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  • EDUCAO INFANTILDISCURSO, LEGISLAO E PRTICAS INSTITUCIONAISLUCIMARY BERNAB PEDROSA DE ANDRADE

  • Educao infantil

  • Conselho Editorial Acadmico

    Responsvel pela publicao desta obra

    Prof. Dr. Pe. Mrio Jos Filho (Coordenador)

    Profa. Dra. Cirlene Ap. Hilrio da Silva Oliveira (Vice-coordenadora)

    Profa. Dra. Helen Barbosa Raiz Engler

    Prof. Dr. Jos Walter Canas

  • LUCIMARY BERNAB PEDROSA DE ANDRADE

    Educao infantilDiscurso, legislao

    e prticas institucionais

  • 2010 Editora UNESP

    Cultura Acadmica

    Praa da S, 108 01001-900 So Paulo SP Tel.: (0xx11) 3242-7171 Fax: (0xx11) 3242-7172 www.editoraunesp.com.br feu@editora.unesp.br

    CIP Brasil. Catalogao na fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ

    A565e

    Andrade, Lucimary Bernab Pedrosa de

    Educao infantil : discurso, legislao e prticas institucionais / Lucimary Bernab Pedrosa de Andrade. So Paulo : Cultura Acadmica, 2010.

    194p. : il.

    Inclui bibliografiaISBN 978-85-7983-085-3

    1. Educao de crianas. 2. Crianas Formao. 3. Direito das crianas. 4. Crianas Poltica governamental Brasil. 5. Representaes sociais. I. Ttulo.

    10-6448. CDD: 372.21 CDU: 372.3

    Este livro publicado pelo Programa de Publicaes Digitais da Pr-Reitoria dePs-Graduao da Universidade Estadual Paulista Jlio de Mesquita Filho (UNESP)

  • s minhas queridas filhas Natlia e Maria Flvia,

    por partilharem dos meus sonhos, das minhas lutas, e por renovarem,

    a cada dia, minhas foras para a caminhada.

  • AO CONTRRIO, AS CEM EXISTEM

    A criana feita de cem.

    A criana tem cem moscem pensamentos

    cem modos de pensarde jogar e de falar.Cem sempre cemmodos de escutar

    de maravilhar e de amar.Cem alegrias

    para cantar e compreender.Cem mundospara descobrirCem mundospara inventarCem mundospara sonhar.

    A criana temcem linguagens

    (e depois cem cem cem)mas roubaram-lhe noventa e nove.

    A escola e a culturalhe separam a cabea do corpo.

    Dizem-lhe:de pensar sem as mosde fazer sem a cabeade escutar e no falar

    de compreender sem alegriasde amar e de maravilhar-se

    s na Pscoa e no Natal.Dizem-lhe:

    de descobrir um mundo que j existee de cem roubaram-lhe noventa e nove.

    Dizem-lhe:que o jogo e o trabalhoa realidade e a fantasia

    a cincia e a imaginaoo cu e a terra

    a razo e o sonhoso coisas

    que no esto juntas.Dizem-lhe enfim:

    que as cem no existem.A criana diz:

    ao contrrio as cem existem.

  • Sumrio

    Lista de siglas 11

    Lista de tabelas 13

    Lista de quadros 15

    Introduo 17

    Percurso metodolgico 29

    Tecendo os fios da infncia 47

    Direitos da infncia: da tutela e proteo cidadania e educao 79

    A educao infantil: na trilha do direito 127

    Consideraes finais 169

    Referncias bibliogrficas 179

  • LiSta de SigLaS

    CCI Centro de Convivncia InfantilCLT Consolidao das Leis do TrabalhoCoedi Coordenadoria de Educao InfantilDPE Departamento de Polticas de Educao InfantilECA Estatuto da Criana e do AdolescenteFebem Fundao Estadual do Bem-Estar do MenorFunabem Fundao Nacional do Bem-Estar do MenorFundeb Fundo de Manuteno e Desenvolvimento da

    Educao Bsica e Valorizao dos Profissionais da Educao

    IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e EstatsticaLBA Legio Brasileira de AssistnciaLDB Lei de Diretrizes e Bases da Educao NacionalLoas Lei Orgnica de Assistncia SocialMEC Ministrio da Educao e CulturaOIT Organizao Internacional do TrabalhoONU Organizao das Naes UnidasPNE Plano Nacional de EducaoUnesco Organizao das Naes Unidas para Cincia, Edu-

    cao e CulturaUnicef Fundo das Naes Unidas para Infncia

  • LiSta de tabeLaS

    Tabela 1 Escolaridade das educadoras 45

    Tabela 2 Tempo de exerccio profissional 46

    Tabela 3 Experincia profissional 46

    Tabela 4 Funes da educao infantil 120

    Tabela 5 Organizao das prticas pedaggicas 163

  • LiSta de quadroS

    Quadro 1 Universo da pesquisa 37

    Quadro 2 Nmero de crianas atendidas nas creches conveniadas e municipais de 2004 a 2008 40

  • introduo

    No tenho medo de que meu tema possa, em exame mais detalhado,

    parecer trivial. Receio apenas que eu possa parecer presunoso por ter

    levantado uma questo to vasta e to importante.

    Carr, 1996

    A proximidade com o objeto de estudo desta pesquisa, ou seja, a criana, seus direitos e sua educao, iniciou-se aos meus dezessete anos de idade, quando comecei minha trajetria profissional como professora de educao infantil em uma escola maternal particular.

    Aps concluso do curso de Magistrio, ingressei no curso de graduao em Servio Social da Faculdade de Histria e Servio Social da UNESP de Franca.

    As frequentes indagaes a respeito do papel social da edu-cao, fomentadas pela experincia profissional em educao in-fantil, levaram-me a desenvolver minha monografia de concluso do curso de Servio Social sobre o atendimento das creches de Franca. Assustava-me a diferente realidade educacional vivenciada pelas crianas com as quais trabalhava na escola maternal par-

  • 18 LUCIMARY BERNAB PEDROSA DE ANDRADE

    ticular e as crianas das creches pesquisadas. Enquanto meus alu nos, todos de classe social abastada, tinham acesso a educao de qualidade, a brinquedos e materiais pedaggicos diferenciados, a professores qualificados e espaos favorveis para o seu desen-volvimento, as crianas que frequentavam as creches pesquisadas eram privadas de um atendimento que lhes propiciasse um desen-volvimento adequado. Esse contexto, no muito diferente do atual, nos permite inferir que o nosso sistema educacional excludente no assola apenas os nveis fundamental, mdio ou superior de ensino.

    Lembro que, ao chegar a uma das creches pesquisadas, a coor-denadora, cheia de orgulho, solicitou que as crianas cantassem a musiquinha para a visita, cano cuja letra ainda lembro bem: Criana bonita, bem-educada, em casa ou na rua sempre delicada. Faz sua tarefa no fica toa. Criana bonita criana boa. Bate o sininho a fila formou, sempre caladinho tomar leitinho eu vou. Podemos perceber que o silncio, a obedincia, a fila e os ensi-namentos morais eram ressaltados na educao das crianas, carac-terizando o que Kuhlmann Jnior (2001, p.182) designa como pe da gogia da submisso.

    Experincias assim me fizeram fortalecer a ideia de que todas as crianas devem ter o direito a uma educao infantil de qualidade, pautada em um projeto educativo emancipatrio, que promova o desenvolvimento de suas potencialidades e contribua para uma participao ativa e efetiva na sociedade.

    Concludo o curso de Servio Social, em dezembro de 1989, co-mecei a trabalhar, no mesmo ano, como assistente social em uma creche comunitria filantrpica mantida pela maonaria, em um bairro da periferia da cidade. Os receios e anseios com a primeira experincia profissional como assistente social puderam ser ameni-zados com a experincia na educao infantil.

    A identificao com o trabalho profissional na rea de educao contribuiu para que, em 1992, fosse admitida no concurso pblico para a funo de coordenadora do Centro de Convivncia Infantil Pintando o Sete, da UNESP de Franca (CCI), funo que desem-penho at os dias atuais. No CCI, pude ampliar os estudos sobre a

  • EDUCAO INFANTIL 19

    infncia e a educao infantil e fortalecer meus ideais sobre os di-reitos das crianas a um atendimento de qualidade, que respeite suas particularidades de sujeitos em desenvolvimento.

    Buscando o aprimoramento profissional e a continuao dos es tudos na rea de educao infantil, ingressei, em 1999, no curso de Pedagogia da Universidade de Franca. O retorno universi-dade des pertou-me o desejo de continuar os estudos acadmicos, o que me fez optar pelo curso de Ps-Graduao em Servio Social, aps a concluso do curso de Pedagogia.

    Em 2001, ingressei como aluna regular do curso de mestrado em Servio Social, concluindo-o em 2003, quando defendi a disser-tao: Os Centros de Convivncia Infantil da UNESP: contexto e desafios, desenvolvida sob a orientao da profa. Maria ngela Ro-drigues Alves de Andrade. A pesquisa permitiu o aprofundamento terico do estudo das polticas pblicas para a infncia no Brasil, e teve como objeto de investigao a creche no local de trabalho, em nosso caso, a Universidade Estadual Paulista.

    Novas inquietaes e indagaes acerca desse campo de estudo foram surgindo e, em 2006, ingressei no curso de doutorado com o propsito de estudar a educao infantil enquanto um dos direitos da criana na contemporaneidade. A discusso em torno dos di-reitos das crianas tem sido apresentada por muitos estudos e pes-quisas, os quais tm enfatizado a relevncia das aes dos pro fis-sionais que atuam com a infncia para que esses direitos sejam efetivados de fato.

    Por acreditar na importncia de aprofundar o estudo sobre essa problemtica que procuraremos compreender como as profissio-nais que atuam diretamente com as crianas nas creches, ou seja, as educadoras, compreendem a criana, seus direitos e sua educao e de que forma suas aes favorecem, ou no, que as crianas sejam sujeitos de direitos nesses espaos institucionais.

    Segundo Dahlberg, Moss & Pence (2003, p.63), os entendi-mentos que temos do que seja a infncia e a criana perpassa as nossas vivncias, os nossos conhecimentos cientficos e as nossas escolhas.

  • 20 LUCIMARY BERNAB PEDROSA DE ANDRADE

    Para isto, torna-se importante um olhar mais atento ao entendi-mento das representaes das categorias que moldam as aes co-tidianas dos profissionais das creches, pois em diferentes perodos histricos foram construdas diferentes representaes e signifi-caes dessas categorias.

    Conforme as contribuies da Sociologia da Infncia, impor-tante que f