Disclosure no Orçamento Público Federal: O Caso da ... ?· Disclosure no Orçamento Público Federal:…

Download Disclosure no Orçamento Público Federal: O Caso da ... ?· Disclosure no Orçamento Público Federal:…

Post on 15-Dec-2018

212 views

Category:

Documents

0 download

TRANSCRIPT

Disclosure no Oramento Pblico Federal: O Caso da Alocao Oramentria nas Atividades de Defesa

Autoria: Anderson Soares Silva, Rodrigo Barreiros Leal, Rogrio Braz de Almeida

O objetivo do trabalho contribuir para o entendimento de como so aplicados os recursos oramentrios no Ministrio da Defesa (MD), por meio da anlise da sua execuo oramentria. Nesse sentido, foram analisados documentos e relatrios da execuo financeira de pastas ministeriais, em especial do MD; valores do Produto Interno Bruto (PIB); e do Oramento Geral da Unio (OGU). Os resultados apontam, essencialmente, para perda, ao longo dos anos, de espao do MD na participao do OGU, alm de revelar que a pasta da Defesa possui especificidades e parmetros prprios que dificultam a comparao com outras atividades tpicas do Estado.

2

1. INTRODUO As atividades inerentes defesa so importantes para qualquer pas. Ainda que no se esteja em guerra ou em estado de beligerncia ou, ainda, em reas notadamente violentas quer seja por conflitos armados ou iminncia destes, existe a possibilidade de interesse por parte de outras naes nas riquezas existentes no territrio nacional ou mesmo alm de nossas fronteiras terrestres. Com base na Carta Magna, Amarante (2008) afirma que esta no somente atribuiu s Foras Armadas a responsabilidade de defender nosso patrimnio, como tambm imputou responsabilidade Unio para assegurar os meios necessrios Defesa Nacional.

Este trabalho tem como objetivo fim contribuir para o entendimento de como so aplicados os recursos oramentrios no mbito do Ministrio da Defesa (MD) dentre suas mais diversas atividades por meio da anlise da sua execuo oramentria. Com isso, buscar-se- responder ao seguinte problema de pesquisa: O oramento pblico, enquanto instrumento informacional para a sociedade, atende aos preceitos de evidenciao e transparncia propostos pela Contabilidade? Ao longo da pesquisa, na busca no objetivo-fim, almeja-se alcanar objetivos-meio que permitam esclarecer o questionamento ora apresentado. Como objetivos intermedirios, esta pesquisa tem como propsito, ao seu trmino, ser capaz de contribuir para o entendimento dos seguintes aspectos:

A evoluo do oramento do MD no perodo 1995-2010; O perfil do oramento do MD; e Comparao e anlise do oramento do MD brasileiro com os oramentos de

Defesa de alguns pases da Amrica do Sul e dos BRIC. Ao longo das ltimas dcadas o Brasil cresceu e obteve condies de ser reconhecido como uma potncia emergente, ao lado de pases como a Rssia, ndia e China. Foi chamado a integrar o seleto grupo G-20, composto pelas 20 maiores economias do mundo, seu PIB em 2010 foi acima de US$ 2 trilhes, consolidando-se entre as oito maiores economias do mundo. Alm disso, a poltica externa brasileira tem contribudo para expandir a liderana e projeo do pas internacionalmente. O Brasil tem se lanado em ajudas humanitrias e aes de paz como integrante da Organizao das Naes Unidas (ONU) e pleiteado, junto a este organismo, uma cadeira permanente no seu Conselho de Segurana. Diante desse contexto, o estudo proposto por este trabalho se torna relevante, na medida em que, dada a projeo internacional conquistada pelo Brasil nos anos recentes, bem como diante das expectativas futuras positivas sobre seu posicionamento no cenrio mundial, remetem ao esclarecimento sobre as atividades da Defesa e a unidade de interesses entre sociedade e Estado com vistas a assegurar a soberania e o desenvolvimento do pas. Com vistas a alcanar seu propsito, o presente estudo encontra-se organizado em cinco captulos. 2. REVISO DA LITERATURA 2.1 A Utilizao do Oramento sob a Perspectiva da Contabilidade Aplicada ao Setor

Pblico

Segundo Ferreira e Cruz (2008), o processo de planejamento, execuo e prestao de contas do oramento pblico, que abrange a estimativa das receitas e fixao e classificao das despesas, conta com o auxlio da Contabilidade que, no mbito da administrao pblica, firma-se como importante instrumento de evidenciao dos atos previstos no oramento.

3

Em alinhamento com o pensamento anterior, Oliveira (2007) assegura que para que haja efetivo controle da execuo oramentria e financeira da administrao pblica torna-se indispensvel a funo da contabilidade, no sentido de prestar as informaes que representem fidedignamente a realidade econmico-financeira e patrimonial do conjunto dos rgos e entidades pblicas. Nesse sentido, possvel depreender que a transparncia no setor pblico, requisito para uma gesto democrtica, depende do grau e da forma como se d o acesso dos usurios s informaes.

Dessa forma Ferreira e Cruz (2008) destacam a necessidade da evidenciao das informaes contbeis de forma transparente e til para a tomada de deciso, levando-se em conta o que cada usurio considera relevante, a fim de que a contabilidade pblica atinja seu objetivo principal. Entretanto, as mesmas autoras (op.cit.) ressaltam que o valor da informao no dado apenas pela quantidade fornecida, mas tambm pela utilidade que tem para o usurio, bem como pela compreenso que tem da mesma.

2.2 A Utilizao da Contabilidade como Mecanismo de Evidenciao da Execuo

Oramentria na Administrao Pblica Federal

Arajo (2004) afirma que entre os diversos ramos da contabilidade, a contabilidade pblica ou governamental a que se ocupa do registro, organizao, controle e demonstrao dos fatos mensurveis em moeda que afetam o patrimnio das entidades pblicas (Unio, Estados, municpios e suas autarquias e fundaes). A divulgao pela contabilidade de informaes acerca de entidades pblicas abrange os aspectos oramentrios, financeiros e patrimoniais e constituem um importante instrumento para o planejamento e controle da administrao pblica.

Cabe destacar, conforme o pensamento de Ferreira e Cruz (2008), que o objetivo da contabilidade realizada no setor pblico no diverge daquele que norteia as atividades contbeis da rea privada. A Lei n. 4.320/64 (art. 83) define que o objetivo da contabilidade pblica evidenciar perante a Fazenda Pblica, a situao de todos quantos, de qualquer modo, arrecadem receitas, efetuem despesas, administrem ou guardem bens a ela pertencentes ou confiados.

Assim, por meio da evidenciao da situao patrimonial, econmica e financeira, a finalidade da contabilidade consiste em fornecer informaes de qualidade aos seus usurios.

Em verdade, no se pode prescindir da ideia de que a transparncia das demonstraes originadas da contabilidade, bem como das prestaes de contas, alm de constiturem uma exigncia legal, so ainda uma demanda social, haja vista que o cidado a cada dia est mais consciente da necessidade de se evidenciarem os resultados alcanados pela gesto governamental e da importncia da prtica da accountability (ARAJO, 2004, p. 5). Na obra referenciada, o autor acrescenta que para que a contabilidade pblica possa cumprir sua funo como instrumento de controle, faz-se necessrio que as informaes geradas sejam compreensveis, tenham relevncia, sejam confiveis, comparveis, verificveis, transparentes e teis para seus usurios.

3. ASPECTOS METODOLGICOS

A metodologia adotada para a realizao da presente pesquisa pode ser classificada como exploratria, documental e bibliogrfica. Este trabalho foi estruturado com base em algumas das etapas propostas por Gil (2002) e consiste na especificao dos objetivos, operacionalizao, elaborao do instrumento de coleta de dados, coleta e verificao de dados, anlise, interpretao e apresentao dos resultados.

4

Para isso, foram analisados diversos documentos e relatrios de execuo financeira de algumas pastas ministeriais, em especial do MD, dados relativos remunerao de pessoal, valores do PIB do Brasil e do Oramento Geral da Unio (OGU). Tais consultas foram feitas mediante acesso a fontes oficiais, com livre disponibilidade populao, tais como o site da Cmara dos Deputados, do Senado Federal, do Tribunal de Contas da Unio, entre outros*. O objetivo foi de tentar ratificar o resultado encontrado pela pesquisa ndice Latino-Americano de Transparncia Oramentria, no que concerne transparncia do processo de aplicao dos recursos oramentrios disponibilizados ao MD e s demais pastas ministeriais, uma vez que o acesso e a consulta dos dados esto disponveis ao pblico em geral, atendendo o princpio da publicidade e possibilitando o Processo de Prestao e Tomada de Contas. Aps a obteno dos dados, por meio das fontes mencionadas acima, o passo seguinte foi trat-los e organiz-los. Para isso foram utilizadas ferramentas matemticas, notadamente estatsticas, como forma de propiciar o alcance dos objetivos ora expostos neste trabalho. As informaes so apresentadas em percentuais do PIB ou do OGU, evitando-se, com isso, ressaltar valores absolutos. Essa preocupao resulta da possibilidade de minimizar os vieses que podem permanecer mesmo aps o deflacionamento dos valores, pois muitos insumos no acompanham fielmente o movimento inflacionrio, podendo sofrer maior ou menor variao nos preos. Alm disso, dado que a gesto oramentria administra recursos escassos, variaes no PIB devem ser acompanhadas de maiores ou menores recursos destinados ao oramento. Para o estudo, foi necessrio o acompanhamento da execuo do oramento ao longo de 1995-2010, especificamente sobre os valores empenhados. Porm, em algumas sries esse perodo foi reduzido para 2000-2010. A razo pela opo do intervalo de tempo mencionado por se tratar de um perodo em que a economia brasileira apresenta caractersticas de estabilizao, notadamente aps o processo inflacionrio que poderia causar ambigidade sobre algumas anlises. Buscou-se verificar informaes que pudessem demonstrar e explicar o perfil da execuo oramentria na pasta da Defesa e a aplicao dos recursos. Para isso, foram utilizadas diversas ferramentas estatsticas, bem como sries temporais que propiciassem a concretizao da pesquisa, analisando e correlacionando variveis que pudessem corroborar com a consecuo dos objetivos deste trabalho. Aps a delimitao da pesquisa, o oramento do MD foi desmembrado, com vistas identificao das parcelas dos gastos que o compem. Uma vez identificado seus componentes, tambm foram feitas comparaes entre o oramento disponibilizado para diversos pases com caractersticas e anseios similares aos do Brasil. 4. O ORAMENTO DO MINISTRIO DA DEFESA (MD) 4.1 Evoluo do Oramento do MD (1995-2010)

O OGU, ao longo do perodo de 1995-2010, apresentou uma tendncia de elevao. De acordo com a Tabela 1, em 1995 representava 34,19% do PIB, elevando-se ao longo do perodo, quando atinge seu mximo no ano de 1999, com 55,24%. Em 2010 a Unio disponibilizou 50,28% do PIB para o oramento dos rgos da administrao pblica federal, representando um acrscimo de recursos de 16,1% do PIB, tendo por base o ano de 1995. No obstante o OGU tenha se elevado no perodo analisado como proporo do PIB, constata-se que a parcela dos recursos destinados ao MD se reduziu, denotando perda na participao dos recursos oramentrios da Unio. A Tabela 2 demonstra que em 1995 a pasta da Defesa participava com 5,37% do OGU, ao passo que em 2010 esse percentual reduziu-se

5

para 3,43%. O exerccio financeiro crtico foi o de 2003, quando foram disponibilizados apenas 2,95% do OGU.

TABELA 1- Oramento Geral da Unio em funo do PIB perodo 1995-2008 Ano 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002

Oramento Geral da Unio / PIB 34,19% 34,38% 41,66% 51,12% 55,24% 52,26% 46,34% 44,01%

Ano 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010

Oramento Geral da Unio / PIB 51,56% 46,78% 51,54% 49,95% 45,98% 41,89% 54,24% 50,28%

Fonte: IBGE e FGV As mesmas concluses so observadas quando se toma por base o PIB. Conforme evidencia a Tabela 3, em 1995, o MD dispunha de 1,84% do PIB para a execuo de suas atividades. Como pode ser observado na referida Tabela, excetuando-se os perodos pr-eleitorais, correspondentes a 2001 e 2005 em que o movimento de queda se interrompe, sendo disponibilizados nos anos correspondentes maiores percentuais do PIB para o oramento de diversas pastas ministeriais.

TABELA 2 - Participao do oramento do MD no OGU perodo 1995-2010 Ano 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002

Oramento do MD / OGU 5,37% 4,83% 3,81% 3,31% 3,04% 3,37% 4,24% 4,03%

Ano 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010

Oramento do MD / OGU 2,95% 3,15% 2,99% 3,01% 3,26% 3,56% 3,24% 3,43%

Fonte: SIAFI/STN Em uma anlise mais detida do oramento da Defesa, percebe-se uma reduo dos valores alocados. O percentual do OGU destinado ao oramento da referida pasta em 2010 representou 63,87% do percentual destinado em 1995. Da mesma forma, em funo do PIB, os recursos disponibilizados em 2010 corresponderam por 93,47% do oramento de 1995. Como medida de referncia, a Figura 1 traz os percentuais do PIB alocados para os oramentos de defesa de pases que possuem similaridades geogrficas e/ou aspiraes semelhantes no cenrio internacional, considerados pases de economias emergentes e com grande influncia entre as maiores potncias econmicas mundiais, denominados BRIC (Brasil, Rssia, ndia** e China).

FIGURA 1 - Oramento do MD em percentuais do PIB de pases selecionados 2010.

Fonte: SIPRI

6

TABELA 3 - Percentuais do Oramento dos Ministrios em funo do PIB perodo 1995-2010

Ano Defesa / PIB Previdncia / PIB Sade / PIB Educao / PIB Trabalho / PIB 1995 1,84% 5,34% 2,12% 1,31% 0,82% 1996 1,66% 5,62% 1,70% 1,13% 0,86% 1997 1,59% 5,55% 1,98% 1,03% 0,80% 1998 1,69% 6,19% 1,79% 1,10% 0,84% 1999 1,68% 6,20% 1,91% 1,08% 0,79% 2000 1,76% 6,38% 1,92% 1,13% 0,84% 2001 1,96% 6,62% 2,01% 1,11% 0,89% 2002 1,77% 6,44% 1,93% 1,18% 0,29% 2003 1,52% 6,84% 1,78% 1,07% 1,01% 2004 1,47% 6,84% 1,88% 0,95% 1,00% 2005 1,54% 7,18% 1,87% 0,93% 1,09% 2006 1,51% 7,40% 1,87% 1,01% 1,18% 2007 1,50% 7,23% 1,86% 1,08% 1,16% 2008 1,49% 7,02% 1,80% 1,10% 1,18% 2009 1,75% 7,67% 2,04% 1,44% 1,47% 2010 1,72% 7,30% 1,89% 1,57% 1,29%

Fonte: IBGE, FGV e SIAFI/STN

O Brasil, em 2010, configurava com o menor percentual do PIB destinado ao oramento de defesa, representando 1,72%, como visto anteriormente na Tabela 3. Dos pases selecionados, a China, com 2,10% do PIB, a que mais se aproxima do Brasil. Comparativamente, a ndia e a Rssia, com 2,70% e 4%, destinam mais recursos oramentrios em funo de seus PIB s atividades de defesa. Alm disso, conforme exposto na Figura 1, em 2010 o pas encontrava-se 0,74% abaixo da mdia mundial; 0,24% abaixo da mdia da Amrica do Sul; e 0,91% abaixo da mdia dos BRIC. Apesar da mdia da Amrica do Sul ser de 1,96%, alguns pases como Chile e Colmbia reservam, respectivamente, 3,51% e 3,75% de seus PIB para o oramento de defesa, representando percentuais superiores aos do Brasil. 4.2 O Perfil do Oramento do MD

A Tabela 4 demonstra a evoluo da parcela do oramento do MD alocada para pagamento de pessoal, incluindo inativos e pensionistas no perodo 1995-2010, podendo-se denotar que os gastos com pessoal e encargos sociais, no perodo analisado por esta pesquisa, elevou-se em aproximadamente 7%, saltando de 72,32% para 79,36%. TABELA 4 - Parcela do Oramento do MD alocada para Pagamento de Pessoal, incluindo Inativos e Pensionistas perodo

1995-2010 Ano 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002

Pessoal e Encargos Sociais/Oramento do MD 72,32% 74,58% 64,59% 76,79% 73,93% 72,85% 73,27% 73,05%

Ano 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010

Pessoal e Encargos Sociais/Oramento do MD 81,74% 79,04% 75,14% 79,95% 77,16% 79,02% 77,05% 79,36%

Fonte: SIAFI/STN

Desses resultados pode-se inferir, primeira vista, que grandes parcelas do oramento do MD so comprometidas com pessoal e encargos sociais em detrimento de outras naturezas de despesas, inclusive investimentos. Porm, necessria uma anlise mais

7

profunda sobre a situao, com vistas a identificar as reais razes para a alocao do oramento vislumbrado na Tabela 4.

A participao do oramento do MD no OGU no perodo 1995-2010 reduziu-se de 5,37% para 3,43% (Tabela 2). Da mesma forma, em percentuais do PIB, os recursos destinados ao MD declinaram de 1,84% para 1,72% (Tabela 3). Este fato implica em modificaes na composio do oramento da referida pasta.

Diante dos fatos expostos, a ferramenta estatstica de coeficiente de correlao, calculado abaixo, corrobora com a validade da hiptese de que a principal razo para o aumento das despesas com pessoal e encargos sociais no mbito do MD a reduo dos recursos oramentrios para a referida pasta. Dos dados da tabela 8, o coeficiente de correlao para Gastos com Pessoal e Encargos Sociais no MD / Oramento do MD e Oramento do MD / OGU de -0,64, demonstrando uma correlao negativa e moderada entre as variveis analisadas, ou seja, medida que decresce a participao do oramento do MD no OGU, dado que as parcelas de despesa com pessoal e encargos sociais so obrigatrias, essas aumentam sua participao percentual nas despesas do MD. Para elucidar a ferramenta referenciada, segue abaixo a mtodo de clculo utilizado para o coeficiente de correlao de Pearson:

, onde e so os valores medidos de ambas as variveis.

so as mdias aritmticas de ambas as variveis.

A anlise correlacional indica a relao entre 2 variveis lineares e os valores sempre sero entre +1 e -1. O sinal indica a direo se a correlao positiva ou negativa, o tamanho da varivel indica a fora da correlao. As seguintes interpretaes foram adotadas para o tamanho da varivel (): 0,00 no existe correlao 0,01 a 0,19 correlao muito fraca 0,20 a 0,39 correlao fraca 0,40 a 0,69 correlao moderada 0,70 a 0,89 correlao forte 0,90 a 1,00 correlao muito forte

Fazendo a correlao entre Gastos com Pessoal e Encargos Sociais no MD / Oramento do MD (Tabela 4) e Oramento do MD / OGU (Tabela 2), tem-se:

X1 = Gastos com Pessoal e Encargos Sociais no MD / Oramento do MD Y1 = Oramento do MD / OGU

= 76,42%

= 3,58% = -0,59

8

Fazendo a correlao entre Gastos com Pessoal e Encargos Sociais no MD / Oramento do MD (Tabela 4) com Oramento do MD / PIB (Tabela 3), tem-se:

X1 = Gastos com Pessoal e Encargos Sociais no MD / Oramento do MD

Y1 = Oramento do MD / PIB

= 76,42%

= 1,65% = -0,71

Os dados referentes ao ano de 1997 foram excludos dos clculos acima por estarem

revestidos de comportamento anmalo dentro da srie histrica. Com isso, buscou-se eliminar possveis efeitos de distoro nos resultados encontrados.

De fato, a parcela comprometida com pessoal e encargos sociais elevou-se de 72,32% para 79,36%. Tal cenrio exige maior esforo por parte das Foras Armadas em manter os nveis de investimentos, essenciais para a manuteno e preparo de seus meios e de seu pessoal, diante da queda de recursos ao longo do perodo de anlise da presente pesquisa. Em virtude da reduo oramentria da Defesa, os recursos que ora eram destinados manuteno das atividades das Foras so remanejados para o pagamento de despesas obrigatrias, com vistas a manter as atividades de investimentos.

Ainda, quando se utiliza a mesma ferramenta estatstica para correlacionar Gastos com Pessoal e Encargos Sociais no MD / Oramento do MD com Oramento do MD / PIB chega-se aos mesmos movimentos. Nesse caso, o coeficiente de correlao aponta para uma correlao negativa e forte, representando -0,8. Isso significa que medida que se reduz o oramento do MD como percentual do PIB, as despesas com pessoal e encargos sociais elevam seu valor percentual de participao no oramento do referido ministrio.

Tal situao contribui para desconstruir o entendimento de alguns analistas sobre o fato de que o alto percentual de despesas com pessoal e encargos sociais interfere diretamente no nvel dos investimentos governamentais. Segundo essa corrente de pensamento, a falta de recursos oramentrios destinados aos investimentos leva o pas dependncia de financiamentos externos.

Na verdade, no mbito do MD, o que ocorre uma anlise detalhada da relao custo-benefcio da possvel operao de crdito a ser contratada com o propsito de realizao de investimentos. Assim, verifica-se, tecnicamente, se mais vantajoso investir utilizando-se capital prprio ou capital de terceiros, levando-se em considerao o conceito de custo de oportunidade. Alm disso, verificam-se, tambm, os interesses econmicos e sociais, da operao de crdito externo, para o pas.

Com o propsito de ilustrar de forma mais clara o acima exposto, vale mencionar o caso do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) da Marinha do Brasil (MB). Nesse caso, aps a realizao da anlise financeira da operao de crdito externa, chegou-se a concluso que os custos da operao estavam abaixo do benchmarking do Governo Federal para a captao de recursos. Tal situao, confirmada posteriormente pelo parecer favorvel da STN, apontava que seria mais vantajoso para o pas realizar o investimento via financiamento externo. Finalmente, quanto questo dos interesses envolvidos, a anlise feita pela MB concluiu que no que concerne aos aspectos macroeconmicos, diante do cenrio atual, os investimentos pblicos baseados em crditos externos podem ser considerados favorveis, tendo em vista que so financiados com

9

poupana externa, deixando de pressionar o caixa governamental; e ampliam a entrada de divisas no pas, favorecendo as contas externas.

Cabe ressaltar que, aps o parecer tcnico emitido pela MB, todo o processo de proposta de financiamento externo analisado por diversos rgos governamentais, no mbito de suas atribuies, com o propsito de aprov-lo, ou no, de acordo com os interesses nacionais.

Dessa forma, verifica-se que apontar a realizao de investimento, via crdito externo, como falta de uma poltica de Estado voltada para a Defesa Nacional constitui-se em uma viso equivocada, tendo em vista tratar-se de uma deciso oriunda de diversas anlises tcnicas que procuram atender aos interesses nacionais de forma holstica. Outro fato importante a ser destacado a questo das despesas obrigatrias que no podem ser contingenciadas. Portanto, diante de uma anlise mais cuidadosa, denota-se que a principal razo para um maior comprometimento do oramento do MD com pessoal e encargos sociais ao longo de 1995-2010 por conta da reduo dos recursos oramentrios disponibilizados, que em 1995 eram de 1,84% do PIB, reduzindo-se em 2010 para 1,72%. Analisando a estrutura do OGU, percebe-se que o MD, ainda que comprometa apenas 7,61% de seu oramento com investimentos, apresenta nveis de investimentos superiores, comparativamente Unio. A Figura 2 revela que outras despesas correntes e amortizao da dvida respondem, respectivamente, por 37,96% e 35,66% do OGU, ao passo que a parcela de investimento de 2,88%.

79,02%

0,13%

12,58%7,61%

0,18% 0,48%

11,48% 8,75%

37,96% 35,66%

3,27%2,88%

0,00%

10,00%20,00%

30,00%40,00%

50,00%60,00%

70,00%80,00%

90,00%

Pessoal eencargos sociais

Juros e encargosda dvida

Outras despesascorrentes

Investimentos InversesFinanceiras

Amortizao dadvida

Oramento da Defesa OGU

FIGURA 2 - Parcela do Oramento do MD e do OGU alocadas por GND 2010 Fonte: SIAFI/STN - Elaborao prpria

Esses nmeros permitem observar, por um outro enfoque, que o oramento do MD sendo composto em grande parte por gastos obrigatrios, conforme destacado anteriormente, possui restrita parcela de flexibilidade, comparativamente ao OGU e, ainda assim, investe, como percentual de seu oramento, 7,61% contra 2,88% da Unio. 5. CONSIDERAES FINAIS O presente estudo procurou contribuir para o esclarecimento do oramento do MD, buscando demonstrar a evoluo dos recursos destinados referida pasta ministerial ao longo do perodo 1995-2010. Assim, conforme definido na introduo deste trabalho, o objetivo final da pesquisa foi contribuir para o entendimento de como so aplicados os recursos oramentrios no MD dentre suas mais diversas atividades por meio da anlise da sua execuo oramentria. Restringindo-se o campo de observao ao caso estudado e s limitaes do estudo, diante dos resultados encontrados, expostos no captulo anterior, foi possvel concluir que, ao

10

longo do perodo 1995-2010, alm de ter perdido espao na participao do OGU, o oramento do MD tambm sofreu restrio de recursos com base no PIB, declinando de 1,84% em 1995 para 1,72% em 2010. Essa conteno oramentria trouxe modificaes da estrutura da despesa na tentativa de manter os nveis de investimentos necessrios ao preparo e emprego das Foras Armadas. Por conta disso, o percentual de despesas obrigatrias, notadamente de pessoal e encargos sociais, no oramento do MD se elevou, diante do mesmo perodo de anlise, de 72,32% para 79,36%, acarretando a reduo dos nveis de outras despesas correntes e investimentos no perodo de 1995-2010. Verifica-se nesta pesquisa que o Brasil disponibiliza para as atividades de defesa, como percentual do PIB, recursos aqum da mdia mundial e da mdia da Amrica do Sul, inclusive abaixo dos BRIC e de pases como Chile e Colmbia. Portanto, o maior comprometimento do oramento destinado ao MD com as parcelas de pagamento de pessoal e de encargos sociais tem sua origem na reduo de recursos da pasta, ensejando um esforo maior para realizar suas despesas obrigatrias e, ainda, manter os investimentos, penalizando as atividades de manuteno das unidades e sobrecarregando o capital humano na realizao dessa misso. luz do que foi exposto, possvel depreender que o nvel de transparncia do processo oramentrio, no mbito do MD, bem como a sua execuo, encontra-se em patamares aceitveis. Tal situao possibilita ocorrncia efetiva do controle social sobre a aplicao dos recursos pblicos, ainda que pese o fato de que em mdia, conforme demonstrado, 87% do total das despesas primrias do governo sejam revestidas por um carter obrigatrio, confirmando o elevado grau de rigidez oramentria e contribuindo para uma reduo no nvel da accountability, diante do baixo poder discricionrio do gestor pblico na definio da aplicao dos recursos oramentrios. Por fim, por ser tratar de uma rea de conhecimento emergente, acredita-se que os esforos despendidos em futuras pesquisas sobre os problemas levantados neste estudo, e no aprofundados da forma devida, sero recebidos com amplo interesse por todos aqueles que se preocupam em entender a forma como so administradas as Foras Armadas brasileiras. Assim, seguem algumas sugestes para estudos futuros: i) Realizao de um estudo econmico concernente s operaes de crdito mediante financiamento externo, com o intuito de esclarecer os benefcios dessa operao; e ii) Realizao de um estudo analisando a relao entre crescimento econmico e gastos com defesa. Identificar quais os fatores que podem influenciar na possvel correlao entre estas variveis. REFERNCIAS AMARANTE, J. C. A. Recursos para a Defesa do Patrimnio Brasil. Revista Brasileira de Estudos Estratgicos, Rio de Janeiro, v. 1, p. 1, 2009. ARAJO, I. P. S. Redescobrindo a contabilidade governamental: uma mudana de paradigmas para uma melhor transparncia. Rio de Janeiro: Renovar, 2004. BANCO MUNDIAL. Disponvel em: . Acesso em: 22/janeiro/2010. BRASIL. Banco Central do Brasil. Disponvel em: . Acesso em: 25/janeiro/2010.

11

_______. Cmara dos Deputados. Disponvel em: . Acesso em: 19/janeiro/2010. _______. Cmara dos Deputados. Disponvel em: . Acesso em: 13/fevereiro/2010. _______. Constituio da Repblica Federativa do Brasil. Disponvel em:< http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiao.htm>. Acesso em: 18/janeiro/2010. _______. Ministrio da Educao. Disponvel em: . Acesso em: 04/fevereiro/2010. _______. Ministrio do Planejamento, Oramento e Gesto. Disponvel em: . Acesso em: 19/janeiro/2010. _______. Ministrio do Planejamento, Oramento e Gesto. Disponvel em: < http://www.servidor.gov.br/publicacao/boletim_estatistico/bol_estatistico_09/Bol163_nov2009.pdf>. Acesso em: 20/janeiro/2010. _______. Ministrio do Planejamento, Oramento e Gesto. Sries histricas de dados e indicadores fiscais. Disponvel em: . Acesso em: 20/janeiro/2010. _______. Ministrio da Previdncia e Assistncia Social. Livro Branco da Previdncia Social Braslia : MPAS/GM, 2002. P. : Il. _______. Ministrio da Sade. Disponvel em: . Acesso em: 04/fevereiro/2010. _______. Senado Federal. Disponvel em: < http://www9.senado.gov.br/portal/page/portal/orcamento_senado/SigaBrasil>. Acesso em: 20/janeiro/2010. _______. Tribunal de Contas da Unio. Disponvel em: . Acesso em: 21/janeiro/2010. FERREIRA, A. C. de S.; CRUZ, C. F. Transparncia na elaborao, execuo e prestao de contas do Oramento Municipal: um estudo em um municpio brasileiro. Revista de Contabilidade do Mestrado em Cincias Contbeis da UERJ, Rio de Janeiro, v.13, n.2, p.6, maio/ago, 2008. GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. So Paulo: Atlas, 2002.

12

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica. Disponvel em: . Acesso em: 03/fevereiro/2010. OLIVEIRA, E. C. Um estudo sobre a utilizao do oramento participativo como instrumento de maior compreensibilidade dos informes contbeis pela populao: o caso da Prefeitura de Macei/AL. 2007. 142f. Dissertao (Mestrado em Cincias Contbeis). Programa Multiinstitucional e Inter-Regional de Ps-graduao em Cincias Contbeis. UnB/UFPB/UFPE/UFRN, Recife, 2007. SIPRI. Stockholm International Peace Research Institute. Disponvel em: . Acesso em: 22/janeiro/2010.

Notas de Final de Texto. * Todos os sites acessados como fontes de pesquisa para a realizao deste trabalho esto dispostos no referencial bibliogrfico. O estudo coordenado pelo Instituto de Estudos Socioeconmicos (Inesc), em parceria com a organizao no-governamental mexicana Centro de Anlise e Investigao (Fundar), pesquisou a transparncia dos Poderes em 12 pases e conclui que, no Brasil, o Executivo o mais transparente, aprovado por 74% dos entrevistados. (Correio Brasiliense: Agncia Brasil, publicado em 10 novembro de 2009). O Processo de Prestao e Tomada de Contas consiste da documentao contbil e outros demonstrativos relativos atuao das unidades da Administrao Pblica Federal sujeitas jurisdio do TCU que so apresentados a este Tribunal para que sejam analisados sob os aspectos da legalidade, legitimidade, economicidade, eficincia e eficcia, sendo, aps, julgados regulares, regulares com ressalvas, irregulares ou iliquidveis. Disponvel em: http://portal2.tcu.gov.br/portal/page/portal/TCU/comunidades/contas/prestacao_tomada. Este processo tambm definido por alguns autores como accountability. Em que pese a trajetria de queda nos percentuais do oramento do MD em funo do PIB interromper-se nos perodos pr-eleitorais de 2001 e 2005, no possvel qualquer concluso a respeito da relao entre anos pr-eleitorais e maior quantidade de recursos oramentrios disponibilizados ao MD em razo de serem apenas dois perodos. Para tal, seria necessrio um perodo maior, abrangendo vrios anos pr-eleitorais para que fosse possvel inferir algum posicionamento a respeito. ** Segundo Amarante (2008), a ndia no recebe recursos do oramento de defesa para os programas de energia nuclear e para a pesquisa espacial. Assim como em toda a administrao pblica, por conta de lei, no possvel deixar de efetuar o pagamento de pessoal e de encargos sociais devidos ao militar ou a qualquer servidor pblico. Por conta disso a caracterstica de obrigatoriedade dessa classificao de despesa.

/ColorImageDict > /JPEG2000ColorACSImageDict > /JPEG2000ColorImageDict > /AntiAliasGrayImages false /CropGrayImages true /GrayImageMinResolution 300 /GrayImageMinResolutionPolicy /OK /DownsampleGrayImages true /GrayImageDownsampleType /Bicubic /GrayImageResolution 300 /GrayImageDepth -1 /GrayImageMinDownsampleDepth 2 /GrayImageDownsampleThreshold 1.50000 /EncodeGrayImages true /GrayImageFilter /DCTEncode /AutoFilterGrayImages true /GrayImageAutoFilterStrategy /JPEG /GrayACSImageDict > /GrayImageDict > /JPEG2000GrayACSImageDict > /JPEG2000GrayImageDict > /AntiAliasMonoImages false /CropMonoImages true /MonoImageMinResolution 1200 /MonoImageMinResolutionPolicy /OK /DownsampleMonoImages true /MonoImageDownsampleType /Bicubic /MonoImageResolution 1200 /MonoImageDepth -1 /MonoImageDownsampleThreshold 1.50000 /EncodeMonoImages true /MonoImageFilter /CCITTFaxEncode /MonoImageDict > /AllowPSXObjects false /CheckCompliance [ /None ] /PDFX1aCheck false /PDFX3Check false /PDFXCompliantPDFOnly false /PDFXNoTrimBoxError true /PDFXTrimBoxToMediaBoxOffset [ 0.00000 0.00000 0.00000 0.00000 ] /PDFXSetBleedBoxToMediaBox true /PDFXBleedBoxToTrimBoxOffset [ 0.00000 0.00000 0.00000 0.00000 ] /PDFXOutputIntentProfile () /PDFXOutputConditionIdentifier () /PDFXOutputCondition () /PDFXRegistryName () /PDFXTrapped /False

/CreateJDFFile false /Description > /Namespace [ (Adobe) (Common) (1.0) ] /OtherNamespaces [ > /FormElements false /GenerateStructure false /IncludeBookmarks false /IncludeHyperlinks false /IncludeInteractive false /IncludeLayers false /IncludeProfiles false /MultimediaHandling /UseObjectSettings /Namespace [ (Adobe) (CreativeSuite) (2.0) ] /PDFXOutputIntentProfileSelector /DocumentCMYK /PreserveEditing true /UntaggedCMYKHandling /LeaveUntagged /UntaggedRGBHandling /UseDocumentProfile /UseDocumentBleed false >> ]>> setdistillerparams> setpagedevice

Recommended

View more >