dissertaÇÃo de mestrado penas alternativas: um .respeito do cumprimento dessas penas bem como das

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MINISTRIODOPLANEJAMENTO,ORAMENTOEGESTO

FundaoInstitutoBrasileirodeGeografiaeEstatsticaIBGE

EscolaNacionaldeCinciasEstatsticasENCE

ReconhecidapeloDecreton51.163,de08/08/61,publicadonoD.O.de16/08/61

PROGRAMA DE MESTRADO EM ESTUDOS POPULACIONAIS E PESQUISAS SOCIAIS

WILSONSANTOSDEVASCONCELOS

DISSERTAO DE MESTRADO

PENAS ALTERNATIVAS: UM ESTUDO ACERCA DA EXECUO DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO NO

RIO DE JANEIRO (19942009).

RIO DE JANEIRO

2011

Livros Grtis

http://www.livrosgratis.com.br

Milhares de livros grtis para download.

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WILSONSANTOSDEVASCONCELOS

PENAS ALTERNATIVAS: UM ESTUDO ACERCA DA EXECUO DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO NO

RIO DE JANEIRO (1994 2009).

Dissertao apresentada no curso de Mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais, da Escola Nacional de Cincias Estatsticas, como parte dos requisitos necessrios obteno do grau de Mestre em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais, rea de concentrao em Dinmica Populacional, Condies de Vida e Polticas Pblicas.

ORIENTADORA:PROF.DRA.MOEMADEPOLITEIXEIRA

RIO DE JANEIRO

2011

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(...) Jean Valjean tentou fugir (da priso). Ficou livre dois dias, at ser capturado. Foi condenado a mais trs anos. Quando cumpriu seis, tentou outra vez, mas no conseguiu fugir. Resistiu aos guardas que o encontraram em seu esconderijo e ganhou mais cinco anos, com castigos. No dcimo ano e no dcimo terceiro, quis fugir outras vezes, e sua pena aumentou mais ainda. At cumprir dezenove anos. Por tentar roubar um po. Durante a priso, o inofensivo podador de rvores tornou-se um homem temvel. Tinha dio da lei e da sociedade. Por consequncia, de toda a humanidade. De ano para ano, sua alma foi se tornando amarga. Desde que fora preso, h dezenove anos, Jean Valjean no soltava uma lgrima. Quando saiu, acreditou que podia ter uma nova vida. Mas recebeu uma quantia miservel pelos dezenove anos de trabalhos forados. Seu documento de identificao dizia se tratar de um homem perigoso. Logo arrumou um trabalho para descarregar fardos, pois era muito forte. Ao receber, ganhou menos do que os outros por ser um ex-condenado. Sentia-se escorraado.

(Os miserveis, Vitor Hugo)

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Meus Agradecimentos

Em primeiro lugar agradeo a Deus por iluminar os meus caminhos e ter colocado nessa trajetria dissertiana pessoas competentes e dedicadas. Meus sinceros agradecimentos:

minha famlia, em especial aos meus pais Wilson e Nilza pelo carinho e exemplos de respeito e dignidade.

minha orientadora Moema De Poli Teixeira, pela ateno e respeito pelas minhas ideias.

As minhas amigas Lucia Salam e Wana Mara, que me ajudaram e incentivaram na solidificao do estudo.

professora Edna Del Pomo e a toda sua equipe do NUESC/UFF e seus alunos.

Aos meus amigos e minhas amigas do mestrado. Aos momentos de prova e expiao que passamos juntos: Anna Paula, Brbara Castilho, Francisco de Souza, Frederico Bertholini, Gabrielle Alves, Herleif Novaes, Jimmy Medeiros, Jos Mesquita, Leandra Rosa, Luciana Teixeira, Marcelo Marinho, Marcio Mitsuo, Milena Melo, Paula Alves, Paulo Csar, Raphael Soares, Raquel Dezidrio, Ricardo Rezende, Roberto Luis, Rodrigo Rodrigues e Vinicius Mendona.

equipe da Vara de Execues Penais do Rio de Janeiro: Ana, Clia, Dnica, Dra. Alexandra, Dr. Carlos Borges, Dr. Daniel Vasquez, Leonardo, Marluce, Nelson Sabino e Jos Ricardo.

Ao Dr. Carlos Raymundo.

Ao Professor Dr. Carlos Henrique Aguiar Serra.

Ao Dr. Marcelo Antocles, Fabrcio e Ana do CPMA de So Gonalo.

A todos os professores da ENCE, que direta ou indiretamente tambm contriburam com minha formao.

Tia Neusa Marques e a todos os funcionrios da ENCE, sempre prontos a ajudar com algum problema.

Ao IBGE pelo apoio financeiro.

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RESUMO

O presente trabalho busca analisar a pena restritiva de direito, em especial a pena alternativa (Lei n. 9.714/98), que tem sido apontada como uma das respostas ao problema do crescimento do encarceramento diante da deficincia do sistema penitencirio alm de ser considerada uma pena mais humana e proporcional para aquelas pessoas que cometam crimes considerados de leve e mdio potencial ofensivo e que, deste modo, no precisam ser privados de sua liberdade. Neste sentido, apresenta o resultado da pesquisa realizada a partir do levantamento de dados de processos que obtiveram a pena restritiva de direito no perodo de 1994 a 2009, registrados no Sistema de Controle de Penas (SCP), a cargo da Vara de Execues Penais do Rio de Janeiro. A pesquisa busca traar o perfil dessas pessoas, a quem tem se destinado a pena alternativa e identificando os tipos de delitos mais comuns. Apresenta tambm entrevistas com operadores do sistema penal que trabalham nesta rea e com a equipe que compe o Departamento de Penas e Medidas Alternativas do Rio de Janeiro (DPMA), com informaes a respeito do cumprimento dessas penas bem como das formas de monitoramento e fiscalizao e do fluxo de sua execuo, no intuito de conhecer as representaes acerca das penas alternativas. Concluiu-se, ao final, que a pena alternativa no se configura como uma real soluo para a reduo da populao carcerria e que, muito alm do discurso de humanizao do sistema parece fazer parte de uma estratgia de poder foucaultiana a partir do momento que se percebeu ser mais eficaz e mais rentvel controlar em meio aberto que enclausurar. Permanece a priso como o eixo principal do sistema penal e amplia-se o controle social exercido pelo Estado, incriminando e controlando determinados segmentos vulnerveis da sociedade.

Palavras-chave: Penas; Punio; Penas Alternativas;

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LISTA DE FIGURAS

Figura 3. 1 - Central de Penas e Medidas Alternativas CPMA por juzos da Capital. ................ - 74 -

Figura 3. 2 - Centrais de Penas e Medidas Alternativas no Estado do Rio de Janeiro .................... - 75 -

Figura 4. 1 - Priso por trfico de drogas no Brasil, 2006 e 2010. ................................................. - 126 -

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1. 1 - Estimated number of adults under correctional supervision, by correctional status, 2000, 2005-2009. ........................................................................................................................................ - 30 -

Tabela 2. 1 - Srie histrica das penas restritivas de direito e da populao carcerria no Brasil, 1995, 2002, 2006, 2007, 2008, 2009. ......................................................................................................... - 54 -

Tabela 4. 1 - Variveis solicitadas Vara de Execues Penais do Rio de Janeiro referente aos processos por PRD e Sursis. ............................................................................................................ - 92 -

Tabela 4. 2 - Dicionrio de variveis do Sistema de Controle de Penas da Vara de Execues Penais do Estado do Rio de Janeiro- arquivo de pessoas/processos - Microdados do Registro Administrativo. ........................................................................................................................................................... - 94 -

Tabela 4. 3 - Nmero final de processos de PRD e Sursis, 1994 a 2009. ....................................... - 97 -

Tabela 4. 4 rgos judicirios de origem dos delitos e infraes de PRD e Sursis, 1994 a 2009. ..... - 101 -

Tabela 4. 5 - Situao dos Processos de pena alternativa, 2007 a 2009. ..................................... - 105 -

Tabela 4. 6 - Distribuio percentual por faixa-etria e sexo de pessoas de 18 anos ou mais de idade na regio metropolitana do Rio de Janeiro (2009); processos em execuo de pena alternativa do SCP/RJ (2007 a 2009) e de pessoas encarceradas no Rio de Janeiro (2009). ............................. - 110 -

Tabela 4. 7 - Distribuio percentual por cor/raa e sexo de pessoas de 18 anos ou mais de idade na regio metropolitana do Rio de Janeiro (2009); processos em execuo de pena alternativa do SCP/RJ (2007 a 2009) e de pessoas encarceradas no Rio de Janeiro (2009). ............................. - 114 -

Tabela 4. 8 - Distribuio percentual por estado civil e sexo de pessoas de 18 anos ou mais de idade na regio metropolitana do Rio de Janeiro (2009); processos em execuo de pena alternativa do SCP/RJ (2007 a 2009). ................................................................................................................... - 116 -

Tabela 4. 9 - Distribuio percentual por nvel de instruo e sexo de pessoas de 18 anos ou mais de idade na regio metropolitana do Rio de Janeiro (2009); processos em execuo de pena alternativa do SCP/RJ (2007 a 2009) e de pessoas encarceradas no Rio de Janeiro (2009) ......................... - 117 -

Tabela 4. 10 - Distribuio percentual do perfil ocupacional dos apenados sujeitos a penas alternativas por sexo, SCP/RJ, 2007 a 2009. ................................................................................. - 121 -

Tabela 4. 11 - Distribuio percentual dos delitos com base nas leis com processos em execuo de pena alternativa do SCP/RJ (2007-2009). ...................................................................................... - 129 -

Tabela 4. 12 - Tempo de pena alternativa em faixas, dos processos em execuo de pena alternativa do SCP/RJ (2007-2009). ................................................................................................................. - 129 -

Tabela 4. 13 - Tipo de pena alternativa aplicada com base nos processos em execuo de pena alternativa no SCP/RJ, 2007 a 2009. ............................................................................