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INTRODUO

A preocupao com a preservao do meio ambiente a partir da dcada de 70 criou uma srie de exigncias s atividades potencialmente poluidoras. As exigncias de controle ambiental atingem as indstrias em primeiro lugar, so elas o alvo principal das normas que vm sendo criadas. Impende salientar que a desobedincia dessas normas pode resultar no pagamento de pesadas multas, na interdio do estabelecimento e at mesmo envolver a empresa e os seus responsveis em processos de reparao de danos e aes criminais. A legislao que estabelece as penalidades para o descumprimento das normas ambientais evoluiu muito nos ltimos anos, assim, como h leis e normas de controle ambiental, alm de agentes para fiscalizar o seu cumprimento, operar uma indstria desconhecendo essas leis e normas significa um alto risco. Tendo em vista que essas leis e normas aplicam-se a quaisquer atividades potencialmente poluentes, independente do seu tamanho ou porte, de suma importncia que haja o conhecimento dessas pelos responsveis por

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empreendimentos e atividades sujeitos ao licenciamento ambiental, para que evitem um risco que pode ser maior que a prpria atividade. No Brasil, a introduo de uma Poltica Nacional do Meio Ambiente se deu com o advento da Lei n 6.938/81, buscando o equilbrio ecolgico e a manuteno da atividade econmica, afim de garantir uma sadia qualidade de vida atual e s geraes futuras, bem como a sobrevivncia do planeta. Tarefa difcil conciliar interesses to conflituosos. O licenciamento ambiental, trazido pela Poltica Nacional do Meio Ambiente, como um dos mais eficazes instrumentos de planejamento da poltica ambiental, objetivando controlar os impactos provocados por atividades e

empreendimentos que utilizam recursos naturais, ou que sejam considerados efetiva ou potencialmente poluidores, podendo causar degradao ambiental. Este procedimento administrativo denominado licenciamento

ambiental realizado pelo rgo ambiental competente, que pode ser federal, estadual ou municipal, avalia o estudo de impacto ambiental da atividade ou empreendimento, para licenciar a instalao, ampliao, modificao e operao, que utilizem recursos naturais ou que possam causar degradao ambiental. Em 1997, a Resoluo n 237/97 do Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA definiu as competncias da Unio, Estados e

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Municpios e determinou que o licenciamento dever ser sempre feito em um nico nvel de competncia. Assim, o licenciamento ambiental uma ferramenta de fundamental importncia, pois permite ao prprio empreendedor identificar os efeitos ambientais do seu negcio, e de que forma esses efeitos podem ser gerenciados. A Poltica Nacional do Meio Ambiente, por meio da Lei n 6.938/81, estabeleceu mecanismos de preservao, melhoria e recuperao da qualidade do meio ambiente visando assegurar em nosso pas o desenvolvimento scioeconmico e o respeito dignidade da pessoa humana, promovendo a interface entre o empreendedor e o Estado que garante a conformidade com os objetivos dispostos na poltica estabelecida. Dentre as atividades sujeitas ao licenciamento ambiental encontram-se as referentes s atividades relacionadas explorao e lavra de jazidas, perfurao, produo e distribuio do gs natural, motivo pelo qual se estabeleceram critrios especficos para o licenciamento destas atividades. Diante da ausncia de uma lei especfica do gs natural nos reportamos lei do Petrleo e das Concesses, bem como s normas e resolues editadas para servir de instrumentos com a finalidade de regulamentar e licenciar as atividades do setor de gs natural.

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H que se superar o processo de transformao com vistas a criar um ambiente de desenvolvimento da infra-estrutura com maior penetrao do gs, maior participao do setor privado e competio crescente. Assim, o gs requer j uma Lei Federal do Gs Natural, que fortalea as decises e aes do Ministrio de Minas e Energia e, sobretudo, robustea a combalida Agncia Nacional do Petrleo. Afinal, seria trgico e cmico o mercado do gs comear sua nova fase de desenvolvimento no pas sem legislao prpria para o Setor. O melhor evento em energia que ocorreu no Brasil desde 2002 foi o anncio da descoberta das enormes jazidas de gs natural na bacia de Santos, boa parte no litoral paulista e uma frao no fluminense. Esse fato requer agora o cultivo de seu desdobramento com impactos sobre toda a matriz energtica nacional; sobre o complexo setor eltrico, mas, sobretudo, envolve de modo hermenutico nossa economia-poltica, Governo e Sociedade.

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1. MEIO AMBIENTE

A Lei de Poltica Nacional do Meio Ambiente, em seu art. 3, I, tratou de definir o meio ambiente:

Art.3. Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por: I meio ambiente, o conjunto de condies, leis, influncias e interaes de ordem fsica, qumica e biolgica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas.

Como se verifica, o conceito de meio ambiente dado pela Lei 6938/81, foi recepcionado pela Constituio Federal de 1988. Impende trazer baila, comentrio feito por Jair Lima Gevaerd Filho: nesse conceito, nenhuma referncia feita varivel econmica e varivel social, presentes, de forma decisiva, nas interaes do meio ambiente. Isto nos coloca, diz ele, diante do seguinte problema:

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Se partimos do conceito imobilista, estreito e parcial, que elege como princpio fundamental a conservao em estado natural e intocado da fauna e da flora, podemos encontrar motivao para a interdio de toda e qualquer transformao antrpica da natureza. A prevalecer, s ltimas conseqncias, tal posio, imperativo que se destruam as cidades para que nelas a fauna e a flora voltem a existir em seu estado de natureza primitivo! Porm, se, ao contrrio, partirmos do conceito de meio ambiente como um conjunto de interaes fsicas, qumicas, biolgicas, sociais e econmicas, dentro de um determinado espao geogrfico, poderemos chegar aferio, em um caso concreto, da medida do razovel.1

E, ainda, Paulo Salvador Frontini, ensina:

analisando esse conceito legal, prefere sintetiz-lo na noo de que meio ambiente o cenrio natural em que, sob o imprio de leis fsicas, qumicas e biolgicas, o modo de ser dos trs reinos da natureza se manifesta.2

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Anotaes sobre os conceitos de meio ambiente e dano ambiental, Revista de Direito Agrrio e Meio Ambiental, Curitiba: Instituto de Terras, cartografia e Florestas, 2/16, 1987 2 Meio ambiente, sua natureza perante a lei e sua tutela, in: Edis Milar (coord.), Direito do Ambiente So Paulo: RT, 1995, p. 397.

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1.1 Relao Homem Natureza e os Problemas Ambientais

Durante milhares de anos, os homens conviveram de forma harmnica com o meio ambiente, integrando-se como elementos do ecossistema, como presa e predador. Gradativamente o homem foi aprendendo que o indivduo isolado no tinha maiores condies de sobrevivncia perante os grandes predadores. Passou ento a caar em grupos. Mesmo assim no se diferenciava de outros animais que tambm caavam em grupos. O que diferenciou a espcie que a ao a ser desenvolvida era previamente concebida no crebro, na forma de planejamento. Essa atividade transformando a natureza para satisfao das necessidades do homem o que ns chamamos de trabalho. O trabalho humano tem como objetivo a manuteno da espcie humana no ambiente natural, melhorando a sua qualidade de vida. Assim, o trabalho humano consciente e proposital, ao passo que o trabalho de outros animais instintivo.3

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Braverman, p. 50 apud Reinaldo Dias, Introduo Administrao, p. 76.

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E, atuando assim sobre a natureza externa e modificando-a, ao mesmo tempo modifica sua prpria natureza.4 Aps o surgimento do trabalho, surgiu a necessidade de organizao para que os objetivos comuns fossem alcanados, assim houve um desenvolvimento do processo de organizao do trabalho, provocando um aumento de rendimento. Desta maneira a capacidade do homem intervir na natureza foi ampliada, ocasionando um crescimento dos impactos no ambiente natural. No entanto, durante muito tempo essas modificaes causadas pelo homem na foram aparentemente significativas. H dez mil anos, os homens aprenderam a domesticar os animais e comearam a dominar as tcnicas de plantio, provocando assim, o surgimento das primeiras vilas e cidades. Esse perodo ficou conhecido como a Primeira Revoluo Cientfico-Tecnolgica, que provocou grandes impactos no meio ambiente natural. Esses impactos deram-se devido ao aumento populacional com a ocupao de espaos naturais, com os desvios de cursos d`gua, destruio de florestas, entre outras formas de degradao.

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Marx, p. 202 apud Reinaldo Dias, Introduo Administrao, p. 109.

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No sculo XVIII, aconteceu a Segunda Revoluo CientficoTecnolgica, tambm conhecida como Revoluo Industrial, que iniciou-se na Inglaterra, se espalhou e dominou o cenrio durante os sculos XIX e XX, provocando profundas alteraes no meio ambiente natural. A Revoluo Industrial promoveu o crescimento econmico abriu perspectiva de riqueza e melhor qualidade de vida. O problema que com o crescimento desordenado, utilizavam-se grandes quantidades de energia e recursos naturais, degradando o meio ambiente. A industrializao por sua vez, provocou uma alta concentrao populacional, um consumo excessivo de recursos naturais, inclusive os no renovveis (como o petrleo), provocou contaminao do ar, do solo, das guas, alm do desflorestamento, entre outros. Na segunda metade do sculo XX, com a intensificao do crescimento econmico mundial, os problemas ambientais se agravaram e comearam a aparecer.

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1.2 Alguns Encontros Fundamentais para o Enfrentamento dos Problemas Ambientais

No ano de 1968 houveram trs encontros fundamentais para delinearem estratgias para o enfrentamento dos problemas ambientais: Primeiramente, uma organizao informal, com a participao de dez pases, ocorrida na Itlia, denominada Clube de Roma, com