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DISPERSO ESPACIAL DA POPULAO NA REGIO DE INFLUNCIA DE BELO HORIZONTE: UMA ANLISE COM BASE NOS FLUXOS MIGRATRIOS

Marly Nogueira Professora Doutora Departamento de Geografia/UFMG

Ldia Comini Graduanda em Geografia, bolsista IC/UFMG

Carlos Lobo Professor Doutor Departamento de Geografia/UFMG

Ricardo Alexandrino Garcia Professor Doutor Departamento de Geografia/UFMG

Resumo: As evidncias histricas no deixam dvidas sobre a relevncia dos deslocamentos espaciais da populao na organizao do territrio nacional. Em vrios momentos no tempo essa fora de trabalho mvel serviu como fonte catalisadora de profundas transformaes econmicas e sociais nas regies de origem e destino e no apenas como mo de obra disponvel para as atividades econmicas. Esse trabalho tem como objetivo a avaliao da magnitude e das principais caractersticas da mobilidade e disperso espacial da populao na Regio de Influncia de Belo Horizonte (REGIC-BH), tendo como base os fluxos migratrios intermunicipais identificados nos Censos Demogrficos de 2010. Palavras-chave: REGICBH, disperso espacial da populao, migrao. rea Temtica: Economia

INTRODUO O Censo Demogrfico brasileiro e os demais estudos e pesquisas realizados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica), constituem a principal fonte de informaes sobre a populao brasileira e, dentre elas, os processos que envolvem os fluxos migratrios. A definio de migrao varivel e est ligada ao tipo de pesquisa e caractersticas dos dados a serem estudados, segundo Carvalho e Rigotti (1998). A definio apresentada pela Organizao das Naes Unidas (The Determinants, 1973), de acordo com Carvalho e Rigotti (1998), exclui os movimentos cujos indivduos no permanecem no local de destino e considera as mudanas permanentes de residncias entre unidades espaciais pr-definidas. Rigotti (1998) lembra que a varivel migrao nos censos demogrficos nem sempre teve a importncia que possui hoje. Assim, nos Censos Demogrficos de 1960 e 1970, por exemplo, a migrao era aplicada somente aos no-naturais do municpio. Em 1980 perguntou-se sobre as migraes intramunicipais e em 1991 investigou-se tambm sobre o municpio, unidade da federao e residncia h 5 anos. Emigrantes e imigrantes passam, portanto, a ter uma data-fixa. Certamente, uma evoluo importante diante da importncia da migrao como processo social e econmico que caracteriza o territrio brasileiro. sabido que o processo de urbanizao da populao e do territrio brasileiro relativamente recente e est relacionado a uma srie de alteraes nas estruturas sociais e econmicas, sobretudo a partir de meados do sculo passado, muito embora, tenha sido, somente no Censo de 1970, que os dados censitrios revelaram uma populao urbana superior rural. Os nveis de hierarquia urbana e a delimitao das regies de influncia das cidades brasileiras constam de estudos anteriores que foram realizados pelo IBGE a partir de questionrios que investigaram a intensidade dos fluxos de consumidores em busca de bens e servios nos anos de 1966, 1978 e 1993. Na verdade, so estudos clssicos sobre a rede urbana brasileira, realizados com essa periodicidade. Essa proposta de regionalizao retoma a concepo utilizada nos primeiros estudos realizados pelo IBGE, que resultaram noutro clssico estudo do IBGE, o da Diviso do Brasil em regies funcionais urbanas, de 1972. Na atual verso (REGIC, 2007), foi privilegiada a funo de gesto do territrio, como definido por Corra (1995). Classificados em seis nveis de hierarquia, conforme sua posio no mbito da gesto federal e empresarial, o conjunto final das Regies de Influncia no territrio nacional compreende um total de 711 centros de gesto. A intensidade das ligaes permitiu estabelecer suas reas de influncia e a articulao das redes de cidades. A Regio de Influncia de Belo Horizonte (Metrpole), definida na REGIC 2007, envolve um total de 698 municpios (conforme diviso poltico-administrativa em 2007), discriminadas em oito Capitais Regionais (B e C), que so: Juiz de Fora, Montes Claros, Divinpolis, Governador Valadares, Ipatinga-Coronel Fabriciano-Timteo, Tefilo Otoni, Uberaba e Varginha. O objetivo geral desse artigo avaliar a magnitude e as principais caractersticas da mobilidade e disperso espacial da populao na Regio de Influncia de Belo Horizonte (REGIC-BH), tendo como base os fluxos migratrios e os movimentos pendulares intermunicipais identificados nos Censos Demogrficos de 1991, 2000 e 2010.

A seguir, no prximo tpico, breve reviso da literatura concernente problemtica dos processos que envolvem os fluxos migratrios. BREVES CONSIDERAES SOBRE A MIGRAO E A DISPERSO ESPACIAL DA POPULAO na obra referencial de Richardson (1980) que se vai encontrar discusso importante sobre o processo de reverso da polarizao. Assim, tem-se como premissa a idia de que o crescimento continuado da concentrao no leve a um perptuo aumento da eficincia econmica, pois os benefcios marginais derivados da escala urbana e da concentrao tendem a diminuir a partir do momento em que o centro urbano atinge um determinado tamanho de populao. Para o referido autor, esse processo caracteriza-se pela mudana de tendncia de polarizao espacial na economia nacional, a partir do qual ocorreria a disperso espacial para fora da regio central. Uma sequncia de fatos, segundo Richardson, caracteriza a reverso da polarizao, ou seja, no incio, um processo bem definido de concentrao econmica se estabelece, gerando um centro e uma periferia. A partir desse fato, ocorrem transformaes estruturais na rea central, pois os ncleos adjacentes passam a apresentar crescimento mais acelerado que o centro, momento a partir do qual, inicia-se o processo de reverso da polarizao, esquematizando-se uma disperso ampliada. Enfim, a disperso atinge, tambm, os centros secundrios, e, a rea central comea a perder populao. A expanso mais rpida das oportunidades de emprego fora da principal rea metropolitana, promove a redistribuio da populao em todo o sistema urbano, refletindo as crescentes vantagens comparativas das cidades secundrias (mdias). Esse quadro constitui o reflexo da converso dos fluxos de capital e de trabalho para fora do ncleo (metrpole) central at cidades (mdias) secundrias, promovendo o aumento das taxas de crescimento econmico e demogrfico. No que respeita aos estudos regionais, no caso do Brasil, so evidentes as vrias tentativas de aplicao desses modelos e de reconstruo terica. Entretanto, as particularidades estruturais e setoriais brasileiras oferecem dificuldades adicionais para a correta inteligibilidade do fenmeno em tela. no trabalho de Townroe e Keen (1984) que se vai encontrar um dos primeiros trabalhos sobre o possvel processo de reverso da polarizao no Brasil. Trata-se da evidncia concreta de reverso da polarizao no Estado de So Paulo entre 1970 e 1980, pois alm da diminuio da populao do ncleo da populao, h sinais claros de desconcentrao. Por outro lado, por mais que possa ser provado, como acima, no caso do trabalho referido de Townroe e Keen (1984), as proposies sobre o possvel processo de reverso da polarizao no Brasil sofreram inmeras crticas, que se referem desde a algumas evidncias empricas, at o tipo de variveis e a metodologia utilizaos. Dessa maneira, Azzoni (1986), por exemplo, critica o fato de o tamanho da cidade ser considerado com indicador de economias aglomerativas, ou seja, crucial considerar a regio central capaz de gerar um campo de atrao sobre novos investimentos. Na verdade, a atrao regional transcende o ambiente urbano, enquanto os custos locacionais so essencialmente urbanos. Logo, temerrio pensar-se que haveria um processo de reverso da polarizao no Brasil, pois contrariamente, as evidncias indicam que, longe de constituir-se um sinal de reverso da polarizao, o fenmeno observado em So Paulo estaria mais prximo de um espraiamento da indstria dentro da rea mais industrializada do pas, em um processo do tipo desconcentrao concentrada (AZZONI, 1986). Complementarmente, em Diniz (1993), que se ope a certas idias de Azzoni, que se vai encontrar um novo modelo de interpretao do quadro. De acordo com o

referido autor, aps a indiscutvel concentrao econmica e demogrfica verificada at fins dos anos de 1960, iniciou-se em um primeiro momento o processo de reverso desta polarizao. Entretanto, o processo de desconcentrao no teria ocorrido de modo ampliado, e sim, em espaos seletivos bem equipados e ricos em externalidades no pas, refletindo-se sobretudo pelo espraiamento para o interior de determinados estados brasileiros. Por outro lado, Negri (1996), alm de considerar indevida a analogia de Azzoni, acredita ser inapropriado o polgono estabelecido por Diniz (1993), pois no obstante a regio central ter-se beneficiado da desconcentrao dos ltimos 20 anos, quando ampliou sua participao na indstria nacional de 33,1% para 49,2%, isto no representou incoerncias frente ao crescimento fora do polgono. As observaes de Matos (1995b) corroboram de certa forma, a anlise acima, pois no se sabe qual o verdadeiro alcance desse fenmeno, e, se as explicaes existentes abrangem estes casos, muito embora importantes mudanas na distribuio espacial da populao esto em curso. importante reconhecer, portanto, que boa parte da expanso da urbanizao do pas nas ltimas dcadas deriva dos efeitos multiplicadores de espraiamento da concentrao urbana e industrial do Sudeste. Esse processo estimulou o adensamento da rede urbana e os vnculos de complementaridade entre as diversas centralidades. O processo de urbanizao brasileiro comea a tomar forma nos anos de 1940, poca que no coincidentemente, um ainda frgil industrializao promove uma reorganizao espacial da populao no territrio nacional. Um novo padro de urbanizao, essencialmente concentrador, se desenha. na regio Sudeste que se vo encontrar os grandes centros urbanos concentradores dessa imensa massa de urbanos que vai se formando no pas. Isso ocorre revelia dos esforos g