007 INTRODUO OprimeirocasodeidentiIicaocriminal atravesdeexamesdeDNAocorreuem1985,na Inglaterra.Numpequenocondado,rodeadode montanhasecomumaunicaestradadeacesso, uma mulher Ioi estuprada e assassinada. "La havia umgeneticista,AlecJeIIreys,quecolheuo espermaencontradonavitimaeIezoexamede DNA.Maistardehouveoutrocrimesimilar. NovamenteJeIIreysanalisouosmenencontrado navitima.Eradomesmohomemquecometerao primeirocrime",contaJoseMariaMarlet, proIessordemedicinalegaldaUSP.As autoridadeslocaisIorjaramumacampanhade doao de sangue cuja Iinalidade era identiIicar o agressor.Todos os habitantes Ioram doar sangue, masnenhumdelespossuiaDNAigualaodo estuprador."Apoliciaprosseguiucomas investigaesedescobriuquehaviaumviajante nocondado.Quandoosujeitovoltou,Ioi convidado a doar sangue. Feito o teste de DNA no sanguecolhido,JeIIreysconcluiuqueocodigo genetico do viajante era o mesmo do estuprador", conta Marlet (AMABIS & MARTHO, 1995).AidentiIicaohumanaporDNAeuma Ierramentapoderosaparacasosdepaternidade, assim como investigao criminal pela tipagem de evidncias biologicas coletadas em cenas de crime comoestupro,homicidio,rapto,trocaou abandonodecrianasetambemnaidentiIicao derestosmortaisemdesastresoucamposde batalha.Contudo,devem-seutilizaros conhecimentoscientiIicos,tecnologicose metodos de analise, para que essa associao seja Ieita de maneira correta.Asevidenciasbiologicas(manchasde sangue,smen,cabelos,etc.)soencontradasem cenas de crimes e o DNA pode ser extraido dessas evidncias e estudado por tecnicas moleculares no laboratorio, permitindo a identiIicao do possivel suspeito.Assim,paraqueatecnicade identiIicaopeloDNAsejaplenamente realizada, a amostra biologica a ser analisada deve sercorretamenteescolhida,transportada,coletada e armazenada (SILVA & PASSOS, 2006). OusodoDNAForensenainvestigao criminal,nopodeporsisoprovara culpabilidade do criminoso, e tambem a inocncia domesmo,maspodeestabelecerumaligao entre esta pessoa e a cena do crime. Atualmente a identiIicaohumanaporDNAForense,jae aceitaemprocessosjudiciaisemtodoomundo, sendopossivelinclusiveaidentiIicaode pessoasmortas,adezenas,centenasdeanos, utilizando DNA obtido de ossos ou dentes. O perIil de DNA ou PerIil genetico tem sido consideradoummetodoimportantena identiIicaoindividual,poisainIormao contidanoDNAedeterminadapelaseqncia comoasletrasdoalIabetogeneticoesto dispostasnoscromossomos.Nocasodohomem, existemtrsbilhesdessasletrasescritasnos cromossomosdecadaceluladocorpohumano, semprenamesmaordememtodasascelulasdo individuo.Eaordemcomoessasletrasesto escritasnoscromossomosqueIazcomquecada individuosejadiIerentedosdemais.Quantomais diIerentessoosindividuos,maisdistintaea ordemdasletrasnogenoma.Individuos aparentados, irmos, pais e Iilhos, etc, apresentam proporcionalmentemaiorsimilaridadena seqncia gnica. Somente gmeosidnticos, que so clones humanos naturais, apresentam a mesma ordemouseqnciagnica(BOREMetal., 2001). No perIil de DNA, somente algumas regies do DNA so analisadas. As regies escolhidas so aquelas que apresentam maior variao individual eIacilidadedeestudo.Essasregiesso denominadasdemarcadoresgeneticosou moleculares.Osmarcadoresmolecularespodem serutilizadosparacaracterizaroDNAdeum individuoemumpadroouperIildeIragmentos quelheeparticular.Nestecasosoutilizados marcadorespolimorIicos,ouseja,regiesque apresentammaisdeumaleloporlocus;emloci Iorenses,oalelomaiscomumtemaIreqncia menor que 0,6 (DUARTE et al., 2001). O metodo de STR (Short Tanden Repeats) e maisusadohojeemdia,eestudaregies repetitivasdeDNAchamadasdeminissatelites (VNTRs)emicrossatelites(STRs).Na Sade & Ambiente em Revista, Duque de Caxias, v.2, n.2, p.11-22, jul-dez 2007 identiIicaohumanautiliza-sequaseque exclusivamentemarcadoresmicrossatelitesSTR. O estudo dos marcadores STR e Ieito utilizando a tecnicade reaoemcadeiadepolimerase(PCR, doinglsPolvmeraseChainReaction).Comessa tecnicaepossivelIazeratipagemdoDNA utilizandoquantidadesminimasdeamostras, como Iio de cabelo, celulas coletadas na borda de umcopousadopelosuspeitooumanchasde sangueemumaarma.EsseprocessoseIazin vitro(emvidro)paraIazermuitascopiasdeum Iragmento de DNA. AtipagemdoDNAForensesebaseianos mesmos principios Iundamentais e usa as mesmas tecnicasempregadasnasareasmedicaegenetica, taiscomoodiagnosticoemapeamentogenetico, que analisam o proprio DNA.OsucessodatipagemdeDNAdepende basicamentedaqualidadeequantidadedeDNA extraidodasdiversasIontes.Nosexamesde paternidade,oDNAegeralmenteextraidode amostrascolhidasemcondiesideais:sem contaminaoecommaterialgeneticointegro.Ja nadeterminaodeidentidade,omaterialobtido nemsempreestaemboascondies:asvezesha poucoDNA,ouesteestacontaminadoou degradado.Nessescasos,aextraodeDNA adequadoparaaanalisetalvezsejaaetapamais importante do processo.SotambemanalisadospolimorIismos presentes no DNA mitocondrial e no cromossomo Y,quesousadasemalgumasocasies.Mais recentemente,osabundantespolimorIismosde nucleotideounico(SNP,doinglssingle nucleotide polvmorphisms) e os polimorIismos de insero/deleo(indels)tmemergidocomo possiveis alternativas (LIMA, 2006). USO FORENSE DO DNA ODNAForenseeusadohojenaesIera criminal,paraainvestigaocriminalenaesIera civil, para investigao de paternidade.ODNAForenseeaplicadonaidentiIicao desuspeitoemcasosdecrimessexuais(estupro, atentado violento ao pudor, ato libidinoso diverso daconjugaocarnal);identiIicaodecadaveres carbonizados,emdecomposio,mutilados,etc.; relaoentreinstrumentolesivoevitima; identiIicaodecadaveresabandonados;aborto provocado;inIanticidio;Ialtadeassistncia duranteoestadopuerperal;investigaode paternidadeemcasodegravidezresultantede estupro;estudodevinculogenetico:raptos, seqestrosetraIicodemenores;eanulaode registro civil de nascimento (LEITE, et al., 2005). Alemdoscuidadosquedevemsertomados comtodasasevidnciascriminaisecivis,nos casos que envolvem a analise de DNA, deve-se ter ateno em relao a contaminao das evidncias criminaisquecontenhammaterialgenetico.Por issoeimportanteousodeluvasdescartaveis, mascarasegorroscirurgicosquandoIorIazera coleta, manuseio e processamento das evidncias. Amostras biolgicas de Interesse Forense QualquertipodetecidoouIluidobiologico podeserutilizadocomoIontedeDNA,umavez que so Iormados por celulas. Nas celulas, o DNA deinteresseIorenseencontra-setantononucleo comonasmitocndrias(BEZERRA,2004).Os tiposdeamostrasmaiscomunssosangue, smen,cabelo,saliva,urina,pele,unha,ossos, liquidosamnioticos,vilosidadecorinica,Iigado, musculo, suor, Iezes. Podemocorrerdegradaoecontaminao de DNA nos laboratorios e nos locais de crime. A degradao biologica do DNA e Ieita por enzimas produzidasporIungoebacterias,porcausada umidadeedocalor.ODNAresistebemaocalor (temperaturadeate100Cnoodestroi),mas existeoproblemadacontaminao,queea deposiodematerialbiologicodeoutrapessoa naamostra.Porexemplo,numcasodeestupro, quando o material coletado com swab pode conter smen(espermatozoide)doestupradoreIluido vaginalcomcelulasdavitima(SILVA& PASSOS, 2006). ParaumeIetivocontroledaintegridade Iisicadomaterialbiologicocoletado,Iaz-se necessarioadocumentaodesuacadeiade custodia, que dizrespeito a identiIicao de todas aspessoasqueIicaramresponsaveispelaguarda da amostra, e das condies em que as mesmas se encontravamacadanovatransmisso,desdea Sade & Ambiente em Revista, Duque de Caxias, v.2, n.2, p.11-22, jul-dez 2007 coleta ate sua analise em laboratorio. As amostras biologicas merecem especial ateno devido a sua susceptibilidadeadegradaoecontaminao. Este controle e obtido mediante recibos assinados acadatransmissodepossedaamostra(SILVA & PASSOS, 2006). INFORMAES SOBRE O DNA Localizao do DNA ODNAestanaIormadecromossomos microscopicos,localizadosnointeriordacelula, no nucleo (DUARTE, 2001). Foradonucleo,nocitoplasmadacelula tambemeencontradoDNAdeinteresseIorense. EsteDNAestalocalizadonasmitocndrias, organelasespecializadasnaproduodeenergia. NosestudosrotineirosdeidentiIicaohumana somente se estuda DNA nuclear.Noscasosemquenoepossivelatipagem utilizando-seDNAnuclear,podeserusadoDNA mitocondrial.Porexemplo,Iiosdecabelosque nopossuemmaisbulboseossosantigospodem ser utilizados para extrao de DNA mitocondrial. QualquertecidoouIluidobiologicopodeser utilizadocomoIontedeDNA,desdequepossua celulaspropriasoucelulasdeoutrostecidos.Por exemplo,naurinapodemosencontrarcelulas oriundasdabexiga,mucosadopnisecelulas brancasdosangue,quepodemserutilizadaem estudos de identiIicao. Da mesma Iorma podem ser encontradas celulas na saliva, lagrimas, suor, e emoutrassubstnciasorgnicas(SILVA& PASSOS, 2006). Nossereshumanos,oDNAquecarregao codigogeneticoocorreemtodasascelulasque possuem nucleo, inclusive os globulos brancos, os espermatozoides,ascelulasqueenvolvemas rai