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i

Cayo Cezar de Farias Cruz

Bares, ruas e cadeias: uma etnografia da violncia em Caxias, Maranho

Dissertao de Mestrado

Belm, Par

2017

ii

Cayo Cezar de Farias Cruz

Bares, ruas e cadeias: uma etnografia da violncia em Caxias, Maranho

Dissertao de Mestrado

Dissertao apresentada ao Programa de Ps-

graduao em Antropologia da Universidade

Federal do Par como requisito parcial para

obteno do ttulo de Mestre em Antropologia.

Orientador: Prof. Dr. Fabiano de Souza

Gontijo.

Belm, Par

iii

2017

Cruz, Cayo Cezar de Farias

BARES, RUAS E CADEIAS: UMA ETNOGRAFIA DA VIOLNCIA

EM CAXIAS, MARANHO.82 f

Dissertao (mestrado) - Universidade Federal do Par.

Programa de Ps-Graduao em Antropologia. Belm, 2017.

rea de concentrao: Antropologia social

Orientador: Fabiano de Sousa Gontijo.

1. Trabalho 2. Crime 3. Gnero 4. Cadeia

iv

Cayo Cezar de Farias Cruz

Bares, ruas e cadeias: uma etnografia da violncia em Caxias, Maranho.

BANCA EXAMINADORA

___________________________________________________________________________

Prof. Dr. Laura Moutinho

Universidade de So Paulo USP

Examinador Externo

___________________________________________________________________________

Prof. Dr. rica Quinglia Silva

Universidade Federal do Par - UFPA

Examinador Interno

___________________________________________________________________________

Prof. Dr. Cristina Donza Cancela

Universidade Federal do Par- UFPA

Suplente

Prof. Dr. Fabiano de Souza Gontijo

Universidade Federal do Par UFPA

Orientador

Belm, 28 de maro

2017

v

AGRADECIMENTOS

De incio, agradeo aos meus pais (Maria Jos e Antnio Cruz) por toda fora, carinho,

pacincia e dedicao ao longo de todos esses anos; minha to amada irm Anna Morlia e

meu primo Raimundo Oliveira. Minha querida famlia que tanto amo e adoro, muito

obrigado! Agradeo tambm aos meus professores da alfabetizao ao ensino mdio, todos

eles, mas deixo um abrao muito especial ao professor Falco, por ter me apresentado de

forma to marcante s Cincias Humanas e pela f que to generosa durante todo processo de

vestibular!

Agradeo a todos os amigos que fiz enquanto estudante de Cincias Sociais da UFPI: Kleb

Leite, Amalle Katarine, Marlia Gabriela e Lusa Sobral, Eduardo Rgo, Teresa Jaynna,

Jeov, Snia, Jaqueline Sousa, Raul Bonfim, Amauri, Natasha Karenina, Monyk, entre outros

que no estou citando aqui mas aqui esto representados e por todo apoio durante a graduao

e a minha transio violenta e inesperada a Belm!

Agradeo famlia Mangacrioula, em especial Wanderson Carlos, Childer Natanael, Telmo

Belizrio, Vinicius Vianna, Anna Raquel, Cleomar Santos, Heraldo Barbosa e o senhor Cod,

por todas as noites de lua, fogueira e tambor que muito marcaram o desenvolvimento desse

trabalho!

Agradeo aos meus amigos do PPGA-UFPA, principalmente ao vizinho Everaldo, aos

solcitos Christiano e Lairisse e sacerdotisa do jambu Ester, pelas inenarrveis aventuras

antropolgicas por esse Estado incrvel que o Par. Ao meu estimado orientador Dr. Fabiano

Gontijo e ao sempre gentil e disposto Antonio Carlos;

Rachel Barbosa pelo olhar cuidadoso e cheio de carinho com o qual tratou essas pginas!

toda famlia Rgo (Lanna, Poliana e Dona Zlia) pelo acar e pelo afeto, muito obrigado!

toda famlia do Centro de Folclore e Arte Popular de Caxias, por sempre no me permitir

esquecer as coisas importantes da vida!

Aos amigos da vida inteira: Felipe, Bertholino, Max, Atila, Uareni, Cassio, Keketo,

Thallisom, Wendell, Dudu, Giuliano, Antnio Jos, Geydefran.

Ao amor da vida inteira: Lara Coelho, muito obrigado!

E, por ltimo, agradeo todas as pessoas que dividiram suas vidas comigo e tornaram

possvel esse trabalho, muito obrigado pela confiana e pela oportunidade!

vi

RESUMO

Esse trabalho trata-se de uma etnografia sobre prticas de violncia, construdo na cidade de

Caxias, no estado do Maranho. Divida em quatro partes, essa dissertao ocupa-se,

primeiramente, em situar o leitor na metodologia construda durante essa pesquisa; a isso

coube a parte da introduo, seguida de uma apresentao da cidade sobre a qual esse trabalho

foi escrito, bem como seu bairro, Maioba, que ocupa uma posio privilegiada e

imprescindvel nas discusses e anlises que permeiam todo o texto, entrementes, bares, jogos

e conversas de esquina so constitudas como importantes campos de significados sobre o

bairro, o estado, a violncia e duas categorias amalgamadas e estruturantes de todo o esforo

intelectual desse captulo e frequentemente acionada nas formas nativas de se viver a

cidadania: trabalhador e vagabundo. Na terceira parte, so apresentados os interlocutores

dessa pesquisa, a cadeia e duas categorias estruturantes da vida carcerria e do captulo em

questo: sujeito-homem e comdia. A forma como o crime considerado um importante

atributo do gnero masculino, como o crime se relaciona com formas diferentes de se viver a

vida carcerria, os limites e o risco de no ser considerado sujeito-homem pela maioria. Na

quarta e ltima parte, so delineados os elementos principais para uma interao sem risco no

convvio, a forma como o espao das celas participa da interao como importante marcador

de tempo e prestgio, alm de serem discutidas as categorias nativas utilizadas para

representar tais espaos, como o boi, o caf e a praia. E por ltimo, ser analisada a forma

como as conversas, as coisas e o olhar tm parte importante nas interaes construdas na vida

carcerria.

Palavras-chave: Trabalho; Crime; Gnero; Cadeia.

vii

ABSTRACT

This work was constructed in the city of Caxias, in the state of Maranho, an ethnography of

violence practices. Divide in four parts, this dissertation is primarily concerned with situating

the reader in the methodology built during this research, to that was the part of the

introduction; Then a presentation of the city from which this work was written, the

neighborhood (Maioba) that occupies a privileged and indispensable position in the

discussions and analyzes that permeate the whole part of the text, meanwhile, bars, games and

corner talks are constituted as Important fields of meanings about the neighborhood, state,

violence and two amalgamated and structuring categories of all the intellectual effort of this

chapter, and often triggered in the native forms of "living citizenship": trabalhador and

vagabundo. In the third part, it is presented the interlocutors of this research, the chain and

two structuring categories of prison life and the chapter in question: sujeito-homem and

comdia. The way crime is considered to be an important attribute of the male gender, how

crime relates to different ways of living prison life and the limits and risk of not being

considered sujeito-homem by majority. In the fourth and last part, the main elements for a

risk-free interaction in the living space, the way the cell space participate in the interaction as

important time and prestige markers are presented, as well as the native categories used to

represent such spaces, Like the boi, caf and praia. And finally, we will analyze how

conversations, things and the gaze play an important part in the interactions built up in prison

life.

Keywords: Work; Crime; Gender; Prision.

viii

SUMRIO

1. INTRODUO .................................................................................................................... 1

1.1 Estado de esprito e estado de pesquisa ........................................................................ 1

1.2 A negociao .................................................................................................................... 3

1.3 Trabalhadores e vagabundos ......................................................................................... 6

1.3.1 A cidade ..................................................................................................................... 6

1.3.1.1 Entre a Capital, a Cidade Pequena e o Interior ....................................................... 8

2. EXPLORANDO O BAIRRO: ESQUINA, FOFOCA E HONRA .................................. 12

2.1 A Fofoca ......................................................................................................................... 12

2.2 A Honra: Breves Apontamentos sobre um Time de Futebol .................................... 16

2.3 O Bar do Sr. Tonico: a sinuca, o desafio e o humor .................................................. 20

2.3.1 Trabalhadores e vagabundos: dando nome aos outros .......................................... 26

3. S LADRO ...................................................................................................................... 31

3.1 Encontrando os sujeitos ................................................................................................ 31

3.1.1 Zezim Tattoo: o primeiro ........................................................................

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